Capitulo final - Shattered

Quando era mais pequeno eu não quería ser médico, professor ou incluso um mangaká, senão que pelo contrário...eu queria ser algo tão simples como um super herói. Você já sabe né? O tipico carinha que ao final do dia é amado por todos, depois de haver salvado o mundo inteiro outra vez. Mas... não é tão fácil assim.

Para começar, o papel de herói nunca pegou bem comigo, ainda que, por incrível que pareça terminei meio que por transforma-me em um. Ao menos, por um curto periodo de tempo eu fui o herói de Hinazuki. Só que por desgraça, essa façanha já faz parte do passado.

Hinazuki conseguiu seguir em frente mesmo sem eu estando do seu lado. Essa foi a prova suficiente para eu saber que ela já não me necessitava, que a Hinazuki que uma vez conheci já não era a mesma de antes, e que a de agora era capaz de trilhar o seu próprio caminho com as suas frágeis mãos. E ainda que eu seja incapaz de admitir isso em voz alta, essa também foi...a minha primeira perda.

Sendo de igual forma também a primeira facada em meu herói interior. E a ferida, contra todos os prognósticos possíveis não deixou de sangrar, só se fez maior.

Depois veio a Airi, com o seu sorriso inocente e afã de heroína. Nesse sentido ambos éramos iguais, eu a salvando e ela também a mim. Mas por coisas do destino, tive de deixá-la partir.

Dessa vez doeu bem menos que como fez com a Hinazuki. Eu já me havia acostumado com a ponta afiada da faca, e a dor era mais suportável enquanto se misturava com a sangue tão vermelha que baixava.

Logo veio os amigos: Kenya, Jin, Sugita etc. Para cada um deles eu também fui o seu herói. E agora, a que restava era ela, minha mãe. A chama da esperança a punto de apagar,o ultimo alento do vingador depois de se vingar.

Então eu soube nesse exato momento, que o meu herói interior estava prestes a falecer. Por que o herói só deixa de ser herói quando já não resta nenhuma razão para viver...Quando já não resta a mais ninguém a quem salvar.

"Ela vai pegar um resfriado se ficar desse jeito." Foram as palavras necessárias para matar de vez ao herói que levo dentro, a última facada para fazer brotar o demônio em seu lugar. E eu o aceitei com um sorriso digno do mais cruel vilão em uma cantiga de ninar.

"Que o pecado tome lugar..." Uma voz cantarina soou em meu ouvido com alegría, talvez a voz de meus pecados ganhando vida em todo meu ser.

— Sim, que tome lugar. — Deixo escapar sem mais remordimentos. Já era hora de deixar o passado a um lado e voltar ao presente.

Ao final de contas, minha mãe não dormiría para sempre.


Com cuidado de não fazer muito ruído levanto o braço esquerdo até alcançar a ponta da camisa dela. Está tão levantada que quase chego ver a ponta de seus seios em contraste a uma pele muito branca, da cor das nuvens do céu.

Minha mão treme em desespero de tocá-la, e com a gema dos dedos eu faço o primeiro contato.

"Macio." Penso deslizando meus dedos até a sua barriga, esquecendo-me de baixar camisa por completo, o meu objetivo principal. De forma involuntaria, me encolho um pouco pra trás, o remordimento ainda latejava em minha cabeça. Não se havia ido por completo como pensei. "Mas eu quero tocá-la mais." Volto a chegar perto dela em contra de toda a minha cordura, e de forma inconsciente arrasto a palma de minha mão até a sua cintura.

Ela se move um pouco ao sentir meu toque, merda. Tinha que ser mais cuidadoso.

Com a mão direita acaricio uma de suas bochechas, e vejo embobado como o seu cabelo esconde quase todo o travesseiro.

"Tão indefesa...tão frágil, e tão linda diante de mim."

— ... E tão linda diante de mim.— Me escapa sem querer mas isso não parece despertá-la. Suspiro com alivio.

A minha mão esquerda volta a encostar nos seios dela, enquanto agarro a ponta da camisa e a subo um pouquinho mais para cima, com cuidado e delicadeza, com carinho para que ela não sinta. E dessa vez, vejo com claridade o que antes apenas podia enxergar. Dois montes tão brancos como a neve ao redor do Fuji, sendo o topo desse de uma cor rosada. Como se do monte caíssem flores de sakura desde o céu.

Eu não entendi muito bem esse novo sentimento que aflorava em todo meu ser. Se a minha alma já pertencia ao inferno, então porque sentia que alcançava o paraíso?

Será que o templo do corpo dela me livraria de meus pecados? Não, possivelmente teria o efeito contrário. Mas a curiosidade fez que eu desse mais um passo. O passo que me levaria ao precipicio.

Deixei de acariciar seu rosto e observar a sua linda face, já que ansiava tocar outra de suas muitas partes. Talvez os seus seios, para descubrir o aconchegantes que são, e provar com a língua que sabor terá. Assim que, com todo o cuidado mundo toco a coisa mais linda que ha muito tempo atrás me deu de amamentar. Muitos me diriam nojento, pervertido e sem vergonha, mas...Nunca antes algo se sentiu tão certo como o que eu estava fazendo agora.

Por que será? Por que eu a amo talvez.

Só agora me dou conta porque sai de casa, ou por que a deixei pra trás. Sempre houve algo mal em mim, ou ao menos foi isso que eu pensei durante toda a minha vida até esse exato momento. Eu já não a deixaria ir tão fácil assim, agora, ficaríamos juntos até o fim. Era uma promessa.

Então com destreza agarro seus seios com as minhas duas mãos, e vejo como ela abre os olhos espantada. "Linda" é tudo o que eu sou capaz de pensar.

— ¡E-EH!— Ela solta um pequeno chilique, sendo esse o momento ideal para beijá-la. Desperta, ela tinha que estar desperta quando isso ocorresse. Meus óculos caem para baixo mais isso não me detém. Aproveito a escuridão do quarto a meu favor, e com um pouco de dificuldade me imponho sobre ela. Nossos labios se chocam, mas eu não me importo um caralho. Com a língua eu alcanço o céu da boca dela e a sensação é fantástica. A experiencia é tão real que por um momento eu até fico embobado, chegando incluso a pensar por segundos, que só com beijá-la basta. Mas a quem eu quero enganar? Isso é apenas o começo, um degrau mais que me levará ao paraíso. O paraíso do seu corpo. Porém, quando penso que ela enfim caiu rendida ante mim, é um erro fatal.— ¡S-satoru! — ela grita logo de morder os meus labios em busca de ar para respirar. Dói muito, eu posso sentir os meus labios hinchando no mesmo instante, mas não me afasto dela. Se eu o fizesse, sabia que nós jamais seriamos os mesmos outra vez. — O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO?!

Só agora ela me pergunta isso? Só agora ela se preocupa?! É que acaso já não sabia desde o começo?!

É que acaso se fazia a cega aos meus sentimentos?

— Você sabe muito bem o que eu estou fazendo, mamãe.— Falo a ultima parte com deboche enquanto levanto a cabeça. — Somos parecidos, você já deveria sabê-lo. — Volto a abaixar a cabeça, e sem pensar muito bem começo a beijar o pescoço dela ao não escutar uma resposta vinda de sua parte. Ela está em estado de choque, é compreensível. Por isso mesmo com todo o carinho do mundo acaricio o cabelo dela enquanto deixo um beijo marcado a fogo na sua testa. É a unica forma de desculpá-me sem arrepender-me depois. — Seja minha só por essa vez. — Sussurro no seu ouvido com a voz exaltada.

"Tudo vai ficar bem no final, eu prometo..."

— Tudo vai ficar bem no final, eu prometo...

Então ela cede. Completamente, de corpo e alma. Todo o seu ser. Porque somos iguais, e amaremos iguais também. Porque ela confia em mim, e porque eu daria a minha vida por ela.

As roupas desaparecem de nosso corpo com tanta rapidez que incluso parece magia. A minha boca saboreia os seus seios uma, e outra, e outra vez.

Ela me faz sentir vivo, e também faz florescer o herói que habita dentro de mim por segunda vez. Nos beijá-mos com amor, desejo e fome. Fazemos as piores perversões, e gritamos tão alto até que toda Tókio nos escute. Ela cavalgou encima de mim, e eu provei o doce que havia entre as suas pernas.

Foi poesia o que fizemos, e poesia sempre será até que eu deixe de existir.

— Durma bem, mãe.— foi a ultima coisa que eu disse depois de acabar-mos os dois exaustos sobre o futon. Cansar-la foi tarefa fácil, já que desde o começo ela estava morta pelo trabalho.

Eu estou satisfeito com um sorriso besta no rosto mas, se houvesse algo para me arrepender mais adiante, seria o de não havê-la dito a palavra mágica. Ter dito que a amava. Ainda assim, foi melhor eu ter calado. Senão quem sabe? Talvez houvesse havido uma resposta.

"Uma razão para me fazer ficar." Concluí sorridente logo de olhar pro teto com seriedade, e deixar de abraçá-la.

Senti frio ao notar o corpo dela tão distante do meu. Mas as vezes é assim como deve ser. E também, o herói que levo dentro não me permitiria quebrar a promessa que eu fiz dessa vez. A promessa de que tudo terminaria bem ao final.

Digamos então que esse é...o meu ultimo presente para ela. Para Sachiko-san, a mulher que me deu a vida, e a unica quem reviveu o herói que habita dentro de mim.

Assim que ser um bom filho para ela é o minimo que eu posso fazer, certo? É claro que sim.

Amá-la é meu pecado...Só eu cargaria com esse peso.


Fecho os meus olhos com força e desejo voltar outra vez ao passado. A minha cabeça dói mas eu sigo adiante até tudo ficar preto. Vejo borroso por um tempo e apenas alcanço respirar, mas quando o faço, um cheiro hediondo a medicamentos impregna a todos os meus sentidos em seu lugar.

Quando abro os meus parpados, vejo branco e mais branco. A onde estou? Haverei voltado muito atrás? Me pergunto perdido sem saber como agir.

O borroso cada vez se tornava mais claro, e então comecei a fazer uma ideia de onde estava.

"Hospital."

— Hospital.— Falo tão baixo que a minha voz soua rouca, como se fizesse muito que eu não a utilizasse.

É um sentimento estranho o que eu sentia agora, como deveria chamá-lo?

"Aflição"

— Aflição. — Dessa vez a minha voz soo-a como se deve, e noto uma sombra que antes não estava do meu lado.

— Satoru, qual é o problema? — Escuto a voz bem pertinho de meu ouvido e um sorriso aflora em meu rosto.

Já havíamos tido essa mesma conversação antes. Bem ao começo.

Então eu ri. Sim, comecei a rir do nada, o que fez ela me olhar preocupada por um par de momentos antes de gargalhar bem junto comigo.

— Hey! Do qué você está rindo? — Ela bagunçou um pouco o meu cabelo a espera de uma resposta.

— De estar vivo! — Respondo em meio a sorrisos, já que eu não me via capaz dizer que em realidade desejava chorar por havê-la perdido.

Mas enquanto vejamos o mesmo céu, respiremos o mesmo ar, e vivamos os dois juntos no mesmo

tempo, o impossível será mais fácil de suportar.

— Vem Satoru, já é hora de levantar-se. — Ela diz depois de um tempo. Eu assento com a cabeça.

— E mãe...— A chamo de repente fazendo que olhe curiosa em minha direção.

— Sim?

— Te amo.— Falo com toda a tranquilidade do mundo olhando bem nos seus olhos. Só que, depois de um tempo começou a ficar o ambiente incomodo.

— Por qué você falou isso de repente?!— Ela pergunta olhando pros lados envergonhada, eu também estava vermelho.

— E-eu só queria que você soubesse! — Busco os óculos sobre a mesinha de ao lado como desculpa. Ela entende a indireta mais segue com o jogo.

— Eu também te amo. — chega perto de mim com a cadeira de rodas ao lado. Com rapidez abaixa a sua cabeça e pranta um beijo na minha testa.

— E-ei!— Falo tão envergonhado que até muda a minha voz.— Mãe!

— Hahaha, é brincadeira. — Ela diz baixinho subindo a parte de atrás da cama de hospital.

Nesse momento eu quis beijá-la, mas me detive. Talvez porque eu já soubesse que de alguma forma não poderia voltar ao passado, já que o meu poder desapareceu nesse mesmo dia. Ou talvez, porque quis ser fiel a promessa de ser o filho exemplar até o final. Do mesmo modo em que fiz a promessa de amá-la por toda a minha vida.

Merda, eu estou despedaçado* mas...ainda tenho uma vontade louca de sorrir.

"Então de repente, o mundo já não era um lugar tão ruim assim.

Ao invés de sangue eu saboreei água,

ao invés de armas eu vi flores,

e ao invés de odio eu senti amor.

O mundo se tornou um lugar melhor pra mim

por causa de você."

— Autor desconhecido


Notas finais da autora: Despedaçado* : Em inglês se diz Shattered, o nome da fanfic XD.

Bem, eu não acho que faça falta explicar mas, só por si acaso quero aclarar que o que passa a continuação é o mesmo que ocorrerá no final do mangá e do anime. Sim, tá certo, os finais diferem um pouco mas são iguais de foda. Em resume, só não expliquei com mais detalhe o "final" porque seria um copia e cola do mangá, ademais, como eu gostei dos dois finais (anime/manga) fiquei em duvida de qual por.

Digamos que, essa história ocorreu entre o final da série, e ponto final.

E por suposto, espero de todo coração que tenham tido uma boa leitura.

Bye bye...