Notas da autora:Oi! Eu já sei que falei que só haveria dois capítulos, e assim é! Só que o dividi em dois partes okay? O próximo sim que é o final. Eu juro! E como sempre, espero os seus comentários.

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Capitulo 2- Só olhar

Muitos dizem que recordar é uma benção,para mim, é apenas uma carga mais que suportar.

Primeiro foi com Airi, a causante principal de que lembre de meu passado, ou devo dizer ex-futuro? Logo, veio as lembranças da morte de Hinazuki junto com as de Jun indo para prisão mesmo sendo inocente. E...

"Minha mãe." Penso contendo a vontade de quebrar tudo diante meu,só não faço isso porque sei que não posso. Agora eu estou fraco demais, meu corpo não está completamente desarrolhado, e necessito utilizar as muletas para tudo.

Um passo, dois passos, milhares de passos...

— Ei, caminha mais devagar Satoru.— Minha mãe diz por segunda vez naquele dia enquanto prepara o almoço na cozinha. Minha antiga cozinha, por certo.— Você deveria estar descansando.

"Descansar é molesto."

— Descansar é molesto.— Deixo escapar voltando a sentar-me no chão de Tatami. Ela não me dá ouvidos.

Hoje faz exatamente uma semana desde que voltei pra casa, mas, não consigo acostumar-me a essa monotonia. As lembranças rondando em minha cabeça continuamente,o diferente que é meu apartamento agora, o antigo trabalho que eu já não tenho e...Minha mãe.

E por certo:"Por que ela tem que dormir sempre do meu lado?!" Me pergunto incomodo. Sim, eu já sei que ela tem medo de que eu entre em coma induzido de repente como da outra vez mas...Cacete, eu sou um homem...

Hey,espera um momento.

Qué diabos eu estou pensando?! Qual é o problema de que eu seja um homem? Será que eu me esqueci de algo mais...?

Não, é melhor não pensar nisso agora. Recapitulemos:

Faz uma semana que eu sai do hospital. Nesse tempo tive o chocante descobrimento que minha mãe alugou o que no passado (ex-futuro) foi meu apartamento, sendo essa uma das causas que me fizeram relembrar seu assassinato mais vividamente.

Agora voltando ao presente,eu sou um inútil aleijado incapaz de fazer nada. Sem trabalho que atender e siqueira poder desenhar mangá sem fazer que os demais suspeitem. E claro, sem esquecer também do assassino.

Só de pensar nele minha expressão endurece com ódio. A minha indignação é tanta que fecho as mãos em punhos com o pensamento constante de:

Vingança,vingança,e vingança...

Então de repente, como por arte de magia, sinto dedos bagunçarem meu cabelo fazendo-me levantar a cabeça do chão. Por um breve momento cheguei até pensar que isso fosse um sinal, a cura para minha doença incurável chamada solidão. Mas não, essa miragem não era outra coisa mais que os olhos amáveis de minha mãe.

O tempo se ralentiza de tal forma, que eu apenas sou capaz de mover os meus próprios párpados, com medo talvez de que se eu os fechasse, a magia se iria junto com ele. Mas ela,minha mãe, sem um pingo de decoro segue bagunçando meu cabelo com a gema de seus dedos. É tão injusta ao ponto de chegar mais perto de mim uns quantos centímetros. Perto demais.

Merda...

O aroma a cítricos volta a impregnar meu nariz, fazendo-me pensar por um par de segundos que esse cheiro se marcará a ferro em meus sentidos, tomando assim posse de todo meu ser.

"Qué caralho você está pensando?! É da sua mãe de quem estamos falando!" Uma voz irritante lateja em minha cabeça. Me jogando em cara o único pecado que eu jamais tive o prazer de cometer, o pecado de desejá-la.

E então, graças ao maldito peso na consciência me afasto de seu toque como o diabo da cruz. Como se apenas um roce seu me queimasse por dentro. Mas mesmo assim, ainda existe uma parte de mim que deseja com todas as forças empurrá-la contra a parede mais próxima, sem pensar siquer o que possa ocorrer a continuação.

"Cacete." Penso para mim mesmo quando volto a levantar a cabeça. O estranho de tudo é, que só nesse momento me dei conta de que a havia mantido abaixada. Talvez com medo de que meu pecado fosse descoberto.

Nossos olhos se encontram outra vez, e sei perfeitamente que ela é capaz de ver através de mim.

"Youkai."

— Youkai.— Deixo escapar em voz alta, ela sorri desse feito a sua maneira.

—Assim que eu sou um Youkai?— pergunta se fazendo a desentendida, e escondendo o prato de Curry atrás das suas costas.

—Não é nada disso, eu só estou pensando conmigo mesmo.— minto descaradamente porque sei que se eu dissesse a verdade ela não me daria Curry. Además, isso era a distração perfeita para mim.

Mas, bem lá no fundo uma parte minha rejeitava tudo isso. Rejeitava a sua comida, seu toque, e me dizia para ir embora, para que eu a abandone do mesmo modo em que fiz com a Airi. Porque é a melhor opção,porque estar conmigo é perigoso. E porque eu sei que cedo ou tarde desejarei fazer mais coisas do que apenas observá-la.

Então por que me dói o peito de apenas pensá-lo?Por que é tão difícil abandoná-la?

É por que é a minha mãe?

É por que eu tenho medo?Ou...

Satoru...— Vejo como a íris dela se dilata de repente. — Por que você está chorando?— pergunta, e com rapidez solta o prato de Curry na mesa para vim em meu socorro. Passa tudo tão rápido que eu apenas me dou conta, que minha cabeça está repousada em seus seios fartos.

Realmente fui capaz de juntar as peças do quebra cabeça quando senti a ponta de meu nariz ser aplastada por algo macio. Seu busto.

Meu Deus do céu, eu nunca antes pensei que gostaria tanto do cheiro a cítricos como eu faço agora. Fiquei tão aturdido com esse novo descobrimento que apenas lembrei que chorava. Mas pelo visto minha mãe não:

—Perdão Satoru. Esqueci por um momento que você não é mais que uma criança.— Agarra forte minha cabeça, mas eu não sinto dor, senão pesar.

Seguramente ela pensasse que eu ainda era como o pequeno Satoru, que passara quinze anos de sua vida postrado em uma cama de hospital. O pobre garotinho que não teve a sorte de disfrutar o que por direito le pertencia: viver.

Não era bem assim, mas eu fui incapaz de dizer uma palavra. Estava mal eu sei, mas o meu egoismo de té-la assim, só pra mim, abraçando-me desse jeito valia a pena.

"Só um pouquinho mais perto." Penso de forma inconsciente enquanto minhas mãos agarram a cintura dela, e minha cara segue estando aconchegada nos seus seios. Mas não me movo, claro que não. Ao final de contas ela é minha mãe. Não tem sentido chegar mais perto se logo terei de separá-me.

Então a magia se acaba. Perco a força nos dedos e deixo de agarrar a sua cintura com as minhas mãos. Minha cabeça se afasta de seu corpo, e o cheiro a cítricos começa a desaparecer. Ela segue acariciando meu cabelo, mas eu posso sentir que aos poucos vai deixando de fazê-lo. E com a distância entre nós, por terceira vez seu olhar se encontra com os meus.

Já começa a ser hora de que eu fale algo. Ela merece saber que eu não estou triste com tudo o que me aconteceu, senão de outra forma ela não estaria aqui agora mesmo. E sem ela... Não pode existir um "eu".

Rejeito viver em um mundo onde ela não esteja.

— Eu estou bem, mãe. — Por incrível que pareça, é tudo o que eu consigo dizer ao final. Os meus óculos estão tortos pelo abraço de antes, o que faz ela conter um sorriso inocente. — Qual é a graça?— Pergunto ajeitando-lo a minha maneira. Ela não responde, como é de costume. Dá meia volta e pega o prato de curry em seu lugar.

—Come.— Ela diz com indiferença pondo o prato de comida diante meu, como se o que acabasse de ocorrer não houvesse sido nada. Bem, em realidade não foi nada de outro mundo, só um abraço entre mãe e filho.

— Obrigado pela comida.— Agradeço provando uma colherada. Está um pouco picante.

— Fiz picante demais?— Pergunta adivinhando meus pensamentos. Ademais de não envelhecer é uma adivinha.

— Eu gosto de sabor picante.— Respondo pondo outra colher cheia na minha boca.— Está bom.

Ela sorrí satisfeita, antes de começar a preparar a coisas para sair de casa. Eu odeio quando ela faz isso, deveria haver um homem que trabalhasse por ela em seu lugar, mas não. Desde quando meu pai nos deixou a ambos, ela nunca mais pensou sequer em encontrar outra pessoa para compartilhar sua vida. Nesse sentido somos iguais, gostamos da solidão.

—Eu tenho que ir agora, mas se acontecer qualquer coisa não duvide em chamar.— Repete o mesmo cada dia momentos antes de fechar a porta.

—Sim...mãe.— Tentei soar amável, mas chamá-la assim só fazia o efeito contrário. Minha voz saía indudavelmente azeda.

E o pior de tudo era que eu sabia que ela também sabia disso.

Merda! Merda! E merda!


Me desperto as três da manhã graças ao ruidoso vizinho de ao lado. É molesto.

Com dificuldade sento em meu futon, e espero a que meus olhos se adaptem a escuridão da noite. Siqueira me preocupo em buscar os óculos,não é como se eu fosse ver muita coisa de todas as formas.

Deslizo a minha mão pelo chão de tatami até tocar algo macio. Um braço.

"Assim que ela já chegou em casa..." Penso para mim mesmo afastando as minhas mãos.

Desde quando eu sai do hospital ela fazia o impossível para passar o maior tempo possível comigo. Para recuperar o tempo perdido, eu me imagino. É por isso que trabalha o dobro todas as noites, porque pelas manhãs... Há pelas manhãs, ela passa cada valioso segundo de sua vida do meu lado.

Faz quanto tempo que ela não fazia isso comigo? Doze, treze ou quinze anos?

Sim, exatamente. Mas isso só ocorreu no tempo em que ela estava baixo terra, no futuro que eu consegui mudar. Porque no mundo de agora ela passou esses mesmos quinze anos do meu lado. Vigiando-me, cuidando-me, e sem dúvida alguma amando-me.

— aahg...— Um ruído estranho vem do seu lado e eu a observo. Tento chegar mais perto para vê-la melhor já que não levo os óculos postos, e meu dou conta que ela tem a boca aberta. O ruído vem do abrir e fechar de seus lábios, apenas isso.

Mas não é esse feito que me tira o alento senão que a sua vestimenta. A sua camisa de manga curta está exageradamente subida, até níveis impensáveis.

"Volte a dormir, você não viu absolutamente nada." A minha voz inteiror me alenta mas eu não me movo do lugar. Com desespero busco meus óculos por um par de minutos antes de voltar a observá-la.

Estava mal, eu sabia disso perfeitamente. Mas por que eu me sentia tão bem?

—Só olhar.— me comprometi em voz muito baixa pondo os óculos enfim. O rubor na minha pele não tardou em aparecer.

Fiquei por um largo tempo observando-la pela primeira vez em toda a minha vida, eu acho. Era sem dúvida alguma uma das coisas que eu jamais esqueceria, nunca.

Mas como eu temia,só olhar não era suficiente.

"Ela vai pegar um resfriado se ficar desse jeito" Essa foi a desculpa que eu inventei para dar o segundo passo.

O único pecado que eu jamais deveria sucumbir, era o que me chamava agora de braços abertos. E por desgraça...me deixei guiar.

Sim, esse pecado foi o único capaz de me levar até o inferno.