Disclaimer: Harry Potter não me pertence.


O Nome do Jogo

King Cross


O som do salto era a única coisa que fazia som na estação vazia. Gina pousou a mala no chão ao seu lado e olhou o relógio no pulso. Cinco horas da manhã em ponto. Ela olhou ao longo da estação. Só lhe restava esperar.

Escolheu um banco perto da sua plataforma e se sentou, juntando ainda mais o casaco grosso. Draco estava certo quando mandou que comprasse aquele item também. Estava servindo para algum objetivo mais nobre do que seus lindos vestidos de festa.

Um gari estava na estação, varrendo a sujeira, solitário. Era já um senhor de uns sessenta anos, de expressão bondosa. Quando chegou para limpar onde Gina estava, falou casualmente "Você não tem que esperar aqui, vai demorar muito pro primeiro trem chegar"

Gina o olhou com desanimo e não respondeu.

"Está esperando por alguém?", perguntou o senhor.

Ela olhou para o chão. Ele deu uma risadinha. "É um homem, não é? Consigo adivinhar essas coisas. Trabalho aqui há muito tempo."

"Então consegue adivinhar se ele vai vir ou não?", perguntou Gina, olhando para seus sapatos.

"Isso não, não sou vidente", disse o velho com um sorriso. "Mas o fato de ter alguém para se esperar é bom"

Gina ergueu os olhos, "Bom?"

"Claro. Na minha idade não se tem uma oportunidade dessas"

Ela sorriu tristemente e baixou o rosto outra vez. Murmurou para si mesma, "Felicidade, hã?"

O velho homem não disse nada. Continuou varrendo para frente, até que algo no fim da estação chamasse sua atenção.

"Acho que o homem que você está esperando está vindo"

Gina soltou o ar, ao mesmo tempo aliviada e ansiosa. Levantou do banco de um pulo, um sorriso enorme se desenhando por sua face. Ela olhou para a estação, onde um vulto alto se aproximava.

Conforme ele chegava perto, o sorriso de Gina foi sendo substituído por uma expressão nervosa. Quando ele chegou à sua frente, ela tinha os olhos grandes e atônitos.

"Harry...", ela sussurrou.

Ele não a encarava. Disse simplesmente, "O Malfoy... morreu"

Ela soltou uma exclamação e cobriu a boca com a mão, olhando com os olhos arregalados de choque para ele.

O senhor terminou de varrer atrás do banco e ensacou a sujeira, enquanto olhava para os dois de longe. "Parece que não é quem ela esperava"

Harry sentou Gina no banco e se sentou ao lado dela. Ela cobria o rosto com as duas mãos, soluçando.

"Ele foi ao meu quarto para me dar informações importantes", começou Harry, olhando para baixo. "Com o que lhe sobrava de força..."

Gina virou o rosto para o outro lado, tentando esconder as lágrimas.

"Fuja logo", disse ele, "Gina"

Ela engoliu em seco, ainda olhando para o outro lado. "Ainda tem bastante tempo pro próximo trem chegar. Pode me fazer companhia enquanto isso?"

Harry olhou gravemente para ela, "Sim"


Estavam em um café 24 horas. Era um lugar bonito, arrumadinho. A garçonete acabara de deixar duas xícaras de café preto. Harry e Gina estavam sentados frente a frente.

"Tem certeza que não quer nada alcoólico?"

Gina pegou a xícara quente com a mão direita, "O Draco não gostava de bebidas alcoólicas"

"Entendo"

Ela levantou a xícara, "Ao Draco"

Harry pegou a sua e bebeu, e a bebida desceu amarga.

"Há quanto tempo", começou Gina, olhando para sua xícara.

"Sim", disse Harry simplesmente, também sem encará-la.

"Tem se alimentado bem? Você parece estar exausto"

Aquilo foi tão Molly Weasley que Harry não resistiu a sorrir, "Sim"

Gina olhou pela vidraça do café. "Estranho, né? Aqui estamos nós, bebendo em homenagem à Draco Malfoy"

Harry não podia deixar de concordar com ela.

"Ele era uma boa pessoa...", ela continuou, "E eu fiz coisas terríveis para ele. Eu o fiz vestir a mesma roupa e a mesma gravata que uma vez dei a você. Sou a pior..."

Ela desviou os olhos da rua, apertando a xícara entre as duas mãos. "Sou absolutamente a pior... Porque ainda estou viva? Porque ainda vivo e estou bem, enquanto ele...?"

Suas mãos tremiam com o esforço para não chorar, mas parecia ser inútil. Harry não a olhou, nem por um segundo. Passou-se algum tempo em silêncio.

"Porque", ele disse de repente, "Ele te protegeu"

Nessa hora Gina deixou as lágrimas caírem livremente, emitindo um soluço, "Porque ele me protegeria?"

"Porque ninguém quer morrer. Foi o que Draco disse."

Gina ficou o olhando, esperando.

"Ele disse que estava feliz", continuou Harry, "Disse que você estava o esperando. Só isso o deixou feliz".

Gina se inclinou sobre a mesa, deixando escapar um lamento e chorou. Ela chorava, chorava tão desesperadamente que os funcionários olharam para os dois em silêncio, atônitos, e tudo o que Harry podia fazer era ficar sentado lá, ouvindo aquele choro, e pensando.

Depois de um longo tempo, em que Gina conseguiu se acalmar o suficiente, Harry achou que já devia dizer.

"Surrey", ele começou, "Vá para Surrey. Uma amiga minha que é trouxa mora lá. Ela é bem velha, mas é uma boa pessoa."

Gina fungou e limpou o rosto mais uma vez, "É a senhora Figg?"

"Conhece ela?", perguntou Harry surpreso.

"Sim"

"Peça a ela para te esconder. Ela cuidará bem de você. E então, vá aos aurores. Diga a eles que você está sendo alvo da organização de Flint. Diga tudo"

"Vou contar sobre você também", disse Gina sofregamente, "Você não matou ninguém. Tudo foi culpa de Tom! Vou contar isso também! Venha para Surrey comigo!"

Harry desviou os olhos, "Ele está bem na minha frente. Está bem perto. Você o viu na festa, certo?"

Gina tinha os olhos inchados fixos nele.

"Tom Sawyer está bem na minha frente. Tenho que acabar com isso", continuou Harry, "Não posso mais perder pessoas como Draco. Você compreende? Tenho que por um fim em tudo isso"


Havia pouquíssimas pessoas em King Cross para o primeiro trem da manhã. O trem sairia dali a alguns minutos. Harry e Gina estavam parados na porta da cabine e apenas eles eram visíveis na estação vazia de passageiros.

"Vou escrever à Sra. Figg", disse Harry. "E vou incluir as informações que Malfoy me deu. Então, vá."

"Mas, Harry..."

"A única forma que você pode me ajudar é indo a Surrey e chamando o ministério lá"

Gina assentiu tristemente e subiu no momento em que o alarme para a partida do trem soava. Ela se sentou e olhou para Harry do lado de fora, parado na estação, olhando-a. Seu rosto macilento se sobressaía por causa dos cabelos muito negros, mas os olhos continuavam brilhando com o mesmo tom verde magnético.

O trem começou a andar. Gina se inclinou, conforme a figura do homem ficava para trás e só o que podia enxergar eram cabelos arrepiados e vestes compridas e escuras de um cara magro. Nenhum sorriso, nenhum aceno.

E lá estava ela novamente, andando de trem trouxa. Semanas atrás ela estaria acompanhada. Como a vida podia mudar tanto em tão pouco tempo?

Gina encostou a testa no vidro quando a paisagem campestre começava a tomar conta.

"Você fez bem em nos mostrar Tom. Eu a agradeço"

Ela bebeu um pouco de seu vinho. Seu prato estava praticamente intocado, enquanto o homem à sua frente parecia apreciar muito a refeição.

"Ouvi rumores de que alguém como ele estava em Londres, por isso pedi sua ajuda para identificá-lo" continuou ele.

"Perdoe-me por interrompê-los"

Um garçom estava parado ao lado da mesa, segurando uma bandeja "Ligação para o senhor"

"Com licença" fez o chefe para Gina, que assentiu distraidamente. Ele levantou e atendeu ali mesmo, ao lado da mesa "Olá, sou eu. Tom?"

Ela apurou os ouvidos.

"Entendo. Onde? Apartamento na rua Fulham?"

Ela desencostou a testa do vidro, olhando a revoada de pássaros. "Um apartamento na rua Fulham..."

Os pássaros se espalharam realizando aquela dança no ar, tão rara de se ver quando se morava na cidade.

"Tom...", sussurrou Gina, "Eu também posso por um fim nisso"


Harry não teve problemas ao sair da estação e atravessar as ruas da Londres trouxa. O movimento de carros começava a aumentar vertiginosamente com as pessoas seguindo para o trabalho, e ele pôde se misturar com os pedestres de casaco escuro.

Parou em frente a um magnífico edifício.

"Hotel Charing Cross... quarto 606..."

Encarou a fachada sombriamente.

É onde o discípulo de Tom Sawyer está.


Já anoitecia em Londres e as portas dos prostíbulos e sexy shop estavam lotadas. Carros de som interditando a rua e prostitutas desfilando seus preços de lá pra cá. Alguns pagavam por uma exibição ao vivo, ali mesmo, enquanto outros preferiam o distribuidor dos comprimidos e pó proibidos.

Em um beco escuro, duas figuras podiam ser distinguidas. Podia ser uma prostituta com seu cliente, ou duas pessoas se drogando. Mas normalmente, aqueles becos eram usados para fechar negócios.

"É você que quer uma arma?"

"Sim"

"Há muitos tipos diferentes delas"

"Quero a maior que possa me dar"

O homem sorriu debochado.

"Um principiante não consegue lidar com uma arma grande"

Inclinou a cabeça para o lado, tentando ver melhor o rosto de seu cliente, "No que pretende atirar?"

Gina não se mexeu, "Num demônio"

THE END


N/A: Minha intenção era deixar vários pontos em aberto, como parte de um enredo maior. Na verdade, NdJ é parte de uma long que estou escrevendo, mas como ela está dando muito trabalho, por enquanto, resolvi postar esse pequeno exerto pra ver a opinião da galera. Muito obrigada a quem mandou review, me deixou um pouquinho mais feliz. Sei que tem mais gente lendo porque o tráfego da fic tem numeros bastante altos, mesmo que não mandem review.

Agradecimento especial às leitoras L. Kiddo e Bel Black, Jacih e fermalaquias.

Até a próxima!