O que não se pode evitar

E o contra ataque veio, rápido e infalível como ela temia desde o princípio. Brienne deu o aviso. A guarda real os trairia pelo o ouro dos magisters e pelo medo de que Daenerys colocasse seus dragões a prova.

Jon a encarava sem entender o que estava acontecendo, enquanto ela corria até o berçário no meio da noite utilizando as passagens. Tudo começaria ao raiar do dia, tinham que se valer do silêncio da noite para tomar as medidas necessárias.

Arya vestiu o menino e beijou-lhe a testa, entregando-o para Brienne em seguida.

- O que diabos está acontecendo? – Jon perguntou sem entender – Arya, o que está fazendo?

- O necessário. – ela disse – Você é um homem bom, justo e honrado. Infelizmente seu irmão não é nada disso. – ela respondeu com pressa – Vão nos atacar. Aegon vai prendê-lo e tentar mandá-lo para a Muralha. Eu serei uma refém por causa dos exércitos e Aemon só ficará vivo enquanto ele não tiver um herdeiro próprio. – ele não precisava saber que Aegon a queria como rainha também. Era uma deslealdade com Jon, mas ela preferia encarar como uma gentileza – Eu não vou deixar Aemon aqui. Brienne já tem suas ordens e Asha zarpou duas horas atrás para buscar ajuda.

Jon segurou o rosto dela entre as mãos e a beijou com fervor.

- Eu vou protegê-la. – ele disse – Nada vai acontecer com vocês.

- Acredito em você, mas não vou correr riscos em relação ao nosso filho. – ela respondeu – Ele voltará quando for seguro. Confie em mim, Jon. – ela implorou, beijando a mão dele.

Ele encarou o filho nos braços de Brienne e beijou a testa da criança.

- Vá, Brienne. – ele disse – E cuide dele com sua vida, entendeu?

- O aço de Lorde Eddard Stark não vai falhar nesta missão, Vossa Graça. Othkeeper vai cuidar bem do pequeno príncipe. – ela respondeu.

- Vá logo, Brienne. – Arya disse ríspida – Cada minuto que perdemos aqui é uma chance a menos de sucesso.

Brienne fez uma breve reverência e sumiu pelas passagens escuras do castelo, carregando Aemon nos braços.

Arya buscou a mão de Jon em busca de um pouco de segurança e coragem. Ambos voltaram para o quarto. As luzes apagadas, mas nenhum dos dois conseguia dormir. Ele a abraçou por horas, sentindo a insegurança dela e o medo do que aconteceria ao amanhecer. Ela não chorou, porque isso a impediria de pensar com clareza e agir da forma necessária.

Chorar era coisa de mulheres indefesas e desesperadas, Arya não era indefesa e o desespero era o pior inimigo para alguém que deseja sobreviver. Ela retribuiu o abraço, repassando mentalmente as lições de Syrio Forel, Jaquen H'Ghar e do próprio Jon.

- Aegon não poderá governar os Setes Reinos se matá-la. – Jon disse por fim – Quanto à anulação do casamento e da minha pretensão, ele conseguirá. Quando isso acontecer, por favor, não seja irresponsável. Escolha o que for seguro para você. Provavelmente ele vai querê-la como esposa, ou tentará casá-la com alguém de sua confiança. Faça isso, fique salva.

- Não seja absurdo, Jon. – ela resmungou contra o peito dele – Eu me casei com você, meu voto de lealdade, a minha promessa, são seus e Aegon não vai mudar isso! Eles virão ao amanhecer, mas se Aegon acha que vou me render sem luta, ou pior, que vou deixar você apodrecer numa cela, ou ser mandado de volta para a Muralha, então ele não faz ideia do inimigo que está enfrentando.

Jon beijou a testa dela e então a boca, sentindo o gosto de lágrimas teimosas que insistiam em escapar dos olhos dela.

- Minha pequena e incontrolável guerreira. – ele sussurrou – Minha doce rainha.

- Com certeza esses são adjetivos que você nunca usou para me descrever. – ela sorriu um sorriso fraco – O Norte se lembra e o inverno está chegando para ele.

O dia havia acabado de nascer quando os membros da guarda real arrombaram a porta do quarto. Seis homens armados retirando um casal jovem, que não oferecia nenhuma resistência, da cama.

Jon vestiu roupas negras simples e teve sua espada apreendida. Arya vestiu o cinza e o branco da casa Stark. Ao menos ninguém conseguiu localizar Agulha, que estava escondida num fundo falso de um baú dentro do berçário. O casal real foi levado até a sala do trono, aonde Aegon e Daenerys esperavam, diante de alguns poucos membros da nova corte.

Tyrion havia conseguido escapar durante a noite também. Jon Connington usava a corrente de Mão do Rei e Sor Baristan Selmi se colocava entre o trono e o casal real.

- Qual é o significado disso, irmão? – Jon perguntou encarando Aegon sem vacilar – Retirar a mim e minha esposa da cama quando nos encontrávamos numa situação tão...Intima. Muito rude de sua parte.

Aegon ignorou a provocação e encarou Jon e Arya de frente.

- Jon Snow, Jon Blackfire, auto intitulado Jon Targaryen, você é acusado pelos crimes de traição, deserção e quebra de votos, ao tentar usurpar o trono do herdeiro legítimo de Rhaegar Targaryen, príncipe de Pedra do Dragão, abandonar o posto de Lorde Comandante da Patrulha da Noite, tomar Arya Stark por esposa e gerar um filho. – Aegon proferiu solenemente – Todos estes crimes são puníveis com a morte. O que diz em sua defesa?

- Em primeiro lugar, fui legitimizado por Brandon Stark, quando este ainda era Rei no Norte, em atenção ao último desejo de meu pai, expresso nas cartas que encontravam-se sob a custódia de Howland Reed. Em relação ao meu posto, cem homens formam mandados para a Patrulha da Noite em meu lugar, uma troca muito mais do que vantajosa para a Patrulha e quanto a minha ascensão ao trono, como posso ser culpado de traição quando até bem pouco tempo o mundo acreditava que Aegon Targaryen havia morrido pelas mãos de Gregos Clegane durante o saque de Porto Real?

- Mas eu estou vivo, irmão. – Aegon respondeu sereno – E posso considerar a ideia de deixá-lo vivo se renunciar ao trono, dobrar os joelhos e me reconhecer como o rei de direito.

- Meu irmão é um estranho para o povo dos Sete Reinos, esconde-se atrás de um exército de forasteiros e não fosse pelos dragões de Daenerys Targaryen, esta conversa não estaria acontecendo. Eu conquistei os Sete Reinos em batalha, vinguei a injustiça praticada contra nossa família e trouxe o sangue Targaryen para estas paredes outra vez, não para ter um garoto mimado roubando meu esforço por pura vaidade. Aonde esteve quando não um, mais cinco reis se ergueram em armas e dilapidaram o país inteiro?

A ira era visível pelos olhos de Aegon a ponto de Daenarys se levantar e colocar a mão sobre o ombro do sobrinho numa tentativa de acalmá-lo.

- Mais uma vez. Estou disposto a conceder misericórdia caso dobre os joelhos, assuma seus crimes e me reconheça como seu verdadeiro rei. –Aegon insistiu.

- Se eu aceitar a oferta, o que fará? – Jon perguntou firme.

- Será poupado da pena de morte e voltará à Muralha, onde cumprirá com os deveres de Irmão Juramentado da Patrulha da Noite, pelo resto de seus dias. – Aegon disse.

- E quanto à minha rainha? – Jon perguntou.

- Não vejo rainha alguma, mas se está se referindo à Lady Arya Stark, asseguro que ela será muito bem tratada, de acordo com seu nascimento. – Aegon lançou um olhar significativo a ela.

- Princesa. – Arya disse com voz firme e convicta cortando o ar. Todos se viraram para ela.

- Não entendi, minha senhora. – Aegon se dirigiu a ela pela primeira vez.

- Eu sou Arya, da Casa Stark, irmã de Robb Stark, O Jovem Lobo, Rei no Norte. – ela respondeu firme – Irmã de Brando Stark, Rei no Norte. Irmã de Sansa Arryn, Senhora do Vale. Sobrinha de Edmure Tully, Senhor do Tridente. – Jon estava impressionado com a audácia dela – Esposa de Jon Targaryen, o primeiro de seu nome, Rei dos Andalos, dos Roinares, dos Primeiros Homens e Defensor do Reino, e mãe de seu herdeiro. Pode se recusar a me reconhecer como a Rainha dos Sete Reinos, meu senhor, mas ao menos se dirija a mim pelo título apropriado, pois logo pode descobrir que eu ainda sou uma princesa do Norte.

- Uma princesa, de fato. – Aegon fez uma breve reverência – Asseguro que minha senhora será muito bem tratada.

- Aceito a proposta. – Jon falou por fim, recebendo um olhar de angustia de Arya.

- Guardas, levem-no para o calabouço, aonde ele deverá aguardar a anulação do casamento e os preparativos para sua remoção para a Muralha. – Aegon disse e imediatamente dois guardas da guarda real foram até Jon.

Ele lançou um último olhar para Arya, que permanecia firme e inabalável enquanto o levavam para fora da Sala do Trono. Uma vez longe de Jon, Aegon finalmente se deteve nela.

Aegon sorriu num esforço de parecer gentil. Sentou-se no Trono de Ferro e a avaliou dos pés a cabeça com muito cuidado. Daenerys permanecia calada, sentada ao lado do sobrinho, numa pose distinta.

- Uma princesa, de fato. – ele disse mais uma vez olhando para ela – Ao menos eu tenho que admitir que meu irmão escolheu bem. Seu único defeito é ser tão traiçoeira, não é mesmo? – ela notou quando a mandíbula dele travou num sinal de raiva – Aonde está o garoto?

- Longe. – ela respondeu – E isso é tudo o que vai saber a respeito disso, agora que Varys e Mindinho estão mortos.

- Eu vou encontrá-lo. Pode estar certa disso. – Aegon retrucou – Assim que seu casamento for declarado nulo, eu vou tomá-la por esposa e fazer um filho em você e então seu precioso Aemon não será nada além de um bastardo!

- Se me conhecesse saberia que bastardos são as pessoas que mais aprecio. Filhos da luxúria e da desonra, qualquer mulher que deseje um bom parceiro de cama, ou um bom amigo, deveria optar por um bastardo. – ela provocou.

- Veremos isso. – Aegon retrucou de forma severa – Até o casamento, ficará confinada aos aposentos preparados para a senhora, juntamente com duas damas de companhia a serem escolhidas por minha querida tia. Somente Daenerys terá permissão para visitá-la. Eu a aconselho a não fazer nada de forma impulsiva, minha cara.

- Se me permite, Vossa Graça, também lhe ofereço um conselho. – ela retrucou – Aproveite bem seus dias de verão. O inverno está chegando.

- Levem-na daqui. – ele ordenou.

- Não é necessário mais do que um soldado para me conduzir, Vossa Graça. – ela disse antes que um dos homens de manto branco pudesse tocá-la – Acredito que Sor Baristan Selmi será mais do que o suficiente.

- Muito bem. Sor Baristan, conduza a senhora até seus aposentos. – Aegon disse firme e foi obedecido imediatamente.

Arya seguiu o caminho inteiro de cabeça erguida e sem vacilar um minuto se quer, enquanto era seguida de perto por Sor Baristan, o mais antigo membro da guarda real. Por mais que Arya detestasse os homens de manto branco, ao menos Baristan era o único cuja honra jamais foi contestada. Um homem que foi admirado pelo próprio Eddard Stark.

- Minha senhora é uma filha de seu pai. – o cavaleiro disse solenemente – Eu sinto muito pelo que aconteceu a ele, assim como lamento por seu tio e seu avô.

- Agradeço seus sentimentos, Sor Baristan, mas não me lembro de ouvir dizer que o senhor tenha feito qualquer coisa para evitar o destino terrível que eles enfrentaram. – ela respondeu séria – Mas meu pai sempre o elogiou em vida, estou confiando em sua boa fama na esperança de que eu não seja tratada com brutalidade.

- O rei é um jovem justo, minha senhora. – Sor Baristan respondeu – Pode crer que suas atitudes sejam severas, mas exemplos devem existir para mostrar ao povo que todo aquele que trair seu soberano terá a punição que merece.

- Belas palavras. – ela disse – Obviamente o senhor não estava na Tower of Joy no dia em que Sor Athur Dayne caiu. Um homem tão lendário e honrado quanto o senhor, morreu para defender Lyanna Stark e meu marido, que na época era um bebê. Morreu cumprindo seu dever e servindo a um amigo, o príncipe Rhaegar. – Sor Baristan abaixou a cabeça – Pode até estar defendendo seu rei, mas acredita mesmo que o que Aegon está fazendo é justiça? Nós acabamos com cinco anos de guerra civil, senhor. Aegon não fez nada além de exibir seus dragões. Eu pari meu filho dias após a tomada do Rochedo, marchei pelos Sete Reinos, lutei ao lado do meu esposo. Me diga, acha mesmo que dias de diferença tornam Aegon o rei de direito e mérito?

- Não cabe a mim julgar, minha senhora. – o cavaleiro admitiu.

- Não pedirei nada em meu nome, senhor. Só gostaria que tratasse meu marido com respeito e cortesia, pois ele tem o sangue de um rei correndo nas veias. E quanto ao meu filho, ele é um herdeiro do trono e uma criança inocente. Se um dia levantar um dedo contra ele, mesmo morta eu encontrarei um meio de me vingar do senhor. Juro pelos deuses novos e pelos deuses de meu pai. – ela disse ao chegar em seus novos aposentos.

A porta foi fechada atrás dela e antes que Arya pudesse registrar qualquer detalhe sobre seu novo alojamento, ela caiu de joelhos no chão e gritou de raiva e angustia até a garganta doer. Seus olhos ardiam, ela queria arrancar os próprios cabelos e quebrar tudo o que tivesse ao alcance das mãos, mas não fez nada disso.

Ela passou tempo de mais tentando esquecer quem ela era, para no final descobrir que aquilo era o que a manteria viva e protegeria Jon e Aemon de um novo rei louco. Ela era Arya Stark de Winterfell, filha de Lorde Eddard Stark e Lady Catelyn Tully, irmã de Robb e Brandon Stark, ambos Reis no Norte, irmã de Sansa, a Senhora do Vale, amada por Gendry Baratheon, senhor de Ponta Tempestade, esposa de Jon Targaryen. Ela tinha o sangue dos lobos correndo em suas veias, ela fazia parte de uma matilha, ela tinha mais da metade de um reino para lutar por ela.

As horas se arrastaram pelo restante do dia. Já era noite quando a porta do quarto se abriu e a figura esguia de Daenerys Targaryen surgiu, com uma bandeja de comida nas mãos. A Mãe de Dragões lançou a ela um sorriso fraco de encorajamento e deixou a bandeja sobre a pequena mesa de apoio, Arya não se deu ao trabalho de lhe dirigir a palavra, tão pouco se dignou a encará-la. Não precisava da piedade daquela mulher, assim como não confiava em nenhum Targaryen de cabelo platinado.

- Espero que não esteja pensando em fazer greve de fome. – Daenerys disse – Isso não lhe trará nenhum benefício. – Arya não respondeu e Dany puxou uma cadeira para se sentar – Eu sinto muito pelo que aconteceu, mas Aegon é o herdeiro do meu irmão.

- E eu estou certa de que sabe minha argumentação inteira, então por que não poupamos uma conversa desnecessária? – Arya respondeu sem qualquer cortesia.

- Ele poderia matá-la, poderia matar Jon e o seu filho, mas Aegon não fará nada disso. Dê a ele o que ele quer e tudo ficará bem. Você não tem que sofre por uma guerra que não lhe pertence. – Dany insistiu.

- Não me pertence? – Arya a encarou pela primeira vez – Olhe só pra você. Uma princesa do Sangue do Dragão que decidiu lutar por um país no qual nunca tinha pisado, apenas para buscar vingança. Deixe-me esclarecer uma coisa. Com dez anos eu vi meu pai ser chamado de traidor e decapitado pelos Lannister. Ele levou para o túmulo o segredo que manteve Jon vivo por todos estes anos. Minha mãe e meu irmão também foram assassinados, minha irmã foi feita refém e foi mais abusada do que pode imaginar. Eu vaguei pelo mundo como uma órfã pedinte até chegar ao ponto que a vida humana significava tanto pra mim quanto a vida de uma mosca. Acha que eu passei por tudo o que eu passei para aceitar que um príncipe mimado venha até aqui e me tire tudo de novo? – Dany permaneceu calada – Em todos estes anos meu pai serviu ao segredo preciso de Rhaegar, seu maior teste de honra. Os deuses são testemunha de que eu nunca quis essa maldita coroa, mas até você tem que admitir que uma vez que você a tem nas mãos, metade do mundo vai querer tomá-la e a outra metade vai te matar se recusá-la. Eu não estou fazendo isso pela coroa. Estou fazendo pela minha família. Estou fazendo porque o homem que vocês prenderam é o meu melhor amigo, o irmão que eu mais amava e acabou se tornando o pai do meu filho. Ele me ofereceu aceitação e companheirismo, em troca de tudo o que eu tinha em mim. Se ele me pedisse para enfiar uma faca na sua barriga e rasgá-la até o pescoço, eu faria isso com um sorriso radiante nos lábios. Então não venha me dizer que esta guerra não me pertence. Esta guerra é muito mais minha do que sua. O mundo a teme por causa de seus dragões, sem eles você não passa de uma forasteira pretensiosa.

Daenerys se calou diante das acusações de Arya e a encarou com um toque de admiração nos olhos. Eram mulheres poderosas num mundo dominado por homens e esta era uma posição perigosa. De uma forma inesperada, Dany a entendia muito melhor do que Arya jamais conseguiria imaginar.

- Eu duvido que tanto ódio e tanta fúria lhe trarão alguma vantagem, mas isso o tempo vai dizer. – Dany respondeu – Você é, ou será parte da família em breve, então achei que devia saber. Aegon não quer correr o risco de que esteja esperando outro filho, isso atrapalharia os planos dele. Pela manhã vão lhe obrigar a beber chá da lua e em um mês tudo estará pronto para o casamento. Tem alguma razão para crer que está esperando outro filho?

E foi como se Arya sentisse seu sangue inteiro se esvair do corpo. Com tanta coisa para lhe ocupar a cabeça ela nem ao menos havia reparado que seu sangue estava atrasado. Daednerys nem mesmo precisou de uma palavra de confirmação. A Mãe de Dragões pousou a mão sobre a barriga de Arya e sorriu.

- Posso não ser a sua melhor amiga, mas eu também não concordo com assassinato de crianças e mulheres forçadas a se livrarem de seus filhos, mesmo os que não nasceram. Eu trarei o chá e nós diremos que você bebeu. Suas damas de companhia vão ocultar suas roupas de baixo, ou providenciar para que nenhum sinal de sua gravidez apareça. Se a criança nascer a cara de Jon, então terá herdado apenas a aparência do Norte, que você também tem. Se tiver traços Targaryen, Aegon ficará orgulhoso de exibir seu herdeiro. De qualquer modo, se passará por um filho dele.

- Por que está fazendo isso por mim? – Arya perguntou assustada.

- Seu Jon é um homem bom. – Daenerys respondeu sorrindo – Ele me lembra alguém que conheci uma vez e é o tipo de homem que eu queria que meu filho tivesse se tornado se ele não tivesse nascido morto. Bem ou mal, ele tem muito de Rhaegar dentro dele e eu vejo muito de mim em você. – ela acariciou o rosto de Arya – Eu sei o que é amar uma pessoa tão desesperadamente ao ponto de fazer absolutamente qualquer coisa para salvá-lo. Eu sei o que é perder tudo o que ama e como é viver aterrorizada por dragões.

- Por que deixa ele roubar o que poderia ser seu? – Arya perguntou por fim – Seus dragões, seu exército, seu reino.

- Ele é o que sobrou da minha família. – Daenerys respondeu – Eu me casei com ele, como mandava a tradição Targaryen, sabendo que não poderia lhe dar filhos e que ele precisaria de outra esposa, única e exclusivamente para que o legado de toda minha família não se perdesse.

- Você o ama? – Arya insistiu.

- Não, mas ele é sangue do meu sangue, é meu dever cuidar dele. – ela respondeu – Aegon será um bom marido pra você. Ele sabe ser um sedutor e não é só por causa de seus exércitos que ele está interessado em você. Use isso a seu favor.

Daenerys se levantou da cadeira e saiu, deixando Arya mais uma vez sozinha com seus pensamentos. Mais um filho, vindo no pior momento possível. Ela teria de ser cuidadosa e esconder a barriga quando começasse a crescer.

Um mês até o casamento. Um mês para que Asha e Gendry se movimentassem e viessem em seu socorro. Ela pensou em Jon, trancado em uma cela escura. Pensou em Daenerys atada ao seu sobrinho odioso. Pensou em Aemon e rezou para que a esta altura eles estivesse a uma distância segura.

Ela acabou caindo no sono. Sonhou com seu pai e sua mãe, todos os seus irmãos e com um grande banquete em Winterfell. Seus filhos corriam ao seu redor, brincando com espadas de madeira e rindo. Havia meninas também. Duas meninas de cabelos escuros. Jon segurava uma delas no colo, sorrindo.

Sentiu dedos sobre seu rosto, acariciando-a. Beijou a ponta de cada um dos dedos, desesperada por saber que Jon ainda estava do lado dela e que nada de mal poderia acontecer. Ele não a abandonaria.

Arya abriu os olhos sonolentos, esperando encontrá-lo a meia luz, nu e pronto para tomá-la, mas deparou-se com um par de olhos violeta e cabelos azulados. Aegon a encarava com um semblante tranquilo. Daquela maneira ela até poderia confundi-lo com um anjo.

- Saia daqui. – ela disse com a voz ríspida. Aegon apenas sorriu e continuou acariciando-a.

- Você estava sussurrando o nome dele. – ele disse sereno – Parecia tão satisfeita pensando que era ele que a estava acariciando. – os dedos dele desceram até as amarras da camisola que ela vestia – Isso não tem que ser ruim pra você, Arya. Pare de lutar e eu vou fazer com que chame por mim em seus sonhos.

Arya tentou empurrá-lo com força, mas foi inútil. Ele a segurou pelo pulso e imobilizou contra a cama.

- Saia de cima de mim! – ela se debatia de baixo do corpo dele – SAIA DE CIMA DE MIM! – as mãos dele a apertaram com mais força enquanto ele afundava o nariz na volta do pescoço dela.

- Você sabe que eu vou conseguir o que quero, Arya. Pare de lutar e nós dois podemos aproveitar isso. – ele levou as mãos até o decote da camisola, rasgando o tecido num único puxão até que ela estivesse com todo tronco nu.

Ele beijou o pescoço dela, suas bochechas e a boca. Arya fechou os olhos e ficou imóvel. Pensou em Jon, em como ele era apaixonado e gentil, em como ela sentia seu corpo aquecer ao som da voz dele e seu cheiro era tudo o que ela precisava para sentir o desejo ascender dentro dela. Mas aquele em cima dela não era Jon. Aegon jamais conseguiria fazê-la desejar seu toque.

- Você é linda. – ele disse com a voz rouca junto ao ouvido dela – Minha linda Visenya.

Uma das mãos dele se fechou ao redor do seio dela, ainda inchado e cheio de leite. Ela gemeu de dor. Mordeu o lábio inferior em resposta para que ele não pensasse que ela estava aproveitando aquilo.

- Ainda cheia de leite. – ele constatou – Em breve será meu filho que beberá deste leite. Teremos muitos filhos e filhas, não é verdade? Meninos fortes e inteligentes, meninas alegres e bonitas, que se casarão com seus irmãos e assim o sangue da antiga Valyria e o sangue dos Primeiros Homens vão se unir numa única linhagem que governará Westeros por mais mil anos.

Ele desceu a mão até as coxas dela. Arya desviou o rosto para não encará-lo até sentir a mão dele suspendendo a barra da camisola e deslizando entre as pernas dela. Arya se debateu mais uma vez. Ela gritou ao sentir os dedos dele afastando as roupas íntimas dela e pela primeira vez em muitos anos ela se sentiu uma criança indefesa e apavorada.

As lágrimas correram livremente pelo rosto dela. Arya lutou o quanto pode, mas Aegon era mais forte. Sentiu os dedos dele invadindo-a, enquanto o asco lhe revirava o estomago e a única coisa que ela conseguiu gritar para que o castelo inteiro ouvisse foi o nome de Jon, num pedido desesperado de socorro.

Ela não sabia dizer por quanto tempo ele a tocou, mas uma parte dela ficou feliz de tudo ter parado ali. Aegon se afastou dela apenas o bastante para observá-la melhor. Ele acariciou o rosto dela, ainda coberto por lágrimas.

- Há quem diga que meu pai estuprou Lyanna Stark. – ele disse com a voz rouca – É uma mentira nojenta, não acha? Ela implorou por ele, implorou para que ele a tomasse. Eu poderia ter você agora, mas que bem isso traria? A última coisa que quero é ouvir o nome do meu irmão quando estiver dentro de você. Um mês e você será a minha rainha. Vai implorar por mim assim como a vadia da sua tia implorou pelo meu pai!

Ele se levantou da cama de uma vez, deixando-a deitada e semi nua, ainda chorosa e apavorada. Arya respirou fundo, escondeu-se de baixo das peles e se permitiu chorar.

Ela teria sua vingança. Vala Morghulis.

Nota da autora: E então...Eu disse que seria tenso. Pois é, muita gente tá reclamando que o Jon não fez porra nenhuma nos últimos capítulos e o que eu posso dizer em defesa dele é que Jon é um excelente guerreiro, mas nunca vivenciou o Jogo dos Tronos. Além disso ele tem sérios problemas com a ideia de assassinar alguém da própria família e até mesmo desconfiar deles. Por esta razão a Arya toma frente nessa disputa e faz suas próprias articulações. Pra quem queria mais de Dany, cá está ela. Teve gente achando a morte do Mindinho ruim e talz, já aviso que eu adoro o personagem dele tmbm, mas enquanto tivesse alguém vendendo informações pro Aegon, a Arya não poderia agir e eu parto do princípio que essa guria escapou dele e do Varys quando tinha nove anos, se ela quisesse matar qualquer um deles ela conseguiria.

E então, meu povo. Ainda gostam do Aegon depois dessa? E quem o Jon lembra a Dany? By the way, os últimos capítulos estão prontos, então eu gostaria de saber se querem que eu poste tudo de uma vez, ou dê um tempo entre um e outro? (Quero me livrar disso aqui pra pensar em provas e monografia) Escolham e eu posto do jeito que quiserem. Vale o voto da maioria, então quanto mais comentários me dizendo a vontade de vocês, melhor.

Bjux

Bee