N/T: Todos os personagens pertencem à JK Rowling. Essa fanfiction não tem nenhum fim, vou tentar postar um capítulo toda semana, tudo vai depender de quantas horas extras eu vou ter que fazer no serviço.

N/A: Renúncias de costume. Boa leitura.

"Bom, vou começar." Dumbledore abriu o livro no primeiro capítulo.

O menino que sobreviveu

"Esse é você Harry!" os gêmeos falaram em um coro entusiasmado, felizes que eles poderiam falar finalmente. Eles dirigiram um sorriso largo para seu amigo.

"Realmente eu nunca teria imaginado." Ele rosnou de volta fazendo com que seu padrinho estreitasse os olhos.

"Harry". Hermione murmurou baixinho para que apenas ele pudesse ouvir. "Por favor, tente se acalmar." Ele ficou surpreso ao ver que sua amiga parecia genuinamente preocupada.

"Sim, Companheiro, não será tão ruim. Então no livro teoricamente tem o troll, o dragão, a coisa depois do alçapão..." A voz de Rony sumiu. "Oh! Merlin estamos mortos. Minha mãe vai oficialmente nos matar."

"Sim, bem, pelo menos, ela sabe um pouco. Isto tudo será novo para Sirius e Remus." Harry suspirou pesadamente enquanto ele olhou ao redor do quarto. Ron e Hermione trocaram olhares preocupados.

O Sr. e a Sra. Dursley, da rua dos Alfeneiros, nº4 se orgulhavam de dizer que eram perfeitamente normais, muito bem, obrigado.

"Perfeitamente chatos, se você me perguntar." Bill murmurou baixinho para seu irmão. A atmosfera na sala era tensa e ele não tinha vontade de adicionar mais tensão.

Eram as últimas pessoas no mundo que se esperaria que se metesse em alguma coisa estranha ou misteriosa, porque simplesmente não compactuavam com esse tipo de bobagem.

O Sr. Dursley era diretor de uma firma chamada Grunnings, que fazia brocas.

"Será que eles realmente fazem?" Arthur Weasley perguntou ansiosamente. "O que são brocas?"

"Agora não querido." Sua esposa reclamou incapaz de esconder completamente um sorriso, assim como seus filhos sorriram. O resto da sala riu bem ciente do carinho evidente do homem para todas as coisas trouxas.

O Sr. Dursley era um homem alto e corpulento, quase sem pescoço, embora tivesse enormes bigodes. A Sra. Dursley era magra e loura e tinha um pescoço quase duas vezes mais comprido que o normal, o que era muito útil porque ela passava grande parte do tempo espichando-o por cima da cerca do jardim para espiar os vizinhos. Os Dursley tinham um filhinho chamado Dudley, o Duda, e em sua opinião não havia garoto melhor em nenhum lugar do mundo.

Harry bufou divertido tentando imaginar o seu primo tão pequeno, mas não pode deixar de rir quando notou que os gêmeos estavam tendo uma discussão entusiasmada sobre quais tipos de animais os parentes de Harry se pareciam. "Uma morsa e uma girafa." Harry forneceu. "Mas acho que ela se parece um pouco com um cavalo também."

Sirius compartilhou um sorriso aliviado com seu melhor amigo, enquanto o resto da sala irrompeu em gargalhadas. Um Harry mal-humorado era novo para ele e ele não sabia muito bem como lidar.

Os Dursley tinham tudo que queriam, mas tinham também um segredo, e seu maior receio era que alguém o descobrisse. Achavam que não iriam agüentar se alguém descobrisse a existência dos Potter.

"O que há de errado com os Potter?" Emmeline perguntou indignada.

"Quem iria querer manter sua família em segredo?" Tonks acrescentou furiosa, o seu cabelo virando um vermelho ardente.

"Acho isso perfeitamente certo." Sirius falou brincando. "Eu tentei manter a minha em segredo por um longo tempo."

Tonks estreitou os olhos. "Agora eu sei por que não estamos autorizados a fazer magia. Você meu querido primo seria completamente enfeitiçado por um bom tempo." Ela alertou tentando lhe dar um tapa, que ele se esquivou com facilidade.

Remus riu e bateu nas costas de seu amigo. "Isso é verdade."

Sra. Potter era irmã da Sra. Dursley, mas eles não se viam há muitos anos; na realidade, a Sra. Dursley fingia que não tinha uma irmã, porque sua irmã e seu marido imprestável eram tão unDursleyish como foi possível ser.

"UnDursleyish não é existe." Hermione pronunciou com firmeza. "Eles são apenas idiotas."

Snape estava franzindo a testa enquanto isso. Ele sabia que Potter tem sido criado por parentes, mas ele nunca tinha pensado que seriam esses parentes em particular. Ele olhou para o adolescente mal-humorado e teve uma sensação de pavor se enrolando em seu estômago. Mas, certamente, Potter estava apenas sendo dramática, querendo atenção.

Os Dursleys estremeciam ao pensar no que os vizinhos iriam dizer se os Potter aparecessem na rua. Os Dursleys sabiam que os Potter tinham um filhinho, também, mas nunca o tinham visto. O garoto era mais uma razão para manter os Potter à distância; eles não queriam que Duda se misturasse com uma criança daquelas.

"Veja mamãe, você nos corrompeu." Fred anunciou.

"Deixando-nos se misturar com um garoto como esse." George acrescentou, sorrindo amplamente.

"Então, realmente mãe, todos os problemas em que eu participei, é culpa sua." Ron falou sem pensar. Seus olhos se arregalaram quando percebeu o que ele disse, e até Harry não pôde deixar de rir de seu olhar aflito.

Quando o Sr. e a Sra. Dursley acordaram na terça-feira monótona e cinzenta em que a nossa história começa, não havia nada no céu nublado lá fora sugerindo as coisas estranhas e misteriosas que não tardariam a acontecer por todo o país.

"Que coisas?" Neville perguntou falando pela primeira vez. Ele parecia muito intimidado com tantas pessoas ao seu redor e não pode deixar de olhar freqüentemente para o cão animago.

O Sr. Dursley cantarolava enquanto ele escolheu a gravata mais sem graça do mundo para ir trabalhar, e a Sra. Dursley fofoca alegremente enquanto lutava com um Duda aos berros na cadeirinha alta.

"Duda é alguns meses mais velho que eu, então isso deve ser em torno do tempo que meus pais morreram." Harry respondeu suavemente. Sirius estendeu a mão e apertou-lhe o joelho em solidariedade.

Nenhum deles reparou em uma grande coruja parda que passou, batendo as assas pela janela. Às oito e meia, o Sr. Dursley apanhou a pasta, deu um beijinho no rosto da Sra. Dursley, e tentou dar um beijo de despedida em Duda mas não conseguiu, por que na hora Duda estava tendo um acesso de raiva e atirava o cereal nas paredes.

"Que criança tão malcriada." Emmeline e Hermione gritaram incrédulas.

Molly concordou com firmeza. "Se qualquer criança minha se comportasse assim, levaria umas palmadas." De uma só vez, os seis Weasley, Remus e Sirius se contorciam em seus assentos. McGonagall sorriu para o desconforto óbvio que dos encrenqueiros.

"Pestinha." gargalhou o Sr. Dursley ao sair de casa. Entrou no carro e deu marcha ré para sai do estacionamento do número quatro. Foi na esquina da rua que ele notou o primeiro sinal de que algo ocorria – um gato lia um mapa.

Sirius abriu a boca para fazer um comentário escandaloso a respeito de seu animago favorito, mas resolveu repensar, quando, ele se lembrou da discussão anterior. Remus sorriu, sabendo muito bem como sua mente trabalhava.

Por um instante o Sr. Dursley não percebeu o que tinha visto, então, ele sacudiu a cabeça para olhar de novo. Havia um gato de pé na esquina da Rua dos Alfeneiros, mas não havia nenhum mapa à vista. Em que ele estava pensando naquela hora? Deve ter sido um truque de luz. O Sr. Dursley piscou e olhou para o gato. O gato o encarou. Enquanto virava a esquina e subia a rua, espiou o gato pelo espelho retrovisor. Ele estava lendo agora a placa que dizia Rua dos Alfeneiros – não, estava olhando a placa: gatos não podiam ler mapas nem placas. O Sr. Dursley sacudiu a cabeça e tirou o gato do pensamento.

"Eu não sabia que você tinha estado lá Professora". Harry falou surpreso.

"Como você sabe que é ela?" Ron perguntou sem entender. "Poderia ser qualquer gato."

"Realmente Ronald." Hermione revirou os olhos. "Mesmo no mundo dos trouxas, gatos não olham para as placas. Honestamente."

"Bom, o gato poderia estar vendo coisas que nós não poderíamos." Ele atirou de volta envergonhado.

"Mesmo você Sr. Weasley, tem mais sentido do que isso." Snape zombou da estupidez do menino.

Durante o caminho para a cidade ele não pensou em mais nada exceto no grande pedido de brocas que tinha esperanças de receber naquele dia. Mas ao chegar à periferia da cidade, as brocas foram varridas de sua cabeça por outra coisa. Ao parar no costumeiro engarrafamento matinal, não pode deixar de notar que havia uma quantidade de gente estranhamente vestida andando pela rua. Gente com capas largas.

"Os trouxas não usam capas?" Emmeline perguntou confusa, voltando-se para seu parceiro, que conhecia mais sobre o mundo dos trouxas.

"Os trouxas não costumam usar este traje normalmente". Kingsley respondeu.

"Nós estávamos descuidados". Moody grunhiu.

O Sr. Dursley não tolerava gente que andava com roupas ridículas – os trapos que se viam nos jovens! Imaginou que aquilo fosse uma nova moda idiota. Tamborilou os dedos no volante e seu olhar recaiu em um grupinho de excêntricos parados bem perto dele. Cochichavam excitados. O Sr. Dursley se irritou ao ver que alguns deles nem eram jovens; ora, aquele homem devia ser mais velho do que ele, e usava uma capa verde-esmeralda! Que petulância! Mas então ocorreu ao Sr. Dursley que se tratava provavelmente de alguma promoção boba – essas pessoas estavam obviamente arrecadando alguma coisa... é, devia ser isto! O tráfego avançou e alguns minutos depois o Sr. Dursley chegou ao estacionamento da Grunnings, o pensamento de volta às brocas.

"Nossa Harry, a forma como ele racionaliza cada coisa deve ter te livrado de vários castigos". Neville disse abismado. Um homem na sala percebeu a breve expressão de dor no rosto carrancudo de Harry. Ele franziu a testa para as emoções claramente conflitantes que estavam transparecendo em seu rosto.

Fred sorriu. "Sim mãe, eu realmente acho que você precisa para ter aulas com ele."

"Tornar-se mais Dursleyish". George acrescentou.

"Porque nós nunca conseguimos escapar de nada." Eles terminaram juntos.

O Sr. Dursley sempre se sentava de costas para a janela em seu escritório no nono andar. Se ele não o fizesse, talvez tivesse achado mais difícil se concentrar em brocas aquela manhã. Ele não viu as corujas que voavam velozes em plena luz do dia, embora as pessoas na rua as vissem; elas apontavam e se espantavam enquanto coruja atrás de coruja passava no alto. A maioria jamais vira uma coruja mesmo à noite. O Sr. Dursley, porém, teve uma manhã perfeitamente normal, sem corujas. Gritou com cinco pessoas diferentes. Deu vários telefonemas importantes e gritou mais um pouco.

"Nossa, Moody, acho que ele gosta de gritar mais do que você." Tonks falou para o seu mentor, sorrindo descaradamente.

"Eu não teria que gritar se alguém tivesse um pouco mais de respeito pelas autoridades." Ele rosnou fixando-a com os dois olhos.

Estava de excelente humor até a hora do almoço, quando ele pensou em esticar as pernas e atravessar a rua para comprar um pãozinho doce na padaria defronte. Ele tinha esquecido completamente as pessoas de capas até passar um grupo delas próximo à padaria. Olhou-as com raiva ao passar. Não sabia o porquê, mas elas o deixavam nervoso. Essas cochichavam agitadas, também, mas ele não viu nenhuma latinha de coleta. Foi ao passar por elas, na volta, levando uma grande rosca açucarada em um saco, que entreouviu algumas palavras do que diziam.

"...Os Potter, é verdade, foi o que ouvi..."

"...é, o filho deles, Harry..."

O Sr. Dursley parou de repente. O medo invadiu-o. Virou a cabeça para olhar as pessoas que cochichavam como se quisesse dizer alguma coisa, mas pensou melhor.

Atravessou a rua depressa, correu para o escritório, disse rispidamente à secretaria que não o incomodasse, agarrou o telefone e quase terminara de discar o número de casa quando mudou de idéia. Pôs o fone no gancho e alisou os bigodes, pensando... não estava agindo como um idiota. Potter não era um nome tão incomum. Tinha certeza de que havia muita gente chamada Potter com um filho chamado Harry. Pensando bem, nem sequer tinha certeza de que o sobrinho tivesse o nome de Harry. Jamais vira o menino. Poderia ter sido Harvey. Ou Harold.

"Ele nem sabia o seu nome?" Molly gritou. "Ele sabe agora?" Perguntou, voltando-se para o melhor amigo de seu filho. Uma parte dos jovens que estavam na sala riu, ao pensar que ele não saberia o nome do sobrinho depois de viver com ele durante 14 anos.

Harry tomou cuidado para não deixar que nada transparecesse novamente em seu rosto. "Acho que sim." Ele respondeu encolhendo os ombros. Ele honestamente não conseguia se lembrar de seu tio nunca o chamando pelo nome antes.

Vários olhos se estreitaram com a sua resposta, mas ficaram em silêncio por enquanto.

Não tinha sentido preocupar a Sra. Dursley, ela sempre ficava tão perturbada à simples menção da irmã. Não a culpava - se ele tivesse uma irmã como aquela... Mas mesmo assim, aquelas pessoas de capas...

Achou muito mais difícil se concentrar em brocas aquela tarde e quando deixou o prédio às cinco horas, continuava tão preocupado que deu um encontrão em alguém parado do lado de fora da porta.

"Desculpe"- ele murmurou, quando o velhinho cambaleou e quase caiu.

"Ai". Os gêmeos disseram em coro, se lembrando do tamanho do tio de Harry.

Levou alguns segundos até o Sr. Dursley perceber que o homem estava usando uma capa roxa. Ele não parecia aborrecido por quase ter sido jogado ao chão. Ao contrário, seu rosto se abriu em um largo sorriso e disse com uma voz esganiçada que fez os passantes olharem: "Não se precisa pedir desculpas, caro senhor, porque nada poderia me aborrecer hoje! Alegre-se, porque Você-Sabe-Quem finalmente foi-se embora! Até trouxas como o senhor devia estar comemorando um dia tão feliz!"

E o velho abraçou o Sr. Dursley pela cintura e saiu andando.

"Nossa! Como ele conseguiu seus braços em volta dele?" Bill perguntou divertido, tentando imaginar a cena.

"Feitiço de alongamento". Ginny respondeu imediatamente com voz séria, causando com que os dois saqueadores a olhassem em consideração.

O Sr. Dursley ficou pregado ao chão. Fora abraçado por um completo estranho. E também achava que fora chamado de trouxa, o que quer que isso quisesse dizer. Estava abalado. Correu para o carro e partiu para casa, esperando que estivesse imaginando coisas, o que nunca esperara que fizesse, porque não aprovava a imaginação.

"Claro que não." Luna falou com a voz sonhadora. "Ele provavelmente tinha uma escova que tinha um wrakspurt em algum momento de sua vida."

Houve um momento de silêncio enquanto todos processavam isso. Sirius se virou para questionar seu afilhado, que apenas deu de ombros com um sorriso.

"Na verdade Luna, isso possivelmente aconteceu." Remus sorriu para um de seus ex-alunos favoritos. Ele estava bem consciente de que muitas vezes ela via o mundo em uma luz diferente.

Quando ele entrou no estacionamento do número quatro, a primeira coisa que viu - e isso não melhorou o seu estado de espírito – foi o gato listrado que tinha visto naquela manhã. Agora ele estava sentado no muro parede de seu jardim. Tinha certeza que era o mesmo; as marcas em volta dos olhos eram as mesmas.

"Chispa!"- disse o Sr. Dursley em voz alta.

O gato não se mexeu. Ele apenas deu-lhe um olhar severo.

"Minnie". Sirius cantarolou e recebeu o mesmo olhar severo em resposta.

Tonks não foi completamente capaz de esconder o riso ao escutar o nome.

Remus balançou a cabeça para ela. "Não o encoraje." Ele advertiu, ainda que na verdade ele estava feliz ao ver seu amigo mais alegre. Os meses confinados na casa tinham sido duros com ele, de certa forma mais foi mais difícil do que anos em Azkaban.

Será que isso era um comportamento normal para um gato, pensou o Sr. Dursley. Continuava decidido a não comentar nada com a esposa.

A Sra. Dursley tivera um dia normal e agradável. Contou-lhe durante o jantar os problemas da senhora do lado com a filha e ainda que Duda tinha aprendido uma palavra nova ("Nunca!").

"O objetivo de cada mãe." Molly resmungou. Arthur sorriu dando um tapinha em seu braço.

O Sr. Dursley tentou agir normalmente. Depois que Duda tinha sido colocado na cama, ele chegou à sala em tempo de ouvir o último noticiário noturno:

"E, por ultimo, observadores de pássaros em todos os lugares têm relatado que as corujas do país se comportaram de forma muito estranha hoje. Embora elas normalmente cacem à noite e raramente apareçam à luz do dia, centenas desses pássaros foram vistos hoje em todas as direções desde o alvorecer. Os especialistas não sabem explicar por que as corujas de repente mudaram o seu padrão de sono." O locutor se permitiu um sorriso. "Muito misterioso. E agora, com Jorge Mendes, o nosso boletim meteorológico. Vai haver mais tempestades de corujas hoje à noite, Jorge?"

"Bom, Eduardo", disse o meteorologista, "não sei lhe dizer, mas não foram só as corujas que têm agido estranhamente hoje. Ouvintes de todo o país têm telefonado para reclamar que em vez do aguaceiro que prometi para ontem, eles tiveram uma chuva de estrelas cadentes! Talvez alguém ande festejando a noite das fogueiras uma semana mais cedo este ano! Mas posso prometer para hoje uma noite muito chuvosa ".

"As pessoas eram realmente tão obviais?" Charlie perguntou surpreso.

"Você tem que considerar como era naquela época. Depois de anos e anos de vida com medo, a causa finalmente foi embora. Foi um alívio, como um enorme peso tivesse sido removido." Kingsley respondida. "Eles não podem ser responsabilizados por expressar a sua alegria."

"Você chama isso de expressar sua alegria? Nosso mundo quase foi exposto com as suas celebrações." Moody rosnou.

O Sr. Dursley ficou paralisado na poltrona. Estrelas cadentes em todo o país? Corujas voando durante o dia? Gente misteriosa usando capas por todo o lado? E um cochicho, um cochicho a respeito dos Potter... A Sra. Dursley entrou na sala trazendo duas xícaras de chá. Não adiantava. Teria que lhe dizer alguma coisa. Pigarreou nervoso. "- Hum, hum, Petúnia, querida, você não tem tido notícias de sua irmã, ultimamente?"

Conforme esperava, a Sra. Dursley pareceu chocada e aborrecida. Afinal, normalmente fingiam que ela não tinha uma irmã.

"Não", disse ela, seca. "Por quê?"

"Uma notícia engraçada"- murmurou o Sr. Dursley - "Corujas ... estrelas cadentes ... e vi uma porção de gente de aparência estranha na cidade hoje..."

"E daí?" cortou a Sra. Dursley.

"Bem, pensei... talvez ... tivesse alguma ligação com... sabe ... o pessoal dela."

"Eu faço parte do pessoal dela e tenho orgulho disso." Hermione declarou, surpreendendo os adultos.

"Eu também, eu também." Todos falaram juntos.

A Sra. Dursley bebericou o chá com lábios contraídos. O Sr. Dursley ficou em dúvida se teria coragem de lhe contar que ouvira o nome "Potter". Decidiu que não. Em vez disso, falou com a voz mais displicente que pôde: - "O filho deles... teria mais ou menos a idade do Duda agora, não é?"

"Suponho que sim", disse a Sra. Dursley ainda seca.

"Qual é mesmo o nome dele? Howard, não é?"

"Harry. Um nome feio e vulgar se quer saber a minha opinião."

"Olha, eu tentei dizer a James isso quando você nasceu, mas ele não quis mudar o seu nome." Sirius disse balançando tristemente a cabeça.

Harry virou rápido para seu padrinho. "Você não gosta do meu nome?" perguntou indignado.

O homem mais velho deu de ombros despreocupadamente. "Não é ruim, mas não foi a minha primeira escolha".

"Acredito que ele queria Sirius Jr, mas Lily já falou não, antes mesmo que nome estava fora de sua boca." Remus complementou sorrindo, assim como a sala toda se encheu de risos.

"Esse seria um nome muito melhor." Sirius respondeu de volta.

"Ah, é - disse o Sr. Dursley, sentindo um aperto horrível no coração. É, concordo com você." Não disse mais nenhuma palavra sobre o assunto a caminho do quarto onde foram se deitar. Enquanto a Sra. Dursley estava no banheiro, o Sr. Dursley foi devagarzinho até a janela e espiou o jardim da casa. O gato continuava lá. Observava o começo da Rua dos Alfeneiros como se esperasse alguma coisa.

Estaria imaginando coisas? Será que tudo isso teria ligação os Potter? Se tinha... se transpirasse que eram aparentados com um casal de... bem ele achava que não agüentaria.

Os Dursley se deitaram. A Sra. Dursley adormeceu rapidamente, mas o Sr. Dursley ficou acordado, penando no que acontecera. Seu último consolo antes de adormecer foi pensar que mesmo se os Potter estivessem envolvidos, não havia nenhuma razão para que eles se aproximarem dele e Sra. Dursley. Os Potter sabiam muito bem o que ele e Petúnia pensavam sobre gente de sua espécie... Não via como ele e Petúnia poderiam se envolver com nada que estivesse acontecendo. O Sr. Dursley bocejou e se virou. Isso não poderia afetá-los...

Como estava enganado.

"Como eu gostaria que ele não estivesse." Harry murmurou fazendo com que seus amigos olhassem para ele preocupados.

O Sr. Dursley talvez estivesse mergulhando em um sono inquieto, mas o gato no muro lá fora não mostrava sinais de sono.

Continuava sentado imóvel como uma estátua, os olhos fixos na esquina mais distante da Rua dos Alfeneiros. E nem sequer estremeceu quando uma porta de carro bateu na rua seguinte, nem mesmo quando duas corujas mergulharam do alto. Na verdade, era quase meia-noite quando o gato se mexeu.

Um homem apareceu na esquina que o gato estivera vigiando. Apareceu tão súbita e silenciosamente que se poderia pensar que tivesse saído do chão. O rabo do gato mexeu ligeiramente e seus olhos se estreitaram.

"Minnie". Remus cantarolou desta vez, fazendo com que McGonagall olhasse para Sirius. Os gêmeos sorriram com prazer no ato, mas tiveram o cuidado de evitar que a sua chefe de casa não percebesse

Ninguém jamais vislumbrara nada parecido com este homem na Rua dos Alfeneiros. Era alto, magro e muito velho, a julgar pelo prateado dos seus cabelos e de sua barba, suficientemente longos para prender em seu cinto. Usava vestes longas, uma capa púrpura que arrastava pelo chão e botas com saltos altos e fivelas. Seus olhos azuis eram claros, luminosos e cintilantes por trás dos óculos de meia-lua e seu nariz era muito comprido e torto, como se tivesse sido quebrado pelo menos duas vezes.

O nome dele era Albus Dumbledore

"Sim". A sala aplaudiu. Mesmo os lábios de Snape se contorceram com a descrição de seu mentor.

Harry olhou para baixo para esconder a carranca. Mesmo que ele não estava mais bravo com o velho por evitá-lo durante os últimos seis meses, ele sabia, por que Dumbledore estava naquela rua e não era nada de bom.

Albus Dumbledore não parecia ter consciência de que acabara de pisar em uma rua onde tudo, desde o seu nome para as suas botas era malvisto.

Estava ocupado apalpando a capa, procurando alguma coisa. Mas parecia ter consciência que ele estava sendo vigiado, porque ergueu a cabeça de repente para o gato, que continuava a fixá-lo da outra ponta da rua. Por algum motivo, a visão do gato pareceu diverti-lo. Deu uma risadinha e murmurou - "Eu deveria ter imaginado."

"Realmente Albus? Você encontra divertido o fato de que eu fiquei sentada lá o dia inteiro, esperando você chegar?" A voz McGonagall tinha caído a níveis perigosos, fazendo com que os saqueadores, os gêmeos, e o trio recuarem em suas cadeiras.

Dumbledore olhou por cima dos seus óculos e sorriu para ela. "Tenha certeza de que estava feliz em te ver lá." Ele respondeu serenamente. Ao lado dele os lábios de Snape estremeceram novamente.

Encontrou o que procurava no bolso interior da capa. Parecia um isqueiro de prata. Abriu-o, ergueu-o no ar e o acendeu. O lampião de rua mais próximo apagou-se com um estalido seco.

"Eu quero um." Todos os homens na sala falaram em coro, com inveja.

"Essa é uma coisa muito útil." Moody acrescentou.

Ele o acendeu de novo – o lampião seguinte piscou e apagou doze vezes ele acionou o "apagueiro", até que as únicas luzes acesas na rua toda eram dois pontinhos minúsculos ao longe - os olhos do gato que o vigiava. Se alguém espiasse pela janela agora, até a Sra. Dursley, de olhos de conta, não conseguiriam ver nada que estava acontecendo na calçada. Dumbledore tornou a guardar o "apagueiro" na capa e saiu caminhando em direção a número quatro, onde se sentou no muro ao lado do gato. Não olhou para o bicho, mas, passado algum tempo, dirigiu-se a ele.

- Imagine encontrar a senhora aqui, Professora McGonagall. E virou-se para sorrir para o gato malhado, mas este desaparecera. Ao invés dele, viu-se sorrindo para uma mulher de aspecto severo que usava óculos de lentes quadradas exatamente do formato das marcas que o gato tinha em volta dos olhos. Ela, também, usava uma capa esmeralda. Trazia os cabelos pretos presos em um coque apertado. E parecia decididamente irritada.

"Como você soube que era eu?"- perguntou.

Os alunos atuais olharam para ela, incrédulos, enquanto os anteriores começaram a rir. "Realmente Minerva quem mais eu poderia esperar que fosse?" Dumbledore perguntou gentilmente.

"Minha cara professora, nunca vi um gato se sentar tão duro."

"O senhor estaria duro se tivesse passado o dia todo sentado em um muro de pedra" - disse a professora McGonagall.

"O dia todo? Quando podia estar comemorando? Devo ter passado por mais de dez festas e banquetes a caminho daqui."

A professora fungou aborrecida. "- Ah, sim, vi que todos estão comemorando – disse impaciente. – Era de esperar que fossem um pouco mais cautelosos, mas não, até os trouxas notaram que alguma coisa estava acontecendo Deu no telejornal - Ela indicou com a cabeça a sala as escuras dos Dursley. – Eu ouvi... bandos de corujas... estrelas cadentes... Ora, eles não são completamente idiotas. Não podiam deixar de notar alguma coisa. Estrelas cadentes em Kent, aposto que foi Dédalo Diggle. Ele nunca teve muito juízo."

"Ainda não tem". Moody resmungou, mas ninguém prestou atenção. Todos perceberam o que estava para acontecer e o quarto se tornou novamente bastante tenso.

- Você não pode culpá-los - ponderou Dumbledore educadamente. - Tivemos muito pouco o que comemorar nos últimos 11 anos.

"Sei disso"- retrucou a professora mal-humorada. - Mas isso não é motivo para perdermos a cabeças As pessoas estão sendo totalmente descuidadas, saem às ruas em plena luz do dia, sem nem mesmo vestir roupa de trouxas, e espalham boatos. De esguelha, lançou um olhar atento a Dumbledore, como se esperasse que ele dissesse alguma coisa, mas ele continuou calado, por isso ela recomeçou: - Ia ser uma graça se, no próprio dia em Você-Sabe-Quem parece ter finalmente ido embora, os trouxas descobrissem a nossa existência. Suponho que ele realmente tenha ido embora, não é, Dumbledore?"

"Parece que não há duvida", disse Dumbledore.

"Será que você já suspeitava que ele não tivesse ido embora?" Bill perguntou inclinado para frente. "Você sabia que ele iria voltar?"

Dumbledore parecia pensativo enquanto ele pensava na pergunta. "Nesse preciso momento? Eu estava indeciso. Eu não tinha tido tempo ainda para pensar sobre isso ou para investigar o local."

Temos muito que agradecer. Gostaria de uma gota de limão?"

Um o quê?"

"Uma gota de limão. Eles são uma espécie de doce dos trouxas de que sempre gostei muito."

"Albus". McGonagall balançou a cabeça como a sala riu. "Não pense que eu não sei o que você estava tentando fazer ou o que você tem naqueles seus doces."

"Eu não tenho idéia o que você está falando." ele respondeu com os olhos brilhando loucamente. "Eu simplesmente acho que eles têm um efeito calmante."

"Precisamente". Ela respondeu.

"Não, obrigado", disse a professora McGonagall com frieza, como se ela não achasse que o momento pedia gotas de limão." Como eu disse, mesmo se Você-Sabe-Quem foi embora - "

Minha cara Professora, com certeza uma pessoa sensata como você pode chamá-lo pelo seu nome? Toda essa bobagem de Você-Sabe-Quem, há onze anos venho tentando convencer as pessoas a chamá-lo pelo nome que recebeu: Voldemort "

Ao redor da sala os mais jovens Weasley, Neville e Luna estremeceram, enquanto Snape mal conseguiu reprimir um arrepio ao ouvir o nome.

"Oh. Superem isso já." Harry falou para todos acaloradamente.

Remus se aproximou e deu-lhe um peteleco na cabeça. "Enquanto eu compartilho o sentimento, seu tom precisa mudar." Ele advertiu calmamente.

A Professora McGonagall franziu a cara, mas Dumbledore, que estava pegando duas gotas de limão, pareceu não reparar. - Tudo fica tão confuso quando todos não param de dizer "Você-Sabe-Quem". Nunca vi nenhuma razão para ter medo de dizer o nome de Voldemort.

- Sei que não vê - disse a professora parecendo meio exasperada, meio admiranda. - Mas você é diferente. Todo mundo sabe que você é o único de quem Você-Sabe... ah, tudo bem, de quem Voldemort, tinha medo.

"Você me lisonjeia", disse Dumbledore calmamente. "Voldemort tinha poderes que nunca vou ter."

"Só porque você está muito... bem... nobre para usá-los."

"É uma sorte estar escuro. Eu não corava assim desde que Madame Pomfrey me disse que gostava dos meus abafadores de orelhas novos."

"Realmente Dumbledore, eu não precisava dessa imagem na minha cabeça."

Tonks começou a rir e todos viram que Kingsley estremeceu. Não era, algo que se esperaria dele.

A Professora McGonagall lançou um olhar severo a Dumbledore e disse: "As corujas não são nada comparados aos boatos que correm. Sabe o que todos estão dizendo? Por que ele desapareceu? Que foi que finalmente o deteve?"

Aparentemente a professora McGonagall chegara ao ponto que estava ansiosa para discutir, a verdadeira razão pela qual estivera esperando o dia todo em cima de um muro frio e duro, porque nem como gato nem como mulher ela fixara antes um olhar tão penetrante em Dumbledore como agora. Era óbvio que seja o que fosse que "todos" estavam dizendo, ela não iria acreditar até que Dumbledore confirmasse ser verdade. Dumbledore, porém, estava escolhendo uma gota de limão e não respondeu.

- O que estão dizendo - ela continuou - é que na noite passada Voldemort apareceu em Godric's Hollow. Foi procurar os Potter. O boato é que Lílian e James Potter estão... estão... que estão... mortos.

Houve um momento de silêncio enquanto todos inclinaram a cabeça em memória. Sirius percebeu que sua própria dor diminuiu um pouco, em troca da necessidade de conforto de seu os braços ele mexeu no cabelo desarrumado antes massageando suavemente o pescoço exposto. Ele não percebeu que o adolescente ficava tenso ao sentir uma mão em seu cabelo.

Do outro lado da sala, Severo Snape apertou os olhos, ao ouvir sobre a morte de sua amiga mais próxima. Ele tinha uma vaga idéia do que Potter devia estar sentindo ao ouvir sobre os livros, e ele quase sentia pena dele.

Dumbledore fez que sim com a cabeça. A Profa. Minerva perdeu o fôlego.

"Lily e James... Não posso acreditar... Não queria acreditar... Ah, Albus ..."

Dumbledore estendeu a mão e deu-lhe um tapinha no ombro. - Eu sei... eu sei... - disse deprimido.

A voz da Profa. Minerva tremeu ao prosseguir.E não é só isso. Estão dizendo que ele tentou matar o filho dos Potter, Harry. Mas... não conseguiu. Não conseguiu matar o garotinho. Ninguém sabe porquê nem o como, mas estão dizendo que na hora que não pôde matar Harry Potter, por alguma razão, o poder de Voldemort desapareceu, e é por isso que ele foi embora.

Dumbledore concordou com a cabeça, sério.

- É... é verdade? - gaguejou a professora. - Depois de tudo que ele fez... todas as pessoas que matou... não conseguiu matar um garotinho? É simplesmente espantoso... de tudo que poderia detê-lo... mas, por Deus, como foi que Harry sobreviveu?

"Essa é uma coisa, que eu tenho certeza que todos nós gostaríamos de saber." Emmeline disse calmamente.

Harry olhou com surpresa. "Você não sabe?" - ele perguntou virando-se para olhar para o diretor.

"Eu senti que é melhor limitar a quantidade de pessoas que sabem algumas informações." o velho respondeu, sorrindo pedindo desculpas para a mulher.

Harry bufou com raiva. "Oh sim, eu sei tudo sobre isso." Ele rosnou.

"Então, isso significa que você vai nos dizer agora?" Fred e George perguntaram ansiosamente.

"Tenho certeza que os livros vão dizer a todos" O diretor explicou delicadamente, com a voz cansada. Sentindo o olhar do adolescente de cabelos escuros continuou com os olhos fixos, firmemente no chão.

"Só podemos adivinhar." disse Dumbledore. "Talvez nunca saibamos."

A Profa. McGonagall puxou um lenço de renda e secou com delicadeza os olhos por baixo das lentes dos óculos. Dumbledore deu uma grande fungada ao mesmo tempo em que tirava um relógio de ouro do bolso e o examinava. Era um relógio muito estranho. Tinha doze ponteiros, mas nenhum número; em vez deles, pequenos planetas giravam a sua volta. Mas, devia fazer sentido para Dumbledore, porque ele o repôs no bolso e disse: - Hagrid está atrasado. A propósito, foi ele que lhe disse que eu estaria aqui?

- Foi - disse a professora McGonagall. - E suponho que você não vá me dizer por que está aqui e não em outro lugar.

"Vim trazer Harry para sua tia e tio. Eles são a única família que lhe resta agora".

"Por que eles são minha única família, embora?" Harry perguntou de repente. "Não tenho avós, primos, qualquer coisa?"

Sirius franziu o cenho. "Você não sabe nada sobre a família de James não é?" perguntou com tristeza. "Vou te contar sobre eles mais tarde." ele continuou, quando Harry tinha balançado a cabeça.

- Você não quer dizer, você não pode estar se referindo às pessoas que moram aqui? – exclamou a Profa. McGonagall, pulando de pé e apontando para o número quatro. – Dumbledore, você não pode. Estive observando a família o dia todo. Você não poderia encontrar duas pessoas menos parecidas conosco. E têm um filho, vi-o dando chutes na mãe até a rua, berrando porque queria balas. Harry Potter vir morar aqui!

"Obrigado Minerva, pelo menos, você tentou colocar algum juízo na cabeça dele." Molly Weasley bufou. Emmeline e Tonks balançaram a cabeça em concordância.

- É o melhor lugar para ele - disse Dumbledore com firmeza. – Os tios ppoderão lhe explicar tudo quando ele for mais velho, escrevi-lhes uma carta.

"Uma carta?" Remus perguntou em choque. "Você pensou que eles seriam capazes de entender tudo com uma carta? A morte aparente de Voldemort te deixou temporariamente louco?" Sua voz tinha subido até que ele estava perto de gritar.

Todos olharam para ele em choque. Grato por lhe permite ir para a escola, Remus sempre foi um dos maiores apoiantes de Dumbledore, e ouvi-lo questionar o velho era algo inédito. Adicionado a isso o lobisomem é inflexível, sobre como manter suas emoções sob controle firme, devido à sua condição, por isso a sua perda de controle foi surpreendente.

"Eu senti que era o melhor caminho." Dumbledore respondeu em tom grave, o tom de sua voz era um aviso de que ele não aceitava o interrogatório.

"Então por que eu tenho a sensação de que não foi." o lobisomem jogou para trás fazendo com que Snape zombar

"Como você se atreve a questionar o diretor." ele cuspiu.

- Uma carta? – repetiu a professora com a voz fraca, sentando-se novamente no muro. – Francamente, Dumbledore, você acha que pode explicar tudo isso em uma carta?

"Viu só, McGonagall concorda comigo." Remus murmurou, e suspirou. Sirius bateu nos seu ombro concordando com ele.

- Essas pessoas jamais vão entendê-lo! Ele vai ser famoso, uma lenda. - Eu não me surpreenderia se o dia de hoje ficasse conhecido no futuro como o dia de Harry Potter.

Harry olhou para cima, horrorizado. "Não existe, não é?" ele murmurou.

"Não." Kingsley respondeu, mas ele estava sorrindo. "Eu acredito que a papelada para a aprovação se perdeu em meio a toda bagunça da reconstrução."

"Graças a Merlin." Ele soprou, causando a maioria do grupo rir.

Snape ecoou as palavras na sua mente estremecendo com o pensamento do moleque ser ainda mais aclamado do que ele já era.

- Vão escrever livros sobre Harry. Todas as crianças no nosso mundo vão conhecer o nome dele!

- Exatamente - disse Dumbledore, olhando muito sério por cima dos óculos de meia-lua. – Isto seria o bastante para virar a cabeça de qualquer menino. Famoso antes mesmo de saber andar e falar! Famosa por alguma coisa que ele nem vai lembrar! Você não vê que ele estará muito melhor se crescer longe de tudo isso até que tenha capacidade de compreender?

A professora abriu a boca, mudou de idéia, engoliu em seco, e então disse:

- É, é você está certo, é claro. Mas como é que o menino vai chegar aqui, Dumbledore? - Ela olhou para a capa dele de repente, como se lhe ocorresse que talvez escondesse Harry debaixo dela.

"Eca". Os adolescentes engasgaram.

- Hagrid vai trazê-lo.

- Você acha que é sensato confiar Hagrid uma tarefa tão importante como esta?

- Eu confiaria a Hagrid minha vida - respondeu Dumbledore.

"Eu não estou tão certa de que se deva confiar a ele informações importantes." Hermione murmurar para seus melhores amigos, lembrando todos os deslizes que o meio gigante havia feito em seu primeiro ano.

Ron bufou. "Ou animais de estimação." Ele acrescentou pensando nos diversos tipos de animais que eles tinham entrado em contato, todos com a cortesia de Hagrid.

- Não estou dizendo que ele não tenha o coração no lugar certo - disse a professora McGonagall de má vontade -, mas você não pode fingir que ele é cuidadoso. Que tem a tendência a... que foi isso?

Um ronco discreto quebrara o silêncio da rua. Foi aumentando cada vez mais enquanto eles olhavam para cima e para baixo da rua à procura de um sinal de farol de carro; o ronco se transformou num trovão quando os dois olharam para o céu – e uma enorme motocicleta caiu do ar e parou na rua diante deles.

Se a motocicleta era enorme, não era nada comparada ao homem que a montava. Ele quase duas vezes mais alto do que um homem normal e pelo menos cinco vezes mais largo. Parecia simplesmente grande demais para existir e tão selvagem - emaranhados de barba e cabelos negros longos e grossos escondia a maior parte do seu rosto, as mãos tinham o tamanho de uma tampa da lata de lixo, e os seus pés com botas de couro pareciam filhotes de golfinhos.

"Essa é uma descrição muito sinistra dele." Charlie disse franzindo a testa. Ele era muito amigável com o guarda-caça. "Faz com que ele pareça perigoso.

"Não se preocupe com isso. Todo mundo aqui conhece Hagrid e sabe que ele não é perigoso." Bill apontou efetivamente acalmando o seu irmão.

Em seus braços imensos e musculosos ele segurava um embrulho de cobertores.

- Hagrid - exclamou Dumbledore, parecendo aliviado.Finalmente. E onde foi que arranjou a moto?

- Pedi emprestado, professor Dumbledore – respondeu o gigante, desmontando cuidadosamente da moto ao falar. – O jovem Sirius me emprestou. Trouxe El, professor.

- Não teve nenhum problema?

- Não, senhor. A casa ficou quase destruída, mas consegui tira-lo inteiro antes que os trouxas invadissem o lugar. Ele dormiu quando estávamos sobrevoando Bristol.

Dumbledore e a Profa. McGonagall curvaram-se para o embrulho de cobertores. Dentro, apenas visível, havia um menino, dormindo profundamente.

"Awwww." Todas as mulheres arrulharam, fazendo com que o Harry corasse.

"Quando nós fizermos uma pausa, vamos para o andar de cima, eu tenho fotos dele quando era bebê, se alguém estiver interessado." Sirius ofereceu sorrindo, para os olhares animados que apareciam em Molly, Tonks e Emmeline.

"O quê?" Harry gritou olhando para o seu padrinho com descrença.

"Oh não, meu jovem." A Sra. Weasley repreendeu. "Eu quero ver as fotos"

Sob uma mecha de cabelos muito negros caída sobre a testa eles viram um corte curioso, tinha a forma de um raio.

- Foi aí que...? -sussurrou a professora.

- Foi - confirmou Dumbledore. – Ficará com a cicatriz para sempre

- Será que você não poderia dar um jeito, Dumbledore?

- Mesmo que pudesse, eu não o faria. As cicatrizes podem vir a ser úteis. Tenho uma acima do joelho esquerdo que é um mapa perfeito do metrô de Londres. Bem, me dê ele aqui, Hagrid, é melhor acabarmos logo com isso.

Dumbledore recebeu Harry nos braços e virou-se para a casa dos Dursley.

- Será que eu podia... podia me despedir dele, professor? - perguntou Hagrid. Ele curvou a enorme cabeça peluda para Harry e lhe deu o que deve ter sido um beijo muito áspero. Depois, de repente, Hagrid soltou um uivo como o de um cão ferido.

-Psiu! -sibilou a Profa. McGonagall - Você vai acordar os trouxas!

- Des-des- desculpe, - soluçou Hagrid, puxando um enorme lenço sujo e escondendo a cara nele. – Mas nã-nã-não consigo suportar, Lily e James mortos, e o coitadinho do Harry ter de viver com os trouxas.

- É, é, é muito triste, mas controle-se, Hagrid, ou vão nos descobrir - sussurrou a professora, dando uma palmadinha desajeitada no braço de Hagrid enquanto Dumbledore saltava a mureta de pedra e se dirigia a porta da frente. Depositou Harry devagarzinho no batente, tirou uma carta da capa, meteu-a entre os cobertores do menino, e então voltou para os outros dois.

A atmosfera alegre da sala morreu em um instante, assim como todos eles se voltaram surpresos para Dumbledore.

"Você o deixou na porta?" Molly Weasley perguntou em voz alta.

"Eu acho que não foi sábio Albus." Moody rosnou para seu amigo. "E eu estou surpreso que você permitiu isso Minerva."

"Havia pouco que eu pudesse fazer." Ela defendeu-se. "Ele estava determinado e teimava que tinha que ser assim.

"Você homem covarde." Veio uma voz baixa. Sirius estava olhando para Dumbledore com uma luz forte nos olhos. "Você o deixou na porta com uma carta, porque você não queria ter de enfrentá-los. Vocês não querem interagir com os trouxas.

Dumbledore se encolheu. "Eu não poderia deixar de aproveitar a oportunidade, o que aconteceria se eles se recusassem cuidar dele." A finalidade das palavras terminou com a conversa, mas os sentimentos de traição e raiva permaneceram.

Durante um minuto inteiro os três focaram parados olhando para o embrulhinho; os ombros de Hagrid sacudiram, os olhos da Profa. McGonagall piscaram loucamente, e a luz cintilante que sempre brilhava nos olhos de Dumbledore parecia ter-se extinguido.

- Bem - disse Dumbledore finalmente -, acabou-se. Não temos, mas nada a fazer aqui. Já podemos nos reunir aos outros para comemorar.

- É - disse Hagrid com a voz muito abafada. – Vou devolver a moto de Sirius. Boa noite, Profa. McGonagall, Professor Dumbledore...

Enxugando os olhos na manga da jaqueta, Hagrid montou na moto e acionou o motor com um pontapé; com um rugido ela levantou vôo e desapareceu na noite.

- Nos veremos em breve, Profa. McGonagall - falou Dumbledore, com um aceno de cabeça. A Profa. McGonagall assoou o nariz em resposta.

Dumbledore se virou e desceu a rua. Na esquina parou e puxou o "apagueiro". Deu um clique e doze esferas de luz voltaram aos lampiões de modo que a Rua dos Alfeneiros de repente iluminou-se com uma claridade laranja e ele divisou o gato listrado se esquivando pela outra ponta da rua. Mal dava para enxergar o embrulhinho de cobertores no batente do número quatro.

- Boa sorte, Harry - ele murmurou. Girou nos calcanhares e, com um movimento de capa, desapareceu.

Uma brisa arrepiou as cercas bem cuidadas da Rua dos Alfeneiros, silenciosas e quietas sob o céu escuro, o último lugar do mundo em que alguém esperaria que acontecessem coisas espantosas. Harry Potter virou-se dentro dos cobertores sem acordar. Sua mãozinha agarrou a carta ao lado, mas ele continuou a dormir, sem saber que era especial, sem saber que era famoso, sem saber que iria acordar dentro de poucas horas com o grito da Sra. Dursley ao abrir a porta da frente para pôr as garrafas de leite do lado de fora, nem que passaria as próximas semanas levando cutucões e beliscões do seu primo Duda... ele não podia saber que, neste exato momento, havia pessoas se reunindo em segredo em todo o país que erguiam os copos e diziam com vozes abafadas. - A Harry Potter: o menino que sobreviveu!

Houve silêncio ao redor da sala, os adolescentes também intimidados pelo argumento anterior ficaram quietos. Remus estava sentado com a cabeça entre as mãos, enquanto Molly estava murmurando com raiva ao marido.

Snape estava sentado no outro lado da sala em silêncio contemplativo. Ele entendia por que Dumbledore tinha agido como ele fez, mas o pensamento da reação de Lily p manteve quieto. A mãe de cabelos vermelhos teria estripado o velho pelo tratamento de seu filho.

Hiperativo, Sirius saltou do sofá e se dirigiu para a cozinha. Logo ele estava de volta com uma bandeja de lanches e garrafas de cerveja amanteigada. "Vamos continuar a ler esse livro infernal ou não." Ele rosnou.