Capítulo cinco

-O pedido de Harry-

1. -

Snape manteve o rosto impassível e instantaneamente ignorou o sussurro feminino. Ele não costumava ficar confuso, entretanto, era impossível que Hermione Granger, a melhor amiga do garoto que sobreviveu e acima disso tudo uma menina de escassos 15 anos estivesse o chamando entre sonhos. Não o chocava o fato em si, adolescentes eram criaturas estranhas movidas apenas por caprichos e hormônios, além disso, esporadicamente ele adquiria alguma perseguidora particular. Sempre havia alguma jovem idiota, principalmente lufa-lufas, que colocavam na cabeça a ideia de que estavam apaixonadas pelo seu professor.

-Acorde Granger. –exigiu reprimindo um resmungo quando o seu nome foi novamente murmurado. O tom carinhoso e o pequeno sorriso nos lábios cheios o deixaram intranqüilo. –Granger. –Snape a chamou de forma mais brusca tocando nos seus ombros.

Hermione abriu os olhos lentamente mais ao descobrir que não estava em seu dormitório deu um pulo e derrubou alguns livros no chão. O som de uma capa deslizando levemente sobre o chão de pedra a fez levantar o rosto e empalidecer. Contudo, quando reconheceu os escuros olhos de professor de poções relaxou. Talvez fosse uma reação estranha mais a presença de Snape lhe passava segurança.

-Desculpe professor. –Hermione se envergonhou ao notar que os livros tinham caído sobre os pés do mestre de poções. A castanha mordeu o lábio inferior nervosa. Havia adormecido na biblioteca e pela escuridão era evidente que ela não deveria estar fora da sala comunal. Ela olhou para Snape esperando o discurso e a retirada de pontos. Porém, os segundos se passaram e o homem continuava a lhe encarar. Hermione, nervosa, apertou as mãos. – O senhor está bem professor?

Snape moveu os lábios de modo irônico. Ele estivera tentando ler a mente da garota, a falta de barreiras facilitou suas ações, porém enquanto vagava pelos pensamentos recentes da monitora não encontrou nada sobre o sonho e pelo que podia notar ela não tinha nenhuma paixão por ele. A única coisa que ela sentia por ele era respeito. Um sentimento estranho para um aluno da grifinória.

-O que você estava sonhando Granger?

Hermione, confusa, arregalou os olhos. A castanha tentou descobrir o motivo daquela pergunta desconcertante, mas tentar ler as feições de Snape era uma tarefa impossível.

-Hum... Não lembro. Por que a pergunta? – terminou com um pequeno muxoxo ao sentir as pequenas e conhecidas pontadas de dor na cabeça.

-Você estava falando algumas coisas... Incompreensíveis. –Snape se aproximou um pouco mais da garota com o objetivo de sondar suas linhas de expressões.

-Mesmo? –Hermione desviou o olhar do mestre de poções intrigada com aquele interesse. –Mas... Desculpe-me a franqueza professor, qual o seu interesse nisso?

Snape levantou a sobrancelha esquerda diante do tom insolente da jovem. Ele guardou silêncio, embora tivesse saído da mente da grifinória era fácil identificar a honestidade no seu tom de voz.

-30 pontos a menos por estar fora do seu salão Srtª Granger e você deverá comparecer a masmorra no fim de semana para cumprir um castigo.

Hermione o analisou, indignada. Além da quantidade absurda de pontos retirados, teria de cumprir uma detenção? Ela iria replicar sobre o castigo quando o farfalhar de plumas chamou sua atenção para a porta da biblioteca. Lá, com um sorriso de auto-suficiência, estava a auto inquisidora de Hogwarts, Umbridge.

A mulher olhou repentinamente de Snape para Hermione notando os vários livros espalhados no chão.

-Interrompo? –interrogou com os olhos lampejando com interesse, um sorriso cínico brotou repuxando mais o lado esquerdo da boca.

Hermione empalideceu. Definitivamente ela não tinha sorte.

Snape ignorou a mulher. Levantou levemente as sobrancelhas quando percebeu o traje de Umbridge. Como sempre ela estava completamente de rosa, contudo, além da cor chamativa, havia penas rosadas e felpudas na barra do casaco pesado.

-Que reuniãozinha é essa? –inquiriu desconfiada. –Responda-me Snape. –a mulher sussurrou o nome com desprezo.

-Isso é um interrogatório Umbridge? –o homem se aproximou intimidante. Dolores levantou a cabeça para poder encarar o professor de poções. Ela tentou manter uma postura comandante, mas sua falta de altura e o nervosismo abalaram isso. –Eu não devo respostas à marionetes do Ministro da Magia. –informou zombeteiramente e saiu deixando Hermione e Umbridge sozinhas.

-Marionete? Marionete? Que insolência desse professozinho. –Umbridge tinha o rosto vermelho e inchado de raiva. –Espere até que eu esteja na diretoria... Vai ser o primeiro a ser expulso daqui.

Hermione voltou sua atenção para Dolores. Ela estivera impressionada com a saída do mestre de poções. Até mesmo orgulhosa com o modo como ele havia tratado a inquisidora, naquele momento ela estava ainda mais parecida com um sapo. Harry e Rony ficariam animados quando ela relatasse o episódio.

-Onde você pensa que vai? –Umbridge segurou o seu pulso com força quando a castanha fez menção de sair.

-Para o meu dormitório. –respondeu rispidamente, levemente surpresa por Umbridge a estar segurando.

-Claro... Mas eu não dei permissão para isso. –Umbridge estreitou os olhos analisando a garota e logo apôs alguns segundos, um sorriso satisfeito preencheu o rosto redondo. –Hermione Granger, não? A melhor amiga do Senhor Potter. –terminou interrompendo o assentimento da garota. –Então... Parece que desobedecer as regras é um requisito para poder andar com Harry Potter. Fico me perguntando se talvez ele não esteja aqui também.

-Harry não está aqui sua... –Hermione respirou fundo tentando se acalmar. –Senhora. Acabei adormecendo enquanto estudava para a aula de feitiços.

Os olhos azuis e pequenos cintilaram maliciosamente.

-E a senhorita espera que eu acredite nessa desculpa? Eu sei que você e seus amiguinhos andam tramando alguma coisa às costas do Ministério.

Hermione fechou os punhos fortemente. Nunca sentira tanto ódio de alguém como sentia por aquela mulher. Nem se comparava ao desprezo que sentia por Draco Malfoy. Não. Malfoy era apenas um garoto mimado que fazia o que esperavam dele, mas essa mulher não tinha desculpa. Ela deveria ter maturidade o bastante pra perceber que seu comportamento não condizia com uma bruxa de meia idade.

-Que seja. –Hermione deu de ombros e sentiu um leve prazer quando a mulher franziu a testa furiosa. A castanha sabia que não era muito inteligente enfrentar Umbridge, porém a oportunidade era boa demais para ser desperdiçada. Por outro lado, a atuação de Snape com a mulher devia lhe ter inspirado aquele desejo de irritá-la.

-Bem... Já que você parece tão despreocupada. Não vai se importar de cumprir castigos comigo nos seus períodos livres do fim de semana.

Hermione a examinou sem pestanejar.

-Devo cumprir o castigo de Snape no sábado.

-Instruir um aluno no caminho correto nunca é demais. Por isso, apareça no meu escritório depois de cumprir o castigo nas masmorras. –informou com um sorriso. –Agora vá para seu dormitório.

2. -

Assim que entrou pelo quadro da mulher gorda, Hermione soltou um suspiro desanimado. Ela se encaminhou rapidamente para a escada sonhando com um bom banho quente quando ouviu um pigarro alto.

-Por Merlim, Harry! Você quer me matar de susto? –a garota se aproximou do sofá onde o apanhador estava acomodado, ainda com as mãos em cima do coração acelerado. –O que você faz acordado tão tarde?

-Estava na aula com Snape, voltei há algum tempo. –respondeu com o rosto abatido.

-As coisas não melhoraram com Snape?

Harry a olhou de esguelha e passou a mão pelo cabelo negro de forma inconsciente.

-As coisas nunca vão melhorar entre nós dois, Mione... Snape me odeia e ele também não é uma das minhas pessoas favoritas.

-Pode ser. Mas ele ainda é um excelente professor e o mais indicado para te ensinar legitemancia. Afinal, ele é capaz de enganar o próprio Voldemort. –comentou animadora.

-Eu sei. –assentiu o moreno. –Mas as aulas são cansativas e eu continuo sem nenhum progresso visível. Toda aula ele invadi meus pensamentos e... Tem coisas que eu gostaria de manter apenas para mim.

-Você vai aprender Harry. –o tranqüilizou. –Eu mesma te ajudaria se soubesse.

Os dois trocaram um sorriso amistoso. Hermione pôs a cabeça no ombro de Harry e se aconchegou nos seus braços. Estar com Harry era simples e fácil, não havia dúvidas nem reticências como acontecia quando estava com Rony.

-Você podia me ajudar Mione. –informou depois de alguns minutos em silêncio. –Era justamente sobre isso que eu queria conversar com você. –Harry levantou o dedo indicador pedindo silêncio. –Há algumas semanas, Dumbledore me chamou na sua sala pessoal e me falou sobre uma profecia. Ela explica o motivo de Voldemort ter assassinado meus pais e revela a única forma de derrotá-lo... –Harry olhou fixamente para as chamas na lareira, a única coisa que lhe lembrava da presença da presença da amiga eram suas pequenas mãos sobre as suas. –A profecia diz que eu e Voldemort devemos nos enfrentar e só um sairá vivo.

Hermione pestanejou atônita repetindo as palavras para si mesma até que elas tivessem algum sentido. Ela não notou que estava chorando até que sentiu o suave toque de Harry na sua face.

-Por favor, não chore Hermione.

-Mas... Isso é... É injus... Justo Harry. –soluçou abraçando o amigo fortemente. Porque a vida do seu melhor amigo tinha que ser adornada de tantas tristezas?

Hermione desfez o abraço quando sentiu o incômodo do apanhador. Não se sentiu magoada, sabia que ele não estava acostumado com muitas demonstrações de carinho.

-Então eu vou estar do seu lado quando esse dia chegar. –anunciou a menina. –Vou estar lá quando Voldemort finalmente for derrotado.

-Queria estar tão confiante quanto você.

-Você estará Harry. Quando chegar a hora eu sei que você vai estar preparado. – Hermione o olhou seriamente. –E você não precisa estar sozinho. Eu e tenho certeza que Rony e Sirius estaremos com você.

Harry assentiu. Pensou em ressaltar o perigo que era estar ao seu lado, mas sabia que os seus avisos seriam prontamente ignorados. Hermione podia ser a maior cabeça dura quando queria.

-Então... Como posso te ajudar? –Hermione o olhou atentamente e o estimulou a falar com um sorriso.

-Certo. –Harry respirou fundo. –Você é a melhor estudante desse castelo Mione. E eu pensei que você poderia me ajudar com os feitiços das artes das trevas. –terminou num sussurro.

-Você quis dizer defesa contra as artes das trevas, Harry.

-Não. Você entendeu bem. Eu preciso aprender a manipular a magia negra se quiser derrotar Voldemort. Todas as vezes que o enfrentei contei com a sorte e nem todas às vezes ela estará ao meu lado.

Hermione o observou em silêncio e mordeu o lábio inferior pensativa. Podia tentar negar para Harry que ele só estava vivo por causa de um pouco de sorte, contudo, a verdade era essa. Seu amigo podia ser um ótimo bruxo com muitas habilidades, mas ele era apenas um adolescente. Possivelmente ele só vencera Voldemort até agora porque o bruxo tenebroso estava fraco e sem um corpo, porém desde o ano passado Voldemort havia ressurgido plenamente. Um calafrio fez a menina estremecer.

-E então?

-Harry, eu sei tanto quanto você sobre magia negra. Não acho que possa ser de grande ajuda.

-Você é a única que pode me ajudar Mione.

-E Dumbledore? Snape? –Hermione reprimiu uma gargalhada quando Harry a examinou perplexo. –Certo, desculpe. Viajei. Não imagino o professor Snape aceitando tranquilamente te ajudar.

-Ele me odeia de verdade. –assentiu o menino que sobreviveu. –Apenas porque eu sou parecido com o meu pai e eles não se davam bem na época do colégio.

-Não acho que Snape te odiaria por um motivo tão superficial.

-Ele é um sonserino amargado. Só isso já serviria como motivo.

A castanha negou com a cabeça.

-Vou te ajudar. –suspirou finalmente. –Mas pra isso precisaremos de livros sobre o assunto.

-Posso conseguir - Harry deu um pequeno sorriso. –Não sei o que faria se não tivesse você na minha vida.

O rosto da castanha adquiriu um suave tom rosado diante da séria declaração.

-Eu também agradeço ter você na minha vida Harry. Você sabe que eu te adoro, não é? –Hermione o beijou carinhosamente na bochecha. –Vou dormir, até amanhã Harry.

Harry assentiu pensativo e voltou sua atenção para a lareira sem notar uma cabeleira vermelha que acompanhara de longe todos os seus movimentos.

3. -

Os dias se passaram depressa e o tão temível fim de semana chegou. Hermione olhou para a mesa dos professores e manteve o rosto impassível quando Umbridge lhe dirigiu um sorriso cínico.

-Eu não acredito que você conseguiu um castigo por desobedecer às regras da escola Mione, e sem a nossa ajuda. –comentou Rony examinando qual tortinha de abóbora era maior. –O castigo tinha que ser justamente no fim de semana?

Hermione trocou um olhar cansado com Harry. Desde que ela tinha contado o ocorrido para os amigos que o ruivo repetia aquele discurso.

-Você ficará bem sem mim, Rony. –comentou pensativa. –Até parece que você não vai esquecer rapidamente de tudo assim que entrar na Zonco's.

Rony a olhou indignado e Harry riu levemente da discussão dos amigos.

-Tem certeza que você escolherá bem os livros, Harry? –sussurrou a castanha quando Rony começou a conversar com Neville. –Eu queria poder ir com você.

-Não se preocupe. Não vou mentir, seria mais fácil escolher os livros com a sua ajuda, mas vou dar um jeito de comprar exatamente o que a gente precisa.

Hermione assentiu nervosa. Ela não estava tão confiante quanto Harry sobre a sua habilidade com as artes das trevas. Não parecia uma disciplina de fácil manejo. Mas não podia negar que estava ansiosa para começar a praticar, sempre questionou a validade de conhecer a defesa sem conhecer, antes, a arte das trevas.

-Oi pessoal! –Gina apareceu afobada e retirou a castanha dos seus pensamentos. –Pode me dar um espaço Mi?

Hermione se afastou de Harry apesar de haver um lugar livre ao lado de Rony e olhou confusa para a ruiva. Ela estava se comportando de maneira estranha.

-Como vai Gina?-cumprimentou Harry.

-Estou ótima... Você não acha? –a ruivinha olhou pausadamente para o garoto que sobreviveu. –Posso ir com você para Hogsmead? Minhas amigas me deram um bolo. –continuou com um sorriso cuidadosamente meigo.

Harry ficou vermelho diante das ações de Virgínea. Ele sabia que ela havia sido apaixonada por ele quando não passava de uma criança porém ela nunca havia se comportado daquela maneira tão... Desconfortável.

-Claro. Você pode ir conosco.

O grande sorriso de Gina diminuiu um pouco devido o plural usado pelo moreno.

-Pensei que você estaria no castigo Hermi. –anunciou de forma levemente acusadora.

A castanha piscou surpresa. Gina estava diferente. A verdade é que elas não eram exatamente melhores amigas, Hermione ainda se sentia mais a vontade com Harry e Rony, contudo, o tempo que passou compartindo um quarto com a ruiva nas últimas três férias, havia servido para que ambas cultivassem uma relação amigável e de companheirismo.

-Ela ainda vai para o castigo Gina. –Harry franziu a testa. –estava me referindo a Rony.

-Ah...- a caçula Weasley assentiu.

-Eu vou para a masmorra. –a monitora levantou-se lançando um olhar para a mesa dos professores. –Snape já saiu e não quero chegar atrasada.

Rony revirou os olhos.

-Você é a única pessoa que eu conheço que faz questão de chegar cedo para cumprir um castigo,

-Ainda mais sendo com Snape. –concordou Harry.

-Justamente porque se trata do professor Snape. –Hermione lançou um olhar nervoso para seu relógio de pulso. –Não posso dar mais motivos para que ele retire pontos da grifinória.

-Ele vai tirar tantos pontos ele quiser Mione. Você sabe tão bem quanto eu que justiça não é um forte de Snape.

Hermione soltou um suspiro cansado e ignorou o comentário do garoto que sobreviveu.

-Já vou. Até mais tarde! Divirtam-se.

4. -

Três batidas firmes, na pesada porta, ressonaram na úmida sala de aula antes que Severo Snape afastasse os pergaminhos que estivera examinando e atendesse Hermione Granger.

-Está adiantada senhorita Granger. –anunciou franzindo as escuras sobrancelhas.

Hermione assentiu e olhou surpresa para a ordenada sala. Afinal, normalmente os castigos com Snape se resumiam em limpar caldeirões sujos ou arrumar manualmente uma sala de aula em completo caus.

Snape voltou para sua escrivaninha ignorando a confusão estampada no rosto da grifinória e relanceou os olhos para o amontoado de provas que faltava corrigir. Seria mais uma tarde monótona conferindo respostas mal elaboradas e incompletas. Sua mente poderia estar sendo útil em outras questões, ao menos importantes, contudo, estava preso naquele cargo de professor... Indefinidamente ou até quando Dumbledore aparecesse com alguma ideia extravagante.

-Professor?

Snape reprimiu um resmungo.

-O quê Granger? –inquiriu impaciente.

-Qual o castigo... –a castanha hesitou diante da vivível impaciência do mestre de poções. Não que isso fosse incomum nele.

-A enfermeira precisa de algumas dezenas de poções revitalizantes para repor o estoque e eu não quero gastar minhas habilidades na confecção de poções tão simples. Então será o seu dever repô-las.

Snape ignorou o brilho animado no rosto delicado.

-De verdade? –Hermione sorriu deliciada com o castigo e mal se importou com a feição fechada e irônica de Snape. –Quantas de...

-Granger. –Snape reprimiu a avalanche de palavras da castanha. –Apenas cumpra o castigo em silêncio. –aconselhou entregando um pergaminho com as poções necessitadas. –É bom começar logo, se você não conseguir terminá-las hoje então deverá voltar na próxima semana. –o homem voltou sua atenção para as provas ignorando o assentimento silencioso da aluna.

5. -

Snape apertou a ponte do nariz e bufou exasperado quando terminou a correção dos ensaios. Fechou os olhos, cansado, tentando relembrar o motivo pelo qual ele continuava naquele castelo, exercendo uma função para a qual não era apto. Na verdade, ele amava elaborar poções e simplesmente era fascinado por todo o processo e por toda a arte necessária para a confecção de uma poção perfeita, porém, detestava conviver com crianças e adolescentes. Apesar disso, a sua presença era necessária no castelo, tanto para Dumbledore quanto pra Voldemort. Ele precisava mais do que nunca continuar ali, continuar atuando como professor e atuando para o Lord das trevas.

-Ai. –o resmungo baixinho chamou a atenção do mestre de poções para Hermione Granger. Ele quase havia esquecido a presença da aluna. A observou levemente curioso. A garota estava concentrada na elaboração de uma poção verde musgo e pelo cheiro e consistência deduziu se tratar de uma poção contra gripe. Provavelmente a queixa dela se devia a algum respingo visto que ela estava muito próxima ao caldeirão. O vapor quente se chocava diretamente no seu rosto o deixando vermelho. O cabelo também havia sofrido conseqüência da negligente proximidade, vários fios tinham se soltado da trança castanha.

-Não deveria estar tão próxima do caldeirão. Isso é um dos requisitos básicos. –Snape teria continuado a lhe recriminar, mas a monitora se sobressaltou com o seu comentário repentino e derrubou a poção que estava trabalhando.

-Não acredito nisso. Você me fez derrubá-la. –o recriminou. –Era a última poção.

-Eu não tenho culpa pelo seu descuido Granger. –Snape limpou o chão com um movimento de varinha. –Qualquer bruxo medíocre sabe que se deve colocar numa distância prudente na hora de elaborar uma poção. Você tem sorte de não ter sido a poção do sono ou algo pior.

A garota mordeu o lábio inferior para não replicar. Por mais que odiasse admitir Snape estava certo. Ela sabia muito bem que não deveria se aproximar tanto mais ela estivera tão empolgada que acabara esquecendo momentaneamente aquele detalhe.

-E então?-questionou o homem impaciente. Ele tinha os braços cruzados contra o peito.

-Então o quê? –Hermione piscou os olhos, confundida.

-O castigo acabou Granger ou a senhorita pretende ficar aqui?

A castanha franziu o nariz diante do tom irônico e suas bochechas se tingiram de um tom carmim.

-Mas só falta essa poção para eu terminar. Se o senhor permitir eu posso terminá-la em poucos minutos e...

-Pelo que eu sei a senhorita ainda deve se dirigir ao castigo com Umbridge. –Snape a interrompeu friamente. –Felizmente o seu tempo se esgotou e eu apreciaria a sua ausência... Profundamente.

-Com o maior prazer. -bufou exasperada.

Hermione virou-se rapidamente, irritada com o tratamento hostil, já estava quase na porta quando foi detida pela mão de Severo Snape no seu antebraço.

-Como diabos você fez isso? –interrogou. Hermione estremeceu diante do tom de voz do mestre de poções, demasiado calmo e cortante. A garota se perguntou como ele era capaz daquilo, utilizar dos tons tão imiscíveis de forma tão harmônica.

A monitora seguiu o olhar de Snape para o seu pulso e arfou surpresa ao notar a nítida marca vermelha de queimadura. Não havia notado, enquanto preparava a poção, o dano causado pelo respingo. Mal havia sentido a dor.

-Você é demente Granger? –Snape fez um gesto para que ela ficasse parada e andou para a estante de poções. Logo ele voltou murmurando para si mesmo frases inaudíveis. –Devo presumir que o seu companheirismo com Weasley e Longbottom tem afetado o seu ilustre cérebro. –ironizou.

A garota inclinou a cabeça ofendida. Embora estivesse irritada com o comentário do professor sobre os seus amigos, se sentia pior com a insinuação de sua falta de perspicácia.

-Fique quieta. –mandou. E antes que Hermione pudesse impedir ele segurou sua mão e passou uma fria poção sobre a queimadura. Ela o olhou surpresa pela sua atitude. Não esperaria jamais que o temível professor Severo Snape fosse capaz de uma ação tão... Gentil.

-O que o senhor está fazendo? –balbuciou repentinamente sem conseguir se segurar. Apesar de confiar nele como um espião para a ordem não podia deixar a desconfiança pela inesperada amabilidade com ela. Afinal, o professor nunca havia negado a sua hostilidade para com Harry, Rony e ela.

Snape levantou a sobrancelha direita, sarcástico, e começou a enfaixar seu pulso ignorando- lhe. A monitora resmungou baixinho para si mesma.

-Eu poderia ter ido para a enfermaria com Madame Pomfrey. –comentou quando Snape terminou o curativo. –Não precisaria ter se preocupado.

Os olhos negros lhe encararam friamente e ele se afastou bruscamente ao perceber a leve proximidade entre eles.

-Eu não fiquei em momento algum preocupado. –o frio tom irônico fez a garota estremecer. –Além disso, acho que o mais educado seria um agradecimento Granger. –disse adotando o costumeiro ar arrogante e superior. –Porém, o que se poderia esperar de um grifinório?

-Obrigada professor. –murmurou envergonhada, entretanto Snape já tinha lhe dado as costas e ela duvidou que ela a tivesse escutado. Pensou em repetir o agradecimento, mas o brusco tom ríspido de Snape a mandando desaparecer lhe fez mudar de ideia.

6. -

Severo Snape olhou irritado para a porta assim que Hermione a fechou e socou a mesa com frustração. Não entendia o que havia acontecido com ele nos últimos minutos. De repente, ao notar o machucado da sabe-tudo, sentiu uma urgência em curá-la. O moreno massageou a testa tentando encontrar uma razão clara para aquele ápice de bondade com a garota. Ao não encontrar soltou o ar ruidosamente.

O homem olhou para as poções preparadas pela aluna e lembrou que ela não havia acabado castigo. No outro fim de semana teria de suportar mais uma vez a sua presença. Ele franziu as sobrancelhas quando não conseguiu identificar o que sentia em relação a isso.

Nota da autora: ... Oi? Desculpem-me! Por favor! Eu sei que demorei eternamente para escrever esse capítulo. Eu sei, eu sei... Mas poderiam me desculpar? Olha, prometo que o próximo vai sair mais rápido!Agora estou de férias e posso me dedicar a essa fic. Olha, e aí? O que acharam? Snape está se sentindo diferente em relação à Hermione... Mas é só um empurrãzinho. As coisas não podem sair rápidas entre eles, por mais que vocês desejem. Sei que ainda não pus muitas cenas entre os dois, mas pretendo ampliá-las exponencialmente, viu? Ah! E Gina enciumada?Hihihihi. Sei lá, pra mim é difícil descrever Virgínea Weasley. Nunca gostei dela nos livros e ela tem uma personalidade muita estranha. Por um lado ela é uma doce garota apaixonada por um mesmo garoto desde a infância, por outro ela é um vulcão arrasador de corações e depois ela é a garota divertida e herdeira dos gêmeos Weasley... Ou seja, uma grande incógnita. Normalmente tenho a tendência de transformá-la em vilã nas minhas histórias, mas quero me manter fiel aos personagens de J.K... Então pretendo me conter para não transformá-la numa vaca. Kkkkkkkk! E quanto à cena de Harry e Hermione?Sinceramente acho os dois fofos e tenho discutido comigo mesma sobre umas ideiazinhas loucas que recentemente me fizeram refletir, porém, não se preocupem... Essa fic é 100% Hermione e Snape.

Ana Scully Rickman: kkkkkkkkkkkkk! Suas entranhas continuam se matando?Kkkkkkkk! Hum... Realmente muito fofo ela murmurando o nome dele mais nesse capítulo eu acabei com as suas expectativas, não foi?Ela não lembra o que estava sonhando. Ahuahuahua. Mas eu comecei a deixar o Snape em conflito, então... Eu não sou tão ruim assim, né? Valeu pelo comentário! Morri de rir! Beijos!

Jessica-semnadaprafaze123: Oi! Por favor! Respire fundo e não desmaie novamente, ta?Kkkkkk! O que achou da última cena? Snape enfaixando o pulso de Hermione... Que meigo!Kkkkkkk! O que será que vai acontecer no próximo capítulo?Ahuahuahua. Muito obrigada pelo comentário! E continue sim a ler, por favor! Sei que demorei com a continuação, mas vou me redimir com o próximo capítulo. Beijos!

Selene Silva: Olá! Pronto, finalmente aqui está o tão esperado capítulo. Desculpe a demora. Quero avançar no próximo capítulo pra finalmente escrever uma das cenas que tenho pronta na minha mente desde que iniciei essa história! Beijos!