Epílogo

Por Cinco Galeões

Por Diana Prallon

Draco tinha perdido três vezes cinco galeões para Ginny Weasley.

Mas esse não era o problema.

O problema não era ela ser uma artilheira excelente, e uma apanhadora razoável.

O problema não era ela estar sempre irritantemente certa a respeito dele, ou ter se disposto a ajudá-lo mesmo quando toda sua família achava que ele era bastante responsável pelo caos daquele último ano dele na escola.

O verdadeiro problema é que, junto com seus quinze galeões, tinha perdido seu coração.

Ás vezes pensava que tinha sido aos poucos – como o dinheiro. Ás vezes pensava que já tinha o perdido quando aceitou a primeira aposta. Mas a maior parte das vezes tinha certeza que ela não tinha roubado seu coração de forma alguma.

Ela juntara os pedaços, o colocara na forma, esquentara-o no fogo, martelara-o, até que estivesse forjado novamente. Pedaço por pedaço, um de cada vez. E, claro, cada vez entremeada por longas tagarelices.

Ginny era bonita, e mais, era destemida e corajosa. Não tinha medo de coisa alguma, e certamente não tinha medo dele, ou o adorava. Ela apenas fazia por ele o que era preciso ser feito, e ele sabia disso.

Mas amava-a mesmo assim, não só por isso, mas por todas as outras coisas.

Pela forma como ela o desafiava, e pela forma como ela cruzava os braços.

Pela forma como ela subia em sua vassoura, e pela forma como ela lançava-se em longos arremedos para o chão para desviar de artilheiros e balaços.

Pela forma como insistia em ganhá-lo, e não levá-lo a sério.

Ginny passeava pelo campo, a goles na mão, fazendo um gol facilmente. Os torcedores do Harpies vibraram, e ela levantou os braços em comemoração. As palmas encheram o estádio, e ela fez uma cambalhota no ar, sorrindo.

Os Wasp não tinham chance, mesmo com o pomo em sua mão.

O jogo acabou, e ela veio em sua direção.

"Meus cinco galeões, Malfoy." Falou, com um sorriso maroto.

Sem temer e sem duvidar ele falou para ela:

"Não quero te dar cinco galeões, Weasley." Ela encarou-o, em incredulidade. Draco nunca fora um mau pagador. "Eu quero que você tenha toda a minha fortuna. E minha casa. E meu nome."

Ela continuava apenas a olhar, sem entender, enquanto ele se colocava sobre um dos joelhos.

"Case comigo, Ginevra Weasley."

Assim, simples – sem nem mesmo um beijo antes, ou qualquer romance. Não era preciso, ele já sabia (talvez sempre tivesse sabido) que Ginny era a mulher da vida dele. Aquela que o desafiaria e o acompanharia, igualmente. Aquela que poderia ser sua esposa, sua igual.

Para manter a tradição das Harpies, a primeira coisa que ela fez foi quebrar sua vassoura na cabeça dele, sob os flashes enlouquecidos dos fotógrafos.

E, então, o puxou para si, beijando-o pela primeira vez, lábios, línguas e narizes encontrando-se em um movimento natural e fácil, como se tivessem feito isso milhares de vezes antes.

"Achei que nunca pediria."

Ele perdera seu coração por cinco galeões.