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Capítulo III
Lily se encolheu mais na cadeira quando James finalmente a alcançou.
- Ainda estudando? Já não está muito tarde? – perguntou ele, embora sorrisse.
- Quem é você para me dizer o que fazer, Potter?
Ele levantou as mãos, num gesto de inocência.
- Só fiz uma pergunta, calma. – sentou-se na cadeira de frente para Lily. – Eu sei perfeitamente que também já deveria estar dormindo a essa hora.
Lily levantou as sobrancelhas.
- Potter, você está mesmo assumindo um erro seu? O que aconteceu, o Snape por acaso bateu a sua cabeça na parede?
Ele riu.
- Como se o Seboso fosse páreo para mim. – disse James, sempre orgulhoso. – Eu nem imagino como você foi amiga dele um dia.
A garota fez uma careta.
- Você só sabe espalhar a infelicidade por aí? Pensei que soubesse o quanto eu detesto falar sobre o Snape.
- É exatamente por isso que eu falo sobre ele. – disse James, num tom brincalhão. – Para que você se acostume. Afinal, aquele idiota não te ofendeu publicamente?
Lily lembrava-se perfeitamente do último dia de aulas antes de sair de férias de Natal. Os marotos estavam pregando uma de suas muitas peças com o antigo amigo de Lily até que, quando ela foi tentar separá-los, ele a chamou de sangue-ruim. Desde então, ela evitava lhe dirigir a palavra.
- Potter, vai embora! – pediu ela. – Eu quero estudar em paz!
James riu.
- E se eu simplesmente ficar aqui, quietinho, só te observando?
- Você não consegue ficar quieto. – replicou ela. – Deve ter algum distúrbio de hiperatividade ou sei lá o quê.
- Me teste, então.
Ela revirou os olhos.
- E por que eu faria isso?
- Para que eu te provasse que você pode confiar em mim? – tentou ele.
De repente o assunto não era mais o estudo de Lily. Indiretamente, James chegara a um tópico que a garota detestava discutir: o fato dela não acreditar nos sentimentos que ele dizia ter por ela.
- Não, Potter, eu não vejo motivo para mudar minha opinião.
Ele recostou-se na cadeira, meio que magoado.
- Olha, eu estou com sono. – mentiu ela, enquanto juntava suas coisas. – Vou dormir.
Lily se levantou, mas quando se preparava para sair, James pegou-a pelo pulso.
- Espera. – pediu ele.
- O que foi?
- Você me responderia a uma pergunta? Sinceramente, quero dizer.
Os olhos castanho-esverdeados dele olhavam-na de uma forma tão penetrante que ela sentiu que ia corar.
- Depende. Que pergunta? – falou, por fim.
Ele suspirou.
- Por que você me odeia tanto?
Lily desviou o olhar para o chão. Ela não tinha o que responder para ele. Ela nunca gostara dele pelo fato de que ele era arrogante e prepotente, por zombar dos outros, mas ele nunca lhe fizera nada de mal, pelo menos não diretamente. Na verdade, ela não o odiava, mas era orgulhosa o bastante para que ele não o ficasse sabendo.
- Apenas odeio. – disse ela, confiante. – Algum problema?
Ele suspirou, e quando levantou o rosto Lily viu que ele estava com uma expressão triste no rosto.
- Talvez o fato de que você me rejeita a cada quinze minutos, talvez menos. Que cada vez que eu tento me aproximar você me manda embora, como se eu fosse uma doença contagiosa. Mas não, não há problema algum! – ele disse, ironicamente. – É só que você não consegue aceitar que eu gosto de você, de verdade, e não quero te usar, como você pensa.
E, dizendo isso, ele se levantou, e subiu para o próprio dormitório mais rápido do que Lily pode processar.
Ele parecera tão magoado com ela que Lily sentiu uma dorzinha pontando no peito, como se estivesse com a consciência pesada. Sacudiu a cabeça, pensando em como estava sendo idiota. Ela nunca tinha feito nada de mal para James Potter, tinha?
Naquela noite, deitada na sua cama, Lily parou para refletir o que James lhe disse. Ele falou que gostava dela, mas Lily não conseguia acreditar, ou pelo menos não queria fazê-lo.
Hipoteticamente, pensou ela. Se uma pessoa gosta de outra e esta outra está sempre sendo ignorante com a primeira pessoa, esta vai se sentir mal, certo?
Era confuso para Lily, que nunca teve um caso amoroso sério, falar – ou pensar – sobre amor.
No dormitório masculino, James andava de um lado para o outro, tentando não acordar os outros.
Arrependeu-se de ter dito tudo aquilo para Lily assim que se afastou dela, mas agora já era tarde. Sentia-se um perfeito idiota, por ter sido tão rude, despejando sobre Lily a verdade sobre como ele estava se sentindo mal. Mas aquilo também lhe serviu de motivo para pensar sobre o assunto.
Há anos James vinha tentando sair com Lily, ficava lhe dizendo o quanto a amava e como ela era um raio de sol que aquecia seu dia, irritando-a. No começo ele se divertira com isso, mas depois viu que estava gostando dela de verdade.
Ainda assim, pensou ele, o que James Potter fizera algum dia para provar a todos que gostava de Lily Evans, que ela não era só uma garota de uma lista idiota que ele e Sirius partilhavam?
Foi então que lhe surgiu a ideia. No dia seguinte, logo pela manhã, James faria o castelo inteiro escutar que ele amava aquela ruiva.
N/A: Tenho que vos avisar que eu não tenho data certa pra postar os capítulos, ainda por cima levando em conta que os próximos ainda vão ser escritos. xx
