Capítulo Três

-Poção Revelação –

1. -

Quando o trio dourado entrou no Salão Principal para o café da manhã, Snape os observou atentamente e parou sua atenção na garota de cabelos cacheados e densos. A simples vista ela parecia a mesma do início do ano, mãos pequenas que seguravam possessivamente uma montanha de livros, cabelos selvagens de um tom castanho cobreado que adornavam um rosto oval de feições delicadas e suaves e olhos expressivos. Em nenhum movimento a menina emitia nervosismo ou medo e durante todo o café, ela em nenhum instante relanceou os olhos para ele.

Snape ficou inicialmente mais calmo com essas constatações, estava examinando Hermione Granger de forma calculada em busca de respostas e agora não sabia se devia se tranqüilizar ou não pelo que podia deduzir.

Os sonhos eróticos que vinha sofrendo não atingiam a menina. Ela não estaria tão calma e cômoda se tivesse acabado de ter um sonho desses com o seu professor de poções. Ela provavelmente estaria histérica e chorosa, pensou. E o fato de não compartilharem o mesmo sonho significava que não se tratava de lembranças do futuro...

Severo passou os dedos entre os fios negros do seu cabelo que segundos depois caíram cuidadosamente na sua nuca. Não sabia se devia se preocupar ou não com o fato de não estar tendo visões. Que outro motivo havia para os sonhos?

2. -

-Qual a próxima aula de vocês?-Gina quebrou o silêncio do trio de amigos enquanto passava cuidadosamente manteiga na sua torrada.

-Poções.

Hermione prendeu o volumoso cabelo num alto rabo de cavalo e olhou para Rony esperando pelos seus resmungos sobre Snape e sua matéria.

-Odeio poções. -resmungou o ruivo espalhando pequenas migalhas de comida na mesa.

Hermione e Gina fizeram caretas.

-Hum... Acho que Snape também não gosta muito de você irmãozinho. -Gina vistoriou a mesa dos professores. -Ele está olhando para cá.

Neville se encolheu ao ouvir a ruiva, ele estava ao lado direito de Hermione e se virou involuntariamente para confirmar o que Gina tinha dito encontrando os olhos negros do mestre de poções.

-Não se preocupe Neville. -Hermione lhe lançou um sorriso. -Vamos?Não queremos dar a Snape nenhum motivo para tirar pontos.

Harry se levantou automaticamente e seguiu os amigos em perfeito silêncio. Rony o olhou irritado pelo seu mutismo. A conversa que ele tivera com Dumbledore devia ter sido realmente séria. A mesma expressão sombria de quando Cedrico morreu contornava o rosto do amigo.

O quarteto de amigos não foram os primeiros a entrarem na sala, quando chegaram Draco Malfoy e seus costumeiros seguidores já estavam na porta. O loiro estava apoiado na parede da masmorra e ao seu lado com um olhar malicioso estava Pansy Parkinson, sua namorada.

-Estão sentindo esse mau cheiro?- o sonserino parou seu olhar em Hermione. -Acho que os elfos domésticos não andam fazendo a limpeza do castelo direito... Sinto cheiro de... Lixo.

Hermione fechou os punhos e ignorou o comentário de Malfoy, enquanto Rony era segurado por Harry.

-Vamos Rony... Ignore-o, nada que ele diz vale à pena. -murmurou a castanha puxando o amigo pela mão e se encaminhando para o interior da sala de poções.

3. -

-O que estão esperando?- a voz fria retumbou pela sala carregada de impaciência. -Façam a poção imediatamente.

Hermione relanceou os olhos de Severo Snape para suas organizadas anotações e começou a preparar os ingredientes com rapidez. Ao seu lado podia sentir os trêmulos movimentos de Neville. Nunca teria imaginado que Severo Snape cumpriria com o cronograma letivo e os ensinaria a preparar a poção do amor, o simples fato do professor ter preparado essa poção alguma vez na vida lhe parecia surreal.

A garota se concentrou na preparação da poção e lentamente foi eliminando os sussurros excitados de Lilá Brown e Parvati Patil e o mau cheiro da poção de Neville da sua mente para finalmente terminar com sua poção. Sorriu satisfeita e relanceou os olhos pela úmida sala procurando por alguma outra poção finalizada. Seu sorriso se alargou quando percebeu que havia sido a primeira a terminar.

-Cuidado rapazes... Parece que a sangue ruim é expert em poções do amor. - o sussurro malicioso partiu do lado sonserino em tom baixo, mas o suficiente para preencher toda a sala. Os sonserinos riram sonoramente quando o mestre de poções continuou seu passeio pela sala ignorando-os.

-Bem... A coitada tem que ter alguma arma para sua falta de encantos. -Pansy expôs novamente em tom contido e olhou automaticamente para o namorado em busca de encorajamento. O leve mexer no canto da boca fina e bem desenhada foi tudo que Pansy precisou para comentar mais alto.

Hermione respirou fundo quando uma nova onda de gargalhadas preencheu o sentir seu rosto esquentando por ser alvo das piadas dos sonserinos.

-Snape devia mandá-los calarem a boca.

O comentário irritado do seu companheiro de poções a surpreendeu.

-Tudo bem Neville. Concentre-se na sua poção. -sussurrou em resposta e se concentrou no cheiro adocicado do seu caldeirão. O aroma da poção do amor era diferente para cada um, ela adquiria o aroma das pessoas ou de coisas que te lembravam o ser amado. Hermione revirou os olhos, era muito subjetivo. Sua poção, por exemplo, estava perfeita mais o cheiro era denso e inconclusivo.

-Tempo esgotado. -Snape se encaminhou pra a frente da sala. -Coloquem uma amostra para a nota na minha mesa antes de saírem, mas antes preciso de um voluntário para demonstrar os poderes da poção do amor.

Snape relanceou os olhos pela masmorra ignorando os olhares saltados dos alunos e os risinhos tontos de algumas garotas. Quando se fixou em Harry Potter, sua cobaia predileta, sorriu internamente pela sua palidez.

-Senhor Potter, faça o favor.

-Mas professor Snape!A poção do amor está proibida pelo ministério. Além disso, o antídoto demora dias para fazer efeito. Utilizar em um aluno seria uma atitude imprópria de um educador. -Hermione soltou as palavras de forma abrupta.

-Está insinuando que não tenho preparo suficiente para ensinar, Srtª Granger?- Snape observou a garota com irritação. -É óbvio que não farei o Sr. Potter experimentar a poção, ele já é bastante idiota sem o efeito de uma paixão doentia. Existem diversas formas de comprovar o efeito da poção, o seu aroma é um deles.

Os sonserinos riram divertidos quando a grifinoriana assentiu envergonhada.

-Bom, sente-se Potter. Srtª Granger, já que parece muito preocupada com meus métodos de ensino... Faça-me o favor de me auxiliar nesse experimento. - a educação na voz de Severo Snape era carregada de ironia.

Hermione foi para frente da sala com a cabeça erguida e desafiante.

-Beba.

Snape lhe deu um cálice de água no qual verteu uma gota de uma poção clara.

-Poção da verdade. -sussurrou para si mesma. Hermione olhou para a taça mais alguns segundos e então obedeceu a ordem do mestre de poções.

Snape levitou a taça quando está escorregou das mãos da aluna.

-Eu administrei na Srtª Granger a poção da verdade. -Snape ignorou o sorriso divertido no rosto dos seus alunos de vestes esverdeadas. -Uma forma de impedir divagações desnecessárias. -comentou enquanto vertia uma generosa quantidade da poção do amor num tubo de ensaio.

Os sonserinos se entreolhavam divertidos observando o olhar ausente de Hermione Granger.

Snape aproximou a poção ao nariz da grifinória.

-Relate quais os cheiros você pode sentir. -mandou.

-Pergaminhos... Livro novo. -isso serviu para os sonserinos rirem zombeteiros. -Maçãs... Muitas maçãs. -Hermione inspirou mais profundamente e fechou os olhos relaxada, a combinação parecia perfeita para ela.

Snape resmungou impaciente quando a garota sorriu.

-Não temos todo o tempo do mundo. Mais alguma coisa?

-Terra molhada. -logo depois a garota franziu o nariz e negou ainda com um sorriso sonhador. Os alunos detiveram o semblante curioso de seus rostos e os sonserinos se entreolharam desapontados. A castanha não havia dito nada relevante para que eles a envergonhassem no futuro. Maçãs, pergaminhos e terra molhada... De fato, isso apenas confirmava a vida patética da garota.

Severo Snape esperou mais alguns segundos, porém Hermione se manteve calada.

-Acho que é apenas isso. -comentou em um tom sarcástico. –Parece que a nossa monitora realmente leva a sério seu apelido de rata de biblioteca.

Muitos alunos começaram a arrumar suas coisas, prontos para fugirem da fria masmorra, entretanto, logo foram retidos pelo mestre de poções.

-Ainda temos algum tempo. –informou Snape com um olhar ameaçador para as garotas que já estavam em pé. –Menos 20 pontos Brown e Patil.

As grifinórias empalideceram e sentaram-se rapidamente.

-Na próxima aula vamos preparar a poção da Revelação. Quero um pergaminho de um metro sobre ela, seus efeitos e características. Alguém pode me dizer qual a sua função? –O silêncio preencheu a sala e o sorriso arrogante do mestre de poções se ampliou. A falta da mão levantada de Hermione Granger o animou consideravelmente. –Ela foi criada durante o período em que você-sabe-quem ficou mais forte. Era uma poção utilizada em torturas. Quando consumida, a vítima relembra e revive os seus piores momentos. Parece mais eficaz que a maldição Crucio, afinal a dor física pode ser aliviada, já a dor mental... Não.

A voz fria de Snape provocou um calafrio nos alunos. Harry olhou de esguelha para o amigo ruivo que apertava os dedos com força, provavelmente relembrando a aranha que o professor Moody enfeitiçou com essa maldição. Ele nem conseguia imaginar algo mais doloroso que um cruciatos. Os poucos minutos que ficou sob o poder da maldição no quarto ano pareceram uma eternidade para ele.

-Essa é a poção que vocês irão preparar. –o professor mostrou um frasco com uma poção azul turquesa. –A quero perfeita, sua preparação valerá metade da nota final. –Snape se aproximou de Hermione que piscava os olhos confusa, saindo lentamente do efeito da poção da verdade. –E como nós temos uma voluntária, poderão apreciar o seu funcionamento de perto.

Harry apertou o lábio inferior com raiva quando Severo Snape administrou uma dose generosa na sua amiga. Ele teria levantado se Rony não o tivesse impedido com uma mão firme no seu ombro esquerdo. O moreno o olhou interrogativo.

-Vai ser pior se você impedi-lo Harry. –sussurrou o ruivo inexplicavelmente sensato. –Se Snape te administrar a poção você pode expor a ordem ou Sirius, sei lá. Já Hermione, provavelmente não revelará nada tão importante ou que quase alarme.

Harry assentiu apreensivo. Esperava que Rony estivesse certo, esperava que Hermione não revivesse nada muito doloroso. E durante os primeiros dois minutos ficou aliviado já que a amiga apenas respirava ruidosamente e com dificuldade. Contudo, a palidez na sua pele normalmente rosada começou a lhe preocupar, assim como as lágrimas angustiadas.

-Ai, por Merlim!O que é isso? –sussurrou Lilá Brown um pouco atrás do moreno. Harry seguiu o olhar da sua companheira de classe e viu uma marca se formar perto da clavícula de Hermione. A marca vermelha se estendia por debaixo do colarinho da blusa da menina impedindo sua identificação, mas um jorro de sangue começava a empapar lentamente o uniforme dela em diversos pontos.

Harry ficou paralisado assim como Rony e toda classe. De repente, Hermione começou a se mexer violentamente como se estivesse tentando se defender contra algum agressor e caiu da cadeira. Nesse momento Harry correu para junto da castanha, o cheiro metálico de sangue o atingiu com força, mas não o impediu de gritar com Snape.

-FAÇA PARAR! –rosnou observando assustado como a veste da amiga começava a se cobrir de rasgos e mais rasgos. E a pele leitosa se cobria de hematomas avermelhados. O seu grito ecoou pela sala juntamente com o grito cortante de Hermione.

4. -

Pomfrey se retirou apressada em busca de algumas poções e Severo olhou para a cama onde repousava uma pálida Hermione Granger. Harry e Rony tinham sido expulsos pela enfermeira assim que colocaram a amiga numa das camas. Agora deviam estar do lado de fora esperando impacientes. Snape tocou a têmpora irritado. Não imaginara que isso aconteceria, pensou que no máximo, a menina reviveria o medo de quando foi atacada no segundo ano pelo basilisco, não pensou por um segundo que ela se lembraria de algo que de fato ainda não acontecera com ela.

O homem se aproximou da cama e puxou o lençol branco que a cobria. O sangramento tinha cessado e as marcas no seu corpo desaparecido, afinal o efeito da poção era mental apenas. Quando ela acordasse só iria sentir a dor como se ainda estivesse machucada. Por isso Pomfrey estava frenética procurando algo que acabasse com a dor. Snape sabia que ela não teria sucesso. O melhor seria manter a garota em sono profundo, pelo menos por alguns dias.

A porta abriu e Snape visualizou Dumbledore entrando rapidamente.

-O que houve Severo?

Snape o encarou em silêncio por alguns segundos, havia mandado um elfo chamar o diretor. –Poção Revelação. –resumiu.

-E você acha que ela viu algo do futuro?

-Tenho certeza Alvo. -Snape colocou as mãos no bolso da capa. –Ela tinha uma marca de mordida pouco abaixo do pescoço antes do efeito da poção passar. Vamos ter de contar tudo a ela sobre a nossa visitante do Natal.

O diretor tocou sua barba pensativo olhando com carinho para sua aluna e negou lentamente com a cabeça. Ainda não era o momento.

-Não.

Snape franziu a testa.

-Você acha que ela não vai perceber que o que ela viu durante o efeito da poção na verdade nunca aconteceu com ela?Por favor, Alvo. Não estamos tratando com o Sr. Potter, essa garota não é tão burra quanto ele.

Dumbledore o repreendeu por cima dos óculos de meia lua. Seu semblante era cansado.

-Precisamos, antes, saber exatamente o que ela viu Severo. –Dumbledore acariciou o rosto de Hermione.

-Então você vai permitir que ela acorde?

O diretor assentiu.

-É melhor resolvermos isso o quanto antes.

Nota da autora:

Olá! Desculpem pelo capítulo curtinho. Tenho a sensação de que ele não acrescentou muito à história mais foi importante para o delinear do próximo capítulo que já estou escrevendo!

Sora Black: A primeira a comentar! Muito obrigada! Valeu pelo seu comentário, ele me impulsionou a escrever mais rapidamente esse capítulo! Eu esperava mais reviews, mas tudo bem... Pelo menos tem alguém lendo. hehehehe.

Princesa mestiça: kkkkkkkkkkk! Valeu! Ainda bem que você conseguiu ler o primeiro capítulo, ele estava cheio de erros. Agora já vi e consertei. Bom... Acho que continuei o mais rápido que pude! E quanto ao próximo?Também está tão desesperada por ele?

MilyTiete:Oi! Menina!Você não sabe o quanto seu comentário foi importante pra mim!Eu não fazia ideia de como estavam confusos, os capí dizer, no meu computador eles estão perfeitos mas quando passei para o site ficaram muito , valeu não sei o que aconteceu, agora tenho que revisar bem direitinho quando passar um novo capí aos anteriores já consertei! Não sei nem como você ainda leu. Se eu fosse ler uma fic e ela estivesse tão confusa como meus capítulos anteriores... Eu teria desistido de lê-la!kkkkk!