Cap 5 – Don't Stop me Now
Isabella acompanhou o carro de Gabe com os olhos até que ele virasse a esquina. Seu coração estava fora de controle. Parte devido a mais recente humilhação pública que tinha sido aquele tropeção, e a outra parte (a maior delas) porque Gabe Brightman era o ser mais perfeito que ela conhecia, e agora ele sabia quem ela era.
Isa se viu sozinha em frente ao colégio deserto, numa rua deserta.
-Yes! Yes! – Ela gritava dando soquinhos no ar! Ela estava tão feliz que não se conteve. Deu tantos pulinhos que seu pé até ficou dolorido. – Obrigada São Longuinho!!!
Ela sabia que seu padroeiro uma dia se lembraria dela. Ela até fez uma nota mental, que é claro, ela não cumpriu: "150 pulinhos para São Longuinho".
Foi quando ela deu um passo para trás, ainda pulando e gritando e atingiu uma senhora que passava pela calçada atrás dela. A senhora a olhou assustada e acelerou o passo se afastando rapidamente.
De onde ela tinha surgido? A rua estava deserta! Isabella ficou envergonhada por alguns instantes, mas logo se esqueceu daquilo, quando as palavras de Gabe voltaram a sua memória.
"Até amanha Isabella Hewitt!"
Isa viu o carro de seu pai estacionar no meio fio bem a sua frente. Ela odiava aquele carro. Tudo bem que seu pai queria passar por uma crise dos quarenta, mas precisava comprar um carro que alimentaria um país de terceiro mundo por um mês e ainda por cima era minúsculo?
Enfim, ela não pensou muito no seu ódio pelo "carrinho" esporte vermelho quando entrou nele.
"Até amanha Isabella Hewitt!"
Ela relembrava as últimas horas, mas sempre acabava com o sorriso mais babaca quando se lembrava daquela parte.
-Não vai falar com o seu pai, querida? – Thomas Hewitt, seu pai, perguntou. A essa altura ele já estava acostumado a ser ignorado pela filha, mas ainda assim, não desistia dela.
-Quê? – Isa perguntou, pois na hora q seu pai abriu a boca ela se lembrou do jeito que Gabe a olhou antes de entrar no carro.
-Eu sei que eu sou um velho careta e tudo mais, mas nós podemos trocar algumas palavras de vez em quando. – Ele falou bem humorado como sempre.
Ele não era um cara tão ruim assim. Podia até ser engraçado quando queria, porém há muito tempo a conversa deles se baseava em respostas monossilábicas da parte de Isa.
-Claro, pai! – Ela respondeu sorrindo como nunca, óbvio que esse sorriso todo era apenas por causa de Gabe. Mas seu pai nunca saberia desse detalhe.
-Como foi seu dia?
" Ótimo! Dormi e escutei música na aula, fui para detenção, conversei com seu futuro genro pela primeira vez e depois cai de boca na frente dele!"
Isabella pensou em responder, mas ao invém disso, disse apenas:
-Foi ótimo, produtivo, na minha opinião. – Ela não estava mentindo, okay? Era tudo verdade. Seu pai se deu por satisfeito balançando a cabeça. – E o seu?
-Ah! Também foi muito bom! Lembra aquele caso que eu comentei no jantar semana passada? Aquela empresa de laticínios que estava sendo processada por um cliente que alegava ter achado uma camisinha no meio do queijo branco? – Isa fez que sim com a cabeça sem ter ouvido uma palavra do que o pai falou. – Então...
A garota ouvia a voz de seu pai ao fundo e concordava com a cabeça periodicamente.
Gabriel Brightman não tinha apenas falado com ela, ele pareceu até interessado! Ela devia estar ficando louca. Aquela "borrachada" que levara na cabeça devia ter afetado seus neurônios. Mas ela tinha certeza que Gabe a tinha olhado de uma maneira diferente, não simplesmente olhado.
Ela reparou um brilho diferente nos olhos dele. Nunca tinha visto aquele brilho antes, e ela costumava passar a maior parte de seu tempo na escola estudando cada movimento de Gabe.
Isabella sentia que tinha sido transportada para uma outra dimensão. Uma dimensão onde o que ela queria acontecia. Ela sentia que tinha entrado em seus sonhos.
Um arrepio passou por seu corpo fazendo-a reparar que estava entrando em sua garagem. O tempo voa quando se está feliz.
-Você é uma ótima ouvinte. Sabia, filha? – Seu pai comentou carinhosamente pondo uma mão em seu ombro e abrindo a porta de entrada.
-Obrigada papai. – Isa respondeu sorrindo e quase se sentindo culpada por não fazer nem idéia do porque era uma boa ouvinte.
Porém, esse não era o momento se sentir culpada. Aquele era um dia feliz! Isa subiu as escadas correndo ignorando sua mãe que gritava algo como: "Vem dar um beijo na mamãe, bolinha!"
Isa entrou em seu quarto fechando a porta atrás de si. Após uma nova sessão de "dançinhas", "gritinhos" e "pulinhos" ela pegou seu telefone no criado mudo e discou o número de Lizzie, que já sabia de cor.
-Lizzie!!!!!
-Oi, Isa! Viu passarinho verde, é?
-Melhor! Vi Gabriel Brightman!
-Grande coisa, você olha e baba nele diariamente há anos. – Às vezes Isa se perguntava do porque ainda era amiga de Lizzie.
-Não, Lizzie, sua anta! Você não está entendendo!
-Eu falei com ele! Nós conversamos! Ele olhou para mim!
-Okay, Isa. Você está soando como uma groupie que acabou de conhecer o ídolo. – Lizzie falou séria. – Mas isso é demais, cara!!! – Ela falou num tom mais alto e animado. – Conta o que aconteceu!
Isa contou os últimos acontecimentos com todos os detalhes para Lizzie que dava pequenos gritinhos após cada frase da amiga. Era por isso que ela era amiga de Lizzie. Ela a apoiava em tudo e era a pessoa que Isa mais confiava no mundo.
-Hum...Isa? – Lizzie chamou por Isa que após o final da história tinha ficado muda no telefone esquecendo da amiga do outro lado da linha. Sua cabeça estava cheia.
-Sim?
-Assim... – Lizzie falava sem jeito. – Sei que você está super feliz e tudo, eu também estou super feliz por você, mas acho que talvez você tenha esquecido de um pequeno detalhe.
-Que detalhe? – Isa perguntou sentindo uma pulga trás da orelha.
-Cammie Adams.
...continua...
