Parte IV
A Senhora das horas – O mistério das horas.
Londres, dezembro de 2007.
Residência de Gina Weasley.
O loiro bateu na porta da casa de Gina. Sabia que ela estava lá e precisava vê-la. Não estava mais agüentando...
Ronald abriu a porta e o encarou.
– Ela não quer te ver, Draco – o ruivo falou.
– Mas eu preciso falar com ela! – disse tentando esconder o desespero.
– Não insista – pediu amigavelmente. – Eu não gostaria de ter que te expulsar daqui.
– Por favor, Ronald – pediu com lágrimas nos olhos.
Rony apoiou uma mão no ombro dele. Sabia que estava sofrendo muito com a separação. Malfoy não era nada sem Hermione, assim como ela não era nada sem ele.
– Eu não posso fazer nada – comentou triste. – Sinto muito.
Draco o olhou. Ele era um bom amigo. Estava fazendo o certo, ele sabia que estava.
Estava sentado naquele degrau há quanto tempo? Talvez há algumas horas – não tinha certeza – mas pareciam dias. Seu corpo estava dolorido e cansado. Sua fisionomia estava desgastada, como se tivesse envelhecido anos nesses últimos cinco dias.
A porta atrás dele fora aberta mas o rapaz não prestara atenção, tinha a cabeça baixa e as mãos agarradas aos cabelos soltos.
– Draco? – ouviu alguém lhe chamar.
Aquela voz... Conhecia aquela voz. Era a dela.
Virou-se e a viu parada a porta. Ergueu-se calmamente.
– O que ainda faz aqui? – perguntou confusa.
– Preciso falar com você – disse com a voz embargada.
– Acabou, Draco – ela sussurrou.
– Por favor, Mione – pediu abatido. – Escute-me!
– O que você teria de diferente para me dizer? – questionou – Tudo já foi dito e esclarecido.
– Não, não foi! – rebateu e segurou os cabelos com uma mão.
A jovem o encarou. Seu abatimento era palpável mas ela estava decidida. Não voltaria atrás, pois sabia que ele erraria novamente.
O loiro a encarou enquanto abaixava-se aos seus pés, ajoelhando-se. Segurou uma das mãos dela e a beijou docemente. Hermione sentiu seu coração acelerar.
– Draco? – ela sussurrou – Levante-se.
Ele beijou as costas da mão dela, novamente.
– Perdoe-me – suplicou e a beijou outra vez. – Perdoe-me.
Lágrimas teimavam nos olhos dela.
Mione esticou o braço e afagou-lhe o rosto. Seu polegar acariciava a bochecha dele até que ela sentiu uma lágrima descer pela face do homem. Ela ergueu o rosto dele fazendo-o encará-la. Sim, ele estava chorando. Não conseguia acreditar. Draco era a pessoa mais orgulhosa que conhecera.
– Levante-se – pediu novamente e dessa vez ele obedeceu.
A mulher o abraçou e ele retribuiu o abraço agarrando a blusa dela com os dedos.
– Perdoe-me – suplicou, pela terceira vez, ao se soltarem.
– Como não te perdoar? – questionou – Eu te amo – e sorriu.
Draco piscou os olhos. Ela continuava a sorrir. Tudo parecia...parado. Virou-se e viu que um carro que passava pela rua estava estático no mesmo lugar. Ao pé da escada surgiu uma mulher cujo rosto estava parcialmente encoberto por um capuz preto. Ele recuou receoso. O que quer que ela fosse provavelmente não seria algo bom. Ela era a única coisa que se movia além dele.
– Não precisa ter medo – ela falou.
Sua voz soava docemente, como uma melodia. Sua capa movia-se graciosamente a cada degrau que ela subia, como em câmera lenta. Ele mal via seu rosto. Seus olhos pareciam negros e sua pela era alva, muito alva.
– Quem é você? – perguntou atônito – E o que fez?
– Suas perguntas serão respondidas em breve, Draco – ela sorriu.
Podia-se ver seus dentes brancos e perfeitos e seus lábios rosados e finos.
– Como sabe meu nome? – indagou afastando-se assustado.
– Sou a senhora das horas – falou tranqüilamente. – Sei sobre o seu passado e vejo o seu presente – ele balançou a cabeça confuso. Achava que estava delirando. Não acreditava em paranormalidades. – E estou aqui para lhe ajudar a concertar seu erro.
– Que erro? – questionou ainda confuso.
– O erro que você sempre comete quando lhe dou outra chance – proferiu aproximando-se. – Perder Hermione – e pausou vendo-o balançar a cabeça sem conseguir acreditar. – Venha, – disse apoiando uma mão em seu ombro – vou lhe mostrar.
Draco viu tudo estremecer. A imagem de Hermione estava distorcida. Até que sentiu faltar-lhe chão e, em segundos, viu-se em um consultório médico.
Interior da Inglaterra, maio de 1916.
Consultório do Dr. Malcon Sullivan.
– Infelizmente são más notícias as que te trago – disse o senhor de barba e cabelos brancos, olhos verdes, gordinho e baixa estatura.
Draco se achava preparado para o que quer que ele dissesse. Sabia que algo não estava certo. Aqueles enjôos e cólicas não eram comuns...
– Diga-me o que tenho – pediu decidido.
– O Sr. possui uma doença para a qual, infelizmente, a medicina ainda não tem cura – começou a dizer o mais cauteloso possível. – É uma espécie de câncer que o matará pouco a pouco. São poucos os casos já diagnosticados. Muitas pessoas morreram sem ao menos saber o que tinham – e o olhou fixamente. – Acreditamos que seja genético, Sr. Malfoy.
– E o que o senhor me recomenda, Doutor? – perguntou fechando as mãos como que para conseguir se manter sob controle.
– Que viva normalmente – comentou. – Posso prescrever alguns medicamentos para as cólicas e vômitos e no mais não há nada que deva deixar de fazer.
– Eu não posso ter filhos? – questionou.
– Não é que não possa – ele explicou. – O Sr. não deve, pois há uma grande chance deles adquirirem a doença. Apesar de seu pai não ter desenvolvido a mesma doença, a morte prematura de seu avô pode dever-se a isso.
Draco continha as lágrimas que insistiam em cair. Mas ele não choraria. Ele nunca chorava. Era superior a esses sentimentos típicos dos incompletos e fracos.
– Quanto tempo eu tenho?
– É difícil dizer... – falou inseguro. – Três anos. Talvez menos, talvez mais.
– Draco! – Hermione exclamou ao vê-lo entrar pela porta.
A moça ergueu-se e lhe beijou os lábios docemente. Ele não retribuiu. Estava muito abatido, tanto que a jovem pediu que ele se sentasse, pois deveria estar com algum mal estar.
– Sente-se bem, meu filho? – Narcisa questionou entregando-lhe um copo com água.
– Está tudo bem – disse negando a água que lhe foi oferecida.
Hermione passou uma mão em sua testa indo até os seus cabelos. Ele retirou a mão dela.
Havia pensado muito no caminho até em casa. Seria melhor assim. Seria melhor para ela que ele agisse assim. Não poderiam ter filhos. E ela sofreria menos quando ele morresse se achasse que ele não a amava mais. Ou, até mesmo, que nunca a amou.
– O que você tem? – ela questionou aflita.
– Nada – ele rebateu levantando-se – Pare de se preocupar.
Tempo indefinido.
Em algum plano.
– Eu a afastei de mim? – o Draco real perguntou pasmado.
– Ainda bem que entendeu – a senhora das horas disse. – E essa não foi a única vez.
– Não? – indagou arregalando os olhos.
– Não – respondeu. – Em todas as chances que lhe dei você repetiu o mesmo erro.
Londres, fevereiro de 1516.
Arredores do palácio do rei Draco.
– Mas não é certo, Severo – disse Draco, argumentando – Ela é minha esposa. Eu deveria tratá-la como tal.
– E não é o que estais a fazer? – Snape rebateu após tomar um gole da bebida – Se as tratarmos muito bem, sentir-se-ão no direito de nos contradizer.
– Não devemos maltratar quem amamos – falou.
– O amor é para os fracos, Draco – comentou o homem mais velho, segurando um de seus ombros.
– Milord! Milord! – gritava um reles empregado, correndo sala adentro.
– Como ousas entrar na casa de Sir Snape sem permissão, seu bastardo?! – bradou o rei.
– Perdoe-me, Milord! – disse reverenciando-o. – Venho assim pela urgência da notícia.
– Digas, inferno! – vociferou dando-lhe um sopapo na cabeça.
– O reino foi invadido pelo Potter e seus soldados.
– Mas como conseguiram isso?! – gritou. – Bando de inúteis! – e lançou o copo contra a parede.
– Suspeitamos que Ronald Weasley seja o traidor, Milord – disse ainda afobado pela corrida.
Draco correu, juntamente com o empregado e os poucos soldados que haviam acompanhado o rei, até o palácio.
– Simas!
– Sim, Milord? – questionou o soldado ao lado dele.
– Reúnas os soldados e mande-os ao castelo! – ordenou – Agora! – e Simas correu até a concentração.
O jovem entrou na vila, já se viam alguns aliados do Potter lutando contra os poucos soldados que se encontravam no local. Ele seguiu – protegido pela sua guarda pessoal – até o palácio.
Espumava de raiva. Mereciam todos à morte. Todos! Especialmente seus próprios soldados que permitiram que isso acontecesse. Inúteis! Puniria a todos quando tudo se normalizasse.
– Milord? O que está havendo? – questionou Gina.
Uma Weasley.
Fazia-se de desentendida mas ele não acreditaria nas palavras que saiam de seus doces lábios.
Era um desperdício... Que seja!
A lâmina da espada de Draco passou rapidamente pelo pescoço dela, como uma faca contando uma maça ao meio.
– Não! – gritou Ronald correndo até a irmã.
Os soldados o barraram.
– Traidor imundo! – Draco gritou indo até ele e segurando seu pescoço com uma mão. – Digas o que eles querem!
– Milord... – o empregado disse. – Perdoe-me!
– Digas! – e o ameaçou com a espada.
– Querem ao senhor, Milord – falou com falta de ar.– Querem matá-lo!
– E onde está Harry Potter agora?
– Ele achou Milady. Está com ela – respondeu. – Em seus aposentos – o rei o soltou e correu até o quarto da esposa, sendo seguido pelos soldados.
Abriu a porta do quarto dela com urgência e a tempo de vê-la com uma espada a mão tentando se defender de um soldado inimigo, enquanto outros soldados esfaqueavam a guarda pessoal dela.
Draco adentrou o cômodo juntamente com seus soldados – que começaram a confrontar os invasores – e seguiu até ela cortando o pescoço de um homem.
Harry Potter pulou da cama até ela e cravou a espada na barriga da mulher, retirando-a em seguida. A jovem caiu de joelhos e pendeu para o lado, largando-se no chão gélido.
– Não! – gritou o rei, o mais alto que pode.
Um grupo de soldados foi até Potter para tentar capturá-lo mas ele e seus comparsas pularam pela janela caindo no pátio.
– Sigam-no! – ordenou Simas. E ele e os outros pularam, também, a janela.
– Milady? – Draco chamou ajoelhando-se ao seu lado.
Pôs uma mão sobre o ferimento tentando conter o sangue mas era inútil.
Ela tentava falar porém nada saía.
– Não morras! – pediu afagando seu rosto.
Hermione o encarou. Ele tinha lágrima nos olhos. Era a primeira vez que o via assim. Parecia até mesmo...humano. Mas ainda era orgulhoso e sabia manter-se indiferente. Sabia não chorar.
– Perdoe-me – pediu triste.
E a viu agonizar em seus braços até que seus olhos se fecharam, por fim.
Tempo indefinido.
Em algum plano.
Draco chorava. Era sua culpa. Como fora burro! Ele a amava. Por quê nunca demonstrou isso? Por quê deixou que tudo acabasse assim?
A senhora das horas apoiou uma mão em seu ombro.
– Não se culpe tanto – falou. – Você é humano. E humanos cometem erros.
– Mas não foi um simples erro! – bradou fazendo-a retirar a mão de seu ombro. – Ela morreu por minha causa!
– Talvez não devêssemos continuar... – opinou.
– Não – discordou enxugando as lágrimas. – Iremos até o fim.
Londres, setembro de 1825
Sala de visitas da Penitenciária estadual.
– Você não teve culpa – ela rebateu ainda sussurrando. – Ele estava bêbado, o atacou sem motivos e você apenas se defendeu.
– Não foi sem motivos, Mione – ele disse suave. Ela ergueu a cabeça e o encarou – Foi por sua causa – as batidas do coração dela aceleraram. – E eu sei que você sabe o porquê – havia tristeza na voz dele. – Não foi sem querer. Eu sabia o que estava fazendo.
– Você foi burro! – ela rebateu alterando-se enquanto uma lágrima descia pelos seus olhos. – Estragou a sua vida! Acabou com ela! Ninguém vai te inocentar apenas porque você o matou tentando me proteger.
– Eu não conseguia mais agüentar aquilo – ele revidou.
– Quem estava agüentando era eu! – gritou deixando que outras lágrimas descessem pelas suas bochechas.
– Não! – ele gritou erguendo-se de supetão e chegando até mesmo a derrubar a cadeira atrás de si. – Você não sabe o que era olhar para ele todos os dias sabendo o que ele fazia com você todas as noites! – berrou.
Um silêncio imperou por alguns segundos. Longos segundos para ele. Seu coração batia forte. Tudo o que fizera fora para acabar com seu sofrimento. Mas por quê ela ainda chorava?
Observou-a caminhar lentamente até ele e recostar o rosto em seu peito. Ele esticou os braços, seus dedos estavam tensos, e a envolveu. Beijou sua testa.
– Não era para ser assim – ele proferiu. – Não foi isso que planejei. Você deveria ter... paz.
Ela ergueu a cabeça e o encarou. Seus olhos estavam vermelhos assim como o nariz, era assim que ela se denunciava quando chorava.
Draco aproximou seu rosto do dela ultrapassando os poucos centímetros que separavam suas bocas. Ela, pega de surpresa, chegou até mesmo a pender seu corpo para trás mas se rendeu. Deslizou suas mãos pelo pescoço dele acariciando sua nuca com as unhas enquanto ele a trazia mais para perto, com medo de serem interrompidos, e intensificava as carícias que sua língua fazia na dela.
Ao se afastarem ele não chegou a soltá-la e também não abriu os olhos. Ainda necessitava senti-la próxima. Talvez fosse a única vez que faria isso.
Mione o encarou. Ele parecia lutar contra algo. Segurou seu rosto com as mãos fazendo-o abrir os olhos.
– Eu sempre te amei – sussurrou deixando que uma lágrima solitária caísse. – Se você me dissesse... Se esperasse mais alguns meses... – os olhos dele se encheram de lágrimas novamente. – Eu já seria dona de mim e nada iria nos impedir de ser feliz. Nem mesmo meu pai.
– E se você não agüentasse mais alguns meses? – perguntou com a voz embargada. – E se eu te perdesse para sempre?
– E não é exatamente isso que acontecerá amanhã? – disse triste.
Ela estava ali. Draco achava que não a veria nesse dia. Não queria que ela sofresse. Não queria. Havia pedido que ela não viesse, que ficasse na casa de seus tios. Mas ela era teimosa.
O agente penitenciário prendeu seus braços e pernas a cadeira. O jovem olhou mais uma vez para Hermione que o encarava fixamente. Ela se fazia de forte naquele momento. Nem mesmo uma lágrima teimava em seus olhos, pois sabia que o que ele menos precisava era vê-la chorar.
Depois olhou para sua mãe que, com um lencinho a mão, assistia tudo imóvel.
Enquanto um carcereiro se aproximava para colocar o capuz nele, ele a encarou – com os olhos cheios d'água – uma última vez e a viu mexer os lábios dizendo silenciosamente que o amava. Ele sorriu e logo depois seu rosto foi coberto pelo capuz preto.
O supervisor ordenou com a cabeça que ligassem a cadeira elétrica e o rapaz que estava ao lado da chave o fez.
O corpo de Draco estremeceu por alguns longos segundos, agonizando, até que a máquina fosse desligada.
Hermione levou uma mão à boca. Agora as lágrimas não precisavam mais ser contidas e ela chorou copiosamente. Sua tia abraçou-lhe triste. Talvez nem mesmo a mãe dele estivesse sofrendo tanto quanto a moça nesse momento.
Tempo indefinido.
Em algum plano.
–Você cometeu muitos erros, Draco – ela comentou. – De diversas formas e por diversas vezes, mas sempre ocasionava a mesma coisa. Você sempre perdia Hermione. Mesmo tentando protegê-la.
– E sempre fui condenado por isso – ele complementou melancólico.
– Essa era a sua última chance.
– Era? – perguntou entrando em pânico.
– Você morrerá hoje, – ela disse triste. – quando estiver voltando para casa. E isso será com ou sem Hermione.
Lágrimas caíram dos olhos dele.
– Mas você ainda pode fazer a coisa certa – a senhora das horas comentou. – Você ainda pode concertar [btudo.[/b
Londres, dezembro de 2007.
Varanda da residência de Gina Weasley.
–Draco? – ouviu uma voz distante chamá-lo – Draco, você está bem?
Ele piscou os olhos e balançou a cabeça levemente. Era Hermione que o chamava. Ela ainda sorria. O mesmo sorriso de antes de a senhora das horas aparecer.
– Estou – concordou com a voz embargada. – Já está escurecendo – disse mantendo a voz o mais normal possível. – É melhor eu ir embora.
– Como? – ela riu sem entender. Ele a encarou. – Eu acabei de lhe perdoar e lhe dizer que o amo.
– Eu preciso mesmo ir – repetiu.
– Pois iremos juntos – sorriu.
– Você morrerá hoje...com ou sem Hermione.
– Não! – ele gritou mas logo depois retomou o controle. – É melhor que fique aqui hoje – pediu segurando seus ombros. – Nós nos veremos amanhã – e esboçou um sorriso.
Mione o encarou confusa. Havia algo estranho nele. Parecia desesperado, desnorteado.
Ele beijou-lhe a boca com carinho. Por quê ela sentiu que aquele beijo tinha o gosto de um adeus?
O rapaz desceu as escadas seguindo até o seu carro.
– Mas, Draco... – ela disse ainda confusa. – Pare! – pediu seguindo-o. – O que está acontecendo?
Ele entrou no carro e deu a partida mas ela ficou na frente do automóvel.
– Não minta para mim – falou ficando preocupada. – O que está acontecendo? – ele viu uma lágrima cair de seus olhos.
Abriu a porta do carro e saiu. Ela veio até ele e o abraçou forte. Hermione chorou em seu ombro por alguns segundos até que ele conseguiu acalmá-la. Beijou-lhe os cabelos.
– Eu te amo – ele sussurrou decidido.
A jovem ergueu a cabeça e o encarou. Ele continuava estranho.
– Você está me assustando – disse baixinho.
– Eu te amo – repetiu olhando para o horizonte.
Ela estava ali. Ele podia senti-la. A senhora das horas. A dona da sua vida.
– Eu sinto muito por tudo – comentou encarando-a e afagando seu rosto. – Tudo o que fiz foi para te proteger ou porque fui burro. Eu nunca queria te magoar – e beijou-lhe a testa. – Quero que seja feliz. Mesmo que não seja comigo.
– O que você está dizendo, Draco? – perguntou entrando em desespero. – Nós continuaremos juntos.
– Prometa-me que será feliz – pediu sem encará-la.
– Eu só serei feliz ao seu lado.
Ele a afastou e entrou no carro.
– Draco? – ela gritou vendo-o dar partida. – Draco!
Ele acelerou seguindo pela rua pouco movimentada até passar pelo sinal verde e ver tudo escurecer em segundos.
Tempo indefinido.
Em algum lugar entre esse mundo e o outro plano.
Draco piscou os olhos. Estava muito claro e isso ofuscava as vistas. Será que estaria no céu? Depois de tudo o que aconteceu ele passou a acreditar em Deus e tudo que o envolve. Piscou os olhos mais uma vez, estava acostumando-se ao clarão. Via, agora, algo branco acima de si. Tudo ainda estava muito confuso.
Fechou os olhos e os abriu poucos segundos depois. Podia ver o teto branco. Virou-se para o lado e viu que estava deitado em uma cama. Distinguiu o guarda-roupa e a escrivaninha. Voltou-se para o outro lado e pôde ver a estante com o rádio-relógio. Era o seu quarto.
Londres, dezembro de 2007.
Residência dos Malfoy.
Sentou-se na cama lentamente, reparando que vestia apenas um calção marrom-esverdeado. Passou uma mão nos cabelos e apagou a luz vendo o entardecer invadir o quarto. Estava confuso. Lembrava da briga com Hermione, dos dias sem ela, da senhora das horas e do acidente. Mas ele estava vivo.
Ergueu-se e seguiu até o banheiro para tomar banho e escovar os dentes.
Saiu de lá com os cabelos ainda molhados e vestindo o mesmo calção. Saiu do quarto adentrando pela sala. Seu coração acelerava a cada passo. A esperança de tudo não ter passado de um sonho.
– Boa noite, dorminhoco! – disse uma voz divertida.
Ele voltou-se para a cozinha e a viu caminhando até ele com um largo sorriso no rosto. O rapaz sentiu seu corpo relaxar e as batidas do seu coração começarem a voltar ao normal. Ela o beijou rapidamente e seguiu até a estante da sala.
– O que acha de comermos algo diferente hoje? – perguntou pegando o controle do rádio.
Ele a abraçou por trás e depositou um beijo em seu pescoço.
– Eu pensei em comida italiana – disse ligando o rádio e colocando o controle no lugar.
– Para mim está ótimo – concordou sorrindo ao soltá-la.
Ela também sorriu.
E uma suave música começou a tocar.
– Dança comigo? – a jovem perguntou erguendo uma mão.
O loiro concordou com a cabeça e a trouxe para perto, abraçando a sua cintura com um braço e segurando uma mão dela próxima ao peito com sua outra mão livre. Ela apoiou a cabeça em seu ombro inalando o perfume francês que ele usava. Era desnorteante.
– Eu te amo – ele disse enquanto Mione afagava a sua nuca com os dedos.
– Eu também te amo – ela concordou de olhos fechados.
Enquanto dançavam suavemente e com passos simples, ele olhou pela janela e viu uma pessoa do outro lado da rua – com o corpo coberto por um capuz – encarando-os. O capuz foi abaixado. Ele não conseguiu ver seu rosto, mas sabia que era ela. Estava ali para lhe mostrar que não fora um sonho e que ele recebera outra chance. A última chance. Mas dessa vez ele não cometeria o mesmo erro.
FIM
Agradecimentos:
Agradeço a Kimberly Desiree (Asrail) por ter insistido tanto que eu participasse do challenge. Foi o meu 1º chall e uma ótima experiência. Gostei muito de ter escrito sobre o shipper e espero escrever mais vezes sobre ele.
Agradeço também as minhas betas: Adriana Snape e Amanda Morais que fizeram um ótimo trabalho e me ajudaram bastante. Muito obrigada, meninas.
E, por fim, agradeço a Moony Ju, minha twin, pelos pitacos e dicas que deu em certas partes da fic.
