Num castelo, não muito distante do povoado de Nottingham, na noite quase sem lua, as pedras negras importadas especialmente das índias trepidavam nas bases, as janelas imperiais entalhadas a mão ameaçavam quebrar e esculturas ministradas por diversos artistas de renome serviam de esconderijo para os servos temerosos. Gritos altos e raivosos ecoavam pelos corredores, oriundos de um escritório no segundo piso.
-Mas que DROGA!- queixava-se o xerife ao receber a noticia, já muito esperada, de seu lacaio.
Novamente aquele fora da lei miserável havia roubado um nobre, cujo qual vinha até seu rei para fazer acordos comerciais. Além de perder mais um mercado, aqueles vis cidadãos estariam novamente a favor de Locksley.
- O que fará?- questionou Príncipe João que, como percebem acabara de entrar no recinto.
Brandon ponderou alguns segundos, tentando encontrar outra solução, contudo nada parecia se encaixar, nenhum de seus planos daria certo. Afinal não seria muito prudente mandar seus homens vasculharem a Floresta de Sherwood a procura de Locksley, já o havia feito uma vez e para sua consternação de 20 soldados apenas cinco voltaram com vida.
-Seu rei espera uma resposta... - pressionou João antes de concertar a coroa, cujo tamanho não era proporcional à cabeça do novo rei.
Na verdade a substituição ao trono ou golpe- levem como preferir- foi tão imediata que a maioria das vestimentas não lhe servia. Um fato que irritava amargamente vossa majestade ao perceber que a imagem soberana de Ricardo Coração de Leão ainda permanecia naquele castelo.
O xerife passou os dedos levemente pela franja negra, os olhos escarlates ardiam em fúria. Não lhe restava alternativa.
-Aumente o preço pela cabeça daquele maldito!
-Mas senhor... por mais alto que seja a recompensa o povo ainda apoia as ações de Sesshoumaru- comentou o serviçal
- Pois então aumente também o preço dos impostos, quando mais caros, mais precisarão do dinheiro. Já basta! Suma da minha frente!
-Sim meu senhor... - o servos saiu as presas do cômodo antes que fosse "educadamente" expulso do mesmo.
Sozinhos Brandon e João entreolharam-se.
-Eu vou captura-lo- assegurou o xerife
- Assim espero... - retrucou sua majestade
O silêncio inundou o recinto, o clima tenso passou a amenizar-se, até que outro assunto viesse a tona.
-E quanto a sua sobrinha?
João olhou malicioso.
-Estas mesmo interessado em minha sobrinha Brandon?
-Ela é uma mulher mais do que desejável meu rei deves saber disso
-Sim eu sei, tens minha benção para casar-se com ela, entretanto duvido Rin concorde com tal ideia.
-Ela concordará principalmente depois que seu pai já enfermo vier a falecer e um pequeno infortúnio acontecer com os grãos da plantação. De acordo com as leis Rin não terá outra escolha senão recorrer a matrimonio mesmo que a força e caberá ao rei escolher seu marido.
João concordou.
-Pois bem, que assim seja.
OoooooOoooooOooooOoooo
-Lady Rin, senhora!
As batidas na porta eram rápidas e aceleradas. A dama acordou e rapidamente e abriu a porta.
-O que houve?
-Ladrões senhora!
Rin correu até o cabideiro pegou o seu roupão e deu ordens para que a serva trouxesse seu arco. Descendo as escadas já podia ver pela janela os supostos furtadores com tochas nas mãos seguindo para o reservatório de sementes.
Quando saiu da mansão viu as tochas serem jogadas no armazém, irritada berrou pela serva.
-Onde diabos esta meu arco?
Rita correu até ama com a arma e flechas prontas para uso. A mulher tratou de pega-los e mirar nos fugitivos.
-Eles estão muito longe senhora- comentou um dos cultivadores, supondo que a aquela distancia seria extremante difícil atingir alguém fatalmente.
-Quieto Joaquim!
Concentrou-se, ela não podia errar. Calma e confiança! Você é a energia que percorre o arco, você é a velocidade que guia a flecha! Não obrigue, conduza! Mire e. ATIRE!
A artilharia voou para o outro lado do campo exatamente no peito de um dos desertores, que desabou no chão.
-Muito bem senhorita Rin- exclamaram alguns trabalhadores
Enquanto os desordeiros fugiam ou eram acertados pelas flechas rápidas e nocivas da morena, os serviçais corriam para apagar as chamas e salvar os grãos para a próxima plantação.
OoooOoooo
Horas mais tarde, o sol já brilhava as margens do horizonte. Rin inspecionava a colheita, aguardando por noticias das perdas sofridas na noite anterior. Suspirou exausta, mal havia voltado de seus estudos em Londres e já encontrou problemas.
Seu pai estava enfermo e totalmente incapaz de administrar o campo, sem sua mãe nos últimos 10 anos a família havia aprendido a lidar sem uma senhora, contudo naquele momento Rin teria que exercer ambos os papéis antes que aquele lugar entrasse em declínio. E agora, ironicamente agora, vinha o furto com os grãos, por mais que orasse sabia que o prejuízo havia de ser demasiadamente grande. Queria que ele estivesse ali, aquele que a ensinou tanto, aquele homem tão sério e determinado quanto o seu já falecido pai. Se ela soubesse que ao voltar de Londres não teria mais a oportunidade de vê-lo, nunca teria partido.
Olhou para o arco ainda em suas mãos, uma arma bem detalhada com desenhos de folhas em seus extremos. Mas havia um detalhe, apenas um detalhe que fazia daquele arco um objeto sagrado. Na ponta, um pouco antes da amarração do elástico estava escrito em letras miúdas levemente legíveis: "Para a pequena Lady Rin"
Pequena... como sentia falta daquele apelido.
Franziu a testa. Pensando bem, o apelido nunca lhe foi muito agradável, afinal não era tão pequena, era bem alta para o padrão feminino daquela época, mas a voz viril e suave que o pronunciava disso sim ela sentia falta...
Flash Back ON
-Mas que droga!- vociferou depois de acertar mais uma vez as malditas tiras brancas. E pensar que a poucos centímetros estaria o tão desejado pontinho vermelho. Mas não, ela era tão inútil que mesmo após trezentas tentativas sempre mandaria a flecha para o mesmo bendito lugar...
-Pelo menos você acertou alguma coisa...
Rin olhou para o arqueiro que a observava em seu treinamento, como de costume, sentado confortavelmente em um toco de arvore, aproveitando a brisa que agitava seus cabelos admiravelmente prateados.
-Se é tão bom assim por que não acerta?-desafiou a donzela.
O jovem pegou a arma, como se aquilo fosse algo tão banal quanto respirar e sem nem mesmo olhar para o alvo acertou-o em cheio. A morena desabou na grama por pura depressão.
- Certo, certo. Eu admito: Sou tão supérflua quanto uma arrumadeira!
-Supérflua coisa alguma Rin! Você não deixou de acertar e...
-Contudo não acertei o que mais valia... - interrompeu a dama praguejando depois palavras sem sentido, talvez tais termos até tivessem significados, porém estes não seriam nem um pouco afáveis para que uma jovem as pronuncia-se.
-Venha, não é tão difícil.
A moça girou os olhos, mas aceitou o convite de ajuda. Sesshoumaru pediu que posicionasse o arco em direção ao alvo desejado. Rin assim o fez, entretanto não pode conter o rubor de suas bochechas ao perceber que ele a guiava com suas mãos através de um abraço, sobre o qual, mesmo sendo singelo, conseguia sentir muito bem a respiração quente e ritmada do arqueiro desde o abdômen até a boca que lhe dirigia instruções.
A voz, autoritária, porém suavemente compreensiva certamente enlouqueceria muitas das jovens damas que viviam aos seus pés. Por deus, seria esse o motivo de tantas raparigas ou até mesmo mulheres de alto escalão ministrarem tantas donzelices para obter pelo menos um ato de obsequio oriundo daquele homem?
- Calma e confiança!-aconselhava Sesshoumaru- Você, Rin é a energia que percorre o arco, você é a velocidade que guia a flecha! Não obrigue, conduza! Mire e... ATIRE!
Ela soltou a corda do arco e para sua surpresa o objetivo fora acertado com sucesso. Extasiada pulou no pescoço do arqueiro, que por não esperar um ato tão emocional vindo da menina desabou no chão, rolando com ela ladeira abaixo. Um estalo foi ouvido, o pobre arco avia se quebrado em dois, ambos riram abobados da situação por um bom tempo naquele fim de tarde.
Flash Back Off
O que se seguiu foi que Sesshoumaru para se redimir, entalhou por si só um novo arco para Rin. Algo muito mais personalizado que seu antigo companheiro e certamente muito mais especial. Duvidava que com tudo o que passaram seria fácil esquecer Sesshoumaru de Locksley.
