Capítulo 22 – Querubim

Fui acordada por uma Lene histericamente animada.

Inapropriadamente agitada para tal hora da manhã, ela pulou na cama e arrancou minhas cobertas, forçando-me a sentar.

Esforçando-me para não voltar a dormir, tentei entender porque ela havia me enfiado um pacote retangular nas mãos.

Vendo que eu não iria abri-lo, ela o pegou, rasgando o embrulho ferozmente, e me devolveu com a mesma delicadeza.

Cerrei os olhos e algumas letras focaram, formando a palavra Shakespeare na capa.

Ainda encarava o livro sonolentamente enquanto ouvia Lene tagarelar sobre a importância do presente dela ser o primeiro, e do quando ela era uma boa melhor amiga por ter encontrado aquele livro trouxa.

Eu sentia que estava perdendo alguma coisa...

Arregalei os olhos e de repente eu estava desperta.

Era meu aniversário.

Meu aniversário de 17 anos!

Notei pela primeira vez uma pilha de caixas coloridas ao lado da cama, abraçei Lene e em seguida todas as meninas do dormitório.

Ganhei, em geral, livros de todos os assuntos possíveis.

Menos de Emme, que me dera um par de fofíssimos brincos brancos, uma caixa de Feijõezinhos de Todos os Sabores de Peter, e Sirius inovou me presenteando com luvas de couro de dragão novinhas.

Em uma nota, ele me explicou que o meu presente era na verdade um presente para James, antes que eu incomodasse seu melhor amigo para saber um bom presente em seu próximo aniversário.

Também um dos mais surpreendentes, Alice me estendeu um frasco, cheio de uma substância gosmenta e púrpura- vibrante.

Ela nos trancou no banheiro e esvaziou aquilo em cima do meu cabelo antes que eu pudesse a impedir.

Fiquei chocada e me preparei para entrar no banho de roupa e tudo, mas ela me segurou forte pelos ombros, me sentou em um banco e colocou uma venda sobre meus olhos.

Senti-a penteando meu cabelo e contando até 50.

Ela retirou a venda, levei minha mão ao cabelo e senti a maciez que eu nunca consegui produzir.

Era meu cabelo, mas não era.

Não havia nenhum resquício de poção alguma, ruivo como sempre, mas agora cacheado.

Eu digo cacheado mesmo, e um cacheado lindo.

Alice ajeitou uma presilha amarela na lateral e me desejou Feliz Aniversário, sorridente.

Nem faço ideia de quantas vezes eu a agradeci naquele dia.

Depois de murmúrios de aprovação de todas as garotas, descemos dos dormitórios.

Meu cabelo estava tão hipnotizante, que a Sala Comunal cheia pareceu esquecer de que o combinado era de começar a cantar os Parabéns no momento em que eu descesse as escadas.

Depois das minhas cômicas felicitações atrasadas, fui arrastada até um bolo laranja-avermelhado em cima de uma das mesas.

Disseram que a cor era para combinar com o meu cabelo.

Lene, Sirius e James fingiram ressentimento quando eu cortei os pedaços e ofereci o primeiro para Alice, pelo meu novo cabelo de um dia.

Acabamos com o bolo e descemos para as aulas.

Quisera eu que as comemorações parassem por aí.

Sirius e James me fizeram passar vergonha quando, na aula de Transfiguração, discutiram com McGonagall, gritando que era um absurdo eu receber dever de casa no dia do meu aniversário.

Na hora do almoço, James salpicou minhas roupas, meu cabelo e minha sopa com papelinhos multicoloridos saídos de sua varinha.

James tinha essa louca obsessão por confetes.

Qualquer mera ocasião fora do comum era digna de uma chuva vergonhosamente chamativa.

Meus ovos de Páscoa vinham com esses bônus grudados no chocolate, professores eram bombardeados no Dia do Professor, e armaduras ficavam mais coloridas no aniversário de Hogwarts.

No Dia dos Namorados então.

Antes do jantar, James pediu para falar comigo em particular.

Segui-o em uma caminhada pelos jardins.

Ele me sentou na beira do lago e me entregou uma caixa pequena e quadrada.

- Presente? – perguntei, genuinamente surpresa –

- Achou que eu iria deixar passar?

- Bem, não... Mas você organizou um festa surpresa...

- Uma festa surpresa fracassada – ele acrescentou –

-... E tentou convencer a McGonagall...

- Ah, sim. Qual o melhor presente do que ver Sirius e James levando uma detenção de um professor? – ele deu um sorriso – Abre.

Retirei a tampa e segurei uma pulseira de tecido trançado.

Era simples, e linda.

Ineditamente, o abracei e agradeci.

Ele ficou meio bobão, mas logo voltamos para o castelo.

Bem no final do dia, depois de um banho relaxante e de (infelizmente) lavar a poção do meu cabelo, deitei na minha cama pensando.

Eu definitivamente poderia ter mais aniversários assim.

-/-

Segundo o Potterpédia, querubins são: Pequenos seres alados usados na decoração do dia dos namorados na loja Madame Puddifoot.

Querubins são criaturas geralmente usadas em ocasiões românticas, como o dia dos namorados. São pequenos, dorados e voam com suas pequenas asas.

A Casa de Chá de Madame Puddifoot os usou na decoração do Dia dos Namorados. Eles ficavam pairando sobre as mesas jogando confete nos clientes, dando um clima romântico para os casais.

Então, eu fiz a ligação sem noção do James com os confetes.

Pra quem quiser ter uma ideia de mais ou menos como eu imaginei a pulseira da Lily, é meio que parecida com essa:

h t t p : / / w e h e a r t i t . c o m / e n t r y / 1 4 8 2 6 6 0 1 / v i a / m o o r i s h

É só retirar os espaços.

A pulseira não é minha! Nem a foto!

PERGUNTAS capciosas que andam me fazendo:

1 ) Vai ter algum beijo James/Lily na Fic?

Bastantes beijos, eu espero. Não acredito que contei isso.

2 ) Vai ter algum capítulo de quando eles começam a sair?

Bom, não. Mas vou ter que explicar.

Escrevi essa Fic especialmente para ficar naquela fase da Lily "gosto de você, mas finjo que não". Então, beijos, coisas fofas e cenas engraçadas, tudo menos namoro.

POR ISSO, tem uma nova história que eu já comecei a escrever, meio parecida meio diferente dessa, que tem namoro, casamento e tudo mais.

Então, sei lá. Superem ou esperem pela próxima Fic :/

Capítulo meio pobre, mas espero que vocês tenham gostado.