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PRISÃO DO DESEJO

" (...) Reuniões efêmeras sem interação

Seja sincero e anuncie que vais partir...

Os contos-de-fadas misturam-se com a realidade

Projetada nas ruínas de um castelo de ar..."

(Tradução do 1º verso da canção "Ephemeral" - Banda After Forever.)

.:: Capítulo V - Efêmero ::.

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Flashback (início)
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Hughes chega à porta do apartamento de Roy, que ficava a algumas quadras do Quartel General do Leste, e bate três vezes. Não demora muito até que Roy abra a porta para o amigo. Ao abrir a porta, Roy mostra um semblante cansado, está com a barba pôr fazer e um olhar sem brilho. Hughes sorri e levanta a cesta que trazia nas mãos.

- Minha mãe fez essa torta de maçã... Quer um pedaço?

Roy sorri e deixa o amigo entrar. Já dentro do apartamento de Roy, Hughes vê no chão da sala o desenho de um círculo de transmutação proibido - o círculo de transmutação humana - e ingredientes em uma bacia ao lado do desenho. Roy estaria louco de tentar fazer a transmutação humana?...

- Roy... - Hughes fala com expressão séria ao ver aquilo tudo.

- Como você pode ver, isso é o que chamam de Tabú... - Fala lento e de olhos fechados.

- Eu não entendo nada de alquimia... - Começa Hughes, puxando Roy pelo colarinho da camisa - Mas tem uma coisa que eu sei é que, quando alguém comete um Tabú...

- Não se preocupe... Eu não fiz nada... - Fala enquanto Hughes o solta.

- Mas pelo jeito pretendia tentar...

- ...Porque muitos morreram. Na verdade, eu os matei...

- Era uma guerra...

- Você não sabe, você não estava lá...

- É, eu sei, eu não estava. Mas se você não queria matar pessoas em uma guerra, devia ter escolhido fazer serviços internos, como eu... Agora você acha que tornando-se alquimista federal pode se redimir trazendo de volta à vida pessoas que já morreram?... É isso?...

- Eu não sei... - Responde Roy com um ar de desleixo. Hughes não se contém diante da imprudência do amigo e lhe acerta um soco fraco no lado esquerdo do rosto.

- Por acaso esse Tabú é algo tão simples assim a ponto de se realizar sem grandes estudos?!?... Ou você queria era se matar?... Porque, se era esse o caso, tem jeito mais fácil de fazer isso... - Diz, apontando para uma pistola em cima da mesa no canto da sala.

- No fim das contas, eu nem testei com medo de perder a vida... - Diz, desanimado, com a mão sobre o local onde Hughes o golpeara.

- Ah, isso tá claro...

- Afinal, eu não passo de um covarde!

- Todo mundo é!

- Esta... Minha vida inútil ainda pode ter alguma utilidade... Eu já me decidi: eu vou me tornar Marechal... Vou mudar os rumos desse país! Esta é a única coisa que eu posso fazer. - Fala agora mais forte e determinado, enquanto Hughes se acomoda numa cadeira e abre a cesta, retirando um pedaço da torta de maçã.

- Prá isso você vai precisar de gente que te entenda e possa te dar apoio... - Diz Hughes, provocando um instantâneo sorriso em Roy. Hughes come um pedaço da torta e, ainda de boca cheia, continua... - ...Hum... Eu vou trabalhar prá você e vou te colocar lá no topo, viu, meu amigo...

Roy sorri de volta para ele, senta-se na cadeira em frente e pega uma fatia da torta de maçã. Fica um tempo calado e também Hughes o fica e, só depois de ter tirado dois ou três pedaços da fatia que tinha em mãos, Roy fala:

- Se eu chegar ao topo... Será que ela vem comigo?...

- Basta você se declarar prá ela... Se não, ela nunca saberá...

- Eu temo que ela me dê um fora... Ela está muito acima de qualquer mulher que eu já tenha visto ou ouvido falar... Ela não só é bonita... Não, bonita, não... Ela é linda... Não só é linda como também é centrada, inteligente, íntegra, parece que nada tira aquele posto majestoso dela... - Diz Roy, jogando a cabeça para frente até encostá-la na mesa.

- Ah!! Não está vendo, seu idiota!! É tão apaixonado por ela que nem sequer se dá conta da cara de palhaço que você fica quando cita as qualidades dela!!... Conte logo de uma vez!!

- Eu nunca escondi de você e nem de ninguém que eu amo a Riza, mas acho que ela mesma não vê isso... Desde a época em que eu estudava alquimia com o pai dela eu sempre vi alguma coisa de especial nela... Mas, naquela época, ela era muito pequena ainda... Eu fiquei surpreso quando, anos depois, eu a reencontrei no exército!...E estava tão linda...

- Você fica falando essas coisas, mas nunca se declara prá ela!! Ué, o máximo que pode acontecer, se ela não te aceitar é ela mandar na sua cara que você é um canalha subversivo que sai com mil e uma garotas por aí...O que, em si, não é uma mentira...

- Hughes!!... Sabe muito bem que eu faço isso prá ver se desperto ciúmes nela!! Às vezes eu nem encosto nas meninas com quem eu saio... Mas... A Riza nunca parece sentir nada quando vê isso... Acho que ela não liga prá mim como homem... Só como superior dela no quartel... - Ficam mais um tempo em silêncio, apenas escutando o som do mastigar de cada um. A torta já estava quase no fim.

- Cara... Eu me lembro de uma vez, durante um exercício de treinamento que a gente tava fazendo, estávamos naquela trincheira na pior... Sem comida, sem água e a gente só ia ser resgatado de volta ao quartel em dois dias!!... Daí, começamos a falar dos nossos amores... Você falou que ia se declarar logo prá Riza porque não agüêntava mais vê-la e não poder abraçá-la e dar um beijo nela todo dia de manhã quando ela chegava prá trabalhar... E eu falei que a primeira coisa que eu ia fazer quando voltasse prá casa seria pedir a Gracia em casamento... E eu fiz isso!! Nós casamos, temos uma filha linda... E você?... Se acovardou... Não falou nada, continua sozinho e deprimido, com essas imagens da guerra na sua cabeça!! E ela está cada vez mais linda, ganhando mais títulos e ainda mais agora que deixou o cabelo crescer!! Tá cheio de urubu em volta dela, Mustang!! Abre o olho ou vai perder a sua Tenente!! Mas também, ela não se interessaria por você com essa cara de bêbado!!

- Hey!! Eu não bebi!!... - Protesta Roy, levantando-se... - Além disso... Eu não falei porque acho que ainda não é o momento certo de contar à ela...

- E quando vai ser?!?...Quando você estiver com cem anos?!?...Você já está velho demais, senhor Mustang, daqui a pouco não vai mais ter filhos, vai ter netos!!! Não tá mais na idade de ficar saindo com dez garotas por semana!! Seu coroa tarado... háháháháhá...

- Pode rir... - Diz, irônico... - Mas eu sou mais novo que você!!

- É, eu sei... Mas você já está com vinte e nove anos, meu velho, e nunca teve uma namorada séria!!... Justamente porque a Riza nunca te saiu da cabeça!! Quando, Roy, quando vai contar à ela?...

- Ela é bem mais jovem que eu...

- Tá, eu sei, ela tem vinte e um anos, mas desde quando isso é um impecilho?...

- Eu não sei... Mas vou afastar qualquer um que se aproxime dela!! Qualquer um!! Eu já fiz isso antes e farei de novo, se for preciso!! Nem que seja daqui a mil anos, mas ela tem que ser minha!! Tem que... Ficar comigo...

- E o que é que você vai fazer se não quer conquistar a dama da maneira tradicional?... Já sei!! - Começa Hughes novamente com um tom de brincadeira. - Você vai virar Marechal, vai morar numa mansão enorme, vai colocar centenas de guardas armados em volta da casa, vai seqüestrar a Riza e vai se trancar com ela lá até ela dizer que te ama!! E mais, quando ela finalmente se der por vencida e falar que te ama, vocês vão se casar e, um dia quando estiver velho, você vai escrever um livro sobre essa história e vai chamá-lo de quê?... Deixa eu ver um bom nome... Ah, já sei! "Prisão do Desejo", por Roy Mustang!!...Há Há Há Há Há Há!! - Ria-se Hughes de segurar a barriga diante da cara séria de Roy.

- Maes Hughes... Você tem que dar uma olhada nessa sua cabeça... Está cada vez pior... Acho que está lendo muito aqueles livros de romance da sua esposa... - Diz Roy com um semblante sério, mas com vontade de rir... - Mas eu gostei da sua idéia!! Por que não?...

- Tá maluco, velho?!?... Eu tô só brincando!! Fazer esse tipo de coisa é crime!! - Diz Hughes, ainda rindo um pouco.

- Quando eu for Marechal, eu vou decidir o que é crime ou não...

E, depois, continuaram os dois a rir e conversar de mais coisas a respeito do futuro, até que a noite caia e Hughes volte para sua família, deixando Roy mais uma vez sozinho...

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Flashback (fim)
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- R-Roy?... Ouviu o que eu disse?... Você está aí?... - A voz dela chama-o de volta à realidade depois de uma breve "viagem" que ele acabara de fazer... Sim, ela disse, finalmente disse que o amava!!

Os olhos negros dele num instante se encheram de um brilho intenso, feliz, surpreso... Roy não sabia o que sentir, não sabia como se sentir, pois as palavras dela, apenas aquelas três palavrinhas, ressonavam em sua cabeça com tamanha veemência quanto os sons da guerra, que eram terríveis, mas aquelas palavras não, eram o total oposto... Ah, se eram...

- Não... Não estou... - Ele responde feliz.

Logo, o alquimista salta da mureta do terraço para o chão firme, e puxa Riza para ele, fazendo-a gargalhar um pouco... E como ele amava aquela gargalhada... Abraçados que estavam, assim ficaram por algum tempo, até que ele a escutou dizer:

- Eu disse o que você queria escutar... Por que não diz nada?...

- Vou dizer... - Puxa o rosto dela para cima com imensa delicadeza... - Eu também te amo e vou repetir isso quantas vezes você quiser!!

- Não precisa... Eu já sei...

- Mas eu falo mesmo assim... - E, dito isto, abraça-a e beijam-se de leve, apenas um leve roçar de lábios... Depois, mais uma vez, mas mais quente, mais molhado, com as línguas se confundindo uma com a outra e, desta vez, com o concentimento de Riza, o que tornava tudo mais delicioso.

Depois de mais algum tempo se beijando, os dois começam a sentir o calor do sol sobre suas cabeças e a luz banhando o terraço da mansão. Estava ficando mais forte e quente e estava já na hora de descerem para tomar o desjejum e para descansarem, afinal, passaram a noite toda acordados... Mas nada que seus corpos estivessem pedindo descanso... Agora, tudo que queriam era ficar abraçados, juntos, colados, como na lenda antiga contada pelo pai de Riza.

Já dentro da grande casa de Roy, ele pergunta à ela, sem deixar de abraçá-la:

- Quer comer alguma coisa?... Passamos a noite toda fora e nem comemos nada...

- Hum... Sim, estou com um pouco de fome...

- Mas eu dispensei todos os empregados... Não se importa de fazermos a nossa própria comida?...

- Claro que não... - Responde ela sorrindo, e seguem para a cozinha, área da mansão que ela ainda não havia ido.

Na cozinha, depois de alguma bagunça típica de casais apaixonados na hora de preparar um lanche, entre beijos e abraços, Riza finalmente consegue preparar dois grandes sanduíches, daqueles que levam tudo dentro, para eles comerem, enquanto Roy providencia a bebida, que não poderia ser outra senão um vinho tinto muito apetitoso que ele guardava para a ocasião que ela falasse que o amava, como se fosse uma comemoração. Comeram em prato de louça oriental e beberam o vinho em taça de cristal, como não poderia deixar de ser. Era a primeira refeição que faziam juntos efetivamente depois de declarados que se amavam.

- Tenho uma coisa prá você... - Roy fala meio enigmático, depois de limpar a boca com o guardanapo ao término do seu sanduíche.

- O quê?... - Ela pergunta, colocando os pratos um sobre o outro para lavarem depois.

Roy se levanta da cadeira onde estava sentado e pega Riza pela mão, levando-a até a sua luxuosa sala de estar. E então:

- Feche os olhos, Riza... - Fala sorrindo, pegando as mãos dela abertas e colocando-as sobre os olhos dela... - Não abra até eu falar...

- O que você vai...

- Calma, é uma surpresa... - Ele diz, cortando-a.

Logo, ele pega uma pequena caixinha forrada de veludo preto e abre-a, enquanto Riza está com as mãos sobre os olhos, então, ele pede que ela estenda a mão direita na direção dele, mas que mantenha os olhos fechados. Assim ela o faz. Ele, então, coloca delicadamente um anél no dedo anular dela. Mesmo sem a ordem dele, ela reabre os olhos, espantada.

- O que é isso?!?... - Pergunta baixo, porém surpresa.

- ...Quer casar comigo?... - Fala sem rodeio algum.

Riza não diz nada, apenas levanta os olhos para fitá-lo com a expressão mais apaixonada possível. Não, aquele não era um "momento perfeito". Estavam os dois com os rostos cansados de uma noite inteira acordados numa festa, com as roupas amarrotadas, com os cabelos embaraçados e quase sendo vencidos pelo sono. Contudo, era naquele momento imperfeito que ele a estava pedindo em casamento. Afinal, nas próprias palavras dele "nada pode ser perfeito"... Mas se ela disser 'sim', aquele momento será perfeito.

Foram dez, vinte, trinta minutos que estiveram ali, parados, um olhando para o outro, ou apenas um, dois ou três segundos?... Não importa, o que importa é que Roy aguardava ansioso e apaixonado a resposta dela. Ela não fala. Fita outra vez o anél: simples, uma aliança dourada de largura mediana, de ouro, óbvio, com o nome dele gravado na parte que ficava voltada para a palma da mão dela. Ela nota que, na caixinha, ainda continha uma outra aliança, maior do que a estava em seu dedo. Riza pega aquela aliança e coloca-a no dedo anular da mão direita de Roy e sorri.

Os longos cabelos dourados soltos e caídos no rosto formavam uma moldura perfeita que ele não cansava de admirar, mas aquele quadro fica ainda mais belo quando ela, sorrindo, responde:

- Sim... - A voz soa firme, bela e simples, como deveria ser à altura daquela resposta.

Roy não consegue mais conter a alegria e agarra-a com imensa ternura, levantando-a no ar. Giravam como se fossem duas crianças rindo, felizes, até que caem no sofá, ele por cima dela, ainda rindo um pouco... Logo, ficam mais sérios, mas não menos felizes e começam a passar as mãos pelos cabelos um do outro, afagando um ao outro com imenso carinho e, então, começam a se beijar... Longamente... ...

Quando o beijo termina, Roy abre os olhos negros para fitar sua amada, mas ela mantinha-se de olhos fechados. Estava acordada, mas muito cansada pela noite toda que passara acordada. Sorrindo de olhos fechados, ela sabe que é observada por ele.

- Se eu ficar aqui mais cinco minutos... Vou acabar dormindo... - Diz baixinho, como um sussurro.

- Agora deixa eu te contar uma coisa que ouvi há muito tempo e que você não sabe... - Ele começa a falar, ainda sobre ela, acariciando aquels fios da cor do ouro... - Sabe por que as pessoas que se amam sempre falam baixo, bem baixo, umas com as outras?... - Ela balança a cabeça negativamente, abrindo um pouquinho os olhos para fitá-lo, curiosa da resposta... - É porque os corações das pessoas que se amam estão tão próximos um do outro que não precisam falar alto e tampouco gritar para serem escutados... Então, os sussurros bastam para serem ouvidos... - E volta a beijá-la, mas agora apenas um leve encostar de lábios.

- E aonde você escutou isto?... - Ela pergunta sorrindo... - Também de alguém que atravessou alguma Porta para um outro mundo?...

- Não... Isso eu acabei de inventar... - E riem-se os dois ao mesmo tempo.

Depois de mais alguns beijos, Riza realmente começa a dar sinais de que estava mesmo precisando descansar e o mesmo se pode dizer de Roy, que, apesar de mais preparado do que ela para passar noites em claro, - mas apenas em situações de guerra, é lógico - ele também estava cansado.

Sem mais, vão-se os dois para o andar de cima, para o grande quarto dele. Uma vez lá, Riza vai diretamente para o banheiro tomar um banho quente. Durante o banho, ela fica relembrando tudo que lhe aconteceu em apenas dois dias que estava com Roy em sua mansão... Foi seqüestrada, algemada, provocada pelas palavras dele - e ele sabia muito bem usar as palavras... -, quase foi violentada, teve seu segredo descoberto, e, quando achava que iria odiá-lo para sempre, ele lhe pediu perdão, ela aceitou, foram comemorar um ano de paz numa festa na rua e, agora, ela havia acabado de dizer que aceitava se casar com ele!!

Muita coisa?... Sim... E olha que ela jurava já ter visto de tudo na vida, só por ter participado de várias guerras. Mas, no quesito relacionamentos amorosos, Riza realmente não sabia muita coisa além do passageiro romance que tivera quando havia acabado de entrar para a academia militar. Foi um romance rápido, mas muito bonito, daqueles que marcam para sempre mesmo não tendo durado tanto tempo.

Tinham a mesma idade, por volta dos dezoito anos (mas considerando que dezoito anos de idade dentro de um regime militar... Isto não dá muita sabedoria de vida além de fatos da guerra... Vida pessoal fica em último plano...) , portanto eram os dois muito jovens ainda, e ela ainda se lembra do nome dele, era Sander, contudo, seu sobrenome ela já não lembrava mais... Às vezes nem mesmo de seu rosto ela se lembrava, tanto tempo havia sido. Mesmo assim, era uma boa lembrança.

Com aquele rapaz, Riza deu seu primeiro beijo e aprendeu as primeiras agruras dos relacionamentos, como o momento fatídico da separação, mas era certo que sua vida amorosa estaria sempre ligada a um outro homem, alguns anos mais velho que ela, mas por quem ela já nutria um grande sentimento... Quando se formou e começou a ascender de cargo a cargo até chegar a Tenente, foi trabalhar diretamente com Roy Mustang... E desde então, nunca mais foi tocada por nenhum homem... A não ser nos sonhos que tinha com o próprio Roy...

Enquanto a água quente leva embora a espuma do sabonete perfumado que limpa o corpo de Riza, ela vai se recordando de alguns momentos tristes pelos quais passou quando Sander foi embora. Não foi porque quis... Foi porque impuseram isto a ele. Logo que ele a pediu em namoro e pensavam em assumir isto em público, Sander foi mandado para uma frente de batalha por algum superior e nunca mais foi visto. Claro que Riza procurou por ele depois que passou a ter cargos mais altos, porém, tudo que conseguia eram boatos, comentários... Uns diziam que ele ficou decepcionado com o exército e desertou. Outros que ele enamorou-se de uma moça da cidade que invadia com as tropas, casou-se e foi embora com ela... Mas Riza sabia que, o mais provável, é que ele tivesse morrido...

Ela deixa uma lágrima lhe escapar quando todas essas lembranças lhe vêm à cabeça, mas... Por que isto agora?, Pergunta-se Riza. Estava feliz!! Tinham acabado de acertar tudo, ela e o homem que sempre amou, e agora estava com os pensamentos voltados para o passado?... Melhor mesmo era deixar essas coisas para lá e ir descansar o corpo e a mente... Afinal, ela e Roy tinham ainda cinco dias para ficarem juntos ali, sem se importarem com nada além deles mesmos... Os problemas da nação, os assuntos das guerras, as respostas que tinham de dar para a imprensa sobre como estava o governo do país... Tudo isso estava lá fora... Agora, eram apenas eles...

Quando ela termina seu banho, lembra-se que sua camisola estava suja de dois dias anteriores, então, coloca uma camisa de Roy que estava lá. Fica grande, é claro, mas é até melhor assim, pois pode fazer a camisa dele de camisola. Volta, então, para o quarto e Roy já está lá. Recostado na cabeçeira da cama com os braços levantados para trás da cabeça. Ele estava novamente do jeito que ela mais gostava: cabelos molhados penteados para trás, camiseta que evidenciava os braços e de calças largas, bem à vontade...

- Demorou no banho, meu am... - Roy teve que parar de falar quando a viu sair do banheiro daquele jeito... Estava linda!!...Não, mais do que linda, estava linda e sexy!! Com a camisa dele... Se ele contasse à ela que já sonhou tantas e tantas vezes com ela vestindo a sua camisa para dormir, ela não acreditaria...

- Desculpe... Eu não tinha nenhuma roupa prá dormir, então peguei essa camisa sua... - Explica-se ela, com as faces meio coradas por estar vestida só com as roupas de baixo e a camisa dele por cima.

- O que é isso?... Não precisa se desculpar!! Você ficou linda assim!! - Ele diz, levantando-se da cama e indo até ela, para abraçá-la.

Já abraçados, ela encosta a cabeça no peito dele e olha para a janela. Já era dia claro e os raios de sol estariam entrando no quarto não fosse pelas cortinas mais claras que estavam jogadas sobre as janelas. Riza se afasta um pouco do abraço dele e solta as amarras que prendiam as cortinas mais escuras, para o quarto ficar adeuqado para dormirem.

- Estamos ficando muito desregrados... Olha só... Sete horas da manhã!... Esta é a hora que deveríamos estar acordando... E estamos indo dormir!! - Diz rindo, mas preocupada com o horário.

- Ora... E qual é o problema?... Estamos de "férias" ou não?...

- É... Tem razão... Bem... Vou descansar... O que eu digo?... "Bom dia" ou "boa noite"? - Ele ri, sem saber a resposta, e ela continua... - Aliás... Em qual quarto eu vou dormir, mesmo?...

Riza vê Roy fazer uma expressão de estranhamento. O que ele estranhara?... A pergunta dela?... Ora, era natural que ela precisaria descansar, mas não poderia ser no mesmo quarto que ele, pensa ela, já que não são casados ainda. Isto era natural para ela... Para ele, não.

- Ora, Riza... Vai dormir aqui... Comigo!! - Ele responde, franzindo uma sombrancelha.

- A-Aqui?!?!... - Ela chega a gaguejar quando ele faz a pergunta.

- Algum problema?...

- É que eu... - Ela fala hesitante e pára derepente.

Pronto!! Alguma coisa tinha mesmo de sair errado naquele dia tão perfeito!! Perfeito?... Não, perfeição era algo que, difinitivamente, não existia. Se Roy disse alguma certa na vida, com certeza foi a frase de que nada pode ser perfeito. Havia mais um segredo que ela não queria que ele descobrisse... Mas ele descobriria mais cedo ou mais tarde: a virgindade dela. Como explicar a ele que ela era virgem se passava uma imagem tão imponente e emancipada de si mesma?...

- É que você...?... - Roy fala no lugar dela.

- É que eu não acho certo dormirmos juntos se não somos casados ainda e...

- Riza... - Ele fala em tom debochado... - Só pode estar brincando, meu amor!! Eu já até a vi nua, porque esse pudor só em deitar na cama e dormir comigo?... Além disso, você é minha noiva e não há problema nenhum...

Noiva... Só então a "ficha caiu" da sua situação: estava noiva e iria se casar com ele!! E ela estava sem palavras mais uma vez, como no começo daquele caso todo, quando uma única frase dele a deixava sem ação por vários minutos. Ela, então, engole seu medo (medo que tinha de ele atacá-la mais uma vez, mas agora que ele já prometeu casar-se com ela, certamente não faria nenhuma loucura...) e responde, com um sorriso fraco:

- E-Está bem... Acho que dormir não faz mal... ...

Ele sorri e entrelaçam as mãos. Olham para as alianças nos dedos um do outro e seus olhares diziam "eu te amo" sem que, sequer, movessem os lábios. Deitam-se e beijam-se antes de a luz do abajur apagar e eles dormem, abraçados... É fato que Roy até poderia pedir para fazer amor com ela quando acordassem, mas... Uma hora isto teria que acontecer e não era exatamente isto que preocupava Riza agora...

Tudo estava tão bem que, nos pensamentos de Riza, alguma coisa estava errada... E estava... Sempre teria algo errado... Mas o que era?... E por que ela se sentia assim?... Está quase adormecendo nos braços do homem que ama... Tudo tem de estar bem... Por que será que a felicidade é tão... Efêmera.
Mas, como a própria lei da Troca Equivalente reza: se algo está bem agora, é porque um preço tem de ser pago para isto... E que preço é este?...

(Continua...)

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Olá!!!

Não resisti e, mesmo no meio da semana de provas, tive que atualizar logo... Na verdade, estes dias, eu andei me sentindo meio angustiada (tenho umas paranóias às vezes que ninguém entende! Agora mesmo estou meio assim...) e, quando fico assim, escrevo, escrevo até não dar mais prá ver se a mente espairece e eu me livro dos meus "problemas mentais"... Desculpem se eu fui meio extensiva nesse capítulo, mas eu estava afim mesmo de espairecer a mente!!... Contudo, isto não afetou o rumo da fic... Acho que ficou dentro dos padrões...

No começo do capítulo houve um longo Flashback de uma conversa entre Roy e Hughes. Do começo do Flashback até a parte em que Hughes fala que vai ajudar Roy a colocá-lo lá em cima foi uma transcrição literal de uma cena do capítulo em que o Hughes morre, o "Cerimônia de despedida", mas, depois disto, o que foi colocado a mais foi idéia desta morta-viva aqui. Espero que tenha agradado, apesar de ter ficado longo. Aliás, eu falo ali das idades deles, mas eu as "inventei"... Se alguém souber alguma informação sobre as idades verdadeiras do Roy e da Riza, poderia me informar num review?... Desde já agradeço!!

»» Agradecimentos referentes ao "Capítulo IV - Legado de Fogo" : ««

PARA: "Ghata Granger"; "lady-chan"; "Mystical Higurashi"; "naomi"; "Harumi"; "Mael Asakura" (meine Liebe); "Amande Hiromu-Chan"; "tais"; "P.Wings"; "Integra Hellsing Tepes"; "Shinku Mitsuki"... MAIS UMA VEZ OBRIGADA!!! Cada review é imensamente precioso e espero que tenha valido a pena a leitura deste e dos capítulos anteriores a este!! Aguardo mais reviews e agradeço novamente todos os que já recebi!! DANKE SHÖN!!!!!!!!

Aliás, aquela lenda que a Riza conta para o Roy é de verdade mesmo. Também acho-a linda demais. Trata-se de uma lenda que começou a se espalhar pelo povo greco-romano na época que o império romano dominava, para explicar o porquê de as pessoas estarem sempre à procura de alguém certo para amar... Criatividade mil daquela gente, não é mesmo?...E obrigada pelo desejo de boa prova que eu recebi... Apoio moral ajuda mesmo!! Danke!!!

Mais uma vez, agradeço aos meus queridos que estão acompanhado a fic a paciência que todos tiveram de aguardar esta atualização e prometo postar as continuações com a mesma média de freqüência com a qual estava fazendo. Mael Asakura, meine Liebe, obrigada pelo apoio em tudo!!

É isso, até o capítulo VI...

E. V. Bathory