Saint Seiya não me pertence, pertence à Masami Kurumada e à Bandai, uso seus personagens com carinho 8DDD
Zeta, Hewke são personagens de autoria própria
A fuga
Camus tomou um longo banho e raspou a barba ruiva que crescera em seu rosto. Os servos de Zeta o seguiam de um lado para o outro e era levemente irritante. Resolveu que não iria ver Milo nesta noite. Não seria apropriado atrapalhá-lo em uma festa, pelo menos foi o que disse à Zeta.
A verdade é que saber que ele teria a obrigação de atender os clientes da casa lhe incomodava um pouco, mesmo relutando em admitir. Camus sabia o que Milo deveria fazer e não queria estar presente na casa para isso.
Então, naquela noite decidiu sentar-se com Zeta na sala de jantar, conversavam como sempre conversaram, discutiam política e filosovia até que finalmente seu companheiro decidiu se retirar e Camus estava sozinho novamente.
Porém, algo dentro de seu coração não se acalmava, uma urgência inquietante e aterradora tomou conta de seu peito e pulsava para seu cérebro e Camus precisava sair.
Montou sua cela em seu cavalo favorito sem que nenhum de seus servos o vissem e correu para a cidade. Calculou que era uma três ou quatro da madrugada quando chegou à casa de banhos de Milo, a visão que teve não era muito diferente da noite anterior. Bêbados caindo, depravassão pelos cantos escurecidos propositalmente, algumas brigas aqui e ali e ele não teve sua entrada barrada.
Camus subiu ao quarto de Milo, imaginou que ele não estaria no salão e sim com clientes.
Clientes? Se estivesse iria atrapalhar com certeza, não deveria subir, não deveria espiar, mas sem que percebesse, se dirigiu ao quarto do loiro. Em apenas alguns passos mil idéias se passaram em sua cabeça, tiraria Milo daquele lugar horrível, o levaria com ele para sua casa e moraríam juntos com Zeta até que Zeta se casasse. Ora, quanta bobage, Milo estava ali por conta do destino, talvez não fosse o papel de Camus interferir.
Mas quando notou estava lá na porta parado, temeroso tentou escutar algum barulho, mas nada ouviu. E viu a porta entreaberta.
Camus a empurrou de leve tentando não fazer barulho , a luz da lua era fraca, não podia focalizar nada.
-Milo?-chamou baixinho-Milo?-foi aumentando gradualmente sua voz- está por aqui?
Vasculhou andando devagar para não tropeçar em nada. Camus sentiu um vento gelado entrando por uma das janelas.
Andou mais alguns passos quando olhou para o lado e viu aterrorizado. Milo estava sobre uma cadeira, havia lençóis pendurados no teto formando um círculo e Milo passava a corda em seu próprio pescoço e se jogara do banco, começara a sufocar.
Camus correu, olhou à sua volta tentado achar algo para subir, uma caixa qualquer coisa, e empurrou a mesa para embaixo dos pés de Milo, já roxo.
Levantou seu corpo para cima e caíram os dois no chão, Milo tossiu com força algumas vezes, estava vivo. Tossiu e tossiu até que conseguiu se acalmar e recuperar o fôlego, provavelmente havia acabado de se pendurar ainda.
Milo passou os dedos delicadamente pelos cabelos longos de Camus. Puxou-o subitamente de encontro ao seu peito e o abraçou com força. Ele tremia ofegante.
Nem uma palavra foi trocada durante esse tempo, Milo o segurava como se fosse a corda que o mantinha nessa vida, Camus jamais temera morrer mas agora temia que Milo o deixasse. Tudo acontecera muito rápido e agora, não saberiam o que fazer.
-Por que fez isso? Porque me salvou?-ainda tossia um pouco.
-Não queria que você morresse.
-Por quê?
Camus ainda tentava se recompor do susto. Colocou a mão no peito tentando se acalmar e colocar a cabeça no lugar.
-Não sei dizer..meu coração doeu quando eu o vi pendurado aqui.
-Camus...não posso mais viver..você não entende..não sabe o que passo...
-O que está acontecendo, Milo, diga-me o que houve com você- Camus tocou seu ombro e apertou de leve tentando ser delicado.
-Ele virá- respondeu com os olhos vidrados em Camus- com seu bando, e eu serei levado com ele.
-Quem? De quê você está falando Milo?
Milo levantou e olhou para um lado e depois para o outro e tentou se levantar e empurrar Camus para fora.
-Se você for visto aqui, morrerá, ele tem amigos no país inteiro.
Milo encarou Camus nos olhos, seu desespero aparente e seu medo, medo não, terror estampado em cara milímetro de seu rosto.
-Conde Vanquish. Ele me comprou, irá me levar para sua residência no norte do país, Camus eu não suportarei ir. Hewke...Hewke também foi comprado, ele se matou assim como eu, nós sabemos do que o Conde é capaz, a morte é melhor, muito melhor, depois de tudo o que passamos nesse lugar, ainda prefiro a morte...
-Acalme-se Milo conte-me o que aconteceu.
-O Conde Vanquish é um monstro, frio e cruel que se diverte torturando escravos, ele vem e compra alguns de nós todos os anos e desses rapazes, jamais ouvimos falar novamente. Quando temos uma noite com ele, uma noite é o suficiente para sabermos que não poderemos tê-lo nem como cliente sem odiá-lo com toda a nossa alma.
Milo insistiu que ele devia ir embora, deveria deixá-lo antes que o conde chegasse com sua carruagem e o levasse embora. E implorou para Camus deixá-lo morrer em paz.
Mas Camus não permitiria. Algum motivo no interior de sua alma gritava para não deixá-lo morrer, não poderia. Camus segurou Milo pela mão e o puxou para a saída. Em meio à tantos bêbados e encrenqueiros não seria difícil sair naquele horário.
Pensou por um momento qual seria a coisa mais apropriada a fazer e resolveu voltar para casa. Zeta, ele saberia o que fariam e Camus colocou Milo em seu cavalo e juntos cavalgaram de volta para sua residência.
Camus abriu a porta estrondozamente e correu para o quarto de Zeta, batendo ruidosamente até que seu companheiro acordasse meio zonzo e cambaleante, abrisse a porta.
Sentaram-se os dois nas cadeiras da cozinha.
-Camus você perdeu a cabeça de vez, o conde irá mandar caçar vocês dois até o inferno, ele estará com o orgulho ferido e não estará satisfeito por você ter lhe roubado sua propriedade.
Zeta tinha o olhar firme em Camus, a veia de sua testa estava mais saltada que nunca estivera. Milo ainda estava ofegante pela corrida, olhava para Camus e depois para Zeta, mas não saía da porta de entrada com os olhos vidrados.
-Eu tinha que fazer, Zeta, eu não poderia simplesmente deixá-lo ali para morrer.
-É loucura, você está louco, estou dizendo, o que irá fazer agora?
Camus virou para Milo, seu coração batia mais forte que nunca, estava eufórico e elétrico, mas não temeroso, estava firme em sua decisão.
-Zeta, você conhece pessoas da terra em que eu nasci, não? Consegue para mim um pedaço de terra no sul da França? Não preciso de muito, apenas uma casa, uns cavalos...
-Está louco? O que pensa que vai fazer? Fugir daqui? Abandonar tudo o que tem?
-Zeta- respirou fundo- meu amigo, como você mesmo disse, eu não posso mais ficar aqui, serei condenado, olha, sou da França saberei me virar por lá, sei falar muito bem o francês e talvez eu encontre os membros de minha família, meus primos ainda vivos, é, meus primos, eles poderão me proteger. Mas antes preciso disso, um pedaço de terra e uma casa, talvez umas ovelhas, não quero a vida luxuosa que tenho aqui, não preciso de muito dinheiro, quero nada além de paz.
-Camus..
-Não se preocupe comigo , Zeta..você consegue?
Zeta o puxou para dentro da sala e cochichou em seu ouvido.
-Camus, você acaba de conhecê-lo, vai arriscar tudo o que tem? Tudo o que conquistou nesses anos todos? Sei que tivemos um passado, mas isso não significa mais nada agora. Ele mesmo falou, você lutou tanto e agora olhe para você, quase um nobre, quer mesmo isso?
Camus sorriu.
-Não há nada que eu possa fazer a não ser fujir agora, Zeta, e não vou entregá-lo. Não vou abandoná-lo , você consegue o que eu lhe pedir? Se sairmos do país ele não nos achará.
Zeta olhou novamente para Milo e fechou os olhos, colocou o polegar e o indicador sobre os olhos apertando um pouco.
-Jamais o vi tão impulsivo durante todo o nosso tempo juntos.
-Eu sei.
-Você está arriscando muito, Camus, muito mesmo.
-Entendo.
Zeta respirou profundamente e olhou para Milo e mandou que ele entrasse logo antes que alguém o visse na porta.
-Olha, não sei porque Camus me trouxe-disse Milo andando temerosamente- não o pedi para que me salvasse, me deixem morrer e jogem meu corpo para aquele conde idiota.
Zeta levantou a mão em sinal de silêncio para Milo e voltou a olhar para Camus que se mantinha em uma postura firme e decidida.
-Farei o possível, mas vocês devem partir agora mesmo, mandarei um mensageiro rápido para um aluno, ele era seu aluno também, Camus, hoje está casado com uma condessa na França, ninguém saberá, mas se ficar até o amanhecer não acordará vivo. Agora vá, arrume suas malas, não leve muita coisa, não devem viajar devagar e jamais, ouviram, em hipótese alguma devem voltar para cá.
Camus abraçou Zeta agradecendo. Era a primeira vez que se sentia dessa maneira, que impulso ridículo era aquele? Mas mesmo assim estava imensamente feliz, Milo o encantara e vê-lo pendurado em seu quarto era como uma faca atravessando seu coração. E voltaria para França afinal, ele amara a França no passado e sempre sonhara em voltar para lá.
-Camus, isso tudo, você...não...não parece você.
-Eu sei, também estou surpreso comigo mesmo...eu mesmo não sei dizer o que aconteceu.
-Camus- Milo colocou a mão em seu ombro- não pedi para ser salvo, deixe-me ir, você estará em perigo comigo por perto, seja sensato, não há nada para mim perder e você- respirou fundo- você tem uma vida, tem uma família com Zeta, tem seus alunos, que você tem tanto carinho. Não deve perder tudo isso agora. Não, eu posso simplesmente desaparecer, mas você não. Deixe-me partir sozinho então, desaparecerei por completo, juro que não morrerei.
-Olhe, fui mais que depravado naquela casa horrível, como quando me olhavam com os olhos gulosos na casa de banhos, quando homens de elite me tocavam e me possuíam, ou exigiam que eu os possuíssem, minha mente saía de órbita. Camus, você teria nojo de mim e das coisas que eu fiz nessa vida, você teria nojo dos homens que me devoravam com seus desejos carnais, fantasias que jamais poderiam realizar em qualquer outra pessoa. Eles me amavam, mas, isso não era importante, eles me desejavam e eu sentia em seus toques grosseiros que eu os encantavam isso era o que me movia dentro daquele lugar. O desejo, ser desejado.
Camus entortou um pouco a boca e Zeta ainda estava com o rosto rígido.
-Prefiro que saiba a verdade agora e não se arrependa do que fez, ou se arrependa agora e me deixe partir, para fugir sozinho porque é o que eu tenho que fazer. Me deixe partir Camus, não sou para você quero que me odeie se preferir, mas não quero que sinta repulsa depois de partirmos juntos, prefiro a morte. Case-se assim como Zeta, seja feliz com uma esposa e filhos gordinhos.
Camus prendeu a respiração olhando para Milo. E Zeta achou a idéia de Milo ir sozinho perfeita.
-Milo, posso dar-lhe cavalos e dinheiro para fugir. É, Camus, ele pode estar certo.
-Não, Milo, você vem comigo, sem questionamento. Eu o trouxe comigo, e ficarei com você até o fim, mesmo que isso signifique a morte. Zeta, meu amigo, meu irmão, devo-lhe minha vida e só Deus sabe como. Eu o amo, e o terei sempre em meu coração- Um longo abraço foi trocado e Zeta sussurrou em seu ouvido "eu o amo também, adeus".
Camus e Milo jamais ouviram falar de Zeta depois daquele dia.
Não tiveram problemas na viagem, para a surpresa de Camus, quando ele chegou no Sul da França foi bem-recebido por um ex-aluno a qual ele gostava muito.
Zeta havia lhe comprado algumas terras na França através de um intermediário, uma casa pequena à beira de um rio, cavalos e ovelhas e uma grande plantação fazia parte de seu território. Assim como muitos servos. E lá, Camus e Milo construiram uma pequena fortuna.
Camus estava certo de que fora a melhor época de sua vida humana. Depois de alguns dias que chegaram na França, Milo estava completamente à vontade com a sua presença e a casa, embora a princípio havia se recusado a ser um dos mestres da casa, Camus insistiu que ele tinha tanto daquele lugar quanto ele próprio.
Foi na terceira tarde, quando Camus voltava dos negócios finais com seu ex-aluno que viu de cima do cavalo.
Milo estava em pé, mantinha os olhos fechados e os braços abertos sentindo o vento passar pelo seu corpo. Seus cabeços loiro dançavam rapidamente. Camus se aproximou e foi abraçado por Milo, rindo.
Juntos rodopiaram até cairem no chão, tontos e gargalhando alto. Camus parou de rir ergueu-se em seus cotovelos e ficou fitando Milo de costas para o chão.
-O que está olhando?
-Jamais tinha visto seu sorriso.
-Do que está falando?- Milo passou a mão na testa de Camus, retirando uma mecha de cabelo de sua testa e alisando seus fios ruivos.- sorrio praticamente o tempo todo.
-É sim, eu sei, mas não como agora. Não o seu coração sorrindo, jamais vi tamanha beleza em toda a minha vida.
Milo também ergueu-se e jogou seu próprio corpo contra Camus, prendendo-o no chão.
-Obrigado, por me salvar, por salvar a minha alma-ele sussurrou.
Milo passou o nariz em seu rosto fazendo Camus se arrepiar com sua respiração, seu cheiro era embriagante. Assoprou de leve a sua orelha, Camus tremeu novamente, como Milo era um sedutor.
Seu rosto foi beijado suavemente, sua testa, a ponta de seu nariz e finalmente chegou aos lábios, começando delicadamente.
Devagar, Milo escorregou sua língua para dentro de sua boca, como uma cobra curiosa.
-Jamais, em toda minha vida me senti assim com alguém, nem com Hewke, nem com meus amantes, nem com ninguém, como pode um amor nascer assim? Eu mal o conheço Camus. Sei que sou –lhe grato por me salvar, por vir me buscar, mas mais que isso, sei que a minha existência agora precisa da sua, sei que preciso saber que irei vê-lo novamente, sei que seu sorriso me faz bem e que sua voz me faz feliz. Camus, não sei que feitiço jogou em mim, mas espero que isso seja eterno.
Camus sorriu, era estranhamente assustador o poder de Milo em si, ele sentiu seu corpo ferver quando Milo percorreu seu pescoço trilhando os lábios até seu ombro. Seu cheiro era doce e selvagem como as flores silvestres. Camus desceu a mão pelos braços de Milo sentindo os músculos sob a roupa de algodão grossa e sentiu sua boca ser atacada novamente.
Milo não era apenas sedutor, era ousado também. Devagar, ele adentrou por baixo das camadas do tecido de sua camisa, alcançando sua pele e riu um pouco.
-O que foi?
-Você não tem pêlos aqui-tocou seu peito trilhando um caminho até seu umbigo fazendo Camus se arrepiar e gemer de leve.
-Não ria-disse envergonhado, e passou a mão por sua nuca, puxando-o novamente para se beijarem.
Camus gemeu, alto, fora de seu próprio controle e Milo riu novamente.
-Pare, Milo, aqui não, vamos entrar.
-Tudo bem, ninguém irá se importar- disse mordiscando-lhe a orelha e o pescoço.
-Milo..-gemeu novamente entre os dentes. A voz de Camus soara totalmente convidativa, rouca, baixa e cada vez mais seu sotaque antigo voltava à tona.
-Como você é precioso, meu anjo de cabelos vermelhos, meu salvador, o dono de meu coração e minha alma agora, farei de você o que quizer, sabe disso? Você é meu e eu sou seu agora, não há mais nada além do que somos não quero mais nada nesse mundo a não ser ficar com você por toda a eterninade- Camus não respondia mais, estava entregue de corpo e alma ao ser de cabelos dourados, seu Apollo de pele bronzeada e agora já despido de sua camisa-Nem a morte irá nos separar mais, seremos um só para sempre, se eu morrer irei viver em você, seu corpo habitará a minha alma.
O cheiro da grama úmida, as roupas jogadas em todo o canto. O sabor adocicado dos lábios semi-aberto. Camus admirava as marcas roxas deixadas pelo Conde em suas coxas e costas.
-Isso não é nada comparado com o que ele faz-disse ressentido- mas isso não é importante, ei de esquecer isso em seus braços, meu amado, meu protetor. E voltou a beijá-lo.
Finalmente quando ambos estavam exaustos, Milo se vestiu rapidamente dando altas gargalhadas e conduziu Camus pela mão para dentro da cabana onde morávam agora, o jantar estaria esperando.
...oooOOOooo...
Olá leitoras queridas, como vão?
Eu demorei mais para postar esse chap porque..bem...para começar o esteve me trollando U.u, eu editei umas duas vezes essa joça e ele fazia questão de finjir que eu não fiz nada U_U
E nas últimas duas semanas foi as férias de verão do Japão, e também foi a semana do meu aniversário *-*. Sabem como é não? brasileiros, aniversário, churrasco e festa, mesmo aqueles que estão fora do país, fora o meu, mais três amigos fizeram aniversários portanto estivemos um pouco ocupados XD.
Bem, voltando ao capítulo. Fiquei realmente na dúvida se deveria ou não escrever a parte final, do quase-lemon, pois não estava certa de que se combinava com a fict ou não. Mas acabei postando assim mesmo, acho que foi porque eu ando jogando muitos jogos BL-game meio pervas e lendo muitos mangás que as idéias afloraram XD.
Sobre a fict em si, creio que ela acabará logo, eu ia escrever uma big-fict, mas acho que ela estará melhor mais curta e tendo a continuação em uma outra fict, e, talvez juntarei essa com a Love&Blood futuramente.
Espero que tenham gostado.
Nechan Pure-petit-Cat, arigato pelo apoio SEMPRE *-*
Eric.J infelizmente farei a fict menor do que eu esperava, mas como vai ter continuação, espero que você continue acompanhando *-*
Pandora.Lc linda, arigato pelo apoio, espero te encontrar um dia no msn para batermos uns papinhos XDD
Agradeço de coração reviews *-*
até a próxima
