"Alô, Jan Di?"

"Gu Jun Pyo! Esses jovens de hoje, aish… Você não disse que me considerava como um avô? Que tipo de neto é esse que nem se atreve a me fazer uma visita! Você…"

A voz do idoso foi ficando mais baixa enquanto Jun Pyo rapidamente conferia o visor do celular. A alcunha "Lavadeira" continuava lá, aparecendo bem embaixo de uma Jan Di fazendo bico que em nada combinava com os gritos de vovô que saiam pelo alto-falantes e trouxeram Jun Pyo de volta aos sentidos.

"YAH! COMO VOCÊ OUSA DEIXAR UM ANCIÃO FALANDO SOZINHO?"

"Perdão vovô… eu só… eu… Espera, por que o senhor está atendendo o celular dela?"

"É porque ela me contratou como recepcionista! O que você acha? Aquela cabeça de vento saiu atrasada e esqueceu o celular aqui"

"A Jan Di foi aí de manhã? Mas ela não deveria estar na clínica?"

"Ela tirou folga hoje ou algo assim. Preferiu vir aqui mais cedo, parece que ela tinha uma consulta mais tarde, sabe lá Deus porque essa menina foi num médico tão longe"

"Longe?"

"É! Eles ligaram ainda agora avisando que a consulta ia atrasar… qual é o nome mesmo? Clínica Pei Hui, Pan Heu ou algo assim, quase chegando em…"

Jun Pyo não ouviu mais nada além do próprio sangue quando leu a manchete de um dos jornais próximo à sua mesa.

"Pan Heo?"

"Isso, Isso mesmo! Clínica Pan Heo! Como você sabe? Jun Pyo? Jun Pyo?"

Mas o rapaz já não estava na linha, e sim correndo do escritório direto para o seu carro, temendo que já fosse tarde demais.

No jornal, esquecido no chão, a notícia de capa em letras garrafais: "Clínica Pan Heo é suspeita de realizar abortos ilegais"

~x~

—Ligaram? —Jan Di tateou os bolsos, à procura do aparelho. —Acho que perdi meu celular!

—Não, senhora. Um senhor atendeu, ele parecia te conhecer…

"Vovô?"

—Você comentou alguma coisa sobre ser…

—Não, não, senhora. Pode ficar tranquila, nós somos muito discretos. Mas, como eu disse, a senhora vai ter que esperar por um tempo, já que a sua consulta foi adiada.

—Não tem problema, eu vou aproveitar e fazer um lanche. Obrigada.

Jan Di comprou um biscoito numa lojinha. Inegavelmente, ela estava nervosa. Não que ela não soubesse o que estava por vir, ela mesmo já tinha passado por isso tantas vezes, mas é claro, sempre do outro lado da maca.

O doutor iria olhar para o ultrassom por alguns instantes, e iria hesitar antes de dizer: "Sinto Muito, senhorita Jan Di, mas o seu bebê não resistiu". Pragmaticamente falando, isso era bem comum, especialmente nesse início de gestação. Não! Melhor: isso não era comum… talvez pensando assim suas chances fossem maiores, já que nada estava seguindo o normal nessa gravidez.

Jan Di já havia reprisado esses pensamentos milhões de vezes, principalmente depois que a desculpa "o teste poderia estar com defeito" parou de fazer sentido, mais exatamente quando recebeu o resultado do exame de sangue. O Beta HCG, o hormônio da gestação, estava no limite inferior do que era considerado normal para aquela idade gestacional, o que só aumentou as esperanças de Jan Di. Ela se agarrou nisso, como se a morte desse bebê fosse a única chance de manter sua vida. Mas não hoje: naquele momento, ela só pensava em ouvir suas músicas favoritas o mais alto possível, para que não pudesse se concentrar em mais nada. E claro, devorar o biscoito, que ela já estava no terceiro pacote.

—Jan Di? Nossa! Que coincidência te encontrar aqui!"

—Jan Di?

—YAHH! GEUM JAN DI!

—Hã? Hein?

Jan Di finalmente ergueu o rosto do pacote de biscoito, procurando o motivo do desaparecimento súbito do sol. Um moreno de 1,87 metros era um bom motivo.

—Gu Jun Pyo, o que você está fazendo aqui?

"O que VOCÊ está fazendo aqui com MEU filho!" Foi o que ele quis responder. Em vez disso, ele achou melhor seguir o plano.

—Ahh! Eu também não esperava te ver aqui… O mundo é tão pequeno, não é? —Jun Pyo tentou soltar uma pequena risadinha. Ele procurava intensamente sinais de que ela ainda estivesse grávida, mas já ele não tinha notado nenhuma diferença entre antes de estar grávida e depois, a tarefa era meio impossível.

Jan Di estreitou os olhos, desconfiada. —O que você está fazendo aqui?

—Eu não estava te seguindo! Eu só tinha um encontro de negócios por aqui, só isso!

—A quarenta minutos do centro? —Ela realmente precisava ser tão esperta?

—Espera, o que você está fazendo aqui?

"Ouse responder!"

—Consulta pré-natal.

—Hein?

—Ficou surdo?

—Só isso?

—O que mais eu viria fazer aqui?

—Um ab… Ehh...Ahn... —E agora?— Mas a quarenta minutos do centro? Porque não foi no ShinHwa?

Jan Di sentiu as bochechas esquentando.

—Eu… eu… fiquei com vergonha. Não queria que ninguém conhecido, principalmente o meu chefe soubesse, então procurei um lugar mais longe.

Isso é um bom motivo. Jun Pyo respirou aliviado por não ter ido direto ao assunto. Do jeito que Jan Di era, era capaz de matá-lo por suspeitar que ela poderia matar alguém.

—Ahh… sim…

"Mas… quando a barriga crescer, todo mundo não vai ficar sabendo da mesma forma?"

—Vou esperar com você então.

—Hein?

—Onde é a clínica? Vamos! —Jun Pyo logo avistou a fachada e saiu arrastando Jan Di pelos pulsos. Eles entraram, sentaram em uma das cadeiras da sala de espera e deixaram o silêncio reinar entre eles.

Jun Pyo estava inquieto. Ao contrário de Jan Di, ele não tinha a menor noção do que acontecia uma vez que estivesse dentro da sala do médico. Ele olhou ao seu redor e viu alguns casais que também esperavam conversando. Ele pensou em puxar algum assunto com Jan Di, mas ela já estava com fones de ouvido. Jun Pyo observou de novo. Alguns estavam de mãos dadas, mas na maioria o marido abraçava a esposa com um dos braços e como outro acariciava a barriga. Jan Di ainda não tinha barriga. Mas ele tinha braços.

Fingindo um bocejo, ele se espreguiçou e disfarçadamente colocou um dos braços ao redor da cadeira de Jan Di. Ele olhou outra vez, para confirmar se era realmente isso que deveria fazer. Realmente, os outros estavam fazendo carinho na barriga. Então…

—Yah! O que você pensa que está fazendo? —Jun Pyo tirou as mãos de Jan Di como se ela estivesse dando choque. Ele preferia mil vezes que ela gritasse ao invés de usar esse tom entre-dentes.

Jun Pyo indicou com os olhos os outros pacientes como que explicando a razão de sua ação. Se ela entendeu ou não ninguém sabe, mas ele ainda estava vivo.

Houve mais alguns minutos de silêncio, até Jan Di guardar os fones e dizer:

—Eu sou a próxima. Não precisa esperar por mim, pode ir para casa.

—Hã? Ei! Eu vou com você!

—Hein?

—Eu quero ver o bebê!

—Mas..mas… você pode se sentir um tanto desconfortável…

—Eu? Por que?

—O ultrassom é… transvaginal.

—Como assim?

Jan Di sentiu o rosto esquentando violentamente.

—Bem, é… é… —Jan Di tentava buscar as palavras, enquanto inconscientemente explicava com as mãos. Pena que Jun Pyo não teve tempo de entender. Jan Di foi chamada ao consultório, e ele, inocente, foi junto.

~x~

—Olha, a sua é um pouco mais complicada do que eu esperava… Mas não se preocupe, senhora Lee, eu tenho um amigo numa clínica maior, tenho certeza que ele vai poder te ajudar.

—Muito obrigada, Doutor Yoon!

Vovô se levantou da cadeira, e alcançou a lista telefônica. Ele procurou com cuidado, lendo os nomes cuidadosamente organizados em ordem alfabética. Mas antes que ele encontrasse o que procurava, outra linha chamou a sua atenção:

"Pan Heo - Clínica Obstétrica"

—Obstétrica?

Os olhos de vovô se arregalaram, o velho coração bateu rápido como não fazia há tempos. Com o resto de concentração que tinha sobrado, ele pegou o número da clínica do seu amigo e terminou de atender a paciente. A clínica estava lotada hoje, e esse assunto ia precisar esperar.

~x~

—Geum Jan Di, certo?

—Ye.

—E o senhor pomposo, é?

—Jun Pyo. Gu Jun Pyo.

—Você é… o papai, certo?

Jan Di soltou o ar que ela não sabia que estava prendendo. Se Jun Pyo fosse reconhecido agora, era o fim.

—Ye.

—Isso é bom, isso é bom… Então, vamos preencher a ficha.

—Idade?

—24.

—Papai?

—Papai?

Jan Di deu uma leve cotovelada nas costelas de Jun Pyo.

—Hã? Eu? O que?

—É importante que o futuro papai também responda essas perguntas.

"Papai...Eu…"

Jun Pyo ficou offline outra vez. Jan Di resolveu interceder: —Ele tem 27.

—Aham… Ocupação?

—Empresário.

—Estudante.

Dessa vez Jun Pyo cutucou Jan Di.

—Nadadora.

Outro cutucão.

—Médica residente.

—Jan Di!

—Voluntária e administradora nos fins de semana. —Ela adicionou rápido.

—Calma aí, qual desses?

—Todos. —O casal respondeu junto. O doutor levou um tempinho para anotar tudo.

—Em qual área da medicina você atua?

Com um sorrisinho amarelo, Jan di respondeu: —Obstetrícia.

E acabaram se as perguntas fáceis.

—A gestação foi planejada?

—Não.

—Desejada?

Jan Di respirou fundo antes de responder "Não". Jun Pyo engoliu em seco.

—Usaram algum método contraceptivo?

—Não…

—Que mole, hein, colega?

—É que… foi bem antes do período fértil e… e…

"Eu supostamente não ia fazer sexo com esse idiota que sequer lembra da existência de camisinha"

—Hm… Se foi realmente muito cedo, o endométrio poderia estar muito fino… Talvez a implantação pode não ter sido boa… — "Essa é a minha expectativa"— Mas é muito cedo para dizer qualquer coisa. Teve algum sangramento?

—Um pequeno, há uns dois dias.

—Aham... A vida sexual de vocês é muito ativa?

—Não, doutor. Foi uma única vez.

—Uma vez só? Que mira, rapaz!

Jun Pyo não pode evitar se sentir orgulhoso. Jan Di não pode evitar pedir que em buraco surgisse em baixo dela. E ela sabia que o pior ainda estava por vir.

—Agora, a senhora precisa me responder uma pergunta muito séria e muito importante.

—O que foi?

—Você gosta mesmo desse cabelo de croissant?

~x~

Então, senhor caracóis, está preparado?

Jan Di já estava vestida para os exames. Se é que uma camisola ridícula de curta e quase completamente aberta na frente poderia ser chamada de vestimenta. Ela estava presa na porta, sem conseguir encarar o que a esperava. E quem a esperava: Jun Pyo, codinome caracóis, e o doutor mais engraçadinho do mundo. Como se os exames e a roupa já não fossem constrangedores o suficiente. Dava para ouvir o médico tentando puxar uma conversa com Jun Pyo.

—Aish, garoto, não fique assim, ela já vem. Você vai gostar, diferente dos outros hospitais, a camisola daqui é, digamos, sexy…

Jan Di voltou para o vestiário. Afastando um pouco a cortina, tentou calcular as chances de fuga. Zero. Sem contar que ela tinha que fazer o exame. Um aborto retido, como ela apostava estar, poderia deixá-la realmente doente. Ela respirou fundo mais algumas vezes, e se tampou o máximo que podia antes de sair.

—Aí está a graminha. Como você é minha colega, já sabe como vai ser, não é mesmo? Deite-se aqui em posição ginecológica e apoie as pernas aqui.

Ela passou por Jun Pyo fingindo que ele não existia. Essa era a única forma de ela conseguir fazer esse exame.

—Com licença, com licença… —O doutor removeu os braços de Jan di ao redor de seu corpo, para que pudesse fazer o exame do abdômen, tórax e mamas. —Não precisa ficar tímida, eu sei que ele já viu tudo, não é?

Mas Jun Pyo estava de olhos fechados. Antes e agora. De vez em quando ele espiava e via que o doutor ainda estava apalpando as costelas e seios de Jan Di, e tornava a fechar os olhos bem apertado.

"Realmente, ela disse que seria constrangedor. Agora eu entendo."

—Faremos o exame de toque agora.

O rapaz observou atentamente quando o doutor se posicionou embaixo de Jan Di, de frente para…hm...aquela parte. Ele olhou pra ela, que estava vermelha e olhava para qualquer lugar que não fosse Jun Pyo. Olhando novamente para o doutor, ele o viu colocar os dedos nela, enquanto a outra mão pressionava a barriga da garota. Não que tivesse dito muitas coisas nessa consulta, mas definitivamente agora Jun Pyo estava com a língua presa, mesmo abrindo e fechando a boca diversas vezes tentando esboçar alguma reação. Ele respirou um pouco mais aliviado quando o médico removeu os dedos de Jan Di, mas então finalmente encontrou algo para dizer:

—Sa-Sangue?

—Sim, sim, é normal sangrar um pouquinho. Fique tranquilo, nada que ponha seu pequeno croissant em perigo. Aliás, o colo do útero está bem fechado, o que é um bom sinal. Vamos ao ultrassom agora, ver se o pequeno croissant está indo bem.

Finalmente algo com que ele era habituado, Jun Pyo pensou. Isso ele já tinha visto em dramas e filmes… Iam colocar um gel na barriga e então passar um troço pra lá e pra cá até aparecer um lindo bebêzinho na tela e...camisinha?

A partir daí, as coisas ficaram em câmera lenta. O médico vestiu a camisinha em um instrumento e o colocou dentro de Jan Di.

"—Mas..mas… você pode se sentir um tanto desconfortável…

Eu? Por que?

O ultrassom é… transvaginal."

Tarde demais para entender. E agora isso também já não importava. O médico mostrou na tela um bolha. Dentro da bolha havia um pequeno croissant. Cabeça, cauda e um pontinho intermitente no meio:

—Vamos ouvir o coração…

Jan Di e Jun Pyo estavam com os olhos vidrados na tela. Pela experiência, ela já tinha visto que o bebê estava bem. Muito bem. Mesmo com as condições precárias, ela suspeitava que esse era o feto mais saudável que ela já havia visto. Quando ouviu o som do coração do bebê, ela foi às lágrimas.

Não era emoção. Quer dizer, era um emoção, mas não o tipo de emoção que leva às mães a chorar. Ela não sabia se ficava aliviada em saber que o seu filho estava perfeitamente bem ou se esse era o motivo de seu desespero. Ela se sentiu culpada em ter desejado que não estivesse tudo bem. Ela se sentiu um lixo por levar seu corpo aos extremos na esperança que isso matasse seu bebê. Aquele que estava ali, vivo e saudável. Ela não sabia mesmo se deveria ficar feliz que a sua loucura não tinha funcionado. Ela pensou mesmo que não tinha chances do feto sobreviver. Novamente, aconteceu o contrário de suas expectativas. Jan Di se viu sem esperanças e sem desculpas. Agora, vendo e ouvindo o bebê, ela finalmente assumiu para si mesma: ela estava grávida. Ela seria mãe. Agora era inegavelmente real.

A viagem de volta foi relativamente confortável, já que ela ignorou completamente o pai do bebê, perdida nos próprios pensamentos. Ela até levou um susto quando, antes de sair do carro, Jun Pyo a entregou seu celular. Eles tinham passado na clínica do vovô, um dos seguranças tinha buscado o celular e ela nem tinha se dado conta disso. Na verdade, ela nem percebeu que tinha chegado em casa até ser acordada.

O peso da realidade e da responsabilidade desceu de uma vez em suas costas. Primeiro, ela precisava engordar, o que queria dizer arranjar tempo para comer. Segundo, começar a tomar vitaminas (que ela sabia que precisava estar tomando há muito tempo para a boa saúde do bebê, que ela jurava até ontem que já estava morto). Terceiro: encarar o mundo. Jan Di preferiu fazer tudo isso depois de tirar um cochilo, assim que chegou em casa.

~x~

Era um pouco depois da hora do almoço quando os pacientes finalmente deram uma pausa. Vovô tomou um copo de água antes de fazer o que estava esperando ansiosamente toda a manhã, principalmente depois que vieram buscar o celular de Jan Di sem a mesma se importar em dar as caras.

Com os dedos tremendo, ele pegou o telefone e pressionou a discagem rápida. Depois de alguns toques, por um milagre, foi atendido.

"Vovô?

"YOON JI HOO! O QUE VOCÊ APRONTOU?"

~x~

—Ai! Ai, vó!

—Como você me faz isso, garoto? Cadê a menina? Quem é? Não me diga que você engravidou uma vagabunda qualquer… ou pior! É a Jae Kyung? Ah, garoto!

Kim Young Ok*, mãe do falecido pai de Jun Pyo, batia nele com a bengala enquanto falava. Foram 53 bengaladas até agora, e ainda estamos contando.

—Não! Não vovó. A mãe é a Jan Di.

—Jan Di...Geum Jan Di?

—Sim.

—Ela não estava namorando o Ji Hoo? Ah, quem se importa! Finalmente você fez alguma certa nessa vida… Disse ensaiando um sorriso.

Não foi tão surpreendente assim. A avó de Jun Pyo era apaixonada por Jan Di, assim como sua irmã. Como elas se conheceram é uma longa história, mas ela bem sabia que o neto era apaixonado pela menina e que ela era a razão e mentora da sua drástica mudança de comportamento. E melhor: ela era quem o fazia feliz, mesmo como quase inimiga. Se Jan Di fazia seu menino feliz, então ela gostava de Jan Di. Só tinha um pequeno detalhe...

—Vovó, ela ainda está namorando o Ji Hoo…

~x~

—Como não é o pai? Ela te traiu? Yoon Ji Hoo, o que você fez?

—Calma aí, de qualquer forma é minha culpa?

—Claro! Se ela fez isso, você deve ter dado motivo… Eu sabia, você a abandonando assim, algum outro cara ia tomar seu lugar. Foi bem feito.

—Não, vovô… Foi bem ao contrário… —Ji Hoo tentou achar as palavras certas para explicar a situação— Na última vez que eu vim, naquela viagem… Eu disse para a Jan Di que nós… que nós ficaríamos juntos… Mas o voo atrasou, e eu só cheguei de manhã.

—Como eu disse, sua culpa…

—Não, vovô, não foi isso. Nesse meio tempo, a Jae Kyung drogou o Jun Pyo, que acabou entrando no quarto errado. Eles não perceberam o engano até que eu cheguei, já de manhã…

—O pai é o Jun Pyo? O Gu Jun Pyo?

—Sim, vovô…

—Aquele garoto sempre ganhou de você em tudo, agora até nisso você me inventa de perder… Aish… E então, o que você vai fazer?

—Eu… eu vou cuidar disso, vovô.

~x~

O toque estridente do celular fez Jan Di acordar mais cedo do que planejava. Acordar é forma de dizer...ela só não estava mais dormindo…

—A…(bocejo)Alô?

—Jan Di…

—Sunbae?

—Sim… sou eu. Você está bem?

—Sim...por quê? (outro bocejo distraído)

—Jan Di… você está grávida do Jun Pyo!

Ela tentou pensar em uma resposta, mas a frase claramente não era uma pergunta. Ela apenas respirou fundo e deixou sua curiosidade mais básica falar.

—Como você soube?

—Como você pode não me contar? Pelo tempo, você já deve saber há quase um mês!

—Não...Eu descobri há menos de uma semana... Acho que se não fosse pelo Jun Pyo, nem eu estaria sabendo ainda. Eu… precisava de um tempo, para eu mesma aceitar, entende? Só hoje que vi o bebê no ultrassom é que fui ter coragem de admitir. Nem os meus pais ou a Ga Eul sabem ainda, e eu ainda nem sei como contar.

—Então não conte ainda.

—Hã?

—Jan Di, essa… esse acontecimento me fez acordar para uma coisa. Já me disseram isso antes, mas só agora eu percebi. Já passou da hora de eu fazer isso. Eu vou cuidar de você, Jan Di.

—Hã?

—Essa situação pela qual você está passando, é de certa forma minha culpa. Mais de uma vez eu te abandonei e assim também foi naquela noite. Se eu não tivesse ficado até mais tarde para atender aquele paciente, eu teria chegado em Nova Caledônia à noite, como eu tinha te prometido, e nada disso estaria acontecendo. Se naquele dia eu tivesse ficado do seu lado, talvez eu tivesse lembrado da pílula do dia seguinte ou talvez eu…

—Sunbae…

—Jan Di, eu vou enviar passagens de avião para a Rússia, devem chegar na sua casa ainda essa noite. Eu vou assumir toda a responsabilidade. Não se preocupe com nada.


*Kim Young Ok was the Head Maid in Boys Over Flowers. In this story, she is Jun Pyo's paternal grandma.

A.N: Leitora hispânica: Hola! Gracias por su suporte! (idioma: portunhol rsrs)