Naruto não me pertence, nem a historia!
O primeiro detalhe a impressionar Hinata no luxuoso apartamento de Sasuke não foram as caríssimas telas de arte moderna nas paredes do vestí bulo, mas sim o cheiro… de um perfume almiscarado, in tenso, que bloqueava as vias respiratórias.
Sasuke o sentiu, também, e ergueu a cabeça, farejando como uma pantera caçadora.
— Raios… raios — praguejou, baixinho, e então abriu a porta que dava para a sala de estar com janelas amplas.
Hinata espantou-se quando ele a segurou com força pelos braços e sussurrou junto a seus lábios, o olhar obscurecido orientando a não objetar:
— Enfim, sós! Como você me provocou hoje, meu amor, mas agora que a tenho só para mim, sei exatamente que castigo lhe dar…
Confusa com o tom suave e as palavras sensuais, Hinata cambaleou contra ele, sentindo o choque dominar seu corpo como uma onda. Então, ele a beijou, silenciando seu pro testo… provocando, seduzindo… com uma habilidade que aplacou suas defesas tão efetivamente quanto uma bomba atômica.
Febril, Hinata sussurrou o nome dele, tentando em vão detê-lo para exigir uma explicação. Mas os lábios, a boca, os sentidos, desacostumados a tal estímulo sensual, reba tiam qualquer comando mental. O choque foi absorvido pelo calor do prazer do beijo passional de Sasuke. Com os lábios intumescidos e trêmulos, ela correspondia desinibida.
Alheia ao que fazia, Hinata moldou o corpo ao de Sasuke, pondo-se na ponta dos pés para aproveitar melhor o prazer delicioso daquele beijo. Sentiu os músculos dos ombros dele se enrijecendo, ao mesmo tempo em que seu próprio coração t disparava em meio à sensação.
Mais do que o perfume almiscarado que impregnava o apartamento, Hinata sentia o cheiro de Sasuke. Seu calor… sua paixão… sua masculinidade… Surpreendentemente, algo nela, algo que nem sabia existir, respondia ao estímulo, assim como ela correspondia ao beijo… como respondia a ele, entregando-se aos braços musculosos com ansiedade, desejando seus corpos mais unidos… desejando descansar contra a força viril.
Zonza de prazer, Hinata abriu os olhos e estremeceu ao ver faíscas de sensualidade nos de Sasuke. Era como pairar acima da terra, num espaço intermediário, onde ainda se sentia perigo, mas em que havia certeza de salvação.
— Você ama como uma Inocente… uma virgem… — co mentou Sasuke, rouco, o olhar cintilante em aprovação.
Com o coração disparado, Hinata sentia um desejo estra nho e intenso de contato físico, de sentir as mãos de Sasuke deslizando sobre sua pele até encontrar o local onde a ânsia se concentrava. Por algum motivo, apenas imaginar que ele a acariciava naquele ponto fazia aumentar a ansiedade. Pre sa daquele latejar íntimo, selvagem e primitivo, deixou es capar um gemido e cambaleou de encontro ao corpo másculo.
— Você gosta disso… Você me quer…
Hinata identificava a urgência no tom, sentia a ereção da masculinidade junto ao ventre. Ávida, pressionou-se con tra ele.
— Sasuke? — chamou uma voz feminina, fria e auto ritária. — Não vai me apresentar?
Ao perceber que havia platéia para o que fazia, Hinata se envergonhou. Tentou se desvencilhar e aplacar a con fusão mental, mas Sasuke a segurava no lugar… puxan do-a novamente contra si, fazendo-a se apoiar nele como se… como se…
Hinata estremeceu ao sentir a perna dele entre as coxas e enrubesceu ao entender a conotação sexual da pose. Mas a mulher que os observava não parecia minimamente abalada.
Tratava-se de uma morena alta, vestida impecavelmente, mas, apesar da pele viçosa e das cores berrantes nos lábios e unhas, sentia-se sua frieza inata.
— Kurenai, como entrou aqui? — questionou Sasuke, parecendo surpreso.
— Eu tenho uma chave, esqueceu?
Ela lançou um olhar a Sasuke, excluindo Hinata completamente da conversa e da visão. Hinata pensou na ima gem que concebera antes, de uma viúva arrasada com a perda do marido e agora forçada a se casar novamente.
Ninguém nunca forçaria aquela mulher a nada… E quan to a estar arrasada… Via-se apenas um sentimento naqueles olhos vermelhos e não tinha nada a ver com dor.
Hinata mal disfarçou a repulsa ao reconhecer o olhar de desejo carnal que Kurenai lançava a Sasuke. Jamais vira uma mulher olhar para um homem de forma tão aberta mente predatória.
Então, compreendeu por que Sasuke precisava de uma noiva falsa para se precaver, embora não entendesse como ele podia resistir ao ataque da mulher fatal.
Kurenai era muito bonita, e obviamente queria Sasuke. Com certeza, resumia a maior fantasia dos homens: uma mulher cujo apetite sexual por eles nunca se saciava.
Agora, ficava claro que Sasuke a beijara apenas porque adivinhara que Kurenai estava no apartamento. Com a mu lher tão próxima, entendia como ele descobrira. O perfume dela era tão inconfundível quanto desagradável.
— Não vai dizer o quanto está satisfeito em me ver? — Kurenai fez beicinho ao se achegar. — Seu avô está muito preocupado com essa história de noivado. Sabe o que ele tinha em mente… — acrescentou, insinuante, antes de fi nalmente reconhecer a presença de Hinata. — Oh, perdão, não quis magoar os seus sentimentos, mas Sasuke já deve ter avisado que será difícil para a família aceitá-la… prin cipalmente para o avô.
— Kurenai — alertou Sasuke, e Hinata imaginou como estaria se sentindo se estivessem noivos de verdade.
— Mas é a verdade — prosseguiu Kurenai, destemida, e deu de ombros, o movimento chamando a atenção aos seios fartos.
Hinata percebeu que ela não usava nada por baixo da camisa de algodão fino o olhar dos mamilos rígidos de Kurenai e não ousou fitar Sasuke. Com certeza, nenhum homem resistiria a uma tentação tão sensual. Também tinha seios bonitos e firmes, porém os mamilos não tinham o vo lume dos de Kurenai e, mesmo que tivessem, sabia que ficaria constrangida em exibi-los.
Mas talvez Kurenai se exibisse só para Sasuke… suge rindo que já haviam tido algum relacionamento. Afinal, o fato de ela ter a chave do apartamento parecia deixar claro que havia uma intimidade entre os dois.
Como que confirmando seus pensamentos, Kurenai ache gou-se e pousou a mão bem-tratada no rosto de Sasuke, separando-os.
— Não vai me dar um beijo? Ou sua noiva não entende que, na Grécia, os relacionamentos de família… a lealdade familiar… são muito, muito importantes.
— Hinata entende que eu a amo e que quero me casar com ela — replicou Sasuke, sucinto. Recuou um passo, levando Hinata junto. Segurando-a contra si, fez com que apoiasse a cabeça em seu ombro. Hinata lembrou-se do mo tivo para ele estar fazendo aquilo e qual era seu papel.
— Que amor! — comentou Kurenai, desdenhosa. Com um olhar frio para Hinata, voltou-se para Sasuke. — Detesto lançar uma sombra na sua felicidade, Sasuke, mas seu avô não está nada contente com você. Parece que está preo cupado com sua maneira de conduzir a incorporação. Claro, entendo como deve ser importante para você estabelecer a sua marca nos negócios, firmar-se, mas foi imprudência ad quirir essa rede de hotéis inglesa, bem como a decisão de manter toda a equipe de colaboradores.
Ela continuou, irônica:
— Nunca será rentável assim. Saiba que tive a oportunidade de analisar o balanço financeiro da rede e estou contente em não ter entrado no negócio, embora até possa perder um milhão ou algo assim. Pena não ter aceitado administrar a companhia marítima para mim, Sasuke. Isso lhe daria mais oportunidades do que trabalhar como men sageiro do seu avô.
Hinata ficou tensa ante o insulto, mas, para seu espanto, Sasuke permaneceu impassível. Quando ela fazia alguma observação, Sasuke reagia com toda a ira.
— Kurenai, foi meu avô quem tomou a decisão de comprar a rede britânica, e eu apenas endossei. Quanto à rentabi lidade futura… meus relatórios indicam que há um excelente mercado para hotéis de luxo na Grã-Bretanha, principal mente quando oferecem atividades de lazer de primeira clas se e um bom chef no restaurante. Vou garantir que haja tudo isso na nossa rede.
Impassível, ele continuou:
— E, quanto ao risco de mantermos a equipe existente… Hinata é contadora, e tenho certeza de que poderá lhe ex plicar… como deve saber, sendo uma empresária… que, a longo prazo, custa mais dispensar os funcionários do que mantê-los empregados. Dispensas normais e aposentadorias reduzirão os quadros dramaticamente nos próximos anos, e aqueles que quiserem continuar terão a oportunidade de se transferir e receber treinamento. Os clubes de lazer que serão instalados em cada unidade deverão absorver todo o excedente de pessoal.
E completou:
— Hinata e eu partiremos para Atenas amanhã. Tivemos um dia ocupado hoje e, se nos dá licença, esta noite será muito especial para nós. — Sentindo que Hinata se enrijecia, Sasuke apertou seu braço, alertando-a, enquanto reforçava: — Uma noite muito especial. O que me lembra… — Procurou no bolso do paletó uma caixinha de veludo. — Escolhi este anel. Espero que sirva. — Antes que Hinata se recuperasse da visão do solitário enorme, guardou a caixinha ao bolso e sussurrou-lhe: — Logo saberemos…
Na sala de estar, além do vestíbulo, o telefone começou a tocar. Sasuke foi atender. Hinata ficou sozinha com Kurenai.
— Isso não vai durar — sibilou Kurenai, maldosa, en quanto passava por Hinata em direção à porta. — Ele não se casará com você. Estamos destinados a ficar juntos. Sasuke sabe disso. Só o orgulho o faz lutar contra o destino. Você bem poderia desistir dele agora, porque garanto que eu nunca vou desistir.
Ela falava a sério, percebeu Hinata, e pela primeira vez solidarizou-se com Sasuke. Solidariedade por um homem que a tratava daquele jeito? Por um homem que a inter pretara mal? Só podia estar louca!
Apreensiva, Hinata observou as malas novas, com suas roupas novas, serem carregadas na esteira, enquanto a fun cionária da companhia aérea verificava os passaportes. Ago ra ostentando o anel de noivado, recordou o momento em que Sasuke o colocara em seu dedo, na noite anterior.
— Este diamante até parece verdadeiro — comentara ela, mal disfarçando a infelicidade por ter de usar um so litário que não lhe fora dado por seu noivo de verdade, um homem com quem ficaria para sempre.
— Você acha? — retrucara Sasuke, divertido. — Eu nem desconfiaria…
Alertada pelo tom de voz, Hinata examinara de novo a jóia.
— Quer dizer que é verdadeiro? Sasuke dera um meio-sorriso em resposta.
Hinata engolira em seco, incapaz de desviar o olhar do solitário brilhante. Então, protestara, pois não queria a res ponsabilidade de usar um objeto tão caro.
— Kurenai reconheceria um diamante falso imediatamen te — explicara ele, justificando a extravagância.
— Se ela pode reconhecer um diamante falso com tanta facilidade… então com certeza reconhecerá uma noiva falsa!
— Kurenai lida com fatos concretos, não com emoções. Fatos concretos, refletia Hinata agora, percorrendo o túnel de embarque ao lado de Sasuke. De fato, fora concreto o beijo que ele lhe dera na noite anterior, sabendo que Kurenai assistia à cena. Ele adivinhara a presenç prima por seu perfume, o que deixou claro ao acionar o ar-condicionado e alfinetar:
— Precisamos de ar fresco aqui…
Sasuke saíra em seguida, como avisara, e Hinata foi dormir sozinha, após consumir a refeição que ele mandara entregar.
— Quanto tempo até a ilha? — indagou Hinata, quando entraram no avião.
— Nessa época, levará mais tempo do que o normal — respondeu Sasuke, enquanto a comissária mostrava-lhes seus lugares… na primeira classe, notou Hinata, impressio nada. Nunca voara na primeira classe antes, aliás, nunca fizera nada que a preparasse para se sentir à vontade na estratosfera rarefeita de riqueza que Sasuke e a família habitavam.
— Quando chegarmos a Atenas, terei de deixá-la sozinha por algumas horas para tratar de alguns assuntos antes de prosseguirmos a viagem. Meu avô ligou ontem à noite. Quer me ver.
— Mas ele não está na ilha?
— Não. Seu problema coronário exige que se submeta a exames regulares… por cautela, felizmente… e ele ficará em Atenas por mais um ou dois dias.
— Kurenai disse que não acredita que nosso relaciona mento dure. Afirma que vocês dois são destinados um ao outro.
— Ela só quer intimidar você — tranquilizou Sasuke. Sem saber por quê, Hinata sentiu-se novamente solidária e opinou:
— Mas, se explicasse a seu avô como se sente, ele en tenderia e aceitaria que você não pode se casar com uma mulher que não… bem, com quem não quer se casar…
— Meu avô é tão teimoso quanto uma mula. Também é mais vulnerável do que pensa… do que qualquer um de nós quer que ele pense. O coração… — Ele suspirou. — No momento está estável, mas é importante que ele… e nós… mantenhamos o estresse num nível baixo. Se eu disser que não quero me casar com Kurenai sem apresentar você como substituta, ele ficará imediatamente estressado. Não se tra ta apenas de reunir fortunas, meu avô também valoriza demais descendentes do sexo masculino.
— Minha irmã mais velha já tem duas filhas, e Kurenai também tem duas. Meu avô está desesperado para que eu, seu descendente direto, produza a próxima geração… um bisneto.
— Mas, mesmo que se case com Kurenai, nada garante que terão filhos do sexo masculino — observou Hinata. — Por que está rindo? — indagou, constrangida, ao ver as ruguinhas no canto dos olhos dele.
— Hinata, para uma mulher com a sua experiência, você às vezes parece muito, muito ingênua. Nunca diga a um homem, principalmente se ele for grego, que ele pode não ter um filho!
Quando o avião começou a ganhar velocidade para deco lar, Hinata se agarrou aos braços da poltrona, tensa. Então, sentiu a mão de Sasuke sobre a sua.
— Tem medo de voar? — questionou ele, divertido. — Não devia. É a forma mais segura de transporte.
— Eu sei — respondeu Hinata, irritada. — É só… bem, é que voar parece tão… tão pouco natural, e se…
— Se o homem devesse voar, teria asas — completou Sasuke. — Bem, Ícaro até arranjou um par.
— Sempre achei essa história triste. — Hinata estreme ceu. — Principalmente por causa de seu pobre pai.
— É — concordou Sasuke. — Devo concluir que é uma estudiosa de mitologia grega?
— Bem, não uma estudiosa. Mas minha avó costumava ler histórias de um livro de mitologia quando eu era pequena, e sempre achei tudo fascinante… ficava muito emocionada.
De repente, Hinata deu-se conta de dois fatos. O primeiro era de que já cortavam os ares. O segundo era que… para seu próprio espanto… gostava de ter a mão de Sasuke sobre a sua. Enrubesceu e eliminou o contato quando a comissária ofereceu-lhes champanhe.
— Champanhe! — Hinata arregalou os olhos ao tomar um gole da taça que Sasuke lhe passou. Quase engasgou ao sentir as bolhas deliciosas explodirem em sua boca.
Logo se sentiu relaxada sob efeito do álcool. Quando o comandante anunciou, pelo alto-falante, que já iam pousar, surpreendeu-se com a rapidez do vôo… e como apreciara a conversa com Sasuke. Descobrira que era fácil apertar a mão dele, sentindo-se segura enquanto o avião tocava na pista e o comandante aplicava o reverso para desacelerar.
Após o desembarque, enquanto recuperavam a bagagem junto à esteira em forma de carrossel, Sasuke lhe apre sentou opções:
— O chofer poderá levá-la direto ao apartamento de mi nha família em Atenas, onde poderá descansar enquanto me encontro com meu avô, ou, se estiver disposta, dar um giro pelos pontos turísticos da cidade.
Hinata o admirou na calça comum de cor clara e camisa de algodão branco de mangas curtas. Por algum motivo indefinível, a visão dos músculos trabalhando lhe provocava uma reação estranha, muito feminina. Interceptou o flerte que uma passageira lançou a ele e sentiu vontade de tomar satisfações, possessiva.
Onde estava com a cabeça? Devia ser o champanhe… ou o calor… ou ambos! Sim, era a única explicação lógica para aquele comportamento inusitado. Afinal, não tinha por que se sentir possessiva em relação a Sasuke. Na manhã an terior, ainda o odiava… detestava… Na verdade, detestava representar o papel de sua noiva… mas era obrigada, claro. Só que…
Bem, após conhecer Kurenai, era natural solidarizar-se com Sasuke. Além disso, ficara fascinada com as histórias que ele lhe contara durante o vôo… histórias que ele ouvira de membros mais velhos da família, uma miscelânea ma ravilhosa de mito e folclore. E foi ótimo não ter de lidar com a bagagem. Normalmente, viajava com amigas ou a avó e tinha de carregar as próprias malas…
— Hinata?
Percebeu, constrangida, que Sasuke aguardava uma res posta sua.
— Claro que eu, gostaria de conhecer a cidade! — deci diu-se, finalmente.
— Bem, não terá muito tempo — alertou Sasuke. — O piloto já preencheu o plano de vôo.
Hinata já sabia que iriam para a ilha da família Uchiha no jatinho particular do avô de Sasuke. Impressionou-se ainda mais quando ele a informou de que era qualificado para pilotar aviões.
— Infelizmente, tive de desistir — esclareceu ele. — Não disponho mais de tempo para praticar e, além disso, a se guradora não estava querendo cobrir o risco. — Tocou-a no ombro indicando a direção a seguir. — Por aqui.
De soslaio, Hinata captou o reflexo dos dois num pilar espelhado e ficou tensa. Por que se mantinha tão próxima de Sasuke? Como se… Como se gostasse de bancar a mulher frágil para seu macho forte.
Imediatamente, afastou-se e endireitou os ombros.
— Kurenai adoraria ver você se afastando de mim assim
— repreendeu Sasuke. — Estamos supostamente apaixo nados, Hinata… lembra-se?
— Mas Kurenai não está aqui.
— Não, felizmente — concordou ele. — Mas não sabemos quem pode estar nos observando. Somos um casal… muito apaixonado… recém-noivos… e você está indo para minha casa conhecer a minha família. Não acha natural que…
— Que eu deva me sentir nervosa e intimidada… preo cupada com a perspectiva de eles me acharem, ou não, boa o bastante para você? — completou Hinata, zangada. — O que eu devia fazer? Agarrar-me desesperadamente a você… com medo da rejeição deles… com medo de perder você… só porque…
Calou-se sob a mira do olhar sombrio.
— Não acha natural que eu procure manter você junto de mim e que você, igualmente, queira a mesma intimidade? — questionou Sasuke. — Que, como amantes, sintamos o desejo de permanecer em contato físico? Além disso, como você mesma observou, aos trinta e oito anos já estou velho demais para precisar da aprovação de alguém sobre o que fazer ou quem amar.
— Mas você não… — Hinata deteve-se antes de completar a sentença. Sasuke não precisava que ela dissesse que ele não a amava.
— Eu não o quê? — desafiou ele, mas ela meneou a cabeça, recusando-se a responder.
— Então, quer ver a Acrópole primeiro? — indagou Sasuke, antes de saltar da limusine.
— Pode ser — murmurou Hinata, desanimada.
— Spiros tem instruções de levá-la de volta ao aeroporto a tempo de pegar nosso vôo. Ele lhe mostrará a cidade. Desculpe-me por ter de abandoná-la.
Hinata viu se destacar como nunca a herança cultural mestiça de Sasuke. Na Grécia, ele se sentia em casa, mas ao mesmo tempo se destacava dos demais gregos, pois era alto e exibia uma tez mais clara, embora bronzeada, e seus olhos sempre denunciariam o sangue grego…
Hinata suspirou emotiva quando finalmente deu as costas à Acrópole e voltou para a limusine. Convencera o chofer de que ficaria bem sozinha, mas, só após muita resistência, aproveitara a solidão sob a aura de encantamento da cons trução milenar.
Mas, era hora de partir. A limusine aguardava no local combinado, mas nem sinal do motorista.
Havia um homem perto do veículo, entretanto, de cabelos brancos e muito idoso. Hinata franziu o cenho ao perceber que ele não parecia bem, com a mão junto ao peito, como se sentisse dor. Apertou o passo rumo ao veículo, após olhar para os dois lados na rua e não ver ninguém que pudesse ajudar.
— O senhor está bem?—indagou, preocupada, achegando-se.
— Não é nada… o calor… uma dorzinha. Acho que ca minhei mais do que devia…
Hinata não sabia o que fazer. Fazia muito calor, de fato. Não poderia deixar aquele senhor ali, sozinho. Mas nem sinal do motorista, e não havia mais ninguém a quem pedir ajuda.
— Está mesmo muito quente — concordou com o ancião, gentil. — E pode ser cansativo caminhar essa distância toda. Eu tenho um carro… e… com motorista… Aceita uma carona?
Sasuke ficaria furioso se ela chegasse atrasada para o vôo, mas não podia abandonar um homem de idade, indis posto, à própria sorte, no meio da rua.
— Este carro? — indagou ele, indicando a limusine estacionada.
— Bem, não é meu — explicou Hinata. — Pertence a… a um conhecido. O senhor mora longe?
Hinata percebeu que o ancião recuperava uma cor mais saudável e respirava com mais facilidade.
— Você é muito gentil — declarou ele, com um sorriso. — Mas eu também tenho carro… com motorista… Você é muito gentil em se preocupar com um velho.
De fato, havia um automóvel luxuoso estacionado no fim da rua, mas meio longe.
— Aquele é o seu carro? Quer que eu chame o motorista?
— Não, eu posso ir andando.
Sem dar-lhe chance de recusa, Hinata o amparou.
— Permita que eu o acompanhe até lá.
— Talvez seja melhor — concordou ele.
Chegar ao carro levou mais tempo do que Hinata imagi nava, principalmente porque o ancião estava mais abatido do que queria admitir. Foi um alívio quando o motorista dele os avistou e se apressou para ajudar, tagarelando em grego. O ancião endireitou-se e repreendeu empregado.
— Ele resmunga como uma velha! — explicou o ancião a Hinata, em seu inglês precário. — Obrigado, minha que rida, fiquei contente em conhecer você. Mas não devia andar sozinha nas ruas de Atenas — recomendou. Teve uma idéia e falou algo em grego ao motorista. — Yannis vai acompa nhá-la até a limusine e esperar com você até seu chofer voltar.
— Oh, não é necessário — protestou Hinata.
Mas o novo amigo era insistente. Ela aceitou a oferta, despediu-se e tomou a rua.
— Não precisa me acompanhar — disse ao motorista dele, assim que se afastaram um pouco. — Eu preferia que ficasse com seu patrão. Ele não se sentia bem quando o vi na rua.
Para seu alívio, viu o chofer de Sasuke de volta à limusine.
— Está vendo, não será preciso esperarmos! — Na des pedida, comentou aflita: — Seu patrão… Não é da minha conta, eu sei… mas talvez seja melhor levá-lo ao médico…
— A família está de olho nele — assegurou o chofer. — Mas ele… como se diz? Ele não aceita o conselho de ninguém…
O motorista dava a entender que o mal do patrão estava sob controle, e Hinata afastou as preocupações. O velhinho estava em boas mãos, e ela devia seguir imediatamente para o aeroporto
