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PRISÃO DO DESEJO

"(…) Ouça a esta trenodia tortuosa…

Repleta da minha dor

Aqueles que podem ver onde a traição

Do meu amigo me levou...

Minha morte que nunca aconteceu..."

(Tradução do 4º verso da canção "Tortuous Threnody",

Banda After Forever.)

.:: Capítulo VII – Trenodia Tortuosa ::.

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Trenodia: Cântico que se costumava fazer antigamente durante um enterro simbólico, quando uma pessoa desaparecia, principalmente durante uma guerra, seu corpo não era encontrado e a pessoa era dada como morta.

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O sol brilha forte nesta manhã, enchendo a Cidade Central de luz e calor. As pessoas passam apressadas para seus trabalhos, escolas, compromissos e as ruas estão cheias e movimentadas, num ir-e-vir típico de grandes metrópoles. Na Estação Central, o primeiro trem da manhã chega e logo o desembarque dos passageiros começa.

As pessoas apanham suas bagagens, seus pertences e começam a seguir em direção aos seus destinos, agora que estão na Cidade Central. Seria esta uma manhã normal, não fosse por um único detalhe: um dos passageiros era bastante conhecido das pessoas por ali, e não havia uma pessoa sequer que não olhasse, nem que fosse de soslaio, para ver mais de perto aquele que um dia foi considerado herói de seu país.

Uns comentam baixo, sussurrando, outros apenas olham. Algumas crianças se aproximam para falar que sentiam saudades e outras, ainda, chegam perto para receberem um afago na cabeça ou entregar um pequeno presente. Depois de uns minutos, as pessoas se afastam, voltando aos seus afazeres e deixando o rapaz livre para sair da estação.

Caminhando ao lado de sua namorada, o rapaz louro prende os cabelos num rabo-de-cavalo baixo, vestido com uma camiseta adequada para um dia de calor, mas não muito adequada para o seu próprio físico: não é muito comum uma pessoa que usa auto-mail exibir a prótese desta forma tão displicente.

- Ed... Você não deveria ficar se exibindo assim... Todo mundo te reconheceu e ta olhando... – Adverte a namorada do rapaz, uma moça também loura, mas de um tom louro mais claro que o dele, usando um vestido branco e preto, curto, mostrando as pernas.

- Ah, Winry... Ta calor!! E eu lá vou vestir uma roupa toda fechada só pra esconder minha prótese?!?... Ah, deixa assim... Você mesma ta de vestidinho...

- É, mas antigamente você costumava usar roupas mais fechadas... E o que cê tem contra o meu vestido?!?! – Pergunta ela já começando a ficar nervosa.

- Nada, eu não tenho nada!! E, para o seu governo, eu já não sou mais aquele moleque que se vestia de preto e usava sobretudo vermelho só porque achava que assim ficava mais importante!!... Ah, cansei, viu... Esse povo se quiser que me trate como sempre tratou independente da minha roupa...

- Ahhh... Seu temperamental!!... – Diz Winry acabando de prender os cabelos dele. E ela continua... – Ed, você fez as reservas, não fez?...

- Reservas?... Reservas de quê? – Pergunta ele, distraído.

- Não acredito que você não fez nossas reservas no hotel!! Onde a gente vai ficar, Ed?!?!? – A moça já começa a se descabelar de nervoso.

- Sei lá... De baixo da ponte... – Responde ele, displicente.

- Eu vou te matar, seu... – Ela avança na direção dele, mas nota o sorrisinho brincalhão dele e se limita a ficar emburrada.

- he-he-he... Eu sabia que você teria essa reação... – Ele diz, retirando do bolso da calça um papel com o timbre do hotel onde se hospedarão... – Ta aqui, sua resmungona... – Ele entrega à ela o papel. Winry o lê.

- Seu bobo!! Pra quê cê fez isso?!?...

- Só pra te ver emburradinha... Eu gosto disso... Você fica tão linda... – Ele fala, fazendo-a ficar completamente corada.

- Ahhhhhhh... Seu bobo!! Vamos logo!! – Ela pega sua mala e vai andando na frente dele.

- Peraí, Winry, espera!! – Corre atrás dela, rindo da reação certa que ela sempre tem quando ele faz essas brincadeiras.

Logo tomam um táxi para chegarem até o hotel. Ao chegarem lá, são recebidos gentilmente pelo atendente no balcão, que logo chama os carregadores para levarem as malas dela e de Edward. Winry parece muito impressionada com tudo que vê, um lugar muito luxuoso. Mesmo já tendo estado na Cidade Central outras vezes, era a primeira vez que ela se hospedava no hotel mais caro da cidade. Sim, estavam se hospedando no hotel mais caro. Edward, depois que retornou ao seu mundo, Shamballa, tendo passado algum tempo no "mundo-atrás-da-porta", agora voltou a ser um Alquimista Federal e, portanto, voltou a ter o salário altíssimo que ganhava antes.

Enquanto esperava Edward acabar de assinar todos os papéis que eram necessários para a hospedagem, Winry vai até o hall do hotel, onde fica observando as vitrines das caríssimas lojas que existiam ali. Na verdade, um dos motivos de ela e Edward terem ido até a Cidade Central era porque os dois estavam para ficar noivos em breve, e foi de exigência de Winry que o os anéis de noivado deles fossem confeccionados pela melhor loja de jóias da Cidade Central. E como Edward já estava acostumado a gastar seu dinheiro com Winry foram-se os dois para a metrópole.

Enquanto olhava distraída e fascinada com as novidades na Cidade Central – na verdade nem tanto as jóias, mas sim as lojas especializadas em mecânica e

auto-mails – Winry não percebe que um rapaz se aproxima dela lentamente, com um olhar fixado nela, como se Winry fosse a mulher mais atraente que ele já havia visto.

A jovem mecânica, observando agora a vitrine de uma loja especializada em anéis para noivados e casamentos, fala para si mesma:

- Puxa!! Uma aliança mais linda que a outra!!... Tomara que o Ed goste da que eu vou escolher pra gente... E que ele não seja pão-duro porque eu vou querer um bem caro... – Logo que ela acaba de falar isto para si mesma, o rapaz que caminhava na direção dela pára ao seu lado, mas, mesmo assim, Winry não o percebe ali, e continua... – Nossa... A Cidade Central é mesmo um sonho!!

- O sonho é uma porta estreita, dissimulada no que tem a alma de mais obscuro e de mais íntimo; abre-se sobre a noite original e cósmica que pré-formava a alma muito antes da existência da consciência do eu e que a perpetuará até muito além do que possa alcançar a consciência individual... – Diz o rapaz que havia se aproximado de Winry, usando um tom totalmente poético em sua voz ao recitar tais palavras. Winry, claro, se assusta ao escutar aquelas palavras tão perto e sem ao menos conhecer o rapaz que dela se aproximava... – Com licença senhorita... Permita-me apresentar-me. Sou Mark Beckers, Embaixador do país vizinho a Amestris... – Ele fala enquanto, mesmo sem ela dizer uma palavra se ele podia ou não fazê-lo, lhe dá um beijo nas costas da mão delicadamente.

Winry, muito assustada com as atitudes ousadas do tal rapaz, puxa rapidamente sua mão das mãos dele, e dá alguns passos para trás, franzindo a testa, num gesto de incompreensão. Afinal, com que propriedade ele se aproxima dela assim e fala aquelas coisas e, ainda, lhe beija a mão?... E por que o Embaixador de Kantha, o país vizinho a Amestris estaria hospedado ali?... E, com tantas moças mais atraentes ali, pensa Winry, ele teve que escolher logo ela para jogar "charminho"?...

- Errm... Não entendi bem, senhor... – Winry fala depois de um tempo pensativa, olhando para aquela figura à sua frente. O rapaz lembrava o próprio Edward na aparência: de cabelos louro-escuros até abaixo dos ombros, olhos amendoados, estatura mediana e usava um auto-mail. Sim, mesmo estando muito bem vestido (até bem demais para o calor que fazia na Cidade Central) Winry reconhece que ele estava usando uma prótese mecânica... Isso ela reconheceria até de olhos fechados!! E então, ela prossegue, tentando não parecer hostil ou nervosa... – Me desculpe, mas... Quer alguma coisa?... Posso ajudá-lo em algo?...

- Na verdade, eu apenas a vi entrando no hall deste hotel e vim olhar de perto a moça mais linda que eu já tive o prazer de conhecer, senhorita... – Ele diz, esperando que Winry complete a frase dizendo seu nome, mas ela não responde, ficando com as bochechas terrivelmente coradas e olha para os lados, procurando Edward no meio daquela gente bem-vestida que ia e vinha no hall do hotel de luxo. Como ela não responde, o jovem pergunta... – Algum problema, senhorita?...

Antes que Winry pudesse responder qualquer coisa, Edward vem se aproximando com as bagagens de mão para irem ao quarto deles, depois de ter visto a proximidade com que aquele rapaz estava de Winry. Edward não estava nada contente com aquela cena que via. E Winry sabia o quanto ele era ciumento...

- Com licença... Posso saber o que está acontecendo aqui?... – Pergunta Edward com um tom totalmente irônico, meio enraivecido, esbarrando de propósito no rapaz que falava com Winry e se posiciona bem ao lado dela... – Winry, você conhece este cara?... – Pergunta para ela, mas olhando fixamente para o rapaz.

As roupas com que Ed estava vestido eram informais demais para o local luxuoso, e, ainda carregando a bagagem de mão, mais parecia que Edward era um empregado do hotel. Com isto, Mark, o jovem que falava com Winry, se adianta e diz:

- Desculpe, meu caro, mas acho que não deveria falar assim com uma dama, ainda mais uma tão bela como esta... – Diz Mark, provocando um olhar de ira em Edward... – Eu apenas vim cumprimentar a dama... E você, quem é?... Algum dos empregados do hotel?...

- Não!! – Responde Edward, seco e direto, como se quisesse matar aquele sujeitinho intrometido com apenas um olhar... – Eu sou um Alquimista Federal e sou noivo da "bela dama" com quem você estava falando!!

- Hum... Então temo que cometi uma gafe e um mal-entendido... Me desculpe, mas jamais poderia imaginar que o senhor é um Alquimista Federal do exército deste país... Não com estes trajes tão... ... Informais... – O jovem fala, como se quisesse menosprezar Edward por causa das roupas que ele usava. O tom que Mark usa é sempre formal, calmo e super-educado, o que em si, já provoca uma certa irritação em Edward.

- Olha, não me leva a mal, mas eu acho que, com o meu salário, eu poderia comprar umas quinhentas roupas iguais às suas, ta legal?... Vamos, Winry!! Já peguei a chave do nosso quarto!! – Diz Edward, segurando Winry pela mão para sair com ela dali. Se ficasse mais um minuto, Edward faria uma besteira...

- Desculpe, mas já que me apresentei à ela, gostaria de me apresentar ao senhor também... – Diz o jovem Mark, fazendo Edward parar de andar e virar-se para olha-lo. Mark, então, continua... – Sou Mark Beckers, Embaixador de Kantha, o país vizinho a este... Muito prazer, senhor Alquimista Federal... – Estende a mão, mas Edward não aperta, apenas se limita a assentir com a cabeça e responde, num tom não muito amigável:

- Edward Elric, senhor Embaixador de Kantha, meu nome é Edward Elric... Foi um grande prazer... Com licença... – Fala com Mark pela última vez, saindo do hall do hotel com Winry e seguindo para o elevador.

O jovem embaixador do país de Kantha apenas fica olhando Edward e Winry saírem do hall e entrarem no elevador. Mark os acompanha com os olhos até que a porta do elevador se feche e, depois, ele fala para si mesmo:

- Winry... Ela tem um belo nome... – Fala enquanto se abaixa no chão e pega uma pequena pulseira prateada. Winry havia deixado cair uma das pulseiras que usava quando estava distraída olhando as vitrines das lojas do hotel. Mark coloca a pulseira no bolso do seu casaco e volta ao sofá onde estava sentado, num dos ambientes do hall do hotel, tornando a esperar pela pessoa que estava para chegar.

O jovem Mark não aguarda muito e logo um homem de aparência imponente, bem-vestido como pessoas da alta sociedade se vestem, aparece no hall do hotel, acompanhado por dois homens grandes, vestidos de maneira igual. Via-se logo que eram seguranças, guarda-costas do homem que acabara de chegar. Mark levanta-se e, com um sorriso respeitoso, se aproxima.

- Senhor Sander... Que bom que chegou!!

- Espero não tê-lo feito esperar muito, Mark... A viajem de Kantha para cá foi bastante longa e demorada. – Responde Sander, seguindo com Mark para o elevador... – Imagino que já tenha preparado tudo, não é?

- Ah, sim senhor... A hospedagem já está feita... – Entrega a chave do quarto que Sander deverá ficar. – O senhor ficará hospedado na cobertura...

- Obrigado, mark... Sua eficiência está cada vez melhor... Sabia que não me arrependeria em nomeá-lo Embaixador de Kantha... – Sander elogia a praticidade de Mark e os dois seguem para o elevador.

Uma vez dentro do elevador, Sander vê Mark retirar do bolso uma jóia feminina, uma pulseira.

- O que é isto, Mark?... Já andou comprando presentes para alguma moçinha de Amestris?... – Sorri de leve, esperando a resposta de Mark.

- Oh não, senhor... Eu apenas recolhi esta jóia que uma moça que conheci hoje deixou cair... – Diz olhando para a pulseira... – Uma moça muito linda... Winry, era o nome dela...

- Bom para você... Devolva a jóia e convide a moça para jantar...

- Não posso, senhor, ela já é noiva... – Diz Mark meio decepcionado – ... E de um Alquimista Federal.

- O quê?!?!?! – Sander altera o olhar e o tom de voz ao escutar aquele título. "Alquimista Federal" era algo que Sander realmente desprezava. Contudo, ele pondera... – Mark, deixe essa moça para lá e busque outra... Não podemos dar nenhum sinal de hostilidade a ninguém do exército até que os nossos reforços cheguem a este país...

- Sim, senhor, eu sei... Estão vindo em grupos pequenos para não chamar a atenção... Enfim... Mas eu acho que há algo que o senhor realmente vai se surpreender em saber...

- E o que seria?...

- O noivo da moça... O Alquimista Federal... Ele disse seu nome para mim antes de sair com a noiva... Chama-se Edward Elric.

Mark vê seu chefe arregalar os olhos em surpresa. Sim, ele conhecia aquele nome. E, afinal, quem não conheceria Edward Elric àquela altura?... O nome do Alquimista de Aço era, talvez, conhecido até ns países mais longínquos de Amestris, fazendo jus à fama do garoto que ousou fazer uma transmutação humana e pagou com seu corpo e com o corpo de seu irmão por este ato, mas que também se tornou um herói para aquele país durante a guerra quase inesgotável pela Pedra Filosofal.

- Ora, ora!!... Mas que grande surpresa, realmente!! – Diz Sander, olhando seu subordinado... – Mas tem certeza de que era ele mesmo?... Não era alguém com o nome parecido?...

- Bem... As características que o senhor me contou e que as pessoas falam batem com o rapaz... Ele tem mais ou menos a mesma idade que eu, usa um auto-mail e... Tem um certo problema de estatura... É meio baixinho...

- Hum... Deve ser ele mesmo, então... Filho de Hohenheim da Luz... – Sander fala, demonstrando saber bastante sobre Amestris mesmo tendo estado tanto tempo fora... – Humpf... E eu que imaginei que aquele garoto alquimista tinha ido para o "mundo-atrás-da-porta" e ainda estava lá... Vejo que ele realmente é tão poderoso como o pai... – Diz Sander, intrigado em como Edward pode ter voltado a Amestris.

- Talvez ele tenha tido alguma ajuda... – Analisa Mark.

- Pode ser... Mas até que seria interessante ter um aliado como Edward Elric ao nosso lado... Afinal, o poder daquele alquimista pode ser maravilhosamente destrutivo contra o exército deste país...

- Mas... O senhor acha que um Alquimista Federal como ele se voltaria contra o próprio país?...

- Mark, meu amigo... Olhe para mim... Eu fui um Alquimista Federal e hoje odeio o exército do meu país natal... Basta o exército tirar alguma coisa de que este rapaz, Edward Elric, goste muito... – Diz Sander olhando para a pulseira de Winry na mão de Mark, e, sorrindo metodicamente.

Finalmente o elevador chega ao último andar daquele altíssimo prédio que era o hotel. Sander, Mark e os dois seguranças, que durante o tempo que estiveram no elevador, mantiveram-se calados, como bons guarda-costas devem ser, seguem em direção ao corredor. Depois, vão para os quartos que lhes foram reservados na cobertura. Naquela noite, começariam a arquitetar o plano contra o exército de Amestris...

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A noite já está alta, e ninguém mais transita pelas ruas nem pelos corredores daquele hotel. Agora o silêncio começa a imperar. Um andar abaixo de onde Sander e seus subordinados estavam hospedados, Edward e Winry estão abraçados na cama, cobertos por um lençol, enroscados um no outro. Estão suados e acariciando-se com muito amor. A moça ainda está com a respiração ofegante, com a cabeça repousada no peito dele.

Depois de algum tempo, Winry escuta Edward dizer, enquanto ele acariciava seus cabelos:

- Win... O que aquele cara tava falando pra você antes de eu chegar?...

- Ah... Sabe que nem eu entendi Ed... – Ela responde já de olhos fechados, com sono... – Ele falou alguma coisa sobre sonhos, sei lá... Acho que ele é poeta... Estranhei a forma toda arrumadinha de ele falar... Ele só disse que eu era a moça mais bonita que ele já viu...

- "Só"?!?!?... – Replica Edward... – Não vou deixar mais ele chegar perto de você... Vamos amanhã mesmo comprar nossas alianças e vamos voltar pra Rizembool e fazer logo nossa festa de noivado...

- É... O Al e a Rose já estão cuidando de tudo pra gente... – Ela fala, quase dormindo deitada no peito dele.

- É sim... – Edward diz, também fechando os olhos sonolento.

- Duma bem, amor... – Diz Winry antes de cair vencida pelo sono.

- Você também...

Edward dorme, assim como Winry, mas o sono do Alquimista de Aço é mais inquieto do que o dela. Logo que pega no sono, Edward começa a sonhar com as coisas que lhe aconteceram neste e no outro mundo que esteve o "mundo-atrás-da-porta", todas as coisas que ele viu, todas as experiências pelas quais passou e como ele conseguiu voltar ao seu mundo natal. Tudo isto se renova em sua lembrança cada vez que Edward dorme profundamente como naquele momento.

O jovem Elric contou com uma ajuda, no mínimo, inusitada para retornar ao seu mundo. Em seu sonho, Edward revê tudo...

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Sonho de Edward... (Início)

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Depois de uma breve conversa com Hohenheim, Edward pega sua mala e saiu pelas ruas de Londres, local onde morava com o pai, e seguiu para a estação de trem, onde começaria a fazer uma longa viagem até as terras da Transilvânia, um dos últimos países da Europa, quase fazendo divisa com o Oriente, afim de falar com um jovem que estudava a possibilidade de ir para o espaço, para que ele tentasse se aproximar de um portal para o seu mundo, para Shamballa.

E Edward ainda se lembra da pequena brincadeira que seu pai fez quando ele estava de saída. Hohenheim indagou a Edward se ele não estava indo se encontrar com o Drácula. É claro que Edward riu-se da pergunta do pai, afinal, o Conde Drácula não passava de uma lenda. Edward, como sendo alquimista e cientista, não acreditava em lendas, assim como todos os outros iguais a ele, precisava de comprovação científica para crer no que falavam. E é lógico que não acreditava em seres humanos que se transformavam em chupadores de sangue... Vampiros.

Contudo, depois que chegou às terras transilvânicas Edward começou a mudar de opinião ao ver as evidências de que, talvez, vampiros existissem. Muitas histórias lhe foram contadas, muitas provas lhe foram mostradas e, por fim, Edward acabou se convencendo de que deveria começar a buscar estes seres sobrenaturais, ao invés de buscar a ajuda do tal jovem estudante que estava à procura de um meio de ir ao espaço.

Depois de algum tempo na procura por algum desses seres, Edward, que estava hospedado na ocasião em uma pequena hospedaria afim de não chamar a atenção, recebeu uma visita inusitada no meio da madrugada: uma vampira.

Sobressaltado, Edward acorda com um olhar assustado e pula para o outro lado da cama, ao perceber aquela figura dentro de seu quarto. Uma silhueta de mulher, de corpo curvilíneo, longos cabelos lisos e negros como a noite sobre caiam em seus olhos. Desconfiado, Edward pergunta:

- Quem é você?!?!... O que quer aqui?!?!...

- Acalme-se, meu jovem... – Diz uma voz incrivelmente sensual... – Eu vim até aqui porque sabia que você estava a procura de um ser da noite... Um vampiro...

- E... Por acaso você é uma vampira?... – Pergunta desconfiado... – Se é, o que veio fazer aqui?... Me transformar em um de vocês?!?!

- Nossa como é arredio... – Fala a vampira, deixando-se aparecer na luz para Edward vê-la com mais precisão... Lânguida, despreocupada e com trejeitos sensuais, ela diz... – Eu sei que você se chama Edward Elric... Sei que você é de um outro mundo, um mundo chamado Shamballa e deseja voltar para lá... Para rever seu irmão e a moça que você ama... Mas, para isso, precisa da ajuda de alguém poderoso que o leve até perto de lá... – Diz a bela vampira sorrindo, mostrando os dentes brancos e pontiagudos, além de um olhar de cor azul-escuro, que, de certa forma, assustava Edward.

- Como você pode saber tudo isto?!?!?... Leu minha mente?!?!...

- Também... Mas... Na verdade... Eu apenas li a informação contida em seu sangue, Edward... – Ela fala e Edward rapidamente passa a mão em seu pescoço, para verificar se ela o havia mordido, mas, o que ela fez mesmo foi abrir um corte mínimo no dedo indicador da mão dele e lamber o sangue para receber as informações contidas nele... Edward fica confuso, mas ela explica... – Ora, você fez uma Transmutação Humana uma vez, então deve saber que, no sangue, está toda a memória e informações de todas as coisas pelas quais você passou... Alquimista de Aço... – E torna a sorrir.

- E... Já que sabe tudo sobre mim... O que é que você quer?!?...

- Ajuda-lo, é óbvio...

- Me ajudar?!?! Me ajudar a quê?!?!

- A chegar ao seu mundo, é lógico... – Ela se levanta da borda da cama onde estava sentada e caminha na direção de Edward... – Eu sou uma vampira de mais de quinhentos anos de idade... Sou mais velha que seu pai, menino... E eu sou também muito curiosa... Adoro conhecer coisas novas... E nunca havia antes ouvido falar em alquimia como a que você e o povo do mundo de onde você vem praticam... Mas não tenho interesse em sair daqui... Eu gosto deste mundo... É profano... Exatamente como eu gosto de ser... – Sorri passando a língua sobre os lábios vermelhos. Edward pensa que ela vai lhe morder e, desde quando ela se levantou e foi até ele, ele estava em posição de guarda, para ela não ataca-lo... – Relaxe... Eu não quero lhe fazer mal... Quero apenas fazer uma "troca equivalente"...

- Troca?!?!... O que quer trocar?!? – Pergunta Edward ainda nervoso. Apesar de já ter estado na guerra, ter visto seres terríveis como os Homúnculos se perto, Edward nunca havia visto antes um vampiro tão de perto... – Que tipo de troca?...

- Quero trocar o meu conhecimento pelo seu...

- Não entendi...

- Eu posso ensiná-lo a abrir um portal de volta à Shamballa... Mas só se você me ensinar a fazer alquimia como é no seu mundo... – É a última coisa que a vampira diz antes de Edward concordar balançando a cabeça positivamente aquela troca que ela queria fazer.

No dia seguinte, Edward hospedou-se na casa da vampira, um palacete escondido no meio da floresta, longe dos olhares curiosos dos humanos, e começaram a cumprir com o acordo feito entre eles: ele ensinava alquimia à vampira e ela o ensinava com abrir um portal de maneira que não levasse destruição ao seu mundo, como havia acontecido quando seu irmão, Alphonse, abriu um portal para tentar trazer Edward de volta.

Não demorou muito até que Edward aprendeu a criar o portal e o mesmo se pôde dizer da vampira, que aprendeu com rapidez a alquimia que Edward podia fazer... Até aquela ocasião, ele não sabia o nome dela. Então, chegou o dia que Edward tentaria abrir o portal de volta à Shamballa.

- Obrigado... Eu não imaginava que fosse conhecer uma pessoa assim... Segundo as lendas, os vampiros são seres terríveis e malvados, que matam sem piedade... Mas você não me parece uma vampira assim... – Diz Edward à vampira, na hora em que estão se despedindo.

- Eu não sou tão boazinha como imagina, Alquimista de Aço... Você tinha um conhecimento que eu queria aprender... E eu tinha o conhecimento de que você precisava para voltar ao seu mundo... Em qualquer lugar existe a troca equivalente e é um tolo quem disser que ela não é válida... Mesmo assim, agradeço também por ter me ensinado a sua alquimia... Se um dia eu for ao seu mundo, vou usá-la... Adeus... – Diz, fazendo o caminho de volta à porta do seu palacete.

Edward assente e, sorrindo, vai andando. Quando já está a uma certa distância, ele se volta para a casa da vampira e pergunta, de longe:

- Afinal, vampira... Qual é o seu nome?...

Ela sorri e responde altiva, enquanto envolve um xale negro em seus ombros:

- Me chamo Elizabeth... Elizabeth Von Bathory... – Ela reforça o sorriso e Edward vê a vampira pela última vez, antes de ela voltar ao seu palacete, trancando a porta.

Depois daquela despedida, Edward vai ao centro da densa floresta e, desenhando um enorme círculo de transmutação no solo de uma clareira, ele volta a bater as mãos como fazia para transmutar as coisas quando ainda estava em seu mundo...

Edward, então, olha para uma das trilhas que levava àquela clareira e sorri ao ver uma silhueta começar a se formar entre as folhagens da mata.

- Eu sabia que você viria logo... E que não ia me decepcionar!! – Diz Edward, calmo, enquanto aguarda aquela pessoa se aproximar para prosseguir com a abertura do portal.

- Eu não podia deixar de atender a um pedido seu, irmão... Mas foi bastante exagerado da sua parte ter escrito aquela carta tão urgente para mim... – Diz Alphonse, chegando perto do irmão. Ele vê o círculo de transmutação desenhado no chão... – Ed... Não me diga que... Vai... Tentar fazer...

- Al, eu quis que viesse até aqui para voltarmos juntos para Shamballa... Pra nossa casa!! Vem comigo?... – Pergunta Edward, sorrindo para irmão mais novo.

- M-Mas... E a nossa... Vida aqui... Ed? – Questiona Alphonse, desconfiado.

- "Vida", Al?!?!... Que vida?... Nossa vida está em Amestris, no mundo em que a alquimia é respeitada como uma ciência verdadeira e não aqui, onde as pessoas dependem de máquinas e armas para sobreviver!!... Vem comigo, irmão... – Edward pede, já com alguns indícios de que o portal estava para ser aberto.

- E-Ed... Eu... – Alphonse está confuso, mas, no momento seguinte, fecha os punhos em sinal de determinação e diz... – Sim, Ed... Eu vou com você!!

E, sem olhar para trás, Alphonse entra no local onde estava desenhado o círculo de transmutação e as luzes que indicavam o portal se abrindo começam a adquirir mais brilho e alçar até a altura dos céus... Do centro do desenho, uma luz avermelhada começa a envolver os dois irmãos...

E depois, abre-se o portal, em meio às luzes que a alquimia gerava...

Edward e Alphonse estavam a caminho de volta ao seu mundo...

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Sonho de Edward... (fim)

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Quando acorda na manhã seguinte, Edward está sobressaltado. A noite toda sonhara com as coisas que lhe aconteceram anteriormente. A luz do sol que entrava pela janela do quarto lhe cegava as vistas e, para evitar a luz, Ed coloca a mão diante dos olhos. Quando tenta levantar, Edward sente que Winry ainda estava em cima dele, dormindo. Ele pensa, então, em ficar ali mais um pouco, quem sabe dormiria novamente e, quando fecha os olhos, seu sossego para o sono é retirado pelo sonoro barulho da campainha do telefone. Uma chamada e Edward se assusta, acordando também Winry. Que espécie de hotel de luxo era este que ligava àquela hora da manhã para os hóspedes sem prévio aviso?

Quando pensa em dizer "poucas e boas" para quem quer que seja que estivesse do outro lado da linha, Edward tem uma notória surpresa ao atender ao telefone.

- Edward?... Edward Elric?... – Pergunta uma voz conhecida do outro lado, mas o jovem alquimista estava muito sonolento para dizer quem era com precisão.

- Sim... E você quem é?... – Pergunta com a voz embargada.

- Sou eu, o Tenente Havoc!!

Edward escuta isto e desperta de vez, sentando-se na cama. Para o Tenente estar procurando por ele a ponto de descobrir o telefone do quarto em que ele estava hospedado é porque deveria ser um assunto bem sério.

- Ah sim, Tenente, pode falar!!... Estou ouvindo... – Diz Edward agora com a voz mais firme.

- Ed, é o seguinte: tem uma guerra prestes a estourar!! – Diz Havoc, alarmando Edward.

- M-Mas!! Desde que o Roy assumiu o comando do país não acontece nem um conflitozinho!! Como é que agora você me fala que vai eclodir uma guerra?!? – Edward fala isto e Winry, que está ao seu lado, também fica preocupada.

- Não posso dar detalhes por telefone, Ed, você vai ter que vir aqui no Quartel General Central!! O Coronel Armstrong mandou chamar todos os Alquimistas Federais que estivessem por perto, e como eu soube que você viria para a Cidade Central, tive que pegar o telefone do seu quarto pra ligar!!

- Peraí, você disse o Coronel Armstrong?!?!... Ele mandou chamar os Alquimistas Federais?!?!... Mas eu achei que só o próprio Marechal poderia convocar os Alquimistas Federais desse jeito... Mesmo numa situação de guerra...

- É que o Marechal Mustang está viajando...

- O quê?!?!... Mas mal vira Marechal e o vagabundo já começa a gastar o dinheiro do governo em viagens?!?! Aposto como tem mulher no meio disso!! – Diz Edward, demonstrando que sua antipatia por Mustang continuava a mesma, mesmo depois de tanto tempo passado. Do outro lado da linha Havoc não contém um risinho, mas tem que ser objetivo em sua ligação, e, assim, ele continua:

- Ed, venha rápido!! Parece que é um grupo invasor de um país vizinho que quer nos atacar... Não sabemos ainda os motivos, mas vamos contatar o Marechal Mustang e a Tenente Hawkeye, que está com ele, para que eles voltem logo ao quartel!!

- Há!! Sabia que tinha mulher no meio, não falei?!?!...Mas eu já estou indo...

Edward pede que Winry fique no quarto do hotel, em segurança, e ele vai se arrumar para a ocasião. Não que ele gostasse, mas, naquele momento, tinha que engolir a vontade que tinha de atirar a farda pela janela e veste aquele uniforme azul, com botas pretas e põe sobre a cabeça o quepe com o símbolo do exército de Amestris. Se fosse em outras épocas, quando Edward ainda era um Alquimista Federal recém ingresso no quartel, ele jamais aceitaria vestir a farda, sempre optando por sua roupa preta com o sobretudo vermelho, mas agora, que já está com vinte anos, que sua fase de rebeldia passou, ele não se importava tanto em colocar o uniforme que o tornaria mais um no meio de tantos militares.

Em seguida, Edward despede-se de Winry com um beijo e vai até o primeiro andar do hotel, onde um carro militar o aguardava para levá-lo ao quartel general. Edward não percebera, mas estava sendo observado...

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Na casa de Roy Mustang, naquela manhã de calor, Riza se deliciava com bons mergulhos na piscina que ficava dentro da propriedade do Marechal. Quando emerge da água após um mergulho, a loura vê Roy sentado à borda da piscina, olhando para ela com uma expressão apaixonada.

- Vou ficar mal-acostumada com esse tratamento de luxo... – Diz ela saindo da água enquanto ele lhe entrega uma toalha para secar os longos cabelos.

- Pode ficar mal-acostumada... Seria ótimo ver você como uma menina mimada, mal-acostumada que quer tudo na hora... – Replica a frase dela enquanto ela se senta diante dele e ele seca os cabelos dela.

- Hum... Essa não sou eu... Nunca fui assim... Mas eu posso interpretar uma menina mimada se você quiser!! – Fala virando-se para ele e se beijam. Depois, ela continua... – Já estamos aqui há seis dias... Amanhã a nossa semana de 'férias' acaba... O que você quer fazer hoje?...

- O mesmo que a gente tem feito todo dia... – Ele responde com um olhar malvado e um sorriso carregado de desejo. Riza fica corada e lhe dá um beliscão no braço... – Ai, o que foi?!?!... Eu pensei que você estava gostando... Do jeito que você geme parece que gosta muito mesmo... – Volta a sorrir malvado como antes e leva um novo beliscão.

- Não me provoque, Marechal!! Não fica falando essas coisas... Eu não gosto... – Ela fala cruzando os braços e sentando-se na borda da piscina novamente, colocando os pés dentro da água.

- Está bem, desculpe... – Senta-se atrás dela e abraça-a pela cintura.

- AhTudo bem, acho que vou ter que me acostumar com esse seu jeito machista, lascivo e maldoso de levar as coisas... – Ela fala olhando para o reflexo deles na água da piscina.

- Ah, então eu sou "machista", "lascivo" e "maldoso", é?... Que decepção, meu amor... Achei que você gostava de mim...

- E quem disse que isto é ruim?... – Vira-se para ele e puxa-o para dentro da água com ela.

Bem se sabe que Roy não se dá muito bem com água, preferindo ficar longe dela, exceto quando estava tomando banho – e isso era necessário... – contudo, como estava com sua amada, ele não se importava em ficar alguns minutos na piscina.

Depois de algum tempo se divertindo na água com ela, Roy emerge da água e vai para um canto da piscina, sendo seguido por Riza, que encosta-se a ele e, assim, ficam, abraçados. Estranhamente, em meio àquele dia de calor, eles escutam um estrondo vindo das nuvens, um trovão, mas muito ao longe, como que se aproximando da Cidade.

- Não acredito! Vai chover logo no nosso último dia juntos... – Diz Roy, decepcionado. Realmente a água não era seu elemento favorito.

- Ah, como se você não soubesse que é sempre assim! Um dia de calor sempre antecede uma semana de tempestades aqui na Cidade Central...

- Tem razão, amor... – Diz Roy apressando-se em sair da piscina com ela... – Então, nesse caso, vamos aproveitar o dia de hoje... Dias de chuva só são bons para ficar na cama... E acompanhado é ainda melhor... – Ele fala a última frase com uma voz tão carregada de malícia que Riza não se agüenta e avança para lhe dar outro beliscão, mas Roy é mais rápido e corre de volta para dentro da mansão, enquanto ela o segue, gargalhando da atitude infantil deles mesmos. Pareciam-se mais com duas crianças brincando de pegar.

Já dentro da casa, no corredor que levava aos quartos no segundo andar, o apaixonado casal continua a se beijar. Roy adorava ver sua amada em trajes tão íntimos como trajes de banho. Um biquíni, para ser mais específico na descrição. Ela ficava linda, sensual, mas comportada, ao mesmo tempo, porque não era um daqueles biquínis vulgares que as moças que freqüentam os "Iate Clubes" costumam usar. Riza sabia como ser sensual mesmo com uma roupa de banho que lhe cobria mais do que mostrava o corpo.

Àquela altura, já se beijavam com ardor, enquanto ele, suspendendo as pernas dela e abraçando-a contra a parede, conseguia sentir todo o corpo dela contra o seu. O calor, as batidas do coração, o desejo e a sensualidade. Estão a um passo de entrarem no quarto para fazer amor outra vez quando... a campainha estridente do telefone toca e os desperta do erotismo daquele momento.

A expressão de raiva que Roy faz só é contida porque Riza o segura e o impede de destruir o telefone, jogando-o para o andar de baixo. Mais calmo, Roy vai até o aparelho e atende, muito a contra-gosto.

- Seja lá quem for, se o motivo não for bom o suficiente, vai morrer queimado!!

- D-Desculpe, Marechal... Mas foi preciso ligar para o senhor... – Diz a voz gaguejante de Havoc, com medo, do outro lado da linha.

- HAVOC!!!!! – Grita Roy enfurecido... – O que eu falei?!?!? Esqueceu das minhas ordens?!?!?... Eu disse que não aceitaria nenhuma interrupção esta semana!!! Era para fingir que eu estava viajando com a Tenente Hawkeye!!!

- M-Mas é que... – Havoc, então, pigarreia e limpa sua voz, falando mais firmemente... – Senhor, é que uma guerra está para acontecer!!

Por alguns momentos Roy não responde. O que se passava na cabeça dele?, pensa Havoc. Roy estava incrédulo. Uma guerra?... Não podia ser verdade. E quem iria contra o país que estava sob o governo do "Marechal das Chamas", como ele era conhecido nos países estrangeiros... Antes que Roy pudesse pedir uma explicação, Havoc fala:

- Senhor, recebemos esta manhã uma carta escrita com tinta vermelha, simbolizando sangue, e contendo ameaças de um homem à sua pessoa, dizendo claramente que ele e sua comitiva viriam até Amestris sem que ninguém percebesse, agindo como pessoas comuns e começariam uma guerra contra nosso exército usando os nossos próprios soldados!!... Com este alarde, o Coronel Armstrong mandou reunir todos os Alquimistas Federais que estivessem na Cidade Central para protegerem o Quartel General Central e o senhor.

- Está me dizendo que um qualquer escreve uma carta à tinha vermelha e, só porque continha ameaças a mim vocês estão anunciando uma guerra?!?... Havoc... Espero que esteja brincando comigo!! – Diz Roy, ainda furioso pelo Primeiro Tenente tê-lo desobedecido.

- Sinto por ter desobedecido às suas ordens e tê-lo perturbado antes de uma semana, senhor... Mas a carta não é de um "qualquer"...

- Havoc... Do que está falando? – Pergunta Roy com seu tom sempre de ordem.

- A carta está assinada por... Sander... Von Gerven... – Havoc fala o nome do autor da carta como se pronunciar aquele nome fosse sinônimo de irar Roy Mustang... E era.

No mesmo instante que ouve Havoc falar o nome Sander Von Gerven, Roy arregala os olhos e Riza, que estava todo este tempo ao seu lado, chega a se assustar com a expressão de fúria que se formou no rosto dele, chegando mesmo a dar alguns passos para trás.

- O QUÊ?!?!?!?!? – Roy indaga gritando...

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Flashback (início)

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Da janela de sua sala, Roy Mustang observava a cena que mais odiava: Riza, sua amada desde os tempos em que era um alquimista iniciante, passeando de mãos dadas com outro rapaz: Sander Von Gerven.

Von Gerven não havia participado da guerra em Ishbal, contudo, ele já havia ascendido ao posto de Major, o mesmo que Roy ocupava na ocasião, e isso irritava Mustang além da conta, porque ele sabia que Sander possuía amigos mais influentes que ele próprio. Coronéis, Generais e o próprio Marechal King Bradley, todos apoiavam Sander.

Roy não tinha inveja de Sander por causa de sua posição, por ele também ser reconhecido como herói ou qualquer coisa assim. Roy odiava Sander por um único motivo: ele era namorado de Riza! Ele admitiria tudo, até que Von Gerven ultrapassasse o seu posto militar, mas tirar Riza dele era demais!! Além disso, havia uma antiga rivalidade entre eles: Roy é o Alquimista das Chamas... Sander é o Alquimista da Água. Elementos completamente opostos que geravam conflitos entre seus manipuladores.

Mas, em parte, a culpa também era de Roy, que não movia uma palha para mudar aquela situação e ficava apenas remoendo suas amarguras sozinho. Apaixonado em segredo por Riza... Por que em segredo?... Que mal havia em demonstrar isto?... Nunca foi impedido por parte dos superiores que militares se casassem entre si... Mas Roy sentia que ainda não era hora... E seu comportamento "mulherengo" também não era nada agradável à Riza, e ela preferia evita-lo como homem e servi-lo apenas como seu superior no quartel, mas jamais na vida pessoal. Isto destruía Roy por dentro, mas... Por que ele mesmo não mudava?...

Naquela manhã, ele olha pela janela mais uma vez e vê Riza mais uma vez andando pelo pátio do quartel em companhia de Sander. Pensa mesmo em saltar dali e queimar aquele engraçadinho, porém, certamente seria preso por cometer um assassinato e, além disto, tal alquimia de fogo não funcionaria em Sander: Ele é um alquimista que manipula a água tão bem quanto Roy manipula o fogo.

Água, Terra, Fogo e Ar, os quatro elementos básicos da Natureza. Sua relação tem de ser sempre balanceada e harmoniosa para que não ocorram danos. E sabe-se que a relação entre estes elementos é: Ar derrota Terra; Terra derrota Água; Fogo derrota Ar e Água derrota Fogo... Logo, não seria possível uma amizade, ainda que falsa, entre Roy Mustang e Sander Von Gerven.

Rangendo os dentes de raiva, Roy apertava o punho com força, sentindo um apertar grande em seu coração. De repente, sem bater na porta, Hughes entra na sala.

- Ah, não... De novo olhando a Segundo Tenente daqui, Roy?... – Pergunta Hughes, já sabendo o que estava deixando Roy tão nervoso.

- De novo, Hughes!! De novo!!... Pra quê isso?!?... Ficam andando de mãos dadas com que propósito?!?! Se todos já sabem que eles são namorados, pra quê esse exibicionismo?!? – Questiona Roy, cheio de ciúmes.

- Do mesmo modo que todo mundo já sabe que você é um galinha e, ainda assim, a cada dia que passa, você aparece com uma moça diferente!! É assim que quer fazer a Hawkeye olhar pra você?!?

- Dá um tempo, Hughes!! Está do meu lado ou do lado dele?!?!

- Roy... Eu sou seu amigo, seu imbecil!! Eu estou com você, mas tenho que admitir que ele foi mais esperto!!... Eu te avisei pra ficar de olho, tinha muito "urubu" em cima dela... Olha aí...

- Hughes, se eu pudesse, eu mataria esse desgraçado!!

- Você já sabe o que deve fazer... A gente já falou sobre isso... Use "aquela" estratégia e afaste esse cara da sua Riza... – Fala em tom de cumplicidade.

- É... Sei... E vou fazer!!

Sem aguardar mais, Roy segue para a sala do Marechal Bradley. Com o posto que possuía, e por ser também um Alquimista Federal, Roy já não precisava mais marcar um horário para ver o Marechal, e podia entrar na sala do superior apenas pedindo licença. Entrando na sala do Marechal, Roy é prontamente recebido.

- E então, Major Roy Mustang... O que posso fazer por você?... – Pergunta o Marechal Bradley, servindo-se de uma xícara de chá.

- Excelentíssimo Marechal... Eu gostaria de pedir ao senhor um pedido para ir às frentes de batalha na revolta armada que está para acontecer nas fronteiras do Leste. – Pede Roy com o devido respeito ao superior.

- O quê?!? – O Marechal pára de beber seu chá para olhar firme para Roy. Nunca antes alguém havia pedido para ir às frentes de batalha, pelo contrário: pediam para não ir... – Está dizendo que quer ir para as frentes de batalha sem qualquer objeção?...

- Sim, senhor, é isso mesmo... – Roy se mantém firme.

- Mas... As fronteiras do Leste nesta época do ano são um território onde chuvas constantes caem e, desta forma, o seu poder acaba se tornando inútil, sem querer ofendê-lo, claro... Mas devido as circunstâncias... Creio que o envio de um outro Alquimista Federal em seu lugar será uma decisão mais apropriada...

- Bem... Se o senhor acha isto, então... O que posso fazer para ser útil nesta eminente guerra, senhor? – Continua Roy, empenhado. Na verdade estava mesmo representando ali... Ele tinha tudo planejado.

- Hum... – O Marechal faz uma expressão de análise, com os olhos fechados. Bebe mais um gole do chá e diz, depois... – Creio que possa ser útil me indicando um bom Alquimista Federal para liderar as frentes de batalha no Leste.

Roy sorri de leve, mas, em seu interior, estava saltitante. Ele tinha a confiança do Marechal a ponto de poder indicar algum outro alquimista em seu lugar. Ele queria exatamente aquela resposta do Marechal. E, desta forma, diz, em um tom firme, como todo bom militar deve ter:

- Eu indico Sander Von Gerven, excelentíssimo Marechal!! Acredito que o Alquimista da Água será perfeito para esta guerra, já que o local, como o senhor disse há pouco, estará passando por um período de grandes chuvas. Isto pode, inclusive, ajuda-lo.

- Pois que seja... – Replica o Marechal, dando seu veredicto... – Ordenarei que seja entregue a Sander Von Gerven, o Alquimista da Água, uma ordem expressa para que ele vá às Fronteiras do Leste liderar a guerra.

Roy bate continência uma última vez para seu superior e sai da sala, sorrindo com o canto dos lábios, e praticamente soltando fogos de artifício por dentro.

No dia seguinte, novamente de sua janela, Roy vê, num canto isolado do pátio do quartel, à sombra de uma árvore, Sander e sua namorada olhando atônitos para o papel nas mãos dele. Roy não podia escutar o que eles falavam, mas tinha alguma idéia do que era. Logo, Mustang vê Riza abraçar Sander e começam os dois a chorar... Todas as emoções muito comedidas, afinal, estavam em horário de serviço e no quartel. Roy controla a vontade de sair queimando tudo que visse pela frente ao ver Riza abraçada com Sander, mas sabe que, logo, aquela cena não se repetiria mais...

A guerra que estava para acontecer no Leste seria por demais sangrenta. As revoltas armadas eram constantes e, agora, o exército estava intervindo de maneira direta. Havia também um grande rumor de que o líder das frentes de batalha, seja ele quem fosse, seria um dos primeiros alvos do povo enraivecido e revoltado. Roy sabia que, se Sander não morresse, ao menos ficaria por um bom tempo longe de Riza... Tempo suficiente para que ele pudesse se aproximar dela e conquista-la.

Nos dias que se seguiram, preparações e recrutamentos para a guerra no Leste começaram e, agora, está na hora da partida de Sander para a guerra. Imóvel em sua janela, Roy apenas observa vitorioso Sander entrando no carro milita que o levará para a guerra... E para longe de Riza.

Inconsolável, Riza estava nas escadas de acesso ao interior do quartel secando as lágrimas incontroláveis pela separação de seu namorado. Ele havia sido um dos poucos a estar sempre ao seu lado, dando-lhe apoio e carinho, agindo como um amigo, um irmão... E um namorado. E agora estava se separando dele. Não o amava como amava Mustang. Sim, Riza sentia o mesmo que Roy sentia por ela, mas como ele não demonstrava nada em relação a ela, preferia ficar calada, tocar sua vida à frente e ficar ao lado de alguém que lhe desse valor, como Sander fazia...

Estava na hora de ir para a guerra e Sander se despede de Riza com um aceno. É a última vez que ela o vê... E ele a ela...

Uma semana... Duas... Três e Riza não mais teve notícias de Sander, a única coisa que sabia é que a guerra no Leste estava sendo controlada pelo exército. Logo chegam as novas de que o comandante das tropas havia desaparecido na guerra.

Desaparecido!! Riza, que já estava inconsolável, fica ainda mais triste, e tudo isto sem poder se desfazer da pose de militar exemplar, impecável, sem poder derramar uma só lágrima durante o período de trabalho. Não seria nada bom para sua imagem que ela ficasse chorando enquanto preenchia os papéis diante da mesa do Major Mustang, de quem ela era subordinada direta.

Para Roy, ver Riza sofrer deste jeito era terrível, mas ele não tinha coragem de dizer nada, muito menos aproximar-se dela para fazer qualquer investida amorosa. Era como se ele estivesse respeitando o "luto" pelo qual Riza passava, para só então tentar uma aproximação... Mas esta tentativa de aproximação nunca aconteceu...

Um mês depois do ocorrido, no horário de almoço, o Sargento Fury vê, ao longe, a Segundo Tenente Hawkeye sentada à sombra daquela mesma árvore onde costumava ficar com seu namorado, escrevendo em um bloco de papel. Mesmo com a advertência dos amigos para que ele não fosse até lá, o Sargento se aproxima de Riza, com um tênue sorriso.

- B-Boa tarde, Tenente Hawkeye...

- Boa tarde, Sargento... – Diz Riza com um sorriso forçado... – Mas acho que para a sua tarde continuar boa, você deve ficar longe de mim... Eu não sou uma boa companhia hoje...

- O que é isso, Tenente... Você é muito agradável... Mas... – Senta-se na grama, ao lado dela... – Eu queria entender por que está se sentindo assim... Um mês já se passou... Eu sei que ele era importante para você, mas...

- Sargento... – Riza o corta em sua fala... – Eu sei que quer tentar me animar, mas... Eu perdi o único amigo que sempre ficava do meu lado quando eu mais precisava... Entende isso?... Já perdeu alguém assim, Sargento?...

- N-Não... Q-Quero dizer sim, mas não alguém de quem eu gostasse com tanta intensidade... É... Realmente, acho que não posso dizer que eu entendo... Me desculpe... – Ele fala, ajeitando os óculos, meio decepcionado.

- Não... Você não tem que se desculpar... – Diz, parecendo amigável.

- E... O que é que está escrevendo?...

- Uma trenodia...

- Uma o quê?!? – Pergunta Fury, franzindo a testa.

- Uma trenodia, Sargento, é um cântico de despedida para alguém que desapareceu durante uma guerra... – Ela começa a explicar com o olhar longínquo... – Quando não se tem certeza da morte da pessoa e nem mesmo se encontra seu corpo, mas fazem um enterro simbólico, uma lápide com o nome da pessoa... Sander me pediu para escrever uma trenodia para ele caso acontecesse alguma coisa com ele... No fundo, acho que a trenodia é uma espécie de esperança que se guarda de a pessoa que desapareceu volte e fique tudo bem de novo...

- Entendo... Como o que aconteceu com o Major Von Gerven... – Ele fala em voz baixa, como que respeitando o desaparecido... – Então... Você tem a esperança de que ele não morreu, está só desaparecido e, um dia, vai voltar?...

- E se perdermos as esperanças, em que mais vamos nos apegar sargento Fury?... – Riza fala retoricamente, sem esperar qualquer resposta de Fury, mas, mesmo assim, ele retorna:

- Mas... Me desculpe por perguntar, Tenente... Riza... Você amava o Sander?... – Fury pergunta agora num tom mais íntimo.

- Não... – Ela responde sem hesitar... – O meu amor é de outro... Mas este outro não sabe disso... E, mesmo se soubesse, pouco se importaria... Contudo, o Sander era... Meu amigo... O que eu sentia por ele era um profundo sentimento de amizade e carinho... Ele era... Meu porto seguro quando eu estivesse em auto-mar me afogando, como estive tantas e tantas vezes... – Ela começa a lacrimejar... – Mas agora eu não tenho mais um porto para voltar...

- Se quiser um amigo que é um "quase" porto-seguro, pode contar comigo!! – Diz o Sargento docemente, batendo continência para ela, mas apenas como um gesto de amigos, pois ele também pisca um olho em sinal de brincadeira.

- Você é um amigo, sim, Fury... – Ela responde sorrindo fraco.

- Desculpe mais uma vez em falar isso... – Diz enquanto ambos se levantam do chão, pois o horário de almoço estava acabando... – Mas eu acho que aquele que você ama e que não se importaria se soubesse disso é um imbecil... Não se despreza uma dama como você!!

- Sargento... Vou entender isso como um elogio para o seu bem!! – Ela fala fazendo uma expressão entre a vontade de rir e, ao mesmo tempo, de prender o Sargento pelas palavras.

De certa forma, o Sargento foi capaz de fazer Riza sorrir, mas o sorriso dela era falso. Ela estava triste, mas mantinha-se de pé pela promessa que fez a si mesma de que encontraria seu amigo-namorado novamente...

Mas o tempo passou e ela não mais reencontrou Sander... E aprendeu a desenvolver uma autodefesa própria contra as investidas que, às vezes, o seu superior, Roy Mustang, lhe fazia. Poderia até mesmo parecer ilógico que ela o amasse, mas se protegesse contra ele, mas foi apenas a maneira que ela achou de não sofrer novamente... E Roy estava cada vez mais certo de que nada lhe separaria de Riza a partir daquele momento... Mas era certo que ele sabia que, um dia, pagaria pelo que fez, mesmo que seu erro tenha sido cometido por amor... ... ... ...

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Flashback (fim)

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- Marechal?!?... O senhor ainda está aí?... – Pergunta Havoc, do outro lado da linha, preocupado com a demora na resposta de Roy.

- Estou!! – Responde Roy firmemente. Todas aquelas cenas do passado se passaram numa fração de segundo em sua cabeça, mas tempo suficiente para deixar o Primeiro Tenente esperando por uma resposta. Quando volta a si, Roy diz... – Havoc... Espero que não seja uma brincadeira de mau-gosto!

- Não, senhor... Não é!!

- Estou indo para o quartel! – É tudo que Roy diz antes de desligar o telefone.

Parada diante de Roy, ainda com a roupa de banho que estava usando na piscina, Riza fica olhando para ele sem entender.

- Roy... O que foi?... Que cara é essa?!?... Você estava gritando... Por quê?!?...

- Riza... – Ele usa agora um tom mais calmo com ela do que antes, ao telefone... – Uma coisa muito ruim aconteceu... E parece que haverá uma guerra.

- Uma guerra?!?!... M-Mas como?!?!

- Vamos nos vestir, meu amor!! Precisamos ir ao quartel agora mesmo...

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Na sala do Marechal Mustang, já estavam reunidos Havoc, Breda, Fury, Falman, a Tenente Maria Ross, o Sargento Danny Bloch, o Coronel Armstrong e Edward Elric. Todos aguardavam a chegada do Marechal e da Tenente Hawkeye, mas eles estavam um pouco atrasados.

- Olha, se aquele cara não chegar em cinco minutos, eu vou me embora de volta pro Hotel, que a Winry ta me esperando!! – Desabafa Edward, não querendo ficar nem mais um minuto com aquela farda e, pior, tendo que aguardar a chegada de Roy.

- Calma, Ed!! Ele já vai chegar. – Havoc tenta acalmar Edward... – Ele ficou bastante abalado quando eu falei sobre o que era... Quando eu falei o nome de quem mandou a tal carta...

- Aliás... – Continua Edward... – Cadê essa tal carta, heim?... Eu gostaria de dar uma olhada nela...

Os oficiais entreolham-se... Seria apropriado mostrar a carta antes de Roy Mustang chegar?... O Coronel Armstrong se adianta e diz:

- Hum... Acho que não há nenhum problema!! Pode ler, Edward. – O musculoso militar entrega a carta para o alquimista de aço.

Com um olhar curioso, Edward abre o envelope, e mesmo sem autorização para abrir a carta, ele retira o papel minuciosamente dobrado e com um brasão à cima da folha, indicando que a tal carta fora enviada por alguém de linhagem nobre, pois só as famílias nobres possuíam tais brasões. Depois de uns instantes lendo, Edward diz, surpreso:

- Caramba... Esse cara aqui realmente odeia o Roy!! Tudo bem que eu também não vou muito com a cara daquele "esquentadinho", mas daí a ameaçar a vida dele desse jeito!! E o engraçado é que eu acho que já vi este sobrenome em algum lugar... "Von Gerven"... Me parece familiar... – Edward faz um esforço para se lembrar se já havia mesmo visto tal nome antes.

- Ele tem suas razões para isso... – Começa a falar o Sargento Fury, mas este leva uma cotovelada de Havoc, que o impede de prosseguir.

- Ei, o que é que ta pegando?!?! Qual é a desse carinha aqui?!?... Por que ele odeia tanto o Roy?!? – Pergunta Edward.

- Existem muitos boatos por aí, Ed... Não deve acreditar em tudo que lhe contarem... Qualquer hora você vai saber o que aconteceu... Ao que parece, então, foi mesmo verdade o que o Marechal fez quando ainda era Major... – Continua o sargento Fury com um olhar cabisbaixo.

- Ahá, então o Marechal das Chamas também tem uma mancha negra em seu passado, né?... Humpf... E eu que achei que o único erro dele tinha sido matar alguns Ishbarianos inocentes e os pais da Winry naquela guerra... – Diz Edward, devolvendo a carta para o Coronel Armstrong.

- As pessoas cometem erros por diversos motivos, Edward Elric... Não somos nós os mais capacitados para julgar os outros, muito menos aqueles que agem pensando no coração... E no amor... – Diz Armstrong, com um tom teatral, mas não deixando de ter razão.

- Humpf... Ta certo... – Edward senta-se desleixado e cruza os braços... – Seja lá o que ele tenha feito, todo mundo paga pelos seus erros... – Sorri malvado, não se agüentando para soltar aquela piadinha infame... – Falando em erro, acho que quem errou feio mesmo foi a Tenente Hawkeye... Eles viajaram, não é, Tenente Havoc?... – Havoc faz que "sim" com a cabeça... – Coitada dela... A Riza merecia uma coisa melhor do que aquele palito de fósforo ambulante!!

- Acha mesmo, Do Aço? – Pergunta uma voz metódica e calma, vinda da entrada da sala.

Num segundo todos ali presentes, exceto Edward, se levantam e batem continência para Roy, que acaba de chegar com Riza ao seu lado.

- Tava demorando... – Edward solta a frase num desabafo irônico.

- É um prazer ver você também, Edward Elric. – Diz Roy mais irônico ainda... – Bom, vim aqui para ver a carta. Onde está?...

O Coronel Armstrong estende a carta para Roy, que a pega e lê com atenção. As ameaças eram claras e a escrita feita com tinta vermelha era a prova final da declaração de guerra: tinta vermelha era sinônimo de sangue... Sangue dos habitantes da Cidade Central, os quais certamente pagariam caro por mais esta guerra se ela viesse a eclodir de fato.

Sob os olhares tensos de todos, que aguardavam o que ele falaria após a leitura da carta, Roy levanta o olhar na direção de seus subordinados, sem permitir, ainda, que Riza soubesse sobre o remetente da carta.

- É... A carta é dele mesmo...

Riza faz menção em esticar as mãos para pegar a carta e lê-la, mas Roy retira o papel do alcance dela.

- D-Desculpe por me intrometer, Marechal... – O Sargento Fury fala com cautela... – Acho que o senhor deveria deixar que ela leia a carta... E veja quem a enviou...

Os olhares de todos ali voltam-se para o Sargento, como se estivessem admirados em como ele teve coragem de falar tal coisa para o Marechal Mustang desta forma, por mais respeitoso que tenha sido. Contudo, contrariando o que os pensamentos de todos ali, que deduziram que Roy puniria o Sargento com uma humilhante advertência verbal (isso na melhor das hipóteses), o Alquimista das Chamas dá a carta para Riza, como que concordando o que Fury havia dito.

O olhar de Riza se transforma. Nunca antes aqueles ali presentes viram o olhar dela tão tenso, tão cheio de surpresa... E medo... Riza levanta o olhar da carta sem ao menos lê-la: só ter visto o nome do remetente já foi suficiente para ela sentir as pernas tremerem.

- Roy... O que é isso?!?!... – Ela questiona, num tom baixo... Roy fica sem ação.

Antes que Roy pudesse responder à pergunta dela, a atenção se volta para Edward.

- LEMBREI!!! – Levanta-se da cadeira, finalmente. Edward parecia assustado com sua repentina lembrança... – Lembrei onde eu vi esse sobrenome aí!! Foi no livro de registros do Hotel que eu assinei pra poder me hospedar!! Von Gerven!! Isso mesmo... Sander Von Gerven!!

- Ed!! Está querendo dizer que alguém com este sobrenome está hospedado no mesmo hotel que você?!?!?! – Questiona Havoc.

- Tenho certeza!! E tinha até um almofadinha todo "mauricinho" fazendo a reserva pra ele!!... – Edward arregala os olhos dourados, passando a mão nos cabelos trançados, em sinal de preocupação... Os outros ali também se tornam tensos e assustados com tamanha proximidade do inimigo... – Não!! Eu pedi pra ela me esperar no quarto, pra ficar em segurança!! – Edward fala alterado, saindo a passos largos e apressados da sala do Marechal.

- Edward, aonde você vai?!? – Pergunta Roy, estranhando a forma como Edward estava deixando a sala...

- WINRY!!... – Brada Edward, começando a correr pelo corredor do quartel em direção à saída...

(Continua...)

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Olá!!!

Bem, antes de qualquer coisa, quero me desculpar com os meus queridos leitores pela demora na postagem deste novo capítulo, contudo, para me redimir do erro, eu estou postando o 7º capítulo bem grande. E também anuncio que já estou "livre" da faculdade, pois já passei em todas as disciplinas e agora vou me dedicar totalmente à esta nossa fanfic e aos meus fanarts. Aliás, mais uma vez obrigada pelos desejos de boa sorte!!

Como puderam ver, neste capítulo 7 me ative mais aos dois personagens que vão entrar na fanfic agora – Edward Elric e Winry Rockbell – e a como o alquimista de aço conseguiu voltar à Shamballa. E também quis mostrar quem é o "vilão" Sander Von Gerven, as razões pelas quais ele está atacando Amestris e o porquê de ele odiar tanto o Roy e amar Riza. No capítulo 8 – o próximo – a fanfic trará mais do casal-protagonista do que neste capítulo 7. Atualizarei até o final de semana.

»» Agradecimentos referentes ao "Capítulo VI – Ceder À Tentação" ««

PARA: "Bruna A. Elric" ; "Integra Hellsing Tepes" ; "Ghata Granger" ; "tais" ; "Babi" (melhor assim, friend?) ; "ZEZIN" ; "Mael Asakura" (meine Liebe) ; "Shinku Mitsuki" ; "P. Wings" ... Meu MUITO OBRIGADA!!! DANKE SHÖN!!! Agradeço a cada um dos reviews e espero mais neste e nos próximos capítulos!!

(Obrigada à Babi e ao Mael Asakura (meine Liebe) pela idéia de colocar os personagens Edward e Winry na fanfic.)

Até o próximo capítulo.

E.V. Bathory