Capítulo 14 – "…Mesmo que seja sempre pela mesma pessoa"
A penúltima semana de junho trouxe a má notícia de que Remo e Mila tinham terminado. Por algum motivo que nenhum dos dois contava. Amigavelmente, mas estava acabado.
A dois dias de início dos NIEMs, Remo aproveitou que Lily estudava sozinha no Salão Comunal para falar com ela.
-Lily? Desculpa te atrapalhar. – disse sentando na cadeira ao lado dela
-Tudo bem. Eu já precisava fazer uma parada. – ela pousou a pena sobre o pergaminho
-É… Você vai com alguém ao baile de formatura?
-Não, com ninguém.
-Você iria comigo? Como minha amiga? – ele se apressou em acrescentar
Remo tinha acabado de terminar o namoro, e ela não queria que ninguém a convidasse para o baile pensando em qualquer possibilidade de ser um encontro. O pedido dele seria ideal, todavia…
-Remo, eu aceitaria, só prefiro falar com Mila antes, tudo bem?
-Claro, depois você me responde. Eu já vou, - disse se levantando – tenho uma reunião da monitoria agora.
-Boa reunião.
-Obrigado.
Mais tarde naquele dia, Lílian tirou Mila da mesa da Corvinal para falar com ela e contar seus motivos.
-Não, Lily, claro que não me importo. – foi a resposta – Vocês são amigos desde o primeiro ano. Mesmo assim, obrigada por perguntar.
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Também naquele dia, aproveitando a certa aproximação proporcionada pelo plano de Remo, Sirius falava com Amy.
-Amy, você iria ao baile comigo?
-Sem ofensa, não. – ela respondeu
-Assim? Não, na cara?
-No mínimo por consideração a Lily, eu não posso ir com você.
-Eu aprendi a lição. Depois de ver meu melhor amigo mal do jeito que ficou, entendi o que a gente tinha feito.
-Mesmo assim.
-Se não fosse pela Lílian, você iria comigo? Pelo menos como minha amiga?
-Se você não tivesse agido como um grande imbecil, você diz?
-É, isso.
-E ser atacada por um bando de fãs raivosas? Eu acho que não.
-Eu protejo você.
-Ah… não.
-A não ser que você queira ir com outra pessoa…
-Isso não é da sua conta. De todo modo, vou fazer companhia para Mila e também ir sozinha.
-Mila não vai exatamente sozinha.
-Bom, eu já disse que ia sozinha e vou. Aliás, dizer "sozinha" é meio estranho já que vou estar com todos vocês.
-Quer dizer que já convidaram e você não aceitou?
-Você está fazendo preguntas demais e eu quero voltar a estudar.
Sirius levantou os braços em sinal de rendição.
-Ok.
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Os NIEMs chegaram trazendo uma avalanche de provas teóricas e práticas deixando os setimanistas exaustos. Inúmeros pergaminhos, feitiços, ingredientes de poções, enfim. O estresse tinha terminado. Agora podiam descansar.
Na última semana do mês, o Salão Principal foi decorado com o símbolo de Hogwarts em homenagem às quatro Casas. A comprida mesa dos professores e as outras quatro mesas foram retiradas dando lugar a um grande espaço no centro circundado por mesas redondas menores. Flores e fadinhas luminosas foram espalhadas nas colunas e pilares, além dos arbustos nos Jardins. Tudo estava pronto para receber os formandos.
Na Torre da Grifinória, no dormitório masculino, os rapazes terminavam de se trocar.
-Pontas, não fica esperando no Salão Comunal. Desce direto com Rabicho.
-Aluado, você deliberadamente esqueceu de mim, ou só fingiu? – reclamou Sirius com problemas para fazer o nó na gravata
-Você realmente vai sozinho, Almofadinhas?
-Já disse que sim.
-Inacreditável. – fez Remo
-Você vai encontrar com ela no Salão Comunal? – Tiago perguntou
-Vou. – Remo respondeu
-Hum, boa sorte. – disse Sirius e soltando um projeto de nó pela terceira vez, pediu impaciente – Será que alguém pode me ajudar com essa coisa?
Remo rolou os olhos para o alto antes de dar fim à saga da gravata.
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No dormitório feminino, Lílian foi a última a sair do banho e levou algum tempo enrolando as pontas dos cabelos com a varinha e passando uma maquiagem leve. Depois fez um meio rabo com uma presilha prateada. Se arrumava sem pressa. Semanas antes, imaginava que essa noite seria diferente…
Alice foi a primeira a ficar pronta, estava ansiosa para encontrar Frank. Amy foi a segunda ao terminar de fazer três pequenas tranças de um lado do cabelo e passá-las por cima da cabeça como uma tiara.
-Não precisam ficar me esperando. – falou Lily – Lice está louca para ver Frank.
-Não vamos deixar você descer sozinha. – fez Lice
-Não vou. – Lily respondeu – Vou encontrar Remo já no Salão Comunal.
-Se é assim… Vamos, Amy?
-Vamos… Até daqui a pouco, Lily.
-Até.
Viu-as fecharem a porta e expirou com peso. Mirou sua imagem no espelho, colocou o vestido, passou perfume, calçou os sapatos, deu uma última ajeitada no cabelo, encarou a porta respirando fundo e levantou a barra da saia para descer as escadas com mais facilidade.
Encontrou o amigo em uma poltrona próxima à lareira.
-Remo? Desculpa. Fiz você esperar muito tempo?
-Não, Lily. – ele respondeu se levantando com um sorriso – Vamos descer? – ofereceu o braço
-Claro. – ela forçou um sorriso
Tiago assistiu de longe a entrada de Lílian no Salão Principal acompanhada de Remo. Precisava dar certo…
A ruiva também o avistou por um instante ao lado de Sirius e Pedro.
-Remo, você sabe que não precisa ficar do meu lado o tempo todo, não sabe?
-Como assim?
-Com certeza você quer passar um tempo com seus amigos. Eu só… não posso ir com você… bom, você sabe porquê.
-Não precisa se preocupar comigo, Lily. – disse simpático – Quer dançar?
-Claro. – ela mais uma vez forçou um sorriso
Caminharam para o centro do Salão. Uma música nem rápida nem lenta era tocada.
Em uma mesa à direita, Amy e Mila ficaram sozinhas quando Alice e Frank se levantaram para dançar. Amy bebericava sua cerveja amanteigada, quando Mila notou Remo e Lily dançando e sorriu por um dos cantos da boca.
-Amy, você não torce mesmo para que a idéia de Remo dê certo?
-Mila, se Tiago estiver sendo sincero, torço para dar certo, se não, torço para dar errado.
-Sim, eu também, mas acredito no Remo. Tiago pareceu bem mal depois que Lily descobriu e só melhorou um pouco depois desse plano.
Amy meneou a cabeça.
-Ele mereceu ficar mal.
Em um determinado momento, Remo soltou a cintura de Lily para afastá-la e fazê-la girar. No meio do giro, a garota sentiu a mão dele escorregar da sua por um instante e depois voltar a segurá-la.
Quando voltou para apoiar no ombro dele, o rosto dela mudou, seu sorriso desapareceu, sua respiração ficou um pouco mais rápida. Quem se aproximava dela e a envolvia pela cintura não era mais Remo… O amigo havia concedido a mão dela para Tiago.
-Eu sei que não mereço, mas me escuta, por favor. – ele falou depressa ao perceber que ela tentava se afastar.
O olhar dela era muito sério, cortante. Para não chamar atenção dos que estavam em volta, ela apenas continuou a seguir os passos dele.
Só agora, pela curta distância, o rapaz podia ver o quanto ela estava bonita. A maquiagem discreta e o verde claro do vestido combinavam perfeitamente com ela. Não que ele achasse que podia tecer qualquer comentário a respeito, ela provavelmente desprezaria…
-Eu sei que jamais podia ter aceitado aquele tipo de aposta, mas confesso que a tentação foi grande demais… Ocupado em te provocar e irritado por tantas vezes perder para suas ironias, eu fiquei mais resistente ao seu encanto. Só que a sua beleza e um… traço do seu rosto sempre me atraíram.
-Meus "olhos de esmeralda"? – Lily perguntou com o tom de fino sarcasmo que Tiago conhecia tão bem
-São seus olhos, sim. – ele respondeu – Não a cor deles. – completou com pressa ao ver a ruiva olhar para os lados em um sinal claro de impaciência – Algo na sua forma de olhar, eu ainda não sabia bem o que era.
Lily o encarou, o que o deixou hipnotizado por um instante. Fazia tantos dias que isso não acontecia… Tantos dias que ela não o olhava diretamente…
-Eu fui um idiota, um imaturo e ainda tive a prepotência de achar que poderia te ensinar alguma coisa… Se é que você ganhou alguma coisa em passar um tempo comigo, com certeza eu ganhei mais. No fim, viver ao seu lado é fácil, eu não sinto a necessidade de provar que sou melhor ou algo assim. A sua companhia é suficiente pra me fazer bem.
Nessa hora, a música acabou e foi seguida de curtos aplausos. Lily quase se surpreendeu por ver tanta gente ali. Parecia que estavam sozinhos.
-Iria comigo até os Jardins? – ele convidou
Ela não disse nada, apenas inclinou a cabeça em consentimento e o acompanhou. Uma vez lá fora, ela falou pela primeira vez:
-Por acaso isso é parte de alguma outra aposta?
-Não, Lily. Nunca.
-Nunca? – sua ironia audivelmente presente – Achei que tivesse acabado de ganhar uma aposta desse tipo.
-O quê? Não, no dia em que me ouviu falando com Sirius, eu fui encerrar a aposta.
-Hum, curiosamente, você foi encerrar a aposta exatamente no dia em que tinha ganhado.
-Não, eu não tinha. Na prática, Sirius entendeu que ele ganhou.
Lily abaixou a sobrancelha.
-Por quê?
-Porque ninguém sabe que nos beijamos. – ele sussurrou
-Sirius não sabe? – ela estreitou os olhos
-Como você sabe, Sirius é um cachorro, não uma tapeçaria.
Lílian desviou os olhos para o lago como se isso a ajudasse a pensar.
-Tiago, eu queria acreditar.
Ele notou a mudança para seu primeiro nome.
-Lily, eu faria qualquer coisa, me dê Veritasserum…
-Eu não quero que tome Veritasserum. – ela o interrompeu – Quero simplesmente confiar em você… de novo.
-Lily…
Ele deu um passo na sua direção, mas ela estendeu o braço para impedi-lo.
-Por que não disse nada a Sirius?
-Porque isso me faria ganhar uma aposta que eu não queria ganhar, uma aposta que não significava mais nada pra mim há muito tempo. Eu só queria terminar aquilo para poder falar com você sem nenhum peso.
-Falar o quê? – ela perguntou desconfiada
-Que eu acho que entendi o que me fascina nos seus olhos. Eles refletem quem você é, são diretos, não são… esquivos, são verdadeiros. Se você lança uma ironia, você realmente está ironizando, mas se elogia, também está realmente elogiando. E eu… eu pensei ter visto neles… o mesmo sentimento que espero que possa ver nos meus.
O coração dela acelerou. Sim, ela via.
-E se eu vi certo, - ele continuou – me dá outra chance. Você é importante pra mim.
Tiago se aproximou e dessa vez ela não o impediu.
-Meu bom senso diria que não, - ela respondeu – mas eu não posso dizer isso.
Em resposta, ele a abraçou forte.
-A falta que o seu sorriso faz... – disse ele segurando o rosto dela – Apenas um sorriso... Você iria ao baile comigo, senhorita Evans?
-Iria, mas e Remo?
Ela nem tinha terminado a pergunta, quando percebeu:
-Remo e Mila nunca terminaram não foi?
-Não. – ele sorriu – Foi só uma idéia de Remo.
-De Remo? Onde fui me colocar? Bem no meio dos Marotos…
Ele riu e a abraçou de novo erguendo-a do chão.
A maior parte dos amigos comemorou o acontecimento. Amy sorriu, mas ainda desconfiava de Tiago, algo que só seria resolvido com o tempo.
Todos dançaram a noite inteira aproveitando os últimos momentos no castelo, já que iriam embora dois dias depois. Sirius até conseguiu convencer Amy a dançar uma ou duas músicas com ele, mas não mais. Cedo demais o baile acabou e eles subiram para seus Salões Comunais. Cedo demais estariam deixando Hogwarts e começando uma nova vida.
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N/A Oiiiii!
Sei que tive uma pausa horrível no meio da história. Apesar de ela estar pronta, eu não conseguia revisar minimamente para postar por causa da correria do dia a dia.
Não lembro se já tinha contado, mas a inspiração foi um poema chamado "Como viver mil anos", que vários anos atrás foi usado na propaganda do Açúcar União (eu sei, risos). O título de parte dos capítulos (os que estão entre aspas) são versos desse poema, que aliás é bem bonitinho, vale a pena dar uma olhada nele inteiro.
Faz um bom tempo que escrevi essa fic, pra dizer a verdade, e não sei se a escreveria da mesma forma hoje. Provavelmente, não. Mesmo assim, não quis deixá-la mofando no computador sem nunca ter visto a luz do sol. Espero que tenham gostado e ficaria muito feliz de saber o que vocês acharam do enredo, dos personagens e do que mais quiserem falar.
Tem fic nova chegando. Está praticamente pronta e também foi escrita há algum tempo. Mas falta revisar também * lágrimas *. Vai ser uma mistura de Lily e Tiago com Diário da Princesa. Animados?
Beijos,
Palas
