Pelo bem maior
And the arms of the ocean are carrying me,
And all this devotion was rushing out of me,
And the crashes are heaven, for a sinner like me,
The arms of the ocean deliver me
O restante da semana foi turbulento, cheio de olhares reprovadores e questionamentos por parte de Tyrion e Bran. Arya teria de ser surda para não escutar as fofocas e a esta altura Jon estava certo de que ela já sabia de tudo o que ele tinha de enfrentar.
Preparavam-se para marchar em batalha, em direção ao Sul, numa tentativa de tomar o Rochedo Casterly por terra, ou ao menos bloquear as estradas do Oeste para cortar o suprimentos de ouro da capital. Os Lannister, ou ao menos Jaime seria obrigado a marchar e recuperar o domínio do Oeste, levando consigo boa parte das tropas e deixando a capital infinitamente vulnerável. Neste momento a frota do Vale zarparia e atacaria a capital.
O plano era perfeito, mas para alcançar as terras do Oeste, era necessário atravessar o Gargalo, passando pelas Gêmeas. Nenhum deles tinha nada contra retalhar e encurtar um Frey, pelo menos uma cabeça. A questão é que isso os atrasaria e era uma batalha incerta. Mesmo com as forças do Vale e do Tridente se reagrupando, não havia qualquer garantia de que a derrota dos Frey viria de forma fácil, mas aquilo era uma questão de honra e vingança.
Arya estava particularmente impaciente para que alguma atitude fosse tomada. Chegou a pedir a ele que lhe permitisse comandar o ataque, mas Jon recusou imediatamente. Por mais que estivesse ciente de que tentar impedi-la de participar da guerra era inútil, uma rainha participando de uma investida diretamente era arriscado de mais.
Entretanto, ela tinha ideias que ele não havia considerado. Tomar o castelo de dentro para fora era de longe a saída mais apropriada. Ela havia sugerido Lagrimas de Lis. Insípidas, incolores e inodoras, silenciosas e eficazes. Um grupo pequeno para se esgueirar até a cozinha do castelo e despejar o veneno em todas as travessas e pratos. Todos mortos em questão de minutos, ou atordoados o bastante para não terem tempo de reagir.
Era uma ótima ideia. Era assustadora e desonrosa. Ninguém com sangue Stark nas veias admitiria uma manobra como aquela, mas a esta altura Arya tinha a mentalidade de uma assassina eficiente e para todos os efeitos aquela era de longe a solução mais prática.
Jon por sua vez conseguiu enviar uma ave a Muralha e em menos de uma semana todos comentavam nos salões de Winterfell a chegada de um convidado mais do que apenas controverso.
Mance Rayder adentrou aos salões com a simplicidade de um camponês, a elegância de um nobre e a segurança de um rei, acompanhando por uma pequena escolta de selvagens e trazendo o filho de três anos em seus calcanhares. Ele sorriu um sorriso confiante e fez uma reverência debochada a Jon, que riu em resposta.
- Bem vindo a Winterfell, Vossa Graça. – Jon disse amistoso.
- Podem ter lhe dado uma coroa, mas pra mim você continua sendo um corvo. – ele respondeu satisfeito – Rei Corvo, acho muito apropriado.
- Permita-me apresentar minha rainha. – Jon disse estendendo a mão em direção à Arya, que aceitou o gesto imediatamente – Arya, da Casa Stark.
- Uma rosa do inverno, eu vejo. – Mance Rayder comentou sorrindo para ela e observando sua aparência peculiar – E casar-se com uma Stark...Quão Targaryen de sua parte, Snow.
- Vai descobrir logo que tenho mais espinhos do que pétalas. Rei Além da Muralha ou não, aconselho a vigiar suas palavras. – ela respondeu imediatamente. Mance riu satisfeito.
- Você gosta de suas mulheres nortenhas e um tanto selvagens, como todas aquelas que valem a pena serem homenageadas em uma canção. – ele disse satisfeito – Como as de Bael, o Bardo.
A presença de Mance Rayder causou um desconforto geral no salão, mas Jon era grato ao homem por várias razões e mesmo que seus mundos fossem diametralmente diferentes, havia respeito entre eles.
A hospitalidade de Winterfell foi oferecida ao Rei Além da Muralha. Naquela noite houve música e boa comida. Uma diversão amena antes que assuntos mais sérios fossem tratados.
O evento mais curioso do jantar foi a fascinação do filho de Mance por Arya. O menino fazia questão de mostrar a ela seus brinquedos improvisados e pedir por atenção a todo tempo. Ao contrário do que imaginava, ela não tentou afastá-lo. Foi inesperadamente paciente e cuidadosa com o menino e vez ou outra, lhe fazia graças.
Por algumas vezes, ela passou os dedos finos e longos pelos cabelos castanhos da criança, desarrumando-os um pouco mais. E quando se retiraram do salão, ela acenou um breve e tímido adeus, enquanto o menino insistia em correr para junto dela, até Mance segurá-lo.
Jon fechou a porta do quarto, enquanto Arya se esgueirava pelas sombras, a procura de algum lugar para se trocar. Duas semanas inteiras dividindo o quarto e nada além de sono tranquilo havia acontecido ali.
Conversavam a maior parte do tempo que passavam acordados. Discutiam estratégias e divisão de comando. Falavam sobre os acontecimentos do dia. Decidiam os reparos que deviam ser feitos no castelo e tantas outras coisas menores. Quando sentiam-se particularmente abertos a falar do passado, trocavam suas experiências em terras longínquas e Jon se assustava com a ideia de que Arya havia passado por tantas coisas horríveis sozinha.
And it's over,
And I'm going under,
But I'm not giving up!
I'm just giving in
Não era de se espantar que o cansaço e a solidão a tivessem levado a dizer sim no dia do casamento. Mesmo sendo tão arredia e incontrolável, ela também buscava sua parcela de paz e aos poucos ela recuperava suas memórias de um tempo feliz e despreocupado. Ao final das contas era tudo o que os dois buscavam e era essa a única razão que tornava a ideia de casamento suportável.
Jon retirou suas botas e as jogou num canto qualquer, junto com a capa pesada e a maior parte de suas roupas. Restou apenas as calças. O quarto estava demasiado quente para manter a camisa de linho. Ele se deitou de costas na cama, esperando pro ela.
Arya deixou as sombras, vestindo uma camisola simples. Deitou-se ao lado dele em silêncio e sentiu os dedos dele passando entre os fios de cabelo dela. Eram carinhos relapsos que ela apreciava imensamente.
- Eu havia me esquecido como você é boa com crianças. – ele comentou rindo – Quando a vi brincando com o filho de Mance, lembrei de quando Rickon era criança. E do dia em que eu e Robb tramamos para assustar Sansa, Bran e você na cripta.
- Naquele dia eu te bati, depois de Sansa sair correndo chorando de medo. Bran estava escondido atrás de mim, com os olhos arregalados. – ela disse saudosa.
- E você disse que não devíamos assustar o bebê. Aquele foi um ótimo dia. – ele completou – Mesmo que Ned Stark tenha passado um belo sermão em mim e Robb.
- Vocês mereceram. – ela se virou para encará-lo – Bran veio falar comigo hoje cedo. – Jon arqueou as sobrancelhas.
- Algum problema? – ele perguntou. Arya pareceu constrangida.
- Sabia que cedo ou tarde fariam isso, mas não torna a situação menos desconfortável. – ela disse franzindo a testa – Bran disse que eu deveria me esforçar mais. Você sabe...Para fazê-lo se interessar por mim.
Jon a encarou com os olhos levemente arregalados. Não podia acreditar que Bran pudesse sugerir algo daquele tipo. Era cruel insinuar isso a própria irmã.
- Não tem que dar ouvidos a isso, Arya. – ele disse beijando a testa dela – Eu prometi que isso só aconteceria quando você se sentisse preparada.
- Ele tem razão, Jon. – ela respondeu sentando-se na cama – Você precisa de um herdeiro o quanto antes. Logo estaremos marchando para o Sul. Se algo acontecer...
- Eu não vou obrigá-la. Nem pelo reino, nem por Bran, nem por ninguém. – ele disse sério – Se for para tê-la, será por sua vontade. – ele puxou o queixo dela com cuidado para que se encarassem – Me diga que é isso o que quer e eu não terei objeções.
- O que acontecerá depois? – ela perguntou num fiapo de voz – Quero dizer...Isso será o fim, Jon. Eu deixarei de ser sua irmã definitivamente. Tudo vai mudar...Eu não quero, não posso arruinar isso. Você é tudo o que sobrou daquilo o que eu era. Eu não quero me esquecer de novo.
- Não vai esquecer. – ele beijou o rosto dela - E nem tudo precisa mudar. Não somos irmãos, Arya. Isso não quer dizer que não sejamos importantes um pro outro. Sempre será minha melhor amiga e eu sempre estarei aqui, para que nunca se esqueça de quem é.
- Não me deixe... – ela sussurrou – Não me deixe de novo.
- Não vou. Nunca mais. – ela o abraçou com força, como se agarrasse sua única chance de salvação.
Ele deslizou as mãos pelas costas dela, ainda encobertas pela camisola. Podia sentir os contornos do corpo esguio e curvilíneo. Definitivamente feminino e gracioso. Quente, ao contrário de tudo o que se dizia a respeito das mulheres do Norte.
Jon a afastou um pouco. Encarou os olhos cinzentos dela, reflexo de seus próprios olhos. Ela levou a mão à cicatriz sobre o olho dele, acariciando-a timidamente. Ele se inclinou sobre ela, até que seus lábios tocassem os de Arya e os olhos dela estivessem bem fechados. Ele a segurou pela nuca e pela cintura, colando ambos os corpos e aprofundando o beijo.
O coração dela batia acelerado e seus dedos finos e longos se perdiam no cabelo dele. As línguas se tocavam e dançavam ao redor uma da outra. As mãos dele eram gentis ao afastar a camisola que ela usava e revelar a pele clara e suave.
Ele a deitou sobre a cama de penas. Beijou-lhe o pescoço, as mãos, os seios...Venerou-os com o ardor de um septão, arrancando suspiros e gemidos languidos dela. Eles cabiam em suas mãos perfeitamente, eram suaves e macios e Arya apreciava a atenção que Jon estava prestando a eles.
Sua boca desceu pelo corpo dela. Sempre em direção ao Sul, onde as terras eram quentes e férteis. Ao Sul, onde se escondiam os gemidos de prazer e as bênçãos de um calor quase insuportável. Beijou-lhe o ventre, provocando arrepios, enquanto as pernas dela se separavam para que ele pudesse seguir sua jornada.
Os fios negros ocultavam o seu objetivo. Misteriosa como Dorne, doce e vistosa como Jardim de Cima. Tão diferente de Ygritte. Tão mais preciosa para ele.
Jon varreu para o fundo de sua mente todas as memórias do passado que tinham em comum. Aquelas lembranças não lhe trariam bem algum naquele momento. Não enquanto a beijava entre suas pernas e ouvia os sons de aprovação e prazer incontido que escapavam dos lábios dela.
As mãos descontroladas dela não sabiam se agarravam as peles sobre a cama, ou se massageavam o couro cabeludo dele, incentivando-o de forma insistente. Arya se contorcia, sem saber se desejava o fim daquele tortura, ou que Jon continuasse até que ela sentisse seu corpo inteiro explodir em satisfação e cansaço.
Ele continuou até sentir o corpo dela tremer violentamente e o gosto distinto lhe atingir a boca. Ela não conteve um grito curto, nem os gemidos que se seguiram. Enquanto ela se recuperava, deitada sobre a cama, de pernas abertas coração acelerado, Jon desfez os nós da calça e jogou a última peça de roupa para longe.
O rosto dela estava corado, seus seios subiam e desciam com a respiração pesada. Os cabelos revoltos e olhos obscurecidos. Ela esperava por ele.
Jon se deitou sobre ela, pronto para cumprir seu dever e por um fim ao falatório de Bran e Tyrion. Ele segurou uma das mãos dela com força, num sinal de encorajamento e ternura. Os olhos dela eram seguros e Arya o aguardava impaciente.
Dedos entrelaçados, olhos fixos, respirações descompassadas. Jon beijou-lhe o rosto uma última vez, beijou-lhe também a boca. Com Ygritte tudo era uma questão de prazer, urgência, satisfação, mas nunca houve tanta intimidade em seus gesto, nem tanto cuidado em seus carinhos.
Sentiu-a ao seu redor, asfixiante, quente, úmida...Sua respiração ficou suspensa por uma fração de segundos, enquanto Arya mordia o lábio inferior e arranhava suas costas até que ele estivesse enterrado dentro dela.
Os movimentos começaram lentos, num ritmo quase enlouquecedor para ele, até que Jon a sentisse mais relaxada e participativa, incentivando-o a ir mais além com movimentos sinuosos de quadril.
Bocas e mãos por todas as partes, buscando satisfação e segurança. Um toque de medo, um pouco de desespero e a cumplicidade de anos de entendimento mutuo e aceitação. Num último movimento ela se contraiu em ondas de prazer e alívio, fazendo a última fibra de controle que Jon possuía se esvair por completo.
Ele permaneceu deitado sobre os seios dela, ouvindo seu coração bater e a respiração que se acalmava aos poucos. Arya acariciava seus cabelos escuros e beijava sua testa. Não disseram nem mesmo uma palavra.
Olhos fechados e mãos entrelaçadas. Dormiram nus, enroscados um no outro. Perto do amanhecer, ela o sentiu mais uma vez entre suas pernas e recebeu-o de bom grado, junto com todas as sensações que ele causava em seu corpo e por mais duas vezes antes da aurora ele se derramou dentro dela.
O sol nasceu e nenhum deles se incomodou em saudá-lo. O cansaço finalmente os abateu e o sono reinou mais uma vez dentro do quarto.
Oh, slipping underneath
Oh, so cold, but so sweet
Nota da autora: Hey galera XD. Então...Eu disse que a classificação era M por uma razão. Acho que concordamos que Jon demora a pegar no tranco, mais depois o muleque fica frenético XD. Até agora vimos apenas os dois num contexto doméstico, mas logo eu vou botar esse exército em marcha. Pra quem acha que a Arya está muito boazinha, calma. Ela vai piorar. Espero que gostem e comentém. Além disso, um feliz dia GOT. Tomara que todas tenham HBO por perto para assistirem a nova temporada que estreia hoje.
Bjus
Bee
