No mercado

James detestava televisão. Não havia um programa decente, ainda mais em um domingo à tarde, e só havia lotes e lotes de propagandas. Era desestimulante, porém, agora que não estava funcionando, ele se encontrou com saudades. Saudades do tempo em que reclamava dos programas, mas eles continuavam ali. O que isso dizia sobre si mesmo?

– Pela vigésima vez, Wortmail, o que você fez com a tv?

Pobre Peter choramingou, afirmando, pela vigésima vez, que ele não havia feito nada. Eles sempre tendiam a culpá-lo por tudo o que quebrava ou deixava de funcionar naquela casa.

– Deixa que eu mexo aí, Pete. Vai fazer algo pra gente comer – James propôs, embora ele não tivesse a menor ideia de como consertar o aparelho. Bem, era melhor do que agir como Sirius, o qual reclamava, mas não saía do sofá.

Peter fez exatamente isso, já pensando na pizza do dia anterior. Sirius estava com o notebook sobre a barriga, ele tinha que escrever sobre o jogo de mais cedo ainda hoje, ainda que não parecesse muito preocupado. Uma carranca se formou em suas belas feições capazes de levar mulheres ao desmaio ou à loucura. Era o que ele imaginava, pelo menos. Não muito longe da verdade.

– Ah, eu tinha esquecido. Mamãe Potter ligou ontem, ela tinha que falar com você.

James esperou. E esperou mais alguns momentos apenas para perceber que Sirius não iria dizer mais nada.

– E então? O que ela queria? – ele teria que responder logo ou ela apareceria ali de surpresa, na pior hora possível. Essa era sua mãe.

Que diabos de botão era esse? Ele olhou com desconfiança para a tela preta, envergando-se um pouco mais para tentar alcançar a parte de trás.

– E eu lá sei? Moony tomou o telefone de mim antes que ela pudesse terminar de dizer "é a mamãe".

James bufou, revirando os olhos. Remus tinha uma queda pela sua mãe desde o dia que James os apresentou. Embora o loiro tivesse uma namorada agora (era na casa dela que ele estava no momento), ele ainda dizia que seria um ótimo padrasto para James. Sim, seria incrível. Uma imagem horrível se formava em sua mente toda vez que se lembrava dessas palavras.

O som da campainha se misturou com um grito estridente de Peter. Com um jogo de pedra-papel-tesoura, James foi o perdedor e teve que ir até a cozinha. Do jeito que Wortmail era, deveria ter um prato sujo ou algo assim. No entanto, James o encontrou agarrado ao balcão, os pés para cima, pálido feito um fantasma.

– O que foi? – ele seguiu para a direção em que Peter apontava. Havia uma barata perto da caixa de pizza, que estava caída no chão (o piso tava limpo, então, sem problemas) – É só uma barata, Wort... PUTA MERDA!

A maldita podia voar!

Com um grito, James se lançou para fora da cozinha, arrastando Peter consigo. Deus sabe o que aconteceria com o rapaz, poderia ser uma morte lenta e dolorosa. Ele fechou a porta da cozinha com um baque e gritou por Sirius. Este apareceu, com uma careta infeliz.

– O que você está me gritando, idiota? Eu estava com umas gostosas e...

Ele parou, petrificado, porque seus dois amigos estava tentando escalá-lo como se ele fosse uma árvore. Contando até cinco, Sirius se acalmou, chutando-os para o lado.

– Saiam de cima, idiotas! O que aconteceu?

– Uma barata... – Peter estava completamente fora de sintonia, prestes a desmaiar.

– Voadora – James completou, um pouco menos assustado do que o outro.

Sirius bufou, batendo na cabeça de ambos, antes de abrir a porta.

– Vocês são tão ridículos! Como menininhas, com medo de uma... Merda! Voou na minha cara!

O que se seguiu foi uma cena lamentável. Sirius gritou e balançou os braços, mas, não fez o mais simples que era tirar a barata da sua bochecha. Peter se encolheu de medo e James fez um escândalo, murmurando "meu Deus, meu Deus" o tempo inteiro.

– Eu vou buscar um inseticida! Sim! Não se preocupe, Pads, eu vou salvá-lo.

Enquanto isso, Peter estava dizendo a si mesmo para ter coragem. Ele precisava ser forte e provar o seu valor. Com um grito de guerra, ele pegou um chinelo e correu para cima de Sirius.

Quando James voltou, até bem rápido, ele viu Wortmail chorando, um chinelo caído no chão e Sirius, com o olho esquerdo se contraindo e uma mancha vermelha horrível em sua bochecha. O pior, a barata estava no sofá. Em desespero, um pouco desorientado, ele jogou o inseticida em cima da barata, esmagando-a. E sujando o sofá também, o que poderia levar Remus a matá-lo.

~O~

James xingou mais uma vez, indeciso entre a de calabresa e a de frango com catupiry. Depois do... incidente, Sirius berrou por mais de quinze minutos até se acalmar, segurando um saco de gelos em sua bochecha. No final, com Peter quase chorando, ele pediu desculpas por ter gritado. Tanto faz, quem teve que ir no mercado e comprar outra pizza foi James, ele era um perdedor em todos os jogo decisivos.

Era um mercado pequeno e, por ser domingo, só estava funcionando um caixa. Tudo bem, James pensou, segurando duas pizzas, ele podia ser paciente. Nem havia uma fila enorme, nem nada. O que havia, contudo, era uma senhora de touca que decidiu comprar o mercado inteiro. Ele era sortudo assim.

– Hmm... O cartão não está passando.

Ele deu um aceno de cabeça compreensível para Gideon, o qual parecia perto de perder a paciência.

– Será que você não poderia tentar mais uma vez?

Era uma voz bonita, um pouco estridente no final e de alguma forma familiar. James franziu o cenho, tentando pensar se já tinha mesmo ouvido aquela voz.

Pela cara de Gideon, eles já tinham tentado bem mais de uma vez. Era hora de intervir. Ele iria sugerir pra ela voltar depois ou pagar em dinheiro.

– Com licença, senhora...

Não foi em câmera lenta, mas ele viu o corpo da mulher se enrijecer antes de ela se voltar para ele. Sua boca se abriu em choque. Aquela era...

– A louca do metrô!

– O maníaco do metrô!

Ele se sentiu insultado pela parte do "maníaco". Qualquer um ao redor poderia ver seus olhos afiados e as faíscas que saíam de ambos.

– James Potter.

– Lily Evans.

Ah, então ela sabia o nome dele. Provavelmente seu chefe de nariz enorme e cabelo escorrido a fez ver alguma de suas matérias. Faz sentido, eles trabalhavam com o mesmo tema, em jornais concorrentes.

– Você tem algum problema em ser paciente, Potter? Passe o meu cartão mais uma vez, Gideon – ela fez um show de ir e voltar com os olhos rapidamente sobre o crachá do atendente.

– Eu não tenho problema algum em ser paciente. Não posso dizer o mesmo da sua teimosia, minha senhora.

O olho direito dela se contraiu.

– É senhorita, como eu já disse anteriormente. Sua grosseria é sem limites! – ela se voltou para o descrente Gideon – e o que você está esperando? Passe o cartão!

Ele tentou dizer que fora recusado. Mais uma vez, mas, honestamente, Gideon estava temendo por sua vida. A mulher parecia fora de si. James sorriu, estendendo o cartão dele.

– Passe o meu, Gideon. Eu farei a gentileza.

Seu tom era pura e falsa doçura. Evans o olhou como se ele fosse a barata voadora maldita de mais cedo e sorriu da mesma forma que ele.

– Ótimo, você me deve mesmo. E acho que vou levar esse pirulito ainda.

A audácia dela era inacreditável. Sem esperar que ele digitasse a senha, Evans pegou as sacolas e, sem querer, ao se virar, bateu todas elas contra James. Este, por sua vez, quase gemeu de dor. Ela deveria estar comprando tijolos.

– Excelente artigo sobre os refugiados! – ele gritou, observando-a se afastar.

– Eu posso dizer o mesmo sobre o de fanatismo religioso.

Esse tinha sido o artigo dele mais recente. Seus olhos desceram inadvertidamente sobre a bunda dela e o jeans fantástico.

– Que mulher assustadora! – Gideon assoviou, muito impressionável em seus meros dezessete anos.

James sorriu, pagando as suas compras dessa vez. Assustadora, de fato.

~O~

Não sei quem é pior, Lily assustadora ou James grosseiro. ;)

Então, esse aqui é só pra diversão, sem nenhuma pretensão de ser sério ou fazer sentido! Espero que gostem! *-*

ClauMS: Aqui está o resto! ;) Beeejs*