Capítulo 16 – Camelo

Sentada em uma das mesas da cozinha vendo James acabar com uma jarra de suco de abóbora.

Grande programa de domingo à tarde.

Todas as minhas amigas estavam a essa hora na biblioteca terminando desperadamente o trabalho de Transfiguração, e sabe-se lá onde estava o resto dos Marotos.

Abandonados, eu e James andamos por todo o castelo, procurando algo para fazer, mas parecíamos as únicas almas vivas na propriedade.

James sugeriu as ideias mais loucas para nos livrarmos do tédio, mas eu não estava tão desesperada.

Nem depois de 5 garrafas de Whisky de Fogo eu deixaria ele me ensinar à voar em uma vassoura.

Sim, é meio ridículo que eu ainda não tenha aprendido, mas eu não estava exatamente interessada nessas coisas no primeiro ano com o meu medo de altura.

E eu também não confiava lá essas coisas nele. E se eu desequilibrasse e caísse da vassoura? Ele pode ser um bom apanhador, mas acredito que eu viraria panqueca.

É claro que eu não contei isso para ele, apenas deixei-o pensar que eu simplesmente odeio Quadribol.

O que é outra mentira, pois eu faço Lene sentar comigo na fileira mais baixa das arquibancadas só para ver os jogos.

Também resisti firmemente à ideia de dar um mergulho no lago.

O clima quente e abafado desse dia pedia, mas James fez questão de me contar histórias horríveis sobre sereianos, peixes canibais e outros monstros que viviam no lago quando eu estava no segundo ano, e desde essa época eu só me arrisco a afundar os pés na água gelada.

Bem feito para ele.

A única sugestão aproveitável foi a de visitar Hagrid.

Mas ele compensou o acerto dizendo para fazermos uma guerra de morangos quando saímos da casa do meio-gigante.

É claro que eu não queria voltar para o dormitório toda pintada de vermelho, mas deixei-o me levar até as plantações de morango que, como Dumbledore gostava tanto de ressaltar, estavam ali desde Dippet.

Os morangos eram surpreendentemente deliciosos.

E a guerra das frutas acabou acontecendo afinal.

Como nenhuma plantação é cem por cento perfeita, achei um morango estragado e joguei-o na terra para virar adubo.

Com a minha pontaria perfeita, o morango acertou a testa de James em cheio.

Ele entendeu como um sinal de guerra e começou a me usar como alvo.

E eu não sou calma o suficiente para deixarem me acertarem com frutas vermelhas sem me importar.

Acabei até descobrindo uma tática, se eu tentasse mirar em sua camisa, o morango voava direto no rosto de James.

Quando tínhamos deixado metade dos pés de morango totalmente verdes, fizemos um acordo de paz silencioso para não destruirmos tudo.

James limpou o suco de morango das lentes dos óculos e eu olhei o campo culpada.

- Não se preocupe, eles quase não usam os morangos – ele disse depois de perceber meu olhar –

- Como você sabe?

- Não vê os morangos caídos no chão? – ele apontou para a metade boa da plantação, onde tinha muitos morangos caídos na terra – E além do mais, a professora de Herbologia vai cuidar bem.

- Tem aulas há sete anos com a mesma professora e não lembra nem o nome dela? – perguntei –

Ele sorriu culpado e passou a mão pelos cabelos.

Então fomos para a cozinha, já o garoto alegava estar com sede.

O que era um estado bem comum para ele, parando para pensar.

Ele tomou um copo inteiro de suco de morango no almoço e não deixou uma gota de água em uma garrafa na casa de Hagrid, que não tem exatamente o tamanho normal de uma garrafa.

Parecia mais um balde.

E agora ele bebe uma jarra de suco de abóbora desesperadamente.

Enquanto eu peço desculpas a cada elfo que vejo por estar deixando manchas vermelhas pelo chão inteiro.

O suco parece acabar e ele abaixa a jarra.

Não consegui reprimir uma risadinha infantil.

- O que é? – ele me perguntou –

Peguei a jarra e bebi a restinho que ainda tinha.

Quando devolvi o objeto à mesa ele entendeu.

Eu adquirira um novo "bigode" laranja, assim como ele.

-/-

O final ficou chatinho, mas foi porque eu não sabia como acabar o capítulo.

O nome é pela sede incomum do James, que na verdade foi inspirada na minha amiga que chamou um guri de camelo outro dia kkk. E porque eu achei também que seria legal fazer um capítulo com esse animal.

Sobre o capítulo anterior, eu gosto muito de ornitorrincos (especialmente o Perry :P), mas temos que admitir que é um dos animais mais estranhos que existem né. Então o título era por causa das manias "estranhas" do James.

Desculpa por deixar muita gente confusa, mas é que para mim quem escreve essas coisas ficam tão óbvias que só quando eu fui ler de novo que eu percebi que não foi bem assim, erro meu.