Parte II
Gerard levantou-se da mesa do restaurante tocando suas mãos pelo que seria a última vez.
- Sinto muito.
Deixou uma nota de cinqüenta reais na mesa para pagar a garrafa de vinho barato que havia consumido em poucos goles esperando Maligno chegar. Este por sua vez sabia que havia alguma coisa errada a partir do momento em que Gerard nem ao menos se levantou para cumprimentá-lo.
Enquanto andava pelas ruas cobertas de neve Gerard tirou seu celular do bolso e discou um número conhecido que nunca sairia de sua memória.
- Gerard?
A voz do outro lado da linha parecia sofrer ao pronunciar seu nome.
- Martin eu chego à sua casa dentro de sete minutos. Não. Vai demorar um pouco mais. Tenho que passar em casa antes.
Desligou sem ao menos esperar uma resposta. E apressou seus passos em direção à sua própria casa.
Deixou a porta aberta e foi correndo para o quarto, abriu a primeira gaveta e foi jogando tudo para traz até achar o que queria. Fechou a mão sobre o objeto e colocou no bolso do casaco, deixou o quarto como estava, tinha coisas mais importantes para fazer.
Saiu correndo pelas ruas pensando. Pensando no dia todo, no que tinha feito e no que iria fazer. Pela primeira vez em sua vida ele não estava pensando em nada, estava seguindo seu coração.
Chegou à casa de Martin e bateu à porta. Nenhuma resposta. Girou a maçaneta e empurrou, estava aberta, Martin provavelmente a havia destrancado. Música alta vinha de seu quarto. Gerard fechou a porta principal e atravessou a sala. Ficou por um tempo sentado no corredor, encarando a porta do quarto de Martin ouvindo-o cantar junto com a música. Levantou-se e segurou maçaneta e nesse exato momento a música parou e Martin abriu a porta.
- Way?!
- Bem. A porta estava aberta então eu...
- Tudo bem. Mas porque você veio?
Martin foi caminhando até a sala e Gerard foi atrás dele resmungando algumas palavras, procurando o que falar.
- Bem. Eu. É que. Ah. Eu terminei tudo com o Maligno.
A expressão de Martin misturava surpresa e alegria, seus olhos teimaram em se encher de lágrimas, mas ele se conteve.
- Por mim?
- É seu besta. Por quem mais seria? Desde o que você me disse eu fiquei pensando se o que eu estava fazendo era certo e eu percebi que era exatamente nesse ponto que eu estava errando, eu pensei demais, eu não fiz as coisas que eu queria por medo de estragar tudo. Mas agora eu me decidi.
- Decidiu-se certo pelo menos?
- Eu não sei se é certo. Talvez não seja, mas é isso que eu quero, é disso que eu preciso.
Gerard levantou do sofá, ajoelho-se em frente ao Martin e colocou a mão no bolso tirando de dentro uma caixinha vermelha.
- W-w-way eu...
- Shh Martin.
Ele abriu a caixinha revelando dois anéis dourados enroscados em uma fenda.
- Você quer se casar comigo?
Martin pulou sobre Gerard, ignorou completamente seu celular que tocou no momento em que Gerard o pegou no colo e o levou para o quarto. Martin fechou a porta.
