Capítulo narrado no Sexto Ano.

Capítulo 23 – Narguilés

Camisa meio aberta, gravata ao redor do pescoço, cabelo desalinhado e o corpo apoiado casualmente na parede de pedra.

Pode parecer a imagem do trasgo que atende pelo nome de James Potter, mas o projeto de ser humano encostado na parede do corredor era apenas uma copia.

Tinha os cabelos louros, não usava óculos e a gravata era listrada em azul e bronze, sustentava um sorriso de lado maroto, mas obviamente forçado.

Ridicularmente, a fama dos Marotos chegara a tal ponto que sósias falsificadas do Potter e Black perambulavam pelo castelo.

Justo no dia em que eu havia acordado mais cedo do que o normal para tentar desfrutar de um café-da-manhã calmo, milhares de Potters atravessavam meu caminho.

Potter era a última pessoa em quem eu queria pensar.

É a última pessoa que eu desejo lembrar qualquer dia do ano, mas aquela manhã especialmente.

Aparentemente, testar os limites da minha paciência virou o hobbie preferido do garoto.

Naquela mesma semana, no dia anterior, ele me parou bruscamente no meio de um corredor e cantou uma música horrível que não rimava sobre o quanto meus olhos pareciam duas uvas verdes.

Enquanto eu gritava para ele me deixar em paz e tentava soltar minha mão presa entre as deles, ele simplesmente levou-a até seus lábios e me perguntou se todos os nossos beijos iriam ser roubados.

Nossos beijos!

Ele acredita mesmo que algum dia eu vou beijá-lo?

Só fui dormir naquele dia depois de ter a certeza de que qualquer resquício dos lábios do Maroto tinha saído da minha mão, o que me custou uma camada de pele e muito sabonete.

Eu ainda podia sentir o cheiro enjoativo de "Abóbora refrescante da Tia Katie" vindo das minhas mãos enquanto eu mordia minha torrada com geléia.

Desconfio que Potter só exista para tornar minha vida infeliz.

Me afastei da mesa da Grifinória tentando pensar positivo, e agradecendo por ao menos não ter dado de cara com o verdadeiro Potter.

Como sempre, eu estava errada.

Saindo do Salão Principal, ele vinha seguindo o caminho contrário com um sorriso muito suspeito.

Quando eu vi, já era tarde demais.

Uma maldita plantinha verde pendia na parte de cima do batente das grandes portas de madeira que davam acesso aos corredores.

Perto do Natal todos começavam a andar pelo castelo observando o teto, pois sempre têm alguém que sai pendurando viscos (ou visgos) de Natal em todo lugar.

Nada contra quem gosta de plantas, os viscos são festivos e combinam com a época, mas eu tenho bastante coisa contra quem gosta de pegadinhas de mau-gosto.

As inocentes decorações são enfeitiçadas para que, toda vez que duas pessoas passassem por perto, elas seriam obrigadas a se beijarem.

Então no instante seguinte meus pés pareciam ter criado vida própria e deslizaram até Potter, seu braço se encaixou na minha cintura e nossos lábios se atraíram magneticamente.

E se tocaram.

Eu fiquei estática.

- Acho que me enganei, nem todos foram roubados. – ele disse com o seu sorriso crescente –

Então eu fiz o que estava acostumada, lhe dei um tapa e saí correndo.

Entrei no primeiro banheiro que vi e abri a torneira no máximo.

Parei e me olhei no espelho.

Vi meu reflexo tocar os lábios com as pontas dos dedos.

O que eu estava fazendo?

Coloquei a cabeça de baixo da corrente de água e esfreguei bem a boca com sabão, até engolindo um pouco.

Eu achava que sabonetes não tinham gosto de nada, mas pelo menos os de erva-doce têm gosto de remédio.

É, erva amarga, não erva-doce.

Infelizmente, o destino me fez entrar no banheiro da Murta-que-Geme.

Ela me viu quase comendo sabão e se sentiu apiedada.

- Eles jogaram Bosta de Dragão em você também?

Parei de lavar minha boca e olhei-a com nojo.

- Ighh, não.

- Se você fosse um fantasma que mora no banheiro tenha certeza que iriam te acertar com algumas. – ela me deu as costas dramaticamente ofendida e atravessou a parede para fora do banheiro –

- Ótimo, eu beijo James Potter e a Murta-que-Geme já está sentindo pena de mim.

-/-

"Narguilés são seres que são encontrados principalmente em viscos, segundo comentário de Luna Lovegood no quinto ano do protagonista em Hogwarts, feito a Harry no dia de Natal."

Potterpédia.

Não existe desculpa no mundo que faça vocês me perdoarem por ter atrasado tanto, mas se vocês quiserem esquecer a raiva que vocês sentem por mim... Isso pode ajudar.

Eu lambi sabão pra escrever a parte da Lily lavando a boca.

Não faço a mínima ideia do em barra, mas não experimentem sabão líquido. Principalmente o de erva-doce, e eu também não confio muito naqueles que dizem aromatheraphy e outras budegas, apesar de nunca ter provado.

Então chega de sofrimento né? Já tive punições o suficiente coma história do sabonete.

E eu fiz esse capítulo inteiro em um dia, isso tem que valer alguma coisa. Aliás, obrigada à Maria Clara, porque se não fosse ela eu só teria escrito alguma coisa mês que vem.

E eu não tive tempo de receber nenhuma crítica sobre o capítulo antes de postar e tô muito insegura, então por favor sejam bonzinhos e me digam o que acharam ok? Nem que seja um lixo.

Me disseram que a foto da pulseira da Lily no capítulo passado não abria então próximo capítulo eu tento de novo.

E capítulo que vem também tem respostas as reviews.