Cap II – O ponto de vista de Milo
Cara... Até agora não acredito que isso tudo aconteceu... Quando começaram a dizer que o Afrodite e o Shaka estavam tendo um caso não quis acreditar. Pra falar verdade, nunca acreditei. Sabe, eu fiquei abobalhado quando o Shaka disse não no casamento, mas nada mais que isso. O Afrodite e o Shaka não sabem, e nem vão saber, fizemos voto de silêncio, mas o Mask e Mú sofreram enquanto eles não estavam aqui. O Mask ficou saindo todas as noites, levava uma mulher por noite pra casa dele... Mas dava para perceber, mesmo, que ele sentia falta. De algo. De alguém. De Afrodite. Não foi uma nem duas vezes que vi ou ouvi o Mask chorando. Eu pensava: 'Porra. O Mask chorando por causa dele?'. Ficava imaginando o porquê, já que foi o Mask mesmo que terminou tudo. Já o Mú, calado, diferente, distante. Enquanto o Mask sofria e chorava, gritava para ver se melhorava a dor, o Mú sofria em silêncio. O que, na minha opinião, é pior.
Às vezes a gente ficava pensando como eles deveriam estar. O Kamus sempre dizia que algo dizia a ele que eles estavam sofrendo. Os dois. Além de mim, Kamus era o único que acreditava que havia um tipo de mal entendido nessa história toda. Os outros diziam que era besteira, nóia do Kamus.
Sabe, uns dois meses depois que os dois saíram, né, ficamos sabendo que o Mestre Shion tinha conversado com o Afrodite e o Mu com o Shaka. Tentamos ficar sabendo o que os dois disseram. Humpf. Desnecessário. Nunca ficamos sabendo o conteúdo das conversas.
Athena sempre dizia que nós tínhamos que tirar essa história a limpo. Demoramos a obedecer. Quando já tinha uns seis meses, fomos eu e o Kamus procurar os dois. Os outros dourados não concordaram. Mu dizia que Shaka sabia o que fazia, Mask simplesmente não queria mais ver o Afrodite, ao mesmo tempo em que sentia a falta dele (acho isso engraçado), os Gêmeos diziam que não devíamos nos intrometer, Deba era impassível, Shura, Aiolia e Aiolos queriam mais era matar os dois. Então fomos só o Kamus e eu, para Londres, já que isso era a única coisa a respeito dos dois que se sabia.
Eu e Kamus ficamos umas duas semanas 'zanzando' em Londres pra ver se achava os dois. Aí, numa manhã, nós resolvemos parar numa doceria. Kamus foi ao banheiro antes, e fui procurar uma mesa. Foi aí que vi o Afrodite. Comecei a conversar com ele normalmente, como se nada tivesse acontecido. Mas quando Kamus me viu e chegou perto, fez questão de me tirar dali. Seus olhos me diziam que estava com raiva, com pena. Então me levou para o caixa. Vi o Shaka. Não sei descrever o que senti. Só sei que me deu vontade de chorar quando vi ele na cadeira de rodas. Cara, quase chorei mesmo. Então pagamos o café que eu tinha tomado e começamos a 'espicular' o Shaka. Ele nos disse que ele ficou doente, Afrodite descobriu e não havia nada que Atena pudesse fazer a respeito da doença dele. Não disse mais nada, mas eu sabia que tinha mais coisas. Então eu pedi para irmos jantar a noite num restaurante por ali. Ele concordou, mas disse que o Dite não ia. Não perguntei por que, mas eu ia ficar sabendo, afinal.
Não perdemos tempo, eu e Kamus, e fomos logo avisar, por cosmo para o Mú e o Mask o que tinha acontecido. Nunca vi o Mask tão feliz... Mas já o Mú, quando a gente disse que o Shaka tinha ficado doente e estava paralítico e não ia voltar a andar, ele chorou. E muito. Sabe, os dois não perderam tempo e vieram logo. Só faltava chegar a hora de encontrar o Shaka no restaurante.
Já no restaurante, eu e Kamus ainda não tínhamos nos acostumado a ver o homem mais próximo de Deus em uma cadeira de rodas. Já disse, eu sei, mas dói. Até hoje dói ver ele assim... Voltando ao assunto, o Mú não agüentou e chorou ainda mais quando viu o Shaka. Era um misto de dor, culpa, pena e felicidade... Estranho... A primeira coisa que o Mask perguntou foi onde estava o Dite. Também queria saber, mais o Shaka desconversou, mas disse o que Afrodite estava fazendo. Ficamos boquiabertos. O Mask quis ir na hora ver o Afrodite. A gente não deixou. A gente queria que o Shaka terminasse de contar o que aconteceu. Shaka contou tudo, ou pelo menos a parte dele da história.
No outro dia, ficou combinado que Mask e Mú iam à casa do Shaka. Ele nos deu o endereço. Estava indo tudo ótimo, até que eu e Kamus percebemos que o cosmo do Mask estava fraco. Era como se ele estivesse lutando para viver. Aí Shaka ligou para o hotel. Nos disse que tinha acontecido um acidente com o Afrodite e com o Mask. Pegamos o endereço do hospital e fomos.
Lá conversamos com Shaka e Mú e achamos melhor saber notícias dos dois para depois Kamus e Mú irem para o Santuário contar o que aconteceu. Quando o medico chegou, disse que Afrodite tinha entrado em coma e não escaparia, e que Mask estava na UTI e estava correndo risco ainda, mas um risco menor que o do Afrodite. Ficamos pasmos. Pensei em como um simples mal entendido pode mudar uma vida.
No outro dia, os outros santos de ouro, Shura, Kanon, Aldebaran, Saga, Aiolia, Aiolos, com Mú e Kamus, chegaram e contamos toda a história para eles. Cara, não teve uma reação diferente. Todos eles ficaram meio assim... Meio que pasmos, sabe? E todos eles choraram quando viram o Shaka na cadeira de rodas. Todos. Ali no hotel, tomamos uma decisão. Decidimos que íamos largar as armaduras e ficar com eles. A gente não sabia se o Dite e o Mask iam sobreviver, o Shaka não podia voltar para o Santuário e ficar sozinho ele não ia. Então nos dois anos seguidos nós nos instalamos em Londres. Nesse meio tempo o Afrodite continuou em coma e o Mask na UTI. O Mask não podia sair do hospital, mas estava consciente. Ele deu derrame no lado esquerdo do cérebro, não falava mais e não estava andando. O Afrodite não teve melhora nenhuma. Até chegamos a cogitar a possibilidade de eutanásia. Nós não gastávamos dinheiro com hospital, a Saori pagava tudo, mas doía ver os dois...
Quando deu exatos três anos depois do acidente, Mask pediu para eu trazer papel e caneta para ele. Eu levei. Então ele começou a escrever uma carta. Graças que ele é destro... Bem, quando ele terminou, pediu para entregar ao Afrodite quando este acordasse. Nós não entendemos e dissemos que ele mesmo poderia entregar. Então ele disse "Eu não vou chegar a ver o Afrodite outra vez. Apenas digam a ele que o amo". Quando disse isso, a única coisa que eu ouvi foi o 'piiiiiiiiiiii' do troço que mede batimentos cardíacos. Então os médicos vieram para tentar reanimar ele, mas...
O dia do enterro foi o pior da minha vida. Era triste, ele não ia reviver. Então se passou sete anos. Nesses sete anos, construímos nossa vida. Somos casados, temos filhos, temos profissão. No dia que fez exatos sete anos, fomos visitar o Dite. Bem. Foi nossa surpresa, ele acordou. Nós nunca ficamos tão felizes na vida!
Vocês precisavam ver a cara de taxo do Afrodite quando dissemos que o Mask havia morrido. Mas ele deu a volta por cima, hoje faz faculdade. Nós hoje superamos o que aconteceu. Sinto falta do Mask e da vida que tivemos, mas... Bola pra frente! A vida continua!
