Capítulo 11 – Leão 3

POV James

Amos Digorry é um idiota.

Babaca, se você preferir.

O que ele tem que eu não tenho?

Eu sou mais bonito, pergunte a qualquer garota no corredor.

Sou melhor jogador, ganhei todas as Copas de Quadribol que joguei, enquanto o máximo que ele conseguiu foi o terceiro lugar.

Sou provavelmente mais desejável, recebo mais convites à Hogsmeat no Dia dos Namorados.

Consigo comer mais tortas de abóbora em um minuto do que ele, venci o torneio de lavada.

A única coisa que ele fez que eu não fiz foi se tornar monitor.

Mas Aluado também é monitor, nem por isso o meu lírio se arrasta aos seus pés.

Parece que o Digorry tem algum poder sobre ela.

Ela poliria seus sapatos se ele pedisse.

Ai de mim se eu pedisse para ela me passar a travessa de pão.

O que me resta é assistir os dois passeando pelos jardins.

E sentados em baixo de uma árvore.

É obvio que ela não está ouvindo uma palavra do que ele diz.

Ela pode não gostar de nada que eu falo, mas pelo menos meio que presta atenção.

Nem se for para me dar um pontapé na canela no final das minhas palavras.

A cada minuto os dois se aproximavam cada vez mais.

Já teria ido lá acabar com a festa do imbecil há muito tempo, mas tinhas prometido ao Remus que me comportaria.

Até que ele tocou o rosto dela.

Esqueci a promessa.

Esqueci do orgulho, das consequências, da razão e do bom-senso.

Senti o sangue esquentar e correr mais rápido pelas veias.

Ignorei a mão do Remus que tentava segurar meu pulso.

Ignorei os gritos de Sirius que diziam que eu havia esquecido a varinha.

Ignorei a moita a minha frente, que quase me fez cair quando a pulei em velocidade.

Tudo dos meus lados viraram um grande borrão verde e azul.

A única coisa em foco era o casal em baixo da árvore.

Desviei da minha ruiva atingi o tórax do "alvo" com a maior força que encontrei.

- Qual o seu problema? – Lily me perguntou depois de levantada –

- Qual o problema dele? – respondi indignado –

- Você não se enxerga? Acaba de derrubar o garoto no chão sem motivo nenhum!

- Sem motivo? – minha voz já estava alterada – Ele estava te tocando! A minha garota! Isso é quase abuso!

- Você ouviu a desculpa que deu? Ele tocou minha bochecha! E desde quando eu sou a sua garota? Não lembro quando fui rebaixada a tanto. – ela rebateu -

- O que tem de errado com você? – o bocó havia se levantado e tentava dar uma de corajoso –

Juro que seria a pessoa mais feliz da Inglaterra se eu o derrubasse novamente.

Dessa vez com um soco naquele nariz de riquinho.

- Não se mete. – eu falei, seco -

- E você não se mete na minha vida James. Quem te deu esse direito? – olhei para ela –

Suas bochechas estavam molhadas.

Seu nariz estava vermelho.

Grossas lágrimas rolavam de seus olhos.

De algum jeito, aquilo doeu mais em mim do que nela.

Era horrível vê-la tão triste assim.

E ainda saber que é por minha culpa.

Era como se uma pedra enorme tivesse sido jogada nas minhas costas como punição.

Acho que as pessoas geralmente chamam isso de remorso.

E culpa.

- Lily eu... – tentei falar –

- Só não faça isso de novo ok? – ela disse com a voz embargada –

Digorry passou do meu lado batendo o ombro no meu propositalmente.

Foi como se a pedra mudasse de posição e ficasse ainda mais difícil de suportar, se isso ainda fosse possível.

Era como se ele tivesse dito: "Olha o que você fez idiota".

E era verdade.

-/-

- Eu preciso falar com ela. Eu preciso que ela me perdoe. – eu resmungava enquanto andava de um lado para o outro do dormitório masculino –

- Cara, para com isso, já tá me deixando tonto. – reclamou Almofadinhas deitado em sua cama –

- Você não tá entendendo seu vira-lata pulguento, eu a fiz chorar!

- Pontas, dezenas de garotas choram por você nos banheiros femininos toda semana. – Falou Aluado –

- Mas ela é a Lily! – gritei inconformado –

- Então vai se desculpar. – disse Almofadinhas enterrando a cabeça nos travesseiros –

- É a Lily. Ela não vai acreditar em mim.

Almofadinhas levantou a cabeça, suspirou e puxou um papel do bolso.

- Sempre funciona. – disse e me entregou, voltando logo para a cama –

Olhei superficialmente para as letras rabiscadas no pergaminho.

Estava escrito basicamente assim:

Peça desculpas.

Beije-a.

Diga que a ama. Elas sempre acreditam.

- Isso nunca vai dar certo. – falei indo devolver o papel -

Pegue o bilhete, mas seja sincero com ela. – Aluado sibilou –

- A gente se vê no jantar. – disse –

- Leva isso aqui só para garantir – ouvi a voz do Rabicho enquanto fechava a porta, e uma barra de chocolate foi jogada em mim –

-/-

Abri a porta da Torre de Astronomia o mais silenciosamente possível, mesmo assim, um click ecoou pelo cômodo.

Já sabia que ela estaria lá antes mesmo de olhar o Mapa dos Marotos.

Sentei-me do seu lado.

Tinha decidido ser sincero.

- Lily eu só queria pedir...

- Não fale desculpas. – ela me interrompeu –

- O que? – falei confuso –

- Depois que inventaram a palavra desculpa ficou muito mais fácil magoar as pessoas.

- Ah, certo. Ahn... Almofadinhas me deu isso. – estendi o pedaço de pergaminho – É basicamente um pedido de desculpas cheio de enrolação e meloso que ele diz funcionar com todas as garotas. Eu peguei o bilhete para ele ficar feliz, mas eu sei se eu quiser que isso dê certo eu tenho que ser sincero. E eu realmente quero que isso dê certo.

- Eu sei que o erro foi totalmente meu, e se eu pudesse eu inventaria uma máquina do tempo só para mudar o que eu fiz. Eu até pedi um vira-tempo emprestado para a Minerva, mas ele disse que eu sou irresponsável demais para tocar em um. Eu vou fazer de tudo para que isso não aconteça novamente.

- Na verdade, eu já pedi para o Almofadinhas me segurar se eu sair de controle, e se eu me soltar eu lhe dei permissão para me azarar. E se você quiser, eu danço valsa com o Dumbledore com salto alto só para você me perdoar.

- É uma oferta tentadora... Mas eu já te perdoei. Eu sempre acabo te perdoando não é? – ela disse –

Não acreditei que ela tinha me perdoado, estava disposto a fazer qualquer coisa para que isso acontecesse.

- Obrigado Lily! – eu a abraçei – Eu trouxe isso caso você não me perdoasse. – entreguei o chocolate para ela –

- Estava planejando me comprar com chocolate? – ela perguntou -

- Foi uma ideia ruim? – eu disse lentamente -

Ela revirou os olhos e tomou a barra das minhas mãos.

- Está com sorte que eu não como nada desde o almoço...

Talvez não era porque ela estava com fome...

Mas eu realmente estava com sorte.

Atrasada, atrasada, atrasada.

É.

Fiquei atolada com os feriados e nenhuma inspiração chegava.

Perdão.

Espero que o capítulo tenha compensado, é tristinho, mas eu tentei caprichar.