Cap 3 - Speechless
Gabe juntou seu material vagarosamente após o término das aulas. Ele ainda teria boa parte de sua tarde ocupada pela detenção idiota.
A sala de detenção ficava no fim do corredor, era a sala mais mal cuidada da escola. Gabe bateu na porta e entrou. Na sala havia apenas um professor que ele nunca tinha visto, um garoto esquisito e mais uma garota que ele não reconhecia, pois ela parecia dormir com a cabeça na carteira.
Gabe assinou um papel para comprovar que ele estava ali naquele inferno e se sentou ao lado da garota. Quando ela notou a presença dele levantou a cabeça.
Isabella sentiu seu corpo para d funcionar ao levantar sua cara amassada de sono e dar de cara com ninguém menos que Gabe! O que ele estava fazendo ali? Alunos como Gabe nunca iam para a detenção. Diferente dela, que já considerava aquela sala suja sua segunda casa. Ele deveria estar fazendo trabalho voluntário ou pagando promessa.
- Oi! – Ele falou simpático.
Isa olhou para trás procurando uma líder de torcida ou uma pessoa no mínimo "cool". Não tinha ninguém, apenas aquele garoto estranho que estava concentrado em arremessar bolinhas de papel no ventilador sem que o professor percebesse.
- Oi! – Ela ouviu sua boca falar. Graças a São Longuinho sua voz não tinha saído falha ou gaga.
- Nunca vi você por aqui, você é nova? – Gabe perguntou, mas Isa não pôde responder.
- Isso aqui é detenção! Vocês não podem conversar! – O professor falou irritado. – Se vocês derem mais um pio, serei obrigado a deixá-los aqui uma hora a mais!
Isa não se aborreceria em ter Gabe ao seu lado por mais uma hora. As suspeitas que ela tivera por todo esse tempo eram reais. Ele não sabia da existência dela. Aquilo a chateava um pouco, e a fazia sentir-se uma inútil, porém Gabriel Brightman sabia de sua existência agora!
Isabella sorriu e se virou para Gabe. Ele estava observando-a e ficou sem graça quando ela o pegou analisando cada parte dela.
Como ele nunca tinha reparado naquela garota? Ela com certeza era nova, ele não deixaria de reparar em uma garota como aquela. Seus cabelos castanhos eram longos e quase batiam em seus quadris. Gabe tinha vontade de tocá-los e sentir seu perfume. Seus olhos verdes eram destacadas pela forte maquiagem preta que ela usava.
Gabe não conseguia tirar seus olhos dela. A garota abaixou-se e pegou sua mochila lotada de bottons, dela tirou um livro que Gabe conhecia muito bem: O Apanhador no Campo de Centeio.
Gabe não entendeu o porque, mas seu coração que já estava meio acelerado se acelerou mais ainda.
Aquela menina era realmente especial.
Isabella tentava se concentrar em sua leitura, mas aquilo era totalmente impossível. A presença de Gabe a inquietava. Ela tinha a sensação de ter os olhos dele sobre ela. Suas pernas tremiam involuntariamente. Ela já tinha lido a mesma frase mais de trinta vezes, com certeza.
Um forte barulho fez Isa esquecer seus pensamentos por alguns segundos. Todos da sala se assustaram. O garoto estranho tinha arremessado uma caneta no ventilador. A caneta saíra voando pela classe em direção a janela, que estava fechada e se quebrou em milhares de caquinhos.
-Sr. Goodwin! – O professor exclamou. – O Senhor ultrapassou todos os limites! – O professor se levantou e caminhou até a mesa do garoto que o olhava como se nada tivesse ocorrido. O professor o pegou pelo braço com força. – Temos que conversar com o diretor Charleston! – Ele já estava do lado de fora da sala quando gritou para os outros dois alunos. – Se vocês se mexerem, cuidarei pessoalmente de suas transferências para escolas militares!
-Esse cara é estranho! – Gabe tentou puxar papo.
-Os dois. – Ela falou baixo. Gabe riu.
-Então, qual o seu nome?
-Isabella Hewitt .
-Eu sou Gabriel Brightman, prazer em te conhecer, Isabella Hewitt!
-O prazer é meu. – Por incrível que pareça, Isa já conseguia formular frases na frente de Gabe.
-É meu favorito! – Gabe apontou para o livro em cima da mesa dela.
-O meu também! – Ela respondeu sorrindo. – Estou sempre lendo ele! Não consigo ficar muito tempo sem, sabe?
-Eu também! Igualzinho! Você já descobriu para onde os patos do Central Park vão no inverno?
-Não! – Ela respondeu animada por ter alguém, mais precisamente sua alma gêmea, com quem discutir sobre o livro. – Você sabe?
Ela e Gabe gostavam do mesmo livro. Só poderia ser obra do destino.
-Eu tenho algumas teorias... – Gabe contava suas teorias para Isabella. Cada segundo que passava ele se sentia mais encantado por ela.
-Sr. Brightman, Srta. Hewitt! – O diretor Charleston entrou na sala calando os dois alunos que conversavam animadamente. – Suas detenções foram suspensas. Nós teremos que trocar o vidro dessa janela. Vocês estão liberados.
Isa e Gabe sorriram e se olharam, mal acreditando em suas sortes.
...continua...
