Maldições Sobre o Rio

Estavam a um dia de distância das Gêmeas. O tempo foi generoso e, apesar do frio, não nevou e graças a isso estavam adiantados.

As informações enviadas por Mance Rayder eram dúbias. Dizia o Rei Além da Muralha que uma súbita doença havia chegado ao castelo e muitos estavam debilitados dentro das muralhas. Se por um lado isso enfraquecia o inimigo, por outro era um risco permitir que seus homens se aproximassem o bastante para serem contaminados.

Ele insistiu para que Arya ficasse em Mote Cailin junto com uma guarda pessoal. Obviamente ela se recusou e seus motivos eram justos. Era um direito dela se assegurar de que os assassinos de Robb e Lady Stark pagassem por sua traição. Por outro lado, Arya era valiosa de mais para correr o risco de pegar uma doença desconhecida e acabar sucumbindo.

Não houve quem a convencesse do contrário e no dia seguinte o exército marchou em direção ao Ramo Verde do Tridente, onde as tropas do Norte, do Tridente e do Vale se reuniriam.

Era uma visão aterrorizante e poderosa. Os estandartes se erguiam no horizonte e cobriam a paisagem. Cavalos e cavaleiros, soldados a pé, arqueiros, lanceiros. Um mar de aço. O maior exército já erguido pelo Norte, mesmo que anos antes Robb tivesse feito um trabalho tão impressionante quanto.

Batedores foram enviados na frente para verificar as condições defensivas das Gêmeas. Boa parte dos ramos menores do Tridente estavam congeladas, no que não era o caso do Ramo Verde. Uma nevoa fantasmagórica persistia em cobrir toda porção de terra. Era uma manhã fria e o Jon aguardava pelas informações. Arya estava a seu lado, montada sobre uma égua castanha de aparência estupenda. Sobre cavalos eles poderiam ser considerados Dothrakis ou centauros.

Os cascos apressados martelavam o chão e no horizonte surgiram dois batedores. Jon se agarrou a cela do cavalo com mais força e esperou pelas notícias.

O rapaz tinha o rosto vermelho e parecia perplexo. Respirou com dificuldade antes de conseguir recuperar o fôlego para falar.

- Não haverá batalha hoje, Vossa Graça. – o batedor disse abaixando a cabeça.

- O que está dizendo? – Jon perguntou.

- Os deuses são bons... – o homem disse com sua voz rouca e espantada – Todos sabem que a maior ofensa contra homens e deuses é matar alguém que desfruta de sua hospitalidade. É uma maldição, Vossa Graça. A Justiça dos deuses foi feita.

- Seja claro, homem! – Jon ordenou – O que houve?

- O senhor devia ver com seus próprios olhos. – o batedor disse – Não há perigo. Não sobrou nada para se temer.

Jon cavalgou com um bom destacamento para guardá-lo. Arya seguia a seu lado, com o rosto afogueado e cheia da adrenalina da batalha. Cabelos desgrenhados, cota de malha e couro fervido sobre um vestido grosseiro, em sua cabeça uma coroa de bronze e ouro, com runas antigas e dragões de asas abertas. Uma rainha guerreira, com uma loba gigante correndo ao seu lado. Uma visão de tirar o fôlego e assustar qualquer inimigo.

A primeira vista o castelo e a ponte gigantesca pareciam abandonados, como se toda vida tivesse se esvaído pelo rio. A neblina cedeu aos poucos, tornando a visão mais nítida e então o choque, o espanto e o êxtase varreram as tropas.

Corpos apodreciam sobre os muros, pendurados pelo pescoço, ou pelas pernas. Suas bocas recheadas com trutas mortas. Homens, mulheres e crianças de idades variadas. Ninguém havia sido poupado. Uma família inteira. Uma das maiores dentre todas as dos Sete Reinos.

Jon sentiu seu estômago revirar enquanto a perplexidade deixava seus soldados e os gritos de comemoração preenchiam o ar. Uma maldição, eles diziam. Fúria dos deuses pelo Casamento Vermelho. Para ele nada disso era uma justificativa.

Arya encarava os corpos com uma expressão satisfeita. Robb Rayder estava sentado na sela junto com ela e sua rainha ao menos teve a decência de tapar os olhos da criança. Aquilo não era uma maldição. Era uma traição com todas as letras e ele sabia de quem havia partido a ordem e também a arma.

Os homens do Norte tomaram o castelo e Tyrion agora estava às voltas tentando pensar numa solução para a travessia. Alguém precisaria ser nomeado lorde das Gêmeas e controlar a passagem pelo Tridente, mas agora os poucos Frey que haviam sobrado estavam casados com casas inimigas.

Os corpos foram removidos das muralhas e queimados em uma grande fogueira para evitar que doenças tomassem conta do lugar. Jon assistiu a tudo do lato de uma das torres e esperou pacientemente até que Mance Rayder fosse levado até ele.

Mance não parecia satisfeito, tão pouco Jon. O rei bastardo lançou um olhar frio ao Rei Além da Muralha. Silêncio por alguns minutos, enquanto a fogueira estralava.

- Quem lhe deu a ordem? – Jon perguntou seco – E por que você a seguiu?

- Acho que sabe a resposta para ambas às perguntas, mas eu direi. – Mance falou enquanto retirava o frasco vazio que outrora conteve Lagrimas de Lis – Sua rainha tem uma mente muito prática e é cruel como um demônio. Ela queria vingança e você lhe daria apenas honra. Eu não concordo com a ideia de envenenar mulheres e crianças, mais do que concordo com atacar alguém pelas costas, mas ela estava com meu filho. Se não me falha a memória, essa tática ela aprendeu com você. Os corpos pendurados no muro foram apenas um presente de boas vindas.

- Ela me conseguiu uma vitória. – Jon disse seco – Uma que não traz qualquer honra a minha causa, ou respeito dos súditos. Medo, terror...Ela mandou uma mensagem clara para todo reino. Uma parte de mim sente que devo a ela agradecimentos e honrarias por isso. Outra parte diz que nunca houve ato tão monstruoso e que eu não sei quem é a mulher com quem divido a cama.

- Faça o que quiser, mas não deixe que percebam que estão em dias ruins. – Mance disse firme – Ela queria vingança e ela teve. Deixe o reino acreditar nessa baboseira de maldição, enquanto isso o povo pensará que vocês são os escolhidos para governar e que tem os deuses ao lado de sua causa.

- Ela interferiu em meu comando, desobedeceu minhas ordens. – Jon respondeu segurando o cabo da espada, buscando por força – Se por um lado ela me fez um favor ao destruir este castelo de dentro para fora, por outro ela me traiu. Seu rei, seu esposo, seu primo e...Maldita seja! Eu, a quem ela dizia amar enquanto achávamos que éramos irmãos!

- Não diga a palavra "traição" pois haverão muitas famílias dispostas a lhe oferecer uma substituta para o posto de rainha. Apenas preste mais atenção nas coisas que ela faz enquanto você não está olhando. – Mance disse virando as costas para o rei – E eu tenho que admitir que ela tenha a mente de um general, um general dos Sete Infernos.

Ele a evitou pela maior parte do dia. Não estava preparado pare olhá-la nos olhos e se conformar com a ideia de que sua esposa não tinha qualquer problema com assassinatos em massa. Jon se perguntou quando Arya se tornou tão cruel e como havia conseguido ignorar aquilo por tanto tempo.

Ninguém comeu nos salões das Gêmeas. Todo exército, inclusive o rei, a rainha e os membros do conselho preferiram a segurança do acampamento. Brindes foram erguidos em memória de Robb Stark e de Catelyn Tully. Outros tantos foram erguidos em honra do casal real e da proteção dos deuses novos e antigos.

Enquanto estavam em público, Jon foi o mais cordial dos anfitriões e o mais satisfeito dos homens, mesmo assim as palavras direcionadas a sua pequena rainha eram poucas. Logo eles deixaram a presença dos demais para se recolherem a privacidade do pavilhão real.

Em silêncio Jon deixou de lado sua espada, luvas e armadura e sentou-se junto ao fogo para se aquecer. Arya estava do outro lado da tenda, enrolada em seu manto com gola de pele, enquanto observava o fogo atentamente.

- Vai ficar calado até quando? – ela perguntou finalmente. O semblante dele endureceu ainda mais.

- Até o dia em que aprender a respeitar aquilo que eu digo. – ele respondeu firme – Você não tinha direito de fazer o que fez.

- Eles mataram meu irmão e minha mãe durante um casamento, enquanto eles estavam protegidos pelas leis da hospitalidade! – ela respondeu quase num rosnado – Eu tinha todo direito! Era minha vingança, Jon! Você se envolveria em honra e heroísmo, e no fim das contas se eles jurassem lealdade e permitissem que o exército fizesse a travessia você concederia o perdão real. Isso eu não poderia admitir, nem suportar!

- Robb era tão meu irmão quanto seu! – a resposta foi ríspida e imediata - Isso não é justificativa pra recorrer a algo tão vil quanto veneno para matar uma família inteira! Percebe o problema que nos criou? Quem cuidará das Gêmeas agora?

- Olyvar Frey, o antigo escudeiro de Robb. – Arya respondeu imediatamente – Ele não teve participação no assassinato e era amigo do meu irmão. Ou podemos conceder a honra ao segundo filho do meu tio. A atual lady Tully é uma Frey, isso é uma solução boa o bastante?

- Há quanto tempo tem planejado isso pelas minhas costas? – ele perguntou se erguendo de uma vez.

- Tempo o bastante para não cometer erros. – ela respondeu encarando-o de frente com tanta determinação que por um momento Jon quase recuou – Devia me agradecer, Jon. Além do maior exército já reunido pelo Norte, lhe dei de presente à vitória mais rápida e limpa que alguém poderia desejar. Nenhum homem perdido em batalha e agora temos caminho livre até as terras do Oeste!

- Quem é você? – ele a encarou com desgosto – Me diga quem é você, porque eu me recuso a crer que seja Arya Stark!

- Eu sou o Fantasma de Harenhall. Sou o Gato do Canal, sou Beth, Nan e Ninguém. Sou Arya de Baixo dos Pés e Arya Cara de Cavalo. – ela falou os nomes cuidadosamente – Arya de Winterfell, Arya Stark, Arya Targaryen, mas aposto que agora me chamaram de Maldição das Gêmeas. Você sabia que eu tinha um passado perigoso, Jon. Sabia que eu não era nem de longe a criança inocente que você deixou pra trás quando partiu para a Muralha, mas preferiu ignorar isso e enxergar apenas uma garota perdida e meio louca, desesperada por atenção e carinho.

- Eu poderia enforcá-la por traição! – ele disse feroz.

- Não pode. – ela respondeu – Não sem perder todo apoio que tem.

Por um momento ele se calou. Encarou-a como se ela fosse a mais completa estranha. Como se houvesse nela muito da loucura perversa de Melissandre e da crueldade de Cersei. Ela tentou tocá-lo, mas Jon se afastou.

- Eu lhe dei uma coroa e pedi em troca lealdade e confiança. – ele disse – Agora não tenho nem uma coisa nem outra. Me preocupei com você e com seus sentimentos e pra que? Para receber traição envolta em veludo e cota de malha. Eu a amei como uma irmã e uma amiga, na esperança de que um dia pudesse amá-la verdadeiramente como esposa. Não devia tê-la amado de forma alguma.

Jon deu as costas a ela, deixando o pavilhão para trás. Ouviu ela gritar alguma coisa, mas não escutou uma única palavra que ela dizia. Tudo o que sabia é que ela lhe assustava e seu medo era de que um dia fosse ela empunhando uma adaga contra ele no meio da noite.

Ele buscou a tenda de Rickon, que além de representar o papel de comandante do Norte, servia-lhe como escudeiro. O garoto não perguntou o motivo daquilo, apenas assumiu que Arya estava sendo difícil e precisava se acalmar.

As notícias de que o rei estava evitando a presença da rainha e também sua cama logo chegaram aos ouvidos de Tyrion Lannister. Obviamente o anão, que agora era oficialmente Mão do Rei, não gostou nada do que ouviu, mas também concordava que Arya precisava conhecer seus limites e os deuses eram testemunhas de que o que ela mais temia era perder o afeto de Jon.

A marcha em direção ao Oeste continuou, independente dos desentendimentos entre o casal real. O problema maior não eram as batalhas menores que foram travadas ao longo do caminho, ou as perdas eventuais. O problema era manter a rainha sob controle, uma vez que Arya parecia determinada a descontar sua raiva contra qualquer escudeiro que acatasse a ordem de treinar com ela.

Ela estava proibida de usar aço, a menos que estivessem em batalha ou sobre ataque direto. Quando o acampamento era montado ela procurava por espadas de madeira e chamava um escudeiro qualquer para treinar. Rapazes verdes, com cheiro de verão, que tremiam diante dela, num misto de medo e excitação.

Alguns faziam o possível para agradá-la, na esperança de receberem um olhar de interesse, ou um sinal de aprovação qualquer. Outros obedeciam às ordens dela na forma austera do Norte e a elogiavam por sua habilidade. Não gostava de pensar que aqueles homens viam nela um objeto de desejo, ainda que ela nunca tivesse dado a Jon qualquer motivo para desconfiar de sua fidelidade. Até certo ponto era compreensível. Ela havia se tornado uma mulher de beleza exótica e seu temperamento podia ser um incentivo a imaginação de muitos.

Quando aqueles pensamentos começaram a perturbá-lo de mais, Jon percebeu o quanto estava se tornando absurdo. Duas semanas se dividir a cama com ela e toda sorte de ideia maluca começava a tomar conta da cabeça dele.

Naquela noite o vinho lhe subiu a cabeça. Ela parecia excepcionalmente bonita usando as cores dos Targaryen. Vermelho e Negro sobre a pele de alabastro. Ela acariciava o topo da cabeça de Nymeria sem prestar qualquer atenção ao ato. Olhos distantes, boca rosada, os seios alvos e aveludados, cuja curva suave ele podia visualizar tão bem graças ao decote.

Ele culparia o vinho mais tarde. Foi até o pavilhão real, onde ela dormia. Despiu-se rapidamente e se esgueirou para junto dela como um ladrão no meio da noite. Não era um ladrão e até que se provasse o contrário ela lhe pertencia para fazer o que bem entendesse.

Beijou-a de forma voraz e se desfez da camisola dela sem a menor cortesia. Ela emitiu algumas exclamações de surpresa. Não estava com humor para tomá-la de forma cuidadosa e gentil. Ainda sentia a raiva borbulhando em suas veias, misturada ao desejo e a necessidade. Foi bem mais imperativo e rude com ela. Arya retribuía com uma dose de selvageria e tudo ficava ainda mais interessante.

Ele a deitou com a barriga para baixo, ergueu seu quadril arredondado e a tomou por trás, como um Dothraki faria. Ouviu quando ela gritou seu nome no meio da noite, enquanto estremecia pela força do orgasmo. Ele fechou os olhos com força e se derramou dentro dela. Quanto se sentiu satisfeito, deixou a tenda mais uma vez para que sua rainha dormisse sozinha.

É obvio que no dia seguinte ela estava pra lá de enfurecida. Jon a ignorou por toda manhã, não deixando a ela outra opção se não descontar em um dos escudeiros.

O treino já durava uma hora e por mais que dissessem que ela devia descansar, Arya insistia em seguir em frente. Ela se preparou para mais um ataque e quando ergueu a espada a cima da própria cabeça sentiu uma vertigem insuportável. Vacilou por um segundo, o bastante para o escudeiro acertá-la com a espada de madeira na altura da cintura.

Ela caiu no chão, desacordada e pálida. Logo vários soldados do Norte se apressaram para retirá-la da zona de treinamento e levá-la para o pavilhão real. Chamaram um maester para examiná-la e comunicaram ao rei.

Jon deixou seus mapas e planos de batalha para traz. Quando chegou ao pavilhão real, havia uma guarda montada do lado de fora. Tyrion o encarou ansioso, enquanto Jon dava ordens para que todos deixassem o lugar.

O maester sussurrava algo para ela, com semblante preocupado. Ao notar a presença do rei, o velho homem fez uma breve reverência. Arya ainda parecia pálida e estava deitada e coberta por mantas de pele. Ela desviou o rosto para não encará-lo.

- O que aconteceu? – Jon perguntou ao maester imediatamente.

- A rainha se excedeu em seus exercícios e acabou desmaiando. – o homem disse – Nada muito grave, mas dadas as condições o melhor seria que Vossa Graça evitasse grandes esforços e seguisse uma rotina menos tranquila.

- Não é nenhuma doença? – Jon insistiu encarando-a ansioso – Ela ainda parece muito pálida.

- Está perfeitamente saudável. – o maester assegurou – Uma rotina mais tranquila e boa alimentação devem ser suficientes para que nada dê errado nos próximos meses. Com uma mãe saudável, não há razão para crer que a criança não o seja, mas é claro que ainda é muito cedo para afirmarmos qualquer coisa com certeza.

- Criança? – Jon encarou o maester como se não entendesse suas palavras, como se nada fizesse sentido – Que criança? – o maester se curvou em uma breve reverência.

- A rainha está grávida. – o homem disse – Não houve sangramento nos dois últimos meses, a tontura é apenas um dos sintomas.

- Entendo. – Jon concordou enquanto tentava processar a informação – Deixe-nos, por favor.

- Como queira, Vossa Graça. – e então o maester deixou o pavilhão real sem dizer mais uma palavra.

Arya se recusava a olha-lo. Ele caminhou até ela com passos incertos e se ajoelhou ao lado da cama. As palavras lhe fugiram por um momento. Jon não sabia o que dizer, ou o que pensar. Não devia ter sido tão duro com ela nessas condições. E se...E se ela tivesse perdido a criança, ou tivesse alguma complicação...E se...

Ele não suportaria. Ele não podia perdê-la depois de levar tantos anos para encontrá-la.

Jon tomou a mão dela entre as suas e a beijou com carinho.

- Desde quando sabia? – ele perguntou num tom baixo.

- Eu soube quando alcançamos Mote Cailin. – ela respondeu a contra gosto – Pretendia contar quando passássemos pelas Gêmeas, mas você estava furioso de mais e se quer conseguia olhar na minha cara.

- Arya, eu... – ele respirou fundo – Eu sinto muito. Eu não devia ter sido tão duro com você e...Deuses, sejam bons, eu não devia ter ido até você ontem a noite.

- Ouviu o maester. – ela disse séria – Estou bem e a criança está bem, não há porque se martirizar por isso.

- Não. – ele respondeu – Arya, olhe pra mim, por favor. – ele pediu num esforço quase sobre humano. Ela finalmente o encarou nos olhos – Eu prometi que cuidaria de você e que jamais teria que vagar sozinha pelo mundo outra vez. Quebrei minha promessa diante do primeiro desafio. As Gêmeas...Aquilo foi terrível, mas eu não podia tê-la ignorado como fiz. Me perdoe por isso.

- Vai ser sempre assim? – ela perguntou por fim – Toda vez que eu me exceder, ou que você se deparar com algo a meu respeito que não lhe agrade, vou ter que aparecer com um filho na barriga para que volte a me olhar nos olhos e falar comigo?

- Claro que não! – ele respondeu – Eu estava furioso, precisava de um tempo para esfriar a cabeça, só isso.

- E me tomar como uma cadela no cio quando sentisse necessidade de enfiar isso que tem no meio das pernas em algum lugar e depois sumir como um ladrão barato no meio da noite. – ela acusou.

- Eu... – ele tentou pensar em algo para dizer – Você estava tão bonita ontem. O vinho me subiu a cabeça e eu sentia a sua falta, mas ainda estava com raiva. Eu não devia ter ido.

- Ache uma prostituta da próxima vez. – ela rebateu. Quanto mais ele deveria se humilhar para que Arya decidisse perdoá-lo? – Talvez uma de cabelos vermelhos.

- Sabe que eu não farei isso. – ele afirmou categórico – Eu posso ter quebrado meus votos quando abandonei a Patrulha. Posso ter cometido erros além da conta, mas eu não faria isso com você. – ele beijou a mão dela – Não cheguei até aqui para perdê-la de uma maneira tão idiota. Não posso perder você.

- Não me deixe outra vez, Jon. – ela pediu num sussurro, acariciando o rosto dele com a outra mão – Não posso perder você também.

- Não vai. – ele se levantou e beijou a testa dela, acariciou seu cabelo e também o ventre encoberto. A ideia de que seu filho, ou filha, estava ali, aninhado dentro dela o fascinou por uma fração de segundos.

Jon se sentiu grato por tê-la ao seu lado. Grato por ainda sentir que ela o queria por perto, mesmo com tantas palavras duras, ações impensadas e discussões. Arya estava ali e mesmo que não fosse mais aquela menina que ele tanto amou, aquela nova mulher, que o deixava louco às vezes, havia entregado a melhor parte da vida dela em suas mãos. E ele podia amar aquela mulher também.

Talvez não a amasse como os heróis amavam suas donzelas em canções e lendas. Também não a amava como uma irmã, mas ela era importante e estava no centro do mundo dele. Sentia falta dela quando não dividiam a mesma cama, sentia falta da voz e dos olhos dela. Sentia falta de ser abraçado por ela e se sentir em casa.

Nota da autora: Eeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee laia! Arya finalmente mostrou que não tem nada de gentil no coração e nem está afim de esperar pela boa vontade de ninguém pra ter sua vingança, mas no meio do caminho tem um Jon e se algo pode ser dito a respeito é que ela morre de medo de perder a única coisa que sobrou da pessoa que ela era. Jon ficou puto? Óbvio que sim. Ele a perdoou? Mais óbvio ainda, pq afinal ela sempre consegue fazer dele o que quer. E no meio do caminho temos um herdeiro! Puderas, esses dois viraram coelhos do dia pra noite XD. Espero que gostem do meu presente de Páscoa pra vc's. Bjux. Bee.