N/T: O próximo é o último, pessoal
Capítulo 10
O que ela está fazendo? Ela pode me ver? Ai meu Deus. Ai meu Deus. Ela me vê. Ela pode me ver agora. Ela pode me ver agora! Ai meu Deus. Aimeudeusaimeudeus. Ela pode me ver!
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Quinn tinha lido em algum lugar que humanos piscam pelo menos uma vez a cada dez segundos, talvez poucas vezes por minutos se a pessoa está concentrada em algo. De qualquer jeito, ela estava certa de que Rachel não tinha piscado em, tipo, vinte minutos. Deus, os olhos da namorada iriam secar e ela ficaria cega novamente. Entretanto era doce, e adorável e confortador que Rachel se recusasse a fechar os olhos por até um milissegundo quando seu corpo não a forçava. Por que ela iria, quando ela podia andar por aí com seus olhos fixados na sua linda namorada loira. Ela só estava se atualizando depois de uma década de cegueira.
Uma semana depois da cirurgia de Rachel, Quinn tinha que se acalmar. Ela tinha conseguido manter seu coração batendo e consciência mas Deus, ela estava uma bagunça. Uma louca, feliz, quente bagunça que Rachel podia agora testemunhar com os próprios olhos! Cada vez que Rachel encontrava seus olhos, Quinn dissolvia-se naquela montanha de sentimentos do quarto de hospital; cada vez que Rachel dizia 'você tem o cabelo bagunçado' ou 'eu quero o prato azul' ou 'Ahhh! Papai uma aranha!" Quinn não se continha. Ela nunca pensou que iria ouvir aquelas coisas simples.
Ela estava atualmente tentando se controlar o bastante pra levá-las pro final daquelas malditas escadas. Rachel simplesmente não iria remover seu olhar do rosto de Quinn.
"Rach, você vai cair nas escadas." Quinn disse, tentando ser firme, mas ao contrário sorrindo como uma boba. Rachel não respondeu.
"Docinho, você tem olhos agora. Use-os pra fazer com que você não vá cair dando cambalhotas pela escadaria."
Rachel ainda não mudou o olhar do rosto de Quinn, então a loira agarrou o braço da sua namorada mais forte e a levou pelas escadas. Ainda novamente. Ela nunca ficaria cansada de levar essa garota a qualquer lugar, o que era bom, porque aparentemente Rachel nunca ficaria cansada de encarar o rosto de Quinn. Sério, isso deveria ser desconfortável agora, mas tudo que Quinn sentia era felicidade e amor quando ela pegava sua namorada fazendo isso, que era toda vez que ela olhava pra ela.
Crash.
Ai merda. Onde estávamos? O que estávamos fazendo? Ela pode me ver!
"Rachel!" Quinn saiu correndo pelos poucos degraus pra onde Rachel tinha caído.
"Docinho, eu disse a você, você iria cair!"
Rachel apenas choramingou enquanto Quinn corria as mãos sobre os braços da garota menor.
"Eu pensei que você estava vendo onde eu estava indo."
"Eu estava vendo você me vendo." Quinn puxou Rachel pra cima gentilmente e as levou pro foyer. Deus, quem diabos inventou as escadas? Se tudo fosse em um só maldito nível a vida seria tão mais fácil.
"Você está bem?"
Rachel ignorou a pergunta. "Você é pra supostamente me levar pelos cantos." Ela disse, apalpando a bunda onde tinha aterrissado no degrau.
"Sério? Ainda?" Quinn disse, falsamente exasperada, rindo quando Rachel a empurrou.
"Sim! Sempre!"
Quinn sorriu e puxou Rachel pra um abraço. "Eu sei companheira." Rachel relaxou no abraço dela, olhos castanhos ainda enterrados na lateral na cabeça de Quinn. Quinn não podia exatamente culpá-la; Rachel tinha se tornado em algo, do tipo eu-sou-uma-criança-de-quatro-anos-e-eu-preciso-ver-tudo-agora, na última semana. Ela tinha forçado Quinn a mostrar pra ela todas as fotos de bebê, algo que Judy tinha ficado pra lá de contente em fazer. Ela tinha atacado Quinn com uvas e seus pais com massa de pizza e os quatros tinham assistido musical atrás de musical, sorrindo afetuosamente pro rosto maravilhado de Rachel pelo rabo dos olhos deles.
Quinn se afastou e encontrou os olhos vivos, profundos e expressivamente maravilhosos castanhos de Rachel.
"Você está pronta, Rach?"
Rachel concordou com a cabeça.
"Sim? Dor de cabeça foi embora? Você não se sente mais enjoada?"
"Eu me sinto bem, Quinn. Quem vem nos pegar?"
"...hum, todo mundo. Achei que tinha te falado, Finn alugou um minibus dessa vez pra que todos possamos ir juntos e- querida, você está bem?" Quinn perguntou preocupada.
Rachel pareceu momentaneamente acometida de terror. Quinn não a culpava realmente; ela tinha, afinal, usado "Finn" e "minibus" na mesma frase.
Rachel concordou lentamente e falou um momento depois. "Dessa vez, eu não vou poder dizer que a ignorância é uma benção."
Quinn gargalhou. "Feche seus olhos. E diga a seus pais que eles precisarão comprar uma nova caixa de carta."
"Você acha que eles vão ficar bravos?"
"Sobre perder a caixa de carta? Eles vão superar."
"Não. O Clube Glee. Você acha que eles vão ficar bravos porque eu não contei a eles?" Rachel perguntou, finalmente movimentando seu olhar pra que repousasse em suas mãos crispadas. Quinn abaixou a cabeça pra encontrá-lo novamente.
"Não, baby, eles ficarão super contentes!" Quinn pegou ambas as mãos de Rachel e as balançou juntas, fazendo Rachel sorrir. Elas viraram quando ouviram um crash e um gritar frenético vindo de fora. "E os maluquinhos chegaram." Elas agarraram suas bolsas com toalhas e filtro solar e foram pra porta.
" – fez de novo, Finn! O que diabo está errado com você?"
"Não sou eu! É esse ônibus!"
"Ah, claro, o ônibus estava pensando, 'Ei ali está uma caixa de cara que eu não demoli completamente ainda, deixe-me passar por ali e terminar o trabalho."
"Hey, Quinn! Rachel!" Artie chamou feliz pela janela, ignorando a cena diante dele.
"Rachel, mil perdões! Eu prometo que consertarei!"
"É, você tornou-se meio que um expert agora, não é mesmo." Santana murmurou.
Rachel e Quinn subiram as escadas e pararam no corredor perto do banco do motorista. Rachel apenas olhou pra todos, absorvendo todos e tentando olhar em alguns olhos. Ela queria ver se alguém perceberia.
"Bom Deus, sente-se!"
"Ela parece que vai explodir em uma canção."
"Oh Deus."
"Quinn, sente sua namorada, ela está nos assuntando."
"Ei, calem a boca!" Quinn envolveu Rachel com os braços pelas costas, sorrindo enquanto ela percebeu que a garota tinha entrado num concurso de encarar com um Kurt sem intenção.
Kurt parecia um pouco amedrontado. Okay, amedrontado demais. Deus, parecia que ele estava prestes a ser assassinados. Isso era muito, muito estranho. Por que ele lembrava de um filme de terror tão frequentemente quando ele ia pra todo canto com o Clube Glee?
"Vá, Hudson! Mova-se! Elas ficarão bem se forem arremessadas pra fora! Nós não estaremos nos movendo rápido assim."
"Santana, cale a boca!" Kurt gritou, levantou-se e aproximou-se de Rachel. Ele olhou pra Quinn, que apenas sorriu suavemente pra ele, ainda segurando Rachel pelas costas. Ele mudou seu olhar da esquerda pra direita e os olhos de Rachel acompanharam os dele.
"Ai meu Deus." Ele sussurrou. "Aimeudeus! Você pode ver!" Kurt guinchou, puxando Rachel e Quinn pros braços dele, Rachel chorando silenciosamente com um imenso sorriso. O ônibus rugiu em um coro de confusão.
"O que!"
"Que porra?"
"Você está drogado?"
"O que ele disse?"
"O que aconteceu?"
"Em que estado estamos?"
"O que ele disse!"
Quinn deslizou o corredor e respondeu a todas as questões de todo mundo enquanto Rachel retornava montes de abraços, rindo com alegria com seus companheiros de Glee. A maioria deles tinha ficado em silêncio pelo choque e pensativos. Os olhos de Rachel passou pelos rostos deles, combinando-os com as vozes e personalidade deles. Cada um deles eram perfeitos. Ela sorriu quando percebera, sim, eles estavam pra lá de contentes, e então sorriu quando ela finalmente se virou pra trás pra Quinn e viu que a loira estivera a assistindo o tempo todo.
Rachel ficou em pé no banco dela.
"Berry – Ih Deus, eu sequer posso dizer a você pra sentar-se. Eu perdi o jeito." Santana disse e escondeu seu rosto com vergonha em suas mãos; Rachel sorriu brilhantemente.
"Vamos jogar Eu vejo!"
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"Vamos sentar aqui." Kurt sugeriu, derrubando suas malas debaixo de um toldo em frente à piscina de ondas do parque aquático.
"Legal."
"Pfff, de jeito nenhum, Kurt. Só porque você vira o Po quando exposto à luz do dia não quer dizer que o resto de nos não quer algum sol." Santana disse, passando por ele para mais perto da beira da água. "Aqui." Ela disse confiante, parando perto de uma fileira de cadeiras de praia.
"É, tem vômito embaixo daquela cadeira, Santana."
Tina olhou com nojo. "Por que nós sempre estamos rodeados de vômito?"
"Ei, e que tal ali?" Finn gesticulou.
"Oh, diabos que não. Eu preciso de pelo menos uma distância de dez metros de toda criança pequena."
"Eu posso ter uma distância de dez metros de você?" Quinn perguntou, sorrindo docemente pra Santana.
"Vamos pra lá!" Rachel declarou excitada, arrastando Quinn e o resto do clube pro lugar dela.
"Isso é na verdade perfeito." Puck disse. "Boa espiada, Rach."
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No meio do dia no parque aquático, Quinn tinha visto algumas coisas. Coisas que ela ajudou Rachel a evitar, mas nunca iria poder apagar da própria mente. Realmente, por que os homens mais velhos de sobrepeso que pareciam nunca ter visto o sol insistia em usar sungas pra nadar.
"É a preferência deles, Quinn. Deixe-os em paz." Rachel disse do seu poleiro num anel inflável, Quinn agarrada na lateral.
"Você não viu Rachel. Você não pode entender. Eu fiquei traumatizada."
"Só porque você me empurrou no Rio Preguiçoso para que eu não pudesse ver de jeito nenhum."
Quinn bufou e moveu sua namorada flutuante para que ela pudesse deslizar por baixo da cachoeira que se aproximava.
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"Finn, apenas pegue um pouco de gelo, sente-se –"
"Sentar! Cara, eu nunca poderei sentar novamente!" Finn chorou, sua voz ligeiramente um tom acima do usual.
"O que aconteceu com ele?" Mercedes perguntou enquanto Artie rolava pra perto do grupo e Finn vacilava em direção aos banheiros.
Artie sorriu. "Ele foi num escorregador de doze andares de queda livre e os shorts dele meio que deslizaram... Bem, não tanto deslizaram, na verdade completamente saíram de cena." Artie parecia imensamente divertido com isso.
"Oh, cara, nem me faça começar." Mercedes entrou na discussão. "Brittany e Santana foram pelo túnel de escorrega, você sabe aquele escuro lá embaixo e quando eles saíram no final, Santana estava topless e Brittany estava desaparecida. Ela veio sair uns cinco minutos depois."
"Oh Deus, essas pessoas..." Quinn gemeu, mas dissolveu em risadas enquanto Finn vinha de volta, sorrindo envergonhando e tomando passos muito pequenos.
"Arrumou-se?" Artie perguntou, tentando muito conter a gargalhada, mas falhando miseravelmente.
Finn deu um pequeno aceno. Ele recusou-se a encontrar os olhos de qualquer um.
"Okay, então!" Mike bateu as mãos ao mesmo tempo. "Vamos na canoa família!"
Depois de escalar dez andares pra alcançar o topo do brinquedo, Quinn entrou na canoa com Rachel, claro, junto com Finn, Mercedes e Kurt. Eles sentaram em um círculo, Finn sorrindo novamente, Rachel segurando a mão de Quinn e Mercedes e Kurt conversando um com outro sobre uma mulher de setenta e cinco anos que eles tinham testemunhado usando uma tanga. O salva-vida os lançou para fora da "zona de embarque" e pra baixo pra primeira queda.
Todo mundo estava rindo; tudo estava bom; Quinn estava jogando água em Rachel e Kurt tinha sua mão do lado de fora da canoa, correndo ao longo da superfície suave do escorrega. Então eles entraram num labirinto de balanços violentos e viradas fechadas.
"Ei, Finn, é tipo você dirigindo!" Kurt chamou. Finn abriu a boca pra responder, mas nunca teve uma chance, enquanto eles se dirigiram pra uma virada particularmente fechada, indo tão alto no banco que a canoa quase se dobrou em um sanduíche ao meio, derrubando Finn do seu banco em cima de Rachel.
"Finn!"
"Caras segurem-se –"
Agora que ninguém estava mais se segurando, os cinco componentes do clube glee estavam sendo jogados de um lado pro outro como bolinhas de gude em sua pequena canoa, rindo, talvez gritando, possivelmente doloridamente, definitivamente histericamente.
Quinn estava muito certa de que o joelho de alguém estava na sua órbita ocular enquanto a canoa vinha ao final do escorrega e aterrissava na piscina.
"Okay," Mercedes olhou ao redor, tentando se recuperar. "É, nós definitivamente perdemos Kurt."
As quatro pessoas remanescentes na canoa viraram bem a tempo de ver Kurt vindo pelo escorrega atrás deles. Atrás dele, eles viram a canoa tendo só Puck e Tina. Tinha previamente contido Mike, Santana e Brittany também.
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"Então," Finn começou, nadando ao redor da piscina de ondas com Quinn e Rachel, "quando eles consertaram seus olhos, eles, tipo, colocaram algo lá?"
Rachel deu uma olhadela em Quinn, não muito certa de como responder. Quinn apenas deu de ombros. Ela percebeu que Finn apenas queria saber se Rachel era agora a Mulher Biônica.
Finn pareceu sentir a confusão deles. "Eu estava apenas pensando se você é, tipo, biônica agora. Isso seria tão legal."
Quinn inalou alguma água, se congratulando na sua... psiquicidade? Psicose? Isso era provavelmente mais correto. Rachel sorriu pra ela, batendo nas costas dela repetidamente.
"Eu não tenho "super" visão agora, Finn, se é isso que você está perguntando." Finn pareceu ligeiramente desapontado. "Ou visão raio-x. Na verdade, meus olhos meio que doem agora. Está realmente ensolarado aqui."
Quinn imediatamente parou de tentar de surfar com o corpo em crianças de dez anos não suspeitas e virou de volta pra Rachel parecendo muito preocupada.
"Rachel, você devia ter dito algo." Ela disse, sentindo a testa de Rachel, não que isso diria a ela algo. Puramente instinto.
"Não passou tanto tempo. Eles estão meio que incomodando."
"Incomodando!" Quinn pareceu frenética. Os olhos antes cegos da namorada estão incomodando!
Rachel riu com a expressão dela. "Acalme-se, Quinn. Eu apenas colocarei os óculos escuros."
É, alguns malditos óculos escuros; mais, uma camada de roupas, uma toalha, um chapéu de sol, um protetor solar fator 100, gelo, fatias de pepino, e o que diabos fosse necessário. Rachel as levou de volta pras cadeiras do Glee, colocou os novos óculos escuros de Quinn, e sorriu com brilho pra sua namorada.
"Vê? Melhor."
"Mmm. Eu gosto desses. Eu acho que tenho um par similar." Quinn disse com um pequeno sorriso.
Rachel ficou de ponta de pé e a beijou. "Eu não acho. Esses são meus." Rachel beijou-a novamente e então olhou sobre o ombro de Quinn e sorriu.
"O que?"
"Eu apenas vi o cavalheiro que traumatizou você fora do Rio Preguiçoso."
Quinn riu. "Ser apta a ver é tão superestimado."
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A melhor coisa sobre não estar mais na Flórida era que as tempestades de trovões não eram mais uma ocorrência diária. Quinn não tinha que ficar preocupada em ser atacada pra sua morte, parada no topo de um túnel de duas pessoas que Santana tinha mostrado antes. Ela tinha seus braços ao redor da cintura de Rachel, sua cabeça no topo da cabeça da garota menor e ambas olhavam sobre o corrimão, apreciando a vista.
"Quer jogar Eu vejo?" Quinn perguntou, brincando.
Rachel balançou a cabeça. "O que você pode ver?" ela perguntou quietamente.
"Hmmm. Eu vejo um estádio a distância... eu vejo... um estacionamento de carro. Eu posso totalmente distinguir o minibus daqui."
"Aquele com um amassado expressivo no paráchoque frontal."
"Mhmmm. Eu vejo um adulto dançando na Zona de Crianças... Oh, espere, aquela é Brittany... Eu vejo... muitas crianças, muitas pessoas, se divertindo, vivendo suas vidas."
Rachel apertou-se nos braços de Quinn.
"Há um salva vidas correndo lá embaixo... e tem um avião no céu."
Rachel virou a cabeça pra cima pra olhar e Quinn roçou o nariz no pescoço dela.
"E eu vejo a garota mais linda do mundo... Oh, espere, eu a perdi. Onde ela foi? Oh, é, ela está bem aqui." Quinn virou Rachel e a beijou, sorrindo pra vergonha e o sorriso tímido de Rachel.
"O que você pode ver, Companheira?" Quinn perguntou pra ela.
Rachle virou de volta pra vista e sorriu, trazendo os braços de Quinn de volta pro redor dela. Ela suspirou contente quando Quinn beijou sua cabeça.
"Eu posso ver por quilômetros."
