Torneio Tribruxo 1977-78

Capítulo 4 – A moeda de Helena

Lily POV

-Harry? Quem é Harry, Potter? – eu perguntei com a testa enrugada e a os olhos semi cerrados

Ele devia ter batido a cabeça quando caiu. Ele já estava começando a inventar pessoas que eu nunca havia visto na vida, ou ouvido sobre elas:

-Eu que te pergunto Evans – ele falou um pouco exasperado. E lá estava meu sobrenome de novo – Não fui eu que gritei o nome dele!

-Gritar o nome dele? Eu não gritei o nome de ninguém! – agora sim ele parecia bem maluco

-Claro que não – Potter disse com ironia enquanto me olhava com aqueles olhos castanhos amendoados por trás dos óculos de armação preta – Eu imaginei você gritando, ou melhor, implorando a alguém para esse alguém não fazer algo com o Harry.

-Do que está falando, Potter? Ficou maluco?

-Lily, não se faça de desentendida – ele falou agora com um riso sem humor – Eu ouvi você gritar o nome dele antes de eu cair desmaiado!

-Mas eu não gritei nada! – eu falei indignada. Por que ele estava falando aquilo? E... aquilo era ciúmes? – A única pessoa que gritou quando você desmaiou foi Lene! Eu não falei nada!

Na real, naquela hora, eu queria ter gritado também o nome dele, assim como Lene havia feito, mas eu não consegui. Só consegui ficar calada, em um silêncio mortificado, vendo-o cair desacordado no chão. Não acreditava que James pudesse desmaiar, acho que... Sempre pensava nele como alguém que nunca se abalava, como quando eu dispensava ele e ele vinha sempre no outro dia com outro pedido para sair comigo. Mas o jeito como ele tinha gritado enquanto os dementadores investiam nele, como se estivesse vendo coisas horríveis, comecei a ver que estava errada:

-O que? Então... Você não conhece nenhum Harry? – ele me perguntou confuso quando me viu negar com a cabeça – Mas... Eu ouvi você gritar... Eu juro que ouvi!

-James! Você acordou!

Olhei para trás e vi Lene correndo até a cama de Potter e o abraçando. Sirius a seguiu também correndo e abraçando o amigo, ouvi os dois sussurrando, mas não consegui entender do que eles falavam. Logo atrás vinha Doe e Remus juntos, e por último Peter. Olhei novamente para Sirius e ele parecia preocupado enquanto encarava Potter com a testa enrugada. Potter continuava falando coisas em voz baixa que só Sirius pode ouvir. Desejei saber mais que tudo o que ele estava contando ao melhor amigo:

-Como está se sentindo, Prongsie? – Doe perguntou sentando ao pé da cama de James. Ela pegou o péssimo hábito de chamar os Marauders pelos seus apelidos de Marauders

-Devia comer chocolate, faz bem – Remus disse estendendo um Sapo de Chocolate para James. Este o agarrou e comeu o Sapo como se nunca tivesse visto comida na vida.

Me levantei de repente e comecei a ir em direção a porta. Lene me parou e perguntou aonde eu ia. Respondi que ia para a biblioteca, terminar a pesquisa de Trato de Criaturas Mágicas que tínhamos para daqui a três dias. Sei que é uma desculpa esfarrapada, mas eu precisava sair dali, precisava pensar no que Potter havia falado.

Harry. Não conhecia ninguém com esse nome, mas sempre achei um nome bonito. Sempre disse que esse seria o nome de um dos meus filhos, isso se meu marido concordar, claro, mas é meu nome preferido. Mas o que o Potter quis dizer com "você estava implorando a alguém para esse alguém não fazer algo com o Harry"? Mas, a pessoa ia fazer o que com o tal de Harry? Como já disse, eu nem conheço alguém com esse nome!

Subi até a Sala Comunal e fui até o dormitório feminino. No fundo do meu malão estava o livro que eu havia ganhado de natal ano passado. Nunca o havia lido. Sim, uma surpresa, porque, afinal, eu devoro o livro no dia que o ganho ou compro, mas esse não, esse eu soube que eu teria que esperar para ler, que iria ter um momento certo. E eu senti, não sei como, que, no meio daquilo tudo que estava acontecendo em Hogwarts, e principalmente com Potter, aquele era o momento certo para ler o livro.

Fui então guiada pelos meus pés até a Torre da Astronomia, o lugar que eu mais gosto em Hogwarts depois da biblioteca, óbvio, e o lago, ou melhor, o jardim em volta dele. Aquele era o lugar que eu mais gostava de ir pensar. Me sentei no chão e olhei para o céu. Começava a escurecer, a mistura de rosa e laranja do por do sol começava a ser substituída pelo azul escuro da noite, a primeira estrela, o Planeta Vênus, começava a aparecer brilhante no céu.

O que estava acontecendo comigo? Não sobre não ter lido o livro antes, mas sobre como eu estou me sentindo pelo Potter. É isso mesmo, pelo Jam... Potter! Que merda! Eu quase estou chamando ele de James! E eu nunca o chamei assim desde... desde que ele começou a encher meu saco! E isso já faz quatro anos! Certo, na real quatro anos e meio. Mas... Isso já está fazendo o meu cérebro dar trezentos nós! Se você não acredita em mim, bem então eu te dou uma prova, uma não, três!

Primeira: Quando Dumbledore chamou o nome de James... Potter! Ah, que se dane, não pegue no meu pé se eu o chamar de James, parece que... Eu estou mudando meu conceito sobre ele mais uma vez. Espero que isso não me leve ao fundo de uma decepção. Mas bem, continuando meu desabafo. Quando Dumbledore chamou o nome de... Potter, meu corpo gelou. Juro! Senti como se tudo tivesse ficado em silêncio, como se tudo estivesse em câmera lenta, e poderia nevar lá dentro de tão frio que estava. Olhei com os olhos arregalados para ele, tentando encontrar seus olhos castanhos amendoados, e quando os encontrei, tentei colocar todo o meu desespero nos meus para ele perceber que... Que ele devia desistir daquilo! Para ele perceber o quanto era loucura! Mas ele apenas se virou e aceitou tudo, nem me respondeu. Senti como se o tivesse perdido, mas eu devia ter mesmo.

Segunda: Quando o vi na primeira tarefa. Quando ele me procurou com o olhar. Depois de ter gritado com sofrimento. Eu ofegava por causa de seus gritos, eles eram como facadas, nunca pensei que pensaria isso sobre os gritos de Potter

E a terceira prova: Quando ele desmaiou, e eu não consegui gritar, eu sai correndo em direção a ele, atrás de Remus e Sirius que também saíram correndo. Dumbledore estava lá embaixo, ajudando James, o colocando em uma maca. Eu apertava nervosa a mão de Doe, que aparecera ali embaixo junto com Lene, que parecia desmaiar, assim como Potter, a qualquer momento.

Um barulho me fez olhar assustada para trás, em direção à porta de entrada da Torre. A porta estava se abrindo, mas não parecia entrar ninguém. Então a porta se fecha e ouço alguém suspirar, e então, James Potter aparece segurando um tipo de uma capa de invisibilidade! Elas são raríssimas!

-Potter! Isso é uma capa de invisibilidades? – eu exclamo de boca aberta

James POV

Pulei quando ouvi a voz que eu sempre queria ouvir. Olhei para o lado e vi minha Lily sentada no chão da Torre, com um livro no colo, é obvio, e me olhava com a boca aberta e seus lindos olhos arregalados de surpresa para mim. Olhei para minha mão que segurava minha antiga capa de invisibilidade.

Eu a havia ganhado no meu aniversário de onze anos. Meu pai que me dera, disse que seu pai lhe dera e que meu bisavô deu para meu avô, e que meu trisavô deu para meu bisavô e por aí vai. Ou seja, está na minha família desde sempre. Desde que a ganhei, a dividi com os Marauders, afinal, não esconderia nada de meus melhores amigos. E não houve um dia que nós não a usamos. Minha capa de invisibilidade é uma grande amiga. Sirius gosta tanto dela que lhe deu até um nome. Algo como Bridget ou Joanne, não me lembro bem:

-Am... É. Eu acho que é – eu disse parado um pouco assustado com a intensidade da voz de meu Lírio

-Eu posso tocar? – ela perguntou, mas ai se deu conta do que falou e assumiu um tom vermelho de vergonha e virou o rosto para eu não ver. Mas é claro que eu vi

Caminhei até ela com um sorriso no rosto. Me sentei ao seu lado, ela ainda tentava não olhar para mim, seu rosto virado para o lado. Peguei minha atenção indo para o livro em seu colo, deixando seu cabelo como fogo. Magia na Grécia Antiga era esse o nome. Franzi a testa e estendi a mão para pegá-lo, mas, antes de tocar no livro, senti que Lily tremeu com um vento gelado:

-Você deve estar com frio – eu disse colocando a capa em seus ombros

-A capa é para aquecer ou para fazer alguém ficar invisível, Potter? – ela perguntou com um sorriso nos lábio, ainda sem olhar para mim, mas arrumando a capa em seus ombros para aquecê-la melhor

-Acho que serve para as duas coisas – eu ri passando a mão em meus cabelos. Então indiquei o livro com o dedo esperando que ela me olhasse – Posso?

Ela olhou finalmente para mim, os olhos verdes pareciam ainda maiores do que geralmente eram. Ela me olhou e depois percebeu que eu estava falando do livro em seu colo. Ela acenou com a cabeça, um movimento brusco e rápido:

-Acho que sim – ela disse dando ombros enquanto eu pegava o livro de seu colo e o folheava – Não sei se é bom, ainda não o li. Remus me deu no natal passado.

-Se foi Moony que lhe deu com certeza o livro é bom – eu disse com um sorriso ainda folheando o livro com aparência de velho. Mas então parei. Bem ali, ocupando uma página inteira, estava o desenho da moeda que eu tinha que pegar da guarda dos dementadores hoje mais cedo, na primeira tarefa – Ei! Essa é a moeda da tarefa

Lily se inclinou para ver a figura enquanto eu pegava a moeda de meu bolso da calça. Estendi a mão para ela com a palma virada e a moeda no meio dela. Era uma moeda de ouro, muito parecida com um galeão. Havia o perfil de uma mulher muito bonita, ela estava séria e não se mexia como qualquer outra coisa no mundo bruxo:

-Aqui diz que isso é uma Moeda de Helena – ouvi a voz de Lily. Levantei o olhar e a vi olhando para o livro e depois para a moeda em minha mão. Então ela abriu um sorriso – Mas é claro! Essa é Helena de Troia! Me espanto como Dumbledore conseguiu três dessas moedas. São bem raras.

-Helena de Troia? – eu olhei confuso para ela. Odiava parecer burro perto de Lily

-Você não conhece a história? – Lily me olhou com um sorrisinho. Ela arruma uma mecha de seu cabelo ruivo atrás da orelha – Claro que não. Afinal ela é trouxa, mas não tão trouxa pelo jeito. Helena era uma mulher muito bonita, que fez dois homens poderosos se apaixonarem por ela. Isso desencadeou uma guerra horrorosa entre gregos e troianos. Os gregos ganharam, obviamente, eles eram muito fortes e tinham uma carta na manga.

-Mas o que essa moeda tem haver com a história de Helena? – eu perguntei olhando para a moeda em minha mão, virando-a. Vi a mão clara de Lily em meu campo de visão. Deixei-a pegar a moeda e a olhei fascinado enquanto ela olhava, ainda sorrindo, a moeda de ouro

-Aqui diz que Helena usava esse tipo de moeda para se comunicar com seu amante – ela virou a página do livro – Essa moeda era o jeito de ela falar com seu amante sem ninguém saber.

-Então... A pista da segunda tarefa está aqui? – eu perguntei pegando delicadamente a moeda da mão da minha ruiva – Mas, como eu desvendo o mistério da moeda?

Eu pergunto com um risinho. Lily também deu uma risadinha e folheou novamente o livro. A mecha de seu cabelo que ela havia prendido antes atrás da orelha caiu novamente em seu rosto, me deixando com muita vontade de arrumá-la. Meu Merlin! O que essa menina faz comigo e a minha sanidade?

-Aqui diz que você tem que falar "Helena, revele-me seu segredo" com o tom de voz de um amante – ela disse

-Tom de voz de um amante? – perguntei novamente olhando para a moeda. Aquilo estava cada vez mais esquisito – O que é um tom de voz de um amante?

-Você tem que falar a frase para moeda com o tom de voz que você usaria se falasse com alguém que você ama.

-Ou seja, com o jeito que eu falo com você? – eu perguntei com um sorriso

-Não, Potter – ela disse séria, mas um leve tom rosado tomou suas bochechas – Tem que falar com um tom de voz de amor, não de desejo.

-Mas e se eu te desejasse e te amasse ao mesmo tempo, Lils? – eu pergunto com um suspiro. Lá estava a teimosia de novo. Por que é tão difícil fazê-la acreditar que para mim, só existe ela e apenas ela em minha vida?

-Você não me ama, Potter. Você me deseja. É diferente – ela retrucou. Quis retrucar de volta, mas ela me interrompeu com a voz cortante – Quer fazer o favor de falar com essa moeda?

Suspirei e olhei para a moeda novamente. Como é que eu falaria com amor com uma moeda? Eu não sou tão louco assim! Mas aí fechei os olhos e imaginei Lily. Mesmo com ela tão perto de mim, tive que imaginá-la. Lembrar o seu riso, os seus olhos, seu nariz vermelhinho no inverno, junto com o cabelo fazendo o contraste com a neve de Hogsmeade. Aproximei minha boca da moeda:

-Helena – eu sussurrei e abri os olhos. A imagem de Lily desapareceu dando lugar à imagem da moeda. Agora a mulher da moeda, com certeza Helena, se mexeu, virando de frente para mim com as sobrancelhas levantadas, interessada no som de minha voz. Sou ou não sou irresistível? – Revele-me seus segredos

Estendi a mão com a moeda para Lily também ver o que acontecia. Helena pareceu suspirar e um sorriso sonhador abriu em seu rosto de metal dourado. Em volta dela, letras começaram a aparecer, formando uma frase. Um enigma:

-"Aprenda o segredo de meu sucesso, e o use para ajudar aquele que mais precisar" – Lily leu em um sussurro, logo tomando nota da frase, pois esta já ia se apagando da moeda, fazendo Helena voltar à posição anterior a eu falar com ela – O segredo do sucesso dela...

-Não seria a beleza? – perguntei atônito. Como beleza ajudaria alguém? – Ela não seduziu os caras? Não fez eles se apaixonarem por ela? A não ser...

-A não ser que ela tivesse usado algo mais que a beleza! – Lily virou para mim com um sorriso no rosto

-Amortêntia! – eu exclamei

-A poção do amor mais forte que existe! – ela completou com um sorriso radiante e os olhos brilhando. Mas seu sorriso logo apagou – Mas como uma poção do amor iria ajudar alguém?

-Não exatamente a poção do amor. Mas para fazer a Amortêntia, tem que ser um ótimo fazedor de poções, um profissional – eu expliquei começando a juntar as peças do quebra cabeça – então ela, Helena, deveria ser uma ótima fazedora de poções, uma profissional. Esse devia ser o seu segredo.

Olhei para Lily e não consegui descrever o que vi em seus olhos. Estavam mais escuros que o normal, e eu estranhei:

-Acho que vai ter que estudar muito poções, Potter. Todos os tipos dela – ela me disse séria. Como se eu já não soubesse

-James – eu disse

-Como?

-Me chama de James – eu quase supliquei a ela – Por favor.

Ela piscou por um tempo e abriu e fechou a boca tentando falar alguma coisa, mas não se decidia. Naquele momento, me deu uma baita vontade de beijá-la, de arrumar aquela mecha de cabelo ruivo que ainda estava caída em seu rosto. Queria poder fazer aquilo sem me preocupar com qual seria sua reação depois de eu me separar dela:

-James – ela disse em um sussurro. Uma corrente elétrica passou por todo meu corpo ao ouvir meu nome saindo de sua boca – Se não for me intrometer muito, mas... O que você viu quando os dementadores te atacaram? Você parecia estar sofrendo bastante

Ofeguei meio que sem querer. Nunca pensei que ela perguntaria algo assim. Talvez ela estivesse apenas curiosa, como várias pessoas aqui de Hogwarts estão. Ou talvez, ela estivesse preocupada comigo. Era o que seus olhos pareciam dizer:

-Desculpa, não vou perguntar de novo. Só... – ela falou balançando a cabeça com um sorriso de desculpas

-Não. Está tudo bem – eu disse apressado fazendo ela olhar para mim – Só... Não pensei que você ia perguntar isso.

Suspirei e passei a mão em meus cabelos. Vi ela morder o lábio inferior por um momento e parei, um fantasma de um sorriso em meu rosto:

-Eu me lembrei de ver meus pais, mortos, na sala. – eu falei com dificuldade – Vi Sirius quando ele apareceu lá em casa depois de fugir da sua, o quanto ele estava machucado e magoado. Vi Remus...

Mas então parei. Me lembrei que ela não sabia do probleminha peludo de Moony. Senti que ela tocou de leve meu braço. Olhei-a e vi ela sorrindo para mim, um sorriso genuíno, como se pedisse desculpas por me fazer lembrar de tudo aquilo:

-James, me desculpa... – ela começou, eu a interrompi

-Lily... – eu disse colocando aquela mecha de seu cabelo ruivo para trás de sua orelha – Quando você vai perceber que eu te amo?

E deixei minha mão em sua nuca, meus dedos entrelaçados em seus cabelos. Vi que seus olhos se arregalaram, sua mão continuava em meu braço. Fui chegando mais perto, sentindo o cheiro de seu perfume. Depois, comecei a sentir sua respiração ofegante em meu rosto. Fechei meus olhos, nossos lábios quase se tocando...

Então ela se mexeu tão rápido que nem vi. Ela se soltou de mim e ficou de pé. Jogou minha capa de invisibilidade em meu colo. O rosto furioso e o olhar confuso:

-Irei acreditar quando você começar a falar a verdade, Potter – ela disse amarga. Meu sobrenome saindo frio de sua boca – Não enquanto você usa essa desculpa para satisfazer o seu desejo.

Então ela saiu, batendo a porta atrás de si. Me deixando sozinho na Torre, com a respiração ofegante, a Capa em meu colo, a Moeda de Helena na mão e o coração novamente em vários cacos. Mais uma vez quebrado por causa dela. A única que consegue fazer isso comigo e não percebe o quanto dói.

...

Oi! Saudades? Hahahaha. Aqui mais um capitulo e espero que estejam gostando.

Leticia Malfoy Potter: Brigada! Demorei um pouco para pensar no que ela responderia, mas ai está. Gostou? hahahahah

Mandem reviews! Não sejam tímidas (os)! Eu não mordo!

Beijos

Victoria Black Herondale