Capítulo 2.
Cheguei á pensão que fedia desinfetante e sabonetes baratos. A dona, ao contrário da Mrs. Hudson, era uma senhora mal encarada, ouvi comentários que nem mesmo o marido a agüentava e por isso tinha fugido do casamento sem deixar pistas. Um sorriso brincou em meus lábios.
Sherlock se divertiria muito com ela.
When the truth is, I miss you
Yeah the truth is, that I miss you so
And I'm tired I should not have let you go
Coloquei minhas coisas no canto do quarto e sentei na cama. A chuva começava a cair lá fora, deixei meu corpo cansado cair no colchão duro e fechei os olhos. Em menos de dez minutos adormeci.
Sonhei que estava mergulhando numa piscina, era um dia bonito de céu azul. Encontrei um par de olhos vívidos olhando pra mim, estávamos debaixo d'água. Sherlock estava com seu sobretudo preto, uma camisa de botão por baixo exatamente como vestido a ultima vez que o vi, seus cachos flutuavam por cima da cabeça.
Quando cheguei perto ele abriu um sorriso – um sorriso genuíno como eu nunca tinha visto – e me abraçou. O contato era forte, eu sentia seus braços me apertarem como se não quisesse me deixar voltar á superfície.
Meu ar estava acabando e comecei a sentir necessidade de voltar, Sherlock não havia se movido nenhum milímetro mantinha firme seus braços, seus cabelos me faziam cócegas na bochecha.
Desmaiei no sonho por não ter coragem de deixá-lo partir novamente. Acordei abraçado ao travesseiro, a falta de ar por estar com o rosto totalmente em meio ao tecido.
