Encarando Dragões
O dia chegou e todos sabiam que era inevitável o confronto. Jon estava farto de guerras e rebeliões quase tanto quanto estava cansado de entender o que estava acontecendo com Arya.
Uma parte dele dizia que ela estava com medo, não por si, mas por Aemon. Daenerys e Aegon eram pretendentes ao trono, com pretensões muito melhores do que Jon. Ambos legítimos e de puro sangue Targaryen. Nenhum deles tinha motivos para crer que um esforço diplomático levaria tia e sobrinho, juntamente com seus dragões, de volta para o Leste.
Arya estava ansiosa e isso era claro como água. Havia redobrado o número de soldados responsáveis pela segurança de Aemon e passava a maior parte do tempo ocupada com o filho. Anos de mais vendo todo tipo de atrocidade e ela se tornou uma pessoa desconfiada e pessimista. Jon entendia a preocupação, mas não conseguia deixar de se preocupar com ela também.
Ela o evitava agora, de um jeito que não havia feito nem mesmo no início do casamento. Era como se a paz momentânea tivesse despertado a atenção dela para o fato de que aquele casamento não era um dever momentâneo, mas um voto para toda vida. Não estava mais tão disposto a fazer de conta que queria um casamento de fachada. Já que estavam atados, então que fizessem o melhor da situação.
Foi quando ele se deu conta do quão jovem ela ainda era e de como tudo aquilo que ela sempre quis foi tirado dela. O pai e a mãe, o irmão mais velho, sua paixão pela espada e a liberdade que ela tinha quando dizia ser Ninguém. Agora ela era a mulher mais importante do reino e tinha uma lista infinita de deveres e obrigações, sem falar no filho e Jon, a quem ela teria de aturar pro resto da vida. Ela mal havia completado dezesseis anos e aquele era um fardo pesado.
A conclusão era simples. Ela não o queria e Jon havia sido um tolo por acreditar que com o tempo ela pudesse gostar dele não como um irmão, mas como homem.
Por mais que a vida deles estivesse num momento crítico, quando os dragões sobrevoaram Porto Real e a comitiva aportou em Água Negra, ela estava ao lado dele, oferecendo seu apoio silencioso ainda que estivesse tão insegura quando Jon.
O navio Balerion aportou numa manhã fria, mas sem neve. Desembarcaram vários comerciantes ricos, que financiavam as campanhas dos dragões e também escribas e magisters que compunham a pequena corte de Aegon e Daenerys.
Não foi necessário um grande esforço para identificar os dois últimos Targaryens. Jovens, de pele bronzeada e com cabelos de um loiro platinado, eles se destacavam no meio da comitiva.
Eles foram apresentados formalmente a Jon e Arya e então a comitiva deixou o porto em direção a Fortaleza Vermelha. Daenerys tinha lágrimas nos olhos por pisar nos Sete Reinos pela primeira vez. Aegon admirava a paisagem com resignação e dignidade, lançando à Arya um ou outro olhar de curiosidade.
Uma vez na Fortaleza Vermelha, foi oferecido aos Targaryen uma boa refeição e bebida. Jon interagiu com todos e portou-se como um bom anfitrião enquanto Arya estava mais calada do que de costume.
- Minha senhora é sempre tão calada? – Arya se assustou ao ser questionada por Aegon Targaryen, mas foi hábil em não demonstrar.
- Não sou muito falante. – ela respondeu imediatamente – Nem uma anfitriã talentosa.
- Até agora portou-se muito bem. – ele disse num esforço de gentileza – Ouvi dizer que tem um filho. A criança é saudável?
- Muito saudável. Logo completará um ano. – ela respondeu – Aemon, como Aemon O Cavaleiro Dragão e Aemon, seu tio avô.
- Um nome muito apropriado. – ele respondeu – Infelizmente nunca conheci este tio de quem fala.
- Jon o conheceu na Muralha. Um homem sábio. – ela respondeu – Tem filhos, meu senhor?
- Ainda não. – ele disse rapidamente – É uma benção pela qual espero ansiosamente.
Ela lançou um olhar furtivo para Jon, que conversava com Daenarys e Tyrion, a quem a Mãe de Dragões já conhecia. Ele parecia estar se interessando pelo que quer que ela estivesse dizendo. Ela piscava seus olhos violetas para Jon e sorria de forma amável, mantendo um olhar ora decidido, ora submisso.
Arya apertou com força o braço da cadeira, tentando guardar o sentimento desconfortável que a queimava ao vê-los. Todos Targaryen e ela era uma estranha naqueles salões. Uma Stark do Norte. O dragão tinha três cabeças e ela era apenas o jantar deles.
- Parece pálida, minha senhora. – Aegon falou novamente – Sente-se bem? Não seria necessário chamar um maester para examiná-la?
- Estou bem. Cansada apenas. – ela respondeu educada - Se me permite, eu vou me retirar. – ela se levantou da mesa e despediu-se dos convidados e de Jon.
Ele a encarou preocupado. Arya não parecia tão bem e sua saída repentina era algo estranho.
Ela não estava disposta a ficar naquela sala esperando pelo momento em que um deles decidiria que ela não pertencia àquele lugar. Havia dado um herdeiro a Jon e isso era como pintar um alvo na própria testa. Jon era legitimo, como diziam as cartas de Rhaegar e Lyanna, mas não o rei de direito. Aegon deveria se sentar no trono, mas ele não conhecia seu povo. Jon havia unificado o reino por meio de uma guerra que ela o ajudou a vencer, com novos pretendentes o cenário para mais uma guerra civil estava armado e Arya não estava disposta a esperar pelo momento em que ela e o filho seriam caçados.
A pequena rainha chegou ao berçário. Aemon estava acordado e exercitava suas perninhas, enquanto se agarrava a grade do berço. Arya o pegou no colo e apertou com força contra o peito. Talvez devesse mandá-lo para o Vale junto com Sansa, ou então Winterfell, para o caso das negociações acabarem mal. Ela beijou a testa do filho e se perguntou como era possível amar tanto.
- Eu nunca quis ser rainha. – ela sussurrou para o filho – Eu nunca quis ser uma esposa ou uma mãe, mas eu sou tudo isso agora. Enquanto eu viver, dragão nenhum chegará perto de você. Eu juro.
Aemon não demorou muito para dormir e Arya o devolveu para o berço. Sentou-se em uma poltrona e ficou observando-o dormir. Estava quase pegando no sono quando ouviu passos dentro do berçário. Ela abriu os olhos e se levantou de um salto ao ver Aegon parado ao lado do berço.
- Me perdoe a intromissão. – ele disse – Não queria acordá-la.
- O que faz aqui? – ela perguntou mais arisca do que deveria.
- Queria conhecer meu sobrinho. – ele disse lançando – Bonito e grande, mas nenhum traço Targaryen, o que é uma pena.
- Os olhos são violetas. – ela disse em defesa do filho. Aegon se virou para ela lançando um sorriso fraco.
- Dizem que é igual a ela. – ele disse enquanto a encarava de forma avaliativa – Lyanna...Uma mulher tola. Espero que seja mais inteligente do que ela foi.
- Minha tia teve tanta culpa quanto o seu pai, então seja justo e admita que Rhaegar era tão tolo quanto ela. – Arya disse entre dentes.
- E este deve ser o sangue do lobo falando. – ele disse sorrindo para ela – Ouvi muitas coisas a seu respeito. Louca, selvagem, incontrolável, assassina...Há quem diga que é a mulher mais justa, determinada e dedicada que já pisou na Fortaleza Vermelha. Alguns dizem que é Visenya renascida, outros afirmam que é a rainha Nymeria.
- Não devia dar ouvido a boatos sem fundamento. – ela respondeu. Aegon se aproximou dela.
- Boato ou não, eu fiquei curioso para saber o tipo de mulher que meu meio irmão escolheu para esposa. – ele disse sereno – Não esperava muita coisa em questão de aparência, já que a razão do casamento foi a união do Vale, das Terras do Tridente e do Norte, e então eu me deparo com você. Pequena, ligeira, absurdamente jovem e bonita. Com uma espada na cintura e um filho nos braços.
- Desapontado? – ela desafiou e ele sorriu ainda mais.
- Muito pelo contrário. Estou maravilhado. – ele respondeu afastando uma mecha do cabelo dela para trás da orelha – Agora entendo porque meu pai perdeu a cabeça ao conhecer Lyanna Stark. Vamos rezar para que sejamos mais espertos do que os dois, não é mesmo?
- Do que diabos está falando? – ela rosnou se afastando dele.
- Jon não é o herdeiro do trono. – ele disse firme – Eu sou. O que fizeram em campanha foi algo de extremo valor e eu sou muito grato a isso, mas o Norte, o Tridente e o Vale não vão me apoiar quando eu ascender, justamente por causa do seu casamento com o meu meio irmão bastardo. Afinal, você é a rainha deles e uma rainha tão boa que já os presenteou com um herdeiro.
- Se chegar perto de mim, ou do meu filho, pode ter certeza que Jaime Lannister vai parecer um santo, se comparado ao que vou fazer com você. – ela se agarrou ao berço.
- Não desejo mal algum a você, Arya Stark. – ele disse calmo – Se Jon fosse uma mulher, também não desejaria mal algum a ele. O problema é que ele está sentado no Trono que me pertence e tem algo que eu não tenho. Danny não pode me dar filhos. – ele disse encarando o bebê adormecido – Não importa o quanto ela deseje ou tente, ela nunca me dará um herdeiro, o que me deixa numa posição difícil em relação a Jon, Aemon e você. Preciso do meu irmão fora do caminho, de uma outra esposa e de um herdeiro.
- Boa sorte com isso. – ela retrucou ácida.
- Não estou interessado em donzelas, preciso de uma cuja fertilidade já foi atestada e eu posso ser um padrasto muito generoso. – ele encarou o bebê mais uma vez – Aemon será sempre bem vindo e amado. Jon era o Lorde Comandante da Patrulha da Noite. Ele quebrou todos os votos que fez ao clamar o trono, casar com você e ter um filho. Se ele voltar para a Muralha, eu não vou pedir a cabeça dele. O casamento de vocês será anulado e para não quebrar o acordo entre as casas eu a tomarei por esposa. Aemon manterá o sobrenome Targaryen, mas estará atrás dos nossos filhos na linha sucessória.
- Por que eu? – ela perguntou encarando-o de forma quase feroz – Escolha Arianne Martel, já que Dorne está ao lado de vocês. Eu não estou interessada.
- Não será uma escolha sua, eu temo. – ele disse – Por mais que eu seja grato pelo apoio de Dorne, não posso menosprezar o Tridente, o Vale e o Norte. Eles se ergueriam por você e seu filho, caso eu me livrasse de Jon. Até mesmo Tyrion Lannister e o bastardo Baratheon ergueriam os exércitos do Oeste e de Ponta Tempestade em sua defesa. Não é meu irmão que mantém a lealdade do reino, é você Arya. – mais uma vez ele sorria – Uma jovem nortenha, com mais da metade de Westeros pare defendê-la. Uma noiva mais do que perfeita para um rei. Além disso, talvez eu compartilhe do gosto do meu pai e do meu irmão por mulheres nortenhas e um tanto selvagens. – ele levou a mão até a nuca dela, tentando puxá-la para um beijo.
Arya arregalou os olhos. Aegon se deteve ao notar que ela tinha uma adaga colocada entre seus corpos. Aço valiryano.
- Veremos. – ela disse com um semblante sério – Eu não sou uma boa lady, sou uma rainha ainda pior, mas pode apostar que eu sei o que fazer com uma lâmina. Eu jurei minha lealdade a Jon e eu vou defender a minha família. Encoste um dedo em mim e eu juro pelos deuses novos e antigos que você não viverá nem mais um dia.
Aegon deu um passo para trás e sorriu satisfeito.
- Eu vou ter você, Arya Stark. É uma questão de tempo até você se tornar a minha Visenya. Minha Irmã Negra. – ele fez uma breve reverência – Se me permite, tenha uma boa noite, Vossa Graça.
Ainda aquela noite, Arya deu ordens para que a segurança de Aemon fosse reforçada e ninguém teria permissão de entrar no berçário desacompanhado de um guarda.
Quando chegou em seus aposentos, Jon estava deitado na cama, mas ainda acordado. Ele parecia exausto, mas sorriu para ela quando a avistou. Arya retirou as próprias roupas e deitou-se ao lado dele, totalmente nua.
Pela primeira vez foi ela quem tomou a iniciativa de beijá-lo e tocá-lo de forma insinuante. Ela estava com medo. Estava apavorada. Tudo o que ela queria era o abraço dele, os beijos dele e o conforto de saber que não estava sozinha.
Jon respondia aos carinhos com paixão e ansiedade, amplamente satisfeito com a súbita demonstração de desejo por parte dela. Quando ele entrou dentro dela, Arya se permitiu chamar pelo nome dele em voz alta e sentiu-se segura, ao menos por uma fração de segundos.
Ele era tudo o que havia sobrado do passado dela. A parte mais querida. A melhor parte de Arya Stark estaria sempre atada a Jon, fosse ele um Snow ou um Targaryen. Nada iria tirá-lo dela. Nem dragões, nem lobos...Ninguém o tiraria dela.
Nota da autora: Então...Agora a coisa vai ser descrita do ponto de vista da Arya, porque quando os Dragões dançam, os lobos tem que fazer o necessário para salvar a cria. Pois é, eu precisava de um vilão e olha como o Aegon cai bem no papel! Toda vez que nasce um Targaryen os deuses jogam a moeda para saber se o destino dele será de loucura ou grandiosidade. Alguém tinha que ser ruim nessa bagaça XD. E cá pra nós, nada como o medo da perda pra fazer a Arya se tocar de que aquele pedaço de mal caminho deitado do lado dela é tudo o que ela sempre quis da vida XD.
Girls, U ROCK!
Espero que gostem e comentem. Agora a coisa vai ficar séria.
