Capítulo seis

- Íntimos-

1-.

Na manhã seguinte, Hermione acordou cedo e colocou um suéter azul de gola alta e desceu as escadas para a Sala Comunal a fim de esperar pelos seus amigos. O dia estava estranhamente mais gélido que o costume por isso ela se encolheu dentro do sobretudo de Hogwarts. Olhou impaciente para o topo de escada que levava ao dormitório masculino e suspirou cansada depois de alguns minutos.

A sala já estava relativamente cheia quando finalmente Harry e Rony baixaram ambos, com rostos sonolentos e os cabelos ainda mais revoltosos que o normal.

-Bom dia Hermi. –Rony bocejou e bagunçou o seu cabelo castanho de forma displicente.

-Eu não sou um cachorro Rony. –bufou exasperada tentando acomodar os cachos.

O ruivo coçou os olhos preguiçosamente e deu de ombros.

-Não liga para ele Mione. –Harry sorriu para a amiga. –Faz tempo que espera a gente? –questionou. Harry lhe ajudou a levantar e os três começaram a se encaminhar para o café da manhã.

-Um pouco. Mas já estou acostumada, vocês nunca acordam na hora certa e depois têm de fazer tudo apressado. –a castanha olhou ao redor buscando pela menor dos Weasley. Também esteve esperando pela garota, mas não a tinha visto baixar, provavelmente a presença dos amigos lhe distraíra. –Cadê Gina?Preciso falar com ela.

-Não sei. –murmurou Rony. –Ela tava muito esquisita ontem. Não nos deixou em paz, não foi Harry?

O apanhador assentiu envergonhado e desviou o olhar.

-E como foi o castigo com Snape e Umbridge? –Harry lançou um olhar para o pulso enfaixado da amiga. –Umbridge também utilizou aquela pena com você?

Hermione negou rapidamente.

-Foi um problema com Snape. Umbridge só me mandou limpar a sala de troféus. Parece que os piores castigos são reservados para você Harry.

-O que o morcego da masmorra te fez? –interrogou o ruivo com as orelhas vermelhas e antes que Hermione pudesse impedir ele já tinha posse da sua mão e analisava o curativo. –Ele te machucou? Ele não pode fazer isso!

Hermione franziu o nariz com o insulto que o amigo tinha lançado a Snape e puxou sua mão bruscamente.

-Não seja idiota Rony. -bufou exasperada. –Eu me machuquei com uma poção. Hermione lançou um olhar de censura para o amigo e saiu do Salão dando-lhe as costas.

-O que deu nela? –o ruivo olhou para Harry confuso.

-E eu vou saber? –Harry deu de ombros. –Vamos logo, atrás dela.

Os garotos correram para acompanhar os passos da amiga. Quando entraram no Salão Principal, a garota se despediu deles ao encontrar a inconfundível cabeleira de Gina na mesa da corvinal. Em parte ela fez isso porque precisava falar com a amiga e por outro lado havia ficado irritada com o comentário de Rony. Hermione se sentiu mais relaxada ao se afastar do garoto, ele realmente sabia lhe tirar do sério.

-Oi Hermione! –Luna, animada, a cumprimentou quando a castanha se sentou ao lado delas. –Nossa! você também ficou com vontade de me fazer companhia? Isso é diferente.

-Bom dia Luna. –disse com um pequeno sorriso. –Gina.

-Hum - rum. –resmungou a Weasley sem ao menos lhe olhar.

-Gina qual é o seu problema, heim? –exigiu assim que um prolongando silêncio se estendeu naquela porção da mesa. Antes de se sentar ali tinha visto como a ruivinha conversava animadamente com uma quieta Luna.

-Quem disse que eu tenho um problema?-retorquiu acidamente.

A monitora ficou desconcertada. Ela respirou fundo tentando se acalmar e estava prestes a recriminar o comportamento da Weasley quando a corvinal chamou sua atenção.

-Vamos passear um pouco? Nós três. –Luna sorriu e levantou sem esperar o consentimento das outras.

Hermione lançou um olhar inconsciente para o teto encantado, o céu estava nebuloso e cinzento... Imaginou o frio que deveria estar fazendo do lado de fora. Isso a fez duvidar sobre seguir as garotas, mas precisava esclarecer as coisas com Virgínea e essa parecia uma boa oportunidade.

Como imaginou, o terreno estava congelante. A castanha se abraçou tentando se esquentar e notou alarmada como Luna corria até a beira do lago e metia os pés nele sem nenhum estremecimento.

-Luna o que você pensa que está fazendo? –questionou Gina com um muxoxo.

A loirinha as ignorou e sentou na beira deixando os pés no lago.

-Gina, precisamos conversar. - Hermione se sentou ao lado da corvinal que olhava sonhadoramente para a água cristalina. Hermione notou o corpo de Gina se tensar, entretanto, a menina assentiu e também se sentou.

-O quê?

Hermione ignorou o tom aborrecido.

-Por que você está estranha comigo? E o que deu em você ontem?

-Você quer realmente saber?Mesmo? –um tom rubro começou a cobrir o rosto da ruiva. –Eu vi você e o Harry se abraçando e de segredinhos na Sala comunal, Mione! Você tinha a cabeça no seu peito!- a garota apontou um dedo recriminador. –E eu achei que éramos amigas! Mas todo esse tempo você e ele devem ter se divertido muito as minhas custas, se beijando por aí e rindo do meu amor não correspondido.

-Você está falando sério? –soltou Hermione descrente. –Eu e Harry somos amigos Gina. Pare de fantasiar.

A monitora não podia acreditar que a ruiva estava falando sério.

-Vai negar que vocês estavam todos carinhosos um com outro?

Hermione apertou a têmpora exasperada e ignorou os grandes olhos azuis de Luna que tinha voltado a atenção para a discussão das duas.

-Certo. Não nego. –Hermione levantou a mão impedindo que Gina voltasse a falar. –Mas somos amigos! Por Merlim! O que você espera? Que o console com um aperto de mão? Um tapinha nas costas? E de onde você tirou essa ideia maluca da gente se beijando? –Hermione fez uma pequena careta. –Eu nunca beijaria Harry... Seria a coisa mais esquisita.

-Eu não acho. –Luna a interrompeu, pensativa. –Não acho que beijar Harry seja tão desagradável como você pensa Hermione. Ele tem uns lábios bem bonitos, na verdade.

Gina olhou friamente para a loira, mas ela apenas deu de ombros.

-Não importa o quão beijáveis eles sejam... Harry não me interessa desse jeito. –Hermione suspirou e encontrou os olhos chocolates da Weasley. –Você acredita em mim?

A artilheira desviou o olhar e se levantou desanimada.

-Acredito. Mas isso não impedi que eu tenha ciúmes. Não importa o que você diga Hermione, para Harry você é a mulher mais importante na sua vida. Diabos! Ele se importa mais com você do que com Cho Chang, a garota por quem ele é apaixonado por séculos. –confessou num fiapo de voz. –Então... Eu preciso de um tempo, certo? –pediu e correu em direção do castelo.

Hermione suspirou ressentida e voltou sua atenção para Luna Lovegood.

-Desde quando você pensa nos lábios do meu amigo Luna? –questionou divertida depois de alguns minutos.

-Hum... Não sei ao certo. Acho que foi quando imaginei se Harry teria sabor de melancia. Eu gosto de melancia.

O ar sério da garota não impediu a gargalhada de Hermione. Luna era uma pessoa bem especial, inicialmente não conseguiu ver. Aquelas histórias de criaturas inexistentes a exasperavam demais ... Entretanto quando ignorava isso Luna se transformava numa companhia bem divertida. Talvez ,Hermione pensou, ela era sincera demais para seu próprio bem.

2-.

Hermione acomodou seus livros e penas cuidadosamente na mesa e apoiou os cotovelos esperando animada pela chegada do professor de Aritmancia. Havia se despedido de Luna a alguns corredores e avisado da reunião da Armada, ela sempre comunicava a loirinha das reuniões pessoalmente visto que a corvinal era muito distraída e talvez não percebesse os anúncios na moeda.

- Oi Hermione! Posso me sentar com você?

A castanha assentiu para Ernie. Ele era monitor da Lufa-lufa e sempre havia sido amigável com ela.

-Você recebeu o recado da nossa reunião, não foi? –procurou saber. Hermione se acalmou quando o garoto mostrou a moeda discretamente e lhe sorriu.

-Você sabe o que Harry vai nos ensinar hoje?

Ernie perguntou em voz baixa e olhou ao redor desconfiado recebendo uma negação distraída da menina.

-O professor está demorando. –comentou. A garota soprou impaciente quando alguns cachos rebeldes tomaram conta do seu rosto.

Ernie tocou na mecha rebelde de cabelo e a pôs atrás da sua orelha esquerda.

-Hermione posso te fazer uma pergunta?

A grifinória ainda estava estupefata pela ação carinhosa do lufa-lufa e apenas afirmou com a cabeça. Contudo, quando o garoto estava prestes a abrir a boca, o professor Vector entrou apressadamente já lançando ordens. Ele era um homem magrinho e energético que parecia estar sempre atrasado. Hermione voltou a atenção para a aula e poucos minutos depois esqueceu completamente do estranho comportamento do seu companheiro.

A aula já estava prestes a acabar assim que a castanha soltou a pena e massageou os dedos. Ao seu lado, o monitor franzia as sobrancelhas com atenção. Hermione sorriu internamente da expressão do garoto. Ele era um bom estudante, mas simplesmente era horrível em Aritmancia, todo ano a menina se surpreendia quando ele passava raspando. Ela achava que sua persistência na matéria era uma questão de simples teimosia. Afinal, era óbvio que a matéria não o encantava nem nada do estilo e pelo que ela sabia o monitor estava pensando em si formar em embaixador no Ministério da Magia, ou seja, Aritmancia era desnecessário.

Hermione voltou os olhos para a sua mão e sua atenção foi roubada pelo cuidadoso curativo. Ela passou o dedo indicador na faixa e estremeceu ao relembrar a mão pálida e os dedos longos do professor Snape.

-Hermione? –chamou Ernie.

A voz do garoto lhe tirou dos seus pensamentos e Hermione se envergonhou. Havia perdido o fim da aula pensando em Snape? A garota bufou incrédula. A sala já estava vazia e só restava ela e o monitor.

-Seu pulso ta doendo? Você o estava massageando.

O rosto já rosado da menina ficou rubro.

-Não... Eu só me desconcentrei um pouco.

Hermione começou a arrumar suas coisas com a ajuda do rapaz e quando terminou sorriu agradecida. Ela já ia se despedir do garoto, mas ele a impediu nervosamente.

-Espera. Eu queria te fazer uma pergunta.

-Ah! É verdade. –sussurrou para si mesma. Hermione segurou os livros contra o peito e o incentivou a falar com curiosidade.

-Hum... Nesse fim de semana vai ser dia dos namorados e... –o rapaz hesitou desviando o olhar, a sua bochecha estava tão vermelha quanto o cabelo dos Weasley. –Você sabe que passeios por Hogsmead vão ser permitido. Então... Enfim, eu pensei em te convidar pra ir comigo. –terminou inseguro.

Hermione jogou o peso do corpo de uma perna para outra.

-Então qual a sua resposta? –Ernie a encarou nervoso.

Hermione mordeu o lábio inferior. Ela o considerava um bom amigo, ele sempre foi um companheiro amigável e gentil, mas ela nunca teve pensamentos sentimentais em relação ao lufa-lufa. Ele era até atraente. Tinha o cabelo de um louro claro e ondulado e expressivos olhos azul petróleo.

-Você ta me convidando? –balbuciou. A castanha sentiu o rosto ferver e desviou os olhos. Ter Harry e Rony como melhores amigos, que a tratavam como mais cara, fazia com que ela esquecesse que podia ser considerada uma garota atraente por outras pessoas. –Eu... Gostaria mas não posso. Tenho detenção com o professor Snape.

-Eu pensei que você já tinha cumprido. –murmurou triste.

Hermione negou envergonhada.

- Mas... Podemos deixar para uma próxima vez. Quando eu não estiver ocupada. - o animou. Hermione sabia o quanto devia ter custado para o tímido lufa-lufa ter arrumado coragem para lhe convidar. Não custava muito para ela retribuir com gentileza.

-Mesmo? Quer dizer... Claro. –disse o louro encorajado.

-Vai ser divertido. –confirmou a menina. –Preciso ir agora, Ernie. Não posso chegar atrasada em Feitiços. Até mais.

Hermione deu um aceno e correu procurando chegar antes que Harry e Rony se preocupassem.

3-.

O resto da semana transcorreu lentamente. As garotas ficavam cada vez mais ansiosas e animadas com a aproximação do dia dos namorados com exceção de Hermione Granger. Durante o encontro da Armada ela havia recebido um maior grau de atenção do Lufa- lufa desencadeando o ciúme infantil de Rony. No fim, eles acabaram discutindo e Rony havia se recusado a fazer as pazes com ela. Por outro lado, Harry havia convidado Cho Chang para um encontro o que acabou afetando negativamente na primeira reunião sobre artes das trevas dos dois.

Hermione havia ficado contente pelo garoto que sobreviveu, era bom ele ter momentos e atitudes normais para um adolescente, mas ela ficou irritada com a falta de concentração do amigo. Eles mal avançaram nas maldições mais elementares, contudo, Hermione havia descoberto um incrível dom para a magia negra. Surpreendentemente as maldições saiam naturalmente da sua varinha. Por um lado, ficava feliz em poder ser útil para Harry, porém, meio que aquilo também era um pouco assustador. A grifinória sabia que essa magia devia ser manipulada com extremo cuidado, muitos bruxos acabaram envolvidos demais com ela e nunca mais voltaram ao que eram e ela não queria isso.

Então os poucos dias para o fim de semana foram lentos e gélidos. A única coisa que motivava o nervosismo de Hermione era saber que no domingo precisaria ir novamente cumprir detenção com Snape. O professor havia se comportado de forma mais brusca e irritada com ela nas últimas aulas. Os seus comentários eram mais ácidos e irônicos. Isso a deixava confusa. Ela não esperava um tratamento especial depois da sua atitude gentil, mas não imaginou que o homem passaria a lhe perseguir mais do que a Harry.

4. -

Contrariando todo o prognóstico dos últimos dias, a manhã estava ensolarada e um calor fora de estação animava os estudantes. Nada melhor para o dia dos namorados. Hermione mexeu distraidamente na sua omelete e observou distraída a conversa entre Luna e Gina. Dessa vez a loirinha tinha decidido tomar café da manhã na mesa da grifinória. Hermione retribuiu o sorriso de Gina e expirou aliviada, a Weasley tinha se reaproximado dela novamente. Apesar disso, a castanha podia notar que às vezes a amiga ficava aborrecida com ela, bastava o mais simples toque entre ela e seu amigo para transformar o dia perfeito de Virgínea em um tenebroso.

Hermione voltou seu olhar para os amigos, ela havia decidido compartir a refeição com as meninas porque tinha a intuição de que Harry queria pedir conselhos para Rony sobre o seu encontro com Cho Chang. Ela achava que Harry definitivamente havia perdido o juízo se estava recorrendo ao ruivo visto que o Weasley era tão tímido quanto o garoto que sobreviveu.

-Eu não acredito que ele convidou Cho para sair. –comentou Gina quando seguiu o olhar de Hermione.

Hermione guardou silêncio. Inicialmente não foi com a cara da japonesa, ela parecia se adequar perfeitamente no papel de garota popular: pertencia a casa destacada pela sua inteligência, era boa em quadribol e ainda era uma das garotas mais bonitas de Hogwarts... Não parecia ser uma garota simpática, mas a adesão de Cho na Armada fez com que ela a conhecesse melhor e secretamente preferia que Harry namorasse a apanhadora a artilheira. Cho, ao menos, não parecia ser tão possessiva.

-Você vai para Hogsmead?-questionou a castanha.

-Sim. Vou sair com Dino. -murmurou serenamente. –Preciso esquecer o Harry.

-Oh... Pensei que você ia ficar comigo e Hermione. –disse Luna pensativa. –Não importa. Nós duas vamos nos divertir muito Hermione! –Luna praticamente pulou entusiasmada. –Podemos passear pelo terreno assim que você terminar o café e então você poderia me ajudar a capturar Botlus esverdeados. Você sabia que eles fazem as pessoas se apaixonarem? Teremos de tomar um pouco de cuidado porque não quero acabar apaixonada por você. Não que você seja feia Hermione, na verdade, você é bem bonita, mas eu acho que não gosto de garotas.

Hermione trocou um olhar confuso com Gina. Na maior parte das vezes não entedia o que Luna queria dizer.

-Certo, vou te ajudar a encontrar... Isso. –afirmou com uma pequena careta. –Mas depois tenho de ir para o meu castigo.

Hermione franziu o nariz quando Luna adotou o seu costumeiro ar sonhador e pareceu não ouvir o que disse.

5-.

Diferente do que imaginava, a tarde com Luna acabou sendo bem divertida e ainda serviu para que ela esquecesse ,momentaneamente, o frio na barriga que sentia toda vez que pensava no castigo e no seu professor de poções.A castanha olhou nervosa para o corredor deserto da masmorra e bateu na porta pela terceira vez. Será que Snape tinha esquecido o castigo? Hermione negou rapidamente essa ideia. Snape nunca perderia a oportunidade de castigar um aluno, muito menos ela, parte integrante do trio dourado.

-Professor? –chamou. Hermione respirou fundo e abriu a porta da sala de poções. O cenário que encontrou a inquietou. A escrivaninha, no centro da sala, estava desarrumada e vários tinteiros e pergaminhos estavam caídos no chão. A menina se aproximou cautelosa. Havia algo realmente muito errado ali.

-Professor Snape?

Sua voz trêmula retumbou pelo aposento. A monitora estava prestes a dar a meia volta para encontrar McGonagall e comunicar o desastre na sala de aula quando um gemido chamou sua atenção. Ela se encaminhou lentamente em direção ao barulho. De uma porta lateral entreaberta era possível identificar mais facilmente o som.

Hermione segurou a borda da madeira em dúvida. Sabia que aquela porta a levaria diretamente para os aposentos pessoais se Severo Snape e não podia imaginar quantos pontos perderia se por acaso ele apenas suspeitasse que ela houvesse invadido aquele lugar, na verdade, perda de pontos seria o que menos deveria lhe preocupar, isso provavelmente lhe garantiria uma expulsão. Afinal era terminantemente proibido que os alunos freqüentassem os aposentos pessoais dos professores de Hogwarts. Um novo gemido, entretanto, acabou tirando a sua dúvida. Ela abriu a porta e entrou no refúgio do mestre de poções.

Inicialmente se sentiu intimidada. A porta dava para um estreito e curto corredor escuro. A castanha tinha a varinha na mão preparada para qualquer imprevisto uma vez que ,conhecendo a natureza precavida do mestre de poções, era bem possível que ele houvesse criado alguns feitiços de ataque para qualquer intruso indesejado.

Surpreendentemente, Hermione acabou entrando sem maiores problemas e se deparou com uma sala grande e espaçosa. Esparsas estantes de livros adornavam as paredes e um grande sofá e algumas poltronas conferiam um toque de conforto. Sem querer a garota se encontrou completamente curiosa com os diversos livros que preenchiam as altas estantes, não haviam apenas títulos ligado a poções. Obviamente o homem deveria ter outros interesses, mas ela nunca tinha parado para pensar nisso, um livro de John Keats, poeta romântico do século XVIII, em meio às centenas de artigos mágicos lhe intrigou. Na verdade, tudo na sala, depois de uma análise breve, se ligava ao mestre de poções. O aposento misturava toques elegantes e práticos e muitos objetos tinham a tonalidade verde e prateada.

O som de uma respiração densa e pesada trouxe a garota de volta a realidade.

-Professor? –sussurrou. Hermione olhou ao redor em busca de algum barulho. Fervorosamente ela desejava não o encontrar. Não poderia ser capaz de arrumar uma desculpa que explicasse o motivo de estar ali, no meio da sua sala, e ela duvidava que ele pudesse acreditar na verdade.

-Saia Granger.

A voz entrecortada, mas autoritária do professor de poções a deixou paralisada. Ela precisou de alguns segundos até ser capaz de controlar os seus músculos novamente e se dirigir para o lugar de onde saíra à fria voz.

-Por Merlim! O que aconteceu? –Hermione se ajoelhou ao lado do homem.

Snape estava caído no chão, atrás do sofá, e embaixo dele, ao lado e por toda parte... Estava encharcado de sangue. O seu rosto normalmente pálido estava giz e os olhos pareciam ainda mais escuros e penetrantes. Ele mantinha um semblante fechado e ela podia perceber o desgosto evidente nos seus traços quando ela fez menção de ajudá-lo.

-Você é surda? –retorquiu com dificuldade.

Hermione ignorou o insulto e tentou pensar claramente no que deveria fazer. Poderia o levitar até a enfermaria e lá Madame Pomfrey poderia tomar as medidas necessárias. A monitora assentiu para si mesma claramente confiante em si mesma.

-Vou levá-lo até a enfermaria professor e...

-Granger eu... Não vou... Para a enfermaria. –informou friamente. –Saia, eu posso cuidar de mim mesmo.

Hermione, irritada, mordeu o lábio. O homem era impossível! Mal podia falar coerentemente e ainda fazia exigências. Ela olhou como ele se levantava com dificuldade, se apoiando no braço do sofá. Teria prestado sua ajuda se tivesse certeza que ele não iria rejeitar - lá.

A menina apertou as mãos, apreensiva, e pensou em realmente obedecer à ordem do antigo sonserino, mas um vislumbre inconsciente para o seu pulso a impediu de ir embora. O mestre de poções era intratável, porém sabia que ele podia adotar medidas gentis e ela devia isso a ele, deveria retribuir sua ajuda.

Snape estava já no fim da sala, em frente a uma porta escura quando ela viu que ele pendia para a direita. A garota arfou surpresa e usando sua varinha impediu que ele se chocasse contra o chão e logo depois o levitou até o sofá. Ele tinha desmaiado.

-Certo. O que faço agora?-sussurrou para si mesma.

Primeiro deveria achar o corte ou cortes e fechá-los para impedir a perda de mais sangue. Era só achar alguma poção, o que seria fácil afinal estava no aposento de um professor de poções. Ele deveria ter uma sala reservada apenas para isso. Hermione correu até a porta que o antigo sonserino estivera prestes a abrir e sorriu aliviada ao se deparar com um grande laboratório de poções. Todas as paredes estavam repletas de estantes que do teto ao chão eram preenchidas por frascos de poções. A grifinória correu os olhos pelas poções e rapidamente pegou as que precisaria. Ficou agradecida por Snape ser tão organizado, de outra forma teria demorado muito mais para encontrar o que precisava.

Ela voltou correndo para onde Severo Snape estava sentado. Não parecia muito confortável, porém Hermione achava que o pôr na sua cama seria ultrapassar ainda mais a barreira entre aluna e professor. Ela já havia invadido a sua sala pessoal, o seu escritório... Não iria invadir o seu quarto.

A garota tirou a pesada capa negra e empalideceu quando uma máscara prateada de comensal caiu no chão. Ela estremeceu de choque ao constatar quem era o responsável pelo estado do moreno e uma dor lancinante escureceu sua visão por alguns segundos. Por isso ele não quis visitar a enfermaria? Madame Pomfrey não sabia que ele era um espião? Hermione fez um esforço para deixar de lado essas perguntas e voltou a atenção para o homem. A blusa embaixo estava ensopada com sangue, havia até algumas partes em que era visível notar o sangue coagulado. Essa peça foi tirada cuidadosamente e finalmente o dorso pálido ficou exposto.

Um rubor tomou conta das bochechas de Hermione Granger. Apesar de o maestro ter uma constituição sólida, ele era bem mais alto que a maioria dos homens que ela já tinha visto, o peito largo e forte a surpreendeu. Um véu escuro de pelos adornava os seus músculos e eles quase escondiam as inúmeras cicatrizes que ele tinha. Severo Snape era uma mistura de porte altivo e também rústico. Hermione sentiu um calafrio na barriga. Nas últimas semanas havia descoberto mais coisas sobre o homem do que nos últimos cinco anos e ela não sabia ainda se aquilo a agradava ou não.

Com facilidade ela achou o corte responsável por tudo aquilo. Era bem profundo e ia do umbigo até a primeira costela, por trás do sangue era possível observar os músculos e por trás dos músculos ela podia ver um órgão. Pela posição ela deduziu que era o fígado. Hermione se sentiu tonta e enjoada, mas ela não vomitou ou desmaiou se manteve firme e começou a administrar as poções cuidadosamente.

Nota da autora: Oi! Aqui está! Capítulo seis. Acho que essa última cena pode ter deixado algumas pessoas com um pouco de inveja da Hermione, né? Ter Severo Snape a sua total mercê! Kkkkkk! Bem... Eu ia colocar nesse capítulo o que aconteceu para deixar o pobre do Snape nessa situação, mas eu queria mandar logo o capítulo então ficou para o próximo. Ah! Luna não é uma fofa? Eu adoro essa personagem! Ela é tão engraçadinha... A garota meio sem noção que fala tudo o que pensa. Quem não gostaria de ter um pouquinho de Luna Lovegood?hihihi. Olha... Vou tentar escrever o próximo capítulo logo, mas como não vou encontrar vocês até lá... FELIZ NATAL! É meu aniversário quinta, dia 24 de Dezembro, então posso pedir um presente pra vocês?Por favor! Comentários! Hihihi! E também vocês podiam torcer por mim, pelo resultado do vestibular?Essa semana vai sair o listão... Tou morrendo de nervosismo!Seria bom uns pensamentos positivos! Um beijão!

Jessica-semnadaprafaze123: kkkkkkkkkkkk! Rir demais! Você acha o nariz ofídico de Voldie sexy?Kkkkkk! Ótimo!Nunca tinha pensado em nada sexy nele... Só que ele é muito atraente como Tom. Hiihi. É... Você é um pouco estranha mesmo! Ah... Camarada! Realmente eu não vou muito com a cara da ruiva, se bem quem eu não gosto do Rony também, mas ele até que é engraçado!Bom, não sei bem se estava me referindo a Hermione e Harry nesse sentido... Kkkkkk! (suspense). Eu queria vislumbrar esse peito másculo e você?Beijos!

Viola: Oi! Pode acompanhar eu não pretendo abandonar essa fic! Pode até demorar um pouco com a continuação, mas eu pretendo finalizar essa fic sim. Então, foi mais rápido,né? E olhe, eu tive um problema com esse capítulo. Meu irmão o apagou na semana passada e eu tive de reescrever tudo! Acho que deve ser por isso que não estou gostando muito dele, não ta fiel a primeira vez que o escrevi. Enfim... Vou tomar mais cuidado da próxima vez para não acontecer novamente. Valeu!

Ana: OI!Que bom que você decidiu comentar! Ah! Vou continuar sim. Eu realmente demorei com a atualização do capítulo anterior, né? Muita gente ficou achando que eu tinha abandonado a fic. Mas aqui está o capítulo seis! Luna apareceu e um admirador para Hermione. kkkk!

MilyTiete:Ah! Eu odeio quando acontece comigo, quando tenho de reler um capítulo anterior de uma fic para poder lembrar-se da história... Desculpa! Acho que dessa vez você não precisou disso, né? Ah! Fico feliz de você ter gostado tanto do capítulo!Ah! Umbridge é realmente uma figura, não é?kkkkkkk! Dessa vez foi Lunita que apareceu, acho que ela é mais agradável que Dolores, né? E os comentários espontâneos da loira não tem preço. kkkk! Beijos!