Epílogo

Alguns anos depois...

Ela não espera encontrar Aemon no solar a uma hora daquelas. O dia estava claro e ela supunha que o filho mais velho deveria estar praticando suas lições. Ainda se surpreendia com a semelhança dele com o pai. Alto, de rosto longo e solene, cabelos escuros e encaracolados. Aemon era um jovem bonito, dedicado e um tanto tímido, mas um dia ele seria um rei excelente.

Ele observava seus irmãos treinando com espadas no pátio. Eddard era um prodígio, como todos diziam. Melhor do que Jaime Lannister e Loras Tyrell juntos, segundo o mestre de armas e o único filho dela a ter traços Targaryen. Brandon era bem treinado, mas nem de longe conseguiria derrotar o irmão mais velho, entretanto, seu sorriso charmoso, olhos azuis e cabelos avermelhados conseguiam arrancar qualquer coisa de qualquer pessoa. Enquanto Eddard era um guerreiro inato e assustadoramente belo, Brandon era cheio de carisma e Arya tinha a íntima sensação de que um dia seria ele a lhe dar o primeiro neto.

Aemon parecia imerso em seus pensamentos, como era seu costume. Tão jovem e tão severo consigo. Era dele a tarefa mais difícil, a tarefa de governar quando chegasse a hora, mas Arya gostaria que o filho tivesse ao menos a chance de viver uma vida normal.

- Parece preocupado. – ela disse chamando a atenção dele – Algo o perturba?

- Eu só estava admirando. – ele disse sério – Perdoe-me, eu não a ouvi chegar, Mãe. – ele beijou a testa dela com respeito e carinho.

- E o que admira tanto? – ela perguntou observando a prática dos filhos.

- Ned é um monstro com uma espada na mão. – Aemon comentou – Eu juro pelos deuses novos e antigos, nunca vou conseguir fazer metade do estrago que ele faz.

- Você sempre lutou muito bem. – ela disse segura – Tem técnica, elegância, é ágil. Você e seu irmão são os dois melhores guerreiros que já vi, a diferença é que Ned luta com o coração na ponta da espada e age como se nada mais importasse, você pondera tudo. Os riscos, as pessoas a sua volta, a possibilidade de alguém se machucar. Você nasceu sabendo suas responsabilidades e isso é algo que Ned jamais saberá.

- E se um dia o reino precisar de um guerreiro, mais do que precisa de um sábio? – ele perguntou inseguro.

- Seu irmão estará ao seu lado. – ela disse sorrindo – Somos uma matilha, protegemos uns aos outros. Seus irmãos lutarão ao seu lado, assim como suas irmãs.

- Eu também estava pensando em outra coisa. – ele disse, desviando o assunto – Naerys completará mais um ano em dois meses e eu ainda não sei o que poderia dar de presente a ela.

- Uma jovem de dez anos...O que tinha em mente? – ela perguntou curiosa.

- As damas da corte falam de vestidos, joias, instrumentos musicais. – ele disse tamborilando os dedos sobre o balcão de forma ansiosa.

- Sabe que sua irmã não compartilha dos mesmos gostos que as damas da corte. – ela disse rindo – Conhece-a melhor do que ninguém, deve haver algo que Nan queira e que nem eu, nem seu pai estamos dispostos a dar.

- Ela gosta de espadas. – ele disse sério – Meu pai diz que isso é algo que ela herdou da senhora. Ela treina com espadas de madeira as escondidas com Ned e eu pensei...Bem, eu pensei que ela gostaria de uma de verdade, mas meu pai não vai gostar disso. – Arya riu com vontade.

- Sabia que foi seu pai quem me deu minha primeira espada? – Arya disse sorrindo para o filho – Na época ele disse que era para que eu pudesse me proteger quando estivesse na capital. Eu não era mais velha do que Nan quando isso aconteceu. Acho que Jon tem medo de que um dia as filhas decidam conduzir uma rebelião, se isso acontecer, você, Ned e Bran estarão em sérios apuros. – Arya colocou a mão sobre os ombros do filho – Encomende a espada e dê a ela. Deixe seu pai comigo.

- A senhora é terrível. – Aemon respondeu sorrindo e tão logo o sorriso veio, ele também se foi.

- O que é agora? – ela perguntou.

- Ouvi Tyrion e meu pai falando sobre propostas de casamento. – ele disse sério – Mencionaram uma garota Tyrell para mim, também estão cogitando uma Martell para reforçar a aliança com Dorne. O que a senhora pensa disso?

- As mulheres de Dorne merecem respeito, são treinadas para o governo e são mais destemidas do que a maioria. – ela disse segura – Mas o que você pensa?

- A senhora sabe que eu não sou muito bom em confiar nas pessoas, nem em fazer amizades como Bran faz. Como eu posso pensar em me casar com alguém que eu não conheço e dificilmente conseguirei interagir? – ele perguntou ainda tamborilando os dedos sobre o balcão – O que eu devo fazer com uma mulher dessas, além da parte óbvia de produzir herdeiros?

- Respire fundo e mantenha a calma. – Arya disse serena – Seu pai estava falando de possibilidades, não há nada definido ainda e eu vou me assegurar de que você seja consultado antes de que qualquer acordo seja feito. Agora, um casamento não necessariamente será feito com uma estranha. Pode ser alguém que conheça e mesmo se não conhecer poderemos trazer a jovem para a corte e vocês poderão se conhecer. Mas é claro que, se você tem alguém em mente, talvez devesse conversar com seu pai. Jon é um homem razoável e ele se importa com a felicidade de vocês mais do que qualquer coisa no mundo.

Aemon respirou fundo e então se virou para encarar a mãe nos olhos. Ela ainda era jovem e bonita, a idade serviu apenas para refinar sua beleza.

- Somos Targaryen, não somos? – ele perguntou à mãe.

- Seu pai, seus irmãos, você...O sangue do dragão corre em suas veias. Sim, vocês são Targaryens. – ela disse séria.

- Por gerações, desde Aegon, O Conquistador, Targaryens tem casado irmão e irmã para preservar o sangue da antiga Valyria. – Aemon disse respirando fundo – E eu estive pensando que talvez, escolher alguém do meu sangue não seja uma má ideia.

- Está sugerindo um casamento com uma de suas irmãs? – Arya arqueou as sobrancelhas e arregalou os olhos e Aemon imediatamente percebeu que aquele assunto não era tão aberto à discussão como havia imaginado.

- Eu só pensei que...Nós somos uma dinastia nova...Quero dizer, um pouco das antigas tradições...Eu, deuses, eu não estou falando coisa com coisa. – ele disse enfiando o rosto entre as mãos – Esqueça o que eu disse, Mãe.

- Eu esqueceria, se você não parecesse estar à beira de um ataque de ansiedade. – ela disse séria – Confesso que a ideia me assusta, mas pode ser que o Pequeno Conselho concorde. Mas por favor, me diga o por que desta ideia.

- Um dia eu serei rei. Desde criança eu sempre soube que seriam poucas as pessoas em quem eu poderia confiar. Uma noiva de qualquer outra família seria bem educada, obediente e dedicada, mas quanto tempo levaria até que os interesses de sua família sobrepujassem o dever para com o reino e os súditos? – ele disse sério – As disputas familiares são tão fortes hoje quanto foram nos tempos de Robert Baratheon e a senhora mais do que ninguém sabe os riscos do Jogo dos Tronos. Minhas irmãs, por outro lado, nasceram e cresceram sabendo que um dia seriam jogadoras também, mas suas ambições e vaidades pessoais jamais poderiam interferir no bem estar do reino.

- É um bom argumento. – Arya disse séria – Mesmo assim, acho que sabe que uma decisão como esta traz muitos fatores que devem ser considerados. Eu sei que Naerys é a noiva que tem em mente. Você sempre a venerou, desde que ela era um bebê e você tinha apenas quatro anos. Você sempre foi o herói dela, salvando-a de confusões sempre que ela aprontava alguma coisa. Ela o chamava de "Meu Cavaleiro Dragão" toda vez que você impedia Ned de se vingar de alguma travessura dela. – ela encarou o filho nos olhos – Se um dia vocês se casarem, deve saber que essa relação que vocês têm vai mudar completamente. Pode ser que mude para melhor e pode ser que mude para pior.

- Foi o que aconteceu com você e meu pai? – ele perguntou sério – As coisas mudaram...Para pior? – Arya acariciou o rosto dele e sorriu.

- Eu passei uma boa parte da minha vida achando que Jon era meu irmão até um dia em que ele voltou a Winterfell. Eu fiquei feliz com o retorno dele. Ele era a pessoa que eu mais queria ver, quem eu mais senti falta durante todos aqueles anos. Eu pensava nele todos os dias. – ela disse com toda sinceridade – No dia seguinte, meu irmão Bran disse que Jon não era nosso irmão, era nosso primo. E que eu deveria me casar com ele por questões políticas, para garantir um exército para ele. Eu seria rainha. – Arya respirou fundo antes de continuar – Eu odiei meu irmão por isso. A ideia era revoltante e eu queria enforcar Jon por concordar com aquela loucura. Eu não queria ser rainha, eu não queria me casar, eu só queria o meu melhor amigo perto de mim. Só concordei no dia em que Jon me procurou e foi absurdamente sincero comigo. Ele disse que precisava de mim, que só me pediria por lealdade e confiança, algo que sempre tivemos um no outro, e mesmo que tudo desse errado e nunca nos víssemos como homem e mulher, ao menos ainda seríamos amigos. Eu nunca consegui negar nada a ele e aquela vez não foi diferente.

- Vocês se casaram pela primeira vez. – Aemon completou.

- Sim, nós nos casamos. – ela afirmou – Mas o casamento só foi consumado dias depois porque nem eu e nem seu pai sabíamos o que fazer um com o outro. Eu estava apavorada só de pensar que eu poderia perdê-lo de uma vez por todas. A única pessoa que eu não suportaria perder. Mas aquele era o nosso dever, então o casamento foi consumado. Eu passei dias sem saber o que fazer. Eu deveria abraçá-lo quando quisesse? Eu tinha de beijá-lo em público, ou não poderíamos demonstrar qualquer afeto diante dos súditos? E quando ele viesse para minha cama, eu deveria dizer o que eu queria e pensava, ou apenas aceitar aquilo que Jon me oferecia? Ele ainda ia me abraçar quando eu me sentisse sozinha, ou com medo? – Aemon a encarava com o rosto corado, mas seu semblante era severo – Tudo mudou e por um bom tempo eu não soube dizer se foi para melhor ou para pior. Então você nasceu e eu fui imensamente grata a Jon por ter me dado você. Foi só depois disso que eu entendi que mesmo que eu tivesse cumprido meu dever, aquele casamento era para a vida toda, não tinha mais volta e se um dia eu acordasse e me deparasse com um homem que eu mal poderia conversa, ou entender, eu saberia que minha vida não teria mais sentido.

- É isso o que aconteceu? – ele perguntou temeroso pela sinceridade crua de sua mãe.

- Eu sempre amei Jon como um amigo e um irmão. Demorei muito até perceber que este amor havia mudado no meio do caminho e que Jon havia deixado de ser meu irmão, meu amigo, meu herói, pra se tornar um homem, com virtudes e falhas. O homem que eu amava mais do que tudo nessa vida e por quem eu faria qualquer coisa. – ela respondeu firme – Da mesma forma que as coisas deram certo, também poderiam ter dado errado e a única coisa que tornaria minha vida suportável a este ponto seriam você e seus irmãos. É isso o que você e Naerys vão enfrentar, caso siga o seu plano. Está preparado para isso? Para enfrentar a chance de perder a pessoa que você mais adora em todo mundo e vê-la se transformando em alguém por quem você só sente indiferença e tolera porque este é o seu dever?

- Isso não vai acontecer, Mãe. – ele disse tão seguro que por um instante Arya viu um lampejo daquele que seria o rei – Eu jamais conseguiria ser indiferente a ela. Ninguém me entende melhor, nem mesmo Ned e Bran. Eu quase nunca me sinto a vontade para rir, ou falar de coisas sem importância, mas não importa o meu humor no dia, Nan sempre sabe como arrancar um sorriso de mim. Eu jamais machucaria ela, jamais a faria sofrer.

- Então fale com seu pai. – Arya disse séria – Naerys ainda é uma criança e até que ela floresça levará alguns anos. Imagino que até lá você já será um homem feito. Isso é tempo mais do que suficiente para que você possa considerar as opções e tenha a chance de mudar de ideia, assim como sua irmã poderá ter uma opinião a respeito. Eu não vou forçar nenhum dos dois a aceitar este casamento, você me entendeu? Se sua irmã disser não, o desejo dela será respeitado.

- Entendi. – Aemon concordou com um aceno de cabeça.

- E eu não quero esse pensamento se espalhando entre seus irmãos. Lyanna tem só seis anos e eu gostaria muito que ela não passasse seus dias planejando um casamento com Bran, ou Ned. – Arya completou – O filho mais velho de Gendry vai ser mandado para Porto Real em breve para servir como escudeiro, tente encorajar Lyanna a passar algum tempo com ele e quem sabe nós possamos realizar a tão falada aliança entre Starks, Baratheons e Targaryens. Os deuses sabem que eu não aguento mais ouvir uma palavra a respeito disso e Gendry não vai sossegar enquanto não tiver uma das minhas filhas pra Robert.

- E quanto a Jardim de Cima e Dorne? – Aemon perguntou divertido.

- Um dia Brandon vai conseguir levantar metade das saias de Westeros e eu acho que ele pode fazer bom uso de uma daquelas moças de Dorne para botar alguma ordem na vida dele. – Aemon riu do comentário – Quanto a Ned, bem, não sei se uma mulher de Jardim de Cima poderia fazer seu irmão uma pessoa mais ponderada, mas se nada funcionar, então eu acho que devemos providenciar uma Mormont pra ele.

Arya bagunçou os cabelos do filho antes de sair do solar.

Ela caminhou calmamente até os jardins aonde Lyanna tentava correr atrás de um gato para acariciá-lo. O vestido amassado e sujo, o cabelo castanho avermelhado despenteado, o sorriso enorme. Sua menina mais nova era uma criança divertida e bem humorada, com um coração gentil. Todos amavam Lyanna e ela amava a todos.

Naerys estava por perto, observando a irmã de longe, para ter certeza de que o gato não a atacaria, caso ficasse nervoso. Nan era pequena em estatura, de constituição quase delicada e seu rosto lembrava em muito o de Sansa quando eram crianças. Os olhos de um azul profundo, um rosto harmonioso e cabelos escuros, como os dos Stark. Quando vestida de forma adequada, qualquer um pensaria que ela era o exemplo perfeito de princesa, mas de todos os filhos ela era a que mais se parecia com Arya em termos de gênio.

Era a favorita de Jon. A primeira menina com a qual ele tanto sonhou. A mais difícil de nascer, a mais teimosa quando criança. Apesar de seu temperamento ser mais parecido com o de Ned, era com Brandon que ela mais se divertia. Ela era muito próxima de todos os irmãos e os adorava, mas com Aemon havia uma veneração que não existia com os outros. Eles eram cúmplices em tudo, era para ele que ela pedia conselhos e Nan estava sempre disposta a ouvir qualquer coisa que preocupasse a cabeça do irmão mais velho.

Jon ia odiar a ideia, ela sabia disso. Que os deuses fossem bons e não permitissem que seu marido tivesse um ataque do coração. Quanto a reação de Naerys, Arya não fazia ideia do que esperar. Talvez ela tivesse um acesso de fúria simplesmente por não conseguir aceitar a ideia de um casamento com qualquer rapaz. Ou talvez ela aceitasse sem problemas.

Arya estava muito perdida em pensamentos para notar a aproximação de Ned. Ele a pegou num susto que a fez gritar e resmungar, enquanto ele ria da reação dela. Ela o encarou nos olhos, tentando parecer séria, mas acabou rindo junto com o filho.

- Isso é jeito de tratar sua mãe? – Arya perguntou de forma severa. Ned tentou conter o riso. Dentre os meninos, Ned era surpreendentemente bonito. Diziam que era a imagem de Rhaegar quando jovem. Seu cabelo platinado baia na altura dos ombros, os olhos em tom de violeta, e os traços elegantes. Se Aemon era todo Stark, Eddard era todo Targaryen.

O rosto dele sempre traria a memória dos dias em que ela esteve nas mãos de Aegon Targaryen e do medo que ela sentiu. Quando Ned nasceu, Arya teve de conter a angustia de segurar nos braços uma criança que por muito pouco não pertenceu a Aegon. Jon nunca perguntou nada a respeito, tão pouco fez qualquer distinção entre Ned e os outros filhos e nem poderia. O temperamento apaixonado e divertido de Eddard era difícil de ignorar e tudo o que o jovem príncipe queria da vida era a admiração e o orgulho dos pais, ignorando qualquer comentário maldoso. Eddard era um Targaryen e um filho muito amado.

- Sinto muito, Mãe. – ele disse entre risos – Eu consegui desarmar Brandon com uma sequencia de cinco golpes hoje. Ele está melhorando. Até mês passado bastavam três.

- Você é confiante de mais. – Arya disse numa tentativa de repreender o filho de quatorze anos – Já tentou praticar contra a sua irmã?

- Naerys não joga limpo. Um golpe um pouco mais forte e Aemon vem pra cima de mim como o próprio Cavaleiro Dragão. Não sei pra que existe guarda real se ele está disposto a fazer o serviço de proteger aquela magricela sozinho. – Ned disse sério – Ele está planejando dar a ela uma espada de verdade, sabia disso?

- Eu soube. – Arya respondeu sorrindo – O que acha disso?

- Ela vai decapitar todo pretendente em potencial, é isso o que eu acho. Nem o bastardo de Tarth vai conseguir escapar de uma surra se Nan acordar decidida a isso. E olha que Renly tem sangue de Brienne e Jaime Lannister nas veias. Ele nasceu com uma espada no lugar do braço e Nan ainda faria o pobre sair correndo para se esconder atrás da mãe. – Ned disse rindo.

- Só podemos esperar para que a lâmina não seja muito afiada. – Arya disse sorrindo – Agora vá tomar um banho. Você está fedendo com todo este suor.

Naquela noite Jon entrou nos aposentos reais com uma expressão levemente perplexa. Ele não se deu ao trabalho de notar que ela não havia se preocupado em usar algo para dormir e que de baixo do cobertor de peles ela estava sentindo mais frio do que deveria.

Ele se deitou ao lado dela e ficou encarando o teto por longos minutos. Foi quando Arya se deu conta do que poderia ser a causa do comportamento dele. Aemon era mais rápido do que ela havia imaginado.

Arya deslizou a mão pelo tórax dele, num esforço de provocá-lo. Jon segurou a mão dela pondo um fim a tentativa. Ele se virou para encará-la.

- Acha que eu sou algum tipo de monstro ou coisa assim? – ele perguntou olhando diretamente nos olhos dela.

- Que coisa ridícula. É claro que não! – ela respondeu – Por que essa pergunta agora?

- Sabe, eu evito pensar no dia que nos casamos a primeira vez. – ele disse sério, enquanto Arya acariciava seu rosto – Naquela época eu insistia em repetir pra mim mesmo que eu estava apenas cumprindo meu dever com o reino e tentando proteger você.

- Era mais ou menos isso o que eu me dizia também. – ela respondeu encarando-o com seriedade.

- O problema foi quando Gendry apareceu e eu percebi que meus sentimentos não eram tão nobres assim. Digo, eu teria aceitado se você tivesse dito que não me queria de forma alguma, ou que eu era apenas o seu irmão, mas eu teria tentado matar o desgraçado do mesmo jeito e faria parecer um acidente. – Jon admitiu e Arya riu sem qualquer receio – Eu passei a gostar de ter você como mulher e, mesmo que você me irritasse com aquela sua distância, eu não conseguia parar de querer você. Isso me torna uma pessoa ruim? Por desejar você do jeito que eu desejo?

- Não. Você é o melhor homem que eu já conheci. – ela disse beijando a boca dele de leve – E se isso tem há ver com Aemon, eu acho melhor você falar, antes que exploda.

- Então ele falou com você também? – Jon a encarou levemente surpreso – Deuses, Arya! O que vamos fazer com isso? Ele e Naerys, nossos filhos, juntos!

- Acho que seus antepassados nunca tiveram problemas com isso, mas eu entendo o que quer dizer. – ela disse séria – Eu disse que isso jamais aconteceria se Nan não estivesse de acordo.

- E eu devo rezar pra que ela ignore todas as coisas que ela aprendeu com os maesters sobre a minha família, diga não a Aemon e aceite de bom grado um outro pretendente. Arya, nós dois sabemos que a possibilidade de um homicídio no meio do caminho é grande. – Jon disse exasperado.

- Aemon pode mudar de ideia. – Arya ofereceu – Devemos ter mais uns três ou quatro anos pela frente.

- Aemon mudar de ideia. Tem certeza de que estamos falando do mesmo Aemon? Nosso filho mais velho, que decidiu aos três anos que aprenderia a tocar harpa sozinho e que hoje compõe musicas para entreter as irmãs? – Jon disse ainda desconcertado – É mais fácil ensinar um cavalo a falar do que fazê-lo mudar de ideia e você sabe disso.

- Como eu disse, deixe que os dois decidam. Um não, de qualquer uma das partes, e esse casamento nunca existirá. Pra isso nós podemos colocar todo tipo de pretendentes aceitáveis para ambos e rezar pra que um deles seja fisgado. – Arya disse sorrindo – E se não der certo, rezar para que eles tenham a nossa sorte. Ou você esquece que a nossa situação não era assim tão diferente?

- Nós somos primos. – Jon disse teimoso.

- E crescemos como irmãos. – Arya retrucou – E não sei quanto a você, mas a só de pensar em você tirando a minha roupa eu entrava em pânico.

Jon a encarou por um longo momento. Eles nunca falavam de como se sentiram naqueles primeiros dias. Assumiam que em algum ponto as coisas se tornaram mais toleráveis e até prazerosa, mas nunca tocavam no assunto. Ele acariciou o rosto dela.

- Era assim tão ruim? – ele perguntou com medo de ouvir a resposta – Eu juro, Arya. Eu teria feito as coisas de outro modo se você quisesse. Eu... – ela o silenciou com um beijo. Jon fechou os olhos e se deixou levar por ela.

- Eu era uma noiva virgem e mais do que rebelde que odiava a ideia de ter que me casar. – ela sussurrou para ele – Teria sido ruim com qualquer um, mas você sempre se esforçou para tornar tudo o menos complicado possível.

- Você sempre foi valente, não é mesmo? – ele beijou ela mais uma vez – Mesmo na primeira vez. Eu teria esperado mais, você sabe disso, mas você insistiu que não poderíamos fugir pra sempre. – a boca dele desceu pela linha do pescoço dela, tornando a respiração de Arya mais pesada. Os beijos eram longos e úmidos, espalhados por todo caminho até o vale entre os seios dela. – E como é agora? Ainda apavorada quando pensa em como eu vou arrancar as suas roupas, ou como eu vou beijá-la e tocá-la até que esteja gemendo no meu ouvido? Ou quem sabe o que te apavora é pensar na minha boca nas suas partes mais...Delicadas?

Os beijos desceram pela barriga dela. Jon contornou o umbigo dela com a ponta da língua, fazendo-a prender a respiração por uma fração de segundos e massagear seu escalpo.

- Estou em pânico só de pensar. – ela disse com dificuldade – Mas nada me aterroriza mais do que pensar em você dentro de mim. Tão poderoso e imponente. Chego a pensar que vai me matar. – ele lançou um sorriso malicioso para ela antes que sua língua a invadisse, arrancando um gemido prolongado dela.

Ele nunca precisou de muito esforço para satisfazê-la e sem qualquer vergonha Arya permitiu que o prazer chegasse a ela de forma tão implacável que levou seu corpo inteiro a estremecer de forma quase convulsiva.

Ela o despiu por completo, o abraçou e beijou com vontade, de forma imperativa e exigente, sendo correspondida imediatamente por ele. Jon gostava de quando ela o cavalgava, deixando seu corpo exposto para apreciação e poupando-o da maior parte do esforço, mas naquela noite ela estava disposta a suportar o peso dele. Senti-lo entre suas pernas e recebê-lo em toda sua força.

Jon a estocou de uma vez. Fundo e firme, de modo que ela fechou os olhos imediatamente ao senti-lo. Estaria dolorida na manhã seguinte, mas aquela seria uma dor quase doce. Ele se movia dentro dela, com a certeza de que era o único, de que era seu nome que ela chamaria sempre.

Arya o beijou quando sentiu uma nova onda de prazer e os tremores que lambiam seu corpo nu. Jon se derramou dentro dela segundos depois, arfando de tanta exaustão. Ele a beijou, puxando-a para seus braços e permitindo que Arya deitasse a cabeça sobre seu tórax.

- Ainda apavorada? – ele perguntou rindo.

- Aterrorizada. – ela respondeu languidamente – Bran nunca teria me casado com você se soubesse o tipo de coisas que faz comigo.

- Deixe o Lorde Stark feliz com sua ignorância. – Jon respondeu brincando com o cabelo dela – Aemon e Naerys, eu nunca vou me acostumar com isso, vou?

- Você se acostumou com a ideia de se casar comigo. – ela retrucou – E nós fizemos as coisas darem certo, não é mesmo?

Jon respirou fundo e ficou em silêncio por alguns segundos. Ele a apertou firme entre seus braços.

- Acho que nunca te contei isso. Talvez eu deva contar. – ele disse sério. Arya ergueu a cabeça para olhá-lo diretamente.

- O que é? – ela perguntou.

- Eu te amo. – ele sussurrou – Quinze anos escondendo isso de você não tornaram isso menos verdade, ou diminuíram o que eu sinto. Eu te amo. Só os deuses podem dizer o quanto e como eu sempre amei.

Ela acariciou o rosto dele mais uma vez e o beijou na boca.

- Eu também te amo. – uma simples verdade que deixava dois corações em paz após quinze anos vivendo no escuro.

Meses depois ela já não conseguia andar direito graças às dores nas costas e o tamanho da barriga. Jon sorria para ela enquanto acariciava a barriga redonda dela. Arya tinha certeza que aquele filho havia sido feito naquela noite, pouco depois dela dizer que o amava.

Nota da autora: Então...Acabou. Por hoje é só, pessoal XD. E o saldo geral da bagaça é: 3 meninos; Aemon de 15 anos, Eddard de 14/13 anos, Brandon de 12/11; 2 meninas, Naerys de 10 anos e Lyanna de 6; 1 bebê a caminho (ou dois. Arya sempre pode ter gêmeos).

E o nome do capítulo devia ser "Como explicar ao seu filho que não queremos uma nova tradição familiar". Pois é, eu imagino o desespero do Jon e da Arya quando o Aemon joga a ideia do nada. Acho que vocês notaram a extrema semelhança física do Eddard com o Aegon e eu antecipo que por muito tempo paira no ar a suspeita em relação à paternidade, mas ele é filho do Jon sim, o único problema é que o muleque saiu a cara do avô e do tio. Brandon tem como objetivo de vida levantar metade das saias de Westeros até os 20 anos. Naerys é a princesa trol, que apronta até não ter mais jeito e nunca se dá mal por causa do Cavaleiro Dragão dela. Lyanna é o xodó de todos e é claro que o Jon não quer que ela fique noiva do filho do Gendry.

E sim. Brienne foi passar uns dias na Muralha, ao invés de ir pro Vale e ao invés de voltar com um bebê no braço (Aemon), voltou com um no braço e outro na barriga (Renly). Nem dá pra suspeitar que ele e o Ned são amigos e saco de pancada um do outro.

Espero que tenham gostado. Foi um prazer escrever esta fic e eu fiquei muito feliz com todo apoio. Gostaria de escrever mais fic's em breve, assim que a faculdade permitir, então fiquem atentas ao meu profile que logo pode ter coisa nova por lá.

Bjux

Bee