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PRISÃO DO DESEJO
AVISOEste capítulo contém cenas fortes.
"(...) Ser consciente é um tormento
O mais que aprendemos é o menos que temos
Toda resposta contém uma nova busca
Uma busca para a não existência,
uma jornada sem fim (...)"
(Trecho da canção "Sensorium", Banda Epica)
.:: Capítulo IX – Sensorium ::.
- NÃO VÁ, RIZA!! – Exclama Edward, segurando a amiga pelo braço, impedindo-a de se aproximar do centro do pátio, local onde Roy e Sander travavam sua batalha.
Riza então não se moveu, mas continuou olhando demasiadamente angustiada para a cena, querendo fazer alguma coisa por aquele que ela amava, mas suas habilidades como sniper (atiradora de elite), naquele momento, seriam inúteis.
No pátio do quartel general, Roy ainda se via preso nas águas que Sander descarregou sobre ele, mas, mesmo nesta crítica situação, ele sorria. Roy tinha certeza da vitória. Mas não era como aquela velha prepotência dele, na época em que era Coronel e via na máscara de ironia e arrogância de um militar de alta patente a maneira de conseguir respeito. Desta vez ele sorria diante do inimigo porque sabia que poderia vencê-lo.
- Meu Deus!! O Marechal Mustang enlouqueceu!! – exclama Havoc, ao lado de seus amigos, que concordavam com o que ele dizia... – Está preso na armadilha do inimigo e ainda assim sorri!!
- É por isso que eu quero ir até ele!! – Riza exclama, dando um passo à frente da linha que eles formaram para observar o embate entre os dois alquimistas... – Roy!! Seu elemento não pode vencer o do Sander!!! ME ESCUTE, ROY!!! – Continua Riza a exclamar pelo nome de seu amado, certamente querendo avisá-lo da inutilidade de qualquer técnica de fogo contra a água de Sander.
- Riza, isso é inútil!! – Edward adverte-a, ainda lhe segurando pelo braço. Riza, então desiste e ele a puxa para mais perto, para que ela ficasse mais afastada possível do pátio. – Isso mesmo, Riza... Não interfira na luta agora... Olhe, o Roy sempre dá um jeito de se safar das encrencas que ele arruma!!
Ao dizer isto, Edward acaba enlaçando seu braço no braço de Riza, que retribui o abraço sentindo que podia confiar nas palavras dele. Como se tivesse sido tomada por uma súbita calma, ela sorri para ele e diz:
- Obrigada, Edward... – Fala mais calma... – Você ainda é jovem, mas já entende o mundo... Suas palavras me ajudaram a entender que o Roy vai se salvar... Ainda porque ele possui uma técnica que ninguém jamais conheceu...
Ela fala de maneira misteriosa e com os pensamentos ao longe, como se as palavras de Edward tivessem despertado uma memória que, até então, ela havia esquecido: Roy conhecia uma nova técnica alquímica.
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FLASHBACK (Início...)
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Riza ajeita para trás das orelhas a franja que insistia em cair sobre os olhos. Ah, logo, logo ela cortaria aqueles cabelos rentes à nuca, já que sua mãe fazia questão que ela mantivesse aqueles fios louros imensos, até abaixo da cintura. Assim, com um brilho diferente nos olhos cor de âmbar, ela entra meio acanhada no escritório de seu pai, meio sem jeito do que fazer ou falar.
Assim que ela entra, o patriarca Hawkeye, sempre compenetrado em seu trabalho, debruçado em pilhas de papéis escritos à pena onde muitas de suas pesquisas estavam minuciosamente descritas e desenhadas, olha para a filha e lhe abre um sorriso. Riza retribui o sorriso: há muito que ela não falava direito com seu pai e mal pôde entender quando sua mãe lhe disse que seu pai queria lhe falar.
- Mamãe disse que queria me ver, pai... – Ela começa ainda acanhada, falando baixo.
- Sim, filha... Venha cá... Tenho algo a lhe dizer e mostrar... – Ele fala pacientemente, como se não tivesse pressa de nada. E, de fato, não tinha.
Riza vai até ele, e senta-se numa cadeira ao lado da dele. Ela fica visivelmente incomodada com o olhar compenetrado de seu pai nela mesma, como se ele estivesse tentando ver através dela. Não... Não era através dela, mas sim para ela que ele olhava. Era como se, com um olhar apenas, ele quisesse observar todas as mudanças pelas quais ela havia passado todos esses anos e ele nem ao menos havia acompanhado de perto, certamente porque estava ocupado demais com sua pesquisa alquímica.
O patriarca Hawkeye percebe a inquietação de sua filha e decide deixar o olhar minucioso para mais tarde e começa a falar com ela, num tom acolhedor, como um verdadeiro pai.
- Filha... Tem algo que você queira me contar?... Algo que eu deva saber ao seu respeito?...
- Como assim, pai? – Ela pergunta visivelmente confusa com a pergunta dele.
- Tenho percebido os olhares entre você e o meu aluno, Roy Mustang... – Ele fala ainda mantendo o sorriso ao notar que ela ficou corada ao saber que ele notou certos olhares entre ela e Roy... – Ele tem mostrado grande progresso nas aulas e está cada vez mais perto de se tornar um Alquimista Federal. Logo ele irá embora daqui e será um nome nacionalmente conhecido, eu tenho certeza...
Riza, ainda confusa, pergunta ao pai:
- Sim, eu sei, papai... Mas por que está me contando isso?
- Porque eu sei que você merece mais do que isso. Merece mais do que esta velha casa e esta vida que eu posso dar a você. Você já tem dezesseis anos, daqui a pouco ficará maior de idade e estará na hora de partir para sua própria vida. – Ele fala em tom pesado, como se tudo aquilo, toda sua vida, estivesse perto de chegar ao fim... – Riza, você não é criança... Sabe que sua mãe não está bem de saúde e os médicos já deram um prazo para ela... Enfim, você sabe o que...
- Sim, papai... Eu sei... – Ela responde, olhando para baixo. Em seu íntimo, ela se perguntava por qual razão tinha de passar por aquela provação: perder a mãe para uma doença grave e o pai para a alquimia... Sim, seu pai se desgastava a cada dia pela alquimia e ela sabia disso... Ela sabia de tudo.
- Então... – Continua ele... – Como você já deve imaginar, as coisas só tendem a mudar com o passar dos anos e você logo será uma adulta... Assim sendo, deverá ter as suas responsabilidades e deverá, sobretudo, estar ao lado de alguém a quem você possa dar o seu apoio e receber apoio também... Assim como sua mãe e eu, que estamos juntos a muitos anos, enfrentando dificuldades e felicidades juntos... – Ele volta a sorrir, como antes, e pega as duas mãos de Riza, acolhendo-as nas mãos dele... – Eu sei que você já deve ter escolhido essa pessoa com quem ficar... O Roy...
Riza definitivamente não se agüenta mais e fala, como uma adolescente comum falaria numa situação dessas:
- E-Está enganado, papai!! Eu não quero nada com esse seu aluno, Roy!! Ele é só um arrogantezinho que acha que sabe muito sobre as suas pesquisas de alquimia e... – Ela ia continuar, mas seu pai a interrompe bruscamente, ainda sorrindo e segurando suas mãos.
- Estou vendo o quanto se importa com ele!!... Fala tão mal dele que é visível a afetividade entre vocês. Eu já pedi para que ele cuide de você como se fosse a vida dele próprio quando eu não estiver mais aqui... Ele também demonstra que gosta de você, pelas perguntas incertas que eu já fiz a ele... E saiba que eu fico muito feliz com essa sua escolha...
- P-Papai... – Ela tentava encontrar palavras, mas estava muito sem jeito para continuar, com as faces vermelhas... – Eu... Eu nunca disse nada... Como o senhor sabe...?...
- Ah, filha, eu sou um homem velho, mas já tive a sua idade... Entendo dessas coisas... – O pai de Riza agora assume um tom sério... – Você deve segui-lo, Riza... Deve ir aonde ele for, porque, apesar de demonstrar ser muito poderoso em utilizar a alquimia do fogo, o Roy parece uma criança perdida na hora do autocontrole, logo ele vai precisar de alguém centrada como você para ajudá-lo.
Aquelas palavras ficaram gravadas no subconsciente de Riza, como se fosse uma disciplina, uma lei a ser seguida, que não poderia em absoluto ser quebrada: ajudar Roy em sua missão, estar ao lado dele, guiando-o quando ele estivesse perdido.
Ela já estava para agradecer ao pai pelas palavras e pelo momento de atenção, mas logo seu pai retoma a fala, guiando a conversa para um outro rumo.
- Mas o motivo pelo qual eu a chamei aqui é outro, filha... – Ele fala, continuando com o ar de seriedade.
- Outro motivo...? – Ela fala com um olhar de menina perdida.
- Eu sei que você não entende nada de alquimia e nem nunca quis aprender... Pelo que eu sou muito grato... Se é que existe mesmo um Deus sobre nós, agradeço a ele por não ter feito você se interessar por alquimia, ou você poderia acabar cometendo os mesmos erros que eu... – Riza mantém os olhos fixos no pai, escutando e registrando cada palavra... Ele prossegue – Filha, mesmo você não entendendo nada de alquimia, eu tenho de contar uma coisa a você: finalmente eu concluí a minha pesquisa alquímica. Finalmente eu acabei todo o processo da alquimia do fogo, desvendei cada um dos seus segmentos, destrinchei toda a teoria e prática e posso dizer que eu sou, finalmente, um alquimista que chegou à Perfeição!!
Ele vai falando com Riza visivelmente empolgado, ela nada dizia. Assim, ele continua:
- E, sendo assim, eu já não tenho mais nenhum estágio para onde avançar a minha alquimia do fogo... Portanto, precisarei guardar o meu segredo... Guardar o fruto da minha pesquisa com muito, muito cuidado! – Nesse momento, ele volta a falar com ela num tom de pai para filha... – Portanto, eu decido que será você, filha, a guardiã de toda a minha pesquisa.
- E-Eu, papai?!?... – Riza pergunta e exclama ao mesmo tempo... Por que ela e não alguém que entendesse de alquimia?...
- Sim, filha, você!! Será perfeita para isso!!
- Mas... O senhor mesmo disse, eu não entendo nada de alquimia, então será um desperdício se eu fosse a guardiã da pesquisa!!... Por que o senhor não deixa o Roy cuidar dela?...
- Não!! – Ele fala sério e num tom meio rude, e levanta-se, soltando as mãos dela do carinho das mãos dele... – Roy está se preparando para as provas militares. Ele será um cão do exército e eu não quero, em absoluto, que a minha pesquisa, o fruto de uma vida inteira de trabalho, caia nas mãos do exército, para ser usado para os propósitos daqueles governantes sem escrúpulos!!... – E sorri para Riza, desfazendo a aura de raiva com a qual ele falava do exército... – Já você, filha... Você pode até se alistar, fazer de sua vida o que quiser, mas nunca deixará de ser boa e pura... Nunca deixará seu coração ser corrompido, nem por um instante!! Eu confio na sua bondade e sei que você guardará a minha pesquisa como deve ser guardada...
Ela não diz mais nada, apenas assente, fazendo sinal positivo com a cabeça. Seus olhos estão estarrecidos, abertos, mostrando que ela obedeceria ao pai no que quer que ele lhe peça. Seu pai lhe dá uma grande folha de papel, na qual estava desenhado um estranho símbolo de alquimia, um símbolo grande, com palavras escritas em letras góticas, num idioma que ela não conhecia, mas seu pai lhe disse qual era: o Latim, idioma de um mundo no qual ele esteve quando atravessou a Porta e, com grande sorte, pôde voltar a Amestris. O olhar de Riza parece perdido no desenho... Era lindo... Lindo como a dança de uma chama quando se acende e crepita ao contato com o vento.
Naquele dia, Riza teve suas costas marcadas por seu pai, com aquele mesmo desenho que a havia fascinado no papel. E ela passou a ser guardiã da alquimia máxima do fogo, descoberta por seu pai. Um fogo que poderia nascer em qualquer ambiente, fosse na terra, no ar ou mesmo na água, um fogo que não se apagaria com nenhuma adversidade elemental: o Fogo Grego.
Quando a marca acabou de ser feita em suas costas, Riza escutou de seu pai as seguintes palavras: "Apenas quando o alquimista escolhido por você conhecer seu corpo, ele poderá fazer uso do fruto da minha pesquisa, do Fogo Grego...".
Riza tinha dezesseis anos e ainda estava confusa com tudo que tinha lhe acontecido naquele dia, todas as revelações que seu pai havia lhe feito. Ela gravou as palavras em sua mente, mas nunca entendeu o real significado do "conhecer seu corpo" nas palavras de seu pai. O que ela pôde interpretar disso tudo é que ela guardava a marca da alquimia máxima do fogo, e não deveria mostrá-la a ninguém, jamais, a não ser o dia que escolhesse alguém para mostrar... Mas não era bem "mostrar" a marca que seu pai se referia...
Somente anos mais tarde, quando ela e Roy finalmente ficaram juntos e fizeram amor, ela entendeu que o "conhecer seu corpo" se tratava de deixar que o alquimista escolhido por ela lhe tocasse de maneira íntima, íntima o bastante para ele obter toda a pesquisa do patriarca Hawkeye guardada no corpo dela...
Sim, ela e Roy fizeram amor, e ele era agora possuidor dos segredos do pai dela... Ele sabia como fazer o Fogo Grego!
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FLASHBACK (...Fim)
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- Riza... Riza!! – Edward a chacoalhava pelo braço, tentando fazê-la acordar dos minutos em que estivera "fora" dali... – Riza, olha!! O Roy vai fazer alguma coisa estranha!! – Diz o alquimista de aço para sua amiga.
- Eu sei... – Ela fala, com um sorriso confiante... – Ele vai vencer!!
- Olha, prá quem tava tão preocupada com a situação dele uns minutos atrás, até que você mudou de opinião bem rápido, heim, Tenente! – Diz Havoc, bem ao lado dela e Edward, ao observar a situação crítica de Roy: ainda chovia muito e Sander tinha o controle da situação.
- Eu sei que não é hora para reminiscências, mas eu acabei de me lembrar de uma coisa... – Riza fala, olhando para frente e vendo Roy e Sander no meio do pátio do quartel... E sorri... – Uma coisa que vai garantir a vitória do Roy e do nosso exército!!
Todos ali se entreolham. Havoc, Breda, Falman, Edward e Winry, achando que Riza não deveria estar no seu juízo perfeito, por sorrir num momento em que Roy parecia que teria suas chamas derrotadas pela água de Sander, contudo continuam a observar a batalha dos alquimistas.
No centro do pátio, como se fosse um palco para onde todas as atenções estavam voltadas, Roy consegue, finalmente, se livrar da parede de água de Sander, para surpresa do alquimista da água e de todos que observavam o combate.
Com seu sorriso mais sarcástico, Roy olha para Sander e diz, num tom condizente com seu olhar:
- Sabe, sander... A Riza não é apenas uma mulher linda e competente por quem eu me apaixonei e, infelizmente, você também... Ela é uma mulher incrivelmente especial, que guarda um segredo que nem eu mesmo desconfiava que existia!! – As palavras de Roy despertam um olhar assassino em Sander, que não queria escutar Roy falando coisas desse tipo sobre sua amada Riza.
- Cala a boca!! – Exclama Sander – A Riza foi seduzida por você, mas ela logo vai perceber o canalha que você é e vai ficar comigo... COMIGO!!!!
- Humpf... Como você é infantil... Parece até um moleque brigando pela namoradinha... – Roy prossegue com seu jogo de palavras, certo de que despertaria mais raiva em Sander... – Mas sabe, como eu disse antes, ela é muito especial prá acabar nas mãos de um cara como você... A Riza já é minha... E já me deu o segredo de que eu precisava prá acabar com você, seu rei fajuto!! – Ele conclui, erguendo as mãos para o alto.
Antes que Sander pudesse reagir com mais palavras sejam violentas ou infantis, Roy mostra-se mais interessado em combater do que falar e, finalmente dá uma demonstração do conhecimento do Fogo Grego.
Mesmo molhado tanto pela chuva quanto pela água gerada na alquimia de Sander não foram um impedimento para que Roy pudesse estalar os dedos e gerar uma pequena faísca entre o tecido de sua luva. Isso deixou estarrecidos os seus amigos que assistiam à luta dos alquimistas.
- M-Mas... O que é aquilo?!?... – Edward se adianta, sem entender nada, mas ainda segurando o braço de Riza, protegendo-a como ele prometeu a Roy que faria... – Como ele pode ter gerado fogo se ele está todo...
- ...Molhado!! – Completa Havoc a frase de Ed.
- O Fogo Grego... – Diz Riza, sem desviar o olhar de Roy e Sander no centro do pátio.
- O Fogo o quê?!? – Havoc volta a questionar.
- O Fogo Grego é uma lenda de um país chamado Grécia, que fica no mundo do Outro Lado da Porta, onde eu também estive... Contudo, eu nunca estive nesse país, mas já ouvi falar da tal lenda... E... Pelo que eu estou vendo... Não é só uma lenda... – Conclui Edward, respondendo aos questionamentos dos amigos ali no lugar de Riza.
Para surpresa total de Sander, Roy não só mantém acesa a chama que gerou ao estalar os dedos, como também a faz crescer gradativamente, até que ela fica imensa, como se fosse uma parede, uma proteção gerada através de uma massiva onda de calor ao redor dele, que o mantinha afastado da água de Sander e não se apagava por mais que o Alquimista da Água o atacasse com seu elemento. A onda de calor era intensa, mas não chegava às chamas pelo simples fato de que Roy poderia controlar e fazer surgir o fogo com maestria, contudo não poderia ultrapassar uma parede de fogo, ainda que gerada por ele mesmo, e tampouco sua pele humana resistiria à altíssima temperatura. Assim, a batalha prossegue e Roy diz a Sander:
- Parece que a sorte mudou de lado, não é, Sander?... – Roy fala, mas desta vez sério, mostrando que o momento da brincadeira havia acabado.
E, finalmente após vários minutos de tensão, Roy consegue fazer com que seu fogo seja mais poderoso do que a água de Sander e gera mais e mais chamas, como se estivesse controlando o elemento vermelho apenas com sua mente. Tudo isso estava contido na técnica do Fogo Grego, o qual Roy aprendeu com sua amada e agora usava contra Sander aquele poder.
Em poucos minutos, menos do que os que Roy levou falando com Sander antes da batalha, a água de Sander havia secado, e tudo que restava enquanto as gotas de água iam gradualmente secando eram as chamas de Roy, que ficam pairando sobre ele e ao redor dele, como um círculo de fogo protegendo-o dos ataques molhados de Sander, os quais já não surtiam mais efeito algum no alquimista das chamas. Roy estava protegido pelo seu próprio fogo.
Do lado de fora da batalha, os amigos de Roy observavam atentos aos movimentos dele, sem entender o que acontecia e cochichavam entre si o que era aquela nova alquimia criada por Roy. A única pessoa ali a não demonstrar surpresa alguma era Riza, que continuava olhando fixamente para Roy com um sorriso discreto, certa de que agora era a hora do fim daquele embate.
- Chega, Sander, não vou mais perder meu tempo com você!! – Exclama Roy, ainda protegido em suas chamas... – Eu acabei com a sua água e mesmo que você tente usar a água da chuva ao seu favor, não conseguirá!! – E finalmente ele sorri, o mesmo sorriso metódico dos tempos que era um Coronel... – Entenda, Von Gerven, a Riza nunca gostou de você... É a mim que o coração dela pertence e é a mim que pertencem as glórias deste país... Você nunca será melhor do que eu... Nunca!!
E, com estas palavras, Roy se mostra outra vez superior ao seu oponente, e com um movimento de braço, ele dá a ordem para que os seus soldados finalmente invadam o pátio e efetuem a prisão de Sander e seus companheiros, se eles não concordassem em sair dali o mais rápido possível, e sem resistir. Diante da derrota proeminente, não havia mais nada a ser feito a não ser recuar e sair antes que a batalha se tornasse mais física do que trocas de poderes alquímicos ali... Sander simplesmente não entende que tipo de alquimia de fogo era aquela que se mostrava superior à sua alquimia de água.
Sander e seus aliados, todos nobres como ele – porém derrotados – deixam o pátio do Quartel General Central rumo ao hotel no qual estavam desde que chegaram a Amestris. Roy, Riza, Havoc, Edward, Breda, Falman, Fury, Winry, a Tenente Maria Ross e alguns outros soldados de patente mais alta, que sempre estavam ao lado do Marechal, faziam uma linha de frente diante dos portões do quartel, para terem certeza de que o Alquimista da Água iria realmente embora dali.
Um pouco antes de saírem completamente, Sander se vira para olhar sua amada Riza mais uma vez, e a vê parada ao lado de Roy, com um olhar frio, nulo, sem sentimentos para com ele... Contudo, mesmo com a chuva que caia e a expressão nula que mantinha na direção dele, Sander nota que Riza estava linda. Como se o passar dos anos apenas tivesse feito com que ela ficasse ainda mais bela do que era quando eram apenas jovens cadetes do exército.
Antes de sair, Sander pragueja Roy intimamente.
"Roy Mustang... Seu desgraçado!! Você tomou tudo que um dia eu tive!! Vai sentir na pele como é ter tudo que você mais ama e tudo que batalhou caro para ter ser tomado de você em tão pouco tempo que vai achar que é tudo um pesadelo!!"
E Sander se vai com seus aliados, com uma última visão de "sua" Riza.
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Poucas horas depois daquele confronto no mínimo épico entre os alquimistas das chamas e da água, os amigos de Roy e ele próprio estavam de volta à sala principal daquele quartel general. Eles comemoravam a base de música e bebidas a vitória de Roy, pouco se importando com o fato de que ainda estavam molhados pela chuva que caiu.
Se fossem alguns anos atrás, quando o Marechal King Bradley comandava aquele país, certamente que uma festa daquele tipo jamais poderia estar sendo realizada na sala do Marechal. Contudo, após a ascendência de Roy ao poder máximo em Amestris, tudo parecia ter se facilitado, e não havia mais aquela distância imensa entre os militares de patente não tão alta e os militares de alto escalão.
Em um canto mais afastado da sala, Riza estava sentada em uma cadeira e, discretamente, torcia os fios dos cabelos, ainda molhados pela água da chuva, observando os amigos comemorando e dizendo que Roy era mesmo um herói. Logo ele vai se sentar ao lado dela.
- Você não parece estar gostando da festa, meu amor... – Comenta Roy, olhando para o rosto pouco expressivo de Riza. – Parece que está meio "longe" daqui...
- Não é nada, Roy, pode ir curtir sua festa... – Ela fala, sorrindo muito vagamente. – Eu só estou meio preocupada... Só isso...
- Mas preocupada com o quê?!?
- Ora, com o quê... Com Sander, é claro!!
- Eu já botei o "cachorro prá correr", Riza... Que mais acha que vai acontecer?...
- Não sei... Talvez você não tenha visto, mas eu vi o olhar dele!! Eu vi a maneira como ele olhou para você e para mim antes de ir embora com os aliados dele. Roy, eu fui namorada dele, eu conheço as índoles dele, eu sei que ele não se deu por derrotado e que ele vai sim querer voltar!! – Ela completa, falando tudo em um tom baixo, afim de não despertar curiosidades nos amigos que comemoravam.
- Mas meu amor, você mesma viu que eu posso mais do que ele... – Roy fala com um tom de superioridade, o que acaba preocupando Riza, pois ela nota que ele se achava invencível agora. – A minha alquimia chegou ao ponto máximo com aquela técnica que o seu pai guardou em você!... Você mesma viu isso... – Ele insiste, tentando mostrar à ela que ele se sentia poderoso.
- Roy... Não é assim... – Riza continua, mostrando um olhar entristecido... Afinal, havia acontecido o que seu pai tanto temia: a alquimia máxima do fogo havia chegado às mãos do exército... Após um longo suspiro, ela continua. – O meu pai confiou o resultado máximo das pesquisas alquímicas dele a mim e somente a mim!! Eu... Eu prometi a ele que jamais deixaria que o exército colocasse as mãos nessa técnica, mas eu não tinha entendido bem o que ele me falou... Ele disse que eu seria guardiã dessa pesquisa até que alguém "conhecesse meu corpo"... Não me culpe, mas eu realmente era inocente demais naquela época e não havia entendido o que ele queria dizer com isso... E veja só o que eu fiz... Eu deixei você me tocar e você agora sabe como fazer essa maldita alquimia nova e agora o segredo do meu pai vai ser usado contra as pessoas e não a favor delas!!
Depois de ouvir o desabafo de Riza com relação às suas expectativas frustradas e em não conseguir guardar o segredo de seu pai, Roy sorri e a abraça, sem se importar com as outras pessoas ali na sala, afinal, eram todos amigos.
- Riza... Eu não sei por que razão está triste... – Ele fala com ela num tom muito terno, carinhoso. – Eu jamais frustraria os sonhos do seu pai, afinal, ele não foi importante só prá você, mas prá mim também... Ele foi meu professor!! Eu nunca permitiria que usassem a alquimia máxima de fogo criada por ele para fins como a guerra!! Eu prometo a você que só vou usar de novo caso seja muito necessário e nunca contra pessoas inocentes... – Então ele se afasta um pouco do abraço para olhar nos olhos dela e ver que ela estava um pouco mais aliviada. – Afinal, quem manda nesse país agora sou eu e não haverá mais guerras e nem nenhum conflito contra povos que não podem se defender!! Não era esse o seu sonho?...
Ela não responde com palavras, apenas assente positivamente a cabeça. Ele continua então.
- Então fica prometido assim!! – Ele fala sorrindo abertamente, puxando-a pela mão para se levantar daquela cadeira no canto da sala. – Vamos comemorar a vitória de Amestris sobre Kantha e não precisa se preocupar, você tem a minha palavra de militar e de seu quase-eterno-marido que eu nunca vou fazer mau uso da pesquisa do professor Hawkeye!! Vamos aproveitar a noite que amanhã cedo eu já sei que teremos que enfrentar um milhão de repórteres querendo saber sobre os planos do exército para conter a invasão de Kantha a Amestris... – Completou ele e a puxou para se levantar.
Riza então sorri, levantando-se e indo comemorar com os amigos, tão mal arrumados quanto ela, já que os uniformes militares estavam todos ainda úmidos e os cabelos despenteados, mas, com a alegria do momento, ninguém prestava atenção nisso. E assim, a comemoração prossegue...
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Quando aquele dia finalmente chegou ao fim, Roy e Riza estavam de volta a casa dele, tendo sido levados de carro pelo Tenente Havoc após a festa de comemoração pela vitória de Roy.
Olhando pela janela do luxuoso quarto estava uma preocupada Riza, compenetrada em pensamentos enquanto observava as ruas da Cidade Central sem dizer uma palavra. A chuva ainda caía, mas agora bem mais fraca do que na manhã daquele dia. Abraçando-a por trás, Roy a tira de onde quer que ela estivesse em pensamentos.
- Hummm... Se não me contar no que estava pensando, eu vou ficar com ciúmes... – Falou Roy com a voz suave, parecendo tão descontraído que era como se não tivesse acontecido nada naquele mesmo dia mais cedo.
- Tem ciúmes até dos meus pensamentos?... – Ela fala com certa suavidade, como ele não respondesse, ela continua... – Preciso mesmo responder?... – Riza faz uma pergunta retórica, certa de que Roy saberia a resposta, mas, mesmo assim, ela continua... – É claro que eu estava pensando no San...
- No Sander de novo?!? – Roy pergunta e exclama ao mesmo tempo, com a voz um pouco menos suave, afrouxando um pouco o abraço, mas sem se soltar de sua Riza.
- Desculpe, Roy... Não é intencional! E-Eu penso nele toda vez que olho para você, mas não é que eu sinta algo por ele... É só que... Eu fiquei preocupada com aquelas ameaças dele antes de ir... – Ela fala pausadamente, como se buscasse palavras para completar sua frase.
- Humpf... Não se preocupe com essa besteira, meu amor! Ele não pode nos fazer nenhum mal! Nem a você, nem a mim e nem a Amestris. – Completa Roy, confiante como sempre.
- Não, Roy! – Ela fala com a voz um pouco mais ríspida, mas ao mesmo tempo apertando os braços dele em volta dela, como se estivesse buscando proteção... – Acontece que eu sempre acreditei no poder que um olhar tem... Eu sei que o olhar diz tudo, é transparente mesmo quando uma pessoa está mentindo... O olhar não mente... E você não percebeu o olhar fulminante que o Sander me deu... E deu a você antes de sumir da nossa vista naquela hora! Se ele pudesse, teria te matado com os olhos... – Completou, mas foi impedida de continuar falando quando sentiu um beijo em seu pescoço desprotegido, pois ela estava com os cabelos presos para o alto, em seu tradicional coque, deixando a pele alva de seu pescoço livre para Roy beijar.
- É claro que eu vi, meu amor... – Ele continua a falar enquanto alterna seus lábios entre a fala e os beijos no pescoço dela. – Eu sei que o olhar dele era o de um homem insano por vingança. Mas eu não me preocupo com isso porque sei que ele não vai sequer tocar em você. E vamos deixar essa história de lado... Eu venci, nós comemoramos com os nossos amigos... Agora está na hora de comemorarmos sozinhos, não acha?... – Ele volta a ter o tom tênue de voz nas últimas frases, apertando o abraço em volta dela e, ainda, passando a língua despudoradamente naquela pele macia dela.
- T-Tudo bem... – Ela fala com a voz em tom igual ao da voz dele, sentindo-se protegida e desejada, e desde já perdendo a sua capacidade de raciocinar quando ele lhe toca daquele jeito.
Em seguida Roy a vira bruscamente para ele, mudando a direção dos beijos do pescoço para os lábios dela, agarrando-a pela cintura e jogando-a na cama com uma delicada violência com a qual somente ele sabia tratá-la e ela, como punição a si mesma, adorava ser tratada.
No silêncio quase fúnebre da Cidade Central à noite somente os pingos da chuva e o vento que soprava sonorizavam as ruas frias e desertas, mas naquele quarto, no quarto onde o Marechal Mustang e sua Riza se amavam mais do que o vento e a chuva faziam barulho, culminando com os gemidos de prazer do casal apaixonado. Assim como nas antigas batalhas da época medieval, esta era a hora que o guerreiro vencedor da batalha recebia seu prêmio pela vitória... E Roy estava tendo seu "prêmio" de vencedor.
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Em um outro quarto, não tão grande e luxuoso como o da mansão do Marechal, mas igualmente confortável, um outro casal dividia a mesma cama, mas tudo parecia tão diferente, tão frio e distante.
Deitada de lado, olhando para uma direção contrária a Edward, Winry olhava para a cor azul-clara da parede daquele quarto do Quartel General Central e tudo que se passava em sua cabeça era a frieza ríspida de estar "hospedada" num quarto do alojamento do quartel general e também aquelas cenas de hoje de manhã... Edward abraçado à Riza, protegendo-a a pedido de Roy definitivamente não agradavam à jovem mecânica.
- Nossa... Você já tá dormindo, Winry? Ce tá estranha desde a manhã de hoje... – Comenta em tom baixo Edward, repousando sua mão humana sobre o ombro dela, descoberto para fora do lençol.
Depois de algum tempo pensando no que iria falar, Winry se volta para ele e fala, num tom no mínimo irritado. Se não fossem os cabelos dourados e olhos azuis dela, seu olhar e seu tom de voz fariam Edward lembrar-se de algum homúnculo enfurecido fulminando-o com o olhar de ódio que só essas criaturas sabem ter. Edward estanha, mas nada diz a princípio, esperando que ela desse seu "relatório" sobre como estava se sentindo.
Winry começa a falar num tom áspero que Edward estranha:
- Não é nada, Ed... É só que eu tô cansada de sempre ceder!!
- Do que está falando, Winry? – Edward pergunta meio confuso com a resposta dela.
- Você não entende nada mesmo, não é?!?!?... É mais distraído que o seu pai!! Tenho até pena da sua mãe que teve de aturá-lo!! E tenho mais pena de mim, que vou ter que aturar você e sua falta de preocupação com tudo!! – Ela fala como se estivesse despejando seus pensamentos e levanta-se da cama, indo para janela olhar as gotas de chuva tamborilando no vidro.
- Winry... – Edward também se levanta, vai até e tenta abraçá-la, mas ela se esquiva, indo para a outra janela... – O que está acontecendo com você?!?... Está nervosa comigo não sei por quê!! Me explica...
- Tá bom, então... Eu explico. – Ela se vira para ele com os braços cruzados, olhando-o friamente... – Eu achei que nós viríamos prá Cidade Central prá comemorar o nosso noivado, mas olha só o que aconteceu: você se meteu de novo numa confusão da qual você nem fazia parte, ainda nem compramos as nossas alianças, acabamos vindo parar num quarto do alojamento militar porque o hotel onde a gente tava ficou interditado, mas tudo bem, diante da situação em que o país se encontra, que pode entrar em guerra por causa daquele Sander Von não-sei-o-quê, eu até entendo que tenha outras obrigações em ajudar a proteger a nação, já que você ainda é um alquimista federal... Só que tem uma coisa que tá me corroendo por dentro e foi o fato de que você parece não se preocupar comigo!
- Winry, você tá sendo injusta comigo!! – Ele fala tentando argumentar e encontrar um tom que se adequasse ao dela, já que ela parecia irredutível em seus pensamentos. – Eu faço tudo prá te proteger, te protegi daquele tal Mark que anda junto com aquele Sander doidão, fico com você o tempo todo, mesmo sabendo que você não gosta muito do Roy, mas estou te levando a todas as reuniões que eu e os outros alquimistas federais temos com o Marechal para não te deixar sozinha... Eu faço tudo prá te proteger e...
- Ah, não me venha com essa, Edward!! – Ela fala novamente irritada, cortando-o em sua fala antes que ele terminasse... – Você pode até ter me protegido antes, quando o perigo ainda estava longe, mas bem na hora que eu mais precisei, quando aqueles caras lá de Kantha estavam no pátio do Quartel General, você não me protegeu... Parecia que eu nem estava lá... E tudo isso prá quê?!?... Prá proteger a Riza a pedido do Roy... – E finaliza cruzando os braços.
Edward faz uma pequena pausa, como se analisasse o que Winry falou para ele. Logo ele se volta para ela com um olhar meio irônico, meio satisfeito:
- Winry... Você ficou com ciúmes de mim?... – Ele pergunta com a voz mais calma do mundo.
- O... O QUÊ?!?! – Ela descruza os braços e vai à direção dele, furiosa... – Ora, não seja tão presunçoso, Edward!! Eu com ciúmes de você?!?!?... Eu nem gosto tanto assim de você prá sentir esse tipo de coisa!! – Fala num tom que beirava o infantil.
- Winry... Será que não vê a maneira como está agindo?... Parece até aquela menininha chorona de Rizembool que só sabia ficar atrás de mim e do Al... – Completa Edward, rindo entre uma frase e outra. Aquilo definitivamente desagrada a Winry, que replica:
- Ah, é?!?... Acha que eu sou infantil e que estou mentindo?!? – Ela fala agora em um jeito mais adulto... – Edward, eu sei que eu posso até me arrepender disso, mas quer saber?... Arrume outra mecânica prá cuidar de você.
- D-Do que está falando, Winry?!?... – Ed faz a pergunta com uma sobrancelha curvada, mais sério, sem entender a atitude dela.
- Ué, não fui suficientemente clara prá você?!?... Acabou, Edward, eu não sou mais sua namorada, nem sua noiva, nem sua mecânica particular. Me esquece, eu tô cheia da sua falta de atitude!! – Fala ríspida e vai à direção ao armário do quarto, onde as coisas deles estavam guardadas, para pegar os objetos pessoais dela e sair presença dele.
É claro que a única atitude plausível para Edward naquele momento seria segurá-la pelo braço, para poder questionar que tipo de cena era aquela... Por que tanta revolta se eles estiveram bem a vida inteira?
- Pode parar, Winry!! Eu quero uma explicação agora!!
- Explicação?!?... Você quer explicação, alquimista? Pois eu vou te dar uma explicação: Prá mim já chega, já acabou, você conseguiu fazer a minha paciência se esgotar depois de hoje de manhã... Eu ainda tinha um pouco de esperança de que um dia você mudasse, mas é como dizem: "tal pai, tal filho", e você nunca vai ser atencioso comigo da forma como eu sou com você!! Não estou nem um pouco disposta a sofrer como sua mãe sofreu e estou dando um basta no nosso relacionamento agora!! – Ela dispara como uma metralhadora para ele e novamente volta-se para ir buscar suas coisas, mas é mais uma vez impedida, pois ele a segura.
- Não!! Não me compare ao meu pai!! – Grita, puxando-a para mais perto dele. – Eu nunca faria com você o que ele fez com a minha mãe!! Eu nunca te deixaria, Winry!! Você está com idéias erradas de mim, Winry!! Como assim de uma hora prá outra você começa a ter essas "coisas" que nunca teve, esses ataques de ciúmes... Você nunca foi assim, o que foi que deu em você?!?
- Me solta, Ed!!! – Ela protesta, tentando puxar seu braço do dele, mas ele não a deixa ir e continua questionando, até que ela responde irritada. – Não foi nada que "deu" em mim de um minuto para o outro, mas há muito tempo, Edward... Eu já sabia que você colocava a alquimia e a sua servidão ao exército acima de tudo há muito tempo, mas não imaginava que fosse defender a "primeira dama" de Amestris e deixar a sua noiva de lado num momento tão perigoso como aquele!! Não é só por isso... Tem muito mais e eu não quero falar agora!!
- Ah, mas vai falar sim!! Eu quero saber, afinal se eu estou errando, quero saber qual é o erro para eu poder repará-lo!!... – Edward fala começando a ficar ofegante, ainda segurando Winry pelo braço... Já começando a apertá-la.
- Se quer tanto saber, eu falo... Eu acho que você não me ama o suficiente, é isso!!... E eu não vou perder meu tempo com alguém que não me ama e coloca a alquimia acima de tudo!! – E finalmente consegue puxar o braço da mão dele.
Por alguns instantes, Edward fica parado, olhando para o nada, como se tentasse buscar naquela coloração azul-clara da parede do quarto alguma memória antiga. E, em sua mente, as palavras "você não me ama o suficiente" ficam ressonando... Ressonando... Ressonando...
Edward anda como quem não tem um rumo certo, a passos lentos, até chegar perto de Winry, a qual já estava de costas para ele, indo a direção ao armário pegar suas coisas. Contudo, o olhar nulo dele não era o de alguém que não sabia aonde ia, mas, ao contrário, parecia ser o de um insano.
Tudo que Winry sentiu foi o metal gélido do braço dele lhe puxar a cintura. Ela fechou os olhos e, como num piscar de olhos, estava jogada sobre a cama, com Edward em cima dela, segurando seus braços com os dele. Winry nunca sentiu as próteses que ela mesma construiu tão fortes e tão frias. E ele a estava machucando, mas não parecia se importar com isso.
- Edward... O... O que... – Ela começa a falar com esforço, mas ele a interrompe.
- Eu quero saber agora por que razão você quer ir embora, quer terminar o relacionamento que nós tivemos a vida inteira!! VAMOS, WINRY, FALE!! – Edward esbraveja, segurando Winry em baixo de si com força.
Ela o olha com medo... Seria possível que ela estivesse com medo dele?... Não, talvez fosse um medo restrito apenas àquela atitude dele... Contudo, ela própria abriu precedente para ele agisse assim, já que desde crianças eles se conheciam e, de um minuto para o outro, como se aquele sentimento estivesse guardado dentro de si e simplesmente explodisse de uma só vez, ela disse que não o queria mais e duvidou do amor dele por ela... Duvidar do amor de um homem apaixonado não é uma coisa muito inteligente de se fazer...
- E-Ed... Você tá me machucan... – Ela tenta alertá-lo que a estava machucando, mas novamente ele a interrompe.
- Estou te machucando, Winry?!?... Estou mesmo?!? – Aperta mais, provocando um gemido de dor nela... – Que bom!! Pois você só está sentindo metade do que eu senti agora quando você falou que eu não te amo o suficiente!! Tudo, Tudo que eu fiz foi pensando em você, em voltar prá você, em ter você perto de mim, e é assim que você acha que eu sou, um monstro que vai te abandonar por causa da alquimia?!?!?
As perguntas dele foram retóricas, pois ele sabia que ela estava com medo e tampouco responderia sim aqueles questionamentos. Edward tinha em mente apenas uma coisa naquele momento: fazê-la sentir a mesma dor que ele sentiu. Fisicamente, lógico, pois ele não poderia feri-la como ela o feriu, sentimentalmente, pois dizer que não a amava seria, sim, uma mentira.
Winry não raciocinava mais por causa do medo, medo daquele Edward que ela nunca conheceu até então... Um Edward vingativo até mesmo com a mulher que amava. Ela só sentia em um braço a força da mão humana dele, mostrando o calor da pele dele, que parecia estar febril pela sua atitude no momento, e, no outro braço, sentia o metal frio da prótese que ela mesma colocou nele apertar-lhe o braço sem qualquer demonstração de que ele pararia.
Ela ainda tentou protestar, argumentar, mas foi em vão...
Com uma mão abafando os lábios delicados de Winry, reduzindo a simples murmúrios roucos os gritos dela, Edward cometeu um erro do qual virá a se arrepender tão logo aquele dia amanhecesse...
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Longe de Amestris, naquela madrugada chegavam de volta ao seu país Sander e seus aliados, escoltados pelo exército de Amestris com toda a segurança possível, para que não espaçassem. Até mesmo alquimistas federais estiveram entre os batedores que levaram aqueles monarcas de volta a Kantha.
Assim que o exército Amestriano deixou as terras de Kantha, Sander juntou aqueles que foram com ele até Amestris e foi sumariamente claro ao dispensa-los por considera-los fracos, e ainda advertiu-os de que teriam suas vidas e as vidas dos seus familiares tiradas caso alguém em Kantha soubesse que ele fora derrotado por Roy.
Assim que entra em seu "lar", o castelo que tomou de assalto do verdadeiro rei de Kantha, Sander vai para seu quarto, puxando pelo braço sua esposa Samantha, a qual ele levou junto de si para Amestris, mas a manteve todo o tempo sedada com remédios calmantes.
Em um estado de semi-consciência, ela ia sendo levada por ele através dos longos corredores do castelo, até que, quando chegam ao quarto, ela sente-se ser arremessada na cama por Sander.
Aos poucos a consciência dela começa a voltar, como se uma cortina de fumaça se dissipasse diante de seus olhos, e ela começa a ver com clareza. A rainha de Kantha percebe o descontrole de Sander, que falava sozinho, dando voltas pelo quarto. Samantha prefere não falar nada, ela já sabia o que lhe aconteceria caso ela interrompesse Sander em seus momentos pensativos como aquele.
Mesmo assim, quem percebe que ela já estava acordada foi ele próprio. Samantha já não usava mais vestidos ou roupas de passeio há muito tempo, e, por estar quase sempre adormecida com aqueles remédios que ele ministrava à ela, era fato comum ela estar vestida de camisola, como naquele exato momento.
Os olhos negros dela se dilatam em uma espécie inigualável de medo quando ela o vê se aproximar dela.
- S-Sander... O que aconteceu?... Nós estamos em casa outra vez?... Achei que estivéssemos em Amestris... – Ela pergunta com a voz baixa, sempre naquele tom o tom exigido por ele. Ela devia ser obediente, falar baixo e nunca questionar.
- Amestris?!?... Não me fale naquele maldito lugar!!! – O insano vai até ela, e a segura pelos longos cabelos ondulados, forçando-a a encará-lo... – Você não sabe que nós estamos de volta a Kantha porque você é uma inútil, que só dorme o dia inteiro!! – Fala, fazendo-a se sentir mal pelas palavras duras dele.
Ele começa o festival de humilhações. Era mesmo um doente. Se ele próprio ministrava os remédios à ela, como poderia dizer que ela passava os dias a dormir?... E ele prossegue.
- Sabe, esse país está mesmo precisando de um rei a altura!! Aquele imbecil do seu pai achava que isso aqui era um reino de contos de fada... Onde já se viu?!?... Dar condições de trabalho aos pobres iguais aos nobres!! E você, sua inútil, tem que ser mais ágil como rainha!! Tem que me acompanhar aonde quer que eu vá!! Mas quer saber... Acho que já está na hora de Kantha ter outra rainha... Quem sabe eu deva dar a você o mesmo tratamento que dei para aquele velho senil do seu pai!!...– Ele ia falando enquanto a fazia enfrentar os olhos insanos dele.
Sander sabia que ela o temia, e por isso mesmo queria fazê-la temer mais. Era uma espécie doentia de felicidade que ele sentia, após ser derrotado pelo seu arquiinimigo Roy Mustang, descontar toda sua fúria na pobre Samantha, que não podia se defender dele. Um covarde, assim poderia ser definido aquele homem, e ele sabia muito bem que era assim, mas essa convenção não era importante para ele, e sim descontar a sua raiva, desfazer sua frustração em alguém mais fraco...
Durante aquela noite Samantha não foi sedada, e sentiu, até os primeiros raios de sol começarem a iluminar o quarto através das pesadas cortinas de veludo, a dor de uma vítima inocente nas mãos de um homem louco. Ela foi chamada de "Riza" enquanto era torturada, violentada, e achava que aquela dor não poderia ser superada.
Sim, por muitas vezes durante os longos anos de casamento com Sander, Samantha fora maltratada, entretanto naquela noite, naquele estado em que ele se encontrava, como se estivesse bêbado por uma vingança que parecia jamais chegar, ela percebeu que não poderia mais ser tratada assim.
A menina delicada, que foi criada para ser a mais perfeita rainha, para suceder ao trono do pai quando este faltasse, agora não passava de uma mera boneca nas mãos do marido que ela achou que a amava.
Quando o dia já ia alto, quase no fim da manhã, Samantha acorda e vê que Sander ainda dormia. Inconformado com a derrota, ele a espancou e violentou, torturou física e verbalmente a madrugada inteira, e, durante o que ele considerava uma "festa de consolação" frente a sua derrota em Amestris, Sander também bebeu muito vinho, e isto era facilmente provável pelas garrafas vazias jogadas no chão ao redor da grande cama.
"Sander geralmente gosta de se manter acordado, sem nenhum tipo de bebida ou alucinógeno no corpo para estar sempre ciente de que as coisas estão sob seu controle!... Para ele ter bebido a ponto de seu quase meio-dia e ele ainda estar dormindo, então deve ter sido uma derrota vergonhosa demais para ele..."
Samantha analisa em pensamentos, ao olhar para a figura patética e bêbada de Sander jogado na cama, com os cabelos a cobrir os olhos e o peito ainda manchado pelo sangue dela, respingado nele enquanto ele a machucava.
frente a sua derrota em Amestris, Sander tamb aliadoslta aagora nasontrava, como se fosse um insanopnvençuarto. dada com remia
Em seguida, ela certificou-se de que ele realmente estivesse em um pré-coma alcoólico e rapidamente saiu do quarto real, enrolada num lençol. Com ações rápidas, Samantha foi a um quarto contíguo ao seu, lavou-se das impurezas e deu pouca atenção às feridas de seu corpo, cobrindo todos os hematomas com roupas pesadas. Passou pelo salão que era utilizado como o cofre do castelo e pegou todos os objetos valiosos que conseguiria carregar, afora também uma bolsa de moedas de ouro.
Há muito, muito tempo Samantha pretenda fugir, mas não sabia para onde. Todos os países vizinhos possuíam alianças com Kantha, então entrar em algum desses países sem que Sander soubesse e ficar lá escondida, até poder se re-estabelecer em uma nova vida seria extremamente difícil, para não dizer impossível. Mas agora havia Amestris. Este país de regime militar seria perfeito para ela, uma vez que lá conseguiria asilo e uma nova chance de recomeçar. Como se mergulhasse numa coragem infinita, ela deixou para trás suas convicções e temores e resolveu partir.
Logo que amarrou os longos cabelos ondulados e negros num rabo-de-cavalo e cobriu-se com uma misteriosa capa, colocando o capuz sobre a cabeça. Pegou tido que podia e saiu do castelo. Tudo estava a seu favor...
Seria de estranhar o fato de que a ala residencial do castelo não tivesse nenhum guarda para assegurar a segurança, contudo isso já era um fato comum Sander dispensar os guardas e os empregados daquela ala do castelo para ficar a sós com sua "amada" esposa. Uma estratégia covarde de Sander de manter alguém que pudesse escutar os gritos dela. O que os outros não desconfiavam eram das malvadezas que ele a fazia sofrer. Contudo, neste dia, a estratégia de manter qualquer tipo de ajuda à Samantha foi como um feitiço virado contra o feiticeiro.
Chegando às portas do castelo onde um dia ela teve poder para dar ordens, para ir e vir, Samantha não via ninguém para barrá-la e começa a caminhar para longe, inicialmente devagar, olhando para trás todo o tempo... Não se sabe se por medo de Sander ter acordado e estar atrás dela... Não se sabe se por ela temer deixar o país que pertence por direito real à ela, e talvez nunca mais conseguir voltar às terras de seu falecido pai. O fato é que ela se afasta cada vez mais... E logo está perto do mercado.
Ali, entre as pessoas comuns, ela estava disfarçada e sentia-se bem por saber que ninguém a reconhecia e poderia, enfim, obter seu sonho de liberdade. A estação de trem estava perto, e ela logo pegará o trem para Amestris, para a terra onde os militares comandam com disciplina, mas onde ela terá paz após tantos anos de sofrimento... Ela sabia que deveria existir alguém para lhe tratar bem em Amestris... O país dos alquimistas estava perto... Se tudo sair conforme ela planejava...
(Continua...)
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Hällo, Leüte!!! Hi ,people!! Oi, gente!!
Bem, se estão lendo isto aqui é porque certamente já acabaram de ler o capítulo 9 e, provavelmente, gostaram (ou odiaram de vez...).
Bem, perceberam que o Edward ficou um pouco "OOC" (adoro essa expressão, "Out Of Character" xD), mas foi proposital. Quando o chamam de baixinho ele simplesmente perde a cabeça, certo?... E as cenas são bem engraçadas, mas eu quis imaginar um Edward perdendo a cabeça de verdade quando Winry duvida de seu amor por ele... É, bem, mais uma mania minha de incluir cenas meio "picantes"... (Eu tô precisando de ajuda psicológica). Bem e quanto ao casal central, o Roy ter ganhado a primeira luta contra o Sander não significa que ele ganhará as próximas... Hehehehe... Se ele ganhasse tudo logo de uma vez, não haveria mais fic, right?...
Mas então... O que será que vai acontecer com a Winry e o Ed agora?... E a rainha de Kantha, Samantha?... Será que ela vai chegar a Amestris antes de Sander encontrá-la?...
Minhas sinceras desculpas pelo tempo (imenso, cinco meses!!) que eu fiquei sem atualizar a fic. Aconteceram MUITOS (e coloca "muitos" aí) problemas que me afastaram da Internet e conseqüentemente das fics durante esse período, incluindo até o falecimento do meu tio e padrinho Enilson, na terça-feira de carnaval. Foi um choque para mim e toda a minha família, mas agora que todos nós estamos recuperados, "bola prá frente que atrás vem gente"!!
Elizabeth Von bathory voltou com tudo e a fic não vai mais parar!!
Obrigada por continuarem lendo a fanfic!!
Meus sinceros agradecimentos aos ilustres leitores!!
Agradecimentos referentes ao "Capítulo VIII – Relegado Ao Esquecimento".
PARA: "Mael Asakura"; "P. Wings"; "Yuuki"; "Babi"; "Elbinha"; "tais"; "Mizinha Cristopher"; "Kisa Sohma Hyuuga"; "Lara Lavigne"; "Leticia Yui"; "Miluka Kelm"; "Lika Nightmare"; "Akemi"; "Amanda Ged Roy Mustang" (hey! ele é meu!! xD) e "Chiuu"...
...MUITO OBRIGADA!! DÄNKE SHÖN!!!
Agora uma pequena "surpresa"...
Bem, como eu andei algum tempo sem escrever, a criatividade começou a trabalhar e eu pensei num outro "plot" para uma nova fanfiction, que poderá ser feita depois que "Prisão do Desejo" acabar. Por isso estou presenteando (ou seria torturando?... o.o) os meus leitores com uma prévia desta próxima fanfiction, com o mesmo casal central, Roy x Riza, mas em circunstâncias diferentes das de "Prisão do Desejo", mas com a mesma carga dramática e elementos de ação e romance iguais!! Vale a pena dizer que a idéia primária da fic partiu de um momento de inspiração de Babi (Valeu, Babi!!), que me deu a idéia de encarar mais essa fanfiction Royai.
Segue-se abaixo o texto da prévia e, caso gostem deste resumo, me avisem por
e-mail (endereço no Profile) ou nos Reviews deste capítulo se querem ver esta fanfic Online ou não... Um enorme abraço a todos e MUITO obrigada por lerem até aqui.
CRY FOR THE MOON (Pranto Pela Lua)
RESUMO:Riza Hawkeye acaba de completar vinte anos de idade e está para receber uma promoção em sua patente no quartel general central, onde ela serve às ordens do exército lealmente. Contudo, para receber tal promoção ela deve antes seguir numa missão secreta a fim de capturar inimigos que ameaçavam a paz em Amestris e estavam para começar uma rebelião armada.
Ela e um grupo de mais trinta homens são designados para a missão, porém, na hora de embarcar para o local destinado da missão, um erro acontece e os reforços da Segundo Tenente Riza Hawkeye são embarcados em um outro trem, rumo a uma outra cidade. Hawkeye percebe que acabará indo para a missão sozinha, contudo teme retornar ao exército sem ter completado sua missão e não poder mostrar seu valor como uma boa militar (nem tanto pela promoção, mas mais pelo fato de que ela quer provar a todo custo que é uma mulher com valores e que mulheres podem, sim, ser boas militares).
Mesmo só, Riza segue para a missão confiante de que, com sua arma e sua excelente mira poderá dar conta dos terroristas. Ela até seria bem sucedia em sua missão, porém uma falha na hora de executar seu plano a faz cair nas mãos dos terroristas. Eles a capturam e prendem-na em um quarto da base onde estavam arquitetando seus planos. Os terroristas escrevem uma carta ao exército de Amestris alegando que matariam a Segundo Tenente caso suas exigências não fossem cumpridas. Logo uma carta-resposta chega aos terroristas e eles ficam sabendo que, para salvar a vida de um de seus melhores soldados (Hawkeye), o Marechal Bradley está disposto a aceitar as exigências, tudo para manter a política de humanidade do exército.
Desta forma, só restava à Riza esperar que os negociadores do exército chegassem para salvá-la. Só que os terroristas (mais precisamente o líder deles), além das devidas exigências, acabam notando a beleza da Segundo Tenente, à esta altura vestida apenas com trapos no seu cativeiro, e decidem que, antes de entregá-la de volta, fariam tudo o que quisessem com ela e ela teria que aceitar calada.
Uma noite antes dos negociadores do exército chegarem, os inimigos preparam uma "festa" que seria uma verdadeira orgia onde o banquete seria a própria Riza, submetida a todas as exigências sexuais e pérfidas dos bandidos. Riza estava para ser estuprada quando um dos inimigos, que era conhecido como sendo o "novato" braço-direito do líder dos terroristas intercede pela refém e pede ao líder que ele seja o primeiro a "usar" a moça, ganhando uma resposta positiva. Assim, este "novato" entre os terroristas leva Riza até um dos quartos, quanto os outros ficam na porta aguardando para serem os próximos.
Quando chegam ao quarto, o "novato" se desfaz de seu capuz e Riza vê que se tratava do Major Roy Mustang, de quem ela foi subordinada na época da guerra civil de Ishbal. Roy havia se infiltrado entre os terroristas a fim de descobrir seus planos e, agora, para salvar a Segundo Tenente.
Sem opção senão ficar com ele para não ser usada pelos outros, Riza acaba deixando que Roy faça sexo com ela diante dos terroristas que estavam ávidos para serem os próximos. Quando Roy termina seu "serviço", os outros tentam avançar, mas são contidos pelo alquimista das chamas que, tendo anteriormente escondido as luvas dentro do bolso, veste-as rapidamente e estala os dedos, incinerando a maioria deles e deixando os outros gravemente debilitados. Os negociadores do exército chegam logo depois e Riza estava salva.
Mais tarde, Riza descobre que o responsável pela confusão no embarque dos homens que iriam com ela para a tal missão, mas acabaram indo parar em outra cidade foi causada pelo próprio Roy, que agiu na surdina, por baixo dos panos, sem que ninguém soubesse, nem o próprio Marechal. Riza fica enfurecida, mas não pode reclamar com um superior... Mesmo depois daquilo que lhe aconteceu no cativeiro...
Na semana seguinte, Hawkeye é condecorada Primeiro Tenente e ganha mais vantagens dentro do exército, podendo decidir aonde quer servir. Com vergonha pelo que aconteceu entre ela e Roy e também depois de saber através do melhor amigo de Roy, Maes Hughes, que Roy era apaixonado por ela e queria casar com ela (especialmente depois de tudo aquilo), Riza pede transferência para um quartel quase nas fronteiras de Amestris com outro país. Roy tenta encontrá-la de qualquer jeito, mas ela sempre acaba descobrindo pelos seus informantes que ele estava à procura dela e consegue uma nova transferência. Assim acontece por três longos anos, até que, finalmente, Roy sente-se derrotado e pára de procurar por ela.
Um ano depois, acreditando que finalmente conseguiu ter paz, Riza recomeça sua vida ao lado da filha que eventualmente acabou tendo depois daquela relação com Roy, e sente-se feliz. Mas, mais uma vez, ela precisa se mudar, só que agora por ordens do próprio exército, que a recrutou de volta para o quartel general central.
Muito à contra gosto, Riza volta para o quartel central acompanhada de sua filha, Agatha Hawkeye, uma menina de quatro anos de idade, de pele alva, cabelos e olhos castanho-claro e muito esperta, que adorava brincar com fogo e tinha uma mira perfeita com seu estilingue de pedras. De volta à Cidade Central, Riza encontra-se com seus antigos amigos de farda: Havoc, Breda, Fury, Falman, Hughes e... Roy Mustang.
Quando revê Riza, Roy fica imediatamente feliz, acreditando que ela ficará também feliz por saber que, ao longo destes quatro anos, ele nunca a esqueceu e nunca mais teve outra mulher. Mas ele se decepciona novamente quando vai cumprimentá-la e ela pouco fala com ele. A situação fica ainda pior quando todos conhecem a menina Agatha, e caem de amores pela criança por toda a sua esperteza. Ao mesmo tempo, todos se espantam por saber que a Primeiro Tenente tinha uma filha.
A situação começa a se complicar quando as semelhanças físicas e, principalmente, psicológicas entre Agatha e Mustang são notadas por quase todo mundo e Roy vai tomar satisfações com Riza, que continua a ignorá-lo. Roy questiona se Agatha seria sua filha e acaba por pressionar Riza a contar a verdade. Hawkeye confirma e Roy, mais do que depressa, quer assumir a menina como sua filha e Riza como esposa, mas a Tenente avisa que não quer ajuda dele para nada. Roy diz que, agora que sabe que tem uma família, vai lutar até o último dia de vida para ter as duas ao seu lado...
Será que Riza vai cooperar e parar de ser tão orgulhosa a ponto de recusar o homem que ama?...
(E. V. Bathory)
