Capítulo oito
1-.
A surpresa do suave toque sobre os seus lábios a deixou, momentaneamente, paralisada. Em um momento estava resmungando, mentalmente, sobre o descuido e desleixo do professor com a sua grave ferida e no outro, repentinamente, se via envolvida por uns fortes braços. A garota sentiu o toque na sua nuca, um pedido mudo de mais contato. Ela arfou confusa e o homem aproveitou aquele breve entreabrir de lábios para aprofundar o beijo.
A castanha continuava em estado de estupor, suas mãos continuavam sobre o cuidadoso curativo. Ela sabia que tinha de agir, que aquilo não estava certo. Ele era seu professor; ela sua aluna. Ele era, ou melhor, fingia ser adepto de você-sabe-quem; ela tinha pais trouxas... Vários outros motivos circulavam pela sua mente, porém, quando a língua ardente e experiente avançou a barreira dos seus lábios e encontrou a sua, todos os motivos deixaram de existir e perderam o sentido.
Não era o seu primeiro beijo, não mesmo. Victor Krum havia lhe dado o seu primeiro beijo e naquela época imaginou que não haveria nada tão bom quanto aquelas doces carícias do búlgaro, todavia, surpreendentemente, estivera enganada. O beijo do seu temido mestre de poções superava tudo.
O jorro de sensações a estava deixando mole e ela não sabia como podia manter-se firmemente em pé.
-Pare de... Pensar. –a ordem saiu abafada e desconexa por a junção de bocas e a voz áspera e masculina a fez se arrepiar. Hermione finalmente recuperou os movimentos e um pouco hesitante subiu as mãos pelo peitoral largo até o pescoço pálido e então pôde exigir mais. Agora estavam tão unidos que o som surdo e pausado do batimento cardíaco de Severo Snape se juntava ao seu, desenfreado, criando um novo som.
Snape rodeou a estreita cintura com mais firmeza. O beijo da garota era cálido e tímido, mas completamente viciante. Ele ignorou a ordem mental de soltá-la, havia atendido a um impulso do seu corpo, coisa que há anos não fazia. Ele era sempre metódico e precavido, utilizava os instintos onde era importante: numa batalha, na elaboração de um poção... Não em relacionamentos, muito menos em relacionamentos com alunas.
O último pensamento martelou durante alguns segundos na sua cabeça, o ajudando a clarear a mente dos calorosos beijos da grifinória até que, repentinamente, analisou racionalmente o que estava fazendo. Ele colocou as mãos nos ombros da garota e a afastou bruscamente.
A garota pestanejou algumas vezes alarmada e se afastou pausadamente com três passos para trás, mas em nenhum momento desviou o olhar assombrado do seu. Pelo seu comportamento, Snape podia deduzir que ela havia sido arrastada para o beijo desprevenida; porém ela havia respondido ao beijo com igual ou maior ímpeto que o seu. Em nenhum momento ela havia tentado se afastar e uma prova disso era sua presença ali quando ela já deveria ter saído correndo do aposento.
A confusão tomava conta de si, mas em nenhum instante deixou isso transparecer na sua face. Contudo, a garota não era tão boa atriz. O seu rosto, antes pálido, estava tão rubro que poderia rivalizar com o cabelo de qualquer Weasley.
-O que... O senhor... Eu. –a garota, como próprio de qualquer grifinório, foi a primeira a quebrar o pesado silêncio, porém o seu balbuciar e a sua incapacidade de formar uma frase coerente distraiu o professor de poções.
-A sua maestria com as palavras é admirável Srtª Granger. –observou irônico.
Hermione respirou fundo, envergonhada. Será que havia imaginado tudo? Como era possível que aquele impassível professor houvesse acabado de lhe dar o melhor beijo a que já havia sido sujeita e agora lhe contemplava serenamente como se ela não fosse mais que uma parede? Mas os lábios inchados eram provas do que havia acontecido, assim como o gosto do professor na sua boca: um leve toque de ervas fortes.
-Porque você fez isso? Porque me beijou? –Hermione tensou a mandíbula assombrada com a própria coragem.
-Senhor, Granger. Ainda sou seu professor. –recriminou.
-Não parecia meu professor, alguns minutos atrás. –soltou num murmúrio sóbrio, fazendo uso de toda sua coragem para enfrentar os olhos escuros de Snape.
-E você não pareceu impor nenhuma resistência, Granger.
Hermione baixou os olhou envergonhada. Aquilo tudo parecia irreal e sem sentido.
-Fiz isso porque você me pediu a gritos para fazê-lo. –Snape ignorou o olhar incrédulo da garota. –Como eu deveria encarar suas ações? Entrando na minha sala sem permissão, cuidando de mim zelosamente, dormindo sobre o meu torso quando acordo... –a cada enumeração Hermione se sentia mais ressentida e agredida. Snape não poderia ser tão odioso a ponto de acreditar naquilo que estava dizendo. Ela não o havia ajudado por ter alguma atração física por ele; ela havia feito isso porque não era um monstro! Não poderia negar auxilio a alguém ferido e que necessitasse da sua ajuda.
-Eu teria feito isso por qualquer um. –murmurou acidamente.
-Não sabia que podia chegar a ser tão generosa com os seus favores Srtª Granger. –comentou passivamente.
Hermione sentiu a mão formigando, pronta para retirar aquele sorriso irônico do rosto do mestre de poções. Não foi fácil controlar o seu temperamento depois da insinuação, não foi fácil manter a mão longe da sua varinha, porém, apesar de tudo, não se descontrolaria. Não daria nenhuma desculpa para mais alguma detenção. Simplesmente queria ficar o mais longe possível daquele homem.
-Se é essa a imagem que faz de mim professor, sinta-se a vontade para tê-la. Não me importo com a sua opinião sobre mim. - deu de ombros. –Com licença. –despediu-se e saiu dos aposentos o mais dignamente que conseguiu.
Snape caiu pesadamente no sofá quando a conhecida solidão se fez presente. Havia mentido para a castanha, sabia que suas palavras haviam sido duras e injustas, mas com elas havia feito com que a garota o odiasse e se afastasse e assim era melhor. Na verdade não sabia ao certo porque a havia beijado. De onde havia surgido aquele impulso. Mas qualquer que fosse a resposta o melhor seria manter uma distância prudente dela e da sua influencia sobre ele.
2-.
As lágrimas a impediam de ver claramente o caminho a sua frente. Na verdade, só uma coisa martelava na sua mente: manter-se o mais longe possível de Severo Snape. Hermione parou e se encostou pesadamente na parede, até sentar-se, quando o frio do calabouço parou de aderir a sua pele. Ela inspirou profundamente e tentou minguar os soluços. Foi preciso alguns minutos para conseguir e quando acabou se manteve na mesma posição cansada e pensativa.
A garota tocou os lábios ligeiramente e franziu a boca com a lembrança do beijo. Por mais que tentasse a sensação continuava.
-Hermione?
A grifinória levantou o rosto bruscamente e se encontrou com os olhos de Ernie.
-O que você está fazendo aí?-a preocupação era evidente na voz do Lufa-lufa.
-Estou bem Ernie. -Hermione se levantou com a ajuda do garoto e tentou arrumar as vestes atraindo a atenção do garoto para sua roupa.
-Porque você não está com o uniforme? –Ernie a olhou com a testa franzida. Tinha saído bem cedo da Sala Comunal porque precisava mandar uma carta para a família e havia se surpreendido ao ver um vulto no meio do corredor, ainda mais quando reconheceu que se tratava de Hermione. –Você não estava com essa mesma roupa ontem?
Hermione mordeu o lábio inferior nervosa.
-Ernie... Eu...
-Você não dormiu na sua Sala Comunal, não é? –deduziu vagarosamente a analisando criteriosamente. As roupas amarrotadas, os cachos em desalinho, a leve olheira. O garoto ficou pálido e a olhou magoado. –Você sabia que eu gostava de você Hermione. Podia me dizer que tinha um namorado, não precisava encher-me de falsas esperanças.
-Ernie. –Hermione soluçou. O que diria? A verdade? Imediatamente essa ideia se desfez. –Certo. Eu não dormi na sala comunal, mas não é o que...
-Eu estou pensando? –terminou o garoto com um leve tom irônico. Ele suspirou notando a clara evidência das recentes lágrimas em seu rosto. –Olha. Tudo bem. Não precisa me explicar nada, certo? É melhor você correr rápido para o seu dormitório antes que mais pessoas acordem. –Ele tentou lhe mandar um sorriso, entretanto a tentativa saiu como uma carranca triste.
-Obrigada Ernie. –Hermione o olhou hesitante antes de correr em direção ao seu dormitório. Os corredores, felizmente estavam desertos, e quando ela passou pelo buraco do retrato encontrou o salão vazio. Ela respirou profundamente e se dirigiu ao seu dormitório nas pontas dos pés. Se Lilá ou Parvati estivessem acordadas ela estaria perdida.
3-.
O quarto que compartia com as meninas estava relativamente escuro e os leves resmungos de Lilá e Parvati a fizeram sorrir relativamente relaxada. As suas companheiras sempre tiveram um sono intranquilo, mas ela acabara se acostumando com os barulhos e as mexidas constantes de lençóis.
-5 da manhã. –comentou para si mesma. Ela estava cansada, havia tido pequenos cochilos enquanto cuidava do mestre de poções e seu corpo protestava pela falta de descanso. - É melhor eu tomar um banho.
Hermione dirigiu-se para o banheiro olhando de relance para sua cama. Ela encostou a porta sem se preocupar em girar a maçaneta. Convivia com as meninas a mais tempo do que com os próprios pais e com o passar dos anos haviam se acostumado e perdido o constrangimento. Ao menos, em parte. Hermione podia aturar o entra e sai de Parvati e Lilá no banheiro desde que estivesse dentro da banheira com a espuma cobrindo sua nudez, porém ainda não era capaz de correr nua pelo aposento atrás de alguma veste como as outras viviam fazendo.
A castanha tirou a roupa e mergulhou na água quente e perfumada com um pequeno sorriso. Lembrava-se como costumava ficar aterrada com o jeito desinibido de Lilá, principalmente. E, em parte, sentia um pouco de inveja dela. Ela nunca conseguiria ser tão bem resolvida com seu corpo como as companheiras de quarto. Já tinha 15 anos, logo faria 16 e ainda tinha poucas curvas para confirmarem que era uma garota, ao contrário de Lilá, que exalava feminilidade (talvez em exagero, é verdade).
A menina suspirou e começou a lavar o cabelo para logo jogar a cabeça molhada para trás, na borda mais larga da banheira. As pontadas na nuca recomeçaram a obrigando a fechar os olhos de frustração e dor. Ao menos sua seção matutina de dor de cabeça servia para impedi-la de lembrar o estranho beijo que recebera.
Com gestos lentos, ela apertou a ponte do nariz. A dor estava mais forte e um zumbido intrigante enchia sua audição. Hermione mordeu o lábio e tentou relaxar. As dores de cabeça estavam se tornando mais e mais violentas e toda vez que se encontrava imersa nelas jogava seus pensamentos para a invasora de Grimmaud e na sua teoria cada vez mais consistente de quem ela seria realmente. De repente, Hermione foi levada, por uma forte pontada, à inconsciência.
4-.
O toque frio e asqueroso a acordou, mas ela se obrigou a manter as pálpebras fechadas. Fingir ainda dormir era menos repugnante do que abrir os olhos e notar que continuava prisioneira naquela habitação luxuosa; naquele lugar que a cada dia se tornava mais e mais conhecido para ela; com aquele homem que mais parecia um animal do que qualquer coisa.
-Sabe minha elect... Eu sei que você está acordada.
Hermione se tensou com a voz próxima ao seu lóbulo esquerdo. Odiava tudo ali! O quarto, ele e por fim... Começava a odiar a si mesma.
-Você ainda não entendeu que me pertence, não é? – a pergunta pensativa saiu num assovio estremecedor e o toque brusco no seu ventre a obrigou a abrir os olhos. Ela não queria parecer temerosa então manteve o olhar nas fendas rubras e levantou o queixo com altivez. Talvez fosse idiotice se fazer de corajosa quando estava numa posição tão vulnerável, entretanto, o que mais podia fazer? Era tudo o que tinha depois de ter tudo tomado. Voldemort lhe tirara tudo. –Bem... Mas daqui a alguns meses você não ficará tão reticente, não é? Quando o nosso filho nascer você não me olhará mais dessa forma minha elect.
Hermione franziu o nariz. Era bem consciente da criança que se desenvolvia dentro de si, mas não tinha qualquer instinto maternal por ela. O bebê já possuía tudo para ser um monstro. Por suas veias corria magia negra. A castanha se estremecia ao imaginar o que nasceria dela.
-Preciso ir, minha cara. –Voldemort a contemplou por uma eternidade, os olhos famintos de um predador. Sua mão pálida contornou o seu mamilo direito enquanto a outra mão descia até o seu centro. Hermione respirou fundo, enojada, e girou os punhos tentando se desfazer da corda que a mantinha imóvel. Quando um segundo dedo estava prestes a se assomar na sua entrada, Hermione fez uma queixa num leve grunhido de dor. Imediatamente o lorde das trevas se afastou como se ela queimasse e a estudou com o rosto impassível. Contudo, os seus olhos mais escuros e duros lhe indicavam que ele tinha ficado minimamente preocupado.
O seu escrutínio foi relativamente longo, mas, no fim, ele saiu do quarto. Assim que a porta fechou, as cordas no seu pulso se desvaneceram e Hermione pôde respirar mais relaxada. Ela correu para o banheiro que tinha mínimos utensílios de higiene. Antes ele estava repleto de objetos: decorativos e de uso; mas desde que ela tentou se matar tudo o que poderia ser usado para esse fim foi tirado dali. A castanha foi para debaixo do chuveiro e começou a esfregar o corpo até deixar a pele de um rosa intenso. Gostaria de poder apagar de si a sensação das mãos de Voldemort... Mas era impossível. Vivia aquele inferno diariamente.
-Senhorita? Trouxe-lhe a comida.
Hermione quase pulou assustada quando a voz fina da elfa a tirou dos seus pensamentos.
-Espere!- Hermione saiu do banheiro, desnuda e pingando.
A elfa era franzina e suas roupas estavam tão sujas e decrépitas como ela própria. O corpo pequeno tinha alguns machucados e Hermione se estremeceu com o que sua ação poderia significar para a pobre criatura.
-Sim senhorita? – a elfa baixou a cabeça submissa. –Algo errado?
Hermione a notou estremecer.
-Não. Mas... Como poderei comer sem talher?
-O amo não permiti talheres.
Hermione mordeu o lábio inferior. E se concentrou para ser dura o bastante.
-Olhe, sua criaturinha insolente e imprestável! –rosnou friamente. –Você deve me obedecer e eu estou ordenando talheres!
A elfa doméstica tremeu violentamente e seus enormes olhos azuis brilharam quando gotas de lágrimas começaram a se acumular.
-Não sou um bicho imundo como sua espécie. Seu dever é servir, ou estou errada? –Hermione mordeu a bochecha interna e cruzou os dedos.
-Sim, sim, sim! –assentiu aterrada e com o plop suave convocou uma colher e uma faca de ponta bem arredondada. – Preciso me retirar agora minha senhora, Synni vai se castigar, ela promete.
-Saia logo daqui elfo.
Hermione suspirou quando ficou novamente sozinha e correu até a faca. A ponta era roliça, mas as cerras eram afiadas o bastante, de qualquer modo iria servir.
-Não... –murmurou para si. –Tem que servir.
A castanha deitou-se na cama e alisou a faca vagarosamente e em seguida tocou o ventre. Essa era a sua terceira gravidez. Das outras vezes havia sido mais fácil impedir o fim da gestação: a ajuda de Severo Snape e de duas poções. Mas agora teria de se virar sozinha, já que Voldemort havia enviado o mestre de poções para uma missão e há alguns meses havia deixado de receber notícias dele.
-Todos me abandonaram... A ordem, meus amigos e até Severo. –torceu o rosto num sorriso amargo. Estava ali pela ordem, poderia ter fugido. Snape tinha feito a proposta assim que foi capturada pelos comensais e levada para Você-sabe-quem. Mas naquele momento recusou a ajuda, pois sua fuga iria incriminar o professor e a ordem não podia prescindir dele naquele momento. Além disso, foi ingênua e idiota. Pensou que poderia aturar tudo, que haveria tortura, ameaças, mas que aguentaria firme até que a Ordem, juntamente com Snape ,criassem uma oportunidade para sua fuga... Mas tudo saiu errado. Voldemort a torturou, a estuprou e pouco depois a sua ideia inicial de matá-la aos poucos mudou para: mantê-la para si. Ela era vigiada constantemente, quem guardava sua porta era Nagini: o seguidor mais confiável do Lorde das trevas.
Ela suspirou pesadamente em busca de coragem e força. Segurou o punho da faca com firmeza e a desceu na direção da pequena curva na sua barriga.
5-.
-Hermione! Hermi! Levante-se!
A castanha acordou pelas sacudidas frenéticas de Lilá Brown. A loura tinha os cabelos despenteados e as bochechas pareciam avermelhadas dando-lhe o aspecto de que acabara de sair dos braços de algum amante. Mas os olhos assustados ponderavam no rosto redondo.
-Qual hora? – a castanha se remexeu incômoda, a água estava fria e a espuma tinha desaparecido fazia tempo. Lilá lhe passou uma toalha e ela saiu arrepiada da banheira. De repente, o sonho lhe voltou à mente a deixando confusa. Havia sido um sonho, não era?
-Bastante tarde. Se eu e Pati não nos apressarmos perderemos o café da manhã. –Lilá a olhou interrogativa. –Você dormiu na banheira, isso é muito perigoso. Levei um susto de morte quando entrei aqui e me deparei com você quase submersa na água. –a menina respirou fundo. –Vai se arrumar e apresse Parvati!
Hermione obedeceu sem impor resistência. Cada passo dado lhe custava todas as forças, seus membros pareciam sem vida. Um gosto de bile lhe subiu a garganta enquanto se arrumava porque sentia que não havia sido um mero sonho.
6-.
-Tem certeza que você está bem?
Hermione suspirou pesadamente, era a décima vez que Harry lhe fazia essa pergunta. Primeiro ele nem quis que fossem treinar Magia negra, lhe custou todo o café para lhe convencer da importância de aproveitarem cada tempinho livre e depois, quando se acomodaram na Sala Precisa, precisou de toda paciência para garantir ao amigo que estava bem e que sua palidez se devia a uma noite mal dormida.
-Harry... Estou sim. Preste atenção no movimento do braço. –Lastin Neagori!
O feitiço caiu numa bola negra sobre o rato que estava em cima da mesa e lentamente a carne foi apodrecendo. Harry fez uma careta e tentou copiar o movimento da menina, mas da sua varinha saiu um fiapinho trêmulo e cinzento. O seu rato deu um guincho assustado e se encolheu no canto da mesa.
-Desisto... Eu não consigo lidar com esse tipo de magia.
Harry caiu no sofá. Hermione guardou a varinha no bolso da veste e se sentou ao lado do garoto que sobreviveu.
-Você tem que visualizar o que vai acontecer Harry. Os feitiços de magia negra funcionam melhor através da sugestão da mente. Não basta apenas poder, palavras certas e movimentos corretos. O bruxo tem que querer e ser capaz de imaginar tudo o que vai acontecer ao seu inimigo...
-Eu não consigo. Não é fácil usar um feitiço que vai desmembrar e decompor o corpo de outra pessoa. - Harry a interrompeu. –Não sei como você consegue.
Hermione desviou o olhar. Talvez não fosse capaz disso no começo do ano, mas muita coisa tinha mudado. A sua mente lhe mostrava cenas terríveis e se, como acreditava, aquilo era o seu futuro... Precisaria de todas as armas possíveis. Ser-se-ia capaz de um aborto porque não conseguiria imaginar alguém morrendo e sofrendo?
-Eu consigo e ponto. Você também é capaz. –a menina levantou-se. –Vamos, tente novamente.
Harry a acompanhou até o seu rato amedrontado.
-Lembre-se: use o poder da mente. –Hermione tocou na sua têmpora. – Numa batalha não há momento para hesitação Harry, o seu inimigo não terá dificuldade de te imaginar destroçado. Vamos.
Harry assentiu e tentou uma vez, e depois outra e mais uma vez.
7-.
-Onde vocês passaram a tarde? –a pergunta inquisitiva saiu dos lábios de Gina assim que Harry e Hermione entraram no Salão Principal para o jantar. Hermione revirou os olhos diante da desconfiança da ruiva, enquanto Harry franzia a testa.
-Fomos para biblioteca. –respondeu Hermione antes de saborear a sopa de abóbora.
-Mesmo? –Gina olhou atentamente para Harry. –Vocês andam muito estudiosos ultimamente. –comentou. –Porque Rony não foi com vocês?
-Ergh meuint rsjai def ish hebunt.
A resposta enérgica de Rony espalhou migalhas de comida na mesa.
-Eca Rony! – a ruiva deu um empurrão no ombro do irmão.
-Eu disse: É muito ruim de eu ir junto. –Rony olhou de relance para os amigos e voltou toda sua atenção para a comida. – É muito mais divertido e saudável jogar quadribol do que ficar trancado numa sala empoeirada... Vocês sabem que eu tenho asma. –murmurou entre colheradas.
-Você só teve uma crise e quando não passava de um bebê babão.
Harry e Hermione abafaram risinhos da briga fraternal.
-Do que vocês tão rindo? –Gina voltou a atenção para os dois. –Bem, eu preciso de uma ajuda em poções então da próxima vez podem me chamar para me juntar a vocês. –se convidou.
Harry e Hermione se entreolharam e assentiram a contra gosto.
-Ótimo! Vejo vocês daqui a pouco.
Quando a ruiva estava longe o bastante Harry voltou sua atenção para Hermione.
-Porque ela está tão esquisita?
Hermione abafou uma risada.
-Ai, Harry... Você não tem mesmo ideia, não é? –Hermione olhou sorridente a negativa do amigo. –Olha, deixa pra lá são coisas de garotas.
-Certo. Mas ela anda muito estranha. Pior do que quando acreditava que estava apaixonada por mim.
-E seria tão ruim assim?
Harry se engasgou com o suco.
-O quê?
-Se Gina gostasse de você. –Hermione o olhou atentamente. –Ela é bonita e divertida, talvez um pouco ciumenta mas... É uma boa garota e ela nunca estaria com você porque é famoso.
Hermione olhou de lado para o moreno estudando todos os seus gestos.
-Não tenho dúvida que Gina seria uma excelente namorada para qualquer um. –murmurou para que o amigo não o ouvisse falando da irmã caçula. –Mas ela merece alguém que corresponda seus sentimentos.
Hermione assentiu pensativa.
-Tudo bem. Então vamos ter que aturar a ruivinha enquanto durar a sua fixação por você.- Hermione manteve a colher na boca durante alguns segundos meditativamente. –Bom, acho que vamos ter que inventar melhores desculpas para treinarmos mais... Desculpa Harry, entretanto você é um péssimo aluno.
O suave tom avermelhado foi desaparecendo do rosto de Harry a medida que Hermione continuava a falar.
-Se artes das trevas fosse tão divertida quanto quadribol, eu não teria problema com concentração.
Hermione revirou os olhos, mas sorriu levemente.
-Olá! –Luna sentou-se na cadeira onde Gina estivera. –Tudo bem Hermione?
Hermione assentiu desconcertada e deu de ombros sobre o olhar interrogativo dos amigos.
-Hum... Lilá contou que você dormiu na banheira. -Luna divagou durante alguns segundos e não percebeu os olhares confusos e preocupados de Rony e Harry. -Você dormiu com uma meia? Os ursilis odeiam pessoas que dormem com uma meia apenas... Talvez eles tenham te feito adormecer como vingança. Tem um artigo na revista do meu pai...
-Não Luna. -Hermione a interrompeu. -Estava apenas muito cansada.
Luna a encarou curiosamente.
-Ernie parece chateado com você.
A mudança de assunto a deslocou um pouco mais era algo típico de Luna. Hermione manteve silêncio durante um período.O encontro com o garoto no início da manhã havia sido algo constrangedor.
Rony fechou a cara diante do comentário da loura e instantaneamente sua preocupação com a amiga desapareceu.
-Que ele apodreça de chateação. -indagou bruscamente. -Hermione não precisa dele para nada. Além disso, já estava demorando para você dar um basta nele como eu mandei Hermi.
Harry suspirou. Rony não sabia medir as palavras e provavelmente ele nunca saberia.
-Como me mandou? Como me mandou? -Hermione levantou-se bruscamente chamando a atenção de alguns companheiros que estavam próximos. -Você não tem nenhum direito de mandar em mim Rony Weasley!
As orelhas do ruivo se tingiram de um intenso púrpura e ele já estava pronto para retorquir quando foi impedido por Harry.
Hermione lhe lançou um último olhar e saiu apressada do Salão.
-Uau. Comer com vocês sempre é imprevisível. -murmurou uma Luna pensativa.
8-.
Os gritos e as risadas cortavam o céu mas a balbúrdia, contra todo prognóstico, a tranquilizava. Hermione tirou a atenção do livro no seu colo e se voltou para o campo de quadribol onde seus amigos estavam juntamente com vários estudantes de outras casas, apenas aproveitando um período sem aula. Tinham se passado alguns dias desde a discussão com Rony e eles haviam dado uma trégua.
-Eu bem que gostaria de voar um pouquinho.
Hermione olhou para a corvinal ao seu lado e sorriu diante do evidente desejo na voz da menina. Elas estavam cada vez mais próximas e Hermione gostava da sensação de ter uma melhor amiga.
-Por que você não vai?
-Eu queria dar piruetas. -comentou sonhadora. -Deve ser bem curioso ver o mundo de cabeça para baixo mas não tenho habilidade para isso.
Hermione fez uma pequena careta e estremeceu ao imaginar a sensação desconfortável. Ela tinha medo de altura e a descrição que Luna tinha feito a enjoava.
-HARRY!- gritou levantando os braços.
O garoto que sobreviveu desceu velozmente com sua firebolt. O rosto avermelhado e suado de exercício.
-O que foi Hermione?
Tanto ele quanto Luna a olharam intrigados.
-Você poderia fazer o favor de mostrar o mundo de cabeça para baixo para Luna? -terminou a castanha com um bico infantil levando Harry a gargalhadas.
Ele olhou confuso para Luna mas essa já tinha pulado às suas costas.
-Vamos!vamos!Vamos! Piruetas!- comandava a loira entusiasmada.
Hermione riu quando os amigos levantaram vôo. Ela os observou durante alguns minutos antes de arrumar suas coisas e se encaminhar para o castelo. Ela andava lentamente aproveitando os últimos raios do sol quando foi interceptada por um sonserino.
-Granger.
O garoto fez um leve cumprimento com a cabeça e Hermione respondeu surpreendida. Os sonserinos normalmente mantinham distância dos alunos das outras casas mas não era tão obtusa para achar que todos odiavam aos sangues-ruins. Mesmo assim era muito estranho ter Blaise Zambine trocando palavras com ela.
-Zambine.
-Uma coruja me entregou uma carta que era endereçada para você. -o rapaz puxou a carta de um dos bolsos da sua veste.
-Está aberta. -comentou irritada. o sonserino respondeu com um dar de ombros.
-Não sabia que não era para mim até abrir e começar a ler.
Ele lhe entregou e Hermione percebeu que a explicação seria o único pedido de desculpas que obteria. O garoto deu meia volta.
-A coruja deve estar doente ou recebeu algum malefício pois ela estava muito desorientada. Entrou na sala comunal da sonserina e foi uma sorte para você que Malfoy não estava lá.
Hermione iria agradecer, porém o garoto já tinha se afastado.
-O que ele te deu?
Hermione deu um pulo e olhou irritada para Harry que vinha acompanhado de uma sorridente Luna Lovegood mas ele a ignorou.
-Você me assustou. -o recriminou começando a ler a carta.
-Uma carta? Um sonserino te deu uma carta? O que... -a palidez no rosto da amiga o impediu de concluir seu questionamento. -O que houve Mione?
Nota da autora: Oi! Estou viva!hi,hi,ão... O que acharam do tão esperado primeiro beijo? Intenso,não?O que será que tem na carta? Alguém tem um palpite? Nossa... o desenvolvimento da fic está terrivelmente lento. Não só por minha falta de tempo como também na própria estrutura do enredo. Cheguei a conclusão de que se eu quiser que a fic saia do jeitinho que eu imagino ela vai terminar bem longa. Então paciência pessoal! Beijos a todos!
LadyLeech: Oi! Valeu pelo comentário!Sei que estou demorando muito com a continuação mas fique tranquila que não vou abandonar essa fic. desculpe-me, te deixei ainda mais ansiosa , não foi? Mas fiz esse capítulo mais comprido... Gostou da ceninha macabra de Hermione e Voldemort? Você tem alguma ideia do que diabos tem na carta? E ela será confiável? beijos!
Mariane: Olá! Agradeço o comentário! Fico feliz por você está gostando da fic! Não desiste dela não, certo? Beijos!
Viola: E aí! Pronto, aí está o que você tanto queria: a reação de Hermione ao beijo! Gostou? Eu sinceramente adorei o primeiro beijo dos dois! E quando Snape disse para ela parar de pensar? Deu arrepios, heim? xerooo
Ana Scully Rickman: Desculpa, desculpa! Você me amaldiçoou por esses meses de vácuo, não foi? (risos). Eu realmente fui uma ridícula por ter terminado o capítulo naquela parte mais aí está o tão esperado primeiro beijo dos dois. Beijos!
