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PRISÃO DO DESEJO
"À medida que a luz se torna mais ardente
E o calor derrete seu coração
O fogo está despertando
Existe um medo antigo que todos nós conhecemos
Agourento, corrompido, emaranhado em si próprio..."
(Tradução do 1º verso da canção "Semblance of Confusion" –
banda After Forever.)
.:: Capítulo II – Semblante de Confusão ::.
Com os raios do sol fraco da tarde batendo em seu rosto, Riza acorda. Está ainda meio tonta, mas nada que qualquer pessoa que acaba de acordar também não esteja. Sua primeira atitude é levar as mãos até o rosto para esfregar os olhos e tentar abrí-los o máximo possível, ainda sem se dar conta de onde estava.
Enquanto seus dedos pressionavam levemente os olhos afim de fazê-los acordar logo, Riza escuta um tilintar de metal, e, ao mesmo tempo, sente um peso a mais em seus pulsos. Quando seus olhos já podem ver com precisão, ela nota o que era tudo aquilo que escutava e sentia: uma algema que prendia seus pulsos na cabeceira da cama.
Sua primeira reação é a de estranhesa, lógico, olhando para aquilo com um olhar de quem pensa "Mas o que é isto?!?...", e, depois de ver que seus pulsos estavam presos, ainda percebeu algo mais perturbador: não estava em seu quarto, muito menos em sua casa. Num pensamento rápido, ela se lembra de quando estava discutindo com Roy, ele a beijou e, depois, quando ele pediu mais, ela não se lembrava de mais nada. Não foi preciso imaginar muito para supôr aonde deveria estar: na casa dele.
Assim que ela realiza tudo isto em sua cabeça, tenta se levantar e percebe que a algema que a prendia não era tão curta quanto as habituais, tendo uma corrente nas extremidades de cada círculo que prendia-lhe os pulsos. Dava para ir até alguns metros depois da cama. Ao menos ainda estava com a sua camisola, prova de que Roy – e só podia ter sido ele – a levara para lá, mas não a tocou e nem trocou sua roupa.
Ela vai até a janela, olhando para o lado de fora e vendo que o dia já estava quase acabando, com o sol quase se pondo no horizonte. Uma imagem realmente muito bela de se admirar, se Riza não estivesse em uma situação tão estranha como aquela.
Estranha?... Sim, um bom adjetivo para aquela situação pela qual passava. Ela não sabia o por quê de Roy tê-la levado até lá e, muito menos, o por quê de estar algemada como se fosse uma prisioneira. Depois de olhar pela janela, Riza ateve-se à imagem do quarto, quase não acreditando que um "cara" como Roy Mustang pudesse dormir num quarto daqueles.
Desde as cortinas das janelas até o estofamento das poltronas e almofadas, passando pelo quadro feito em tapeçaria na parede, tudo era de veludo vermelho, que contrastava com o tom creme dos móveis e os aros dourados que envolviam a estrutura da cama. Era realmente um quarto digno de um rei, ela pensa, sendo tudo ali de muito bom gosto... Mas realmente não combinava com o jeito do Roy. Talvez ele tivesse mudado depois que ascendeu ao cargo de Marechal... As coisas mudam... Tudo é possível, principalmente em se tratando de Roy Mustang.
Antes que Riza pudesse se aproximar da cama novamente, vê a porta do quarto abrir. Um frio lhe sobe pela espinha, ela sabia que só podia ser Roy. E era. Quando ele entra no quarto, ela tem uma surpresa. Os cabelos negros e molhados, penteados para trás, davam a ele um ar tão sexy que era fácil compreender o porquê de as mulheres caírem apaixonadas por ele. Pelo menos ele teve a descência de estar usando uma camiseta, mas... Precisava deixar os braços torneados e musculosos na medida certa de fora daquele jeito?... Sim, é claro que era uma provocação, e ele adorava provocá-la. Mas era indiscutível: estava lindo!! E ela também estava... Estavam ambos lindos.
Ainda que temendo qualquer possível reação dele (afinal, se a prendeu com uma algema e uma corrente à cabeçeira da cama, o que mais não faria?...), ela pergunta cautelosamente.
- Roy... ... O que é que... Está acontecendo?... O que eu estou fazendo aqui... E por que eu estou algemada?...
- Humpf... Eu sabia... – Começa ele a discursar com seu tom compassado e metódico. – Voz baixa, expressão serena e tom calmo para fazer parecer que é minha amiga... Riza, me perdoe, meu anjo, mas você está se tornando muito previsível... Está agindo de psicologia comigo?!?!... Eu também fui treinado e conheço essas táticas tão bem quanto você... Eu sei que está nervosa e que, se pudesse, me acertaria um tiro na cabeça!!... Mas acalme-se... Eu vou responder as suas perguntas.
Riza engole a seco. Não podia ser... Ele estava demais hoje! De manhã, descobrira que ela gostava dele por ter ficado enciumada quando ele saía com várias garotas diferentes. Agora estava novamente "lendo" a mente dela, descobrindo por quais sensações ela estava passando ao ver a si própria naquela situação. Logo ela, Riza Hawkeye, sempre tão segura de si, sempre tão imponente, uma atiradora de elite, agora algemada, vestindo uma camisola e com uma expressão facial que fazia lembrar uma criança com medo do escuro. Como ele conseguia isto?
- Roy, eu não... ... Estou agindo com psicologia... Eu só quero entender por que diabos você me algemou como se eu fosse uma prisioneira e me trouxe prá sua casa... É a sua casa, não é?... – Ela fala, agora assumindo um tom um pouco mais rebelde.
- Ahhh... Agora sim é a minha Riza de volta!!... Só falta começar a me xingar. Me desculpe, mas eu precisei prendê-la nestas algemas prá você não fugir enquanto eu estava fora...
- O quê?!?! – Ela pergunta, incrédula.
- Calma, eu já disse... Vou explicar... – Ele diz calmo, sentando-se na borda da cama e começa a dar sua explicação... – Bom, é que, depois de tudo que se passou hoje de manhã, eu não consegui me agüentar e não pensei em mais nada... Te fiz desmaiar e te trouxe prá minha mansão... Você nunca tinha vindo aqui, não é?... Espero que esteja gostando. Enfim... Só que eu precisei sair para resolver tudo antes de poder dedicar o meu tempo só à você, meu amor...
- R-Resolver tudo?... – Ela estava tão intrigada com a explicação dele que não se preocupa em mandá-lo não chamá-la de "amor", como fez antes.
- É... Quando eu trouxe você prá cá, eu pensei: "E agora?... O que eu faço?"... Então, resolvi colocar em prática uma idéia minha, que há muito tempo eu tinha guardada na cabeça... Na verdade, acho que a palavra 'fantasia' é mais apropriada para descrever esta vontade que eu tinha...
- Roy... Páre de enrolar e fale logo tudo que está pensando! Tudo que você tramou... – Ela diz, querendo que ele lhe dissesse logo tudo em vez de fazer suspense.
- Nossa! Falando assim até parece que eu sou um criminoso tramando um conflito... Mas você merece a explicação. Riza, o que aconteceu é que eu resolvi "seqüestrar" você... – Ela não diz nada, apenas arregala os olhos diante das palavras ditas por ele. Roy prossegue. – Mas calma... Eu tenho certeza que desse seqüestro você vai gostar... Quero ficar com você aqui na minha mansão por uma semana. Uma semana e nada além disso. Quero saber se você vai ser capaz de deixar a Riza altiva e orgulhosa de lado e dizer que me ama com todas as letras. Se em uma semana você não me disser isso, eu mesmo faço e assino a sua baixa e deixo você livre para ir embora do exército... De Amestris... De perto de mim...
- Do que é que você está falando?!?!... Roy... Seqüestro é crime!! – Ela fala em tom de advertência, meio nervosa, provocando um sorriso debochado em Roy. Ele estava agora acima da lei, então não seria um crime se o Marechal a "seqüestrasse"... – Você acha que ninguém vai notar a minha falta por uma semana?!?... E quando a você mesmo?!?... Acha que a nação inteira não vai se preocupar se o Marechal sumir por uma semana sem dar notícias?!? – Ela começa a argumentar.
- Por isso mesmo eu saí para ajeitar tudo... Voltei ao quartel e deixei tudo certo... Deixei o Tenente Havoc a par da minha ausência e o Coronel Armstrong está agora no meu lugar, cuidando de tudo... E todos já estão informados sobre as minhas férias de uma semana com a minha acompanhante, a Tenente Riza Hawkeye... – Ele olha para ela com uma expressão malvada e arremata... – E... Como você mesma admitiu que eu sou a maior autoridade neste país, eu digo o que é crime e o que não é. Portanto, eu digo que não é crime seqüestrar por amor...
Por um instante Riza não acreditou em nenhuma das palavras que acabara de ouvir. Ela sabia bem que ele era um ótimo estrategista, mas tramar aquilo tudo só para ficar com ela por uma semana?... Não teria uma outra forma de tentar conquistá-la?... Está certo que um buquê de flores e uma caixa de bombons não seria exatamente o que chamaria a atenção da bela Tenente, mas ela esperava que ele, ao menos, tentasse argumentar com ela. Tentasse fazê-la enxergar que ele gostava dela... Mas tramar aquilo tudo? É... Ela não o conhecia tão bem quanto acreditava que conhecia.
- E-Eu... Eu não acredito que armou... Tudo isso... Por... Por minha causa... – Ela fala baixo e fazendo uma expressão de incredulidade, enquanto vai se sentando na cama, ao lado dele. Ela sente a mão dele passar pelos seus cabelos, enrolando uma mecha nos dedos.
- Não estou pedindo para acreditar... Apenas quero que fique feliz por saber que teremos uma semana inteira juntos. – E, dito isto, ele se inclina para ela e continua... – E eu vou ficar mais feliz ainda se souber que você vai falar o que eu quero escutar antes desta semana acabar... Assim, teremos bastante tempo para nós e para a nossa primeira... digamos... lua-de-mel...
Não dava mais para conversar. Ela se levanta abruptamente da cama, indo para o outro lado, olhando para ele com um olhar que era um misto de nervosismo, medo e anciedade. "Lua-de-mel", ele disse... Mas o que é que ele estava pensando?... Que ela se renderia tão facilmente?... Não mesmo. É lógico que ela não era mais nenhuma criança e sabia exatamente do quê ele estava falando... Mas ela não faria aquilo com ele.
- Agora eu entendi tudo... – Ela diz, com o olhar ainda assustado... – Você ficou louco depois que subiu ao posto máximo e agora não sabe mais a diferença entre o que é certo ou errado... Roy... Isso que você está fazendo é crime!! – Ela volta a falar nisto, levantando os pulsos presos pelas algemas.
- Riza... Eu pensei que soubesse que eu não sou uma pessoa comum... Assim como você também não é! – E voltam o sorriso malvado no canto dos lábios e o tom sarcástico... – As pessoas comuns são fracas porque ficam presas à dúvidas idiotas sobre o que é bom ou mau... Certo ou errado. Nós não somos assim, Riza... E eu esperava que você entendesse isto... Mas, pelo visto, você está bastante presa a alguns valores que eu terei que te ensinar a se desfazer...
- Roy... – Ela muda, então, de tom, ficando mais séria, retomando a sua altivês...- Você pensa que é meu dono?!?!... Você pode até ser meu superior no quartel, no meu horário de serviço... MAS VOCÊ NÃO É MEU DONO!! NÃO É DONO DA MINHA VIDA E DA MINHA VONTADE!! – Ela exclama no final, perdendo a paciência.
- Bom... Eu vejo que está bastante nervosa... Deixei para você uma bandeja com as frutas que eu sei que você gosta sobre a mesa na entrada do quarto. Coma tudo e fique bem alimentada porque você não comeu nada hoje... Eu vou lá no andar de baixo dar uns telefonemas... Volto depois quando você estiver mais calma... Meu amor... – Ele fala com expressão séria, indo até perto dela.
Como Riza não oferece nenhuma resistência e nem dá qualquer passo para trás como fêz antes, ele segura delicadamente os pulsos dela e, retirando uma chave do bolso, abre as algemas. Ela alisa a pele dos pulsos, onde as algemas estavam e volta o olhar para ele, que apenas sai do quarto sem dizer mais nenhuma palavra.
Quando ele sai e ela se vê sozinha, vai andando, com uma expressão nula, até a janela novamente, onde olha para baixo e vê, agora que era noite, umas luzes por entre as folhagens e árvores do imenso jardim que cercava a mansão. Ela, sendo uma militar treinada, sabia do que se tratava: eram soldados e estavam todos armados, claro. Riza faz um olhar de incredulidade novamente: ele só retirou as algemas dela porque sabia que a casa estava cercada por inúmeros soldados e ela não poderia sair dali. Era mesmo um seqüestro... Um seqüestro por amor.
- Não sei por que eu me surpreendo com as atitudes dele... Eu só não imaginava que ele gostasse tanto assim de mim... ... – Ela vai falando consigo mesma, enquanto caminha a passos lentos até a porta do banheiro que havia no quarto. – ... Riza, sua idiota!! O homem que você ama já te chamou de "meu amor" três vezes só hoje e você fazendo esse jogo duro!!... – Ela reprime a si mesma.
Quando entra no banheiro, o ambiente de luxo também lhe enche os olhos. Mais parecia um daqueles banheiros vistos apenas nos antigos castelos que hoje eram abertos à visitações públicas como museus. Desde as paredes até o chão, tudo era do mais puro mármore, assim como a pia e a banheira. O espelho que ficava na parede, sobre a pia, era enorme e emoldurado por aros dourados, que não poderiam ser de outro metal senão ouro.
Riza olha para si mesma. Estava bela, mas é lógico que jamais admitiria. Era "durona" até consigo mesma!... Passando a mão pelos cabelos, ela vai desembaraçando aqueles fios longos, macios e dourados. Olhando para sua própria imagem refletida no espelho, ela começa a se lembrar de uma conversa que teve há alguns anos atrás, quando ficou colega de uma jovem mecânica que, por sua vez, era amiga de infância de Edward Elric. A moça se chamava Winry Rockbell e, desde aquela época, era uma das poucas pessoas com quem Riza conversava sobre seus problemas e aflições.
Riza se lembra da ocasião em que conversaram pela primeira vez, ela e Winry. Estavam num trem rumo à Cidade Central...
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Flashback... (início)
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- Tenente... – Começa a jovem mecânica.
- Você pode me chamar de Riza. – Responde ela séria, enquanto remonta sua pistola, com perícia de quem faz isso há anos.
- Ei, Riza... Por algum acaso você já atirou em alguém? – Pergunta com um certo tom de inocência. Isto faz com que Riza levante o olhar e fique fitando a paisagem na janela.
- Já atirei, sim... Várias vezes... – Ela responde, meio que não querendo dizer aquilo.
- Você já ouviu falar nos médicos Rockbell? – Pergunta Winry ao notar que a Tenente voltou a mexer em sua arma.
- Sim... – Riza responde calma. Em seguida, ainda colocando as peças de sua arma, ela continua... – Eu não sei o que disseram prá você, mas eu vou te dizer que há momentos em que um soldado precisa tirar a vida de pessoas... Mesmo seguindo uma ordem que considere abusurda... Por isso, há momentos em que não gosto de ser um soldado...
- Mesmo assim continua no exército. – Replica Winry
- É porque há pessoas que eu quero proteger... E isso não foi imposição de ninguém... Eu mesma decidi fazer isso... Só aperto o gatilho quando eu achar necessário, prá proteger aqueles de quem eu gosto... ... E vou continuar a atirar até que essa pessoa alcançe o seu objetivo.
- E se não valer a pena proteger essa "pessoa"? – Winry pergunta já sabendo de quem a Tenente estava falando.
Com a arma já perfeitamente montada, Riza aponta-a para o lado de fora do trem e faz postura de atiradora. E, assim, responde:
- Isso também sou quem decide...
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Flashback... (fim)
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- "Isso também sou eu quem decide..." – Ela repete em frente ao espelho. – Ora... Será que realmente valeu a pena tanto esforço?...
Em seguida, Riza toma um banho morno, de olhos bem fechados enquanto vai se lembrando com detalhes da conversa que tivera com a sua melhor amiga alguns anos atrás. A água lhe escorrendo pelo curvilíneo corpo conferia-lhe uma certa sensação de liberdade... Liberdade esta que ela iria perder por uma semana... Mas... Será mesmo que em seu interior ela não desejava que Roy fizesse aquilo por ela?... Seqüestrá-la só para ter o prazer de escutá-la dizer que ela o amava... Haveria maior prova de amor?... Possívelmente, não... Mas aquele semblante de confusão que se formava na mente de Riza enquanto ela se banhava era mais do que ela podia suportar... O que mais aquele amor obcessivo de Roy por ela poderia fazer?... Teria uma semana inteira para saber... ...
(Continua...)
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»» Agradecimentos referentes ao "capítulo I: Mea Culpa" : ««
Para: "naomi"; "neiva"; "Shakinha"; "P. Wings" ; "Ghata Granger"; "lady-chan"; "Mael Asakura"(meine Liebe )... meu MUITO OBRIGADA por todos os reviews!! DANKE SHÖN!!!!!!!!!!!!!!!!! Cada um deles é extremamente valioso!!
Como puderam perceber na parte do Flashback, a conversa entre Riza e Winry foi uma transcrição literal das falas das personagens algumas cenas antes do final do episódio 36 do anime, "O Pecador dentro de mim" (ou algo parecido com este título...).
E podem deixar pois, como viram neste capítulo, não vou mudar o estilo, manterei os capítulos num tamanho razoável, mas já aviso que, às vezes, eu REALMENTE pego pesado e vou além das 10 páginas de Word... Tomara que não me matem!!
Agradeço imensamente os reviews e espero mais neste capítulo 2 e nos próximos capítulos, afinal, eu sou uma vampira que não se alimenta de sangue, e sim de reviews!!
E. V. Bathory (contato no Profile)
