Capítulo 09 – "Dance mais"
Tanto Amy, Lice e Lily quanto os três marotos receberam com ares de "finalmente" a notícia do encontro de Remo e Mila marcado para o outro fim de semana em Hogsmeade.
Nenhum dos dois tinha respondido com detalhes as insistentes perguntas dos amigos. Não que precisassem de verdade, os sorrisos frequentes deixavam claro que havia algo mais no ar.
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Nos dois dias que se seguiram, Lílian mal foi vista pelos amigos. Chegava para as aulas em cima da hora e saía logo que o sinal tocava.
Tiago chegou a tentar segui-la, contudo, por duas ou três vezes a perdeu de vista na aglomeração do corredor. Chegou a olhar na biblioteca, mas a ruiva não estava lá.
Na manhã do terceiro dia, porém, a moça sentou-se à mesa da Grifinória e tomou café com toda a calma do mundo.
-Ah, finalmente. – Amy disse ao lado dela – Devolveram você à Terra?
-Como assim? – a amiga perguntou enquanto passava geléia em um pedaço de pão
-Tive a impressão que você foi abduzida dois dias atrás.
-Não, não fui parar em outro planeta, não se preocupe. – a ruiva falou displicente
-Outra galáxia, talvez?
-Também não. Só estava com alguns trabalhos atrasados e queria terminar logo.
-Ah… Já conseguiu terminar?
-Já, ainda bem. – Lílian sorriu
A dois lugares de distância, Tiago reparou que ela tinha um sorriso satisfeito. Satisfeito demais por apenas alguns trabalhos terminados.
No caminho para as masmorras, o rapaz foi se deixando ficar para trás na tentativa de falar com ela. Por coincidência, Lily fez o mesmo e logo os dois estavam mais ou menos distantes dos amigos que seguiam na frente.
-Preciso da sua ajuda. – ela apressou-se em pedir
-Em quê? – ele perguntou surpreso, era uma das últimas coisas que esperava escutar dela
-Preciso que vá comigo à casa de Hagrid hoje à tarde, que dê um jeito de levá-lo para fora deixando eu e Flor lá dentro e que o segure lá fora uns cinco minutos.
-Você quer ficar sozinha com Flor lá dentro? – Tiago estranhou
-Querer, não quero, mas se der certo o que estou pensando, pode valer a pena.
-E isso teria alguma coisa a ver com o seu sumiço nos últimos dois dias? – ele supôs
-Teria. – ela respondeu brevemente
-E eu posso perguntar o que é?
A moça olhou para os lados antes de abaixar ainda mais a voz e dizer:
-Encontrei uma poção que retarda o crescimento dos espinhos na cauda de Flor. Isso deve nos dar mais algum tempo para convencer Hagrid a desistir dela. Felizmente a poção demora só dois dias para ficar pronta.
-Então você já preparou?
-Já.
-E onde você conseguiu esconder um caldeirão?
-Já ouviu falar do banheiro da Murta-que-geme?
-Sim.
-Então, lá.
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Perto das cinco da tarde, os dois saiam sorrateiramente para os jardins.
-Vamos pela porta do fundo, passando pela horta do Hagrid. – Tiago indicou
-Por quê?
-Vai ver.
Chegando à horta, Tiago lançou um feitiço sobre as folhas das aboboreiras deixando-as corroídas em alguns pontos.
Quando Hagrid os atendeu e perguntou por que tinham vindo pela porta dos fundos, o maroto respondeu apenas que era para não chamar atenção de ninguém.
Após cerca de quinze minutos de conversa, o rapaz lançou o assunto:
-Hagrid, tem lagartas na sua horta?
O meio-gigante parou brevemente de agitar um ursinho de pelúcia cor-de-rosa na cara de Flor.
-Lagartas? Não, por quê?
-É que nós vimos umas folhas roídas, não foi, Lily?
-Foi, é verdade.
-Estranho, ontem eu olhei e estava tudo bem…
-Se você quiser, eu mostro onde estão. – Tiago ofereceu
Hagrid lançou um olhar a Flor. Lily entendeu e emendou:
-Eu cuido dela pra você, Hagrid.
-Bom, então, está bem. – e adoçando a voz acrescentou – Papai já volta, Florzinha. – e saiu com Tiago
A moça apressou-se, não tinha tempo algum a perder. Silenciosamente apontou a varinha para a iguana e lançou um feitiço paralisante. Tendo certeza de que não sofreria qualquer tipo de ataque, destampou o vidro que havia trazido no bolso da saia e esparramou a poção transparente e pegajosa na cauda do animal. Lançou um feitiço de secagem rápida e ficou a postos. Assim que viu a maçaneta girar, retirou o feitiço paralisante.
-Ela se comportou bem, Lily? – Hagrid perguntou
-Muito.
Quando o guarda-caça virou de costas, a ruiva fez um discreto sinal afirmativo com a cabeça, e Tiago entendeu que tinha dado tudo certo.
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O fim de semana seguinte, o último de abril, era de grande expectativa no castelo, especialmente para Grifinória e Corvinal, que competiriam no último jogo de Quadribol do ano, decidindo o campeonato.
Por isso, às nove da manhã do sábado, alunos e professores se acomodavam nas arquibancadas aguardando a disputa que logo começaria. Clark Jordan, da Grifinória, faria a narração.
-Eee estamos chegando ao último jogo da temporada. Grifinória precisa ganhar de uma diferença de apenas trinta pontos para levar a taça. Entram os jogadores da Corvinal: Dashwood, Lucas, Pendleton, Brown, Collins, White e Penvensie. E agora o melhor time da temporada, Grifinória.
-Sem juízos de valor, Jordan. – alertou McGonagall
-Certo, professora. Vamos aos jogadores: Bennet, Harrington, Chilton, Geller, Taggart, Lockhart e Potter.
Lily não admitiria, mas procurava no céu o apanhador grifinório.
-Madame Hooch lança a goles eee começa o jogo! Corvinal com a posse da goles, Dashwood passa para Pendleton… Bennet intercepta! Bennet que aliás está ainda mais linda esse ano.
-Jordan!
-Desculpe, professora.
E o jogo seguiu. A cada balaço que se aproximava de Tiago, Lílian sentia a coluna esfriar. E quando os dois apanhadores se inclinaram nas vassouras imprimindo velocidade na disputa pelo pomo, ela foi uma das primeiras pessoas a se levantar de ansiedade.
Logo que Tiago voltou do mergulho com o braço estendido e a bolinha alada se debatendo entre seus dedos, ela comemorou com todos os grifinórios. Havia, porém, algo diferente em seu sorriso: moderado, reservado. Não era a explosão de entusiasmo dos amigos pela vitória de sua casa, mas uma alegria interna por vê-lo feliz, realizado. Desceu com todos para o chão do Campo de Quadribol e ficou observando-o a certa distância.
O rapaz era abraçado, cumprimentado e ovacionado como os outros jogadores, contudo, faltava alguém. Percorreu os olhos pelos colegas à procura de um lindo par de olhos verdes. E os encontrou. Eles miravam seu rosto, ela sorria. Dali não ouviu, mas viu os lábios de Lily pronunciarem: "Parabéns." Respondeu, mesmo sabendo que ela não escutaria: "Obrigado." Viu-a ainda inclinar a cabeça indicando que havia entendido antes de ser arrastado para um abraço coletivo.
Os dois não se viram mais o resto da manhã e à tarde. Tiago, os Marotos e os jogadores organizavam a comemoração no Salão Comunal. Já Lily tinha gastado três dias procurando e preparando a poção para a cauda de Flor, o que acabou atrasando suas lições. Por isso, passou o resto do sábado na biblioteca – não importaria quanto tempo passasse ao lado de um Maroto, seu lado responsável estaria sempre presente.
Logo no início da noite, ela voltou para a Torre da Grifinória, a comemoração já havia começado. Algumas mesas e poltronas haviam sido arrastadas para mais perto das paredes e o barulho era um misto de música e vozes conversando alto.
Lílian não era exatamente o tipo de pessoa que gostava muito de aglomerações e tentou passar de fininho para subir para o dormitório. Só que Tiago a vinha procurando desde o final da tarde e não a deixaria escapar tão fácil. E para sorte dele, contava com a ajuda de Amy e Lice na empreitada, ainda que eles não tivessem combinado nada.
-Aonde você pensa que vai, senhorita Evans? – Amy surgiu ao lado dela
-Eu… vou deixar minhas coisas lá em cima. – a ruiva indicou os livros e pergaminhos que carregava
-Pode deixar que eu levo pra você. – Alice também havia chegado
-Não precisa… - Lily ainda tentou
-Eu faço questão. – Lice tomou os objetos – Amy, segure-a aqui embaixo.
-Pode deixar.
Amy passou seu braço pelo braço da amiga e a levou para perto da lareira.
-Não vivemos em uma democracia? – Lílian ia dizendo
-Não neste exato momento. – Amy foi taxativa – Ah, Lily, qual a graça de ficar lá em cima enjaulada?
-Esquece, eu desisto. – ela abanou a cabeça
-Ótimo. – a amiga sorriu
Logo Alice estava de volta e… digamos que assunto não era algo que faltasse entre elas…
Do outro lado do Salão, perto da lareira, Tiago discutia lances do jogo com Sirius e dois sextanistas, quando meio por acaso bateu os olhos nas três meninas. Conversavam, riam, brincavam… Distraído com a cena, melhor dizendo, com uma das personagens da cena, ele precisou disfarçar ao voltar a atenção para sua própria conversa e perceber que tinha perdido quase cinco minutos da fala de Almofadinhas.
Pouco depois, vendo que Alice levantara para receber uma coruja na janela e Amy fora beber alguma coisa, para não dar a Lílian chance de fugir, ele se aproximou e sentou ao lado dela.
-Oi.
-Oi, Tiago. – ela respondeu surpresa, não o vira chegar – Parabéns de novo pelo jogo.
-Obrigado de novo. – ele inclinou de leve a cabeça agradecendo – Quase não te vi hoje.
-Passei uma parte da semana pesquisando poções e acabei atrasando as outras matérias.
-É, lembro que você… comentou. Precisa de ajuda?
-Obrigada. Já consegui resolver.
Nesse momento, Amy voltou.
-Lily, você está muito desanimada. Vem, vamos dançar. – a amiga disse começando a puxá-la pelo braço direito.
-O quê? Amy, não… por favor…
-Também acho uma ótima idéia. – Tiago concordou
A princípio, ele a puxava pelo braço esquerdo, mas vendo que não conseguia nada, passou um dos braços pela cintura da ruiva que, depois disso, não conseguiu continuar sentada.
Após ler a carta de Frank, marcando um ponto de encontro em Hogsmeade no fim de semana seguinte, Alice se juntou a eles.
As duas amigas permaneceram ali até que Lily deixasse de estar tão rígida e entrasse na brincadeira. Depois, disfarcadamente saíram.
Tiago e Lílian não estavam sozinhos, – quase toda a Grifinória estava ali – mas era como se estivessem. Não prestavam atenção a ninguém e ninguém a eles.
