OS MEDALHÕES DE ZETA
por Nina Neviani
Capítulo III – O seqüestro de Hilda
Era final de tarde e Hilda andava pelo palácio de Mizar. Já tinha ido aos jardins, como era de costume, e depois conversado com seu pai. Ele contara que, na noite anterior, o novo rei de Arkor tinha sido coroado. Hilda não contara nada ao pai, mas estava com um mal pressentimento. Ou estivesse apenas impressionada, ponderou. Afinal, era primeira vez desde que nascera que um dos dois reinos tinha uma mudança rei. Decidiu que já era hora de ir para o seu quarto se arrumar para o jantar.
No quarto, ela estava escolhendo que roupa vestiria quando um pacote no chão chamou-lhe a atenção. Ela achou muito estranho e percebeu que o embrulho, devido a posição em que estava, só podia ter sido jogado pela janela. Estranhou mais ainda, pois aquela área do palácio era muito bem vigiada. Sem analisar mais, trancou a porta, sentou na cama e pôs-se a abrir o embrulho.
No entanto, ela não acreditou no que viu: o medalhão.
O outro medalhão.
Involuntariamente levou a outra mão ao medalhão que ela carregava consigo, retirou-o do pescoço e analisou-o melhor. Eram idênticos. Na frente mostrava uma paisagem bela e um pouco bucólica, no verso havia uma inscrições em um idioma estranho.
Hilda percebeu que havia um bilhete junto com o medalhão.
Se você ainda lembra do que aconteceu, esteja hoje às dez horas da noite lado de fora à oeste do seu palácio.
Saia sem que os seus guardas vejam.
As palavras eram poucas e não tinham nenhum outro sentido, mas mesmo assim, Hilda as leu e releu várias vezes.
Siegfried estava na casa abandonada de seus pais. Ele conseguira arrumar algumas coisas e torná-la um pouco habitável. Fazia dezoito anos que ninguém morava ali. Ele sempre que podia passava por ali, mas nunca chegar a morar. Seu tio não permitira quando ele sugerira mudar-se pra lá poucos anos atrás.
A casa não ficava nem em Arkor e nem em Mizar. E mesmo sendo mais próxima de Mizar ficava ao mesmo tempo de distância dos dois reinos. Pois de Mizar para a casa precisava percorrer um percurso mais acidentado para chegar na casa, que estava situado em uma porção mais alta do terreno. Já com relação a Arkor, o caminho, embora mais longo, era mais plano.
Deu uma última olhada na casa e depois no relógio. Seis horas da tarde. Teria que sair no máximo em meia hora se quisesse estar na hora combinada em Mizar. Resolveu ir agora, afinal tudo teria que ser perfeito e chegar atrasado não estava nos seus planos.
O jantar para Hilda foi uma tortura. Estava dispersa e não prestou muita atenção na conversa de sua irmão e seu pai. Falavam sobre um livro que Freya tinha acabado de ler naquela tarde. O rei César estranhou o silêncio de sua filha mais velha e indagou se estava tudo bem.
– Sim, estou sim, papai.
No entanto, ela ficou feliz com o final do jantar. Quando chegou no seu quarto e viu que ainda eram oito horas. Fazia tempo que não ficava tão ansiosa.
Oito e meia.
Nove horas.
Nove e meia.
Nove e quarenta e cinco.
Quando faltavam dez minutos para as dez horas, Hilda começou a descer as escadas o mais silenciosamente que podia.
O palácio estava às escuras, mas Hilda não quis utilizar nenhum tipo de iluminação, até porque não precisava, sempre morara naquele palácio e o conhecia como a palma de sua mão. Observou se não tinha nenhum guarda por perto. Por sorte, não tinha. Enquanto caminha para fora do palácio,
Onze anos atrás...
– Grin! Grin, onde você está? – A pequena Hilda começava a ficar preocupada com o desaparecimento do seu coelho de estimação. Pelos protestos de sua mãe, ela era única menina que tinha um coelho como animal de estimação. A rainha de Mizar ficara horrorizada quando, meses atrás, a filha disse que queria um coelho como animal de estimação. Ana Polaris teria preferido que a filha mais velha tivesse escolhido um gatinho, mas aceitou a decisão.
Hilda Polaris corria pelos jardins a procura do seu mascote quando o achou.
A princesa ficou horrorizada com a cena.
Grin tinha caído em uma armadilha feita por caçadores. A garota começou a chorar quando viu a expressão de dor que seu animalzinho. O pêlo, antes imaculadamente branco, tinha várias manchas de sangue, especialmente em uma das patas traseiras.
O desespero da pequena princesa aumentou quando percebeu que ela não era forte o bastante para desarmar a armadilha.
– Alguém me ajude – Ela pediu, mas sua voz não passou de um sussurro.
A princesa não se assustou quando um menino, poucos anos mais velho que ela, aproximou-se e começou a ajudá-la. Ele conseguiu desarmar a armadilha e a auxiliou no cuidado do machucado do coelho.
As mãos dela tremiam tanto que o garoto pediu que ela o deixasse cuidar do ferimento sozinho.
Pouco tempo depois ele já conseguira estancar o sangramento e pediu:
– Eu preciso de um pano para enfaixar o ferimento, pra que ele pare de sangrar totalmente – olhou para ela e falou. – Acho que essas fitas que estão amarrando seu cabelo irão servir.
Hilda obedeceu prontamente e entregou as fitas. O garoto habilidosamente enfaixou a perna machucada e entregou Grin delicadamente para Hilda. Ao olhá-la novamente, perguntou:
– Por que você prende os seus cabelos? Eles ficam mais bonito soltos.
Ela ficou um pouco envergonhada.
– Eu tenho que ir – ele declarou.
– Vamos antes ao meu palácio. Não sei se você sabe, mas eu sou a princesa Hilda, e você salvou a vida do Grin. Meu pai o recompensará.
O menino pareceu assustado.
– Não, eu não posso.
– Claro que pode. Vamos – ela insistiu.
– Não. Eu não posso porque... porque sou de Arkor.
Hilda surpreendeu-se. Não imaginara que aquele bondoso menino fosse do reino rival. Escutaram o barulho de trotes de um cavalo. O arkoriano começou a se afastar quando Hilda o impediu. Rapidamente retirou o medalhão que carregava no pescoço e entregou-o ao menino, pois lembrava que sua mãe sempre dizia que ele era muito valioso e que não sabia por qual motivo o marido o dera para a filha e não para ela. Colocou a jóia na mão dele. Sem nada a dizer. Foi ele quem disse:
– Adeus, princesa.
– Adeus.
Estava orgulhosa de si mesma. Quando percebeu que conseguira chegar no local sem que nenhum guarda a tivesse visto.
Antes de pudesse se dar conta, já estava em cima de um cavalo. Onde braços fortes a seguravam. Pensou em gritar, no entanto, com uma das mãos, o homem tapava sua boca. E com a outra segurava as rédeas do cavalo e ela. Tentou se libertar, mas foi inútil, o homem era muito forte.
– Fique quieta, princesa. Assim você só vai se machucar.
Só então se deu conta do que acontecia.
Estava sendo seqüestrada!
N/A: Alguns fatos começam a se explicar... O próximo capítulo (se sair – tudo depende das reviews!) terá mais alguns mistérios resolvidos!Alguns fatos começam a se explicar... O próximo capítulo terá mais alguns mistérios resolvidos!
Que fique claro: o próximo capítulo só será escrito (e publicado, obviamente) se eu achar que o número de reviews foi suficiente. Eu nunca toma essa decisão, mas como eu estou fazendo essa fic com muito carinho e planejamento, achei que estava tendo pouco retorno.
Esse capítulo é dedicado a Arthemisys, que com seu review me incentivou a publicá-lo.
Obrigada pelos reviews!
Nina Neviani.
