No restaurante – parte 2
Houve algumas vezes em que James esteve tão perto da morte. A primeira vez foi quando ele e Sirius, aos onze anos, tentaram invadir a casa do professor Lockshale porque eles tinham certeza de que o homem era um vampiro. O que aconteceu foi que James caiu da cerca, quebrou a perna e, se Sirius não o tivesse arrastado a tempo, quase foi atacado por um cão. Depois disso, aos quatorze anos, ele entrou no meio da briga entre Sirius e Edgar Bones, que tinha dezessete anos e jogava futebol. Pensou que perderia o nariz naquele dia.
Nem sempre foi físico, contudo. Quando ele teve a audácia de mentir para Dorea Potter e ela descobriu... Bem, a morte teria sido um alívio. E também com a morte do seu pai, meses mais tarde... A mais recente, todavia, foi quando ele e os rapazes beberam muito e decidiram tomar banho em uma das fontes de Hogwarts. James acabou na enfermaria, com um ferimento que viraria cicatriz, tudo porque desmaiou no meio da brincadeira.
Evans, nesse instante, o encarava como uma mulher renascida do inferno e que tinha como única missão transformá-lo em pó. Sirius, sabiamente, deu um passo para trás, confuso e assustado.
– Eu sinto muito, eu não... Aaah, merda!
Ele se encolheu, os olhos lacrimejando. A louca do metrô não queria conversa, pelo visto, não quando ela tinha um excelente chute de direita. James segurou sua virilha, estrelas brancas brilhando à sua frente, provavelmente incapacitado de ter filhos depois de uma agressão tão eficaz.
– Eu não quero suas desculpas!
Ele só passou por algo assim quando Molly, sua primeira, o agrediu com uma frigideira porque ele saiu com a prima dela. Em sua defesa, James não sabia que elas eram parentes.
– Escuta aqui, minha senhora, qual é o seu problema?
Foi como O Exorcista e aquela menina assustadora, Blair, estava girando a cabeça. James quis gritar para Sirius se salvar, mas, honestamente, ele não podia.
– Quem você está chamando de senhora, ô esquisito? Ela é uma jovem mulher, uma senhorita!
A amiga de Evans-possuída, morena bonita de longos cabelos negros, colocou as mãos na cintura, ofendida. Ele não deveria se surpreender, loucos sempre andam juntos.
Sirius piscou, sua carranca sendo substituída por um sorriso que James conhecia bem. Só podia ser brincadeira.
– Erro meu, não quis ofendê-la. Eu nunca busco ofender mulheres tão bonitas quanto você.
–Pads! – James conseguiu rosnar. Ele não conseguia acreditar que seu melhor amigo estava flertando com a amiga de um ser maligno de cabelos vermelhos.
– Sim, sim, desculpe! Você aí, Linda Blair, não pode sair chutando rapazes bem naquilo que eles têm de melhor.
Meu Deus, Sirius conseguia piorar a situação em menos de um minuto. Era um prodígio, realmente. Evans tinha uma bunda bonita, mas, no momento, não valia a pena perder suas bolas por causa disso.
– Senhoritas, eu sinto muito...
Mas Evans e companhia não estavam prestando atenção ao pobre Johnny, o qual tinha acabado de sair de seu estupor. Lily tinha seus olhos bem fixos em James e sua careta de dor. Era como se ela estivesse passando uma mensagem, que não era muito clara pra ele, mas queria dizer pra não ser um maníaco e parar de aparecer em sua vida assim.
As duas saíram do bar rapidamente, após um breve pedido de desculpas para Johnny. O garçom foi bem eficiente e trouxe um saco de gelo para James. O rapaz, que ainda não tinha limpado a bagunça, assoviou.
– Que mulher assustadora.
– Não brinca! – Sirius concordou – ela quase arrancou as minhas bolas sem sequer chutar nelas.
James se virou, pronto para ir embora e também para evitar de chutar Sirius por esse comentário. No entanto, doeu pra caramba e ele teve de sentar. Maravilhoso.
~O~
Ele apertou o pacote de gelo com mais força, gemendo no processo. Da sala, os três podiam ouvir a voz de Sirius acompanhada por risadas femininas. No chão, com as pernas estiradas para cima das pernas de James, Remus revirou os olhos.
– Isso é ridículo.
Particularmente, James pensa que Remus só está com saudades da época em que também era solteiro. Namorar era como chutes repetidos no saco. Doloroso pra cassete, como James bem sabia.
Sirius tinha ido atender à porta, meia hora atrás, para o grupo de meninas que sempre – sempre – vinha pedir alguma coisa. Açúcar, café, sal... Chegava a ser ridículo e James se cansou logo na segunda semana.
– Eu ainda não acredito que você apanhou de uma mulher – de fato, Peter continuava impressionado, ao que James apenas deu de ombros.
– E o pior é que foi tudo um acidente.
Ok, o comentário de Remus o fez se sentir levemente culpado. James não contou toda a história sobre a louca do metrô, mas não porque ele queria esconder algo, apenas porque não tinha importância. De verdade.
– Hey! – Peter se animou, a boca cheia de comida – talvez ela seja...
– Nem sequer termine essa frase.
James ignorou os dois, voltando-se para a televisão. Que ainda estava sem funcionar. Eles só lembravam disso na hora de usá-la.
"I'm a barbie girl, in a barbie's world"...
Ele grunhiu, tateando cegamente pela mesinha.
– Quem mudou meu toque de novo? – da última vez tinha sido Remus com a música "I'm mr. Lonely".
– É a sua mãe?
James fez uma careta de nojo e mostrou o dedo do meio para o amigo. Mas, não, não era Dorea quem estava ligando e sim Benjy. Seu irmão.
– Olá, irritante irmão mais novo. Do que você precisa.
– Quem disse que eu preciso de alguma coisa, Jamie?
Ele odiava ser chamado de Jamie (por que, oh, Deus, por que suas tias insistem em chamá-lo de algo tão vergonhoso?) e Benjy sabia bem disso. O irritante até devia sair por aí dizendo que "Jamie" é seu verdadeiro nome.
– Você sempre faz. Estudo, futebol, sexo... Qual o problema dessa vez, Alf?
Em sua defesa, Benjy se parecia um pouco com o alienígena da série de televisão. Não tinha como a mãe deles fazer um filho tão bonito quanto o primogênito, isso era um fato.
– Pra que fique claro, eu não preciso de conselhos sobre sexo faz tempo.
James se voltou para a mão que estava cutucando sua barriga. Não era Remus, este ainda estava lendo; era Peter, segurando uma caneca de refrigerante. Bufando, James pegou dois cubos de gelo e jogou no copo do outro.
– Vamos agradecer pelos pequenos milagres.
– Hilário. Na verdade, James, eu tô ligando porque Emme e eu...
O tempo parou. James tentou raciocinar, ele não poderia ter ouvido direito. Seu único irmão (de sangue, pelo menos) iria se casar? Ele nem tinha terminado o segundo grau ainda!
– Tô indo pra casa.
Isso chamou a atenção até mesmo de Sirius, o qual fechou a porta com um adeus curto e seco para as garotas. Seus três amigos o encaravam com preocupação.
– Você não precisa...
– Vejo você essa semana, Benjamin. Tchau.
Ele desligou, inquieto. Suas mãos correram pelo cabelo. Ele precisava de uma passagem o mais rápido possível.
– O que houve, Prongs?
– Benjy vai se casar.
Sirius e Peter ficaram horrorizados, embora por motivos diferentes. Wortmail tinha uma queda gigantesca por Emmeline, ou por Benjy, James não tinha certeza.
– James, você não pode – Remus disse, seu livro esquecido.
– Como não, Moony? – Sirius quase gritou – a pobre criança só tem 18 anos! É muito cedo para ter sua vida destruída assim!
Sem brincadeira. Pronto, ele já tinha uma passagem comprada para sexta-feira.
– Eu sei, concordo com você, Sirius. Mais ou menos. O problema é que Benjy não vai ouvir se James chegar mandando. Você não pode puxar a carta de irmão mais velho que ajuda a cuidar das finanças dele, James. Não vai ajudar.
O que ele poderia – deveria – fazer, então? James precisava pensar.
– Vou pro meu quarto. Me chamem quando a pizza chegar.
Maldita história sobre os Potter e o amor de suas vidas. A culpa era disso.
~O~
Eles nunca vão se acertar... Vão sim! E de um jeito muito estranho, provavelmente ;)
fernando. nbrasil: Que bom que está gostando! lol Eu vi que isso aconteceu, ainda bem que você voltou e deixou seu nome kkkkkkkk De qualquer forma, eu iria responder. Beeeejs*
