Parte II
A Senhora das horas - Machismo e arrependimento.
A roleta girou mais uma vez, só que mais fraca, e em poucos minutos atingiu o seu objetivo.
A mulher misteriosa ergueu a mão – que saiu de baixo da capa, mostrando-se. Era pálida, sem vida, e fez um pequeno movimento.
Londres, julho de 1514.
Palácio do rei Draco.
Hermione atravessou o salão do palácio, cumprimentando, uma vez ou outra, alguns empregados. Desceu três degraus e aproximou-se do quarto do seu marido. Girou a maçaneta e abriu a porta, onde estancou assim que olhou para dentro: Draco estava nu, sentado na cama, com uma jovem ajoelhada atrás dele e outra agachada a sua frente com a cabeça enfiada entre as suas pernas.
Os três pararam e a encararam.
As jovens deveriam ter no máximo quatorze anos e estavam alarmadas; Draco, entretanto, a encarava firmemente, como se até mesmo a recriminasse por ter interrompido seu divertimento .
Mione balançou a cabeça como se ameaçasse derreá-la, mas não o fez. Encarou-o por mais alguns segundos e se retirou, fechando a porta atrás de si.
Cretino!
Sentia raiva. Muita raiva. Principalmente de si mesma, por deixar que aquilo acontecesse em sua casa. Ele não estava arrependido por tê-la traído. Parecia não se importar com o que ela pudesse sentir após ter visto isso.
Cretino!
Provavelmente aquela não era a primeira vez que fazia aquilo. Não queria nem pensar no que os servos estariam achando dela. Deveriam julgá-la idiota. Ser traída assim... E naquele momento ela concordava.
Cretino!
Como ousava deitar-se com ela tendo já se deitado com outra? Não tinha nenhum pudor! Aquelas jovens eram crianças ainda. Estava estragando a vida delas com essa atitude machista.
Cretino!
O poder e a luxúria haviam tomado conta dele. Draco não era mais o homem com o qual ela se casara. Não era mais o homem que ela amava. Era um egoísta.
Cretino!
Ele não a procurou durante o resto do dia. Nem mesmo se encontraram na hora do almoço.
– Milord Draco está em uma reunião agora, Milady – informou Ronald, um empregado de confiança de Draco, ao cair da noite. – mas pediu que Milady o esperasse em seu quarto.
Ela não o ouviria. Não o perdoaria. Iria manter o pouco de orgulho que possuía, depois de ser ferida sem remorso algum.
Já era noite quando ela ouviu seus passos. Virou-se para a porta e o viu entrar sério, como costumava ser. A mulher ergueu a cabeça, não deixaria que ele fosse o único a ser imponente.
Ele fechou a porta atrás de si e aproximou-se. Ela não o reverenciou como sempre fazia. Manteve-se firme até que ele lhe deu uma bofetada no rosto com as costas da mão direita, fazendo-a virar o rosto e pôr uma mão sobre o local esbofeteado. A jovem o encarou com uma lágrima descendo pelo seu rosto.
– Como ousas?! – ele gritou. – Quem pensas que és para invadir o meu quarto sem a minha permissão? – e a segurou pelos ombros. – E ainda teve o disparate de fazer comentários com minha mãe sobre minha vida! – e a sacudia pelos ombros. – Pensas que tens direito por ser minha mulher? Pois não o tem. És para mim um troféu – e a segurou próximo ao seu corpo. – Minha mulher. Faço de ti o que quiser. Tu tens apenas que me servir. Essa é a tua obrigação – e a encarou por alguns segundos.
Os olhos dela não fugiram dos seus, não ameaçaram chorar e ela, em nenhum momento, pensou em tentar se soltar dele. Não conseguiria. Ela não possuía valor sentimental. Servia apenas para satisfazê-lo e para representar um papel na frente da população e da nobreza do reino.
– Entendeste? – perguntou a sacudindo. Ela não respondeu. – Responda-me! – ordenou segurando seu rosto tão forte que deixara a marca dos seus dedos ao soltá-la, logo após ouvir a resposta.
Draco a agarrou pela cintura e beijou-lhe os lábios com urgência. Ela retribuiu com a mesma intensidade.
De que adiantaria negar-se? Ele sempre conseguia o que desejava. Sempre a teria aos seus pés. Por mais que Hermione lutasse a favor da sua dignidade. Ela sonhara em ter uma vida diferente da maior parte das mulheres de sua época. Almejava a felicidade, mas percebera hoje que não havia escapatória. Era, para o seu esposo, um objeto de desejo. E este era o único momento no qual a jovem se sentia querida. Era a única vez que eles compartilhavam o mesmo sentimento: desejo.
Por mais mulheres que tivesse, com nenhuma ele sentia o mesmo que quando estava com ela. O mesmo prazer. A mesma luxúria tomando conta de seu corpo. O mesmo cheiro de excitação que emanava dela e que o deixava insano. O mesmo gosto que provava ao sorvê-la. Com ela era diferente. Era mais gostoso.
Draco puxou-lhe a roupa com força, rasgando-a até que o colo de Hermione estivesse à mostra. Beijou-lhe o pescoço, mordendo-o a cada suspiro dela. Desceu até a entrada dos seus seios e rasgou o resto da sua roupa, tomando um dos seus mamilos com a boca. Hermione gemeu com o toque da língua molhada do esposo. Draco lambeu ao redor do mamilo dela ouvindo-a gemer baixinho. Sabia seus pontos fracos e aproveitava-se disso.
Desceu o que restava da sua roupa e a tomou pelos lábios enquanto deslizava uma de suas mãos até a sua intimidade. Segurou-a pelos cabelos e desceu seus beijos até o alvo pescoço somente para ouvi-la gemer seu nome a cada toque dele. Sorriu malicioso ao sentir as unhas dela cravarem em um de seus braços após uma investida.
Mione ofegava. Estava à sua mercê. E ele adorava ter o controle. Os gemidos dela eram contidos, mas Draco estava preparado para mudar isso.
Empurrou-a até a cama e a deitou. Viu seu peito arfar enquanto sua boca entreaberta buscava respirar. Abaixou-se entre as suas pernas e, com a língua, provou o líquido que denunciava sua excitação. Arrancou um gemido mais descontrolado dela e estava disposto a continuar a provocá-la até que ela cedesse.
Conhecia os lugares onde Hermione perdia o controle e sabia como fazê-lo.
Segurou suas pernas inquietas e sentiu uma mão dela agarrar-lhe os cabelos após ele estimulá-la. Sua língua conhecia o caminho. E, aos poucos, se percebia que o controle da jovem estava esvaindo-se em meio aos gemidos desesperados.
Sua língua deteve-se em seu clitóris. Primeiro, suavemente para descontrolá-la e provocá-la. Depois com mais firmeza, ouvindo-a perder o ar em meio aos sussurros e gemidos constantes e intensos. Até que, minutos depois, ela sentiu seu corpo relaxar após uma onda de prazer invadir-lhe o corpo.
Draco ergueu-se com um sorriso maliciosamente irritante e a encarou. Mione arfava, as batidas do seu coração começavam a se normalizarem e seu delicado penteado já não existia mais. Ele retirou suas próprias roupas com um ar superior enquanto ela o encarava.
Aproximou-se novamente da cama e a viu ajoelhar-se a sua frente e beijá-lo. Ele a afastou segurando-a pelos ombros e a empurrou fazendo-a cair de costas no centro da cama. O homem subiu no móvel de joelhos e se aproximou dela que estava sentada. Agachou-se – fazendo-a se deitar – e a penetrou agressivamente, ouvindo-a gemer de dor.
Mordiscou o lóbulo de sua orelha fazendo suaves movimentos com a cintura e cravando seus dedos entre os dela – prendendo suas mãos acima da cabeça.
– Eu é que estou no comando – ele falou com dificuldade e aumentou o ritmo sem se importar com os gemidos de dor e prazer que ela proferia.
E em instantes o cenário mudara mais uma vez.
Londres, dezembro de 2007.
Residência dos Malfoy.
– Mione? – ele falou aproximando-se.
– Não se aproxime de mim – ordenou balançando a cabeça, sem aumentar o tom da sua voz. – Eu não quero mais te ver!
– Mione, me perdoe! – pediu indo até ela. – Eu perdi o controle! – e segurou um braço dela.
– Aí! – ela gemeu e ele a soltou imediatamente. A mulher olhou para o local onde ele havia segurado. Havia um corte ali. – Vá embora, Draco – falou, se afastando de frente para ele.
– Não, nós precisamos conversar – ele afirmou seguro.
– Vá embora! – gritou recomeçando a chorar.
Ele ficou em silêncio, vendo-a segurar o braço e continuar a chorar.
– Eu sou um fardo para você. – ela disse entre soluços. – Alguém que te sufoca, te aprisiona. – ele derreou a cabeça. – Olhe para mim! – gritou. E ele obedeceu – Não foi isso que me disse? – perguntou recompondo-se.
Ele não respondeu.
– Não foi isso que me disse, Draco? – ela insistiu. – Diga agora que estou mentindo! – ele a encarou firme, seus olhos estavam cheios de lágrimas, mas ela sabia que ele não choraria. Ele nunca chorava. Seu orgulho era mais forte do que qualquer dor.
