Disclaimer: Tudo nessa fanfic pertence à tia J.K. Rowling, exceto a minha idéia. Até porque, eu jamais ia permitir que a Ginny ficasse com o Harry. Que ultraje!

N/A: Parte dois, para quem mandou reviews!!


Gina acordou, sentindo muito frio. Sabia que alguma coisa havia acontecido, mas não sabia o quê. Estava deitada em algum lugar realmente gelado. Sabia também que estava no jardim, mas já não nevava, havia apenas um vento quente, ligeiramente reconfortante. Gina suspeitou que já fosse tarde, pois estava muito escuro. Sua mão voou até o pescoço, onde encontrou o pingente que havia ganhado de Tom. Tentou puxá-lo, mas este não possuía fecho, e a corrente parecia ter sido feita de um material muito resistente. Sentou-se, ainda tentando arrancar o colar, sem sucesso.

-Não gostou do meu presente? – Ele falava com um tom de divertimento na voz. Isso enfureceu a ruiva de tal modo, que ela levantou-se num salto e virou-se, atrás dele. Não precisou procurar muito. Ele estava perto dela com um sorriso sarcástico, como sempre. Ela não pôde deixar de lembrar-se dos dias que passara conversando com ele. A raiva transformou-se em nostalgia, e uma lágrima caiu solitária pelo rosto da garota.

-Se ele não me lembrasse tanto você, Tom, eu iria ter gostado mais dele. – disse ela, tentando controlar a emoção em sua voz e a dor que apertava seu coração.

-Você não gosta de lembranças minhas?

Ela sabia o que devia responder, mas não respondeu. Manteve-se calada, como sempre. Era um terreno mais seguro ficar quieta, pois sabia que falar com Tom era o mesmo que correr todos os riscos. E ela não queria mais falar.

-Bom, essa é uma lembrança eterna. O único que um dia poderá removê-la serei eu. Mas não tenho essa intenção.

Ele se aproximou dela, e a garota notou que ele estava fazendo contato visual, e movia os lábios rapidamente. Que diabos estava acontecendo!? Ela havia sido "transportada" para o jardim de sua casa mais de uma vez naquele dia, encontrara a memória de um adolescente que não deveria encontrar, velas se apagaram sozinhas, ela usava um colar com um pingente de gelo que não conseguia tirar do pescoço, havia desmaiado na escada e acordado no jardim, onde o "adolescente" estava fazendo algum feitiço, pois não tirava os olhos da ruiva. Alguma coisa muito errada estava acontecendo, e ela queria saber o que era.

-O que está acontecendo, Tom? Por que você voltou?

-Confie em mim, Ginevra.

-Por que eu deveria?

Ele olhou para ela de um modo sinistro, que fez seu sangue gelar. Ela nem tentou falar novamente. Desviou seus olhos dos dele, que havia parado de mover seus lábios, mas continuava encarando a ruiva, deixando-a desconfortável.

-O que você quer, Tom?

-Quero que você acredite em mim. E faça o que eu te pedir.

-Sinto muito. Não farei nada.

-Você vai. Por bem ou por mal. – Tom não sorria de modo algum, só havia uma expressão em seu rosto: determinação. Gina se perguntou o que ele pretendia. Mas achou melhor guardar a pergunta para si.

-Como assim, por mal? –Estava desesperada para saber mais sobre aquilo.

-Não se faça de tonta. Eu posso e vou controlá-la, se você não me ajudar. – ela já não desejava saber mais sobre o que Tom planejava, só queria escapar dali. – Mas prefiro acreditar que você vai colaborar comigo, e vai fazer o que eu mandar. A começar, – acenou ele com a varinha, fazendo com que duas taças fossem conjuradas, – por um brinde.

Gina fechou os olhos, querendo acreditar que aquilo era apenas um sonho. Mas, ao abrí-los, Tom continuava a sua frente, agora segurando duas taças de prata. Ele estendeu uma delas para a garota, que acabou pegando. Ela teve a impressão de que seria a única a tomar algo, mas continuou calada. Ele, sem uma palavra, levantou a taça. Ela o imitou, e quando tomou o liquido da taça, percebeu que este não era vinho. Sentiu o gosto agridoce de sangue. Assustada, rapidamente afastou a taça de seus lábios, fazendo com que sangue pingasse em seu vestido branco. E, vendo gotas escorrerem no tecido fino, lembrou-se do seu desenho. Sentiu-se fraca, e por pouco não caiu no chão.

I can't separate myself from what I've done

-O que houve?

-Nada... Tom, eu não quero beber isso...

-Mas você vai querer.

Logo após Tom ter dito isso, ela sentiu algo dentro de si, que a fez querer beber o conteúdo da taça. Hesitou por um momento, mas acabou fazendo. Depois, ela tinha os olhos cheios de tristeza, e olhava para Tom.

-Por que Tom?!

-Porque eu assim desejei.

-Por que eu tive que beber esse sangue? Provavelmente era o seu sangue. – Gina quase gritava, principalmente pela frieza que Tom demonstrava.

-Para que você pudesse ser uma das minhas... – a garota o interrompeu, com a voz assustada.

-Eu sou sua... serva?

-Não. –ele sorriu, friamente - Você é mais que uma serva, mais que um Comensal da Morte. Você é uma parte de mim.

-Não pode ser... – os pensamentos que Gina tivera até então pareciam absurdos perto do que ele havia falado. Não poderia estar acontecendo, era um pesadelo. – Você não está dizendo que eu sou... sou uma Horcrux? - ele pareceu levemente surpreso, mas se refez rapidamente.

-Exato. Você é uma parte da minha alma. Mesmo antes de você se transformar, já havia mais de mim em você do que era possível imaginar.

-Isso não é verdade! Você está mentindo! Você precisa matar alguém para isso! – agora Gina gritava mais alto, e andava até sua casa. Queria acabar com aquilo de uma vez por todas.

-Você já vai encontrar uma comprovação. – disse ele, sentando em uma pedra. Antes de abrir a porta da cozinha, confusa, olhou para a pedra onde ele se sentara. Ele se mantinha parado, sem esboçar reação alguma, enquanto começara a nevar novamente.

Ela, então, entendeu o que ele falou. Nos primeiros degraus da escada, estava Luna, caída. Morta. Gina gritou, não queria que fosse verdade. Mas ela sabia que era, e, de algum modo, ela já sabia o que fazer. Lágrimas quentes escorriam de seus olhos, emoções se misturavam dentro dela, mas a que predominava era a raiva. Ela subiu correndo os degraus, indo até seu quarto. Lá, procurou por um pedaço de pergaminho, e escreveu.

Tom Riddle é como um fantasma, que me assombrou em meu primeiro ano em Hogwarts, e parece ter voltado a me assombrar hoje. Consigo vê-lo, em momentos que mais parecem sonhos, que, no entanto, deixam marcas reais. Vê-lo outra vez me assustou, e, por um desses momentos, me senti como se me integrasse a ele, como se fôssemos um só. Ele é responsável pela morte de Luna, e por conseqüência disso, eu também sou.

Mas eu me recuso a ser parte dele. Nem que para isso, eu não possa continuar viva.

Rasgou o pedaço escrito, e rabiscou algumas outras linhas no resto do pergaminho. Deixou o bilhete no quarto, e desceu novamente. Ela hesitou em abrir a porta, enquanto mirava Tom ainda sentado na pedra. Seus cabelos estavam salpicados com flocos de neve, e ele pareceu muito doce, como da primeira vez que o viu. E ela desejou novamente que aquilo não fosse real. Mas ela sabia que era, e desta vez, Harry não chegaria para salvá-la. A garota abaixou a cabeça, e girou a maçaneta.

You've given up a part of me

O vento se tornara novamente gelado, e penetrava no tecido fino de seu vestido. A neve caiu e prendeu em seus cabelos. O garoto levantou-se, e ela teve a impressão de que ele estava mais alto. Ela corria sobre a neve que se acumulava no chão. Não sabia o porquê de correr, apenas queria fazê-lo. Ao chegar junto às pedras, onde ele havia se sentado, e agora estava de pé, ela enlaçou seus braços no pescoço dele, sentindo o gelo que nele residia, mas, ignorando isso, o beijou.

Ela sentiu o frio na boca dele, o frio de sua própria. E sentiu também o calor de uma lágrima salgada que correu de um de seus olhos. Com os olhos fechados, separou-se dele. Ela não queria, havia algo de reconfortante nos lábios dele. E, mais do que em qualquer momento em sua vida, ela sentiu-se só. Pela decisão que teve de tomar. Mesmo ela sendo uma parte dele.

-Adeus – ela murmurou, colocando entre as mãos frias dele, que agora pareciam estranhamente finas e muito mais pálidas que o normal, um pedaço de pergaminho. Ela olhou em seus olhos, que também pareciam ter mudado de preto pra um vermelho escuro.

-Aonde você vai? – ele a analisava, como se os olhos tristes e cheios d'água da garota lhe fossem estranhos.

-Para outro lugar. Um lugar onde eu não possa encontrar você.

-Mas o qu... – ele não teve tempo de argumentar, ela voltara a correr, agora em direção à margem mais funda do lago. Ela parou, pois, se desse mais um passo, cairia. Ele correu até onde ela estava, mas não fez nada. Não precisou. Suas feições claramente mandavam Gina sair de perto da água.

-O que foi? É muito ruim para você se eu pular?– Ela olhava para ele, que parecia não acreditar no que via. – Mas algum dia você se importou, mesmo sabendo o quanto eu me torturava por pensar em você todos esses anos?

-Não, Ginevra, você não vai pular. – ele olhava para ela, a voz dele calma, mas com algumas notas estranhamente agudas.

-Se você acha que vai me controlar com isto, - disse ela, arrancando a jóia do pescoço, sabendo que, desta vez, poderia tirá-la, por ser parte dele, parte da força que controlava aquela magia, – se enganou.

Ela jogou o colar no chão e o encarou. Na verdade, ele já não se parecia com Tom. Estava tão branco quanto giz, seus olhos eram de um vermelho vivo. Ele parecia estar adquirindo feições ofídias, mas a garota preferiu não saber o que acontecia. Apenas jogou-se no lago.

Gina sentiu a água fria, mas continuou a nadar. Ainda com ar nos pulmões, virou-se para a superfície, e olhou para ele, que já não era mais Tom... ele havia se transformado em Voldemort. Ou a garota assim achou. Pois seus pensamentos se tornaram confusos a partir do momento em que sentiu como se seu crânio estivesse sendo rachado. Havia batido em uma rocha pontiaguda no fundo do lago, que cortara sua cabeça. Viu a água estava se tornar avermelhada a sua volta. E sentiu-se mais aliviada do que jamais se sentira.

You've let myself become you


Ele a viu jogar-se no lago, sem perceber a maldição que se perdeu no ar, com o intuito de controlá-la. E, apertando os punhos, percebeu o pedaço rasgado de pergaminho que a garota havia colocado em suas mãos.

You've become a part of me
You'll always be right here
You've become a part of me
You'll always be my fear
I can't separate myself from what I've done
You've given up a part of me
You've let myself become you

Ele mirou o lago, e viu que este parecia estar se tornando avermelhado. Percebeu que no fundo se encontrava a garota, sangrando. E sentiu algo que nunca sentira antes. Ele não entendeu, mas sabia que tal sentimento não deveria ser entendido, apenas respeitado. Mais ainda, escondido. O lago agora era vermelho escuro por completo. Ele juntou o colar do meio da neve, o colocou junto da poesia no bolso interno das suas vestes e aparatou.


Epílogo

O verdadeiro significado das últimas palavras da garota só foi esclarecido com o fim da guerra, quando a Ordem venceu. Foi descoberto por aurores o plano de Voldemort de transformar Ginevra Weasley em uma Horcrux, embora fosse claro, agora, que o pior bruxo de todos os tempos não houvesse contado com a possibilidade de uma simples garota conseguir se livrar dos feitiços que a controlavam, e matar-se, destruindo com ela, uma parte da alma de Lorde Voldemort.


N/A: eu, definitivamente, não sou assim. Esse foi lapso momentâneo de loucura, transformando a doce Ginevra e o fofo Tom em dois loucos psicóticos. Não tenham medo. Deixem reviews... xD