Saint Seiya não me pertence, pertence à Masami Kurumada e à Bandai, uso seus personagens com carinho 8DDD

Zeta, Hewke são personagens de autoria própria

Novos sentimentos

Camus andava de um lado para o outro, impaciente, as aulas já haviam acabado, e, como sempre, estava na casa que Zeta ganhara para o casamento para um jantar.

-Quer parar com isso? Está me deixando tonto. O que você quer afinal?

-Não sei dizer, estou angustiado.

-Por ontem? Milo?

Camus parou, surpreso, encarou Zeta por uns segundos e voltou a andar.

-Não sei dizer, só sinto que eu fosse explodir por dentro.

-Acalme-se o que está acontecendo?

-Estou eufórico, minhas mãos estão formigando também e sinto um frio embaixo da minha pele. E não consigo parar de me mexer.

Zeta o encarou analisando-o como sempre fazia. Camus sempre se sentia nú nessas horas, Zeta sabia tudo sobre ele e sentia que sua mente estava sendo lida.

Zeta deu uma risada abafada e voltou a encarar o amigo.

-Milo te deixou tão abalado assim?

-Milo? Bem, não sei dizer porquê..

-Por que não vai até lá conversar com ele? Acho que hoje não abrirão como um bordel, não depois da festa de ontem, provavelmente irão passar a noite arrumando a bagunça, retirando os bêbado, você sabe..

Por quê estaria naquele estado? Oras Milo era completamente diferente agora, pelo menos a sua personalidade. Estava frio, coberto por uma máscara de indiferença. Alheio à Camus e Zeta. Mas o quê Camus esperava afinal? Porque ele deveria significar tanto para Milo quanto Milo para Camus.

A cada passo que ele dava, seu coração batia com mais força em seu peito.

Chegou na casa das torres brancas, Milo estaria onde hoje? O veria com um cliente? Ele se pegou um pouco ansioso por isso, não deveria se esquecer de QUEM era Milo agora.

Os servos foram gentis, um o havia visto saindo do quarto de Milo na noite anterior e deduzira que fosse outro amante apaixonado. O rapaz de cor abafou uma risada com muito esforço e disse que sim, senhor Milo estava lá, e poderia vê-lo.

Camus apenas agradeceu e disse que se viraria sozinho, sentiu o vento gelado bater em suas roupas. A casa toda agora tinha um clima diferente. A parte dos banhos parecia estar imensamente agitada, mas o salão de festas estava sendo limpo. Vários criados passavam carregando panos limpos ou clientes bêbados demais para deixar a casa por conta própria. Ainda podia se ver alguns homens passando correndo ou sendo servidos por seus ou suas amantes. Algumas meninas passavam quase sem roupa correndo e dando risadinhas maliciosas para Camus lançando-lhe olhares pervertidos.

Mas nada disso não passava de incômodos, Camus jamais gostou de meninas e continuou seu caminho até seu objetivo.

Ele chegou na porta que conhecera na noite anterior sem perder, se perguntando porque estava ali afinal? O que diria a Milo?

Camus prendeu a respiração por alguns segundos, a luz fraca vindo das velas e da lua lá fora iluminava o quarto em tons de vermelho e dourado, as sombras dançaram com a sua entrada. Um cheiro adocicado invadiu suas narinas.

Era álcool, vinho.

Milo estava caído entre os lençóis de seda pura e brilhante, seu corpo estava semi-exposto, usava uma manta grega branca de linho que escorria pelo seu corpo como um líquido expesso. Sua pele dourada parecia meio pálida e macia. Camus engoliu a seco quando pôde vê-lo mais detalhadamente.

Da outra vez havia notado sua beleza estonteante, mas agora estava diferente. Milo tinha os cabelos espalhados pela cama como se estivesse em um quadro, suas pernas estavam visíveis assim como suas coxas grossas e bem-torneadas. Seus ombros eram fortes, bem-definidas pelos músculos e seus olhos, aqueles que Camus tanto amou o encaravam piscando os longos cílios grossos.

Seu rosto estava avermelhado, uma de suas mãos fortes estava caída inerte e a outra segurando uma grande garrafa vazia. Estava descalço e um forte cheiro de álcool saía de seu corpo.

Ele deu uma grande gargalhada alta.

-Camus, Camus, Camus. Que surpresa agradável.

Pareceu que o esforço para erguer-se foi enorme. Mas Milo levantou o tronco, deixando a cabeça pender um pouco para trás.

-O que veio fazer na minha humilde residência?

Camus apenas continuou olhando, estava pasmo demais para dizer algo, encantado? Chocado? Não saberia responder, não sabia o que estava fazendo lá, não sabia porque estava tão ansioso e não sabia porquê ele, Milo, com tão pouco tempo juntos tinha o afetado desse modo.

Milo estava muito bêbado, disso ele tinha certeza, ele se jogou para frente engatinhando até a beirada da cama como um gato selvagem.

-Camus, sabe quantas noites eu repeti o seu nome para não esquecê-lo?- e deu uma outra gargalhada alta.-muitas noites, desde que você revelou-me. É realmente um lindo nome, lindo.

Levantou jogando o corpo novamente de um lado para o outro e se jogou sobre Camus, agarrando em sua roupa e o puxando para sua cama.

-É uma surpresa para mim, realmente que você apareça aqui novamente, achei que jamais o veria nesta casa novamente, não depois de ontem. Veio para provar meus dons? Venha, vou lhe mostrar a minha especialidade. Não se preocupe, farei por conta da casa.

Camus se desvencilhou com dificuldades, Milo era com certeza mais forte que ele, mas estava tão alto que não conseguiria lutar.

-O que está fazendo? Não vim para esse tipo de coisa, não tenho interesse algum nos seus...dotes.

Milo riu novamente, se jogou para o outro lado da cama e agarrou outra garrafa de vinho. Arrancou a rolha e sorveu uma grande quantidade de uma só vez.

Balançando a garrava de um lado para o outro como um bêbado de bar ele recomeçou a falar.

-Se não quer meus serviços, para quê está aqui?- não foi rude, apenas curioso.

-Não acho que vamos conseguir conversar se você continuar bebendo dessa maneira.

Camus se levantou da cama e arrumou sua roupa, passou os dedos pelos cabelos vermelho-fogo penteando-os.

Milo observava tentando manter o foco em Camus, certamente estava igualmente fascinado.

Respirou fundo uma vez, Milo era cínico e estava apenas zombando de sua cara desde a noite anterior. Tentou se lembrar de como eram quando estavam presos na carroça entre as grades de madeira, como sentira seu carinho e seu amor pela vida.

-O que aconteceu com vocês? Você e Hewke quando foram vendidos?

A pergunta pegou Milo de surpresa, ele largou a garrafa de vinho e tentou se sentar na beirada das grandes pilastras.

-Para quê quer saber?

-Milo, estamos ligados de uma forma ou outra, desde aquele dia eu me pergunto o que aconteceu com você e com ele, o que aconteceu com a garota que estiver conosco. Você escutou Zeta, ele também acredita nisso.

-Ligados?- ele riu- ligados pelo quê? Pode me responder? O que nos faz ligados? Como prisioneiros que dividiram a mesma cela sem ao menos cometer nenhum crime? Não, Camus isso não liga ninguém. Somos apenas testemunhas temporárias uns dos outros.

Milo se levantou de joelhos e passou a mão no rosto de Camus.

-Já disse que é adorável como você pensa, mas é apenas o sonho de pessoas românticas. Talvez um pouco ingênuo de mais, ignorante de mais se me permite dizer.

Camus riu.

-Ignorante?

-Sim, ignorante. O que aconteceu quando era uma criança, digo até o momento em que chegou na gaiola?

Camus sentou-se na cama, Milo parecia extremamente consciente apesar de estar cambaleando e com as pupilas dilatadas.

-Me ajudaram a fugir. Me vestiram e sujaram e me esconderam entre outras crianças.

Milo chacoalhou a cabeça para acordar um pouco. Voltou a se jogar entre os travesseiros na beirada da cama, encostando as costas. Podia-se ver um lado de seu peito perfeitamente descoberto, o desenho era estonteante, como olhar para o próprio Apollo e Camus sentiu seu corpo tremer.

-Você não conheceu o esquecimento, não é mesmo? Pessoas que te amaram e te deixaram para trás. Isso tudo que você diz, sobre a ligação entre as pessoas, não passa de uma ilusão.

Camus mudou sua expressão para curiosa, ergueu as sobrancelhas. Milo deu outra risada alta.

-Não se preocupe com isso, se não veio pelos meus serviços e diz que veio conversar, vamos tentar ter um clima agradável, sim? Estou livre à noite toda, podemos beber até desmaiarmos.

-Não quero beber, mas estou sim interessado em uma noite de uma interessante conversa.

Pelas horas que se seguiram, Camus contou como sua vida havia sido desde que se separaram, que teve uma vida incrível e fascinante, que estudou e trabalhou entre os nobres e que era um professor agora e não um servo. Contou que Zeta e ele eram bons amigos e que Zeta quase morreu uma vez com o ferimento aberto em sua perna, e seus mestres o amavam tanto que fizeram de tudo para ele sobreviver, chamaram os melhores e mais caros médicos e curandeiros e alimentaram-nos e abrigaram e o deixaram viver sem trabalhar o quanto fosse necessário.

E conseguiram, e ele se casaria em breve, teria uma vida boa e saudável com filhos gordinhos e bem-tratados.

Milo ria quase que constatemente, Camus de repente se lembrou de quando estavam presos e Milo fazia a mesma coisa, ria de tudo, se esforçava para sorrir quando sentia fome ou quando sentia medo.

Milo contara a Camus que ali a realidade era cruel com eles, foram forçados a estudar várias línguas e culturas, aprenderam a lidar com as pessoas e serem submissas às suas vontades. Aprenderam que seriam odiados por muitos e que deviam saber como convencer as pessoas de que seus serviços eram, mesmo que não fossem, necessários.

Contou que Hewke fora seu melhor amigo, que era bom por natureza e fora um religioso antes de ser preso. Jamais fez mal a ninguém na casa e era um bom amante, pelo que ouvia seus clientes dizerem. Era o mais inteligente entre eles e sempre surpreendeu a todos.

Quando notaram o sol nascia entre as cortinas pesadas das janelas. Uma serva entrara no quarto para recolher as roupas largadas pelo chão e trazer uma bandeja com muitos pães e doces, leite fresco e frutas.

-Comemos aqui no quarto todos os dias pois quando temos clientes ele provavelmente acordaria faminto. Sente-se comigo Camus, odeio comer sozinho.

O céu estava azul, límpido, as poucas nuvens deslizavam suavemente. Camus se despediu de Milo na porta dos fundos curvando-se como um cavalheiro e foi surpreendido com um beijo em seu rosto.

-Obrigado pela noite- Milo sorriu melancolicamente- foi agradável como não tenho à muitas noites.

Camus sentiu seu corpo tremer de leve, sorriu de volta e agradeceu também.

O céu já estava azul quando caminhava para saída da cidade onde seu cavalo o aguardava para levá-lo de volta a sua residência. Camus não conseguiu deixar de pensar na noite anterior, em como a conversa se desenvolveu com tanta facilidade, como Milo ainda parecia o mesmo, mas ao mesmo tempo tão diferente. Como seus olhos pareciam saber de tudo e não querer nada. Como a melancolia doce que o envolvia era tão magnética.

-Como foi?- a voz forte de Zeta surgiu atrás de si, ele, ainda com seus pijamas tinha os cabelos bagunçados e os olhos levemente caídos.

-Zeta? Quer me matar?

-Você não é de se distrair Camus, vejo que aproveitou bem a noite- um beijo suave foi trocado antes de Zeta acompanhar Camus para dentro.

-Não ria de mim, Zeta, apenas conversamos, nada de mais.

-Entendo.- seu sorriso se desfez lentamente e seu semblante sério apareceu- Camus, entendo que esteja fascinado por Milo, ele é uma criatura encantadora de fato, mas creio eu que não seja apropriado se apaixonar.

Camus nada respondeu, seus olhos percorreram o chão e depois olhou para Zeta novamente.

-Meu amigo, não lhe quero mal algum e você sabe disso, mas Milo não é o tipo de pessoa para você, talvez uma noite ou outra, mas não deve se envolver demais, pela sua profissão ele...

-Do que está falando Zeta?-sorriu- Não há nada entre Milo e eu, apenas como você mesmo disse a ligação do nosso passado.

-Se é isso mesmo porque ficou lá a noite inteira? Eu também estava na carroça e eu não estava lá com você hoje-Zeta colocou a mão em seu ombro- olhe, Milo tem o dever de ser encantador, mas isso não signifia que ele sinta o mesmo por você, viu como ele falou conosco? Ele não acredita em nada nem em ninguém.

Camus se calou novamente e voltou a encarar o chão.

-Não há nada..

-Estou apenas pedindo para você tomar cuidado, não quero que se fira com falsas ilusões.

Camus ergueu-se na ponta de seus pés e depositou um beijo nos lábios de Zeta.

-Obrigado por se preocupar comigo, meu amigo. Agora se não se importa deitarei-me, estou exausto.

Era pôr do sol quando Camus se levantou de sua cama, os servos já haviam lhe servido o jantar em uma mesa farta como apenas os senhores tinham. Zeta havia entrado no quarto de Camus para acordá-lo. Ele sempre carregava sua bengala preta com detalhes prateados e pedras preciosas em sua mão.

-Camus, é noite, acorde, venha jantar comigo.

Seus braços longos sob o camisolão branco se esticavam como uma criança, ele balançou a cabeça levemente e passou os dedos sobre os cabelos desarrumados.

-Não é de seu feitio dormir tanto-riu- venha, vista-se e iremos para a sala de jantar.

Mais um bocejo, Camus respirou fundo e abriu os olhos piscando. Um rapaz de pele dourada e olhos escuros vestido com roupas azuis e douradas chegara com um balde de água em suas mãos oferecendo-a para Camus lavar seu rosto, um outro rapaz ao seu lado segurava uma toalha.

-O que eles fazem aqui?

-Me seguem para todos os lugares agora, minha futura esposa acha que eu preciso de babás, quando eu disse que viria aqui ela mandou trazê-lo para você também-ele balançou a cabeça- não adianta dizer-lhes para nos deixar, é realmente um incômodo, não sou um inválido.

Camus colocou uma mão fechada em frente à boca para tentar esconder um riso.

-Zeta, irei lá novamente hoje.

Zeta encarou-o nos olhos e virou-se.

-Se assim desejar, mas não recomendaria, hoje é um grande festival e provavelmente a casa estaria lotada. Milo é um dos mais disputados e caros, provavelmente seria reservado para alguém especial.

Camus pensou novamente, o que deveria fazer? Não sabia das festas e que poderia-se reservar alguém, de repente lhe pareceu repugnante a idéia de tratar alguém como uma mercadoria. Mas pensaria nisso depois, desceu para jantar com seu velho amigo.

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Olá queridas leitoras e leitores.

Primeiramente quero agradecer à minha nechan linda, Eric.J , Fernanda e . Fiquei muitíssima feliz em receber reviews, sério mesmo, me ajudam bastante a continuar a escrever, mesmo agora que estou em uma crise de criatividade em falta.

Confesso que fiquei realmente apreensiva para postá-la, durante muito tempo tinha planejado não postá-la por ser longa e temer ser cansativa. Mas minha nechan e um amigo me incentivaram bastante a postá-la aqui.

Bom, o próximo capítulo já está feito, então creio que não demorará a ser postado, espero que perdoem os erros e tudo mais, não tenho betareaders X_X e nem corretor automático _

Muitíssimo obrigada a quem leu até aqui, Reviews, críticas construtivas e alôs são sempre muito bem-vindos *-*

Até a próxima