CAPÍTULO 7
Vitórias e Derrotas
Por Diana Prallon
O quadribol já não era mais a mesma coisa.
Hogwarts já não era mais a mesma coisa.
O mundo já não era mais a mesma coisa.
Sim, tinha vencido Malfoy magistralmente fazendo 200 pontos só ela em uma partida, apesar dele ter pegado o pomo – o novo apanhador jamais seria um Harry, e era só sua primeira partida. Sim, a tão falada aposta tinha acabado e tinha ganhado seus cinco galeões.
Só que já não tinha importância. Não fazia diferença alguma, porque o mundo todo estava errado. Estava cada vez mais difícil ver a verdade, mas fato que ao entrar no pátio parecia que todas as pessoas eram apenas uma; o mesmo garoto e a mesma garota de novo e de novo. Todos viviam em um estado de alerta, de semi-terror. De infelicidade e incerteza.
Sua família continuava, para todos, absolutamente neutra. Sob os panos, a morte do diretor mudara tudo, e a fuga de seu irmão com Harry era prova disso.
E não era apenas sua família, mas também sua longa relação com Draco. Estava amarga, e odiava-o pela morte de Dumbledore. Ao mesmo tempo, via que ele carregava o peso e a dor nos olhos, e não podia deixar de se perguntar pelo que ele não teria passado para chegar aquele ponto.
Tudo precisava mudar.
Nada naquela guerra era certo.
Ele não tinha varinha, ele estava perdido, no meio de tantos lutadores. Aquela era a hora final para todos eles: não havia mais um muro, pois o combate era livre. Tão livre que, aos seus pés, jazia Fred no chão.
Hermione e Ron estavam ali, mas ela não queria chorar. Não adiantaria chorar, não o traria de volta. Estava com raiva, e só queria descontar em alguém.
"Tudo isso é sua culpa. Se Dumbledore estivesse aqui..."
"Eu não estaria" ele respondeu, opaco.
E ela olhou para ele, irritada e insensível.
"A sua vida pela dele, Malfoy, era esse o trato? Mas que tipo de mesquinharia você..."
"A minha família pela vida dele" revelou, sombrio. "Vai dizer que não faria o mesmo pela sua?"
Os dois se encararam, os olhos igualmente duros e machucados.
"Você perdeu seu irmão. Sinto muito. Está com raiva do mundo e descontando em mim porque não pode suportar a dor. Pode dizer honestamenteque não faria qualquer coisa pela sua família?"
Ele a olhou nos olhos, e antes tivessem lágrimas a serem derramadas. Aquele vazio doía mais do que ela podia suportar.
O salão estava cheio de comemorações e sobreviventes. Os Malfoy estavam fortemente unidos, felizes apenas terem sobrevivido. Ginny poderia estar feliz, se não visse no fundo dos olhos de Draco o quanto ele ainda estava abalado e partido.
E, sem pensar, aproximou-se e colocou a mão sobre a do rapaz.
"Aposto cinco galeões como posso te ajudar."
O sorriso fraco e meio triste dele foi tudo que foi preciso para que ela soubesse que mais uma aposta estava selada. Só não imaginava aonde isso os levaria.
