Parte III
Maligno comprimiu o resto de seu cigarro contra o fundo do cinzeiro de vidro já com bastante resíduo e chamou o barman, pagou a conta, sessenta reais, havia exagerado dessa vez, mas tinha seus motivos.
Saiu do bar com a cabeça abaixada e trombou com alguém no na porta.
- Desculpe-me.
O estranho o olhou nos olhos, diferente do que muitos fariam.
- Você não está pensando em sair daqui dirigindo está?
Maligno sacudiu as chaves do carro em sua mão.
- De jeito nenhum. Eu vim a pé. Eu te levo se quiser.
- Claro. Porque não?
Entraram no carro, Maligno passou o endereço. O carro começou a andar.
- Vai em frente pergunta.
- Perguntar o que?
- Eu sei que você quer saber por que eu bebi exageradamente.
- Não preciso perguntar. Pela marca de aliança no dedo eu presumo que fim de namoro. Certo?
- É. Ele me largou pelo ex.
- Ele... Homo?
- Ahan. Algo contra?
- Absolutamente nada. Também sou.
E sorriu. De um jeito meigo, mas ao mesmo tempo percebia-se malícia em seu olhar.
