Capítulo 9
Quinn sabia que era apenas uma questão de tempo antes dela cair pelas escadas. As escadas de Rachel; Ela estava no limite; um mês em uma casa sem escada tinha simplesmente adiado o inevitável. Isso era o que ela estava pensando enquanto ela sentava toda esquisita na metade da escadaria, segurando suas canelas e cóccix, os quais tinham graciosamente ricocheteado nos degraus e corrimão enquanto ela caía, suspirando de dor. Ela sabia que tinha sido muito ávida em reencontrar Rachel; seus pés moveram-se mais rápido que os olhos. Maldita seja sua namorada irresistível. Quinn apenas esperava que Rachel não tivesse escutado aquilo impossível de ser ignorado, som de quebradeira reminiscente do ventilador do barco inflável. Claro que Rachel ouvira aquilo. Ela estaria amaldiçoada se ela ia ignorar seu sentido mais importante enquanto sua namorada rolava pela escadaria para a sua danação.
"Quinn! Quinn! O que foi isso? Onde está você? Você está bem?" Rachel parou no final da escadaria ouvindo ansiosamente. Quinn tinha que admitir, que foi uma boa mudança de "Deus do céu, Quinnie! O que foi esse barulho? Ah, você caiu nas escadas! Hahahaha!" que sua mãe geralmente usava pra ela.
"Estou aqui, Rach." Quinn exalou, tentando acalmar a expressão frenética e preocupada da sua namorada.
"Onde?" Rachel perguntou, subindo lentamente as escadas. Quinn não respondeu enquanto Rachel sentia a cabeça dela e desabava ao lado dela no degrau.
"Você se machucou, baby?"
Quinn sorriu ironicamente. "Não. Apenas hematomas."
"Quinn, você precisa ser mais cuidadosa." Quinn apenas sorriu e descansou a cabeça nos ombros de Rachel. "É provavelmente porque você chegou aqui às seis da manhã e ainda não se recuperou o bastante da sua desorientação para funcionar em um lance de escadas."
"Mmhm. Eu nunca virei aqui novamente."
"Não! Você ainda nem conheceu meus papais!"
"Isso é um azar."
"Quinn!"
"Rachel!"
Rachel fez beicinho e afastou a cabeça de Quinn do ombro dela.
"Carregue-me pro sofá." Quinn disse, sorrindo pra sua namorada. Rachel teve que rir.
"Sim, tenha a garota pequena e cega lhe carregar pra baixo na escadaria. Quinn, ambas acabaremos terrivelmente machucadas em uma pilha no final."
Quinn sorriu, "em uma pilha com você."
"Oh Deus. Venha bobona." Rachel pegou a mão de Quinn e a escoltou pelo resto das escadas e pra sala. Quinn pensou que foi legal, ser levada por Rachel. Ela sorriu com afeto enquanto a garota menor com expertise navegava ao redor da mesinha de centro para o sofá. Elas se acomodaram para esperar os pais de Rachel chegarem em casa."
-oooooooooo-
"Shhhh! Leroy, você as acordará."
"Pfff. Venha, elas estão dormindo como pedras."
"Deixe-as em paz; elas estão cansadas."
"Eu apenas quero vê-la ao vivo."
Hiram grunhiu mas seguiu junto com Leroy.
"Awwww, olhe querido, elas são adoráveis!"
"Shhhhh!"
"Ela é linda! Hiram, venha ver."
"Mmhm."
"Elas são como filhotinhos fofinhos!"
Okay. Quinn estava ficando um pouco em pânico agora. Ela tinha acordado tão longo a porta fora fechada, mas ela não queria conhecer os pais sem Rachel acordada também. Agora, ela estava fingindo dormir e tentando ignorar o fato de que Leroy Berry estava a dois centímetros do seu rosto, examinando-a de perto, a garota que tinha a filha deles apertada forte em seus braços.
Rachel começou a se mover naquela hora, presumivelmente acordada pelo excesso de risadinhas de Leroy e os repetidos shushes de Hiram. Quinn enlouqueceu por um momento, antes de se decidir por um plano em ter Rachel 'fingir' acordá-la.
"Rachel?" Leroy disse excitadamente. Hiram rolou os olhos.
"Pai? Papai?" Rachel levantou a cabeça, então engasgou um momento depois. "Pai! Papai!" Ela procurou o ombro de Quinn e o balançou gentilmente. Normalmente Quinn acordaria com um gemido e algum xingamento e empurrão, mas, felizmente, ela não estava dormindo realmente!
"Quinn!" Rachel sussurrou insistentemente. Seus pais olharam, muito divertidos.
"Mmm, Rach. O que?" Quinn pensou que sua atuação estava incrível. Puramente fenomenal.
"Meus pais estão aqui."
Quinn levantou depressa, penando que essa seria a reação apropriada. Ela retirou o braço da cintura de Rachel, levantou do sofá, e ajeitou o cabelo doido dela o melhor que pôde. Rachel sorriu enquanto ela sentia o agito da atividade.
"Pai. Papai. Essa é Quinn Fabray. Minha namorada." Rachel sorriu com orgulho enquanto ela dizia isso.
"Sr. Berry. Uh, Berrys. É um prazer conhecê-los."
Leroy riu com amor e balançou a mão dela esticada. "Leroy, por favor. E esse é o Hiram." Ele disse, gesticulando para o homem sorridente ao lado dele. "É maravilhoso conhecer você também, Quinn. Nós ouvimos tanto sobre você!"
"Papai, não."
"Aparentemente, você é, o que era mesmo Rach, a garota mais incrível na face da Terra?" Rachel abaixou a cabeça, ficando furiosamente vermelha e Quinn sorriu, confortavelmente descansando uma mão no topo do cabelo castanho. "Linda? Protetora? Doce? Desajeitada? Adoravelmente irritante? Hmmm, Rach eu não consigo me lembrar! Qual desses era?"
"Leroy, pare." Hiram disse, vendo sua filha e essa garota que parecia estar acalmando-a com uma mão em sua cabeça. "Ela está quase chorando de vergonha." Hiram teve que rir um pouco quando, à menção de 'chorando', Quinn abaixou a cabeça na velocidade da luz pra checar a face perigosamente vermelha de Rachel. Ela confirmou que, não, sua namorada não estava chorando, beijou-a na bochecha e se ajeitou, sorrindo acanhadamente pro chão.
"Você é tão maldoso, Papai." Rachel murmurou.
"É o que eu faço, meu bem."
"Então, Quinn, pizza?" Hiram perguntou, ignorando as artimanhas do marido.
Quinn concordou agradecida e o seguiu pra cozinha pra pedir.
Foi assim que passou outra semana e meia. Os pais de Rachel aceitaram-na como se fosse deles, 'nós nunca vimos nossa garotinha tão feliz!' Eles assistiam filmes juntos; eles cozinhavam juntos; Leroy ensinou Quinn como aumentar as bordas da pizza, isso foi terrivelmente errado, mas incitou toneladas de risadas. Hiram deu o 'discurso: eu gosto de você mas não se atreva a machucar minha filha' e sorriu com orgulho pra Quinn quando ela fez alguma moça tropeçar no supermercado que estava secando Rachel e a bengala dela. Quinn retornava pra casa toda noite pra se divertir com a mãe e finalmente disse as novidades pra ela.
"Ai Meu Deus! Quinnie! Traga-a aqui! Eu preciso conhecê-la!"
Na manhã seguinte, Quinn escoltou uma Rachel ansiosa pelo caminho pra sua casa, cerrando os olhos pra sua mãe as olhando pelas cortinas com os dois polegares pra cima.
"Ahhh, Quinn! Ela é linda!"
"Olá, Sra. Fabray!"
"Rachel! É tão bom conhecê-la!" Judy gritou.
"Mãe, ela é cega, não surda. Acalme-se."
"Quinnie! Ela é maravilhosa!" Rachel sorriu e Quinn gargalhou.
"Eu sei."
-ooooooooo-
Hoje era o dia. Toda a antecipação, ansiedade, esperança, horas de deliberações e dúvidas deles iria acabar hoje. Amanhã, Rachel ou teria sua visão de volta ou seria cega pro resto da vida. Quinn não estava preparada pra lidar com esse dia. Ela tinha passado a noite com Rachel, depois de certificar os pais da garota que isso era pra puramente estar lá pra sua namorada. Rachel deitou enrolada ao lado dela; Quinn estava de costas, entrando em pânico e lutando contra as lágrimas. E se algo desse errado? E se não funcionasse e Rachel caísse em algum tipo de poço amaldiçoado de depressão? E se ela conseguisse sua visão de volta e enlouquecesse porque ela não iria mais conseguir mais sorvete grátis das pessoas?
Quinn precisava parar com isso. Em breve ela iria introduzir hordas de peixes-boi maliciosos em seus e se´s.
"Quinn? Você está acordada?" A voz rouca de Rachel cortou os pensamentos dela. Ela se recompôs rapidamente e deixou sair um respirar trêmulo.
"Sim, Rach." Ela sussurrou.
Rachel não disse nada por um momento, mas levantou sua mão e sentiu a bochecha de Quinn com o polegar.
"Você estava chorando." Rachel disse preocupada, sentando-se ligeiramente para limpar todas as lágrimas.
Quinn suspirou e parou as mãos de Rachel. "Você está certa de que quer fazer isso, Rach?"
Rachel respondeu imediatamente. "Sim... Por que? Você não está?"
"Não." Quinn apertou mais Rachel. "Eu apenas preciso saber... tudo ficará okay, certo?"
"Claro, Quinn. Escute, nós passaremos por hoje e nós passaremos por amanhã e cada dia depois disso. Nós vamos pra Nova York, não importa o que aconteça; eu estarei na Broadway, não importa o que qualquer um me diga, e você estará ao meu lado. Sem discussão." Quinn riu disso. "Então, sim, tudo ficará bem. Tudo. Ficará. Bem."
Quinn respirou profundamente e sorriu; isso era tão anormal, mas, não é como se elas fossem particularmente normais, certo. "Você está certa, Rach. Sempre tão certa. Vamos fazer isso, baby." Rachel concordou determinada.
Quinn abaixou a cabeça e a beijou profundamente. Ela manteve seus olhos fechados, memorizando o rosto de Rachel com as mãos e os lábios, a mesma coisa que Rachel sempre fazia com ela. Quinn passou as mãos pelas costas da garota menor, então trouxe-as de volta para o cabelo bagunçado da morena. As mãos de Rachel reaprenderam o corpo da loira, colocando-o na memória, só em caso dela nunca ter o prazer de vê-lo por si mesma.
"Quinn! Rachel!" Quinn saiu da cama como um foguete enquanto Hiram chamava do final do corredor. "Aprontem-se, garotas! Rach, lembre, sem café essa manhã."
Rachel pareceu se divertir enquanto escutava Quinn pisar forte de forma caótica ao redor da cama e da mobília; ela sabia que sua namorada estava provavelmente na metade do caminho do seu quarto agora, jogando roupas aleatórias sobre o pijama dela.
"Oh, e a consulta é de meio dia!" Hiram chamou de novo.
"Eu pensei que você dissera nove!" Leroy gritou do andar de baixo.
"Não, meio dia. M-e-i-o-d-i-a."
"Então por que estamos indo ás nove?"
"Nós vamos pra meio dia!"
"O que? Então estamos saindo três horas mais cedo?"
"Não! Nós temos que estar lá às nove!"
"Você disse meio dia ou nove?"
"Aimeudeus! Papai, a consulta é de doze! Nós precisamos estar lá às nove! Pare de gritar pela casa!" O pedido de Rachel foi recebido com silêncio.
-oooooooooo-
A energia nervosa ao redor da manhã cresceu quando o quarteto entrou no carro. Cresceu enquanto eles iam pela estrada e estava palpável a cada sinal de parada e sinal vermelho. Meteu-se na sala de espera e então na sala de preparação, Quinn ajudando Rachel com a bata e a subir na cama, e, então alcançou o ponto de fervura quando as enfermeiras vieram pra levá-la.
Quinn se inclinou sobre a cama e apertou Rachel em um abraço de quebrar os ossos. Não, ela não ia deixar essa garota ir. Ninguém podia apenas rolar Rachel pra longe dela; ela ficaria desse jeito pro resto da vida dela e tudo ficaria perfeitamente bem.
"Quinn." Hiram disse gentilmente. "Querida, vamos." Ele tocou o ombro dela quando a garota ainda não se movera.
Quinn suspirou profundamente no pescoço de Rachel. "Eu estarei lá quando você acordar, baby." Ela sussurrou.
"É melhor que esteja."
Quinn finalmente se arrancou pra longe de Rachel e viu enquanto Leroy e Hiram abraçavam a filha deles antes dela ser levada embora. Quinn olhou pro telefone dela, vinte segundos já tinham passado, quatro horas a passar antes dela ver sua namorada novamente. Ela se dirigiu pra sala de espera com os braços dos pais de Rachel ao redor dos seus ombros.
Um minuto passou.
Quatro minutos passaram.
Quatro e meio.
Seis.
Seis minutos e dez segundos.
"Quinn, pare, querida. Por que você não vai e pega alguns salgadinhos."
"Oh, não, não faça isso Quinn. Eu peguei um Cupcake Recepcionista da máquina de vendas um tempo atrás e eu ainda acordo com infecção estomacal."
Quinn sorriu com isso, então franziu o nariz pra imagem e pulou quando seu telefone tocou.
"Quinn!"
"Finn?"
"É, okay bom, eu peguei você. Olhe, o cara que possui o minibus o pegou ontem, mas ele ligou e disse que ele encontrou toneladas de coisas, tipo, perdidas nele. Ou algo, embaixo dos bancos e tal. Eu preciso saber se algo é seu."
"...Uh, okay."
"Então, há sete cartões de Play-Doh-"
"O que? Quem sequer – não, desculpe, continue. Isso não é meu."
"Fones, um isqueiro, uma escova de gato, vômito de gato –"
"Isso seria de Brittany, Finn. Bem, Lord Tubbington."
"Ok, de qualquer forma, quatro homens lego, uma arma de esguichar, uma garrafa de pasta de guacamole, óculos, uma câmera –"
"Oh isso! É meu! Eu pensei que deixara na Flórida."
"Sério? Legal! É uma descartável, certo?"
"Merda. Okay, não é meu."
"Awww, okay, então uma varinha de Harry Potter, uma sacola de flores amarelas, algumas roupas de baixo –"
"Ai Deus."
"Eu sei, certo. Mais uns adesivos brilhantes, cadarços, um pé de pato e um animal de pelúcia em forma de urso polar."
"Uau. Não, nada disso é meu."
"Oh! E um índio com cocar com um mini-bongo combinando."
"Bom Deus, eu me associo com doentes mentais."
Finn apenas riu.
"Vejo você na semana que vem, Finn." Quinn disse, rolando seus olhos e desligando. Ela sorriu quando ela percebeu que pelo menos dez minutos haviam passado sem ela checar o telefone. Talvez ela pudesse esperar quatro horas, não podia ser tanto tempo assim.
Quatro minutos depois, Quinn estava certa de que tinha ficado insana. Deus, o que estava tomando tanto tempo? Hiram e Leroy tinham desistido de distrai-la e sentaram em suas cadeiras calmamente assistindo a TV. Quinn se levantou e andou ao redor do chão do policial, contemplando atravessar umas portas dublas com cara de oficiais, mas temendo ser expulsa e não ver Rachel por um dia inteiro. Ela passou o tempo escutando o seu iPod e ando por todos os corredores. Então ela sentou de volta e viu TV, se contorcendo e mexendo as pernas até que ela sentara de lado na cadeira e avistou o doutor pelo rabo do olho.
"Leroy, Hiram."
Eles levantaram para cumprimentá-lo e Quinn ficou ao lado deles.
"Ela terminou a cirurgia agora. Nós não tivemos complicação nenhuma, mas nós não saberemos se foi bem sucedida até que ela possa tirar a bandagem em setenta e duas horas."
Leroy e Hiram concordaram. "Podemos vê-la agora?"
"Sim, claro." O doutor sorriu calorosamente pra garota loira pendurada no lado deles e os levou pro quarto de Rachel. Quinn foi direto pra sua namorada, que ainda iria acordar, pegou a mão dela e se sentou na beira da cama. Ela nunca deixaria essa garota novamente.
-oooooooo-
Rachel acordou algumas horas mais tarde e lentamente sorriu quando percebeu que o peso perto da sua perna era Quinn. Rachel apertou a mão dela e Quinn mexeu sua cabeça ao redor do quarto; ela avistou o sorriso da sua namorada e pulou muito gentilmente pra cima dela pra um abraço, o mais gentilmente que ela pôde.
"Ai Meu Deus, Rach, aquela cirurgia durou dias. Eu nunca mais deixarei você ir a qualquer lugar novamente."
"Awww, não seja dramática, Quinn. Foram apenas algumas horas."
"Não. Não me diga isso. Foi tipo, dezessete horas, não poucas. Como você se sente, docinho?" Quinn retirou o cabelo de Rachel dos olhos dela e se sentou direito.
"Mmm, cansada."
"É? Você devia dormir, baby. Eu ainda estarei aqui."
Foi assim que Quinn permaneceu por setenta e duas horas, movendo-se apenas pra ir pra casa pra mudar de roupa, pra comer Cupcakes Recepcionistas da máquina de venda, e pra ir ao banheiro quando ela sofria de infecção alimentar daqueles cupcakes, Leroy rindo o tempo inteiro.
Agora ela estava parada ao lado da cama de Rachel, próxima aos pais dela, enquanto o doutor retirava as bandagens dos olhos de Rachel. Ela estava definitivamente tendo um ataque do coração silencioso. Ou um ataque de pânico. Um aneurisma. Um derrame. Deus, estava tão quente aqui. Nada, entretanto, poderia pará-la de segurar a mão de Rachel.
A bandagem caiu e Rachel piscou algumas vezes, ainda olhando direto pra frente. Ela fechou os olhos por um minuto inteiro, então os abriu novamente, espremendo os olhos e arregalando-os repetidamente. Bom Deus, Quinn iria morrer.
Então Rachel virou pra olhar Quinn, que achara a força em algum lugar bem no fundo dela para não desmaiar, para permanecer de pé, para forçar seu maldito coração a continuar batendo.
Rachel virou a cabeça pra cima.
Então ela olhou bem nos olhos de Quinn.
Ambas as garotas, junto com os dois homens crescidos no quarto, se acabaram em lágrimas.
