Disclaimer: Harry Potter não me pertence.
O Nome do Jogo
A Festa Acabou
O corredor fora enfeitado com luzes em tons azuis e lilases, que tonalizavam os cristais dos lustres e dos castiçais na parede. O tapete vermelho os levava até a imponente porta de mogno, aberta por dois serviçais com uniformes especiais.
Assim que entraram, Malfoy sentiu a Weasley estremecer em seu braço e a examinou de esguelha. Ela vestia o modelo vermelho flamejante que ele escolhera para ela e que a fazia parecer em chamas. Estava bem, mas parecia mais uma acompanhante de algum rico político do que uma jovem senhora de sociedade. O que provavelmente era bom, porque dois ou três homens na sala já viraram o olhar para ver quem era a jovem e bela ruiva que entrara na sala.
"Faça seu trabalho", ele disse olhando para ela.
Gina o olhou com repugnância e se afastou rapidamente, seus cabelos flamejantes sumindo no mar sem graça do castanho e do preto. Malfoy pensou que provavelmente com os cabelos tão exóticos e aquele vestido extravagante não seria nada difícil encontra-la naquela sala. Sendo assim, deveria se divertir um pouco, já que voltava a seu ambiente natural.
Porque eles riem tanto? Como conseguem encarar um a cara do outro sabendo que tudo isso é falso? Estou ficando enjoado...
Saindo para a varanda, onde havia alguns homens e mulheres fumando, Malfoy foi até a sacada e se apoiou na grade, olhando o céu escuro quase sem estrelas lá em cima.
Falam em outras línguas aqui... Francês, Alemão, Russo, Mandarin... Sobre o que conversam? Qual a finalidade disso tudo?
Ele se lembrou do homem de óculos e do quarto de hotel em que ele estava... qual era mesmo? Ah sim, aquele numero. Talvez devesse anotar em algum lugar para não esquecer...
"Ah, aí está você".
Ele se virou.
"Você não tem que se preocupar comigo. Divirta-se lá".
Mas ela andou firmemente até ele e se agarrou em seu braço, "Vamos embora".
Malfoy deixou que suas feições tomassem um ar confuso e disse lentamente, "Se você quiser".
"Eu quero", ela disse ainda segurando seu braço enquanto eles andavam para a saída. Algumas pessoas ainda cumprimentaram a Weasley que encostou a cabeça no braço de Malfoy, sorrindo fragilmente para eles.
Assim que alcançaram as escadas, no entanto, ela se soltou dele e andou duramente para frente. Malfoy observou a expressão dela se tornar sombria.
"Ele não estava aqui", ela comentou assim que saíram para o ar fresco da noite, "Meu trabalho terminou".
"Quem não estava aqui?"
Em vez de responder ela de repente pegou a mão dele e a apertou firme entre as suas duas mãozinhas. Em meio à estranheza de tudo, Malfoy reparou em como as mãos dela estavam frias e em como ela estava pálida.
"Leve-me daqui", ela pediu, tremendo, "pra qualquer lugar, só me tire daqui. Por favor".
Naquela vez... eu não sabia porque as mãos da Weasley estavam tremendo.
Estavam sentados lado a lado no balcão de um barzinho qualquer. Weasley já chamava atenção por sua aparência exuberante, e os homens só não mexiam por ela parecer estar acompanhada.
Malfoy tinha uma lata de refrigerante a frente enquanto ela bebia vodca, o rosto já vermelho, o penteado desfeito, fazendo as ondas dos fios vermelhos caírem como línguas de fogo em volta de seus ombros estreitos.
Subitamente ela começou a rir para ele, "Sabe, acabei de me ligar em uma coisa".
Malfoy virou o rosto um pouco para o lado dela, indicando estar ouvindo. A Weasley virou uma grande quantidade da sua garrafa e limpou a boca com a costa da mão, "Provavelmente serei morta depois desse trabalho".
E riu de novo. Malfoy a olhava sem emoção nenhuma.
"Pensei que isso seria melhor que continuar desarrumada e ser morta por Flint em Godric's Hollow", ela continuou, alisando a garrafa com a unha, "Imaginei que seria melhor morrer como a bonita e talentosa Gina Weasley".
Ela baixou a cabeça e algumas mechas de cabelo sedoso escorreram por seu pescoço. Seus olhos castanhos estavam matizados de amarelo fogo, e pareciam estranhamente escuros e magnéticos. Weasley o encarou com aqueles olhos e ele teve de repente consciência de si mesmo e da presença dela ao seu lado, a sua pequenez e o brilho matizado do seu cabelo raro.
"Mas vai ser tudo igual... vou estar morta do mesmo jeito".
Algumas gotas cristalinas caíram no balcão e nenhum dos dois falou mais nada. Malfoy encarou fixamente o balcão à sua frente, ouvindo o barulho de vidro, copos, risos, conversas e tudo isso ficar estranhamente abafado, como se pusessem um dos fofos abafadores de ouvido da professora Sprout e tudo que pudessem ouvir era o som da respiração rasante dela.
Daquela vez pensei que devia protegê-la... Meu mau hábito reaparecera.
Naquela vez, pensei comigo, eu devia proteger aquela mulher.
"Tudo bem, estamos no caminho certo agora", disse o motorista "Mas meu Deus Malfoy, como isso foi acontecer?"
O carro agora mantinha uma velocidade constante na chuva intensa e percorria reto em uma pista dupla completamente vazia.
"É isso que eu vou contar... ao Potter quando nós chegarmos lá", ele respondeu ofegante segurando seu ferimento.
Com a mão livre, tateou o bolso esquerdo das vestes com a mão suja, tirando de lá uma gravata de aspecto novo. Malfoy a ergueu com a mão trêmula pela perda de sangue, e a colocou no foco de luz dos postes lá de fora, sua visão um pouco embaçada.
Essa gravata... Se eu não tivesse isso...
"Aguente firme, Draco. Estamos quase chegando! Aguente mais um pouco".
Eu não teria ido a um lugar como aquele...
"Já posso ver o hotel daqui! Logo, logo você vai estar bem, por isso aguente!".
Eu não teria que ver... algo tão terrível.
Nos dias seguintes foi a mesma coisa. Eles comiam fora, na maior parte do tempo juntos, iam a alguma festa e terminavam a noite em algum bar da cidade. Também havia dias em que não havia convites, ou festas, então ela sequer dava o trabalho de aparecer. Malfoy acostumou ir tomar café da manhã em um barzinho sujo ali perto. Estava tão entretido com os negócios depois que saíra da prisão que não se lembrava de mais como o Caldeirão Furado parecia menor com a quantidade de gente que o visitava depois da guerra.
Ao invés das teias de aranha e do velho barman Tom, havia lamparinas multicoloridas e pequenas fadinhas que sobrevoavam a cabeça amarela de Ana Abott Longbottom, a nova proprietária do bar. Apesar de o bar ser normalmente bem cheio, Malfoy ainda conseguia um lugar mais afastado dos outros no balcão e pedia seu prato, o mesmo prato todos os dias. Naquele dia não era diferente.
Assim que Malfoy chegou, encontrou o bar vazio, como era de se esperar àquela hora da manhã. Sentou no balcão em frente a loira, que logo depois ofereceu uma bebida semelhante ao café.
"O que vai querer?".
"O mesmo de sempre".
Ela se virou para a divisória atrás, onde havia um fogão e utensílios.
"Qual era mesmo?".
"Ainda não consegue lembrar, Ana?", disse Malfoy e emendou logo em seguida, "Hambúrguer com bastante queijo e tomate. Se colocar pickles, eu te mato".
Ela sorriu, dando de ombros, "Como eu poderia lembrar?"
Malfoy levou sua bebida a boca, assoprando antes de beber um gole. Pelo canto do olho, percebeu que outra pessoa sentava a dois bancos dele. Olhou. Era um homem alto e magro, a julgar pelas vestes largas, de cabelos cor de piche brilhante saindo da toca da capa escura que usava. Sentava-se meio curvado, com um copo semelhante ao dele à frente no balcão e a cabeça baixa.
Enquanto Malfoy o encarava, o homem continuava olhando fixamente para o tampo da mesa, quase imóvel, sem ao menos tocar no copo de bebida.
"Aquele estrangeiro", disse Ana a ele, de costas para o balcão, "tem perguntado sobre você".
Malfoy apenas virou o olhar neutro para ela e bateu o copo no balcão.
"Ele tem vindo bastante aqui ultimamente", continuou ela, "Quis saber o que você estava fazendo depois que saiu da prisão, falando enrolado. Acho que deve ser espanhol ou francês".
Ele voltou a olhar para o homem sem expressão alguma e falou a Ana, "Ele não é espanhol, nem francês. É inglês mesmo".
Levantou do banco e andou até o homem.
"E um bruxo famoso, que se tornou uma lenda", continuou mais baixo, e quando já estava ao lado do outro, abaixou-se sobre o ombro do homem, falando em seu ouvido, "Certo? Estou certo, Harry Potter?".
O homem não moveu um músculo sequer. Malfoy segurou-o pelo ombro e o virou para frente, acertando um soco na cara e o fazendo cair no chão. As poucas pessoas no bar começaram a se levantar e ir para a saída trouxa, ao mesmo tempo em que Anna gritava de trás do balcão.
"Responda", rosnou, chutando o homem na costela, que rolou para o lado e segurou o pé de Malfoy. O capuz caíra e os olhos verde ácido se fixaram nos olhos de Malfoy, fundos e sombrios.
Malfoy o levantou pela lapela e aproximou o rosto de Potter do dele, "E é o ex-noivo da filha dos traidores de sangue sardentos".
"O que quer que Gina faça?", perguntou Potter, sangue manchando seus lábios de vermelho.
"Gina?"
Malfoy deu mais um soco na cara de Potter, que o fez cair de costas chapadas no chão, "Está sendo muito intimo com ela. Até quando vai se fazer de noivo dela?"
Potter não respondeu, ocupado em tentar levantar. Ana olhava a cena boquiaberta.
"Ouvi dizer que você é um fugitivo agora", continuou Malfoy, "Pelos assassinatos de várias pessoas ligadas ao ministério. Quer um conselho? Vá para Azkaban e se reabilite. Será solto algum dia se for um presidiário exemplar".
Potter se pôs de pé com alguma dificuldade e encarou Malfoy ferozmente, "Liberte Gina!".
Malfoy piscou, "Libertá-la? Não estou prendendo ela".
"Mentiroso", rosnou Potter.
"Além disso", disse Mafoy, "Ela vai a festas todos os dias".
"Deixe-me ver Gina"
Malfoy começou a rir. "Vê-la? Você quer vê-la?"
E mais um soco na cara que fez o outro cambalear e cair. Dessa vez Potter não se fez de morto e partiu pra cima, agarrando as pernas de Malfoy pelo tornozelo. Pego de surpresa, o loiro se desequilibrou e caiu, dando chance para Potter acertar um soco no seu estômago. A briga teria continuado se um clarão branco não jogasse os dois bruxos para lados opostos do bar.
Um outro bruxo se aproximou, saindo da penumbra do canto do bar, e falou calmamente, "Ei, ei. Não baguncem meu bar".
Malfoy e Potter olharam. Neville Longbottom estava parado, varinha em punho, olhando com reprovação para os dois. Ele avaliou os dois bruxos caídos por um instante, seu olhar demorando em Potter, que tinha o lábio de cima extremamente inchado, "Se vocês saírem daqui em dez segundos eu não vou chamar o ministério".
Ambos os bruxos se levantaram imediatamente e saíram, Potter primeiro, Malfoy por ultimo, que ainda virou e lançou um olhar de desculpas para Ana. Assim que alcançaram a calçada, Malfoy empurrou Potter e o chutou atrás dos joelhos, fazendo-o cair novamente.
"Pare de perambular por aí. Suma", disse, enfiando as mãos nos bolsos e olhando casualmente para fora. Alguns poucos trouxas lançavam olhares, como se eles fossem dois arruaceiros que passaram a noite enchendo a cara.
Potter se pôs de joelhos com dificuldade, "G-Gina".
Malfoy olhou-o sem nenhuma emoção, "Suma"
O jantar já ia batendo duas horas de duração quando a Weasley surgiu novamente entre dois casais dançando e se aproximou de Malfoy, enlaçando seu braço e encostando seu corpo no dele. Era um gesto que havia se tornado costume e que abria possibilidades para conversas românticas ao pé do ouvido.
No entanto, a primeira coisa que Malfoy disse foi, "Eu encontrei Potter".
A Weasley virou o corpo, os olhos dourados, pela luz do salão, arregalados para ele, "Você se encontrou com Harry?"
"Sim, dois dias atrás", Malfoy respondeu observando o impacto que aquela noticia causava à Weasley. "Achei que devia te deixar saber"
Ela continuou o olhando, os enormes olhos de boneca radiografando sua face. No entanto, ela não o via. Passaram-se alguns segundos de silêncio.
"Ele queria te ver", acrescentou Malfoy.
A Weasley olhou para frente novamente e encostou a bochecha no ombro de Malfoy. O cabelo de um rico tom de vermelho cobria parcialmente sua face. Mas ele percebeu quando os ombros dela tremeram. De rir.
"Espero que você não tenha socado ele", ela disse em tom de zombaria.
"Não", disse Malfoy com um sorriso sarcástico, "Eu não faria isso"
Ela sorriu sem alcançar os olhos e olhou para o salão melancolicamente, "Vamos embora"
"Já se encheu dessa festa?", perguntou Malfoy mecanicamente. Ela se soltou dele e seguiu na frente para fora do salão. Ele a seguindo de perto.
"Não só a de hoje...", ela disse e parou, olhando por cima dos ombros desnudos para ele. "A festa acabou. Provavelmente"
Mas Malfoy não a olhava mais. Seus olhos ausentes de emoção estavam fixos em um ponto acima dos exuberantes cabelos flamejantes dela. Um homem alto e elegante se aproximou dos dois.
"Bom trabalho, Gina", disse, o reflexo da luz batendo em seus óculos e cegando Malfoy por um momento. "Quer jantar?"
Ela levantou a cabeça, empinando o nariz. "Eu irei"
E passou pelo chefe, que pôs a mão levemente no meio de suas costas desnudas como que para guia-la. Malfoy ficou parado no meio do salão, olhando até que a ultima mecha dos incríveis cabelos de fogo e ombros desnudos desaparecessem pela porta.
O relógio batia quase às uma da manhã no Caldeirão Furado.
"Então você a levou ao restaurante e veio comer aqui?"
Malfoy deu mais uma mordida em seu sanduíche e demorou a responder. Quando o fez, disse tranquilamente, "Comparado com a comida servida em lugares trouxas de alta classe, o hambúrguer daqui é bem melhor".
Ana colocou as mãos na cintura, inclinando a cabeça, "Não sei se isso foi um elogio ou um insulto".
A porta abrindo e fechando chamou a atenção dos dois. Potter voltara reconhecível pelo capuz na cabeça e a mecha de cabelos muito negros que cobriam seus olhos. Ele entrou sem olhar para eles e escolheu uma mesa obscura no canto do bar.
"Eu vou chamar o ministério", disse Ana nervosamente, alcançando a varinha atrás do avental. Malfoy inclinou-se no balcão e segurou o braço dela.
"Espere aqui", disse, levantando e indo até o menino-que-sobreviveu. Potter nem ao menos levantou os olhos quando Malfoy se sentou de frente para ele na mesa.
"Você é persistente", disse para Potter, "Quer ser ferido de novo?"
Não houve resposta.
"Não entendeu quando eu disse que-"
Mas ele interrompeu sua frase. Potter tinha nas mãos não uma varinha, mas um revólver e o apontava firmemente para o meio da sua cara. Malfoy o reconheceu no mesmo instante, porque já tinha usado aquela arma trouxa uma vez.
Ana do outro lado do balcão exclamou apavorada, "Eu vou chamar o ministério".
"Não se mecha!", berraram os dois homens ao mesmo tempo e ela ficou pregada no chão, olhando para a cena com os olhos arregalados.
"Que bruxo malvado", comentou Malfoy com voz mansa.
"Quem te contratou?", exigiu Potter, "Eu sei que você trabalha para o Flint, mas sei também que quem mandou você cuidar de Gina foi alguém superior da organização. Quem era?"
"Não sei", disse Malfoy sem pestanejar, "Mas conheço o rosto dele. Ele usa óculos."
Potter estava concentrado no rosto do outro, "Um homem de óculos... O que ele está forçando Gina a fazer?".
"Eu já te disse", respondeu Malfoy, "Está fazendo ela aparecer em festas. Ela come, bebe e vai embora. É só".
"Não pode ser só isso!", disse Potter entre dentes, "Gina deve estar fazendo algo em particular lá".
Malfoy sorria descaradamente para ele, "Nada".
Encararam-se por algum tempo, a arma imóvel apontada para o rosto de Malfoy. Passou-se alguns segundos de pura tensão. Nenhum dos dois queria dar o braço a torcer e Ana parecia ter virado estátua, presa no diálogo dos dois bruxos.
Finalmente, Malfoy se moveu, "Na verdade, hoje..."
Potter abriu um pouco mais os olhos em expectativa, "Hoje?".
O outro fez um gesto casual com a mão, "Não foi nada demais. Ela apontou para alguém".
"Apontou... para alguém?", repetiu Potter lentamente.
"Um cara jovem".
Potter arregalou os olhos, a boca entreaberta e a arma tremeu um pouco na sua mão, "Um cara jovem..."
"Assim", fez Malfoy e apontou o indicador direito para o rosto de Potter, que exprimia o mais completo terror, "Um jovem loiro de rosto bonito. Foi tudo o que ela fez."
Potter fechou a boca, respirando rápido. Voltou a olhar para Malfoy, quieto no banco à sua frente, "Onde Gina está agora?"
"Jantando com o chefe de óculos".
"Onde?", pediu Potter com tanta ferocidade que respingos de saliva voaram de sua boca. Mafoy ficou surpreso.
"Conte-me!", gritou Potter desesperado. "Onde eles estão?"
Malfoy deu de ombros.
"O trabalho da Gina provavelmente acabou!"
Então Malfoy foi atingido em cheio com a compreensão. Seus olhos sem cor também cresceram e seus lábios se entreabriram.
"Provavelmente serei morta depois desse trabalho"
"A festa acabou"
"Onde está Gina?", berrou Potter mais uma vez.
Malfoy se levantou de repente, assustando Potter. Então ele arremessou a cadeira para o lado e saiu correndo.
"Espere!" chamou ainda Potter, saindo correndo atrás dele. Ao empurrar a porta do bar e apontar a arma, viu um carro cinza dar um cavalinho de pau e seguir em alta velocidade uma direção.
Não tinha dado quinze minutos quando Malfoy derrapou ao frear na frente do luxuoso restaurante italiano. Entrou correndo, sem se importar com os funcionários, mas estranhamente eles não tentaram impedi-lo.
Todas as mesas estavam limpas e vazias, exceto a que um homem elegante de óculos estava sentado, bebendo uma xícara de chá.
"Onde ela está?", perguntou Malfoy se aproximando da mesa.
"Enviei-a na limusine de volta ao hotel", disse o homem, bebendo da sua xícara, "veículo fascinante, não acha? Os trouxas não só sabem viver sem magia como constroem as mais magníficas máquinas apenas para viverem com mais luxo".
Malfoy respirava rápido por causa da corrida e não respondeu. O homem bebeu mais um gole de sua xícara.
"Você tem uma arma?".
"Não, eu só carrego a minha varinha".
O homem pousou a xícara e colocou a mão dentro das vestes, "Então use esta".
E ofereceu uma colt com silenciador para ele.
"Mate-a"
Malfoy comprimiu os lábios, olhando a arma, enquanto lembranças inundavam sua mente.
Naquela vez, tudo ia indo normalmente. O cheiro de álcool e diversos perfumes, as risadas sem sentido... Era tudo igual. Exceto naquele momento.
Ele quase podia enxergar Gina Weasley à frente, entre as várias pessoas, seus cabelos vermelhos soltos lambendo as costas brancas desnudas, até onde o côncavo do vestido verde esmeralda iniciava o caimento por suas ancas até o chão.
Gina apontou para um jovem.
Ele seguiu seu dedo e viu um rapaz de no máximo 20 anos, louro de pele extremamente clara.
Em seguida o cara de óculos apareceu... trazendo com ele outro jovem bem vestido.
Ele viu o outro garoto de cabelos castanhos se aproximar.
Então os dois jovens se cumprimentaram. Não percebi isso naquela hora, mas... parece que, com aquilo, o trabalho de Gina tinha acabado.
A porta não ofereceu resistência quando ele experimentou virar a tranca. Malfoy entrou inexpressivo como sempre, a arma firme na mão esquerda. Weasley estava sentada no sofá, um copo na mão, a garrafa de vodca na frente, ainda vestida com a roupa da festa. Ela estava bêbada, só de olhar para o rosto vermelho e os olhos nublados.
"Então, foi você que foi designado para me matar".
Ela inclinou-se para encher o copo com a bebida e o olhou para ele com um sorriso, "Vá em frente. O álcool começou a fazer efeito e eu não tenho nada a perder".
Weasley inclinou a cabeça para trás, rindo, mas Malfoy ainda não fizera nada. Seus olhos claros brilhavam apenas por refletir o acetinado na pele dela.
"Ah sim", ela continuou depois de um tempo, "Você não pode atirar em mim nesse hotel. Eu li o jornal da época sabe? Você atirou em sua namorada... você disse que tinha ficado em um mar de sangue. Então me leve para fora e atire em mim, senão vai ter que pagar por ter sujado esse quarto".
E ela gargalhou, derrubando um pouco do álcool do copo no vestido. Os cabelos vermelhos estavam revoltos em volta do rosto de faces rosadas.
"O que será que eu fiz hoje?", ela voltou a falar, olhando para ele por cima do narizinho cheio de pálidas sardas, "Você me viu apontando pra alguém, né?".
Malfoy nem se mexeu.
"Provavelmente fiz algo terrível. Atraí alguém para o demônio... eu uni Fausto a Mefisto. Mas sabe da melhor?", continuou a Weasley e riu novamente, "Eu não estou nem aí".
Ela mexeu na bolsa preta de couro e tirou vários pergaminhos elegantemente atados por fitas de seda de várias cores, "Apesar de eu não precisar mais comparecer a nenhuma daquelas festas, ganhei vários convites para outras aqui".
Jogou os papéis em direção a Malfoy, que foram cair entre eles no tapete, com o selo dos brasões lavrados do outro lado.
"Caso queira, depois que eu morrer...", ela dizia calmamente, "Pode ir no meu lugar e ver o que eu fiz?".
Ela virou o resto da vodca pura, limpando a boca no dorso da mão. Então ficou séria, e fixou os olhos castanhos nele, "Pode me matar agora?"
Malfoy, que até então ficara quieto ouvindo tudo, disse simplesmente, "Vamos fugir".
Weasley parou o ato de encher o copo e pousou a garrafa na mesa, ficando quieta.
"Vamos fugir juntos", disse Malfoy e sua voz não era mais que um sussurro.
Ela virou o rosto para frente e seus ombros tremeram com sua risada. Ela riu e disse, risonha, "Você deve ter se enganado! Fugir com você? Não brinca!"
Ela riu. Ele permaneceu quieto, inexpressivo, esperando.
"Desde quando nós ficamos tão próximos assim?", dizia ela, "Faça isso, faça aquilo, não pise assim, não fale tal coisa, não rebole, erga os ombros e o escambau. Você só sabe me dar ordens!".
E ela ria.
"Eu...", começou Malfoy, desviando os olhos para a arma na mão esquerda, "Não posso mais matar pessoas".
"Não pode matar pessoas? E demônios, você pode?", ela perguntava zombando. "Eu sou um demônio! Não, espere, sabe essa gravata que eu comprei pra você? É a mesma que Harry usava! Entendeu? Tentei fazer você parecer com Harry Potter!"
Ela o encarou ferozmente e se levantou, cambaleando. Malfoy observou parado, a alça repuxada para baixo no lado esquerdo, o top bege que cobria os seios, a fenda enorme que começava a um palmo do quadril e seguia em diagonal até o outro lado, e que expunha quase que inteiramente as pernas dela.
"Mate-me", ela falou, andando até ele, "Mate-me logo! Vamos!"
Gina caiu para frente e Malfoy a segurou, sua mão roçando levemente a pele quente dela. Ela caiu contra seu peito, mole, o queixo frágil apoiado em seu peito. Malfoy nunca havia ficado tão perto dela quanto naquele momento e isso era estranho.
"Mate-me de uma vez", ela disse com o olhar frágil para ele. "Senão... você vai ser morto".
E adormeceu ali mesmo. Malfoy continuou segurando-a firmemente, por muito tempo, enquanto olhava para o rosto de Gina e franzia a testa reprovador, como se tentasse compreender alguma coisa.
"Posso eu matar demônios?"
"Mamãe, acorde. Você não pode dormir aqui"
Um Draco de vinte anos inclinava-se sobre Narcissa Malfoy que estava sentada em uma das luxuosas poltronas da mansão. O ambiente estava escuro e a lareira apagada, mas mesmo assim Narcissa permanecia sentada com seu vestido de verão e um copo de brandy à frente.
"Não se preocupe querido" dizia Narcissa com a voz arrastada "Só vou esperar um pouco até o álcool baixar"
"Não mãe, a senhora não pode dormir aqui" disse Draco suspirando sem paciência "Vai congelar se ficar aqui nesse frio, não chamou o elfo pra ligar a lareira?"
"O estupido até tentou, mas eu o enfeiticei até ele sumir daqui" contou Narcissa rindo "Está tudo bem, basta me deixar sozinha"
"Tudo bem, mas pelo menos use um cobertor" disse Draco e fez um gesto com a varinha, convocando um cobertor e o ajeitando sobre a mãe.
Era dia já. Malfoy piscou contra a luz incomoda, sentado de qualquer jeito na cadeira dura de outro hotel. Ele lançou um olhar para a cama, onde Gina estava deitada coberta até os ombros. Do ângulo em que estava tudo que podia enxergar era uma nuvem de fios vermelhos, alaranjados e dourados, piscando alegremente contra a decoração pobre. Apesar disso, ele sabia que ela estava bem.
Tendo essa certeza, ele se levantou e se espreguiçou, seguindo para o banheiro. Lá trocou de roupa e olhou com duvida a gravata verde e preta, antes de enfiá-la no bolso das suas vestes. Já na porta, lançou outro longo olhar para a mulher na cama. Então fechou a porta atrás de si.
"Você está horrível", disse Ana logo que ele sentou e fez o pedido.
"Estou sempre assim", replicou Malfoy. "Alguém veio me procurar?"
Ana lançou um olhar arguto a ele, "Você sabe, não é? Harry deixou isso pra você".
E deu a ele um papel dobrado. Malfoy o pegou e abriu, alisando a dobra, e leu em voz alta, "Hotel Birminghan, quarto 201".
"Ele disse para contatá-lo caso algo acontecesse", informou Ana, "O que está acontecendo Draco? Pelo que entendi vocês falavam de Gina Weasley. E Harry agora é acusado de um monte de assassinatos, mas eu não acredito que ele tenha cometido nenhum deles. Eu só não chamei o ministério porque-"
"Porque Longbottom disse que não", continuou Malfoy, levantando-se, "Desculpa Ana, mas não posso ficar. Se eu me encher de seus hambúrgueres perderei a vontade de ir".
"Mas aonde você vai?"
Malfoy tirou um pergaminho distinto de dentro das vestes, "A uma festa"
N/A:
Obrigada pelos reviews L. Kiddo e Bel Black (eu também amo o Draco todo frio e indiferente HAUHAUAH).
