Naruto não me pertence, nem a história!

Sentado ao balcão, Sasuke viu Hinata no instante em que ela entrou no bar, que somente agora começava a encher. Podia ter jantado em casa, ou no escritório… ou mesmo num dos hotéis da rede que acabara de adquirir, mas já atendera a dois telefonemas longos que preferia não ter recebido. Um do avô, o outro de Kurenai. Por isso, decidira ir a um lugar em que ninguém pudesse encontrá-lo, tomando o cuidado de desligar o celular.

Não estava de muito bom humor, pois não apreciava am bientes como aquele.

Preferia saborear as refeições em ambiente confortável, onde se podia conversar e pensar com tranquilidade, o traço grego nele optando por uma atmosfera familiar, em detri mento daqueles terrenos em que se "garimpava" companhia do sexo oposto.

Cerrou os dentes ao pensar no sexo oposto. Kurenai se mostrava cada dia mais desavergonhada nas tentativas de convencê-lo a desposá-la. Tinha quinze anos ao constatar o quanto a prima podia ser agressiva na sedução, isso aos vinte e dois anos e de casamento marcado com outro!

Franziu o cenho ao ver Hinata junto à porta, estudando o ambiente, como se procurasse alguém. Quando ela voltou o rosto, a luz incidiu em seus lábios muito vermelhos.

Sasuke prendeu a respiração, lutando contra a reação involuntária. Onde estava com a cabeça? Era tão evidente a intenção da mulher, com aquele excesso de carmim, que devia causar riso, não… desejo nem luxúria.

Sentiu-se desgosto consigo mesmo. Reconhecia a moça, claro. Era a funcionária que vira à tarde no saguão do hotel, de quem a recepcionista se despedira comentando que en cerrava o expediente mais cedo. A diferença era que, naquele momento, ela usava um mínimo de maquiagem, enquanto que agora… Reparou de novo nos lábios em cor viva, nos olhos maquiados. Ela usava saia curta… bem curta, obser vou. Acompanhou o movimento das longas pernas em meias de seda negra. Que saia curta!

Hinata incomodava-se com o cós da saia enrolado várias vezes na cintura. Assim que encontrasse Lee, iria ao toalete para devolver a saia ao comprimento normal. Fora Anko quem insistira em deixá-la tão curta. Bem que protestara:

— Não posso sair assim!

— Não seja ridícula — desdenhara Anko. — Isso não é nada. Nunca viu fotos dos anos sessenta?

— Era moda na época — ponderara Hinata, ainda relu tante, mas Anko insistira e acabara se resignando. Assim que ficasse por conta própria, colocaria a saia do jeito que quisesse. A blusinha meio aberta também incomodava, tanto que, inconscientemente, manuseava o primeiro dos botões soltos.

Sasuke estreitou o olhar, crítico. Céus, mas ela era tão óbvia, chamando a atenção aos seios daquele jeito… E que seios! Percebeu que cerrava os dentes e, pior, que era in capaz de desviar o olhar da bela figura de Hinata…

Sentindo-se observada, Hinata voltou-se e congelou ao ver Sasuke.

Por um segundo, ficou totalmente confusa, tal o efeito da masculinidade do homem. Sentiu o coração disparar, a boca seca, o corpo… Transtornada, lutou contra as sensações que experimentava… as quais não devia sentir. Pois aquele era o Lee de Tenten… tinha de ser. Não devia sentir aquela atração, advertiu a si mesma, em pânico. Não por aquele homem, o noivo de sua melhor amiga!

Nenhum outro naquele bar sequer se aproximava da des crição que Tenten lhe dera. Mesmo assim, repassou mentalmente as características: bonito, maravilhoso, lindo, ele gante, sexy… Oh, estaria usando uma camisa azul, para combinar com os olhos. Bem, não era possível determinar a cor dos olhos dele sob a iluminação fraca e daquela dis tância, mas Tenten não exagerara. Então, aquele era Lee! Não era de admirar ela estar preocupada e ansiosa com a possibilidade de ele ser infiel… Um homem bonito assim devia ter pencas de mulheres à disposição.

Engraçado, mas Tenten não mencionara a característica mais marcante do noivo, que não era a bela aparência, mas o profundo ar de autoridade, que beirava a arrogância. Era o que a mantinha paralisada, mais a indisfarçada desapro vação nos olhos dele.

Aquele olhar… Como ele se atrevia a julgá-la daquela maneira? De repente, sentiu desaparecerem todas as dúvi das quanto a lançar mão do ardil para ajudar a melhor amiga.

Anko tinha razão em desconfiar das motivações da quele homem, principalmente tratando-se de uma moça ingênua, gentil e inexperiente como Tenten. Ele não inspirava um pingo de confiança. Tenten precisava de alguém que apreciasse sua gentileza e a tratasse de acordo. Já aquele homem no bar exalava falta de escrúpulo, frieza, e por isso mesmo atraía, impunha uma compulsão física. Não conse guia deixar de olhá-lo, mas só porque antipatizava com ele, assegurou a si mesma.

Controlando o frio no estômago, Hinata respirou fundo e recordou as dicas de sedução que lera na reportagem que Anko lhe mostrara. Ficara horrorizada ao saber dos ex tremos a que as agentes chegavam para seduzir e levar a presa a se trair. Era praticamente impossível um homem de verdade resistir à tentação que uma daquelas moças determinadas representava, a começar por jogos de pala vras, terminando em oferta explícita de sexo… com o detalhe de que não passavam de oferta.

Um homem como aquele, entretanto, devia estar acostu mado a mulheres… mulheres bonitas… atirando-se a seus pés.

— Ele saiu com tantas garotas antes de me conhecer — comentara Tenten, Inocente.

Hinata não duvidava disso, agora. Tenten era bonita, mas não possuía o tipo de glamour instantâneo que um homem como aquele devia apreciar. Se bem que essa podia ser a razão de ele a escolher para esposa: o fato de ela ser tímida e caseira. Desde que a amasse… Bem, cabia-lhe provar… ou reprovar…

Com um brilho de guerra no olhar, foi ao encontro do homem.

Sasuke observou a aproximação com um misto de cu riosidade e desapontamento. Ela ia abordá-lo. Ignorava os olhares dos outros homens, numa atitude tão premeditada quanto a deixar abertos alguns botões da blusa. Ah, ele conhecia bem o tipo. Fora escolado pela prima Kurenai…

— Oh, desculpe-me! — exclamou Hinata, ao tropeçar "aci dentalmente" e cair em cima de Sasuke. Endireitou-se rá pido, porém permaneceu próxima.

Ele logo sentiu seu cheiro… não o perfume, que era leve e floral, mas seu cheiro natural… suave, adocicado, sensual. Como um idiota, sorveu a essência, inebriando-se… permi tindo que o corpo reagisse a ela.

Instruída por Anko quanto à aproximação, Hinata re cordou cada etapa.

Sasuke recuou um passo, aumentando a distância entre eles, mas o bar estava cheio e foi impossível se afastar mais. Como a mulher continuava insinuante, questionou:

— Perdão, mas… eu a conheço?

Com a voz fria e a expressão desgostosa, ele deixava claro que entendia e desaprovava as intenções dela, embora não entendesse por que uma beldade como aquela precisava entrar num bar atrás de homens. Ou melhor, desconfiava do motivo, mas preferia não analisar muito a questão. Exis tiam mulheres capazes de qualquer coisa por dinheiro… qual quer coisa… com qualquer um…

Mas ela continuava fitando-o detidamente, o sorriso nos lábios carregados de batom parecendo forçado ao responder:

— Não, na verdade, não me conhece… mas espero que conheça logo.

Hinata agradeceu em silêncio pela iluminação fraca do bar. Sentia o rosto queimando. Nunca na vida, nem nos pensamentos mais recônditos, contemplara abordar um ho mem daquela maneira, quanto mais partir para a ação! Rapidamente, avançou para a segunda parte de seu texto preparado. Entreabriu os lábios, de forma provocativa, e passou a ponta da língua entre eles.

Argh! Aquele batom todo era repulsivo!

— Não vai me oferecer um drinque? — instigou, sensual, batendo os cílios de forma provocante. — Adoro a cor da sua camisa — acrescentou rouca, achegando-se. — Combina com os seus olhos…

— Se pensa assim, deve ser daltônica. Meus olhos são negros — rebateu Sasuke, irritado.

A atitude explícita da mulher lhe causava asco. Mas não tanto quanto sua própria reação a ela. Afinal, não era mais nenhum adolescente. Era um homem… um homem maduro, sofisticado, experiente, vivido… porém, reagia àqueles tru ques sexuais patéticos como se… Como se o quê? Como se não houvesse nada que quisesse mais do que levá-la para a cama e sentir a urgência do corpo dela junto ao seu, ouvir seu grito sob o açoite de beijos apaixonados…

— Ouça — declarou, áspero, interrompendo as reações do corpo valendo-se só da força de vontade. — Está come tendo um engano…

— Não estou, não — protestou Hinata, aflita ao vê-lo dar as costas. Devia estar feliz ante a recusa dele, correr para Tenten informando que seu amado Lee era um noivo fiel. Contudo, o instinto lhe dizia que ele estava tentado. Qual quer homem ficaria tentado, ponderou. Tinha de insistir para comprovar.

— Você nunca seria um engano — .ronronou, sugestiva. — Nenhuma mulher cometeria tal equívoco…

Sasuke temeu estar enlouquecendo. Até pensar em de sejar uma mulher que se oferecia abertamente constituía anátema a tudo em que ele acreditava. Como podia se sentir, mesmo que remotamente, atraído por ela? E quanto ao desejo repentino de leva-la para casa, onde fi caria a salvo do tipo de atenção que tanta maquiagem e as roupas insinuantes atraíam?

Se havia algo que desprezava era a vulgaridade. Não que toda mulher devesse permanecer donzela até o casa mento, nada disso! Simplesmente, pensava que as mulheres deviam ter orgulho de si, esperar que os homens respeitas sem seu direito de ser o que eram. Nenhuma devia se sub meter ao papel de boneca sexual, abominando qualquer ho mem que quisesse lhe impor isso. E aquela na sua frente agora…

— Desculpe-me, mas está perdendo o seu tempo — afir mou Sasuke. — E acredito que tempo seja dinheiro para uma mulher como você. Por que não procura outro… mais receptivo ao que você tem a oferecer?

Hinata o observou deixar o estabelecimento. Ele a rejei tara… a refutara. Incrível! Lee provara que era fiel a Tenten. Mas fora horrível suportar o olhar de desprezo dele, crente em que era uma… uma… Enojada, passou as costas da mão nos lábios carregados de batom e viu a mancha vermelha na pele.

— Ei, poderosa, posso lhe pagar um drinque?

Hinata fez que não, ignorou o olhar azedo que o homem lhe lançou e olhou para a porta de saída. Nem sinal do noivo de Tenten. Ele se fora. Devia estar feliz. Claro que estava! Como podia não estar? Adoraria contar a Tenten e Anko que Lee não sucumbira a seu ataque.

Consultou o relógio de pulso, o coração disparado. Ainda tinha uma hora antes de Anko passar para pegá-la. Não podia continuar sozinha ali no bar, chamando a atenção. Refugiou-se no toalet feminino. Tinha com que matar o tempo.

Na área de descanso, abotoou a blusinha, removeu o ba tom e o delineador dos olhos e refez a maquiagem em tons bem mais modestos. Também prendeu os cabelos num coque sofisticado. Permaneceu no toalete até dar a hora de sair.

Ao abrir caminho em meio à multidão no bar, ainda chamava a atenção dos homens, apesar do visual bem mais discreto.

Para seu alívio, Anko já a aguardava em frente ao estabelecimento.

— E então? — indagou ela, ansiosa, assim que Hinata entrou no carro.

— Nada — informou Hinata, satisfeita. — Ele me recusou.

— Co… como?

— Anko, cuidado! — alertou Hinata, quando a prima de Tenten quase colidiu com o veículo à frente.

— Você não deve ter feito direito — concluiu Anko, inconformada.

— Garanto que fiz tudo conforme o manual.

— Ele mencionou Tenten… disse que era comprometido?

— Não! — Hinata meneou a cabeça. — Mas deixou claro que não estava interessado. Olhou para mim… — Deteve-se e engoliu em seco, incapaz de descrever o desprezo com que o noivo de Tenten a olhara. — Onde está Tenten?

— Foi chamada para cobrir um turno. Telefonou e disse que sairia do trabalho e nos encontraria em casa.

Hinata suspirou, cansada. Devia estar mais feliz do que se sentia, mas desconfiava de que Tenten seria a única, das três, que ficaria realmente satisfeita em saber que Lee não se deixara seduzir.

Seu Lee. Ou melhor, o Lee de Tenten. Sentiu um gosto amargo na boca, o coração parecendo um pedaço de chumbo no peito.

Qual era o problema? Não estava com ciúme de Tenten, estava? Não! Não podia estar… não devia estar!

— Tem certeza de que tentou com afinco? — insistia Anko.

— Segui o roteiro à risca — declarou Hinata. — Ele não se interessou por mim, Anko. Deve mesmo estar apai xonado por Tenten.

— Só pode estar, para preferir ela a você — admitiu Anko, inconformada. — Minha prima é um doce, e eu a amo, mas não há como… É possível que ele tenha adivi nhado o que você estava fazendo? Que soubesse…

— Não, não creio. — Esgotada, Hinata só queria ficar sozinha, mas devia a Tenten a confirmação de que podia confiar em Lee.

Anko estacionou diante da casa de Tenten. Hinata mal sentia os próprios pés ao atravessar o jardim. Tenten e Lee… Até os nomes soavam bem juntos, evocando domesticidade… conforto conjugal. No entanto, seja conhecera um homem nada doméstico ou simpático era o noivo de Tenten. Havia um ar de masculinidade latente nele, uma aura de poder e sexualidade, insinuando que uma mulher em seus braços poderia… atingir o cume dos prazeres, a ponto de se transformar como pessoa.

Mas em que estava pensando? Lee pertencia a Tenten… sua melhor amiga, a amiga a quem devia a vida e a saúde de sua avó!

Tenten vira que haviam chegado e abriu a porta antes que batessem. Seu rosto era um sorriso só.

— Foi tudo bem — informou Hinata. — Lee não…

— Eu sei… eu sei… — Tenten as apressou para dentro. — Ele me procurou no trabalho e explicou tudo. Oh, como fui idiota… Não sei de onde tirei a idéia de que ele me traía! Vamos viajar! Era esse o motivo dos telefonemas. Era com a agente de viagens que ele falava ao telefone, e, como queria fazer surpresa, ficava se esquivando quando eu estava por perto. Oh, Hinata, não acredito! Sempre quis conhecer o Caribe, e Lee comprou um pacote para dois, para uma semana maravilhosa! Oh, lamento que tenha des perdiçado seu tempo. Tentei ligar, mas você já tinha saído. Imaginei que fossem chegar mais cedo. Afinal, quando per cebeu que Lee não estava no bar… — Só então reparou nas expressões de Hinata e Anko. — O que foi?

Anko encarou Hinata.

— Não disse que falou com Lee?

— Falei… Ele era exatamente como o descreveu, Tenten. Tenten meneou a cabeça negativamente.

— Lee não podia estar lá, Hinata. Estava comigo, na Santa Casa. Chegou depois das oito e a irmã me deu uma folga para podermos conversar. Ele sabia o quanto eu estava preocupada e concluiu que devia ter me contado o que estava planejando. Disse que não conseguiria guardar o segredo por mais tempo, de qualquer forma… — recordou, encan tada. Olhou para a prima. — E, antes que diga algo… Lee está pagando tudo.

Hinata deixou os ombros caírem. Se o homem que abor dara no bar não era o noivo de Tenten, de quem se tratava? Empalideceu. Assediara um estranho… um homem que… Engoliu em seco, lembrando-se da produção visual, do com portamento… do que dissera a ele. Felizmente, era um es tranho. Felizmente, nunca mais se veriam.

Tenten roçou a mão em seu rosto.

— Hinata, você não parece bem. O que foi?

— Nada…

Mas Anko já deduzira seus pensamentos:

— Bem, se o homem no bar de executivos não era Lee, quem seria?

— Quem? — repetiu Hinata.

Mais um, porém com gostinho quente, haha

Espero que gostem desta história maravilhosa! Beijos!