Hi :3
Eu não falei anteriormente, mas o esquema de palavras vai ser quase o mesmo de "Declínio".
Em itálico - memória, sonhos ou conversa/leitura mental.
Em negrito – palavras/frases que serão importantes ou que demonstram algo especifico. Utilizado também para avisos no inicio de algum capítulo mais "polêmico".
Em § - ofidioglossia ou ofidiomagia.
Normal – texto comum.
Capitulo 2
Era sábado.
Harry havia sido acordado por Abraxas, que estava um tanto descontente com Araan por qualquer motivo aparente e o mesmo se recusava a falar com o colega de quarto. O que deixava Harry em um impasse – ficar perto de Avery ou Malfoy?!
As duas perspectivas não eram muito boas, mas se lembrando de algumas coisas passadas consigo mesmo, ou seja, Harry Prince, ele achou melhor ficar perto de Abraxas, até porque, ele parecia um garoto muito mais digno que Avery.
Agora, ambos estavam voltando do almoço e Harry tentava segurar uma pergunta... Não, duas: o que os dois idiotas haviam feito com Tom e onde o garoto estava. Até mesmo se preocupou um pouco, já que ele não apareceu no café da manhã e nem no almoço, esquecendo momentaneamente quem Tom realmente se tornaria.
Ele balançou a cabeça e decidiu participar mais ativamente da conversa.
– ... você deveria ter me falado – o loiro disse, meio indignado.
Harry pensou por um momento sobre o que diabos Malfoy falava, mas desistiu. Ele tinha que perguntar.
– Poderia repetir?
O outro lhe deu um olhar atravessado e se repetiu, mesmo não querendo muito.
– Eu disse que você deveria ter me dito que não era para fazer nada com o Riddle, mesmo não sabendo exatamente o porquê – ele sussurrou a ultima parte, mas não foi isso que atraiu Harry e sim a parte em que ele percebeu seu... Interesse no outro garoto.
Eles estavam parados perto do grande pátio e Harry ficou desconfortável com o local. Qualquer um poderia escutar e ele não queria isso.
– O que te faz pensar que estou interessado nele? – Harry perguntou, caminhando para longe da entrada, sem olhar pra trás. Ele sabia que Malfoy o seguiria.
– Vejamos... – o outro garoto falou, indo atrás de Harry rapidamente – Primeiro, tem a seleção das casas. Quando o nome dele foi anunciado, você fez uma cara muito desagradável e não foi por conta do sobrenome. Eu sei que não foi – ele disse rapidamente, antes que Harry o contestasse. – Depois teve o negócio do dormitório, você poderia tirá-lo de lá, mas você não quis. Sem contar que você pareceu meio irritado quando soube das azarações mais pesadas que eu e Araan lançamos contra ele e agora você estava procurando-o... – ele finalizou, dando um sorriso de canto.
– Humm... – Harry respondeu, perguntando mentalmente se mais alguém havia notado tudo isso.
Ele tinha ficado um pouco perto de Avery, Lestrange e Malfoy, mas sabia que – se Abraxas notou – os outros poderiam notar.
– O que me leva a seguinte pergunta: Por quê? O que você ganha sendo amigo de um sangue ruim? Porque tanto interesse nele?
Harry aprendeu, com o tempo, que era sábio confiar em um Malfoy. Ele soube, depois de alguns anos, que o avô de Draco havia participado de algum tipo de caçada contra um primeiro ministro – que era nascido-trouxa – tudo por conta dos seus projetos e discursos elitistas. Harry nunca soube o que foi feito com o pobre homem, mas sabia que ele havia renunciado seu cargo pouco tempo depois de estar na posição.
Quando mais novo, ele acharia tal coisa horrível, mas quando leu os projetos de lei e percebeu que aquele ministro estava – assim como Dumbledore – rebaixando classes antigas de bruxos e favorecendo a cultura trouxa, ele achou tudo muito bem feito.
Deve ter perdido alguns dedos ou uma parte importante do corpo, sem falar no suborno e um possível escândalo implantado, mas ele permaneceu vivo. É o que conta...
– Não precisa me dizer, se não quiser... – o garoto disse, enquanto parava bem na frente de Prince.
Harry pensou. Sabendo do histórico do homem e da família dele... Sim, talvez ele fosse de confiança... Futuramente.
– Contarei, depois de Yule. Por enquanto, continue se comportando normalmente. Preciso saber de algumas coisas e agora, em Mabom, pretendo falar com meu pai sobre ele.
Malfoy fez um barulho com os lábios, como um assovio, e Harry achou engraçado. O menino nunca havia feito um movimento tão inesperado e comum para um garoto de onze anos.
– Parece que ele é importante, então... – Respondeu simplesmente, voltando ao seu lugar ao lado de Harry.
– Talvez.
Abraxas havia dado suas anotações para Harry, pedindo para que lhe entregasse antes da segunda-feira. Ele preferia não ficar com os papéis por tanto tempo, já que só precisava atualizar a matéria rapidamente.
Indo para a biblioteca, Harry não pode conter seus pensamentos sobre o sonho ou o que quer que fosse aquilo. Ele achava que era um tipo de... Pra ser sincero, nem ele sabia. Só sabia que, apenas sonho não poderia ser.
Tudo era real demais e, vivendo tanto tempo no mundo mágico, ele deveria saber que a explicação sobre ele estar ali seria muito mais mágica do que o comum.
A parte final do sonho ainda estava na sua mente.
– E se eu não quiser ficar?
– Você morre.
– Dê-me as memórias.
Assim que tocou na esfera, Harry sentiu como se estivessem usando legilimência contra ele, só que de uma maneira muito mais rápida e dolorosa.
Ele arregalou os olhos em choque, a dor veio intensa e ele teve que lutar para não se deixar cair no chão.
Giltine o segurou, colocando-o deitado no sofá macio, enquanto observava sua expressão agonizante.
Harry ficou dessa maneira – meio desorientado – por apenas alguns segundos. Ele visualizou a vida antiga de Prince, seu pai e sua irmã, ambos muito parecidos com ele. Soube também dos segredos e interesses da família e entendeu o porquê de sua mãe e seus outros irmãos não "existirem" nessa realidade.
Suspirou, fechando os olhos momentaneamente.
– Você recebeu o de Laima... – ela disse amavelmente. Giltine passou a mão em sua testa e cabelos, os percorrendo um pouco até as pontas. – E esse é o meu...
Harry não sentiu nada. Nenhuma dor ou mesmo mudança. Ele perguntou mentalmente se ela estava apenas brincando ou o testando, mas ela apenas sorriu pra ele e disse:
"Acorde..."
A voz dela soou fracamente e até mesmo um pouco distante.
Ela já estava indo embora?
– O que? – Harry falou ainda grogue, tanto pelo ato dela quanto pelas lembranças.
– Acorde. – Ela disse, sua voz estava divertida, mas ainda mais longínqua.
E assim ele acordou, com Araan o cutucando, como sempre.
Uma onda de raiva momentânea passou por ele. Talvez, se Avery não estivesse tão obcecado consigo, ele poderia ter ficado um pouco mais com Giltine e adquirido respostas...
Suspirou.
Agora não adianta lamentar.
Pensando bem, ele deveria enfeitiçar as cortinas para não abrirem quando alguém o quisesse acordar.
Por mais que a ideia fosse tentadora, ele não poderia fazer tal coisa. Atrairia atenção desnecessária dos colegas de quarto.
Eram 2h quando ele entrou na biblioteca. Observou os poucos alunos que passavam por ali, não se assustando por ver – em sua maioria – corvinais. No dia anterior foi a mesma coisa.
Ele se sentou em uma mesa mais ao fundo, colocando suas coisas em cima dela e se sentando pesadamente na cadeira de madeira. Ela era bem menos confortável que as da sala comunal, mas Harry não poderia reclamar.
Pegou sua bolsa e a colocou em cima da mesa, retirando as anotações de Abraxas. Observando-as, Harry pode constatar que a inteligência de Draco era genética. Abraxas era incrivelmente nerd. Ele anotou as coisas que os professores de Latim, História da Magia, Feitiços e Poções disseram e fez suas próprias anotação em baixo de cada pagina, marcando também o que estudar e onde ver tal assunto.
O garoto deveria ter um tipo de memória eidética.
Ele foi até a biblioteca também para devolver os livros que havia pego sobre a base da magia neutra, era o mais próximo que ele poderia ter de um livro das trevas. Em casa, era provável que ele achasse o que procurava anteriormente, mas como precisava de algo imediato e como seria estranho demais pedir algo assim ao seu pai, decidiu apenas olhar a Seção de Referências.
Bom... Agora toda pesquisa que havia feito não significava mais nada...
Um alivio passou por ele.
Não que estivesse tenso ou algo assim, mas era a primeira vez que ele havia realmente parado pra pensar que agora aquele ali era seu mundo. Ele não iria voltar pro seu tempo.
Nunca mais.
A felicidade que veio com tal afirmação o deixou desconcertado. Ele deveria pensar nas pessoas que ficaram, alguns amigos que ele fez ao longo da guerra, mas ele não pensava em nada disso.
Na verdade, era como se tudo ficasse cada vez mais distante.
Sua memória continuava intacta, mas era como se aquilo não importasse mais.
E não importa mesmo, minha vida é aqui. Nesse lugar.
Ele não se esqueceu de seus objetivos, mas poderia muito bem cumpri-los aproveitando sua nova vida. Suspirou, pensando em Laima e Giltine. Ali, em algum lugar, deve ter menção sobre as duas deidades e sobre seus poderes.
Harry decidiu que procuraria um pouco, mas primeiro, faria o maldito dever de casa.
Duas horas depois, ele chegou perto de um bibliotecário de nome Abilio Mcflyer ou Sr. Mcflyer, como ele gostava de ser chamado, perguntando sobre livros que poderiam conter informações sobre Laima e Giltine.
O homem, extremamente magro e alto, franziu o cenho meditando pesadamente sobre tal pergunta. Harry até conseguia ver as engrenagens girando na cabeça dele, fazendo-o ficar um tanto vermelho demais.
O Sr. Mcflyer se endireitou e respondeu negativamente.
– Deve ter algo na sessão restrita, mas você precisa da autorização de um professor para acessá-la e, mesmo assim, não garanto que tenha muita coisa – ele disse, observando Harry com olhos estreitos e avaliativos.
Harry dispensou a presença do bibliotecário, não sem antes devolver os livros que ainda estavam com ele e que deixou para entregar depois que fizesse suas anotações.
Pela "conversa" de quinta, a família Prince tinha algum tipo de respeito que faria com que Slughorn se rebaixasse para ele. Se Avery e Malfoy tinham tanta certeza que o homem trocaria Riddle de quarto apenas por um pedido dele, então essa influência poderia ser útil.
Embora agora, o bibliotecário não parecesse tão receptivo a esse tipo de favor.
Ainda era o inicio do ano, não poderia apressar as coisas, mas também não poderia deixar do jeito que estava, não com Riddle.
Tom tinha apenas onze anos. Ele ainda poderia mudar se não sofresse demais nas mãos dos sonserinos. Pra isso, Harry precisava fazer um tipo de planejamento e era nisso que ele estava pensando enquanto voltava para a sua mesa.
Após alguns minutos de meditação intensa, ele se lembrou também que deveria ler e responder as cartas de seu pai e Eileen que, por sorte, havia pego quando retornou do dormitório – logo depois do almoço.
Ele se ajeitou no lugar e começou a escrever.
A carta de sua irmã era breve e rápida.
Ela disse que era para lhe contar tudo sobre o seu primeiro dia de aula e se ele iria para Hogsmeade nesse primeiro final de semana ou se era no próximo. Eileen também desenhou Harry com roupas da grifinória, de um jeito bem estranho e até bonitinho, e ele riu porque aquilo era definitivamente um tipo de provocação absurda. Ele jamais entraria na grifinória.
Mas... Ele havia entrado uma vez, certo?
Ignorando o pensamento, ele a respondeu divertidamente, afirmando que estava na sonserina e que o dormitório era... Muito bom, mas sem realmente especificar nada. Dali uns poucos anos, Eileen entraria para Hogwarts também e Harry não queria a menina naquele covil, principalmente com Tom lá, portanto decidiu não parecer tão animado com a casa.
Já a resposta para seu pai acabou sendo diferente.
Caro Pai,
Antes de tudo, devo salientar que entrei para a casa de Slytherin e estou muito orgulhoso por tal feito.
Fiquei no mesmo dormitório que Avery, Lestrange e Malfoy, provavelmente o senhor já sabe disso. Como havia me dito antes de irmos para King's Cross, alguns sonserinos gostam de falar demais, estou os observando, mas sem chegar muito perto. De certo modo, alguns ficam apreensivos com a minha presença, porém outros não dão tanta importância assim.
Agradeço pelo que me mandou e pelo que disse sobre o professor Slughorn, ele é brilhante e adorarei ir com ele até Hogsmeade para adquirir um animal de estimação em um dos meus intervalos, já que não conseguimos achar nenhum bom o suficiente naquele dia no Beco Diagonal.
Tenho uma surpresa para Mabom, mas necessito lhe dar tal coisa pessoalmente.
Aguardo a dispensa de dois dias e a autorização para utilizar o flú.
Harry Septimus Prince
Herdeiro da Casa Prince.
Perfeito. Cordial e moralmente insuspeito.
Contou sobre seu dia, sobre seus amigos e o mais importante, já lhe disse de antemão que existia um assunto sério no qual precisava de "ajuda" dele. Não seria exatamente uma ajuda e sim uma maneira de deixar Neel Prince a par de algumas coisas e, de quebra, ter algum auxilio em Yule.
O primeiro passo foi dado. Pensou, contendo uma onda de alegria.
Dobrou o papel, colocando-o dentro de uma carta separada da de sua irmã. Ele teria que pegar duas corujas, mas seria bom já que Eileen se sentiria importante por receber uma carta de uma coruja de Hogwarts.
A menina ainda era nova demais pra perceber que aquilo era algo comum, mas Harry a entendia. Obvio que entendia, ela era sua irmã e ele conseguia até mesmo sentir uma onda crescente de amor quando pensava nela e em seu pai.
Era estranho, mas muito bom também.
Ele ainda sentia os sentimentos que o ligavam ao outro mundo, mas percebeu – cada vez mais – a drástica mudança em relação aos seus novos laços, principalmente a sua nova família.
Harry se espreguiçou, vendo as suas anotações sobre as tarefas de sexta e um livro intitulado
Neel também lhe havia dito para não falar tanto sobre as praticas antigas em suas cartas, até porque elas são mal vistas pelos adoradores de trouxas, mas aquilo era importante e ninguém suspeitaria da família neutra que lutou a favor dos Potter, mesmo não conseguindo deixá-los na lista dos Sagrados 28. Se é que aquela lista ainda poderia ser valida.
Harry ainda podia se lembrar do que aquela merda de livro – que continha a tal lista – havia resultado quatro anos antes. Seu pai não havia ficado tão chateado, mas alguns de seus "amigos" haviam e, infelizmente, ele teve que fazer algumas coisas a respeito disso.
Harry suprimiu uma risada. Ele ainda se lembrava dos gritos de Cantakerous Nott.
Ele paralisou, um pouco horrorizado com tal memória. Uma criança não deveria escutar tais coisas, mas acabou dando de ombros já que, no futuro, coisas assim aconteceriam. Seria normal...
No final, os livros com a lista errada foram destruídos e uma nova lista – agora confidencial e aberta apenas para os membros dela – foi refeita. Com os Prince, obviamente, como base purista. Harry ainda não sabia o porquê da família ser tão influente, mas ele logo descobriria.
Voltando a memória dos gritos de Nott que, agora, não eram tão perturbadores assim. Ele sorriu.
Definitivamente, a família Prince era muito peculiar.
No domingo, ele viu Tom no café da manhã e só o viu realmente porque acordou muito cedo. Assim que Riddle o viu, ele ficou observando com um olhar analítico.
Harry sabia que Tom não estava enfrentando-o. Ele estava apenas tentando entende-lo ou entender como um garoto tão novo poderia ter algum tipo de favoritismo com o chefe de sua casa.
Provavelmente também estava se perguntando se Harry estava apenas esperando o momento certo para aprontar com ele, já que Tom não havia realmente tido descanso com as azarações – ele percebia isso porque os caninos do menino estavam bem proeminentes.
Harry suspirou.
Cara-de-vampiro.
– Precisa de ajuda? – Harry perguntou, sentando-se ao seu lado e observando a dificuldade que o garoto tinha para comer. Obvio.
– Não – o outro respondeu, olhando para seu prato.
Harry ergueu uma sobrancelha, tirou a varinha rapidamente e disse "reducio", apontando diretamente para os dentes de Tom.
O mais engraçado de tudo é que Harry esperava que Tom desviasse e não que fosse pego de surpresa e ficasse paralisado ao ver um feitiço vindo em sua direção.
Ele pode ver a incerteza entre ficar ali e sair da mira.
– Não se mexa – Harry disse duramente, já quase finalizando o feitiço.
Poucos segundos depois, ambos os caninos já estavam do tamanho aceitável e Harry finalizou, ganhando um aperto firme em seu ombro. Ele olhou pra cima, encontrando o olhar fascinado de Slughorn.
– Que maravilhoso, Harry... – o professor disse, saindo de perto dele e indo para perto de Tom, pegando delicadamente seu queixo e analisando sua boca e dentes, que estavam a mostra pelo contato repentino – Perfeito. Realmente perfeito – ele salientou, olhando alegremente para Harry.
– Err... Obrigado, senhor – ele respondeu, fingindo sua timidez.
Horacio, feliz com a reação, olhou para Tom, esperando um pedido formal de "obrigado" a Harry, que foi, obviamente, acatado pelo aluno.
Dito isso, Harry ainda ganhou 5 pontos por realizar um feitiço complicado e ajudar um aluno com necessidades. Harry sabia o que Horacio estava fazendo e até mesmo agradeceu mentalmente por isso. Seria muito mais fácil ter o chefe de sua casa querendo que ele socializasse com Tom do que o contrário.
Horacio, afinal de contas, também era um tipo de amante de nascidos-trouxas... Poderosos. Algo em Tom deve tê-lo chamado atenção.
Tom não falou mais nada e acabou saindo assim que terminou sua refeição, sem olhar para Harry e nem mesmo se despedir.
Bom, foi um começo estranho, mas até que interessante, não? Pelo menos agora ele me deve um favor.
Harry sorriu, se distraindo com uma segunda porção de comida em seu prato.
Ele não teve confirmação de seu pai e nem outra carta de Eileen, mas não esperava realmente recebê-los. O homem teria de falar com o vice-diretor, o que era realmente um empecilho, ele sabia que Dumbledore não apoiava certos costumes de famílias de sangue puro, incluindo a celebração da roda do ano.
– Hipócrita de merda – ele sussurrou, olhando para seus ovos estralados.
O resto do domingo passou rápido e Harry decidiu passar um tempo com os meninos do dormitório. Ele percebeu que eles eram divertidos e interessantes, da sua maneira.
Ainda estava um pouco intrigado por conta das atitudes de Avery, que já estava de bem com Malfoy, mas que não largava Harry por nada. Aquilo o fazia se lembrar dos capangas de Draco nos primeiros anos.
Que merda.
Os quatro passaram a tarde e parte da noite no salão comunal. Jogando xadrez, snap explosivo – que Harry classificou como o clássico, já que as outras duas versões não haviam sido lançadas ainda – e um jogo estranho, chamado "Ludum Tenebris".
Harry nunca havia jogado aquele, não no outro mundo, pelo menos.
Parcialmente, ele sabia das regras, mas preferiu ver apenas os três meninos e mais uma garota do segundo ano, Walburga Black, jogando.
Claro que foi um tanto inesperado ver justo essa mulher, que tanto o perturbou na casa dos Black, agindo como uma pessoa normal e até mesmo legal perto de si.
Ah, o que o sangue puro e um pouco de influência não fazem, né?
O jogo mesmo parecia com Ludo, um jogo trouxa que Duda gostava muito de brincar com seus amigos quando eram mais novos.
Ele consistia em alcançar o centro, com os quatro peões. Era bem básico e Harry esperava ficar entediado com o tempo, mas aquilo não aconteceu.
Assim que o tabuleiro havia sido colocado em cima da mesa, ele percebeu a diferença do "normal".
O colorido do tabuleiro trouxa foi deixado de lado e apenas cores escuras prevaleciam. Azul escuro, verde escuro, preto e roxo. Todos escolheram seus lugares e, ao invés de um dado surgir, um tipo de bola que fazia Harry se lembrar muito de um lembrol, apareceu no centro do jogo.
– Eu começo – Avery disse, fazendo os outros darem de ombros.
Ele colocou sua mão envolta da esfera e a pressionou, soltando rapidamente logo em seguida. Ele girou rapidamente e Harry percebeu que, dependendo de como a pressionasse, ela poderia girar rápida, lentamente e parar da mesma maneira.
O numero 1 surgiu brilhantemente de dentro da bola em vermelho e amarelo.
O peão de Avery pode sair da base, – que mais parecia uma mini oca encantada, de cor preta – mas apenas pra ficar na primeira casa do jogo. Harry não poderia realmente chamá-lo de peão, o "homenzinho" parecia um soldadinho de chumbo e resmungava idiotamente para Avery, mandando-o "ganhar a merda da partida".
– Cale a boca e ande logo, não temos a noite inteira – Araan respondeu, atraindo a atenção de alguns terceiranistas que observavam o jogo com diversão.
O peão... Homenzinho... Criatura, o que quer que fosse, o olhou irritado e foi até lá. As roupas pretas eram parecida com o seu caminho e ele só poderia identificá-lo por conta do numero 1 estampado em suas costas em amarelo brilhante e pela cor de sua "pele", que era de um lilás claro.
Harry até mesmo se perguntou se aquele peão era um tipo de fada, embora as considerasse burras demais para se comportar daquela maneira, ainda estavam presas ao jogo, coisa que nenhuma criatura toleraria ou pelo menos ele achava que não.
Deixou a questão de lado para observar o andamento do jogo.
Algum tempo depois, Walburga conseguiu tirar dois 6 direto e, assim como na regra de ludo, ela poderia escolher entre retirar dois peões da "oca" roxa ou retirar apenas um e andar com ele. Decidiu pela primeira opção. Na terceira vez que utilizou a bola no centro, que era chamada de "circum", ela tirou o numero 5 e seus dois peões começaram a discutir sobre quem deveria avançar. Eles até mesmo se estapearam, atraindo ainda mais atenção para o grupo jovem de sonserinos.
– Quietos – ela gritou, depois de tentar argumentar com ambos os peões – Avance, 1 mas se você passar para outro, eu vou te escolher por ultimo da próxima vez.
Harry, obviamente, ficou intrigado com a frase. O que diabos aquilo significava?
Mais alguns minutos passados, juntamente com pequenas discussões entre peões e jogadores. Fazendo-o rir. Até mesmo Abraxas, que era o mais calmo dali, perdia um pouco a compostura com certos comentários das pequenas criaturas.
Após sétima terceira rodada, ele entendeu o que Walburga havia falado anteriormente.
Lestrange havia dito para um dos seus, o 2, andar a frente do 1 e movimentou apenas ele nas próximas quatro rodadas. Deixando o primeiro peão enciumado e irritado. Então, a maldita peça disse:
"Como você parou de me usar, eu passarei para cá".
E, gradativamente, a cor azul escura de suas vestes se transformaram em verde escuro. Ele havia acabado de "mudar de lado", fazendo com que Abraxas ficassem sem peões na sua "oca" verde, ou seja, ele estava mais perto de vencer.
Lestrange ficou totalmente irritado e amaldiçoou a peça, verbalmente. O peão apenas o ignorou. O numero 1 de suas costas foi substituído pelo 4 e ele pode andar, finalmente, para seu próprio alivio.
Harry achou tudo uma loucura e foi ainda pior quando Abraxas ganhou. Os pequenos soldadinhos festejaram no centro, voando enlouquecidamente em pequenas vassouras encantadas ao redor da esfera. Os peões pretos, roxos e azuis já haviam voltado para suas bases e "desaparecido" para dentro de suas "casas", que se afundaram no tabuleiro.
Pequenos fogos verdes saíram da bola central, parabenizando o campeão.
As criaturas ficaram comemorando divertidamente, fazendo comentários jocosos sobre os outros jogadores, deixando os três irritados. Foi tudo muito interessante, até a parte em que azarações foram lançadas nos perdedores.
A circum, de alguma forma, sabia em quem mirar as maldições. E Harry entendeu agora o porque de nenhum deles ter se mexido.
O salão comunal, que estava cheio naquele momento, foi inundado com risadas e apontamentos.
Araan estava parecendo um coelho, seus dentes - todos eles - ficaram grandes, mas não tão grande quanto os de Tom no inicio daquele dia. Ele ainda poderia comer normalmente, mas sua aparência estava um tanto estranha.
Walburga ficou com os cabelos vermelhos e ela ficou irritada com o jogo, já que vermelho não era realmente um cor que ela gostava muito. Alias, não era uma cor que qualquer sonserino realmente gostava.
Lestrange foi o mais afetado ou melhor, a azaração que pegou nele foi a mais estranha mas menos duradoura. Pequenos besouros saíram todos cobertos de muco de seu nariz e em uma velocidade alarmante. Explodindo assim que voavam para longe de seu... "Hospedeiro". Foi nojento e a azaração perdurou por cinco minutos ao invés de um – o tempo normal.
Walburga e Araan ficariam daquele jeito por uma hora e Harry entendeu que, não havia conhecido o jogo porque o mesmo deveria ter sido banido em algum momento, mesmo não sendo tão perigoso assim.
Que injusto.
Ele sorriu junto com Abraxas, aquilo realmente havia sido divertido e seria ainda mais quando eles fossem para o grande salão, onde toda a escola poderia ver o resultado da vitória de Malfoy.
Ele só viu novamente Tom quando o horário para dormir estava quase estourando. O garoto entrou rapidamente no dormitório e foi direto para a cama, se fechando sem nem mesmo trocar de roupa. Ele se perguntou onde Riddle havia estado o dia inteiro, mas não era como se ele pudesse perguntar, então deixou a questão dentro de si... Futuramente, ele saberia.
Nenhum dos outros garotos falou alguma coisa sobre a entrada abrupta de Tom e Harry se sentiu estranhamente solidário, até porque, ambos eram órfãos e eles haviam sofrido abusos intensos antes de serem acolhidos por Hogwarts.
Voldemort, ou melhor, Tom estava sozinho. Ele não tinha ninguém e ainda sofria bullying, se não dos sonserinos, mas também de outras casas por ele ser um sonserino "indefeso".
Quantas coisas devem ter acontecido no maldito orfanato até que ele se transformasse naquela criança da penseira de Dumbledore?!
Harry sabia, de alguma forma, que Riddle era uma vitima dos trouxas. Ele sabia. Haviam acontecido coisas parecidas com alguns nascidos-trouxas e até mesmo mestiços – no futuro –, alguns viraram obscuriais e foram usados como armas de destruição em massa e outros apenas morreram rapidamente. Nenhum teve a força de Tom. Nenhum.
Todos pereceram nas mãos de trouxas ou por causa de trouxas.
Harry suspirou, enquanto se ajeitava na cama.
E se aquilo tivesse acontecido com ele?
E se ele tivesse sido ignorado ou maltratado como Tom foi e continua sendo?
Sim, tiveram os Dursleys, mas ele foi salvo por Hagrid, Hermione, Ron e a família Weasley. Ele tinha que admitir que, se não os tivesse conhecido, talvez ele se transformasse em um segundo Voldemort, não por conta do poder e sim pela insanidade ou crueldade. Até porque, ele descobriu depois de algum tempo que, diferente do que Dumbledore lhe havia dito, Tom era sim capaz de amar como qualquer ser humano.
Ser concebido sem amor e por uma poção, não o limitou a não ter sentimentos bons. O problema todo de Tom foi sua infância e pré-adolescência. Os trouxas que o rodearam, os alunos de Hogwarts e, por fim, Dumbledore.
Ah, Dumbledore
Harry também tinha certeza de outra coisa: Dumbledore havia tido uma parcela grande de culpa sobre o que havia acontecido com Tom.
Se ele tivesse sido amado e compreendido por uma pessoa. Apenas uma. O destino dele não teria sido tão cruel.
De qualquer forma, Voldemort ainda precisava existir e isso limitou seus pensamentos por alguns minutos.
Voldemort precisa existir, não da maneira que um dia existiu, foi o que a voz dentro de si soou, o deixando momentaneamente confuso. Até que ele piscou, entendendo o raciocínio.
Ele tem que existir e Harry decidiu que trabalharia em Tom para que isso acontecesse mas, diferente do que Dumbledore fez com ele o transformando em – como Snape disse uma vez – "um porco para o abate", Tom não ficaria as cegas.
O plano anterior martelou em sua mente. Um passo havia dado e ele até mesmo se aproximou de Tom, de um jeito estranho. Tudo, agora, era apenas questão de tempo.
Um tipo sombrio de sorriso se espalhou pelos lábios de Harry. Qualquer um que olhasse, diria que tal coisa não deveria estar nos lábios de um garoto tão novo mas, novamente, Harry não era o que ele demonstrava ser.
Segunda foi sua primeira aula de transfiguração e ele estava ansioso para estudar as atitudes do ex-futuro-diretor.
Eles tinham aula com a Grifinória, o que foi meio desgastante já que aquela antiga rivalidade estava presente no momento. Na sexta, suas aulas mesclavam apenas com Corvinal e Lufa-lufa, o que foi até mesmo estranho... Dumbledore sempre gostava de colocar grifinórios e sonserinos juntos, mas Harry tinha que se lembrar que esse diretor era Dippet e não Dumbledore.
Quando Harry observou seus horários, dado pelo professor Slughorn no inicio da sexta-feira, e viu que existiam poucas aulas que eles compartilhavam com a grifinória, ele se sentiu satisfeito. Sempre imaginou que Dippet era um Diretor ruim, mas ele parece ser melhor que Dumbledore – pelo menos no assunto sobre essa rivalidade.
Ele chegou cedo à aula, assim como a maioria dos sonserinos. Araan estava contando sobre o aviso no mural da sonserina para Abraxas, mas o outro não estava dando tanta importância ao assunto – quadribol.
Harry se surpreendeu em saber que ele poderia fazer um teste para o time. Dumbledore provavelmente mudou muitas regras e ele só havia notado duas.
As corujas, que traziam seu correio de manhã e não ao meio dia.
E agora isso, o quadribol.
Tinha também chance de, nesse mundo, tal regra nunca ser mudada ou passar pela cabeça do homem, mas Giltine havia dito que esse lugar era muito parecido com o outro. Poucas coisas eram diferentes e ele apostava que essas duas não entravam na lista.
O que mais ele mudou?
Por falar em Dumbledore, ele entrou rapidamente na sala junto com o seu bando de grifinórios. Parecia levemente nervoso e olhou com desgosto a divisão aparente da sala.
– Podem se misturar – ele falou, fazendo com que grande parte da turma o olhasse surpresa.
Harry, que estava sentado ao lado de Araan, se levantou permitindo que uma garota grifinória de cabelos ruivos-apagado sentasse ao lado do amigo.
Araan o olhou irritado, murmurando sobre traidores de sangue e Harry percebeu que suas suspeitas anteriores estavam certas, ela era uma Weasley ou Prewett... Ele não sabia da fisionomia da família extinta, então poderia ser qualquer um deles.
– Sr. Prince – Dumbledore falou atrás de si, fazendo Harry se amaldiçoar mentalmente.
Esses fleshes do seu passado ainda o colocariam em apuros. Se é que já não estava em um.
– Sim, professor? – ele respondeu, se virando para o homem.
– Sente-se ou prefere ficar de pé ao lado da Srta. Prewett?
– Hum... – Prewett – Não senhor – ele respondeu, olhando algum lugar vago.
Harry teve vontade de rir.
Sério, era interessante que o único... ÚNICO... Lugar vago era ao lado de Riddle.
Ele duvidava muito que Giltine estivesse por detrás disso, mas as coincidências eram estremas demais.
Saiu de perto de Dumbledore, sem realmente se desculpar ou falar algo a mais para o homem e foi para o lado de Riddle, sentando-se. O menino o olhou de canto, mas não disse nada.
Harry pode sentir o fuzilamento de vários olhos em suas costas, mas ele meio que estava acostumado a tais coisas e não ligou. Agora, o que exatamente ele poderia fazer? Bater o pé e exigir não sentar com um "sangue-ruim"? Não. Ele tinha mesmo que se aproximar do menino e algo lhe dizia que ficar ao lado dele seria bom para observar Dumbledore e suas ações.
Ele não estava errado.
O professor olhou seu afastamento duramente, observando-o se sentar ao lado do garoto ofidioglota.
Pensou em distanciar o jovem Riddle de um dos sonserinos que mais tinha ou teria influencia ali dentro, mas não tinha como. Aquele era o ano em que os sonserinos eram maioria e não apenas Prince e Riddle ficaram juntos, mas também Black e Goyle.
Lembrando-se da conversa com o diretor, na manhã de sábado, ele percebeu que não corria tanto perigo assim. Sonserinos sempre foram mais cruéis com nascidos-trouxas e não teria como Tom saber que ele era, no mínimo, um mestiço e herdeiro de Slytherin.
Ele o manipulou bem sobre isso – aconselhando-o a não contar e nem mostrar seu dom a ninguém – e os colegas de quarto estão fazendo o resto. Se tiver sorte, ele será apenas um garoto comum em meio à comunidade bruxa.
Dumbledore foi até a frente da classe e começou sua lição, muito mais tranquilo.
– Primeiro vocês devem entender o que é transfiguração, os passos que são necessários dar para ela ser realizada com perfeição e só ai a pratica, o que pode demorar certo tempo, já que esse ramo da magia é incrivelmente difícil de ser aprendido da noite pro dia.
"Eu exijo total dedicação em minhas aulas".
Ele disse a ultima parte com certa ênfase, fazendo Harry lembrar muito de Snape em seu primeiro ano.
Ele balançou a cabeça, falando mentalmente que não queria se lembrar do seu antigo professor de poções. Ele precisava se concentrar em Dumbledore.
– Alguém sabe me dizer quais são as três etapas da Transfiguração?
Algumas poucas mãos foram levantadas, principalmente dos grifinórios, mas Albus se focou no menino Riddle, que estava quieto e até meio perdido.
– Sr. Riddle, sabe me dizer?
Ah, não. Ele não está fazendo isso... Ele não pode estar se comportando como Snape, não pode.
Harry olhou para Tom, se preparando para ver um frágil garoto com medo de responder ao seu professor, mas não foi isso que enxergou.
– Primeiro, o bruxo lança o feitiço. Em segundo, ocorre uma transformação parcial e por ultimo a transformação total.
Harry parou de respirar. Ele tinha que se lembrar que as semelhanças entre ele e Tom Riddle, no seu primeiro ano, não eram exatamente iguais.
Tom sempre foi extremamente inteligente.
– Correto e você pode me dizer também um feitiço que eu possa demonstrar? – ele falou, apontando para o rato que estava em cima de sua mesa, pacificamente quieto.
As lições estão mais avançadas... Harry meditou por alguns segundos, pensando em adicionar isso a sua lista de "coisas modificadas por Dumbledore" ou não.
– Vera verto – respondeu, pronunciando as palavras perfeitamente e demonstrando até mesmo o movimento de mão
O professor então, apontou para o rato e o transformou em um cálice de água.
Aquele ali era o inicio do respeito que Tom começou a receber. Ainda estava longe dele ser considerado alguém digno de estar na sonserina, mas foi um bom primeiro passo.
Dumbledore continuou sua lição, apontando erros que normalmente poderiam ser cometidos em tal feitiço e salientando que ele não seria tentado na classe até a metade do ano que vem, já que eles ainda precisavam entender o conceito por detrás da transfiguração e isso, segundo ele, levava tempo.
Harry suspirou, fazendo poucas anotações, afinal de contas, ele já sabia sobre o conteúdo. Durante a aula, ele percebeu os olhares estranhos e cruéis que Tom recebia de Dumbledore, parece que o homem não era tão bom ator quanto no seu tempo ou ele sabia ler suas expressões faciais muito bem.
A única coisa que ele se perguntava nisso tudo era "por quê?"
A semana passou rapidamente e, tirando latim, Harry estava indo bem em todas as aulas, competindo assim com Riddle, que também foi questionado por alguns professores e demonstrou certa habilidade com feitiços em geral.
Naquela manhã de sexta, ele também recebeu a noticia de que Grindelwald havia escapado, com cinco dias de diferença da data antiga. Ele deveria ter escapado no domingo e não na quinta, certamente algo havia sido modificado, mas o que?
Eles estavam saindo da aula de poções, quando viu que seus dois amigos os esperavam ativamente.
– Harry – Abraxas falou, atraindo sua atenção.
Eles ainda tinham que caminhar para a maldita aula de latim, então se apressou em colocar as anotações dentro da bolsa.
– Sim?
– Porque você se sentou com Riddle? – Araan perguntou, se metendo prontamente na conversa.
– Porque era o único lugar vago – Harry apenas deu de ombros, como se aquilo fosse obvio. – Era isso que queria me perguntar?
Avery havia sido puxado por um dos Black que Harry não se deu ao trabalho de lembrar o nome. Lestrange e Malfoy sentaram juntos e os outros alunos já estavam sentados quando entraram, incluindo os lufanos.
Novamente, havia apenas Riddle sozinho.
– Na verdade, não. Meu pai me mandou um recado hoje, sobre Mabom... Você vai? – ele sussurrou, como se tal coisa fosse um segredo e realmente o era.
– Sim.
Os dois o encararam com olhares arregalados, sabendo exatamente quem poderia estar na celebração da casa Prince.
– Por quê...? Quero dizer, você é o herdeiro, não precisa estar lá – Avery disse, olhando pra baixo.
– Eu preciso falar com meu pai sobre algo e seria bom vê-lo também.
Como sonserinos, eles entendiam, mas ambos eram crianças e crianças tem medo e curiosidade. Ele sabia que, nesse caso, o medo prevalecia.
Ele começou a se dirigir até a porta, sendo seguido pelos outros garotos que estavam tensos com toda a situação.
Harry não achava que era pra tanto, afinal de contas, ele duvidava muito de Gellert os visitasse em Mabon, em todo o caso, era bom se preparar.
– Vocês se lembraram de fazer o texto que o professor Calderon-Boot pediu semana passada? – Abraxas perguntou, tentando amenizar a tensão que ainda estava no ar.
Harry fez uma cara de desgosto, pensando que aquilo não era um jeito correto de se iniciar uma conversa, mas ele decidiu descontrair e dizer o quanto odiava a matéria e a merda do texto.
Aquilo os fez rir, distanciando o pensamento de que logo, Harry poderia encontrar o Lord das Trevas atual.
O final de semana não foi tão diferente como o anterior. A única coisa que aconteceu de diferente foi ver Walburga, em certo momento, conversando com um grupo de grifinórios aleatórios perto da entrada do grande salão.
Normalmente, Harry não prestaria atenção na interação de sonserinos com outras casas, mas ele precisou olhar a menina que olhava para um garoto com certo divertimento enquanto mostrava um papel para... Charlus Potter.
Sim, sim... Era Charlus, de certeza.
Harry, quando estava pra completar 32 anos, achou tudo sobre a família Potter e, tirando as informações, o que mais o deixava feliz eram as fotos em perfeito estado que havia pego de famílias sangue-puro que tinham certa ligação com ele.
Por um momento, ele pensou em chegar ali e se apresentar como seu... Alguma coisa, mas ele conseguiu se parar. Só queria fazer isso porque sempre quis interagir com um parente vivo, mas sendo sincero, ele não sentia nada pelo garoto que via.
Nada.
Observando os cabelos bagunçados que eram tão proeminentes em si mesmo em sua outra vida, ele riu.
Harry não iria se aproximar como familiar, ele seria outra coisa...
– Ei, Walburga – Harry disse, chegando perto do grupo de grifinórios e da menina sonserina.
Ela pareceu ficar um tanto incomodada com chegada de Prince, mas deu um sorriso que disfarçou bem sua postura tensa.
– Oi Harry, eu...
– Não vai me apresentar seus amigos? – ele perguntou, sendo totalmente cordial e não demonstrando repulsa alguma com a pergunta.
Ela suspirou, sabendo que não tinha opção.
– Oh, bem... Esse é Rickon Longbottom, Alice Priwett e Charlus Potter – ela apontou para cada um e Harry reconheceu a garota Priwett da aula de transfiguração.
Harry analisou os outros dois um momento. Rickon provavelmente era pai da avó de Neville e não era tão parecido com Neville. Os cabelos pretos ainda estavam ali, mas era apenas isso.
O garoto parecia bem "durão" e grande para a sua idade. Ele também era sério e seus olhos eram azuis ou alguma cor perto disso.
Já Alice era um pouco menor que ele e os cabelos eram de um tipo esquisito de ruivo mais escuro. Os olhos pretos demonstravam doçura, e ele tinha quase certeza de que a menina era tia de Molly e dos gêmeos que morreram na guerra.
Eles podem ser úteis.
Mas, primeiro, ele tinha que se aproximar de Charlus e, se os dados antigos estavam certos, ele sabia exatamente como agir.
– Prazer em conhecê-los – Harry falou para os garotos, olhando para Alice por ultimo – Eu te vi na aula de transfiguração. Espero que Avery não esteja sendo um idiota.
– Oh, não... Ele está sendo... Err... Normal – ela respondeu, dando de ombros.
Harry ergueu uma sobrancelha em descrença, mas mudou a expressão, já que ainda estava sendo observado.
– Bom, só vim te chamar para uma partida de Ludum, quero ver se consigo jogar isso sem ser azarado – ele riu, se lembrando dos cabelos vermelhos da Black.
Como se percebesse a causa da risada, Walburga estreitou os olhos mas logo se recuperou.
– Eu não quero jogar com aqueles idiotas, são muito escandalosos.
Harry deu de ombros. Era obvio que os meninos seriam escandalosos... Eram meninos.
– Que jogo é esse? – Alice perguntou, um pouco mais descontraída.
Potter e Longbottom ainda estavam meio receosos perto de Harry, mas aquilo era de se esperar. Ele era uma cobra afinal.
– Hm? Você não conhece...? – Walburga perguntou, olhando para os outros grifinórios.
– O jogo é mais popular aqui e Alice morou um tempo na França; Dentro do salão nós não podemos jogar – Charlus disse, incomodado.
– O professor Dumbledore, chefe da nossa casa, proibiu o jogo. Ele nos disse que proibiria na escola inteira, mas Dippet interveio – Rickon completou, mostrando que ele também estava chateado com o professor de transfiguração.
Ótimo.
– Então joguem com a gente – Harry disse simplesmente.
Walburga olhou pra ele, perguntando pelo olhar se aquilo era um tipo de truque. A guarda de Charlus e Rickon foram reerguidas, deixando-os tensos logo após o momento leve de extravasão de sentimentos. Apenas Alice ficou feliz, sorrindo alegremente pelo convite.
– Claro, adoraríamos – ela disse, respondendo pelos outros.
– Não acho que seja uma boa ideia – o menino Potter disse e Longbottom concordou com o olhar.
– Certo – Harry deu de ombros – Vamos, Alice? – ele disse, estendendo o braço para a menina, cavalheiro. Ela recuou por um momento, mas acabou indo.
Grifinórios eram tolamente corajosos.
Eles caminharam vagarosamente, indo até o corredor para ir a parte das masmorras.
Seria a primeira vez que um membro de outra casa entraria no salão comunal da sonserina em... Quantos anos eram mesmo? 200? 300? Oh, isso seria tão divertido.
– V-você... Você... – ela suspirou, segurando mais firmemente em seu braço – Vai ter que me ensinar, porque nunca ouvi falar do jogo.
Ele sorriu, confortando-a.
– Ah, não se preocupe Alice... Eu vou te ensinar tudo que você precisa saber.
