Capítulo nove
-Jogo de xadrez-
1.-
Lágrimas inundaram o rosto de Hermione e ela soltou a carta para se jogar nos braços de Harry. Luna pegou o papel e leu.
-Hermione... Foi um acidente. Ninguém morreu. -Luna a olhou séria e enxugou as lágrimas do rosto da amiga. -Você vai se recompor e juntos iremos até o escritório de Dumbledore. Daqui a poucos minutos estaremos no hospital. Sua mãe estava bem o bastante para escrever a carta, não se preocupe.
-O que houve? -Harry repetiu frustrado.
-Meus pais sofreram um acidente de carro e mamãe diz que papai está na UTI. - as palavras saíram meio abafadas mas Harry as entendeu.
-Vamos fazer o que Luna disse. -comandou. -Eu vou avisar Rony para ele não ficar preocupado.
Harry se afastou com a vassoura e Luna tomou seu lugar a tranquilizando.
2.-
Um sorriso irônico adornou os lábios de Severo Snape ao notar a divagação do diretor de Hogwarts. Já fazia poucos dias que havia comunicado ao velho sobre sua reunião com os comensais e o Lorde das Trevas e apenas agora ele lhe convocava para uma discussão com outros membros da ordem que lecionavam no fato, a maioria dos professores eram adeptos da ordem mas poucos eram frequentadores assíduos da sede ou das decisões tomadas. Além disso, apenas Minerva e Hagrid conheciam sua participação como espião. Isso ocorria devido ao seu papel e a necessidade de mantê-lo em segredo.
-Você tem certeza que o plano de você-sabe-quem é a oclumência, Severo? -Minerva lhe olhava atentamente e ele podia notar o nervosismo na mulher. Talvez ela não confiasse plenamente nele ou a ameaça de Voldemort aos seus alunos grifinórios a deixassem aflita.
-É a ideia.-Snape entrecruzou os dedos das mãos. -Isso não significa que o Lorde não modifique os planos. Ele anda muito ansioso em fazer com que o garoto que sobreviveu sofra e ele parecia determinado em ter em suas mãos um dos amigos de Potter.
-Nós temos de protegê-los Alvo! -Hagrid tinha as bochechas pálidas e batia o pé direito no chão ocasionando um leve tremor no aposento. - Hermione e Rony devem ser vigiados e...
-Eles estão protegidos. -Dumbledore interrompeu o gigante e acariciou a barba num gesto que tinha se tornado costumeiro.- Aqui em Hogwarts eles estão em segurança,Rúbeo. O problema vai ser a sua vigilância fora dos terrenos da escola. O garoto Weasley tem Molly e Arthur para protegê-lo, podemos aumentar os feitiços protetores da Toca.
-E Hermione? -Hagrid quase soluçou. -Talvez alguém da ordem possa ficar de olho nela durante as férias.
Snape tomou a varinha na mão passando-a entre os dedos. Era notável como um homem do tamanho e porte de Hagrid podia ser tão sentimental. Apesar disso, o gigante era bem confiável e curiosamente o tratava sem nenhuma desconfiança. Snape se perguntou se ele teria esse mesmo sentimento sobre ele se soubesse que havia beijado sua adorável amiguinha castanha. Provavelmente não, concluiu.
-Sim.- Dumbledore concordou pausadamente. - A senhorita Granger tem de se manter longe das garras de Voldemort.
O mestre de poções franziu a testa, a oração do diretor serviu para relaxar o semi-gigante ,entretanto, pôde notar um leve toque de dúvida na mesma.
-Podem se retirar. Severo fique, tenho outros assuntos para tratar com você.
Dumbledore esperou até a escada que levava até o seu escritório parar de se mover para lhe lançar um olhar sondador. O mestre de poções se manteve impassível.
-Então? -Snape quebrou o silêncio quando esse se tornou denso e pesado. Seus músculos se tensaram imperceptivelmente por baixo do grosso sobretudo. Havia um brilho conhecido nos pequenos olhos azuis que lhe fitavam por baixo do óculos de meia lua. E ele não gostava dele.
-Pergunto-me... O mais sensato seria manter Hermione Granger longe de Voldemort?
Por um momento Snape perdeu o ritmo sobre sua respiração.
-Como? -o leve balbuciar irritou os próprios ouvidos, odiava a forma como tinha soado reticente, mas não pôde evitar.
-Acompanhe meu raciocínio Severo... Hermione Granger tem alguma influência sobre Voldemort, lembre-se da nossa pequena reunião no Natal...-Dumbledore levantou-se da cadeira onde estivera acomodado e começou a caminhar lentamente pelo aposento. -E embora não saibamos exatamente o que atraiu a sua atenção nela, temos uma vantagem e...
-E você pretende envolvê-la em um papel de presente e entregá-la para o Lorde das Trevas? -Snape o interrompeu. -Você ficou louco Alvo?
-Seu modo de se expressar sempre me diverte Severo.-Dumbledore suspirou parecendo momentaneamente muito cansado. -Sejamos pragmáticos. A senhorita Granger seria uma ajuda para os interesses da Ordem.
-E a que custo? -soltou o professor. -Como você mesmo disse nem estamos certos do que fez com que o Lorde ganhasse tanto interesse nela.
-Independente do que foi, ela tem esse poder. Não sabemos o que é ,mas está nela, não é?
Snape fechou os punhos. Sabia que o diretor desejava acabar com Voldemort e seu séquito de bruxos malignos. Mas fazer isso utilizando uma garotinha de 15 anos?
-E se o poder que atraiu você-sabe-quem foi a luxúria? -levantou a sobrancelha esquerda de modo desafiante. -Aquela Granger que veio do futuro era madura e desinibida; esta não passa de uma menina inocente. -enquanto as palavras saiam por sua boca o homem lembrou-se do beijo compartido e sentiu raiva de si mesmo. -Ao invés de levá-la para cama e se sentir atraído, Voldemort lhe cantará uma canção de ninar.
A ironia fria fez Dumbledore levantar os lábios num sorriso pausado.
-Eu conheço Voldemort desde quando ele era Tom Riddle, o pequeno órfão de rosto encantador... E tenha certeza Severo que qualquer coisa pode atraí-lo, exceto a luxúria.
-Isso é ótimo. Ele só vai estuprá-la por diversão ou para humilhá-la.-comentou ácido. -Pensei que nosso dever era proteger os alunos Alvo. Há anos vivo de olho no senhor Potter para impedir as conseqüências desastrosas dos seu atos "heróicos" e sua mania de investigador de mistérios... Cuido do precioso rabo do garoto que sobreviveu! E quanto aos outros alunos?
-Ele é filho de Líliam, Severo. -Dumbledore o cortou. -Pensei que só isso bastava para você.
Snape tomou o controle de si mesmo. Era verdade. O filho de Lili, os mesmos olhos esmeralda.
-Meu querido Severo... Eu não estou mentindo. Quando era estudante, Tom sempre foi exemplar e apesar de ser um garoto bonito e popular, não teve namoradas até que isso se tornou vital para arrumar seguidores. Acredito que Voldemort não seja uma criatura em que se deixe tomar pelo desejo. Ele não gosta de nada que lhe tire o controle: amor, sexo,amizade, bebidas, drogas...
Snape tentou manter o rosto impassível, um trabalho que estava sendo difícil naquele momento. Sabia, é claro que o Lorde das trevas não perdia o controle por nada, porém isso não mudava o fato de que a Hermione Granger do futuro havia sido violada por ele. Além disso, lembrava-se nitidamente de uma visão que teve do futuro. Nela a castanha o fitava com os olhos apagados.
-Mesmo que isso faça sentido... Não sabemos, ao certo, com que idade Voldemort a tomou como prisioneira. -a preocupação era tangente na sua voz, talvez não fosse facilmente perceptível para qualquer pessoa, mas Dumbledore o conhecia desde menino. -E se ele a capturar no momento inadequado? Ele não hesitará em matá-la apenas para afetar Potter.
-Então... Vamos agir com a senhorita Granger do jeito que agiríamos se nunca tivéssemos recebido um alerta do seu eu futuro. -decidiu o homem mais velho.
-Isso significa... Deixá-la sem proteção? -retorquiu.
-Ah... Meu menino... Tomar essa decisão não é tão fácil como você imagina que está sendo. -Snape cruzou os braços, mentalmente, descrente. -Mas é necessário ser prático. Você é um ótimo espião, entretanto muitos comensais desconfiam da sua lealdade; o próprio Voldemort deve ter suas dúvidas.
-E você imagina que uma sangue ruim pode me ajudar? Acha mesmo que ela terá acesso a mais informações do que eu?
-Não insulte a menina, Severo.
Snape teve uma imensa vontade de rir de todo aquele absurdo. O velho pretendia deixar que a estuprassem e a torturassem, contudo o recriminava por um insulto.
-A senhorita Granger disse que fez sacrifícios pela Ordem, não? De que outra forma aquecer a cama de Voldemort nos ajudaria?
Um silêncio pesado cobriu os dois homens.
-E não pretendo entregá-la desprotegida como você pensa, Severo. -o fitou demoradamente. - Vamos treiná-la; tentar descobrir o que a faz especial e ,por fim, irei pedir a sua colaboração para isso.
Snape sabia bem como seria esse pedido. Dumbledore era ótimo em convencer as pessoas a fazer o que ele queria. Bastaria apenas mencionar baboseiras grifinorianas como honra, coragem, amizade... E claro, apelar para o bom coração da garota. Ela faria tudo por Harry Potter. Bastaria isso para ter ,nas mãos, Hermione Granger. Ela nem saberia o que havia aceitado fazer até estar nas mãos de você-sabe-quem.
-Potter vai adorar os planos que você tem para a sua melhor amiga. -comentou cínico.
-Harry não precisará saber. -Dumbledore o analisou criticamente. -A senhorita Granger será gentil o bastante para não preocupá-lo.
Snape leu as palavras atrás daquele comentário final : ele também devia manter a boca fechada. Ele quase suspirou cansado. Tantos e tantos segredos... O que custava mais um? Apenas a inocência de uma menina. O que, de fato, não devia incomodá-lo... Poucas pessoas mantinham a inocência em um tempo de guerra.
-Como quiser. -relaxou os ombros. -Sabe, Alvo? -esperou até o diretor assentir. -Você e Voldemort são mais parecidos do que imaginei.
3.-
Quando entraram no despacho do diretor, Hermione já tinha se acalmado o suficiente e deixado de chorar, todavia, o rosto ainda tinha resquícios do recente episódio. As pestanas castanhas pareciam mais escuras devido as lágrimas,as bochechas estavam vermelhas e o nariz pequeno estava rosado. Apesar disso, ela notou como tinham interrompido uma reunião importante. Se fosse em outra situação teria lembrado ao amigo que era falta de educação entrar num lugar sem pedir permissão, porém não estava raciocinando direito. Estava preocupada com os pais e precisava vê-los imediatamente, mesmo que para isso tivesse que interromper uma reunião do diretor com o mestre de poções.
-Como vai Harry? -Dumbledore levantou-se carismático e olhou atentamente para os alunos que estavam na porta do seu escritório. -Senhoritas, Senhor Weasley. -cumprimentou com seus olhos brilhando de curiosidade. -Vamos, sentem-se!
Com um movimento de varinha ele rapidamente convocou cadeiras para todos. Ela sentou-se entre Harry e Rony enquanto Luna correu até a gaiola da fênix e a analisou fascinada.
-Uma criatura fascinante. Não é mesmo Senhorita Lovegood?- quando Luna assentiu sem palavras Dumbledore voltou a atenção para o trio dourado.
-A que devo essa visita?
Hermione olhou de esguelha enquanto Harry contava sobre a carta e a necessidade que ela tinha de visitar os pais. A garota não foi capaz de abrir a boca, tinha receio de que se o fizesse recomeçaria a chorar. Além disso, a presença de Severo Snape a deixava desconfortável. Quando estava longe dele a lembrança do beijo a ameaçava apenas como uma fraca fumaça ,porém a proximidade a afetava de sobremaneira. Ela quase podia sentir o sabor da boca dele novamente.
-Um hospital trouxa? -o diretor olhou o endereço pensativo.
-Fica próximo ao centro de Londres. -explicou Hermione com a voz angustiada. - O consultório dos meus pais fica praticamente ao lado.
-Poderíamos usar a lareira como fizemos no Natal. - pediu Harry.
-E o grande herói vai junto. Isso irá facilitar ,ainda mais, o trabalho de qualquer comensal da morte. - Snape lançou seus escuros olhos no garoto que sobreviveu.
-Severo.
O tom de censura na voz de Dumbledore foi nítido.
-Não tem como os comensais da morte saberem que estou fora do colégio em pleno ano letivo. Ainda mais, num hospital trouxa. -retorquiu Harry com um ligeiro rubor de descontentamento. -A não ser que alguém aqui os alerte.
Rony entreabriu a boca desconcertado com o comentário final. Ele engoliu em seco e quase se encolheu ao observar o frio semblante do mestre de poções.
-Harry. - Hermione o reprovou com um olhar.
-Quem os alertaria Harry? Somos todos seus amigos. -Luna voltou seus grandes olhos azuis para o grupo. - O senhor tem algum Lumpisk, professor Dumbledore? Eles são menos raros que as fênix, porém são tão pequeninos que são difíceis de serem aprisionados.
-Não senhorita. Na verdade nunca ouvi falar deles mas parecem-me interessantes. Em outra oportunidade gostaria de ouvir sobre eles.
-Sabe professor. -Rony sussurrou se inclinando. -Essas criaturas que a Luna tanto fala não passam de invenções.
Hermione revirou os olhos.
-Professor. Eu preciso da sua permissão para sair do castelo. Sei muito bem que Harry deve ficar aqui,mas são meus pais. -Hermione mordeu o lábio inferior.
-É claro, senhorita Granger. -um semblante sério foi adotado pelo diretor. -Vamos apenas checar a região primeiro e alguém da ordem vai lhe acompanhar.
4.-
-Você está bem mesmo? -Gina massageou seus ombros amigavelmente.
Fazia poucos minutos que havia voltado do Hospital trouxa e quando entrou na Sala comunal foi recebida por uma enfezada Gina Weasley que lhe recriminou por ter recebido a notícia do acidente por seu irmão.
-Como você pôde escolher a pessoa mais sem tato do mundo bruxo para te consolar? -tinha dito lhe roubando um sorriso.
Como se ela tivesse ideia do que fazia, depois de ler a carta. Lembrava vagamente do abraço consolador de Luna ,da seriedade de Harry e a palidez de Rony. Depois, lembrava da invasão no escritório do diretor.
-Por Merlin! Eu entrei sem permissão no aposento de Dumbledore. -repetiu, tinha certeza, pela quinta vez.
Rony, ao seu lado, riu sonoramente.
- Sem contar que Harry acusou Snape de traidor. -comentou o ruivo com as mãos atrás da cabeça.
Não queria nem lembrar de Snape. Foi justamente ele o escolhido para lhe acompanhar até seus pais e ainda podia sentir o pesado desconforto ao percorrer os corredores claros do hospital ao lado daquele alto e silencioso homem. Ficara esperando, a cada segundo, por um comentário mordaz da sua parte , entretanto, ele nem parecia notar que estava ao seu lado. Olhava atentamente para todos os lados como se esperasse ser atacado a qualquer momento.
Hermione mordeu o lábio inferior pensativamente. Tivera de mudar a aparência antes de sair do castelo, tomara uma poção polissuco com um fio de cabelo de Luna e sua mãe a olhara descrente durante um bom tempo até ter terminado de explicar tudo e jurado que voltaria ao normal em poucas horas. Graças a isso fizera uma breve visita ao seu pai. Sua mãe havia saído do acidente com poucos arranhões no braço e tinha recebido alta depois de uns curativos. Assim, ela tivera tempo de ir até o Beco Diagonal e mandar a carta.
-Como sua mãe conseguiu entrar no Beco Diagonal? -Harry a olhou com curiosidade.
Hermione deu de ombros. Não havia perguntado mas não deve ter sido difícil. O dono do bar poderia a ter reconhecido e, depois um agrado monetário, a ajudou a entrar pela passagem mágica. Ou talvez ela tivesse usado a desculpa de trocar o dinheiro trouxa por bruxo a fim de mandar para sua filha em Hogwarts.
- Ela não permitiu mesmo que Snape levasse seu pai para Sant Mungus? - Rony a olhou incrédulo.
-Ela não queria e também, de acordo com Snape , não era seguro.- Hermione olhou para Harry e ele desviou o olhar. - Você não é o culpado Harry.
Gina assentiu confirmando o que Hermione dissera.
-Qualquer pessoa da ordem tem que manter vigilância. -murmurou a ruiva. -Não tem nada a ver com você, Harry. Na primeira guerra contra Voldemort também foi assim e você nem existia.
Quando Harry relaxou a castanha lhe sorriu confortadora.
-E eu até entendo minha mãe. Ela não conhece as regras do mundo bruxo. Ela ficaria perdida. Ela também não confia nos métodos que utilizam magia. -apontou brevemente para os seus dentes que haviam sido arrumados por Pomfrey. - Foi praticamente uma guerra quando voltei para casa com essa melhoria.
Os amigos riram.
- Mas qual o estado do Senhor Granger? - a preocupação era evidente na voz de Harry.
-Estável. Entrou em choque depois da batida e quebrou duas costelas e o fêmur. O maior perigo era uma hemorragia interna, mas os exames descartaram isso. Agora só resta esperar e se meu pai se negar a receber uma poção... Terá longos meses de fisioterapia adiante.
Gina e Rony trocaram olhares confusos.
-Em suma: Ele ficará bem. -esclareceu para os ruivos entre risos.
5.-
Por um momento permaneceu parada nas ruas de Hogsmead, indecisa sobre que caminho tomar. Já havia entrado na livraria e dispensava a Zonco's, onde Harry, Rony e Gina estavam.
Levantou o rosto com os olhos cerrados aproveitando o calor do sol. Logo, logo, seria julho e com ele voltaria para casa com seus pais. Normalmente ficava ansiosa com o início das férias, por um lado sentia saudades do mundo mágico e de seus amigos e, por outro, adorava passar um tempo em família. Entretanto, depois do susto que seus pais lhe deram, só desejava passar cada minutinho aproveitando o aconchego deles. Sem falar do clima pesado que estava presente no colégio de magia. Dumbledore tinha sido demitido e Umbridge era a nova diretora.
A mulher era uma louca. Entrava nas aulas de todos os professores e ficava anotando dezenas de coisas. Alguns temiam serem demitidos como a professora de adivinhações.
-Menos Snape. -murmurou para si mesma. O homem continuava com os mesmos gestos arrogantes de sempre.
Hermione se recriminou por pensar no professor de poções. Ela já estava se encaminhando para o bar de Madame Rosmerta, quando recebeu um encontrão no ombro e derrubou os livros recém comprados.
-Presta atenção por onde caminha, sangue ruim. -o desprezo na voz de Draco Malfoy lhe era bem conhecido. - Seu lugar é no meio fio. As ruas pertencem aos sangue puros.
Hermione rolou os olhos. O garoto estava apenas com a namorada que se deleitara com o comentário do sonserino. Talvez devido isso,ou seja, a ausência de platéia, ele logo foi embora depois de um simples gesto zombador.
A castanha cruzou os braços e estreitou os olhos. Já tinha a varinha em punho com uma maldição na ponta da língua, quando uma sedosa voz cortou seus movimentos.
- Não faria isso se fosse a Senhorita.
Hermione olhou perplexa para Severo Snape. Depois de dias o evitando, só se limitando a lhe escutar nas suas aulas, o tinha na sua frente, em plena Hogsmead. A grifinória o examinou hesitante. Apesar do calor, o mestre de poções usava suas conhecidas vestes negras. E só de o olhar podia sentir um desconforto alheio. Devia estar um forno dentro daquelas roupas.
Um evidente tom carmim tomou conta do seu rosto ao notar o segundo sentindo nos seus pensamentos.
-O senhor Malfoy, juntamente com seus colegas sonserinos, estão ajudando a ilustre diretora como zeladores da ordem. -Snape levantou a sobrancelha esquerda. - Não seria muito inteligente ameaçá-lo nesse momento.
Sem querer, sorriu. Realmente não devia haver ironia maior do que Malfoy e seus seguidores tentando manter a ordem de qualquer lugar.
Snape pegou os livros no chão e lhe entregou.
-Magia negra? Não sabia que era o tipo de pessoa que se interessava por isso.
Hermione empalideceu.
-Tem várias coisas que não sabe sobre mim. -retorquiu defensivamente. Ela segurou os livros com força e arrumou uma mecha encaracolada atrás da orelha. No sol seu cabelo castanho cobreado ganhava reflexos louros.
Snape a encarou durante um tempo considerável com um leve sorriso torto e sarcástico. Ele podia notar o nervosismo da aluna.
-É evidente que não sei. -respondeu por fim. -Uma jovem brilhante e estudiosa que beija um homem mais velho que é seu professor? -deixou a pergunta em suspenso durantes uns segundos. -... Não é uma pessoa muito previsível.
Hermione desviou o olhar. Não podia lembrar um momento mais embaraçoso do que aquele que estava vivendo.
-Eu... Você... -balbuciou torpemente.
O homem fez um gesto para que ela mantivesse silêncio.
-Você dirá que eu a seduzi e eu direi que você foi vítima de um arranque de hormônios adolescentes... Independente das desculpas,estamos em um impasse. Deixemos isso de lado.
Hermione mordeu o lábio inferior a fim de impedir-se de dar alguma resposta que mais tarde viesse a se arrepender. Podia notar o semblante sério no mestre de poções.
-Estamos em guerra Granger. -murmurou mordaz. - Os primeiros movimentos estão sendo dados e somos apenas pecinhas descartáveis em um grande tabuleiro de xadrez.
Hermione engoliu em seco diante da frieza nos olhos escuros de Severo Snape.
-A pergunta é : que tipo de peça você será? Uma submissa ou uma independente?
Antes que a grifinória processasse tudo o que o homem tinha lhe dito e chegasse a uma resposta, ele deu-lhe as costas.
-#-
NOTA DA AUTORA: Oi! Atualizei bem rápido dessa vez, não é? Então... Eu acho que mereço alguns comentários, né? (chantagem emocional! ). Não sei se o próximo vai ser tão rápido quanto esse. Um incentivo ajudaria bastante! kkkkk! Então, o que acharam dos planos do diretor de Hogwarts? Será que ele falou sério? ( Podia querer ver o rosto de vocês enquanto liam a conversa de Alvo com Severo).
Beijos e abraços.
Agradecimento especial:
MilyTiete:Oi, chica guapa! Terminei bem antes do previsto, heim? Não está tão longo quanto o anterior mas atualizei mais rápido! Ah! Finalmente um título bom! Dessa vez não foi tosto. Hum...Você não queria tensão? Agora vê se aguenta! O que achou? Besitos!
LadyLeech: Olá! Dessa vez você não vai precisar reler o capítulo oito para só assim ler esse daqui. A não ser que tenha um problema de memória. ahuahuahua. O que você achou desse pragmático Dumbledore? Medo dele, heim? (risos). beijão!
